domingo, 3 de maio de 2009

Anatomia de um génio


Novas peculiaridades anatómicas poderiam explicar a genialidade de Einstein.
Uma fissura inusual poderia ser a origem da sua demora na aquisição da linguagem.

Albert Einstein. EL MUNDO

MARÍA SAINZ

MADRIDE. - Quando Albert Einstein estancava num problema de Física, pegava no seu violino e tocava-o até encontrar a solução. Tinha uma sensibilidade especial pela música e para compreender as coisas preferia as impressões sensoriais no lugar das palavras. Grande parte destas peculiaridades está marcada na anatomia do seu cérebro.

Depois do seu falecimento em 1955, e como não poderia ser de outra forma, o órgão que lhe dotou a genialidade doou-se à ciência. Thomas Harvey, do hospital Princeton (Nova Jersei, EEUU), foi o patologista encarregado de conservá-lo e, junto com outros peritos, fotografou-o e dividiu-o em distintas porções para analisá-las pelo microscópio.

Décadas depois, distintos grupos de investigação intentaram dissecar esta mente superdotada. Um deles é o dirigido por Dean Falk, do departamento de Antropologia da Universidade Estatal de Florida (EUA), e do que agora se faz eco na revista 'Science'.

Com técnicas de Paleoantropología, e baseando-se nos dados e imagens aportados por Harvey e outros peritos, Falk identifica novas peculiaridades anatómicas que poderiam explicar a genialidade de Einstein, se bem é certo que nem o peso do seu cérebro nem a maioria da sua superfície cortical são dignos de menção.
O cérebro não pesava mais do que o normal

"O córtex cerebral era fino [...] e com amplos sulcos, algo normal para a sua idade (76 anos). A sua massa cerebral, de 1.230 gramas, tampouco é excepcional", explica a investigação, publicada em 'Frontiers in Evolutionary Neuroscience'.

Se são peculiares determinadas zonas do córtex somatosensorial e motora. "É possível que estes aspectos atípicos [...] se relacionassem com as dificuldades que tinha para adquirir a linguagem; a sua preferência por pensar com impressões sensoriais, incluídas as imagens visuais em lugar das palavras; e a sua precocidade na prática do violino [tocou-o dos seis aos 14 anos]".

Parece que o órgão cinzento de Einstein apresentava uma curiosa combinação de rasgos simétricos e assimétricos. Ademais, Falk encontrou-lhe uma fissura inusual numa região envolvida na habilidade para recordar fonemas e sílabas: "Poderia associar-se com o seu já conhecido atraso na aquisição da linguagem e com o facto de que costumava repetir-se frases a si mesmo até que cumprisse os sete anos".

Como comentávamos anteriormente, este trabalho não é o primeiro nem possivelmente o último focalizado a conhecer o cérebro do físico alemão. Segundo explica a revista 'Science', o primeiro estudo anatómico nesta linha dirigiu-o Sandra Witelson, neurobióloga da Universidade McMaster em Hamilton (Canadá).

Os resultados deste ensaio também foram muito reveladores. Por exemplo, "os lóbulos parietais – implicados no conhecimento matemático, visual e espacial – eram uns 15% maiores que a norma". Uma descoberta que agora também confirma Falk.

"Ainda que estas visões são especulativas [...] possivelmente serão de utilidade a futuros estudantes com acesso a nova informação e metodologia", conclui este perito.

EL MUNDO

Foto: Cinco vistas diferentes do cérebro de Albert Einstein. (Foto: Miguel Rajmil)

sábado, 25 de abril de 2009

A Memória de Jaime Galante na Faina do Bacalhau


Público

Em 1948, com apenas 16 anos, Jaime Galante experimentou pela primeira vez a aventura nos bacalhoeiros portugueses nas águas da Terra Nova. Ao fim de 25 anos de pesca do bacalhau, decidiu acabar de vez com uma vida marcada pela má alimentação e pela falta de higiene. Memória de um tempo que já não existe. Por Ângelo Teixeira Marques

O mar entrou cedo na vida de Jaime Galante Rodrigues, um pescador de Vila do Conde que passou 25 dos seus 71 anos na safra do bacalhau. Aos nove anos, quando teve de abandonar a escola para minorar a pobreza da família com dez bocas para alimentar, o pai já andava na safra do bacalhau, mas Jaime começou pela faina costeira. Em 1948, o pai entendeu que estava à altura do desafio. Aos 16 anos, embarcou em Lisboa no "Adélia Maria", um bacalhoeiro de Aveiro, com quatro mastros e um pequeno motor auxiliar.

Entrou com a categoria profissional mais baixa de todas as existentes a bordo: era simplesmente um dos "moços". Um membro "sem direito a nada", nem sequer a sentar-se à mesa junto dos demais cinquenta pescadores, motoristas e cozinheiros. E muito menos junto do topo da hierarquia, composto por "oficiais, capitão e imediato". Por ironia, estes tinham direito ao trabalho privativo de um "moço".

Um "moço" não ia à faina, mas a permanência a bordo significava uma carga de trabalhos, desde a limpeza à distribuição de refeições e, a parte mais dura, o labor no sal, no porão. Os navios zarpavam na Primavera para safras que duravam cerca de seis meses e iam carregados de sal para proteger, no regresso, o bacalhau pescado.

O porão tinha diversas divisões e era necessário transferir o sal de umas para as outras, à medida que o peixe ia sendo pescado e acamado. Jaime Galante lembra-se de um "moço" ter falecido "no espaço de um dia", com uma "pneumonia galopante" que suspeita ter sido causada pelo choque térmico entre um corpo quente pelo suor adquirido no porão e uma aragem fria apanhada no topo do barco. "Era um trabalho de escravo", sintetiza.

Aos 18 anos, Jaime ascendeu a pescador. As viagens para a Terra Nova duravam cerca de 15 dias e o tempo era passado a preparar os aparelhos para a pesca, a jogar às cartas, a alar as velas (para poupar o motor) ou a limpar o barco. "Arranjavam sempre algo para fazermos", diz. Chegados à Terra Nova, onde adquiriam o isco - "a sarda era o melhor, o pior as lulas-gigantes, demasiado rijas" - , principiava a saga da pesca. Às quatro da manhã, ouvia-se o "Louvado" - uma ladainha religiosa que funcionava como despertador. O pequeno-almoço era escasso. "Normalmente, um pão e algo com parecenças de café ou feijão com peixe", conta.

De súbito ouvia-se um grito - "tira o isco, corta o isco, vamos arriar!" - e eram despejados na água os botes à vela e remos, com uma mão-cheia de pescadores a bordo. Jaime Galante ainda chegou a utilizar a "linha de mão", que tinha somente dois anzóis, mas este apetrecho foi ultrapassado pelos mais modernos e produtivos "trole" e "zagaia". O trole era composto por uma linha com "seiscentos anzóis ou mais" que tinha de ser estendida por longos quilómetros. E aqui levantava-se uma dificuldade: com tantos botes na água, os pescadores tinham de arranjar espaço para todos. Logo, os últimos botes a entrar na água eram os que regressavam mais tarde ao ponto de partida. O retorno era sinalizado pelo içar "de uma bandeira preta formada por dois panos de serapilheira". Assim, ficavam no mar, "no mínimo, até às seis horas da tarde" e só depois é que a barriga era reconfortada.

Mas o trabalho não acabava com as capturas. Já no navio, os pescadores eram divididos por três mesas e o peixe ia passando "como numa fábrica": "Uns faziam trote, abriam a barriga [do peixe], outros tiravam as tripas e partiam a cabeça e os últimos escalavam". Depois de lavados, os bacalhaus iam para os porões onde estavam outros membros da tripulação a fazer "a salga".
Até Junho, a faina era passada na Terra Nova. Depois o barco arribava à Gronelândia, onde, devido ao frio, o bacalhau "era mais escuro e tinha menos possibilidade de se estragar". Gastava, por isso, menos sal, o que agradava sobremaneira a quem tinha de gerir a quantidade do conservante. Por causa do tempo gélido, nos finais de Agosto o barco deixava a Gronelândia e, "se não estivesse carregado, voltava à Terra Nova para acabar de encher [com pescado]". Muito trabalho e pouco descanso. Só quando dava a "brisa" [ventos tempestuosos] é que os músculos descansavam.

O terceiro naufrágio
Numa das viagens, Jaime Galante viu uma "coxa de uma vaca" a descongelar e quando, noite alta, regressou da "vigia" no leme, sentiu uma fome corrosiva. Juntou-se a meia-dúzia de "camaradas" mais chegados e, com a afiadíssima "faca de escala", tirou tiras de bife que fritou na "máquina que era a petróleo, mas funcionava a gasóleo" - uma espécie de minifogão. Só que os improvisados cozinheiros esmeraram-se no tempero ("colocámos um bocadinho de pimenta, alho...") e "o cheiro começou a espalhar-se" pelo barco. No dia seguinte, da peça de carne só restava o osso.

E, por causa da alimentação, Jaime Galante quase encabeçava uma rebelião. O barco já tinha Aveiro à vista, mas como estava totalmente carregado - tinha capacidade para " onze mil quintais" (cada quintal é equivalente a 60 quilogramas) o calado roçava o fundo do mar e a aproximação à costa ficou dependente de uma boa maré. O proprietário mandou ao encontro da embarcação uma lancha com "hortaliças, batatas, ovos e metade de uma vaca". Só que, na hora da refeição, os pescadores viram-lhes cair no prato "feijões e peixe amarelo feito em sebo". O mesmo cardápio dos últimos meses e que enfastiava a tripulação. "Que c...... é isto?", zangou-se Jaime Galante, que foi pedir meças ao capitão do barco e, após uma azeda troca de palavras, o pescador, forrado com a presença dos restantes camaradas, ameaçou o superior. Galante esteve em vias de ser preso, mas o dono da firma "não enviou a polícia".

Em 1968, o "Adélia Maria" naufragou, em virtude de um incêndio, e Jaime Galante transitou para uma embarcação maior, a "Capitão José Vilarinho", que dava trabalho a "mais de oitenta pescadores". Mas também este barco iria naufragar, abalroado por um pesqueiro canadiano, quando encetava a fuga a um ciclone. Neste caso morreram quatro membros da tripulação.
Finalmente, Jaime Galante, já como "mestre-salga", seria tripulante do "Vila do Conde", mas a sina dos naufrágios perseguia-o e também o barco com o nome da sua terra foi ao fundo, depois de um incêndio a bordo. O pescador deixou a faina do bacalhau de vez. E depois de uma passagem por Espanha, da participação numa cooperativa, comprou um "barquito" de pesca local com o qual ganhou o pão até se reformar. E aí verificou que a pesca do bacalhau "era uma ilusão": os que trabalhavam e arriscavam ganhavam "uma miséria".

Jaime Galante ficou, pelo menos, a conhecer todos os segredos do bacalhau e sentencia: "O nosso bacalhau vinha cinco ou seis meses espremido no sal. Depois era seco ao sol e quando ficava de molho crescia e as postas pareciam lascas. Hoje a salga dura um dia ou dois e, por isso, o bacalhau fica branco por dentro e parece palha".

Domingo, 21 de Dezembro de 2003

sexta-feira, 24 de abril de 2009

BOUDICCA a nobreza celta


Boudicca é conhecida nos anais de Roma como Boadicea. Era uma nobre que nasceu por volta do ano 30. Pouco se sabe de onde veio, mas alguns estudiosos acreditam que seu nome é uma homenagem à deusa da Vitória Boudiga, do panteão celta, dado por seus seguidores.

