SOS MATANÇA no banco millennium Angola do forno crematório nazi. Correr e fechar portas e janelas porque vem aí terríveis toneladas de fumo do gerador da morte horrível da engenharia criminosa dos tugas que tudo fazem para nos exterminarem para que consigam empregos. As crianças bebés morrem cancerosas dos pulmões porque o ordens superiores o ordenou. Em Luanda sem matar não se pode facturar. Os tugas têm que nos matar em todos os apartamentos nos gasear. É na rua rei Katyavala em frente à Angop

domingo, 31 de Outubro de 2010

Morreu Dom Mateus Feliciano Tomás – Bispo do Namibe


Namibe - A população do Namibe chora a morte prematura do seu pastor, Dom Mateus Feliciano Tomas, vítima de acidente de viação, ocorrido na localidade de chongoroi, pelas 15H30 de sábado, 30 de Outubro de 2010.

Fonte: Club-k.net

Vítima de acidente de viação
O Prelado que durante a semana, participou na assembleia geral da CEAST-Conferencia episcopal dos Bispos de Angola e são Tome e Principe, onde era Presidente da comissão episcopal dos leigos, deslocou-se ao Huambo, via terrestre e já de regresso ao Namibe, na localidade de chongoroi, deparou-se subitamente com bois cortando a estrada a correr. Segundo as testemunhas, fez tudo para que se desviasse do ano animal, mas o acidente foi inevitável. Desde as 15 horas e trinta minutos em que aconteceu o sinistro, segundo fontes no local, o socorro que veio de Benguela, as 17H00, encontrou o Bispo Dom Mateus Tomas já sem vida.

Os restos mortais de Dom Mateus Tomas foram transladados para Benguela ainda ao cair da noite deste sábado 30.10. A Radio Ecclesia, aguarda pelo pronunciamento da CEAST, que deverá confirmar a morte prematura do primeiro Bispo do Namibe dom Mateus Tomas. No Passado dia 19 de Outubro, numa das ultimas entrevistas concedidas aos órgãos de comunicação social privados da Província do Namibe, publicados na voz de america, radio ecclesia, despertar e jornais privados em Luanda, Dom Mateus Tomas, apelava por um olhar mais atento das autoridades do Governo central aos problemas sociais das comunidades."A seca assola a população autóctone no interior da Província e o desemprego e a fome graça a população do Município do Tombwa que abandona massivamente a localidade para outras paragens".

Para a primeira quinzena de Novembro, Dom Mateus, segundo fontes do club-k naquela Província, previa realizar a segunda assembleia pastoral que tinha como objectivo avaliar o cumprimento da primeira Assembleia, que tinha como o tema "Namibe em Marcha". Dom Mateus Tomas, partiu para a eternidade, o lançamento da primeira pedra de edificação da Diocese do Namibe, será feita pelo seu sucessor. Dom Mateus Tomas, leccionava a disciplina de moral no ICRA-Namibe e era um pai para muitos, naquela província do Namibe.

Neste momento de dor e luto, o Club-k.net apresenta a Comunidade Cristã Catolica do Namibe, a Conferencia Episcopal do Bispos de são Tomé e Principe, CEAST, os sentimentos de pesar, que a sua alma descanse na paz do senhor.

ALGUNS DADOS BIOGRÁFICOS.
Mateus Feliciano Tomás, filho de Feliciano Kanombo e de Florentina Uandi, nasceu a 21 de Fevereiro de 1958, no Chinguar, Município do Chinguar. Província do Bié, baptizado no dia 8 de Março do mesmo ano. Deu os seus primeiros passos na vida académica na aldeia de seus pais, Chipaca, na Comuna do Chiumbo, Município de Katchiungo, passando imediatamente a seguir, para a Escola Primária do Alto Chiumbo. Em Setembro de 1967 ingressa na Missão Católica da Trapa, como interno da referida Missão a fim de continuar os estudos e, a 25 de Dezembro recebe a Primeira Comunhão, na Missão Católica da Bela Vista (ou Vavayela) e a 11 de Outubro de 1968, recebe a Confirmação na referida Missão.

Após o Ensino Primário, é enviado para o Seminário Menor da Caála, aos 21 de Setembro de 1971, como Seminarista Aspirante Trapista. Após 4 anos, e devido à situação político-militar, o Seminário Menor do Quipeio fica encerrado e os seminaristas são alojados no Seminário dos Padres da Congregação do Espírito Santo, no Huambo, onde conclui o 5º Ano em 1976.

Com a morte do Padre Domingos, Mestre de Noviços, a destruição do Mosteiro da Trapa e a consequente retirada da maioria dos Monges para a Espanha, não foi possível o seu ingresso no Noviciado e em Setembro de 1977 entra no Seminário Maior de Cristo Rei onde frequenta conclui com êxito os Estudos Filosóficos e Teológicos e a 17 de Julho de 1983 é ordenado Diácono para, aos 18 de Setembro do mesmo ano, ser ordenado Sacerdote, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição – Sé Catedral do Huambo.

Em Novembro de 1983 é nomeado Vigário Paroquial da Igreja do Coração de Maria, São João, cargo que desempenhou durante um ano e um mês. Em 1984 passa para Vice Reitor do Seminário Propedêutico São João Evangelista. Em 1986 é nomeado Reitor do mesmo Seminário até Agosto de 1991. Desempenhou vários encargos na Arquidiocese tais como: Assistente Eclesiástico da Juventude, membro da Comissão de bens, do Secretariado de Pastoral e aos 8 de Setembro de 1991 parte para Roma afim de continuar com os seus Estudos Académicos na Pontifícia Academia Alfonsiana, onde em 1993, fez a licenciatura com a Dissertação intitulada “A FORMAÇÃO DA CONSCIÊNCIA MORAL DO ANGOLANO NO PERÍODO PÓS-GUERRA”.

Ainda na Itália, de 1995 a 1997, trabalhou na Paróquia do Sagrado Coração de Jesus de Tuscania, na Província e Diocese de Viterbo …

Aos 3 de Junho de 1996, defende a sua tese de Doutoramento em Teologia Moral com o título: PROBLEMAS MORAIS À LUZ DA ASSEMLEIA ESPECIAL PARA A ÁFRICA DO SÍNODO DOS BISPOS EM VISTA À NOVA EVANGELIZAÇÃO DE ANGOLA.

A 4 de Fevereiro de 1997 regressa à sua Arquidiocese e é nomeado Chanceler da Cúria Arquidiocesana com a Provisão N.º 001/1997 de 10 de Fevereiro do mesmo ano e Director do Secretariado de Pastoral com a Provisão N.º 3/97 de 13 de Março e Vigário Paroquial do Santuário de Nossa Senhora de Fátima com a Provisão N.º 12/97 de 6 de Maio, cargo que desempenhou até 6 de Abril de 2008. Com a Provisão N.º 5/97de 6 de Abril foi nomeado membro do Conselho para os Assuntos Económicos.

Com a Provisão N.º 04 de 23 de Março de 2008 é nomeado Pároco da Sé Catedral e ao 13 de Abril de 2008 toma posse como Pároco da referida Paróquia. Na Arquidiocese desempenha ainda funções como: membro do Colégio de Consultores, do Conselho Pastoral, do Conselho Presbiteral, Assistente da Comissão de Leigos e da Comissão para a Doutrina.

Foi ordenado Bispo da Diocese do Namibe, no dia 21 de Junho de 2009 e empossado na catedral da diocese do Namibe no dia 5 de Julho do mesmo ano. Dom Mateus Tomas no seu reinado de um ano e três meses, foi recebido no dia 4 de Julho pela multidão de todos extractos sociais do mozaico Namibense, no quilometro zero.

quarta-feira, 27 de Outubro de 2010

Administrador do Sambizanga dá 150 mil dólares para Concurso de Miss


Lisboa - O Administrador Municipal do Sambizanga, José Tavares ofereceu cerca de 150 mil dólares americanos a titulo de patrocínio para o Comitê Miss Sambizanga (CMS). A oferta esta a causar interrogações em círculos “contestatórios” do município que põem em causa a legitimidade do CMS, actualmente dirigido por uma comissão de gestão coordenada, por Bechior de Carvalho, o Presidente do Conselho Municipal da Juventude do Sambizanga.

Fonte: Club-k.net

Bechior de Carvalho é citado como tendo encontrado o CMS, num quadro inactivo, o que o levou a se auto proclamar como novo responsável da organização criando uma comissão de gestão ao qual fazem parte quatro elementos. Os munícipes “contestatórios” ao seu trabalho não reconhecem legitimidade na sua direcção, a frente do CMS, razão pela qual declaram como “ilegal”.

o novo responsável do CMS, em acumulação com as funções de responsável da juventude no município terá elaborado um projecto (cujos custos rondam aos 150 mil dólares americanos) que apresentou a administração municipal. Nas reuniões com os seus próximos, justifica que os valores servirão para cobrir custos para realizar o concurso Miss Sambizanga no Salão de Festa da Endiama, ao qual tenciona ter como convidados o musico Barcelo de Carvalho “Bonga” e Yuri da Cunha, ao Som a cargo da loja de DJ´s.

Os “contestatórios” de Belchior invocam a desnecessidade de se realizar o concurso no luxuoso complexo da Endiama alegando que o município do Sambizanga tem o Cine Miramar, com músicos como Bangão , Dom Caetano, Bell do Samba, Lambas que poderiam animar o evento.

Uma outra ala “opositora” entende que este orçamento que Bechor de Carvalho pediu a Administração Municipal do Sambizanga, deviam apostar nos Problemas que vivem os Jovens do Sambizanga. Apontam que há muitas Associações Juvenis a nível do Sambizanga com Projectos para o desenvolvimento académico e Cultural para Jovens.

As criticas ao patrocínio dos 150 mil dólares são acompanhada de lamentações em torno da recusa de 5 mil dólares que a administração negara num passado recente a uma Associação municipal, a InforSambila.

quarta-feira, 20 de Outubro de 2010

Almir suspenso e substituído por Gabriel Niva


Lisboa - Almir Agria, o apresentador do “Jovemania” da TPA, foi suspenso do programa em referência e de seguida substituído por um outro jornalista Gabriel Niva, que passará a fazer dupla com uma nova apresentadora, Creusa Nhanga. A Radio Luanda, ao qual o mesmo colaborava, deu também por finda os seus préstimos.