Ela se casou dentro da nobreza do povo Iceni, do sudoeste da Bretanha, por volta de 48, dando à luz a duas filhas que alcançaram a adolescência antes do falecimento de seu pai, por volta do ano 60. A partir de sua morte, ocorreram uma série de ataques de surpresa dos romanos a ela e à suas filhas, ultrajando a tripo dos Iceni. Boudicca finalmente liderou uma força composta por mais de cem mil guerreiros, numa rebelião maciça que deixou uma ferida à integridade do Império Romano.

História

Boadicea fazia parte da nobreza céltica. Os Celtas eram um povo guerreiro que habitava as Ilhas Britânicas e a Europa Ocidental desde o século V AC aproximadamente. Os romanos fizeram várias incursões infrutíferas à Gália ao longo dos séculos e os celtas eram admirados por seu destemor e coragem.

Um ajuntamento de forças célticas saqueou Roma em 410, causando o colapso do Império que, de fato, já se encontrava dividido.

O que mais aterrorizava os combatentes romanos diante das forças célticas era que homens e mulheres combatiam lado a lado, sem distinção de honra ou valor e muitos menos, quanto ao vigor na batalha.

Mesmo assim, Roma sentiu-se extremamente ultrajada pelo fato da rebelião dos Celtas ser liderada por uma mulher.

César

Julio César invadiu a Bretanha duas vezes, primeiro em 55 AC e depois novamente no ano seguinte, obtendo então a submissão de seis poderosas tribos do leste, entre os quais, as tribos dos Iceni. Em virtude de outras questões relativas à ocupação das Ilhas do Canal e dos combates existentes contra os gauleses, deixou aquelas tribos governando-se a si mesmas, embora passassem a manter relações comerciais inclusive com a Gália Romana, pacífica e latinizada. César jamais retornou para a região e a vida retornou à normalidade pelos próximos cem anos.

O Retorno de Roma

Prasutagus, marido de Boudicca, era o provável rei dos Iceni quando Roma retornou em 43, com Claudius. Claudius enviou cerca de 60 mil homens não apenas para invadir a Bretanha, mas também para colonizá-la, depois de investigar e pesquisar sobre as vitórias e fracassos das incursões anteriores.

Os Iceni foram assim novamente subjugados e Prasatugus foi mantido no trono como rei-vassalo de Roma. Desta forma, havia um governante local dirigindo-se diretamente ao seu povo e suas terras, subordinado aos interesses de Roma. Dessa maneira, contavam com apoio militar, um estrutura de taxas e coletas de impostos e educação nos moldes da existente no Império. No fundo, tratava-se de uma escravidão branda.

Como disse Calgacus, líder dos caledônios, que liderou a rebelião 20 anos depois de Boudicca:

“Eles devastam tudo e criam a desolação, chamando a isso de paz”.

Haviam vários regentes submetidos à Roma a leste e ao sul da Bretanha. O País de Gales se submeteu apenas depois de 30 anos de violentos combates. E quanto mais ao norte os romanos se dirigiam, mas difícil se tornava controlar o povo. No extremo norte da ilha, cerca de 60 anos após Boudicca, os romanos tentaram conter os caledônios construindo uma muralha (Vallum Hadrianus), mantendo-os distante dos territórios romanos. O que mais tarde se tornou a Escócia permaneceu livre, uma prova de que jamais estiveram na Irlanda. O mais próximo que chegaram foi até a Ilha Mona (Anglesey), que era um santuário druídico renomado, destruído pelos romanos sob o governo de Suetonius Paulinis, na mesma época em que Boudicca reunia as suas forças.

A Rebelião

Depois de casar com Prasutagus, por volta do ano 48, Boudicca se tornou a rainha dos Iceni. Deu à luz a duas filhas, de nomes desconhecidos. Acredita-se que estavam na adolescência por ocasião da morte de seu pai entre os anos de 60 e 61. Boudicca então se tornou a regente dos Iceni e guardiã da herança de suas filhas.Prasutagus deixou um desejo ao morrer. Deixava terras e possessões pessoais, bem como quantias em dinheiro para o Imperador (na época, Nero), como era requerido dele como vassalo de Roma. Mas também deixou dinheiro e algumas propriedades para sua esposa e filhas. Ao sacrificar-se agindo assim, pensava assegurar a continuidade o pagamento de taxas e tributos à Roma durante um bom tempo. Acreditando que havia salvaguardado os interesses de seus descendentes, Prasutagus morreu despreocupado.

Porém, após a morte de Prasutagus, representantes da administração tributária de Roma foram enviados à Bretanha, acompanhados de guardas para contestar seu testamento. Segundo as leis romanas, não poderia deixar bens, propriedades e recursos à família sem o direto consentimento do imperador.

Boudicca foi tornada inteiramente responsável por todos os débitos junto a Roma. Por não ter como honrá-los, Roma não poupou esforços para utilizá-la como exemplo. Foi feita prisioneira e açoitada em público, enquanto que suas filhas foram levadas para longe e violentadas pelos soldados romanos. A isso chamavam de “a Lei Romana”. Nenhum crime havia sido cometido pelos Iceni aos romanos além do fato de Prasutagus ter distribuído alguns de seus recursos às suas filhas...

Ela recuperou suas filhas e trazendo-as novamente para o seu povo. Então, várias pequenas insurreições e rebeliões começaram a acontecer primeiramente ao sul, particularmente pelos Trinovantes, libertando seus parentes e familiares que passaram a engrossar as suas fileiras. Eles faziam parte de uma tribo que não havia se submetido aos romanos e que se colocou à disposição dos Iceni para responder ao ultraje recebido. E foi dessa maneira que as duas tribos que eram inimigas entre si por séculos estabeleceram uma aliança para se juntarem a Boudicca quando ela conclamou à guerra.

O Governador da Bretanha, Suetonius Paulinus estava justamente acabando com uma rebelião que seguia uma profecia dos druidas que falava de paz na ilha, quando uma nova rebelião se instalava cerca de 300 milhas adiante. Assim que terminou de aniquilar todos os seus habitantes e destruir os seus santuários, levantou acampamento e dirigiu as suas tropas em seguida.

Acredita-se que Boudicca reuniu cerca de cem mil pessoas quando liderou o primeiro ataque a Camulodunum Colônia (Colchester), uma colônia distante da administração romana e de suas famílias. No interior da cidade, uma quinta coluna de rebeldes assegurou que o ataque ocorreria sem aviso ou problema. Os combates duraram alguns dias, tempo suficiente para que mensageiros corressem a Londinium (Londres) e informassem o Procurador, uma vez que o Governador estava fora de alcance. Este respondeu enviando apenas 200 homens, que foram rapidamente abatidos na batalha.

Tácito cita a religiosidade romana e britânica que previu a desgraça futura de Roma:

“Apesar de tudo, sem nenhuma causa evidente, a estátua da Vitória em Camulodunum permanecia prostrada e de costas para o inimigo, como um presságio a ser refletido. Mulheres profetizavam a destruição em línguas estranhas e diz-se que foram ouvidas inclusive no Senado. Os combates foram tão fortes que a cidade parecia um cemitério e o Tamisa, um rio de sangue. E quando a maré baixava, corpos surgiam fantasmagóricos de suas águas. Para os bretões, esse sinal eram um alento; para os romanos, apavorante. Os soldados veteranos de Roma mantiveram-se fechados por mais dois dias, trancados no templo de seus deuses. Desempenhando a função de agricultores, estavam pouco equipados para lutas tão ferozes quanto aquela.”

Foi quando Boudicca se moveu. Camulodunum era uma cidade destruída e seus habitantes estavam totalmente fora de combate.

A IXª Legião Hispana, guiada por Petilius Cerialis, foi enviada para Camulodunum. Rapidamente se equipou e deslocou para a região do conflito trazendo cerca de cinco mil homens, mas foi emboscado por um destacamento que os esperava a norte de Camulodunum. A infantaria foi totalmente dizimada; Petilius e sua cavalaria se retiraram mais para norte e a rebelião rapidamente se espalhou.

Após as notícias da revolta, o Procurador Decianus partiu imediatamente de seu gabinete em Londres, levando tudo o que podia, inclusive os seus próprios funcinários, deixando a cidade sem administração.

Suetonius, enquanto isso, marchou rapidamente para Londres, inspecionando a cidade com um destacamento. De alguma maneira, evitara a chegada de Boudicca de Camulodunum, conduzindo uma legião inteira por cerca de 400 km, esperando encontrar apenas ruínas pelo caminho. Nessa época, Londres era uma cidade burguesa, com seus negócios e feiras espalhadas por toda a sua extensão. Não era uma cidade particularmente fortificada, uma vez que sua principal atividade era realmente os negócios e seus cerca de 30 mil habitantes, romanos ou não, sentiam-se em casa. Apesar de Suetonius ter chegado a tempo, abandonou prontamente a cidade, pois sabia que não poderia ser defendida.

Tácito descreve a cena em seus anais:

”Ele decidiu sacrificar a cidade para salvaguardar a situação geral. Sem se deixar levar pelos pedidos e lágrimas daqueles que imploravam por sua ajuda, ele deu o sinal para partir, levando a sua coluna e todos aqueles que quisessem acompanhá-lo. Aqueles que não estavam preparados para a guerra, seja por seu sexo, idade ou porque eram muito presos aos seus negócios para os abandonarem, acabaram sendo mortos pelo inimigo.

Boudicca e suas forças chegaram a Londinium pouco depois da partida de Suetonius e arrasaram inteiramente a cidade, não deixando pedra sobre pedra.”

Depois de deixar Londres, Boudicca se voltou para noroeste para Verulamium (Santo Albano), uma cidade pouco menos populosa que Camulodunum, mas composta inteiramente de bretões simpatizantes ao regime romano. Suetonius convocava agora a IIª Legião Agusta do sudoeste para reunir-se às suas próprias legiões. Mas parece que não compareceram a tempo, contidas por seu comandante Poenius Postumus. Sem eles, Suetonius reuniu rapidamente cerca de dez mil homens compostos dos destacamentos da XXª Legião que o acompanharam à Ilha Mona, da XIVª Legião e dos auxiliares disponíveis na área que poderiam ser reunidos o mais rapidamente possível. Supõe-se que assim tenha reunido cerca de 200 mil homens.

Os habitantes de Verulamium receberam orientações de Boudicca assim que ela partiu de Londres. Antes que ela chegasse, a população evacuou a cidade levando consigo todos os seus pertences. Ainda assim, assim que o exército atravessou a cidade, ateou fogo em tudo e em todos aqueles que se recusaram a seguir as suas ordens. Mas ainda não foi dessa vez que Boudicca conseguiu atacar os exércitos de Suetonius.

A Batalha Final

Suetonius buscava uma região com um terreno particularmente favorável para a batalha, que pudesse favorecer o trabalho de seus soldados, tendo que lutar com o seu inimigo vindo exclusivamente de uma frente. A localização precisa deste local nunca foi determinada, porém, acredita-se que tenha sido a oeste de Middlands. Tácito observa que os bretões vinham para a batalha com todo a sua família e pertences, acreditando realmente que poderiam conquistar a vitória e restaurar a paz. Pergunta-se porque traziam toda a família para as frentes de batalha. Talvez fosse para mantê-los seguros de ataques furtivos dos romanos contra eles, evitando ainda que fossem feitos cativos ou que os romanos lhes tomassem suas posses.