Fonte: Club-k.net

Tem vídeo de “todas” com quem se amigou

Há simultânea suspensão que o jovem observa é vista como uma medida que a TPA e RNA, adoptaram para preservar a sua imagem que vinha sendo mencionada , nos últimos dias, ao escândalo pornográfico que envolve o jovem apresentador. O escândalo tem como fonte um vídeo pornográfico que esta a rolar na internet e nos telemoveis em Luanda, em que se pode ver o apresentador junto com um amigo Rui Tavares a praticarem sexo em grupo com uma jovem em Benguela identificada por Tânia.

Almir Agria, que recentemente contraiu matrimonio notabilizou-se na Radio Luanda por causa do habito que tem em filmar, as suas praticas sexuais. Antes de o vídeo pornô ter rolado na internet, o mesmo teria sido advertido pelos colegas a abortar o gosto que tem em filmar os envolvimentos com as raparigas de quem se tem amigado ocasionalmente.

Na seqüência do escândalo, Almir Agria optou por afastar-se de tudo. Mantém o telefone desligado. No último sábado (16), o mesmo não compareceu para a gravação ao vivo, do programa Jovemania. A equipa de produção do programa, terá feito as pressas um casting ou sondagem que culminou com a escolha de Gabriel Niva, ex- Radio Eclesia.

Natural de Benguela, Almir Agria trabalhou para a Radio Morena, onde terá largado por alegadas perseguições devido a um programa em que o mesmo levantava temas como “bebedeiras, lutas e cornos”. Em 2003, transferiu-se para Luanda em 2007 em busca de melhor projecção profissional tendo sido admitido na Radio Ecclesia. Começou por apresentar o noticiário das 23h. Não se adaptou e lhe foi dada a oportunidade de apresentar o programa “Kais FM”. Teve igualmente passagem pela emissora Luanda Antena Comercial. Em 2005, foi admitido pela Radio Luanda. Esta familiarizado com assuntos de discotecas. Trabalhou como figura de marketing da discoteca Chiwawa, hoje conhecido por W-Club e outras como o Palos.

É lhe atribuído o perfil de pessoa “pouco humilde”, predicado a que se justifica a ausência de solidariedade para com o mesmo. Há uma corrente de contestação contra as suas praticas. Teve apenas um único gesto de solidariedade vindo de um radialista identificado por Jojo, afecto aos quadros da Radio Despertar, ligada a UNITA.

15Out10. O mistério do morrodamaianga.blogspot.com



Creio que o Reginaldo Silva, famosíssimo jornalista angolano, esteja no rumo do único planeta do nosso sistema solar onde há liberdade de imprensa.
Entretanto, o nosso repórter de serviço sabe que a última vez que ele tentou enviar um sinal de comunicação, hipnotizava-se com a apreciação dos anéis de Saturno. Contactada, a NASA, escusou-se a tecer considerações alegando que há fortes turbulências por essas bandas, mas logo que possível concederá uma conferência de imprensa.
Meu Deus! Agora até os extraterrestres perseguem jornalistas angolanos?!

«Actualizações em banho maria
Por motivos de força maior este morro está a observar um periodo de alguma letargia/hibernação em virtude do seu gerente ter sido extraditado para o exterior do país com a sua competente autorização, pelo que no seu regresso não se deverá registar nenhuma remodelação ministerial. A única coisa que o gerente ora extraditado promete é ir dando notícias breves sempre que as autoridades locais permitirem o seu acesso a Net, o que não acontece com Li Xiaobo, o novo Nobel da Paz. Se por acaso estão a pensar que o gerente está na China do cda Mao, enganaram-se redondamente. Lá os bloguistas foram todos extraditados...»



segunda-feira, 18 de Outubro de 2010

Roberto Leal “Ngongo”, ex – Ministro do Interior


Lisboa - Roberto Leal Monteiro “Ngongo” faz parte do grupo de combatentes pela causa angolana de descendência cabo verdiana (O Embaixador de Cabo Verde em Angola Domingos Mascarenha é seu primo). Serviu a guerrilha do MPLA desde o inicio da década de 70 nas 2ª e 3ª Regiões Militares. chegou a ser Chefe de Reconhecimento e Operações do Grupo Especial de Artilharia.

Fonte: Club-k.net

No ano de 1965 foi um funcionário dos Serviços de Fazenda e Contabilidade. Alimentava o sonho pela formação em engenharia de Minas, curso que abortou no segundo ano em detrimento da carreira militar. No período de preparação da independência de Angola esteve a chefiar a Artilharia da 9ª Brigada de Infantaria, para um ano depois ter passado para a Artilharia Terrestre do Estado Maior General e chefiar a Direcção de Reconhecimento e Informação/EMG.

Teve formação militar feita na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, onde concluiu o curso de Chefe de Artilharia de Brigada em Moscovo e de Chefe de Bateria de Grad. P. em Sinferpol. Antes de ter partido para extinta União Soviética, esteve em missão militar na província de Cabinda. Era conhecido por “Jingongo” mas os colegas, entenderam abreviar o nome passando a ser “Ngongo”.

Uma das fases mais acentuada da sua carreira militar deu-se entre o ano de 1983 a 87 quando desempenhava funções de chefe adjunto do Estado maior. A Batalha do Cuito Cuanavale apanhou-lhe nesta vestes, o que lhe habilitava a ir freqüentemente para o teatro das operações. Esteve também na operação “Saudemos Outubro” com vista a ocupação de Mavinga, em 1987. Na qualidade de membro do grupo de operativos que acompanhava a batalha do Cuito Cuanavale, o general Leal Monterior "Ngongo" viu serem lhe atribuídos “erros gravíssimos” de caracter militar. Na altura especialistas da Força Aérea apresentaram, antes dos incidentes, propostas concretas que terão sido ignoradas por ele. O mesmo expulsou do grupo, o representante da Força Aérea do grupo operacional sem ter dado ouvido a nenhum especialista. Em conseqüência, o saldo da operação que desencadeavam no Cuito Cuanavale foi considerado desastroso.

A sua entrada para a classe de oficial superior deu-se a Março de 1988, como primeiro Substituto do Chefe do Estado Maior General. As propostas eram submetidas a comissão Permanente da então Assembléia do Povo. O então Coronel Leal Monteiro «Ngongo» seria elevado à Major General das Forças Armadas de Libertação de Angola (FAPLA) desempenhando as funções de Chefe de operações do Estado Maior General e mais tarde Director do Departamento de Defesa e Segurança.

Em 1990 tornou-se Comandante da Frente Norte e no ano a seguir foi indicado como Comandante da FAPA/DAA. Passou para as FAA, no seguimento da fusão entre dois exércitos (FAPLA e FALA) existente no pais tendo sido promovido ao Grau de Tenente General

Leal Monteiro “Ngongo”, pertenceu a uma influente corrente conotada ao general Antonio França “Ndalu”. Fez parte do restrito grupo de elementos do regime que em 1992, viu vantagem na recusa por parte da UNITA dos resultados das primeiras eleições gerais em Angola. Em Novembro daquele mesmo ano teria sido visto junto dos generais Antonio José Maria e Alberto Correia Neto a orientarem as tropas que combatiam os soldados de Jonas Savimbi nas ruas de Luanda. No ano a seguir, o Presidente José Eduardo dos Santos, brindou-lhe com a nomeação para o cargo de Vice-Ministro da Defesa para Administração e Finanças.

Despiu a farda militar em 1999, quando foi nomeado como novo Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República de Angola na Rússia, nas remodelação diplomática de Novembro do mesmo ano. Serviu a diplomacia por cerca de sete anos. Na seqüência da morte do então ministro do interior, Osvaldo Serra Vandunem, o chefe da casa militar, general Heldér Manuel Vieira “Kopelipa”, abordou-lhe para substituir o malogrado ministro.

Encontrou o ministério do interior com a reputação de “muito bem organizado”. No segundo ano do seu consulado procedeu com alterações afastando o antigo director de gabinete de Serra Van-Dunem e seus respectivos assessores que teriam sido substituído-os por quadros de sua confiança, dentre os quais Ferreira Fernandes, director do seu Gabinete e José Cunha Silva, director do Gabinete de Intercâmbio e Cooperação. Dois altos e respeitados funcionários do ministério, Eduardo Sambo (inspector geral ) e Alberto Burity da Silva ( informação e analise), teriam sobrevivido.

A tardia re-colocação dos afastados produziu interpretações de que teria enveredado pela "Caça as bruxas" contra os fieis do seu antecessor. O mesmo teria criado a Caixa de proteção social reduzindo-se a mais de dois anos em comissão instaladora.

Enquanto Ministro, Roberto Leal “Ngongo” passou a reprovar procedimentos da policia nacional sobretudo as eliminações físicas por parte do esquadrão da morte. Em Agosto do ano passado, chegou a vaticinar a proposta que daria no afastamento do comandante provincial da policia de Luanda, Joaquim Ribeiro devido a constantes queixas que chegavam ao seu gabinete.

O antigo governante teria também se incompatibilizado com algumas chefias da policia em Luanda, por efeito de defesa de desiguais posições. Há por exemplo, o caso do assassinato de três jovens no bairro prenda, pela policia a qual constava um sobrinho da Ana Paula dos Santos. O então Ministro defendia que os policias assassinos deveriam ser apresentados publicamente. Foi contrariado por correntes policias que defendia o contrario.

Roberto Leal “Ngongo”, era de facto uma personalidade com autoridade enquanto dirigiu o ministério do interior. Em Maio de 2008, o presidente José Eduardo dos Santos confiou-lhe a missão para coordenar o Grupo de Supervisão e Acompanhamento do Programa de Melhoria e Aumento da Oferta dos Serviços Sociais Básicos às Populações da Província do Cuando Cubango.