As duas forças se encontraram e se prepararam para a batalha. Para essa batalha, Boudicca é descrita com uma mulher cansada e com alguns ferimentos, conduzindo um clã de tártaros armados até os dentes e com uma aparência terrível (Tácito). Os celtas costumavam ir para a batalha com seus tambores, vestidos com roupas próprias para a guerra, brandindo lanças, espadas e armas roubadas. A pele era pintada de azul para intimidar o inimigo. Pode-se imagina a reação provocada nos soldados romanos bem treinados, mas não acostumados a enfrentar inimigos com esse aspecto. Diz-se ainda que os comandantes falavam das possibilidades da vitória, convencendo que poderiam vencer, antes que Boudicca fizesse o mesmo e liderasse finalmente suas tropas para a batalha.

Os romanos, em contrapartida, permaneciam naquela clássica formação de falange, seus escudos acima das cabeças servindo-lhes de proteção contra as lanças dos bretões. Assim que o inimigo estava ao alcance, Suetonius deu a ordem de formarem uma cunha, quando arremessaram as suas lanças e dardos. Em seguida, avança a infantaria auxiliar, sempre em ondas. Com esse ataque, o coração da tropa dos bretões que havia avançado primeiramente jazia morto e o caos se instalava na retaguarda bretã. Porém, os romanos avançaram ainda a sua cavalaria pelos flancos, buscando alcançar justamente a retaguarda bretã, onde estavam suas famílias e era considerado o ponto mais vulnerável de suas defesas.

Por fim a infantaria cercou as forças de Boudicca, deixando-a sem alternativa a não ser o combate. E muitos realmente acabaram morrendo. A partir dessa batalha, muitas outras rebeliões se sucederam.

Tácito diz que “para este combate havia cerca de 80 mil bretões e que apenas cerca de 400 soldados romanos foram mortos. A tradição diz que Boudicca sobreviveu à Batalha Final apenas para retornar ao lar e envenenar-se. É pouco provável que Nero tivesse clemência em seu caso ou de suas filhas. Se Boudicca tivesse sobrevivido e sido capturada, seria exibida como um troféu por Suetonius, em Roma, submetida então a horrores indescritíveis e por fim, levada a ser executada pelos gladiadores na arena”.

Cássio Dio sugere que tenha sido queimada como heroína, como é do costume dos celtas.

Conseqüências

Aqueles que foram capturados pelos romanos foram “vingados pelo fogo e pela espada”, de acordo com Tácito. O historiador diz ainda que muitos bretões deixaram de semear as suas plantações antes de deixarem as suas terras e assim, quando retornaram, muitos morreram de fome. Isso nos sugere que a rebelião tenha durado cerca de um ano.

Em várias localidades, muitos ainda permaneceram lutando, porque nada mais tinham a perder.

Fala atribuída a Boadicea (Tácito)

Agora, não sou apenas uma mulher de ascendência nobre, mas principalmente uma pessoa que se vinga pela perda da liberdade, pelo meu corpo açoitado, pela castidade ultrajada de minhas filhas. O desejo romano foi tão longe que nenhuma pessoa, independente de sua idade ou virgindade, permanece despoluída. Mas os céus estão do lado da vingança justa. Uma legião que se atreveu a lutar já pereceu; o restante está se escondendo nos campos ou tentando escapar ansiosamente. Sua força de vontade não sustenta o clamor de tantos milhares, muito menos de nossos ataques. Se você ponderar as forças de nossos exércitos, você verá que num combate você deve conquistar ou morrer. Esta é a responsabilidade das mulheres, pois para os homens, resta permanecerem vivos e se tornarem escravos.

Henrique Guilherme Wiederspahn, ESQUILO FALANTE
http://www.arteantiga.org/henrique/artigo02.php
boudi

foto
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Boudiccastatue.jpg

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Marina Tsvetáieva. Estenógrafa do ser


Os textos autobiográficos de Marina Tsvetáieva equivalem a ciclos sucessivos no purgatório e no inferno: a única interrupção possível é a morte, geralmente dolorosa e trágica. No caso da poeta russa, nascida em 1892, o fim foi o suicídio aos 49 anos incompletos, depois de uma seqüência de exílio, de fome, de perdas familiares, de frio e de penúria provocada tanto pelas frustrações amorosas quanto pela política. Impressiona que no longo sofrimento da poeta, considerada por Vladimir Maiacóvski "demasiado feminina", tenha podido surgir uma obra tão extraordinária, marcante por versos elípticos e metáforas surpreendentes, mesmo em tradução: "Sequer quero o buraco / Da orelha, e o olhar confuso. / Ao Teu mundo insensato / Só digo que – recuso".

Nas confissões reunidas em Vivendo sob o fogo (Martins, 763 páginas, R$ 83), com base em cartas e páginas de diário selecionadas pelo crítico Tzvetan Todorov, fica-se diante de um moderno Livro de Jó no qual a redenção parece menos importante do que a presença do mal e a força da esperança. Deve-se à tradutora Aurora Fornoni Bernardini, que já preparara uma antologia bilíngue de poemas em Indícios flutuantes (2006), o aparecimento em português dessa obra em prosa. Praticamente não há uma só página feliz ao longo da autobiografia montada a partir da seleção de dezenas de volumes. Em vários momentos, Marina Tsvetáieva é lírica e lancinante ao falar do seu sofrimento e das suas paixões, que a levam a extremos: "De um modo geral, detesto os literatos; para mim, cada poeta – vivo ou morto – é um protagonista de minha vida. Não vejo nenhuma diferença entre um livro e um ser humano, um pôr-do-sol e um quadro. – Tudo o que eu amo, amo com o mesmo amor". Nem toda confissão, no entanto, pode ser considerada criação literária – é o caso da carta que a poeta escreve para o poderosíssimo Lavrenti Béria, chefe do Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKDV), o serviço secreto e de segurança responsável, entre várias atividades, pela repressão política, pelas execuções extrajudiciais e pelo sistema de trabalho forçado nos gulags.

A poeta faz um apelo pela vida do marido, Sergei Efron, e pela filha do casal, Ariadna, ambos detidos em outubro e agosto de 1939, respectivamente. Inicialmente alistado no Exército Branco (ou seja, em oposição aos bolcheviques e aos ideais da Revolução de 1917), o militar foi em seguida cooptado pela espionagem comunista e esteve envolvido no assassinato de um agente soviético na Suíça. Em tom comovido e patético, a poeta procura explicar àquela máxima autoridade, que punia os "inimigos do povo", o drama de consciência de toda a sua família, em dimensão de tragédia: porém, cometido o "erro fatal" de haver participado do movimento meio monarquista e meio democrata contrário ao Exército Vermelho, como justificar a inocência de seu marido? O sistema repressivo já havia reduzido Sergei Efron a um homem sem ideais, atormentado por sua ambigüidade e fraqueza moral. Ele será fuzilado em 1941, pouco depois do suicídio de Marina Tvestáeva. A filha, também acusada de espionagem e "atividades anti-soviéticas", foi processada em 1939 e padeceu oito anos de "reeducação pelo trabalho".

A morte da mãe da poeta, tuberculosa, aos 37 anos, e a morte de uma filha mais nova, Irina, em 1920 – por maus tratos infligidos num abrigo para crianças – foram marcos do destino mórbido da poeta. Porém, outra seqüência de episódios de muita intensidade já havia também começado: a dos casos extramaritais de Marina Tsvetáieva com vários homens, a exemplo de Ossip Mandelstam, e também com a poeta Sofia Parnok, que tiveram impacto sobre sua obra. Muitos ciclos sentimentais, nunca paradisíacos, começaram e terminaram, sempre tocados pelo suplício. A atração que a autora de Psiquê (1923) sente por tantas pessoas – nem todas chegam de fato a ser suas amantes – forma o núcleo poético das suas confissões: é nessa dimensão amorosa que ela mais exibe o seu talento. Numa carta para o escritor Aleksandr Bakhrakh, na qual este toma conhecimento de ser ex-amante da poeta, ela conta que está amando outro (no caso, Konstantin Rodzevich, oficial do Exército Vermelho!), e conclui: "Terei deixado de amar você? Não. Você não mudou e eu não mudei. Só mudou uma coisa: minha fixação dolorosa em você. (...) Minha hora com você terminou, resta minha eternidade com você. Oh, demore-se um pouco nela!"

São as atrações passionais (ou "idílios cerebrais", como prefere) que elevam as anotações autobiográficas de Marina Tsvetáieva a um patamar só alcançado por seus poemas. Vivendo sob o fogo procura demonstrar, justamente, a superioridade da prosa da escritora russa, idéia que contraria a opinião de especialistas como Charles Simic e Jamey Gambrell, ainda que reconheçam a dificuldade e densidade lingüística dos poemas. Na confissão amorosa, ela se transformava na "estenógrafa da vida", sempre atenta para os acontecimentos mais presentes e mais tumultuados, fosse a sua pobreza material ou uma carta recebida há pouco. Deve-se recordar que, embora escritas em diversas formas, essas confissões tiveram início por uma razão de identidade literária: os diários da russa Maria Bashkirtseff (1858-1884), que morreu enferma aos 25 anos. E, no seu febril esforço de transmitir os eventos íntimos que lhe transtornavam, Marina Tsvetáieva procurava nos outros a melhor inspiração para obra confundida com a vida: por isso, numa anotação de 1919, declara que "o poema é o ser: de outra forma é impossível".

Tão precoce e constante como a idéia do suicídio é a presença da política na obra de Marina Tsvetáieva. A Revolução de Outubro foi seguramente o evento mais catastrófico para a poeta, e gerou uma situação impossível para sua família. Tanto os revolucionários quanto o regime que se consolidou exigiram dela uma definição que a poeta nunca esteve em condições de alcançar: seus temas eram a plenitude e a totalidade. Mesmo o fato de ser russa, segundo sua concepção, importava pouco: ser poeta, para ela, apagava as marcas da nacionalidade e a transformava num ser absoluto. Mas a Revolução varreu tudo: seu casamento e mesmo o destino das filhas. Numa carta de 1921 ao marido, ao comentar a morte de Irina, avalia que a filha "era uma criança muito estranha e, quem sabe, incurável". Mas admite em seguida: "Claro, se não houvesse a Revolução". Entre pão e céu – e também entre a falta e pão e o céu inalcançável – se posicionou Marina Tsvetáieva, cuja obra segue suspensa no lugar que só ela ocupa.
http://jbonline.terra.com.br/editorias/textosdoimpresso/jornal/ideias/2008/09/27/ideias20080927007.html

sábado, 18 de abril de 2009

Em busca da primeira edição de 'O retrato de Dorian Gray'


A Biblioteca Britânica estima em 9.000 o número de livros extraviados e roubados das suas prateleiras

EFE / EL PAÍS – Londres / Madride - 17/03/2009

Mais de 9.000 livros extraviaram-se na Biblioteca Britânica, entre eles os tratados renascentistas de teologia e alquimia, um texto de astrologia medieval, assim como primeiras edições. A Biblioteca não crê, sem dúvida, que alguém os roubou, senão que talvez estejam perdidos entre os 650 quilómetros de estantes desse centro, informa hoje o diário The Guardian.