O seu recente afastamento do executivo foi a pedido do mesmo como medida destinada a prevenir eventuais embaraços externos a imagem do Estado angolano relacionado ao rapto em São Tome de um empresário português. As autoridades viram o caso com preocupação depois de terem chegado informações segundo as quais a União Europeu pretendia levar o assunto a Tribunal Penal Internacional. Em reação a PR emitiu um prévio comunicado para dar entender, a comunidade internacional, que o mesmo estava a ser castigado porque o regime não se revê com raptos de cidadãos estrangeiros.

domingo, 17 de Outubro de 2010

Apresentador do Jovemania da TPA fragado em obscenidade


Lisboa - Figuras publicas angolanas que ainda pugnam pelos valores morais condenaram as pessoas de ma fé que colocaram na internet, um vídeo privado com cenas obscenas, onde se pode identificar um jovem apresentador do programa Jovemania, da TPA.

Fonte: Club-k.net

Conservadores condenam circulação de vídeo intimo

De acordo com a revista platina que tem os vídeos disponíveis, o mesmo terá sido gravado em 2007 dado ao som/ambiente que vinha do vídeo, da qual ouvia se inserção de spots de chamada da novela paraíso tropical, da Tv Globo .

Segundo a publicação em referencia “O vídeo mostra Almir e seu amigo Ricardo transando com uma menina, que não sabemos se é uma prostituta ou não. Facto é que ela ainda estranhava e contava para amigas por estar a fazer sexo oral e anal com Apresentador Almir e Rui Tavares .”

“Vale lembrar que Rui é casado e tem filhos e Almir Agria também é casado. Por questões de ética, pois a Revista Platina é acessada por crianças e adultos não iremos divulgar o vídeo mais sim algumas fotos tiradas do vídeo em questão.” Escreveu a revista que aconselha os dois jovens a entrarem em contacto com a sua direcção.

sexta-feira, 15 de Outubro de 2010

Restrições e baixa qualidade de energia inquieta citadinos de Maputo


O director da área de distribuição da EDM na capital do país, Albertino Mourinho, promete que até 2013 o problema será ultrapassado

Maputo (Canalmoz) – Alguns bairros da cidade de Maputo, principalmente periféricos, continuam a ser afectados por restrições e/ou avarias constantes no sistema de distribuição de energia eléctrica. Há ainda os que consomem energia de baixa qualidade. A situação tem causado imensos transtornos aos citadinos. Estes queixam-se de que quando solicitam as equipas técnicas da empresa Electricidade de Moçambique (EDM), nem sempre vêm os problemas com que se debatem, resolvidos com satisfação.
Há dias, os bairros do distrito KaMubukwana consumiram corrente eléctrica da EDM com restrições, devido a problemas num dos transformadores da nona subestação que alimenta aquela jurisdição. A EDM tem conhecimento da questão. Por isso, no último sábado convocou uma conferência de imprensa para se justificar. Mas enquanto não se resolve definitivamente o problema, os utentes dessa subestação, e de tantas outras que registam dificuldades similares, são sujeitos a ataques de nervos.
O director da área de distribuição da cidade de Maputo, Albertino Mourinho, reconhece que a corrente fornecida pela sua empresa a alguns bairros não tem a qualidade desejada. Todavia, as restrições e avarias que afectam a rede eléctrica nesta urbe são provocadas, em parte, pelo roubo de energia por parte de alguns consumidores e pelo aumento do número de consumidores, diz. No caso deste último factor, a EDM ainda não tem um sistema eficaz de resposta à demanda, conclui
Entretanto, Albertino Mourinho assegura que até o ano 2013 – daqui a três anos – pelo menos os clientes da cidade de Maputo estarão a consumir energia eléctrica de qualidade sem grandes reclamações. A EDM, explicou Mourinho, está a desenvolver um projecto de expansão e melhoramento da rede de modo a ultrapassar as constantes reclamações dos clientes.
De ano para ano a EDM tem vindo a anunciar novos projectos. Revela números que reflectem um incremento de usuários dos seus serviços. Contudo, paralelamente a isso, as queixas dos clientes multiplicaram-se. A qualidade da energia que chega aos consumidores é má. Para não variar, nas diferentes subestações e/ou linhas de transmissão ocorrem avarias. Os técnicos da EDM são chamados a intervir, mas raras vezes vão ao encontro de quem está a braços com os problemas.
Os técnicos da EDM, quando chegam ao local das ocorrências, interrompem o funcionamento da rede ou linha de modo a dar prosseguimento aos trabalhos o que acaba por afectar quem ainda não estava prejudicado pela avaria inicial. Aumenta assim o número de utentes que acabam por se indignar com a EDM.
Albertino Mourinho diz que esse procedimento se deve ao facto de a EDM ainda não estar a usar a tecnologia que permite os técnicos trabalharem com a rede em funcionamento. Argumenta que a EDM está a implementar um software que identifica redes de distribuição e seus possíveis problemas nas diferentes linhas e postos de transformação. A partir do momento em que esse novo recurso estiver em uso garante que será possível proceder a concertos que forem necessários sem prejudicar tanto os utentes.

(Emildo Sambo) 2010-10-11 06:49:00

REPÚBLICA POPULAR DA CHINA. Regime de Pequim mantém esposa de Prémio Nobel da Paz 2010 sob residência fixa


O Prémio Nobel da Paz, decidiu dedicar o galardão às “almas perdidas” durante a repressão militar que esmagou as manifestações democráticas ocorridas na Praça de Tiananmen en 1989, nas quais ele tomou parte. A par das medidas acabadas de tomar contra a poetisa Liu Xi, o regime de Pequim ordenou a detenção de numerosos dissidentes para impedir que celebrassem a atribuição do Prémio Nobel da Paz a Liu Xiaobo.

Maputo (Canalmoz) - A poetisa Liu Xia, esposa do dissidente chinês, Liu Xiaobo, a quem foi atribuído o Premio Nobel da Paz, edição de 2010, encontra-se confinada ao seu apartamento em Pequim, próximo do Museu Militar e da antiga sede da televisão estatal, CCTV. Embora a polícia chinesa tivesse autorizado Liu Xia a visitar o marido, que se encontra a cumprir uma pena de 11 anos de cadeia por advogar a instituição de um regime democrático na China, as autoridades voltaram a mantê-la sob residência fixa para assim impedir que contactasse jornalistas ou se reunisse com amigos.
O regime chinês proibiu os órgãos de comunicação social de noticiarem a atribuição do Prémio Nobel da Paz a Liu Xiaobo. A esposa do dissidente chinês conseguiu transmitir uma mensagem através do sistema Twitter, informando que a polícia do regime de Pequim a tinha colocado sob prisão domiciliária no dia 8 do corrente, acrescentando que estava impossibilitada de fazer ou receber chamadas através do telemóvel.
Entretanto, diversas organizações de direitos humanos informam que Liu Xiaobo, ao tomar conhecimento de que lhe haviam atribuído o Prémio Nobel da Paz, decidiu dedicar o galardão às “almas perdidas” durante a repressão militar que esmagou as manifestações democráticas ocorridas na Praça de Tiananmen en 1989, nas quais ele tomou parte.
A par das medidas acabadas de tomar contra a poetisa Liu Xi, o regime de Pequim ordenou a detenção de numerosos dissidentes para impedir que celebrassem a atribuição do Prémio Nobel da Paz a Liu Xiaobo. Tal como o regime oligárquico de Havana, que se insurgiu contra a atribuição do Prémio Nobel da Literatura a Mario Vargas Llosa, Pequim teceu duras críticas ao Instituto Nobel norueguês por “premiar um criminoso”.
Para opróbrio do regime chinês, Liu Xiaobo une-se a outros prémios Nobel chineses designados pelo governo de Pequim como “inimigos do Estado”, tais como o Dalai Lama, considerado como “terrorista” por lutar pela independência do Tibete, e o escritor exilado em Franca, Gao Xingjian, cujas obras estão proibidas na República Popular da China. (Redacção)

2010-10-12 06:46:00

CUBA. Regime de Havana insurge-se contra atribuição de Prémio Nobel a Vargas Llosa


Pretoria (Canalmoz) - A atribuição do Prémio Nobel da Literatura ao escritor peruano, Mário Vargas Llosa, suscitou a ira do regime cubano. Através do seu órgão oficioso, «Granma» (diminutivo de “grandmother”), o regime considera o vencedor do galardão instituído pela Academia Sueca de “reaccionário” por alegadamente “não existir causa indigna na América Latina que Vargas Llosa não deixou de apoiar e aplaudir”. Numa nota intitulada, "Nobel da literatura, Antinobel da ética", o «Granma», ou «Avozinha», como é jocosamente descrito em meios literários, afirma que “aquilo que Vargas Llosa construiu com a escrita, tem vindo a destruir com a sua postura moral e o seu posicionamento neoliberal”.
A reacção do regime oligárquico de Havana prende-se com o facto de Mário Vargas Llosa ter, em 1971, rompido com o sistema imposto em Cuba. Em carta endereçada a Haydée Santamaría, directora da Casa das Américas em Havana, Vargas Llosa criticou asperamente as medidas tomadas pelo regime dos Castro-Ruz contra intelectuais nacionais e estrangeiros, afirmando que “esse não é o socialismo que quero para o meu país”.
A missiva de Mário Vargas Llosa surgiu na esteira da repressão movida contra inúmeros escritores e artistas cubanos e estrangeiros. As obras de Jean Paul Sartre, Eugene Ionesco, Jorge Luis Borges, Jean Genet e Samuel Beckett, entre outras figuras internacionais, desapareceram das livrarias e bibliotecas cubanas, e nunca mais foram publicados pelo chamado “Instituto Nacional do Livro e do Disco” cubano e por outras editoras, todas elas propriedade do governo. Entre os cubanos, José Lezama Lima, Virgilio Piñera, Anton Arrufat, Reinaldo Arenas e muitos outros foram duramente censurados pelo regime. Arenas foi encarcerado, tal como já havia sido o poeta Heberto Padilla. Centenares de artistas de teatro e artistas plásticos e inclusivamente músicos foram despedidos por revelarem "debilidades ideológicas".