Um dos livros que se perdeu a pista é o titulado Da Usura Legal e Ilegal dos Cristãos, do teólogo alemão do século XVI Wolfgang Musculus, que a biblioteca valoriza em 22.000 euros. Outros são uma Carta de Astrologia publicada em 1555 de que é autor o famoso filósofo judeu-cordovês Maimónides (1135-1204), primeiras edições do O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, e Canzoni, do poeta norte-americano Ezra Pound. Também desapareceu uma edição de luxo do livro de Adolf Hitler A Minha Luta, que se publicou por motivo dos 50 anos do ditador alemão.

Segundo Jennifer Perkins, da Biblioteca Britânica, os livros consideram-se extraviados quando um leitor os reclama e não aparecem nas estantes em que deveriam normalmente estarem. Os maiores tesouros da Biblioteca, entre eles a Magna Carta, guardam-se numa galeria especial submetida a controles de conservação e segurança extraordinários.

Muitas das perdas produziram-se justamente antes ou depois de 1998, ano em que se trasladou a colecção desde o Museu Britânico para um moderno edifício cerca da estação de St. Pancras.

No passado mês de Janeiro, um coleccionador iraniano chamado Farhad Hakimzadeh foi encarcerado por levar mapas, ilustrações e páginas de vários volumes valiosíssimos dos fundos dessa biblioteca.

EL PAÍS

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Edgar Allan Poe revisitado


Sete autores reinventam os contos do autor
O livro inclui também ilustrações de Harry Clarke

Joana Rei Madride

Quando se trata de falar de Edgar Allan Poe, as palavras começam a ficarem curtas. Pai da novela negra e da ficção científica, génio da história policial e de terror, a sua marca na literatura é profunda e inegável. No ano em que se celebra o bicentenário do seu nascimento, as editoras apressam-se em sacar as obras que renderam homenagem ao seu talento. A mais recente apresentou-se ontem, em Madride, e recolhe sete dos seus contos em sete novas versões.

'Poe', da editora 451 editores, é um reinvento dalguns dos contos do autor. "As versões que mais gosto são as que destronam o original, as que o fazem em pedaços e recreiam, a partir das suas cinzas, um monstro novo. Este foi o repto que propusemos a s escritores", conta Fernando Marías, o editor.

Eugenia Rico e Luis Alberto de Cuenca foram dois dos autores que aceitaram o repto. Ele reconstruiu 'O Corvo' e ela 'O Gato Negro', duas das obras mais emblemáticas de Poe. "Dei-me conta de que me fascino pela dobragem, pelo espelho, assim que quis reinventar o conto a partir dos olhos da mulher, morta e emparedada", recorda Eugenia Rico. E, assim, o gato converteu-se em gata. Una gata negra que fala de "uma história de maus-tratos, de uma mulher que sofre e que não acredita que o homem a quem ama se está transformando num monstro".
"Intentei sentir o que sentiu Poe ao escrevê-lo, o que é muito difícil"

A versão de 'O Corvo' de Luis Alberto de Cuenca é mais pessoal: "Intentei sentir o que sentiu Poe ao escrevê-lo, o que é muito difícil. Mas na hora a ausência da amada morta e o meu primeiro amor morreu num acidente de carro. Assim que não tive que fazer nada mais que rememorar, destruir o modelo e voltar a construí-lo", explica o autor.

Os dois escritores unem-se a Mario Cuenca Sandoval, com 'O coração delator'; Espido Freire com 'Ligeia'; José Luis de Juan con 'A queda da casa Usher'; Montero Glez con 'O mistério de Marie Rôget' e a Pablo de Santis com 'A carta roubada' para dar vida a este novo 'Poe'.

Escritor de pesadelos

Em comum, têm a admiração por um autor que marcou o seu percurso como leitores e escritores. "Poe formou-nos a todos, aos bons, aos maus, ele foi o grande magma", diz Eugenia Rico.

O livro é a soma da visão única de cada autor sobre a obra de Allan Poe. Dos seus monstros, dos seus imaginários e, sobretudo, dos seus pesadelos. "Há muitas maneiras de matar um homem. Uma delas é não deixá-lo dormir. Estou convencida de que não morre por cansaço, mas porque não pode sonhar. Isto é o que é a arte. Mas Poe é distinto. Poe tem pesadelos, a sua literatura é uma espécie de catarse", explica Eugenia Rico.
"Os livros de Poe são pesadelos comuns à humanidade, que ele tem as brânquias de contar"

Luis Alberto de Cuenca segue a mesma linha de pensamento, uma sensação que se lhe entranhou no espírito quando leu 'O Barril do amontillado'. "Foi o primeiro livro de Poe que leu, uma edição de 1859, e sentiu que tudo o que lia já o tinha sonhado. Os livros de Poe são pesadelos comuns à humanidade, que ele tem as brânquias de contar", diz.

"A própria vida de Poe era um pesadelo. Não há nenhuma história feliz na sua obra. Era um homem atormentado, alcoólico e viciado em drogas, um ser autodestrutivo. Por isso escrevia como escrevia", continua Fernando Marías.

A edição de 'Poe' completa-se com os desenhos de Harry Clarke, ilustrações que acompanham cada conto e que dão razão a todos os que os intitulam de pesadelos. Duzentos anos depois do seu nascimento, 'Poe' é uma mirada mais ao universo negro do escritor norte-americano, outro regalo para os seus seguidores, para que possam seguir submergindo-se nesses pesadelos dos quais não querem despertar.

EL MUNDO

domingo, 12 de abril de 2009

Rimbaud, para lá da sua lenda


As cartas inéditas do poeta, quase umas memórias, descobrem a sua faceta mais íntima

ELSA FERNÁNDEZ-SANTOS – Madride – 20/03/2009

Para Albert Camus era "o maior de todos", e Patti Smith considerava-o "o primeiro poeta punk". A Arthur Rimbaud (1854- 1891) bastou-lhe um livro, uma temporada no inferno, para converter-se em mito. Tinha 18 anos e pouco depois decidiu que a literatura morrera para ele. Queria viver todas as vidas. E, apesar de morrer aos 37 anos dum cancro de ossos, quase o conseguiu. Prometo ser bom: cartas completas (Barril & Barral) reúnem a correspondência completa do poeta. Missivas autobiográficas que revelam os medos e anseios na desesperada voz de um homem condenado a errar, que viajou incansavelmente, foi professor, mendigo, explorador, comerciante, traficante de armas e até membro de um circo. A desamparada fuga de um poeta cujas consignas visionarias – "Eu sou outro", "Há que ser absolutamente moderno", "A verdadeira vida está ausente" – converteram-no num grande mito da rebeldia adolescente. Longe dessa imagem, a sua correspondência, inédita até agora em Espanha, descobre outro Rimbaud. Mais íntimo e longe da lenda.

Inquieto, irascível e insensato, também cresceu, perdeu e assentou a cabeça

"De que servem estas idas e vindas, estas fatigas?", escreve em 1883

O livro inclui o 'dossier' com o julgamento pelo disparo ao seu amante, Verlaine

"Enfim, nossa vida é miserável, uma miséria eterna. Para que vivemos?"

Inquieto, irascível e insensato, também cresceu, perdeu e assentou a cabeça. Em 1883 confessa aos seus o desejo de ter uma família: "Isabel [a sua irmã] equivoca-se com a sua decisão de não se casar se alguém sério e experimentado se apresentasse, alguém com um futuro. A vida é assim e a solidão é má coisa. Acho insignificante o estar casado e ter uma família. Mas estou condenado a errar [...] De que servem estas idas e vindas, estas fatigas, estas aventuras junto a raças estrangeiras, estas línguas com as que se enche a memória e estes sofrimentos sem nome se não posso, passados alguns anos, descansar num lugar que goste, encontrar uma família e ter um filho com o qual possa estar, passar o resto da minha vida, educando-o como se quer, criar e armar a instrução mais completa que alguém possa esperar, e que o veja converter-se num engenheiro prestigioso, um homem rico e poderoso graças à ciência?".

E em 1889, o poeta mostra um apego familiar impróprio do mito: "Minha querida mamã, minha querida irmã: ao mesmo tempo que me desculpo por não escrever-lhes mais amiúde, aproveito para desejar-lhes um feliz ano 1890, uma boa saúde. Ando muito ocupado e comporto-me o melhor que sou capaz enquanto me aguento muito, muito. Recebo também poucas notícias vossas. Sede mais prolixos e não duvideis que sou vosso servidor".

Para trás ficam a raiva e o entusiasmo das suas cartas a Paul Verlaine, amante, que cansado da sua jovem e grávida mulher foge com ele e lhe chama "o homem das solas de vento". A relação de Verlaine e Rimbaud não tardou em converter-se, tal e como definiu o próprio poeta, nas de "um marido infernal e uma virgem louca". Em Julho de 1873 escreve: "Volta, volta, querido amigo, amigo único, volta. Prometo ser bom. Se me mostrei desagradável contigo, foi apenas uma brincadeira; ofusquei-me, arrependo-me disso mais do que serás capaz de imaginar. Volta, e tudo se esquecerá totalmente. Que desgraça que hajas tomado a sério esta brincadeira! Não paro de chorar desde há dois dias. Volta. Sê valente, querido amigo. Nada está perdido todavia. [...] Não me esquecerás, não é verdade? Não, não me podes esquecer, eu levo-te sempre comigo".

Ademais das cartas, Prometo ser bom (que na segunda-feira se apresenta em Madride numa jornada no Centro Cultural Moncloa que inclui um recital de poesia, um concerto, uma mesa redonda e a projecção dum documentário) reúne o Dossier de Bruxelas com as declarações e os interrogatórios sobre o disparo a Paul Verlaine, as cartas da sua irmã Isabel e da sua mãe e um artigo, de cuja autoria não se sabia até 2008, publicado com o pseudónimo de Jean Baudry numa revista em 1870.

A vida deixou a sua impressão no poeta dos olhos azuis ("Porto-me bem, mas o cabelo encanece-me por minutos. Faz tanto tempo que isto sucede que temo que a minha cabeça pareça agora a de uma borla de maquilhagem. Resulta-me desoladora semelhante traição do couro cabeludo, mas que fazer?"). Até que em 1891, meses antes de lhe amputarem a perna carcomida pelo cancro de ossos que o matará, pede à sua mãe que lhe envie umas meias para o aliviar. "Encontro-me mal. Tenho na perna direita varizes que me fazem sofrer muito. [...] Faz-me este favor: compra-me um remédio para as varizes, para uma perna longa e magra. [...] A má alimentação, os alojamentos insalubres, as roupas demasiado ligeiras, os problemas de todo o tipo, o aborrecimento, a raiva permanente no meio de negros tão imbecis como canalhas; tudo isto ataca profundamente a moral e a saúde em muito pouco tempo. Uma pessoa envelhece muito rapidamente aqui, como em todo o Sudão".

Já com a perna amputada, num hospital de Marselha, incapaz de dormir e descansar por causa das dores, escreve à sua irmã Isabel: "Minha querida irmã: Não me escreves. Que se passa? A tua carta assustou-me, gostaria de ter noticia tuas. Espero que não sejam novos problemas, já temos bastantes! Não deixo de chorar dia e noite, sou um homem morto, aleijado para a vida. [...] Não sei o que fazer. Tudo isto me põe louco: não consigo dormir nem um só minuto. Enfim, a nossa vida é miserável, uma miséria eterna. Para quê vivemos? Envia-me notícias".

EL PAÍS

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A paixão em Marina Tsvetáieva


Tradutora da antologia ‘Vivendo sob o fogo’ comenta vida e obra da poeta russsa

Douglas Diegues Escritor


A versão brasileira de Vivendo sob o fogo, de Marina Tsvetáieva, merece ser celebrada como um dos acontecimentos mais significativos dentro do âmbito editorial brasileiro. Organizado e publicado originalmente na França por Tzvetan Todorov, a obra reúne cartas, poemas e fragmentos de diários da poeta russa, considerada por Todorov uma das maiores escritoras do século 20, e admirada por gente como Rainer Maria Rilke, que lhe dedicou a última das Elegias de Duíno. O livro – tema da coluna do poeta e diplomata Felipe Fortuna à página 7 deste Idéias – foi traduzido por Aurora Bernardini, que, além de talentosa e competente, convive com a magnífica obra de Tsvetáieva há mais de duas décadas. Nesta entrevista, Aurora Bernardini fala sobre a poeta que traduziu para um português, digamos, mais selvagem que bem escrito, um português-brasileiro em chamas.

Quais as diferenças da sua tradução em relação à edição francesa?

A primeira diferença é o título: Vivre dans le feu era o que Todorov escolheu, mas em português não dá. Pensamos junto com a equipe da editora Martins em algo como Uma vida em chamas, mas mudamos para o título atual por estar mais próximo à idéia de Tsvetáieva. Viver no fogo é uma alusão à salamandra e à fênix, dois seres mitológicos de que ela gostava muito, por resistirem ao irresistível e limitarem com o absoluto. A nossa tradução possui versões diferentes dos poemas russos que constam do livro em francês e notas explicativas.

Nas primeiras linhas da introdução, Tzvetan Todorov afirma que Tsvetáieva "é uma das maiores escritoras do século 20" e que "seu destino é um dos mais trágicos"...

Quanto ao destino trágico: voltar para a URSS em plena fase stalinista às vésperas do início da 2ª Guerra e se ver refugiada às vésperas da operação Barbarossa (invasão da URSS pelos alemães) num vilarejo perdido da República Tártara junto com o filho, último sobrevivente da família aos expurgos (já haviam sido presos a filha Ália e o marido Seguei). Dificilmente haveria pior época. No entanto, no meio de tantas adversidades (mesmo na França, ela foi tratada como a ovelha negra da emigração russa, excluída de todas as revistas a partir do momento em que saudou Maiakóvski), Tsvetáieva continuou compondo seus versos. Quando não pôde mais escrever, suicidou-se.

Fale da poesia de Marina Tsvetáieva. Quais são as características próprias de sua linguagem?

O que impacta nela são a extrema concisão e a escavação à qual submete as palavras. As rimas são altamente inovadoras e a pontaria é certeira. Por isso o efeito é de grande autenticidade.

Como foi a relação dela com os poetas de seu tempo e as vanguardas da época, como o cubo-futurismo?

Os bons poetas, ela apreciou-os todos. Não discriminava sexo ou tendência: Maiakóvski, Biéli, Balmont, Pasternak, Mandelstam, Anna Akhmátova, Kuzmin. Mas era terrível com quem não gostava. Não gostava de Briússov, e num ensaio explica o porquê com uma contundência de dar inveja ao melhor crítico literário. Na França, onde viveu 14 anos, além dos clássicos, apreciava André Gide, para quem escreveu uma longa carta-aula sobre tradução criativa (que consta do livro), Anna de Noailles, para quem também escreveu, e Natalie Clifford Barney, uma famosa homossexual que mantinha um famoso salão em Paris. Para ela, escreveu "Carta à amazona", onde se revela desprovida de qualquer preconceito de ordem sexual. Quanto às vanguardas, sua poesia tinha muitos elementos germinais do cubo-futurismo russo, o uso das raízes das palavras, por exemplo, mas, na França, quando alguma revista recusava seus poemas por não serem "nem sequer surrealistas", comentava, avec panache: "Ainda bem"! De uma maneira geral ela se manteve afastada dos preceitos de qualquer escola.

O que os contemporânes de Tsvetáieva, como Maiakovski e Pasternak, diziam da poesia dela?

Pasternak considerava-a uma mestra do simbolismo russo, uma vez que "tinha realizado com a maior naturalidade aquilo que os simbolistas haviam procurado em vão". Mas ela superou o simbolismo. Já Maiakóvski achava-a por demais feminina, e Górki por demais sensualista.

Existem semelhanças e diferenças entre a poesia de Marina Tsvetáieva e a dos grandes poetas de sua época?

Tsvetáieva era uma poeta tão consumada que sabia assimilar o estilo dos poetas que admirava. No ciclo dedicado à Akmátova, escreveu como a acmeísta; nos dedicados a Blok, como o simbolista, e assim por diante: Pasternak, Maiakóvski, o próprio Púchkin... Mas ela destaca-se por suas características próprias.

Tsvetáieva se relacionou também com magnificos poetas não-russos de sua época, como Rilke...

Ela tinha uma excelente formação em literatura alemã (a mãe era uma refinada musicista de ascendência germânica) e vivera sua primeira mocidade inebriada por Goethe, a quem considerava o mestre dos mestres. Isso sem contar sua paixão por Napoleão e pelos românticos franceses: Rostand, Rolland. Quando conheceu Rilke, por intermédio de Pasternak, passou a corresponder-se com ele em alemão e o fez tão magistralmente que encantou o poeta, a ponto de este dedicar-lhe sua última elegia.


Em algumas páginas de Vivendo sob o fogo, Tsvetáieva expressa incalculável paixão pelo poeta Boris Pasternak.... Como foi essa relação?

A questão da paixão, ou melhor, das paixões, é uma constante na vida e na obra da poeta. Ela escrevia em estado de paixão. No caso de Pasternak, durante um período, a atração, despertada pela poesia, se transformou em recíproco apaixonamento, não favorecido pelas circunstâncias. Ela era muito sedutora e chegava a exigir que os objetos de sua predileção se apaixonassem por ela... Era uma devoradora de almas.

Como você percebe Vivendo sob o fogo em relação a poesia de Tsvetáieva e vice-versa?

O livro é o enredo dos poemas. Um livro fundamental para entendê-los e acompanhá-los.

Qual a relação entre vida (experiência) e literatura (verbocriação) na obra dela?

Tsvetáieva insiste que primeiro vinha a vida, depois a criação. Mas está claro que as duas existem em função uma da outra. Ela sente que se aproxima a morte quando não consegue mais compor.

O que os jovens poetas brasileiros podem aprender com as páginas incendiárias da grande poeta russa?

Há, sim, alguns preceitos fundamentais para os jovens poetas: 1) em termos de arte, não fazer concessões; 2) em termos de vida, ser fiel a seus princípios íntimos; 3) acreditar que a arte é a expressão privilegiada e os artistas, seres que receberam um dom pelo qual devem prestar contas. 4) a arte exige exercício constante e dedicação contínua. E muitos outros que cada poeta há de encontrar...
http://jbonline.terra.com.br/editorias/textosdoimpresso/jornal/ideias/2008/09/27/ideias20080927003.html

quarta-feira, 18 de março de 2009

O último navio negreiro



Praia da Aguada: o último navio negreiro

Janeiro 2005 - Cabo Verde ( do "diário de um turista" )

De Fogo (fomos à Caldera, aos pés do vulcão), para chegarmos até Praia, tivemos que passar por Brava. O mar é feio, mas sobretudo o pequeno porto de Furna é inadequado. Assim o navio aproxima-se da baía e os passageiros descem e sobem por meio de pequenas embarcações. Perdemos várias horas. Chegamos à Praia depois de 14 horas viagem (tempo real de navegação: 5 horas aproximadamente).

Viajamos com o navio Praia de Aguada. Aquele por mim definido como o último navio negreiro ainda em uso no século XXI. Uma viagem com este navio nos permite entender muitas coisas: o relacionamento do povo cabo-verdiano com o "poder", o sistema opressor de quem o exercita , a incompetência de quem permite estes verdadeiros e próprios abusos - reais limitações das liberdades pessoais. Analisemos uma viagem com este navio que a Arca Verde (a sociedade nacional de Navegação - quase extinta) define como a sua "pupila dos olhos".

A passagem custa até três vezes mais em relação aos outros navios. Qual o motivo ? As pessoas devem adquirir antes as passagens do salão da 2ª classe e depois aquelas da 1ª classe. Temos que considerar que 2900 escudos (cerca de 30 euros) é uma soma muito elevada para pessoas com uma renda mensal de 6000 escudos!
Toda bagagem, seja qual for o tipo, é entregue para depósito em grandes caixas que são colocadas a bordo e sobre as quais os estivadores passeiam alegramente, durante a execução de carga e descarga ( portanto, os passageiros que tiverem algum objeto frágil em sua bagagem....ou melhor dizendo, tinham...). Levar consigo, mesmo sendo uma bagagem de mão, seria um "transtorno".

Uma vez recepcionados pelos arrogantes e severos tripulantes de bordo (convém lembrá-los que são vocês que pagam os salários deles!) os passageiros são trancafiados na embarcação. Relegados em vossas poltronas deverão pedir licença para ir à toilette, para sair e fumar um cigarro, para não vomitar no passageiro que em frente. A licença é concedida por uma das senhoritas que com um controle remoto nas mãos ( uma espécie de cetro do poder ) decidem "o que" assistirão na televisão mais próxima.

Se e quando será dada a permissão para sair ( pois, a abertura do portão é controlada somente por dentro) saibam que será por vossa conta com risco e perigo. Quando quiserem retornar, é possível que o funcionário (cujo camisa branca e o porte autoritário o faz parecer um oficial!) faça um aceno com a mão para aguardar. No fundo, é compreensível, pois não pode ser importunado somente por vocês ! Freqüentemente lhes dirá de passar para o outro lado do navio (mais próximo dele) quando enfim abrirá o portão lhes fará entender claramente foi perturbado, solicitando para não se moverem mais até o final da viagem.

Para turistas como nós não se trata de uma horrível manifestação de arrogância e um tapa aos caprichos turísticos de Cabo Verde. Para os cabo-verdianos a demonstração que o próprio governo, além de suas intenções, não consegue defendê-los dos "poderosos" e dos "brancos" (não é por acaso que esta definição em Cabo-Verde prescinde da cor da pele) mal educados e insolentes. Para todos o risco de um acidente: um naufrágio seria para a tripulação e passageiros o que os marítimos definem como "extermínio de ratos".

Não é por acaso que a população cabo-verdiana prefere aguardar, por dias, as mais "humanas" Barlavento e Sotavento, dois navios que reconhecem, com o fim da escravidão, a liberdade e a igualdade de todos os habitantes de Cabo Verde e do gênero humano.

A&A (mail: bbalberto@cvfaidate.com)

http://www.ponto.altervista.org/Lugares/Capoverden/2005newspt.html

segunda-feira, 16 de março de 2009

Rainer Maria Rilke


Rainer Maria Rilke (4 dezembro 1875, em Praga, Áustria-Hungria - 29 dezembro 1926 em Valmont, Suiça) é considerado o melhor poeta de língua alemã do século XX.

Amor são duas solidões protegendo-se uma à outra.


O tempo não é uma medida. Um ano não conta, dez anos não representam nada. Ser artista não significa contar, é crescer como a árvore que não apressa a sua seiva e resiste, serena, aos grandes ventos da primavera, sem temer que o verão possa não vir. O verão há de vir. Mas só vem para aqueles que sabem esperar, tão sossegados como se tivessem na frente a eternidade.