(Redacção) 2010-10-11 07:09:00

PORTUGAL. Novo livro de José Rodrigues dos Santos é lançado na próxima semana


O massacre de Wiriamu, na província de Tete, é um dos temas tratados no romance do jornalista luso

Maputo (Canalmoz) - Será lançado em Lisboa na próxima semana o livro, “O Anjo Branco”, de autoria do apresentador da RTP, José Rodrigues dos Santos. Trata-se de um romance que recorda a guerra colonial em Moçambique, incluindo o massacre de Wiriamu, perpetrado por uma unidade da 6ª Companhia de Comandos das Forças Armadas Portuguesas.
O autor, que é natural de Moçambique, faz referência ao trabalho que o pai levou a cabo em Tete como médico responsável pelo Serviço Médico Aéreo, prestando assistência às populações das zonas rurais daquela província. Foi na qualidade de médico que o pai de José Rodrigues dos Santos, o Dr. Paz, elaborou um relatório sobre o massacre de Wiriamu.
O massacre foi igualmente investigado por Jorge Jardim que se serviu da ocorrência para um ajuste de contas com o comandante da Zona Operacional de Tete (ZOT), Brigadeiro Armindo Videira, igualmente governador do então distrito de Tete. Videira viria a ser destituído do cargo, em virtude do teor do relatório de Jardim apresentado a Marcelo Caetano em Lisboa. Não obstante ter apurado as circunstâncias do massacre, pondo em cheque importantes sectores das Forças Armadas Portuguesas, Jardim accionaria meios para incriminar dois padres católicos que, numa igreja na cidade da Beira, haviam denunciado em homilia por ocasião do dia mundial da paz, atrocidades das tropas coloniais, por sinal também ocorridas em Tete, designadamente em Mucumbura. Este episódio ficou conhecido como o “Caso dos Padres do Macuti”. (Redacção)

2010-10-15 08:00:00

Governo chinês impede diplomatas europeus de visitar mulher do prisioneiro Nobel da Paz


Maputo (Canalmoz) - O primeiro secretário para os assuntos políticos da União Europeia (UE) na China, Simon Sharpe, é citado pela imprensa a explicar que pretendia visitar a esposa do Prémio Nobel da Paz 2010, com uma delegação por si liderada, e de que fariam parte diplomatas de dez embaixadas europeias, entre os quais representantes da Suíça, Suécia, Polónia, Hungria, República Checa, Bélgica, Itália e Austrália mas foram impedidos de se aproximar de Liu Xia.
O objectivo da visita era entregar uma carta de felicitações em nome de Durão Barroso, o presidente da Comissão Europeia, mas o contacto foi impedido pelo regime de Pequim.
Em paralelo, quatro especialistas da ONU exortaram hoje Pequim a libertar "imediatamente" o dissidente chinês Liu Xiaobo, detido pelas suas convicções democráticas e laureado sexta-feira com o Nobel da Paz 2010.
Os signatários do apelo são o relator para a liberdade de opinião e expressão, Franck La Rue, o relator-presidente do grupo de trabalho sobre a detenção arbitrária, El Hadji Malick Sow, a relatora sobre a situação dos defensores dos direitos humanos, Margaret Sekaggya, e a relatora sobre a independência dos juízes e advogados, Gabriela Knaul.
O Nobel da Paz 2010 foi atribuído na sexta-feira a Liu Xiaobo, de 54 anos, “pelos esforços prolongados e não violentos em favor dos direitos humanos na China”, lê-se num comunicado da comissão de Nobel divulgado pela imprensa.
Liu Xiaobo cumpre uma pena de 11 anos de prisão desde 2008, após ter participado na redacção da “Carta 08”, um texto que reivindica uma China democrática.

(Redacção) 2010-10-12 06:41:00

ZIMBABWE. Fazendas confiscadas a privados usadas para caça furtiva


Pretoria (Canalmoz) - Influentes membros da ZANU-PF estão envolvidos em actividades de caça furtiva em antigas fazendas confiscadas pelo regime de Robert Mugabe a privados no âmbito da política de reforma agrária posta em prática a partir do ano de 2000. Jocelyn Chiwenga, esposa do comandante do exército zimbabweano, ZNA, e Khembo Mohadi, ministro do interior, figuram entre os nomes de indivíduos por detrás de um lucrativo negócio de abate de espécies proibidas, incluindo rinocerontes e elefantes.
De acordo com o semanário Mail & Guardian, que se publica em Joanesburgo, os zimbabueanos implicados em tais actividades têm ligações a um grupo de fazendeiros da Província do Limpopo, na África do Sul, a contas com a justiça sul-africana por abate de rinocerontes.
A fonte refere que os chamados veteranos da luta armada do Zimbabwe, activistas da ZANU-PF e agentes dos serviços de segurança, CIO (Central Intelligence Organization), operam em antigas fazendas privadas situadas em diversas áreas do país, que se estendem de Victoria Falls a Beitbridge. Para além da venda de peles, pontas de elefante e de rinoceronte, a caça furtiva serve ainda para alimentar membros e apoiantes do partido ZANU-PF. Nos princípios do corrente mês, foram abatidos três elefantes e três búfalos em Gokwe, na zona oeste do país e que serviu de palco a um comício daquela formação política para assinalar o lançamento do Banco de Desenvolvimento de mulheres empresarias.

(Redacção) 2010-10-14 06:05:00

Desmobilizados de guerra já anunciaram as manifestações ao município de Maputo


A carta a informar as autoridades da realização das manifestações pacíficas dos desmobilizados já foi depositada no Conselho Municipal da Cidade de Maputo, na terça-feira última, pelo líder do Fórum dos Desmobilizados, Hermínio Dos Santos, acompanhado por seus colegas. A marcha irá ter início às 09h00, do dia 22 do mês corrente, tendo como ponto de partida a estátua de Eduardo Mondlane ao Alto Maé. Irá terminar no Parque de Manutenção António Ripinga, na baixa da cidade.

Maputo (Canalmoz) - Os desmobilizados de guerra reafirmam que as manifestações pacíficas irão decorrer no próximo dia 22 de Outubro corrente. Só o pagamento de uma pensão mensal cujo valor mínimo são 12 mil meticais, a cada um dos cerca de 5 mil desmobilizados, poderá adiar a realização da mega manifestação. As garantias foram dadas pelo líder do grupo, Hermínio dos Santos, em entrevista do Canalmoz.
A carta de anúncio da realização das manifestações pacíficas dos desmobilizados foi depositada no Conselho Municipal da Cidade de Maputo, na terça-feira última, pelo líder do Fórum dos Desmobilizados, Hermínio Dos Santos, acompanhado por seus colegas.
A marcha irá iniciar às 09 horas da manhã, do dia 22 do presente mês, tendo como ponto de partida a estátua de Eduardo Mondlane e irá desaguar no parque de manutenção António Ripinga, na baixa da cidade.
Para Hermínio dos Santos, a escolha da estátua de Eduardo Mondlane como local de partida tem uma razão especial, alegadamente porque Eduardo Mondlane “representa o símbolo da luta e heroicidade”, e os desmobilizados “inspiram-se nas suas ideologias para poder continuar a lutar pelos seus direitos que estão a ser infligidos pelo Governo da Frelimo”.
Nas restantes províncias do país, os respectivos delegados provinciais do Fórum dos Desmobilizados já submeteram às autoridades, os documentos de aviso sobre a realização de manifestações paralelas no mesmo dia.

Pagamento de pensão
Segundo Dos Santos, a pensão deverá ser repartida da seguinte maneira: 12 mil para desmobilizados rasos, 25 mil para os sargentos, 35 mil para os alferes e 90 mil meticais para tenentes-coronéis, disse Hermínio dos Santos ao Canalmoz.
Para Hermínio Dos Santos, “não se justifica que um deputado e outros dirigentes que não lutaram pela paz no país, estejam a receber muito dinheiro e ainda com regalias, em detrimento dos desmobilizados, que nem tem o que comer ou mesmo garantir estudos para os seus filhos”.
Recorde-se que o Governo teria prometido quatro (4) milhões de meticais aos desmobilizados na tentativa de os aliciar para não levarem a cabo as manifestações, valor este considerado insuficiente para responder às necessidades dos desmobilizados, razão pela qual estes decidiram marchar como era sua intenção desde que Hermínio dos Santos foi preso na sua residência, julgado posteriormente e consequentemente absolvido por falta de provas do que as autoridades quiseram acusá-lo.

“Não vamos tolerar abusos das autoridades”
A uma semana da realização das manifestações marcadas para dia 22 do corrente mês, os desmobilizados reiteram que não aceitarão qualquer tipo de intimidação de qualquer que seja a autoridade do país, sob pena de eles (os desmobilizados) se revoltarem, recorrendo à força e outros meios, caso seja necessário.
“Não aceitaremos qualquer tipo de intimidação de qualquer que seja a autoridade. Se isso acontecer, a revolta será de tal maneira que usaremos o que for necessário para nos defendermos”, disse Hermínio dos Santos.

Não estamos contra a Frelimo, mas sim contra as pessoas
Hermínio dos Santos referiu ainda que estas manifestações são levadas a cabo, mas que os desmobilizados não estão contra a própria Frelimo como partido, mas sim contra as pessoas que compõe esse partido. A fonte acredita que no seio da Frelimo existem pessoas que estão preocupadas com a situação dos desmobilizados, mas que nada podem fazer porque “o partido está nas mãos de alguns tiranos”.
Hermínio disse ainda que estas manifestações serão também para demonstrar ao país inteiro que os desmobilizados não concordam com os actuais moldes de governação de pessoas que estão a enriquecer à custa do povo, disse a concluir Hermínio dos Santos.

(António Frades) 2010-10-14 06:15:00

terça-feira, 12 de Outubro de 2010

Cervejas de Moçambique vai produzir bebida com base na mandioca


Maputo (Canalmoz) - A CDM – Cervejas de Moçambique vai lançar, dentro de um ano, uma nova marca de cerveja nacional, produzida com base na mandioca, no âmbito de iniciativas que visam a redução dos encargos decorrentes da importação de matérias-primas, segundo revelou, quinta-feira passada, em Maputo, o director-geral da empresa, num encontro de confraternização com a imprensa.
Grant Liversage, que se dirigia a directores, editores e chefes de redacção dos órgãos de comunicação social, baseados na capital do país, referiu que, no prosseguimento deste projecto, a cervejeira nacional está já a identificar produtores, com capacidade para fornecer esta matéria-prima em grandes quantidades, particularmente nas províncias de Nampula, Zambézia e Inhambane.
“Quando se desenhou este projecto, fez-se uma análise sobre a situação, em colaboração com o Instituto de Investigação Agrária, do Ministério da Agricultura, tendo-se concluído existirem, no país, culturas de mandioca em quantidades suficientes”, explicou Liversage.
A produção de cerveja utiliza tradicionalmente não só maltes e lúpulos, mas também pó de amido que pode ser extraído da mandioca.
Ainda no referido briefing com a imprensa, foi também apresentado aos participantes uma nova linha de produtos, lançados recentemente no mercado, pela Cervejas de Moçambique, nomeadamente a água mineralizada “Equilíbrio”, a bebida tradicional “Xibuco” (também conhecida como cerveja de sorgo), o “Maheu”, a nova “Redds Dry”, a Laurentina clara mais apurada, em garrafas pequenas e a nova embalagem da 2M.