"Outra coisa é o verdadeiro canto. Um sopro ao nada. Um vôo em Deus. Um vento."

"Amar é uma ocasião sublime para uma pessoa amadurecer."

"Amor: duas solidões protegendo-se uma à outra".

"Sabes que o ar ficou em êxtase ao ver-te lamber a tua flutuante infelicidade?"

"A alma do outro é uma floresta escura".

"Amor são duas solidões protegendo-se uma à outra."


Canção de Amor

Como hei-de segurar a minha alma
para que não toque na tua? Como hei-de
elevá-la acima de ti, até outras coisas?
Ah, como gostaria de levá-la
até um sítio perdido na escuridão
até um lugar estranho e silencioso
que não se agita, quando o teu coração treme.
Pois o que nos toca, a ti e a mim,
isso nos une, como um arco de violino
que de duas cordas solta uma só nota.
A que instrumento estamos atados?
E que violinista nos tem em suas mãos?
Oh, doce canção.


Quero lhe implorar
Para que seja paciente
Com tudo o que não está resolvido em seu coração e tente amar.
As perguntas como quartos trancados e como livros escritos em língua estrangeira.
Não procure respostas que não podem ser dadas porque não seria capaz de vivê-las. E a questão é viver tudo. Viva as perguntas agora.
Talvez assim, gradualmente, você sem perceber, viverá a resposta num dia distante.

"Como suportar, como salvar o visível, senão fazendo dele a linguagem da ausência, do invisível?."

http://www.pensador.info/autor/Rainer_Maria_Rilke/
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sexta-feira, 13 de março de 2009

Eternamente jovens


«RITOS TIBETANOS
Há mais de sessenta anos o ocidente foi brindado com uma estória incrível de um militar inglês, servindo na Índia, contatava com nativos interioranos e ouvia histórias fascinantes sobre os costumes do povo oriental. Entretanto, uma delas sobressaiu-se sobre as outras, pois se tratava de um grupo de lamas tibetanos que detinham o segredo da juventude. O segredo foi transferido de geração a geração pelos seus membros tanto na tradição oral como na prática dos exercícios que englobavam o referido segredo. Em realidade não se tratava de um segredo propriamente o que dava esta impressão é que os praticantes habitavam um mosteiro distante e até mesmo no miolo do oriente a pratica não chegava que dirá no ocidente.
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Uns poucos que conseguiram chegar ao mosteiro experimentaram a fonte da juventude e normalmente eram pessoas idosas que procuravam esses lamas, pois raramente um jovem se detém em manter-se jovem uma vez que a juventude é sua peculiaridade gritante. Porém é da meia idade para cima que as pessoas começam a se preocuparem com a velhice e suas limitações.

Conta à história que estes idosos não só recuperaram a saúde como a juventude física também. Ao ouvir estas histórias o referido militar inglês foi guardando em sua memória estes registro na medida em que começava seu natural processo de envelhecimento por volta dos quarenta anos. Quando retornou ao ocidente e reformou-se do exercito, os anos passaram até ele chegar à adiantada velhice dos setenta anos. Certo dia, já calvo e grisalho ombros caídos e amparados por uma bengala encontrou num banco de parque um jovem quarentão que vez amizade de banco de praça.

Em meio a conversas o velho militar contou ao outro sobre suas façanhas na Índia e no entremeio a história da fonte da juventude veio à tona. O ocidental ficou encantado com o que ouvira. Com o decorrer do tempo o militar externou que havia chegado a hora de procurar aquele mosteiro, pois a velhice o tinha pegado e não lhe restava mais nada a apostar a não ser ir ao encontro do tal mosteiro e confirmar o que havia ouvido há anos atrás na Índia. Chegou a convidar o amigo para esta empreitada, mas não encontrando ressonância embarcou sozinho no seu caminho de busca.

Os anos passaram e o amigo foi esquecendo-se do militar e sua historia fantástica. Certo dia recebeu uma carta do militar dizendo que estava prestes a chegar a seu objetivo o que valeu para o amigo saber que pelo menos o militar estava vivo. O tempo passou e outra carta recebeu agora sim dizendo que não só havia encontrado a fonte da juventude como a estava trazendo para a América.

Quando finalmente o militar chegou foi logo procurar o amigo em seu apartamento. Ansioso, abril a porta para rever o amigo e qual foi sua surpresa? Aquele homem que estava ali parado em sua frente parecia com o amigo que não via há anos, mas não poderia ser ele, pois sua aparência era de um homem por volta dos quarenta anos e bem conservado. Depois de refeito da surpresa o militar passou a relatar como havia conseguido aquela aparência e relatou ter encontrado no mosteiro homens centenários com a saúde e força de um jovem. Além disto, a aparência daquelas pessoas era sempre para menos de cinqüenta anos e em alguns beiravam aos trinta anos.

O segredo consistia numa prática de cinco exercícios que combinados movimentam a energia que está no universo e a canaliza através dos sete chakra principais que todo ser humano tem. Segundo o militar, estes chácaras giram no sentido horário até aproximadamente os vinte e cinco anos e após este período forte da juventude eles começam a mudar o curso do giro e alguns a parar advindo então o envelhecimento desta forma até agora desconhecido pela medicina ortodoxa ocidental.

Depois de tudo explicado ao amigo ele propôs fundarem um clube que denominou de: O Himalaia. Os membros teriam de obedecerem a um requisito básico. Terem acima ou pelo menos cinqüenta anos para participarem do aprendizado. E assim esse conhecimento foi veiculado nos Estados Unidos e espalhados pela Europa e Américas através de um livro.

A identidade verdadeira do militar o autor do livro nunca revelou, porém o que interessa a quem está buscando a fonte da juventude esta no livro cujo título é: A FONTE DA JUVENTUDE, AUTOR PETER KELDER. No Brasil tem pequenos focos de praticantes e a grande maioria são pessoas ainda na faixa dos cinqüenta anos, portanto as provas que os céticos possam exigir não estão à mostra. Tem que praticar primeiro para comprovar depois. Vale apena apostar, pois a velhice tem sido uma das preocupações do século vinte e um.»

http://pt.shvoong.com/books/1742435-fonte-da-juventude/
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quinta-feira, 12 de março de 2009

Lendas de Moçambique. A Cabeça do Velho


Quem já subiu a Cabeça do Velho?
Dezembro 8, 2008 by Elisio Leonardo, MOÇAMBIQUE

Finalmente chegamos a uma das épocas mais esperadas do ano: o fim! É aqui onde tem as férias escolares; é aqui onde tem os presentes de natal (será?). Mas neste artigo vamos falar apenas das férias

Como o ano escolar terminou, tenho a tão esperada chance de ir para minha terra, no centro do País, inventar as melhores férias de sempre! Finalmente vou matar as saudades dos cotas e dos putos, depois de um ano fora de casa.

Como estou praticamente de malas feitas, decidi falar um pouco da minha terra, para quem nunca visitou se matar de inveja da sua beleza. A propósito, ela chama-se cidade de Chimoio, província de Manica e só o nome já tem uma história para um artigo completo. Mas este artigo está especialmente dedicado a uma das maiores atracções da cidade, a Cabeça do Velho.

Daria um prémio ao primeiro estrangeiro que parasse de ler o artigo neste parágrafo e me dissesse o que é que tem na Cabeça do Velho, mas prefiro continuar a contar:

Cabeça do Velho é um dos mais belos montes de Moçambique (Não quero escrever a frase ‘do mundo’), e uma das maiores atracções da minha cidade. Por falar em monte, quando estava na quinta classe até perdi alguns valores no teste de geografia, porque o professor disse que aquilo não era “montanha”, mas sim um “monte ilha”. Na verdade, Cabeça do Velho é um monte isolado, o único que está praticamente na cidade.

Cabeça do Velho tem história, e uma delas é o nome. O nome Cabeça do Velho surgiu pelo formato do monte, que faz lembrar a cabeça de um homem quando está deitado (de olhos para cima). Cada detalhe do monte coincide com um detalhe do rosto humano, um facto realmente impressionante. Existem várias histórias sobre o surgimento deste monte, muitas delas ligadas a mitos e superstições, mas eu vou contar aqui apenas a que o senhor professor nos contou na aula, por ser a mais curta: é um fenómeno natural!!! Como assim? Perguntavam os alunos…

É comum realizarem-se cultos tradicionais ou religiosos na Cabeça do Velho. Eu particularmente já participei de alguns nos meus tempos de catequese.

As pessoas da Cidade, sobretudo os jovens, gostam de subir o monte (diz-se escalar num ‘português correcto’?) em dias festivos ou feriados, para sentir a ‘brisa’ que bate por lá. Não sei se isso acontece, mas nos meus tempos de puto (Agora estou com 19 anos, quase um cota!), isto acontecia mais de três vezes por ano! Enfim, Cabeça do Velho é um ‘alto’ lugar turístico, muito atractivo para quem gosta de fazer pequenas aventuras perto do céu.

Mas como nem tudo é maravilha, este monte tem os seus mitos e perigos (começa o suspense)!

Há quem afirma que nunca se pode subir neste monte sem antes fazer uma oração, para pedir autorização a sei lá quem. Uma vez, há bom tempo atrás, antes do ano 2000 (século passado?), meus amigos decidiram ir dar uma volta pelo monte (Elísio não vai ainda é muito criança, diziam eles!) e subiram a Cabeça do Velho sem ajoelhar-se para pedir autorização (será que é ao Velho dono da Cabeça?). Resultado: Todos eles voltaram descalços, vítimas de um assalto lá mesmo em cima do monte!

Outro facto estranho é que é comum ver-se cabritos a se alimentarem lá em cima do monte (porquê se lá em baixo também tem capim!), sempre ao fim do dia.

Casos de pessoas que caíram de cima do monte não podiam faltar (Um dia conto a história da cachoeira também). Uma vez, minha irmã teve de ir ao hospital, quando executava uma queda livre de cima do monte (coitada, foi salva por um pedaço de capim!).

Mas apesar de tudo isso, Cabeça do Velho continua a ser um lugar muito agradável. Quem sabe nestas férias não mato as saudades daquele ‘conjunto de pedras’ também!

http://opatifundio.com/site/?tag=lendas-e-rituais-africanos
Foto: Monte de Cabeça do Velho, em Chimoio, principal cidade da província de Manica, em Moçambique.
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segunda-feira, 9 de março de 2009

Os mistérios de Alcatrazes, a capital perdida


«Dezembro 2004 – Cabo Verde

Em 1462 Antonio da Noli desembarcou em Ribeira Grande, levando consigo parentes, amigos, portugueses, genoveses, aristocrátas e a agricultores para dar início à população da ilha de Santiago. O mesmo ocorreu com Diogo Alfonso que estabeleu sua sede em Alcatrazes, na parte leste da ilha.

Antonio e Diogo foram nomeados donatários das duas Capitanias da ilha para desenvolver a agricultura e a pecuária. A história de Cabo Verde já iniciara dois anos antes, quando duas caravelas, comandadas por Antonio da Noli, genovês (quando então fazia parte da República de Genova) patrocinado pela coroa portuguesa e Diogo (um outro Diogo) Gomes, chegaram às ilhas. Quem as avistou e desembarcou primeiro é uma história controversa, mas nós que gostamos mais das lendas do que das histórias, damos preferência à seguinte:

"desembarcaram na baía de Ribeira Grande e ancoraram. Tratava-se de estabelecer quais dos dois capitães desceria primeiro em terra. Tiraram a sorte e Diogo Gomes, foi agraciado a tomar posse daquela terra em nome da Coroa Portuguesa."