(Redacção) 2010-10-11 06:33:00

Descoberto ouro, prata e cobre em Tete


Maputo (Canalmoz) - As prospecções iniciais efectuadas no “Projecto Rei Salomão”, na província de Tete, no noroeste de Moçambique, permitiram concluir que existem “quantidades significativas de cobre, ouro e prata” por explorar.
A informação foi tornada publica sexta-feira última no Canada pela empresa African Queen Mines, em Vancouver.
Segundo a African Queen Mines os furos de prospecção permitiram confirmar a ocorrência, no solo, de importantes depósitos minerais.
A African Queen Mines está neste projecto em parceria com a empresa suíça Opti Metal Trading Ltd.
A empresa canadiana tem concessões para a exploração de ouro, em Moçambique, Quénia e Gana. Também tem concessões de diamantes no Botswana e na Namíbia.

domingo, 10 de Outubro de 2010

Instalações do Gabinete de gestão do Uíge em estado de abandono


Domingo, 10 Outubro 2010 17:25

Lisboa - O gabinete Técnico de Gestão dos Programas dos Investimentos Públicos (GTGPIP) da Província do Uíge encontra-se numa aparente situação de paralisação. As suas instalações localizada nas imediações da antiga fabrica de refrigerantes Bangola do norte estão inactivas e cheias de capim (que cresceu). O seu coordenador Pedro Luis da Fonseca não é igualmente visto na província.

Fonte: Club-k.net

O GTGPIP é uma estrutura criada pelo Presidente José Eduardo dos Santos para as províncias que na altura estavam a ser dirigidas por governadores provenientes da UNITA, a luz dos acordos de Lusaka. A criação desta estrutura produziu desconfianças de que serviriam para actuar com o estrutura sombra destinada a anular eventuais protagonismo dos governadores do partido de Jonas Savimbi.

Em províncias como Kuando Kubambo, Uige e Lunda, o GTGPIP tinha a missão de ter sob sua alçada as obras de construção. Tem o seu próprio orçamento e os investimentos para as províncias passam igualmente por este gabinete de iniciativa presidencial.

Ao tempo do consulado do Governador Mawete João Baptista, este denotada desconfortado com a situação tendo inclusive advertido ao Presidente sobre a desnecessidade da existência do referido Gabinete.

Nesta mesma província o GTGPIP foi responsável pela compra de aparelhos, viaturas para a delegação da TPA, e pela construção de algumas escolas. Foram também gastos “milhões” com a electrificação da cidade através de placas solares. Em menos de dois anos, os postos deixaram de funcionar. O actual governador Paulo Pombolo teve de ordenar a montagem de outros postos. (Foi também aprovada a minuta da Segunda Adenda ao Contrato de Empreitada para a Construção do Sistema de Transmissão de Energia Eléctrica de 220 KV Uíge-Maquela do Zombo).

A província é actualmente dirigida temporariamente por um Vice- governadore, Nazário Pedro Vilhena Bomba que responde pelo Sector de Organização e Serviços Técnicos. O governador Paulo Pombolo encontra-se a mais de três meses, em Espanha, por razões de saúde. Há informação salientando que o mesmo terá perdido a fala em conseqüência da doença que enfrenta. Perdeu a mãe a cerca de três semanas tendo ficado impossibilitado de se deslocar a Luanda.

Situação sócio-laboral dos trabalhadores moçambicanos é crítica


– considera Alexandre Munguambe, secretário-geral da Organização dos Trabalhadores de Moçambique-Central Sindical (OTM.CS), no lançamento da semana comemorativa do 34º aniversário da organização

Maputo (Canalmoz) – A Organização dos Trabalhadores de Moçambique-Central Sindical (OTM-CS) comemora este ano o seu 34º aniversário, num momento em que os trabalhadores moçambicanos convivem com sérios problemas sócio-laborais, desde salários irrisórios, insegurança no trabalho, situação de sub-emprego e sobretudo a carestia da vida.
O salário mínimo fixado para os nove (9) sectores aprovados durante a revisão salarial no presente ano, ainda continua longe de corresponder às necessidades básicas dos trabalhadores. Perante esta situação que já não se pode esconder a ninguém, a OTM-CS vê-se obrigada a reconhecer a deterioração das condições de vida dos trabalhadores moçambicanos.
Alexandre Munguambe, secretário-geral da OTM-CS, disse ontem em Maputo, no lançamento da semana comemorativa do 34º aniversário da agremiação, que o trabalhador moçambicano passa por momentos difíceis e o governo não dá ouvidos aos trabalhadores.

Governo não dá ouvidos ao “grito” dos trabalhadores

Munguambe disse que o Governo “não tem dado ouvidos à chamada de atenção dos trabalhadores sobre o perigo que o país corre devido à subida de custo de vida”.
Para o SG da OTM-CS, um dos perigos do custo de vida “foram as manifestação ocorridas a 1 e 2 de Setembro”, que nas suas palavras “resultam da falta de valorização das alertas feitas pelos trabalhadores ao Governo, sobre a subida radical de custo de vida no país, que afecta principalmente o trabalhador, cujo salário mínimo é uma miséria”.
Para Munguambe, a situação sócio-laboral dos trabalhadores agrava-se ainda pelo facto de existirem empresas que não pagam os salários mínimos fixados para os respectivos sectores e nem sequer aceitam negociar os salários com os respectivos comités sindicais, disse, sem apontar, no entanto, quais as empresas que violam, no seu entender, a lei laboral.
O secretário-geral repetiu ainda o discurso de que há empresas que “não canalizam regularmente as contribuições ao Instituo Nacional de Segurança Social”, sem, no entanto, apresentar possíveis soluções para este tipo de problemas.

Contra a revisão da Lei do Trabalho

Numa outra abordam, o secretário-geral da OTM.C-S mostrou-se indignado em relação a informações segundo as quais alguns sectores da sociedade pretendem ver revista a Lei de Trabalho (Lei 23/2007 de 1 de Agosto). Munguambe disse que é inoportuno que a lei seja revista, alegando que a mesma “ainda não se demonstrou inaplicável nas relações de trabalho actual”.
A fonte disse que caso seja revista esta Lei, a situação sócio-laboral do trabalhador poderá piorar, dado que a revisão poderá beneficiar apenas entidades empregadoras em detrimento do empregado.
O secretário-geral considera que a revisão da Lei 23/2007 de 1 de Agosto é solicitada principalmente pelos sectores que não conseguiram tirar proveito da revisão da Lei 8/98, de 20 de Junho sobre o regime das indemnizações, daí que consideram uma eventual revisão poderá beneficiá-los.
“Não podem aceitar a revisão da Lei 23/2007, de 1 de Agosto, só para agradar apenas um sector cujo interesse é tirar benefícios próprios, deixando à margem vários direitos e regalias dos trabalhadores”, disse o secretário-geral da OTM-CS.

(António Frades) 2010-10-08 07:22:00
Imagem: mfm-a-roda.blogspot.com

Propagação do HIV/Sida na Função Pública ameaça serviços do Estado


“Os dados demonstravam que dos cerca de 167.420 funcionários e agentes do Estado existentes (em 2007), 31.937 estavam infectados pelo HIV e pelo menos 9.923 necessitavam de TARV” – vice-ministro da Função Pública, Abdulremane Lino de Almeida

Maputo (Canalmoz) – Resultados de um estudo realizado há sensivelmente dois anos indicam que cerca 19% dos funcionários públicos estavam afectados por HIV/SIDA. Se estes números eram preocupantes, agora o Governo admite que o índice de seroprevalência na Função Pública possa ter aumentado.
Não há dados actuais que revelam o número de funcionários e agentes do Estado afectados pelo vírus de Sida, mas o vice-ministro da Função Pública, Abdulremane Lino de Almeida, baseou-se nos dados de há dois para afirmar que a situação é crítica no sector, e admitiu mesmo que o número de infecções possa ter aumentado nos últimos dois anos.
“Os dados demonstravam que dos cerca de 167.420 funcionários e agentes do Estado existentes (em 2007), 31.937 estavam infectados pelo HIV e pelo menos 9.923 necessitavam de TARV”, disse o vice-ministro da Função Pública citando resultados do diagnóstico realizado em 2008, visando apurar com veracidade a situação serológica no aparelho do Estado moçambicano.
“Estes números são assustadores, pois de acordo com o II Anuário Estatístico dos Funcionários e Agentes do Estado lançado em Junho passado, registámos um aumento para 179.383 funcionários, o que pode significar também um aumento dos casos relacionados com HIV e SIDA no local de trabalho”, disse o vice-ministro dirigindo-se a gestores de recursos humanos na Função Pública, durante uma formação em matéria de prevenção e combate ao HIV.
Estes dados representam uma grande ameaça para o sector, que já se debate com falta de quadros competentes e qualificados. O HIV, que afecta indiscriminadamente os funcionários, ameaça fragilizar ainda mais o já frágil sector, quer em despesas de assistência médica e medicamentosa dos funcionários padecendo do vírus, assim como pela morte prematura dos quadros.
As políticas nacionais de combate ao HIV-Sida que vêm sendo implementadas no país, já se revelaram um fracasso. Agora, o sector da Função Pública está a adoptar políticas viradas exclusivamente para o sector público, visando travar a propagação da pandemia.
É no âmbito destas políticas restritas para o sector público que a Direcção Nacional de Gestão Estratégica de Recursos Humanos do Estado promoveu a formação dos Gestores de Recursos Humanos das instituições públicas, de diferentes sectores, em matéria de prevenção e combate ao HIV-SIDA.
Segundo dados do Ministério da Função Pública, a “formação serviu igualmente de oportunidade para a partilha de informação e experiências sectoriais sobre o esforço do Governo que visa reduzir os actuais índices de seroprevalência na Função Pública”.
O vice-ministro da Função Pública disse que o compromisso do Ministério da Função Pública é de “coordenar todas as intervenções sectoriais na componente de HIV e SIDA e, no seguimento desta pretensão em coordenação com os sectores”.
O Governo conta com financiamentos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no esforço de reduzir os actuais níveis de infecção no aparelho do Estado.

(Borges Nhamirre) 2010-10-08 07:46:00

Falta de paz económica e política precipitou manifestações populares


- Considera Brazão Mazula, reitor do ISTEG e antigo reitor da UEM

“Os políticos devem ser tolerantes para que se estabeleça a paz política, mental e económica. Tenho registos na minha memória que resultaram da falta de paz. Podíamos ter evitado os acontecimentos de Mocimboa da Praia em 2005, de Montepuez em 2000, de 5 de Fevereiro de 2008 e 1 e 2 de Setembro de 2010, em Maputo’’- Brazão Mazula

Maputo (Canalmoz) – O académico e antigo reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Brazão Mazula, considerou que a falta da paz política, económica e mental, esteve na origem das manifestações populares ocorridas nas cidades de Maputo e Matola, nos dias 5 de Fevereiro de 2008 e de 1 a 3 de Setembro do ano em curso. Mazula convida os sociólogos a estudar este “fenómeno’’ “antes que seja tarde”, recordando que o país já teve maus exemplos de tumultos que resultaram em mortes por falta de comunicação entre o Estado e o cidadão.
Mazula disse que os acontecimentos de Mocimboa da Praia, em 2005, que resultaram na morte de cerca de uma dezena de pessoas, foram resultado de intolerância política, assim como a mortes de mais de uma centena de membros e simpatizantes da Renamo por asfixia, em celas minúsculas em Montepuez, em 2000, também só podem ser explicadas pela intolerância política.
Mazula fez estes pronunciamentos esta semana, em Maputo, numa palestra organizada pela Universidade A Politécnica, por ocasião da passagem dos 18 anos da Assinatura do Acordo Geral da Paz.
“A sociedade tem que ter uma paz mental, não queremos ver repetidos os episódios de Mocimboa da Praia, Montepuez, Mongicual, 5 de Fevereiro e 1 e 2 de Setembro. A falta da paz económica, política e mental empurra-nos para estas situações’’, alertou o homem que foi o primeiro a ocupar o cargo de presidente da Comissão Nacional de Eleições, em 1994, durante o processo de implementação dos acordos de Roma que puseram termo à Guerra Civil.

Fosso entre ricos e pobres

Num outro desenvolvimento, Brazão Mazula disse que o fosso entre ricos e pobres em Moçambique é extraordinário e isto concorre para que um grupo de cidadãos se sinta minorizado e excluído.
“Não digo que não haja ricos no país, porque eles (os ricos) existem em qualquer parte do mundo e fazem os países desenvolver’’, disse Brazão Mazula sublinhando que o necessário é que haja equilíbrios entre os pobres e os ricos.

(Cláudio Saúte) 2010-10-08 07:28:00

quinta-feira, 7 de Outubro de 2010

Frelimo avança para a revisão da Constituição


O processo de alteração da lei-mãe continua rodeado de muito secretismo, como admite Margarida Talapa, chefe da Bancada da Frelimo

Maputo (Canalmoz) – A bancada parlamentar da Frelimo na Assembleia da República (AR) incluiu a criação de uma comissão ad-hoc para revisão da Constituição da República no rol de matérias a serem debatidas na próxima sessão parlamentar que arranca no dia 18 de Outubro corrente. A proposta da Frelimo é o primeiro sinal oficial de que o partido no poder pretende, efectivamente, usar da maioria qualificada que detêm no parlamento, para mexer na lei-mãe.

Os segredos serão revelados no dia 18 de Outubro

A Frelimo não revela, ainda, o que pretende mudar na Constituição da República. Não diz, ainda, na proposta que submeteu à Comissão Permanente da AR, como pretende constituir a tal comissão ad-hoc. Entretanto, sabe-se que a Frelimo detém uma maioria qualificada de 191 deputados do total de 250 que compõem o parlamento moçambicano, dai que pode aprovar todo o tipo da matéria que dá entrada no Parlamento, incluindo uma revisão unilateral da Constituição da República.
O Canalmoz abordou a chefe da bancada da Frelimo, Margarida Talapa, na tentativa de apurar os aspectos que a Frelimo pretende mudar na Constituição da República, mas esta não aceitou dar algum pormenor. Fechou-se totalmente. Disse que a bancada da Frelimo fará a apresentação formal dos aspectos que pretende rever na Constituição da República no dia 18 de Outubro corrente, portanto, o primeiro dia da segunda sessão da presente VII Legislatura. É nesse dia, que, segundo Talapa, far-se-á o depósito formal do texto da revisão da Constituição.
“Pedimos paciência. É só esperar até ao dia 18 de Outubro, pelo arranque da segunda sessão da Assembleia da República. Neste dia vamos apresentar formalmente os aspectos que pretendemos rever na Constituição da República”, disse Talapa.
Assim, continua o secretismo quanto aos aspectos que a Frelimo pretende mudar na constituição da República e abre-se espaço para todo tipo de especulações.
Uma das hipóteses mais prováveis que a Frelimo pretende alterar na Constituição é o modelo da eleição do presidente da República. Debate-se em alguns sectores que o partido Frelimo deseja abolir o voto directo e universal para que o chefe do Estado passe a ser indicado pelo partido vencedor das eleições legislativas, o que a concretizar-se representará um sinal evidente da falta de confiança deste partido no eleitorado e um claro retrocesso na construção do edifício democrático no País pois esse método transferiria para apenas um grupinho de pessoas a escolha do Chefe de Estado, que é simultaneamente o chefe do Governo e o Comandante-em-chefe das Forças de Defesa e Segurança.
Outro aspecto que a Frelimo, de acordo com vários quadrantes, deseja rever na Constituição é a extensão do mandato do presidente chefe do Estado. O deputado Alfredo Gamito, em entrevista ao semanário Canal de Moçambique, admitiu recentemente que a Frelimo quer mudar o mandato do Presidente da República dos actuais cinco para sete anos. Especula-se, entretanto, nos meios parlamentares, que este aspecto a ser concretizado na revisão constitucional na forja poderá fazer com que mesmo o mandato do actual chefe de Estado seja já prolongado para sete anos o que atiraria as eleições gerais de 2014 para 2016.
Gamito é deputado da Frelimo e presidente da Comissão da Administração Pública, Poder Local e Comunicação Social.
A alteração da Constituição para permitir ao chefe de Estado avançar para mais um mandato, para além deste seu actual mandato ser alargado de 5 para 7 anos, é outro aspecto que ainda não está fora de hipótese nas aspirações do Partido Frelimo. Contudo, muitos membros do partido no poder já vieram a público dizer que não haverá um terceiro mandato para Armando Guebuza. O próprio presidente da República já garantiu que não está disponível para se candidatar a um terceiro mandato. O ambiente de crispações no seio da Frelimo também está agora demasiado tenso para que Guebuza possa aspirar a tal.

(Matias Guente) 2010-10-07 06:38:00

terça-feira, 5 de Outubro de 2010

As missões estratégicas para a paz no continente - General António José Maria


Luanda - Este artigo define inequivocamente o pensamento estratégico do chefe e do seu génio militar, a maneira como ele movimenta os generais, o exército, a logística, como congrega e utiliza os recursos e as potencialidades do país para atingir os objectivos da guerra. Mas a condição fundamental está no conhecimento de si próprio e do inimigo, pois é imprescindível ao chefe conhecer primeiro o seu território e logo o território do seu inimigo, e será grande sabedoria conhecer os vizinhos para saber com quem fazer as alianças.

Fonte: JA CLUB-K.NET

Ora, o Gneral Presidente José Eduardo dos Santos reuniu em si, com sagacidade, tais factores e com perícia tratou primeiro das questões do Sul, por esta ser a direcção principal da guerra pela ameaça criada pela África do Sul e pela UNITA, a qual depois de ser vencida levou à independência da Namíbia e à queda do Apartheid.


Tratou depois da ameaça retomada por Mobutu outra vez, e por Lissouba e Kolelas, que se aliaram à UNITA. Tratou da ameaça proveniente da Região dos Grandes Lagos personificada na coligação Tutsi–Ruanda, Uganda e Burundi contra a RDC, participando na contra-coligação da SADC integrada por Angola, Namíbia e Zimbabwe, considerada, por estudiosos da guerra, a Primeira Guerra Mundial Africana. A RDC, em pleno coração de África, seria a sede do seu quartel-general para a materialização do seu objectivo estratégico de ligar o Índico ao Atlântico e controlar todos os recursos ali existentes (humanos, minerais, florestais - com a sua fauna -, hídricos e marinhos).

Surpreendeu a França e os Estados Unidos da América que, feridos no seu orgulho, aplicaram sanções contra o nosso país, pois que pensaram que o Presidente Angolano tinha desencadeado pretensões hegemónicas na Região. Admiraram-se, sobretudo, da capacidade e eficácia com que Angola realizou uma espectacular e grandiosa operação de terceira dimensão ao aerotransportar as suas tropas, as do Zimbabwe e as da Namíbia, com toda a sua logística combativa. Exercício jamais feito ao Sul do Sahara, o de projecção das suas próprias tropas e as das dos seus aliados, percorrendo as extensões entre os paralelos 21º30’ e 0º30’, próximo do trópico de Capricórnio e para lá da linha do Equador, e os Meridianos 9º e 31º00’:

– Luanda-Windoek-Kinshasa: 3.645 quilómetros;
– Luanda-Harare-Kinshasa: 4.454 quilómetros;
– Luanda-Kinsangani-Kinshasa: 2.895 quilómetros;
– Luanda-Bujumbura-Kinshasa: 3.459 quilómetros;
– Luanda-Libreville-Luanda: 2.190 quilómetros.