No caminho de volta as caravelas tiveram outra sorte e foram diversamente favorecidas pelos ventos. Antonio da Noli foi primeiro a chegar em Portugal que, declarando ter encontrado as ilhas, tornou-se o descobridor oficial. O consueto e esperto genovês/italiano? Parece mesmo que sim.

Após dois anos, Antonio da Noli e Diogo Alfonso se estabeleceram nas ilhas, fundando as respectivas capitais. De Ribeira Grande muito se sabe, se não tudo, mas quase (uma boa síntese é encontrada na página da web http://www.cvfaidate.com/ribeira.htm). Entretanto de Alcatrazes, quase nada. Não somos historiadores mas, por curiosidade, as únicas notícias que conseguimos obter nos leva a saber que em 1513, devido a insalubridade do local iniciou-se gradualmente ao abandono de Alcatrazes e seus habitantes transferiram-se, na grande maioria, para Ribeira Grande.

1462-1513: 50 anos de vida! Não são muitos, mas nem tampouco pouquíssimos. Será possível que daquela experiência não restou nada? Será possível que sobre a localização de Alcatrazes não se vai além de um genérico " nas proximidades de Praia Baixo"? Após alguns insucessos finalmente conseguimos, em Praia Baixo, encontrar uma senhora que tinha a lembrança de que seu pai chamava uma baía próxima de "Baía de Alcatrazes". Pedimos que nos indicasse e hoje, quase certamente, temos condições de fornecer aos futuros turistas ou estudiosos, indicações para alcançá-la.

Chegando em Praia Baixo, virem à esquerda em direção do Praiabaixo Aparthotel e, antes da construção hoteleira (onde a estrada acaba na praia), pegue a travessa à esquerda. Passarão diante de casas enfileiradas e, dois quilômetros depois, estarão em a Castelo Grande. Não há nenhum castelo (quem sabe de onde se origina o nome!) mas, deixando o carro, poderão ver una pequena colina à sua frente (o Pico) e, bem no alto, em direção às montanhas, aquela que parece uma construção fortificada e no entanto é uma formação natural (denominada "duas orelhas").

Em seguida, a pé, seguirão à beira do rio e, chegando ao mar, subirão até a planície à esquerda. De lá terão um panorama incrível.Este é o lugar onde, provavelmente, surgiu Alcatrazes. Uma língua de terra erguida entre duas ribeiras, formando lateralmente duas arribadas protegidas pelo vento.

A Cooperação Espanhola está fazendo um bom trabalho para a recuperação de Ribeira Grande (hoje Cidade Velha). Temos certeza que não vale a pena escavar também aquele promontório à procura de Alcatrazes?»

http://www.ponto.altervista.org/Lugares/Capoverden/2005newspt.html
Foto: http://www.guiadecaboverde.cv/index.aspx?menuid=7&lang=P

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sexta-feira, 6 de março de 2009

Frases célebres 06Mar09


11.02.2009 - 10h58 - Hugo Silva, Lisboa
A igreja foi uma invenção, pois o ser humano precisava de inventar algo que condicionasse os seus perigosos instintos, especialmente os sexuais!Nada melhor que uma ideologia como a que as religiões inventaram, aliás com muito sucesso!Era necessário colocar o ser Humano na "linha", e não deixar que este fosse conduzido pelos instintos e pelo prazer.Este sucesso foi tanto que as igrejas ao longo da História conseguiram estar sempre ao lado do poder politico, e conseguiram por isso, ser poder durante séculos, manipulando o povo e fazendo tudo para que este se mantivesse na ignorância obedecendo como cordeiros, sem a questionar e sem pôr em causa a ordem establecida...a igreja acumulou riquezas, transmitiu os conhecimentos que lhe convinham, ditou leis...enfim, fez o que quis!!!Agora já chega, está na hora de deixarem a Humanidade em Paz, e ser feliz!!!

11.02.2009 - 11h00 - Carlos, Serpa
Independentemente de concordarmos ou não com estes casamentos, (homossexuais) a quem é que interessa a posição da Igreja? Acho que a ninguém... A Igreja deve manter-se calada no processo da sua inevitável extinção!

11.02.2009 - 10h56 - Pedro Carreira, Lisboa
Que debate tão interessante! Sem querer parecer o "dono da verdade": 1. A Igreja sempre pretendeu deter o poder político 2. O casamento civil é um contrato de direito civil, o religioso um sacramento 3. O Sócrates é um político ávido de poder (tal como a Igreja) e agora recorre a tudo para nos comprar 4. A homossexualidade nada tem a ver com a bestialidade e para que se saiba as ovelhas e restantes não têm personalidade jurídica para celebrar qualquer contrato 5. Tanta gente a clamar por liberdade, mas esquece-se do essencial: o respeito pelos outros (para que saiba, quem sugere mandar os "trocados" para os países islâmicos deveria conter o seu ódio ou a sua fobia, pois se fosse para lá seria enforcado, tal como sucede no Irão) 6. Quem diz mal, algo pretende esconder 7. A prova de que o nosso país (e não só) se encontra na retaguarda (no que a valores sociais diz respeito) reside nos comentários pouco dignos que se encontram aqui publicados 8. Haverá coisas mais importantes, é certo, mas quanto a essas, o que fazemos para as resolver? 9. A Igreja abusa (não tem que apelar ao voto) e não é certamente a "dona da verdade"! E este debate é deveras interessante!

11.02.2009 - 10h56 - Luis, Lisboa
Os padres não comentam a verdade escondem a verdadequerem mandar.Criou-se um mito de quem somos um país de brandos costumes.Somos um país de vígaros,de bufos,de camaleões,de delatores de oportunistas, de incoerentes,de néscios,de xico espertos,de troca-tintas.Basta ler Jornais, Ligar os televisores,escutar as rádios.

11.02.2009 - 10h55 - acólito, pt
Sugestão: A Igreja pode constituir-se em Partido, e concorrer às eleições, e obviamente excluir as unioes homo no seu programa...!!! Era coerencia...!!!

11.02.2009 - 10h40 - Ze daHorta, Caneças
Alguem me sabe dizer porque os padres se vestem co mo as mulheres?
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quarta-feira, 4 de março de 2009

Lendas. O fundador de Cabo verde


«DOCUMENTAÇÃO (Livro de casamentos celebrados pelo Padre Antônio João de Carvalho, o fundador de Cabo Verde).

Primeiro casamento – Os documentos referem-se aos assentos de casamentos de: "Manoel Moreira, morador no Bairro de São João, com Eufrázia Rodrigues de Araújo, moradora no Ribeirão do Assunção, natural da freguesia do Ouro Fino, deste bispado, filha legítima de Manoel José de Araújo, natural das partes de Portugual e de Maria Rodrigues, preta natural da Freguesia de IBITURUNA, do bispado de Mariana, neta por parte paterna, não souberam dizer e pela materna, neta de João Pereira Santiago, "PRETO CABO-VERDE", e de Páscoa também natural da cidade da Bahia. Testemunhas: Manuel de Sousa Vieira e Jerônimo Corrêa do Amaral.


Segundo casamento - "De Valentim Teixeira, morador no Córrego Assunção, natural de Lavras do Funil, Bispado de Mariana..." Com Maria da Costa, natural e moradora desta freguesia, filha legítima de Manoel José de Araújo, natural das partes de Portugal e de Maria Rodrigues, preta natural da freguesia de IBITURUNA, nesta pela parte materna de João Pereira Santiago, "PRETO CABO-VERDE", e de Páscoa, também preta natural da Cidade da Bahia. Testemunhas: Capitão Mor Francisco Gomes de Castilho e Bento de Godoy Pinto".

Em nenhum outro documento encontramos tamanha evidência, como neste, da presença de um elemento que pudesse ter sido a causa da denominação do lugar. Supõe-se que tenham sido eles os seus primeiros moradores. Acreditamos ser esta a hipótese mais próxima da verdade.»

http://www.caboverdemg.com.br/modules.php?name=historia&&stop=1

Foto: http://iriscelta.multiply.com/photos/ Visite-me também em: Universal, Universe, Medicina, X-Files

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Frases célebres 26Fev09

Quem rouba terrenos impunemente? Banco Millennium Angola.

03.02.2009 - 14h13 - Baruch, Portugal
Amorim, está na altura de devolveres o dinheirito que ganhaste no negócio GALP. O dinheirito que embolsaste com os falsos cursos de formação e afins.
Público última hora

da tuga Digam algum local seguro em Angola para um turista??? hoteis a 300 dolares dia??? o mais barato... depois lixo assaltos pedintes sistema se saúde na barraca, ladões e mais ladrões armas lixo e lixo... que turista ... só se for do ruandaAngonotícias

Muleke Rio de JaneiroÉ mais complicado(burucratico)visitar Angola do que visiar o Irão ou o Iraque...depois os hotéis servem de habitação permanente para politicos e comerciantes...assim não dá !Angonotícias

03.02.2009 - 14h34 - Arménio, São Paulo, Brasil
Eu realmente gosto de pessoas competentes, que se antepõem aos fatos. Diante de uma "provável" redução nas vendas de seu produto, já demonstram toda a sua capacidade administrativa impõem um corte severo na mão-de-obra, a qual, com certeza é incompetente, incapacitada e responsável pelos "eventuais" problemas financeiros que a empresa possa vir a ter no futuro. Sempre ouço dizer que é nos períodos de crise que se deve aproveitar para ser criativo, ter imaginação e trabalhar para criar novas oportunidades. Infelizmente parece que os dirigentes da "Carrasqueira" Amorim não possuem essas características e como tantos outros pseudo-empresários, sem preocupação social, optam pelo caminho mais simples (aparentemente) e põem no olho da rua, sem nenhuma comiseração, os seus colaboradores, que durante o tempo de "vacas gordas" deram muito lucro à empresa, mas obviamente isto foi esquecido. Será que nenhuma empresa tem um "plano B" para afastar a crise e manter a sua força de trabalho intacta, da qual muitas empresas dependem para permanecerem competitivas? Com certeza a resposta é não, pois nossos pseudo-empresários são míopes e insensíveis à dor daqueles que os fizeram ricos.
Público última hora

Mendes LisboaExistem excelentes quadros em Portugal experientes e talentosos que neste momento estao desempregados ou em situação de emprego precario, alguns deles ate serão angolanos, obviamente que no meio destes licenciados todos que Portugal tem em excesso ha muitos que nem para varrer as ruas servem! é preciso cuidado na selecção. As faculdades aqui na tuga formaram licenciados a pasada de que nada servem o pais, existem muitas licenciaturas aqui que so exitem para dar emprego aos srs doutores professores da treta que arranjam la os taxos nas faculdades.. Cuidado com estes licenciados que ninguem quer meu povo.. nem os tugas os querem!Angonotícias

Radical.
Agora o que não entendo realmente é a visível opressão ainda vigente em Cuba: Ninguém pode ter m Telemóvel, ninguém pode ter uma Parabólica, ninguém pode ter Dólares em pleno século 21??? Isso é o que acho já um absurdo! Aqui em Angola vivemos também um período menos bom com o nosso triste mono-partidarismo. Loja do Povo, Loja do Cooperante, Cartão de Abastecimento, etc.
Angonotícias
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Lendas. Os Pretos Cabo Verde


Lenda é tida como: "Tradição Popular". Uma narração escrita ou oral, de caráter maravilhoso, na qual os fatos históricos são deformados pela imaginação popular ou pela imaginação poética. (Aurélio Buarque de Holanda Ferreira).