Somente mais tarde estas potências reconheceram que o Intervencionismo de Angola e do Presidente José Eduardo dos Santos tinha como objectivo primordial garantir a segurança nacional e a integridade territorial e, por consequência, a pacificação e a estabilização da Região Central e da Região dos Grandes Lagos. Reconheceram, finalmente, que Angola fez por elas o que elas próprias deveriam ter feito!...

É de todos conhecido que a UNITA, desprotegida pela África do Sul, refugiou-se nos dois Congos, que, por esta razão, se constituíram na ameaça directa às províncias de Cabinda, Zaire e Uíge. Impunha-se, obviamente, evitar a nova Internacionalização do conflito interno, que depois de 1997 se estendeu por mais cinco dolorosos anos, até 22 de Fevereiro de 2002, quando se concretizou um dos três cenários esboçados pelo Presidente José Eduardo dos Santos sobre o destino do líder da UNITA.

Esta breve radiografia da experimentada capacidade de manobra política, diplomática e militar do Presidente José Eduardo dos Santos pode sumarizar-se da forma seguinte:

Manobra político-diplomática
• Bateu-se para a implementação da Resolução 435/78 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, instrumento fundamental aceite pela Comunidade Internacional para a independência da Namíbia e para a erradicação do Apartheid da África do sul, e, concomitantemente, a pedra angular da sua Estratégia de retirar os factores externos ao conflito interno angolano;

• Aceitou o Compromisso de Lusaka, em 1984, para o desengajamento das tropas sul-africanas no Sul de Angola, que, entretanto, intentaram contra o Malongo, acto imputável à UNITA caso resultasse;
• Subscreveu o Acordo de Nova Iorque, a 22 de Dezembro de 1988;
• Subscreveu o Acordo de Bicesse, a 31 de Maio de 1991;
• Subscreveu o Acordo de Lusaka, a 20 de Novembro de 1994;
• Subscreveu o Memorando de Entendimento do Luena, a 30 de Março de 2002;
• Subscreveu o Acordo de Paz, a 4 de Abril de 2002;
• Subscreveu, a 1 de Agosto de 2006, o Memorando de Entendimento do Namibe sobre a Paz em Cabinda com o Fórum Cabindês Para o Diálogo.

Manobra Militar
• Definiu com clareza a direcção principal, quer a ameaça viesse do inimigo do Sul ou quando viesse do Norte, isto é, do Congo-Kinshasa, do Congo-Brazzaville e da Região dos Grandes Lagos. Soube definir e estabelecer as alianças necessárias, para, em nome da SADC, com o Zimbabwe e com a Namíbia, impedir, no momento oportuno, a tomada de Kinshasa pela coligação Tutsi–Ruanda, Uganda e Burundi;

• Em função da sua visão e actuação dos Anos 90, a década seguinte 2000–2010 trouxe sucessivamente a Angola o senhor embaixador Aldo Ajello, Representante da CEE para os Grandes Lagos, o ex-presidente nigeriano Olusengu Obasanju e outros diplomatas que vieram buscar a experiência do Presidente José Eduardo dos Santos para a solução dos conflitos intra-étnicos e inter-étnicos da Região Central e da Região dos Grandes Lagos;

• Reorganizou as Forças Armadas Angolanas, completamente destroçadas pelos Acordos de Bicesse e capacitou-as com armamento e técnica moderna;
• Definiu com clareza os limites da resistência da subversão interna;
• Adquiriu armamento e técnica aos países amigos tradicionais, utilizando os recursos possíveis provenientes do petróleo;
• Dirigiu a reconquista do território nacional e repôs a autoridade do Estado, através das grandes operações, combinando a guerra convencional para a reocupação territorial efectiva do país, com a flexibilidade das unidades tácticas de caçadores para combater a guerrilha, cujo desfecho se registou a 22.02.2002 no Lucusse, depois das grandes batalhas do Huambo, Bailundo, Andulo e de outras cuja magnitude e importância abordaremos quando o tempo no-lo permitir e que desabrocharam em frutos de Reconciliação Nacional (…reunite the whole Angolan people – reconciliar todo o povo Angolano) Escritores Afro-Asiáticos, 30/8/10;
• Guardou a Soberania Nacional e Conservou a Integridade Territorial;
Como se pode constatar por aquilo que disse, estou compelido a falar sobre a Intervenção de Angola e do Presidente José Eduardo dos Santos na Região Central e na Região dos Grandes Lagos no período de 1997 a 2000, tema que faz jus à declaração do Senhor Primeiro-Ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, feita à sua chegada ao Aeroporto 4 de Fevereiro, a 31.08.10, pela qual destacou “o papel pacificador que Angola desempenha nas Instituições Internacionais e na Região dos Grandes Lagos”.

Porém, viciado pelo rigor cartesiano e induzido por este ilustre visitante, recorro hoje ao africanista Bernard Lugan e ao seu “Atlas historique de l’Afrique des origines à nos jours”, para explicar, em sínteses substanciais, a Intervenção de Angola e de José Eduardo dos Santos nas guerras que eclodiram na Região Central e na Região dos Grandes Lagos, nos 4 capítulos abaixo enunciados:

• L’INTERVENTIONNISME ANGOLAIS (O Intervencionismo Angolano) (p. 217);
• LA GUERRE DU KIVU ET LA CONSEQUÊNTE DU ZAÏRE – septembre 1996 – mai 1997 (A Guerra do Kivu e a Conquista do Zaire – Setembro 1996–Maio 1997) (p. 221);
• LA SECONDE GUERRE DU CONGO (A Segunda Guerra do Congo) (p. 225);
• LA GUERRE CIVILE DU CONGO-BRAZZAVILLE (A GUERRA CIVIL DO CONGO-BRAZZAVILLE) (p. 227).
Apesar da extensão dos textos, embora sintetizados, transcrevo, a seguir, pelo seu interesse, os quatro capítulos. Para facilitar a leitura, dispenso o texto em françês.

O Intervencionismo Angolano
“Na imensa conflagração da África Central provocada pelos acontecimentos da RDC e do Congo Brazzaville, o exército angolano jogou um papel essencial. Apesar de combater contra as duas guerrilhas, a da FLEC (Frente de libertação do enclave de Cabinda) no seu enclave petrolífero de Cabinda e a outra a da UNITA (União nacional para a independência total de Angola) na grande profundidade do País, o governo de Dos Santos desencadeou a partir de 1977 um vigoroso intervencionismo que se desenvolveu em três etapas:

1. Em Maio de 1997, tomando pelos flancos as últimas linhas de defesa zairenses, as forças angolanas ajudaram as tropas de Laurent Désiré Kabila a capturar Kinshasa e a expulsar do poder o marechal Mobutu, incondicional aliado da UNITA.

2. Em Julho de 1997, no Congo Brazzaville, o exército angolano facilitou a vitória a Denis Sassou Nguesso que combatia contra o bloco Kongo dirigido pelo presidente Lissouba e por Bernard Kolélas, o prefeito de Brazzaville. Para Luanda, importava afastar do poder os que apoiavam os independentistas de Cabinda com os quais têm parentesco étnico.

3. Em Julho de 1998, quando Laurent Désiré Kabila se encontrava profundamente ameaçado pela rebelião dos contingentes tutsis integrados no seu exército, uma vez mais verificou-se uma nova intervenção militar angolana que salvou o seu regime. Para Luanda, tratava-se de uma oportunidade de proteger Cabinda, razão pela qual as forças angolanas penetraram na RDC para impedir a tomada de Kinshasa pelos «rebeldes».

Na frente interna, pensando que tinha a situação sob controlo e como diplomaticamente estava em posição de força, o presidente Dos Santos lançou uma ofensiva em direcção às regiões que ainda estavam em poder da UNITA.

Nos primeiros tempos esta manobra não teve êxito, porque Jonas Savimbi permitiu que o exército angolano se aventurasse distanciando-se das suas bases antes de o encurralar. Na região de Malange, a UNITA destruiu as pontes, retirando, deste modo, às tropas governamentais, toda a possibilidade de uma ofensiva mecanizada em direcção à zona diamantífera de Saurimo por um lado e por outro em direcção ao Bailundo, Kuito e Huambo, onde as guarnições governamentais foram armadilhadas.

De imediato, a UNITA lançou uma contra ofensiva ao longo do caminho-de-ferro de Benguela e no norte do país onde Mbanza Congo foi capturada e destruído em parte a base petrolífera do Soyo. Para fazer face a essa ofensiva generalizada, Luanda não teve outra alternativa senão a de repatriar o essencial das suas brigadas engajadas no enfrentamento aos «rebeldes» congoleses.

Em Abril de 1999, a situação militar começou a reverter-se a favor do exército angolano, que dispunha de material cada vez mais sofisticado perante uma UNITA asfixiada pelo embargo internacional. Uma após outra, a UNITA perdeu as suas posições antes de renunciar à guerra clássica para retomar a guerrilha.”… (p.217)

A Guerra do Kivu e a Conquista do Zaire (Setembro de 1996-Maio de 1997)

“A guerra do Kivu eclodiu em 1996 quando o poder tutsi rwandês lançou uma ofensiva contra a Hutulândia que o presidente Mobutu permitiu que se instalasse no seu território e de tal forma que este santuário continha três sedes de desestabilização:

1. Reagrupadas em comunidades de campos militarizados e dirigidas por quadros do antigo regime de Kigali, os refugiados constituíam uma força pronta para reconquistar o Ruanda.
2. No norte do lago Tanganica, o fenómeno era idêntico em relação aos refugiados burundeses. Desde Cibitoke aos arredores de Bujumbura, toda a planície de Ruzizi estava submetida ao controlo das milícias hutu do FDD (Frente de Defesa da Democracia) que transformou Uvira no seu quartel-general a partir do qual se planificavam as acções terroristas lançadas contra Bujumbura.
3. A norte, na região do lago Eduardo, o Zaire abrigava os maquizar que levavam a cabo a guerrilha contra o regime ugandês do presidente Museveni.

O Uganda, o Ruanda e o Burundi deviam por isso e imperativamente destruir o “abcesso” representado pelo Kivu. Tal foi feito em menos de dois meses no fim de uma guerra relâmpago iniciada pelos Banyamulenge.