A respeito à origem do nome do antigo "Arrayal de Nossa Senhora da Assunção do Cabo Verde", duas lendas acompanharam a história da cidade até os dias de hoje: A primeira, fala de um lavrador que deixou a enxada encravada na terra. Voltando ao local, tempos depois, o cabo estava brotado. O cabo era verde. A segunda, fala de povoadores vindos do Arquipélago de Cabo Verde que, encontrando aqui pedras semelhantes às da terra natal, quiseram homenageá-la, colocando o seu nome no novo descoberto. Nenhuma das duas versões possuem comprovação documental.

Os Pretos Cabo Verde
À notícia da descoberta do ouro, em toda a extensão do sul das "Minas dos Cataguases" (antigo nome das Minas Gerais), negros, mestiços e emboabas* invadiram todos os córregos e rios à leste e oeste do Sapucaí, a partir da primeira década do século XVIII.

A maioria dos negros e mestiços era constituída de escravos foragidos das minerações do leste: Mariana, São João Del rey, São José Del Rey (Tiradentes), Pitanghy, Baependy, Aiuruoca, Serro e até da Bahia e do Rio de Janeiro. Chegavam à região a oeste do sapucay, subindo os rios e, em seguida, enveredando pelas grotas, chegando aos pequenos afluentes, os riachos e córregos, qualhados de ouro de aluvião, até atingirem as suas nascentes em grotas aos pés das serras. "Buscando as catas mais altas", onde o rico metal reluzia, bateavam com extrema facilidade.

Preferiam permanecer incógnitos ao longo das margens dos riachos, escondidos nas matas, para não atrair a presença de outros faiscadores e ficar longe dos caminhos oficiais, onde era cobrado o quinhão da coroa. Foi o que aconteceu com o Negro Índio, chamado "Preto Cabo-Verde" que veio para o Sul de Minas Gerais, proveniente da Bahia. Certamente a região, o rio e o povoado onde habitavam ficaram conhecidos e herdaram o nome dos "Pretos" ou "Negros Cabo-Verde", um dos primeiros moradores.

Eram negros de cor bem escura e de cabelos lisos. As comprovações documentais de suas presenças, na região, estão nos livros da paróquia de Cabo Verde, em assentos de casamentos de 1780, dezoito anos após a chegada do fundador do arraial, Veríssimo João de Carvalho, vindo de sua fazenda da "Gineta", no Ouro Fino.

O documento encontrado mostra o casamento de filhos de "Pretos Cabo-Verde" que vieram da Bahia através de Ibituruna, próxima a São João Del Rey, às margens do Rio das Mortes.

http://www.caboverdemg.com.br/modules.php?name=historia&&stop=1


* Regionalismo: Brasil.
1 Rubrica: história.
na época da colonização, qualificativo ou alcunha dada pelos paulistas, que descobriram e ocuparam as minas de ouro da região das Gerais, aos brasileiros das capitanias do Rio, Bahia, Pernambuco etc. e aos portugueses, que chegavam atraídos pelo ouro
2 (1899) Derivação: por extensão de sentido. Uso: pejorativo.
diz-se de ou português ('indivíduo') em geral; galego
3 Derivação: por extensão de sentido (da acp. 1).
estrangeiro, de maneira geral

In Dicionário Houaiss

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sábado, 21 de fevereiro de 2009

Lendas. A Lenda de Cabo Verde


Cabo Verde, um dos mais antigos municípios do sul de Minas, teve sua fundação em 15 de agosto de 1762 (Arraial de Nossa Senhora do Assunção de Cabo Verde) pelo português Veríssimo João de Carvalho, natural da cidade de Ribeira do Pena, Freguesia de São Salvador Portugal, motivada pela atração do ouro existente na região.

A emancipação político-administrativa se deu em 30 de outubro de 1866. O nome Cabo Verde advém de duas lendas: a primeira é a de um cabo de enxada deixado pelos garimpeiros à beira do Ribeirão Assunção. Passados alguns dias ele brotou.

Daí a exclamação: "Cabo Verde!!!". A segunda lenda é atribuída ao grande número de pedras verdes encontradas aqui pelos portugueses, as quais se assemelhavam às das Ilhas de Cabo Verde, na África.

http://www.caboverdemg.com.br/modules.php?name=historia&&stop=1
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Refugiados 19Fev09


R. Jorge Diz: Julho 11, 2008 às 9:44 am
Atenção à noite e a certas zonas e não queiram ter um furo ou acidente em determinadas zonas.
Habitação: Contem ter um gerador de enrgia, um depósito de água, um guarda e uma empregada. prédios de 8 e 12 andares sem elevador é o que mais há.

eliana Diz: Maio 13, 2008 às 4:52 pm
gostaria de trabalhar em angola na área de enfermagem. termino o curso este ano de bachsarel e quero muito trablhar em angola.

SAULO MACHADO DE SOUZA Diz: Maio 14, 2008 às 8:10 pm
Como Trabalhar em Angola, Sou especialista em meio ambiente em recuperação de áreas degradadas etc

Wadson Lima de Oliveira Diz: Maio 18, 2008 às 1:35 am
Gostaria de saber sobre vagas de técnico em segurança do trabalho em angola pq tenho 2 anos de experiencia e gostaria de trabalhar em angola.
Quem souber algo me passe pro email:wad.oliveira@hotmail.com

Theo Masson Diz: Maio 18, 2008 às 1:50 pm
Sou Engº. Civil com grande experiência em hidráulica marítima. Gostaria de encontrar trabalho nesta área em Angola ou Lisboa, como faço?

rogerio pires aparicio Diz: Maio 19, 2008 às 3:31 pm
gostava de ir outraves para angola trabalhar como carpinteiro de confragem de -1 ja estive 3anos em angola a trbalhar para a teixeira duarte

Jose Antonio Diz: Maio 28, 2008 às 9:57 pm
Ola, sou José Antonio, tenho formação em Letras Português, literaturas brasileira e portuguesa, com idiomas Espanhol (fluente) e Inglês e Francês (básico). Vivo na Espanha e atualmente sou operador de grua-torre, com carnet homologado para toda a europa e gostaria trabalhar em Angola, posto que este país se encontra em franco desenvolvimento e vem ao encontro da profissão que venho exercendo atualmente. Cordiais saudações

anderson ferreira Diz: Maio 30, 2008 às 9:18 pm
tenho cursos de first aid, risk assessemente ,hoist,pasma,fire warden,method risk sessemente, sou ecarregado de obras.

ngonga jose isabel Diz: Junho 2, 2008 às 4:54 pm
sou angolano tirei curso de canalizador no Cenfic,quero trabalhar em Angola visto o Paìs precisa de tecnico

carlos mendes Diz: Junho 6, 2008 às 8:52 am
gostaria de trabalhar em angola na area de confecçoes tecnico de vendas

Gelcimar stançani da cruz Diz: Junho 6, 2008 às 12:05 pm
caro amigo que publicou este anúncio a anos ouço falar de trabalho em angola mas na verdade numca ouve uma afirmativa quanto a isso sou casado tenho que trabalhar pois no total são 6 pessoas incluindo eu sou pintor de paredes profissional numca tive medo de desafios sempre encarei td na minha vida commuita naturalidade dificuldade todos passam até em paizes de 1º mundo a gente vê isso constantemente se me fiserem uma oferta de trabalho eu topo no ato tenho passaporte em mãos e muito disposição ´pra trabalhar só que como não tenho uma boa vida aqui no brasil fica muito dificil ter dinheiro para bancar os custos desde que paguem a conta eu topo tenho 42 anos e muita saúde graças a Deus obrigado!

http://engenhariacivil.wordpress.com/2007/08/25/mercado-de-trabalho-em-angola-2/#respond
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Frases célebres 18Fev09


País já caminha para diversificação da economiaA ministra angolana do Planeamento, Ana Dias Lourenço, disse em Luanda, que o país já caminha para a diversificação da sua economia, visando a saída da dependência do petróleo e dos diamantes. Angop

Alvaro da Cunha USADepois de uma leitura minusiosa do text, conclui que Angola nao tem modelo de desenvolvimento e muitos dirigentes que ocupam Departamentos de relevo para o desenvolvimento do pais nao tenhem qualquer nossao de desenvolvimento economico. Espero que desta vez este precioso comentario seja editado.
Angonotícias

03.02.2009 - 15h45 - Joca, Terra das Vendas
É só exploração! Então do dono da corticeira Amorim, não é o homem mais rico de portugalinho?????? Deviam congelar os dinheiros que este Melga roubou para enriquecer o património pessoal....... É preciso muita lata, para mandar tanta gente para a miséria, depois de ter explorado até ao osso os trabalhadores..... E É ISTO UM comedor, ....perdão comendador desta pátria chamada portugal......À GRANDE COMEDOR, perdão COMENDADOR......... Agora só falta a Igreja nomeá-lo papa (dinheiro)......porreiro pá.............este país continua no bom caminho.
Público última hora

03.02.2009 - 15h30 - Demócrito , centro
a crise na cortiça já existe há varios anos, em especial nas rolhas que estão a ser substituidas por rolhas de plástico, esta é mais uma das situações em que a espécie de patrõzecos existrentes nesta republica das bananas se estão a aproveitar da crise para fazerem despedimentos.
Público última hora

03.02.2009 - 15h19 - Gafanhoto, Alface
Não se preocupem que com o dinheiro dos ordenados dos 195 trabalhadores o Amorim põe 390 brasileiros a trabalhar cá ou 780 angolanos a trabalhar em Angola
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03.02.2009 - 15h18 - Rita, Portugal
Ministro da mentira. os empresários astutamente, não querem reduzir os seus lucros, e despedem quem trabalha. agora vemos o capitalista das rolhas a aproveitar a mesma situação, aonde estão os milhões que o Amorim recebeu de fundos perdidos da CEE, o estado Português deu-lhe a fortuna que ele hoje tem. os milhões que o estado andava a aplicar nas industrias para moderniza-las, esse dinheiro era desviado para o sector imobiliário, em ações na bolsa, em carros topo de gama em, depósitos em paraísos fiscais, em casas de luxo e sustentar as acompanhantes de luxo. agora isto está mau, eles aproveita a onda... e dizem, vai-te embora ó empregado agora não precisamos de ti... mas que que bonita atitude. o estado que abra os olhos este gananciosos, por dinheiro fácil são capazes de fazer tudo, e não olham a meios para o conseguirem. Povo de Trabalho não baixem os braços, isso é o que os grandes capitalistas desejam. a luta tem de vir para rua. os grande capitalistas se não tem dinheiro para darem a quem trabalha, também não tem direito a gozar a vida de luxo que fazem. eles tem propriedades e tendo propriedades de rendimentos, o Povo tem direito a que o estado vendas os seus bens...
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03.02.2009 - 15h02 - Anónimo, Lisboa
Pois é, para os trabalhadores não há dinheiro, mas para os filhos dos ricaços da Católica já há. O empresário Américo Amorim não teve qualquer problema em doar três milhões de contos para a construção dos edifícios da Católica do Porto (fonte RTP) e deixar os trabalhadores no desemprego.
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