Os Tutsi refugiados no Zaire nas colinas ocidentais dominantes dos lagos Kivu e Tanganica, desde o norte de Goma até ao plateau de Itombwe eram perseguidos pelos Hutu refugiados no Zaire. Estes armados pelo Ruanda, contra-atacaram a 14 Setembro de 1996 e repeliram os assaltantes e depois o exército zairense.

Ao mesmo tempo, como o demonstra a carta, uma tripla ofensiva foi lançada pelos exércitos do Burundi, do Ruanda e do Uganda de que resultou a derrota militar do Zaire, o encerramento da sede de Bujumbura e o fim da Hutulândia. Desta feita os campos foram desocupados e os refugiados inocentes retornaram, em centenas de milhar, ao Ruanda. Quanto aos que participaram no genocídio de 1994, fugiram em direcção a Punia e Kisangani, perseguidos pelos tutsi completamente decididos em castigá-los.

Em virtude do vazio militar que se criou no Zaire, o Uganda e o Ruanda decidiram então explorar esta vantagem e destruir o regime de Mobutu aliado fiel do regime hutu ruandês. A conquista do Zaire (ver página 222) fez-se pelo prolongamento da campanha do Kivu. O Uganda, o Ruanda e o Burundi criaram uma oposição fictícia zairense à frente da qual colocaram Laurent Désirè Kabila, um Luba de Katanga e personagem controversa que eles pensavam poder manipular. Em finais de Maio de 1997, o exército tutsi ruandês saiu vitorioso depois de ter beneficiado, a 15 de Maio em Kenge (carta página 222), da ajuda decisiva dos tanques angolanos. O presidente Mobutu foi afastado do poder e o Zaíre tornou-se República Democrática do Congo (RDC).

Um ano mais tarde, em Maio de 1998, o presidente Kabila rompeu com os seus aliados ruandeses e ugandeses, o que desencadeou a segunda guerra do Congo (ver páginas 223-224)

A Segunda Guerra do Congo
“Foram dez os países que mais ou menos se engajaram directamente na segunda guerra do Congo que eclodiu em Agosto de 1998, quando o presidente Kabila afastou do exército os Tutsi ruandeses que o tinham colocado no poder em 1997.

Os beligerantes congoleses estavam agrupados em duas coligações:
1. A primeira constituída à volta do presidente Kabila, politicamente apoiada pelos países francófonos da região e pelo Sudão. O Zimbabwe, Angola e a Namíbia e também o Tchad enviaram-lhe tropas.

2. O “bloco tutsi”, como se apresenta, isto é, o Uganda, o Ruanda e o Burundi apoiavam os “rebeldes” agrupados em dois principais movimentos.

- A norte da RDC, e ao longo da fronteira com a República Centro Africana, as tribos Ngbandi e Ngbaka, sob tutela de Mobutu, criaram o MLC (Movimento para a Libertação do Congo) dirigido por Jean-Pierre Bemba Gombo, filho de um multimilionário congolês desde então muito próximo do marchal Mobutu. O MLC era uma união tribal enraizada na sua região de origem e beneficiando do apoio financeiro proveniente da rica diáspora mobutista. A partir desta frente norte, o Uganda dirigia as operações.

– Na frente sul, os ruandeses obtiveram brilhantes sucessos militares nesta guerra.
Desta feita, a 12 de Outubro de 1998, quando Kindu, capital de Maniema e quartel-general das forças governamentais caiu nas suas mãos; ou ainda em finais de Dezembro de 2000 quando tomaram Pweto depois de duros combates contra o corpo expedicionário zimbabweano.

A conflagração generalizada desta parte de África teve como origem a reconquista do Ruanda pelos Tutsi em 1994. Estes últimos em seguida repuseram a sua política pré-colonial de expansão a oeste do lago Kivu. Eles tinham sido retirados desta ulceração demográfica por ocasião das partilhas coloniais, antes de se verem confinados às terras altas sobrepovoadas pelas fronteiras herdadas da descolonização.

O federalismo regional que eles preconizavam não podia ser edificado senão sobre as minas da República Democrática do Congo. Compreende-se então porque é que os presidentes Dos Santos de Angola, Mugabe do Zimbabwe e Nujoma da Namíbia foram em socorro do presidente Kabila. Estando à testa de partidos Estados herdeiros territoriais da colonização, eles não ignoravam que em caso da vitória tutsi, as fronteiras regionais deixadas pelos Brancos corriam o risco de ser destruídas.

Em finais do ano de 2000, a situação militar não tinha verdadeiramente evoluído, e por arrastamento a situação indicada no mapa na p. 224. A norte, as posições do MLC pareciam sólidas. A sul, apenas a presença de 15 a 20.000 soldados zimbabweanos desdobrada na defesa do eixo Mbuji-Mayi-Lac Mweru (ou Moero), impediam a progressão rwandesa. Entretanto colocaram-se três questões:

1. Por quanto tempo o Zimbabwe seria capaz de manter um corpo expedicionário na RDC?

2. O desdobramento dos capacetes azuis da ONU previsto para princípio do ano de 2001 não iria confirmar a divisão de facto da RDC?

3. A morte do presidente Kabila a 16 de Janeiro de 2001 não iria transformar as realidades políticas regionais?”

A Guerra Civil do Congo-Brazzaville
“A 15 de Agosto de 1963, o primeiro presidente do Congo, o padre Fulbert Youlou, foi afastado do poder e o seu sucessor, Alphonse Massemba-Debat, um Kongo-Lari fez-se Presidente da República. Em Julho de 1968, dois oficiais Mbochi, os capitães Raoul e Ngouabi tomaram o poder. Marien Ngouabi impôs-se e criou o PCT (Partido Congolês do Trabalho) para fazer do Congo uma República popular marxista-leninista. Nesta situação, os Mbochi confiscaram o poder em seu proveito.

A 18 de Março de 1977, o presidente Ngouabi foi assassinado e o coronel Yhombi Opango, um Mbochi, torna-se presidente do Congo. Em 1979, o coronel Sassou Nguesso, igualmente um Mbochi, toma o poder.

Constrangido pela França a adoptarem o multipartidarismo ele aceitou no início de 1991 pôr em marcha um processo democrático que matematicamente iria dar o poder aos mais numerosos, isto é, aos Kongo.

Assim, fora das eleições presidenciais de 1992, os Kongo que, reunidas todas as tribos, totalizam 48 por cento da população, sobrepunham-se aos Mbochi, que não passam dos 13 por cento. A campanha para a eleição presidencial de 1997 decorreu num clima de guerra civil e, sabendo que matematicamente, iria perder esta eleição pela segunda vez, o coronel Sassou Nguesso aproveitou uma provocação feita da parte do presidente Lissouba para forçar o destino. Em Outubro de 1997, desencadeada uma guerra feroz, os Mbochi retomam pelas armas o poder perdido há cinco anos atrás nas urnas.

Os Kongo refugiam-se então nas suas regiões de origem (Niari, Bouenza, Lekoumou e Pool).
As milícias do antigo presidente Pascal Lissouba e as de Bernard Kollas, antigo presidente da Câmara Municipal de Brazzaville, deram início a partir daí a uma guerrilha combativa apoiada pelos separatistas angolanos de Cabinda.

Os desafios sendo claramente regionais, o presidente Sassou Nguesso foi apoiado pelo exército angolano que mantinha um contingente permanente no Congo-Brazzaville. Para Luanda era vital que os Kongo fossem mantidos fora do poder, a fim de proteger Cabinda, igualmente povoada por Kongo. Em caso de retorno destes últimos ao poder em Brazzaville, a guerrilha de Cabinda teria a certeza de encontrar as bases de que dispunha antes de 1997 (ver p. 216).

Em finais de Dezembro de 1998, as milícias Kongo pensaram que o contexto se lhes apresentava favorável pelo facto de que, retomada a guerra em Angola, poderiam atacar Brazzaville. Em consequência dos combates bastantes violentos de rua, o exército congolês desalojado pediu apoio aos Angolanos.

A incursão foi esmagada pela intervenção de armas pesadas. Rua a rua, parcela por parcela, casa por casa, fez-se uma “limpeza” sistemática e impiedosa. Ordenaram-se vários lavantamentos étnicos seguidos de excuções sumárias. Fizeram-se vítimas às centenas e talvez mesmo aos milhares.

Tendo finalmente as milícias Kongo sido derrotadas, o exército governamental retomou o controlo de uma capital com uma nova sede uma vez arrasados os quartéis de Bakongo e de Makelekele.

Em seguida a lenta reconquista das quatro províncias do sul, Bouenza, Lekoumou, Niari – feudo de Pascal Lissouba –, e o Pool – região étnica de Bernard Kolelas –, foi concluída durante o ano 2000.”

A Nossa Razão
Quais, pois, As Razões da Nossa Razão para a Intervenção de Angola na Região Central e Região dos Grandes Lagos?

– Neutralização da retaguarda nascente da UNITA no Zaire (aeroporto de Ndjili e base aérea de Kamina), depois desta ter perdido o apoio do Apartheid. A UNITA combateu ao lado de Mobutu contra a coligação Kabila, Angola, Ruanda, Uganda e Burundi;

– Neutralização do porto de Ponta Negra e do aeroporto de Brazzaville, feitas novas bases operativas da UNITA, cedidas por Lissouba e Kolelas, para o seu rearmamento, uma vez perdida a sua base estratégica de Lumbala-Nguimbo. A UNITA pretendia destruir o Malongo depois de ter destruído a base do Muanda no Soyo;

– Neutralização da aliança entre Lissouba/Kolelas e as FLEC’s, combinadas primeiro para derrotar Sassou Nguesso e para atacar e ocupar Cabinda, posteriormente;

– Neutralização da coligação Tutsi–Ruanda, Uganda e Burundi, cuja estratégia expansionista e hegemónica visava a ocupação da RDC, “espaço vital”, para domínio da Região Central e Região dos Grandes Lagos;

– Impedimento de nova internacionalização do conflito angolano a Norte do País, com a entrada em cena de novos actores.
…“Veritas filia temporis – A verdade é filha do tempo”…
Vale o que disseram ontem Bernard Lugan e hoje José Maria Neves sobre o papel pacificador de Angola e de José Eduardo dos Santos na RDC, na RCB e na Região dos Grandes Lagos.

Luanda, 15 de Setembro de 2010