sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A memória e a escrita do "pai" da ficção literária de Angola


Óscar Ribas é lembrado numa fotobiografia com edição de luxo a ser lançada este mês, numa edição de autor do jornalista angolano Gabriel Baguet Júnior.

O livro, intitulado "Óscar Ribas - A Memória com a Escrita", surge numa altura em que se assinalam os 100 anos do nascimento do escritor, poeta, etnólogo e ensaísta angolano, natural de Luanda, onde nasceu a 17 de Agosto de 1909, estando já o autor a preparar outra obra: "O Pensamento e as Palavras de Óscar Ribas".
Falecido em Cascais a 19 de Junho de 2004 (aos 94 anos), Óscar Ribas é considerado unanimemente em Angola como o fundador da ficção literária no país, tendo iniciado a sua actividade ainda como estudante no Liceu Salvador Correia, em Luanda.

Em declarações à Agência Lusa, Gabriel Baguet Júnior, jornalista da RDPÁfrica, 44 anos e natural de Luanda, adiantou que o livro, de 383 páginas e que levou quase oito anos a completar, tem o prefácio de José Carlos Venâncio, professor catedrático na Universidade da Beira Interior e Pró-Reitor para os Estados Membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
No livro, o prefaciador destaca a "preserverança" do autor na execução da obra, realça o "merecimento do homenageado" e lamenta que "esta e outras atenções tardem a surgir, quer em Angola, quer noutro espaço da Lusofonia".

O livro conta com a participação e depoimentos de dois sobrinhos do escritor, Arnaldo Gonçalves Ribas ("Nadinho") e Maria do Céu Ribas, de Wladimir Romano, jornalista e escritor cabo-verdiano, filho de B´Leza, de Isabel Bastos Feliciano, mestre em História de África, de Luiz Gonzaga do Amaral, jornalista e escritor brasileiro, amigo de longa data de Óscar Ribas, e de Cyl Gallindo, escritor brasileiro e Membro da Academia das Letras do Brasil.

A fotobiografia dedicada a Óscar Ribas conta ainda com ilustrações da pintora angolana Manuela Alegre, do escultor e pintor angolano José João Oliveira e dos arquitectos Susana Fialho e Pedro Partidário. A obra inclui ainda fotografias cedidas pela família, pela fotógrafa moçambicana Ruth Matchabe e pelo próprio autor.

"A diversidade e a enorme riqueza da cultura angolana é absolutamente merecedora de uma maior internacionalização relativamente a todos os seus agentes culturais e nos diferentes domínios da criação. Por outro lado, à semelhança de outros países que assinalam os centenários dos seus símbolos nacionais, pareceu-me que esta singela homenagem era mais que necessária para o escritor Óscar Ribas, cujo trabalho está espalhado por diferentes países e traduzido em várias línguas", sustentou o autor.
"Foi uma aposta pessoal, para dar a conhecer o enorme trabalho literário de Óscar Ribas, que conheci ainda em vida, em prol da cultura angolana, para o qual dispus de poucos apoios, sendo essa a razão da edição de autor", afirmou Baguet Júnior, sublinhando a "dificuldade e a rejeição" de várias editoras em publicar a fotobiografia.

Da toda a obra de Óscar Ribas, destaque para as primeiras novelas, "Nuvens Que Passam" (1927), "Resgate de uma Falta", ambas de 1927, "Flores e Espinhos" (1950) e "Ecos da Minha terra" (1952).A partir do final da década de 50 do século XX, Óscar Ribas centrou a sua produção literária posterior em temas da literatura oral, filologia, religião tradicional e filosofia dos povos de língua kimbundu.
Destas preocupações resultam a sua bibliografia dos anos 60, como, entre outras obras, "Ilundo - Espíritos e Ritos Angolanos" (1958,1975), "Missosso" - três volumes (1961, 1962 e 1964) e um "Dicionário de Regionalismos Angolanos", tendo, pelo meio, publicado um romance autobiográfico intitulado "Tudo Isto Aconteceu" (1975).
Distinguido com vários prémios - Margret Wrong (1952), Etnografia do Instituto de Angola (1959) e Monsenhor Alves da Cunha (1964), entre outros -, Óscar Ribas foi também galardoado com vários títulos, com destaque para a Ordem do Infante, atribuída pelo governo português em 1962, bem com o da Literatura e das Artes (Angola, 2000).

Gabriel Baguet Júnior, que já trabalhou no Primeiro de Janeiro e Jornal de Notícias, com uma passagem pela RTP Porto, tem uma pós-graduação em Jornalismo pelo ISCTE e pela ESCL, é autor de vários ensaios, com destaque para "Um Olhar e Uma Voz", dedicado à cantora cabo-verdiana Cesária Évoram, sendo actualmente quadro da RTP.
O autor participou também em vários seminários e conferências temáticas dedicados à História de África, Cultura de Angola, Jornalismo, Desenvolvimento Humano e Globalização, sendo colaborador regular de várias revistas internacionais, quer como jornalista quer como escritor.
in LUSA

http://pitigrili-de-luanda.blogspot.com/2009/01/scar-ribas.html

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Luís Kandjimbo


Luís Kandjimbo nasceu na província da Huíla.
Membro da Brigada Jovem de Literatura da Huíla, incentivou a implementação da revista Hexágono .
Já em Luanda, tornou-se membro, entre 1981 e 1982, da Brigada Jovem de Literatura (BJL). Em 1984, integrou o grupo colectivo de trabalho literário "Ohandanji ", ao lado de outros nomes jovens da ribalta literária, nomeadamente, Lopito Feijó, Joca Paixão, Domingos Ginginha, António Panguila e Ana Paula Tavares.

É membro da União de Escritores Angolanos (UEA), fazendo parte também da Association pour l'Étude des Littératures Africaines (APELA), sedeada em Paris, na França.
Em 1989, apresentou ao I Congresso de Escritores de Língua Portuguesa uma comunicação intitulada "Para a Descalibanização das Literaturas Africanas" que suscitou alguma controvérsia.
Mantendo uma intensa ligação ao mundo literário, é responsável pela edição da gazeta Lavra e Oficina, da União de Escritores Angolanos, e da revista Mensagem do Ministério da Educação e Cultura de Angola (MEC).
Intelectual prestigiado, é responsável pelo programa televisivo de animação Leituras, na Televisão Pública de Angola (TPA).

Um dos nomes da geração de 80, a que ele próprio denominou de "Geração das Incertezas", o seu trabalho poético é caracterizado pela ausência dos referentes que caracterizam a poesia revolucionária, mantendo como temáticas nucleares – que aliás se constituem como fio condutor desta geração – a da desilusão face à situação vivida na sua Angola independente e a da angústia face ao futuro.
Embora superiormente consciente da necessidade de imprimir uma vertente crítica à sua poiesis, o autor rejeita uma postura poética panfletária e, através de um trabalho de recuperação dos aspectos universais da língua literária e de abandono dos regionalismos, denuncia, com profunda ironia e desencanto, a corrupção que impunemente varre o seu país: "O, neste tempo bizarro/Da profecia e do caos (...) ".

Projectando um "eu lírico" nitidamente em crise, a poesia de Kandjimbo, como a de muitos outros poetas seus contemporâneos, metaforiza o mar como o espaço dual que simultaneamente simboliza a abertura para a liberdade e o abismo intransponível, rasgado pela decepção provocada pela guerra e pela corrupção: "O mar simboliza dor quando/estaciona nas trepidações/da muralha. ", constituindo-se, então, como a imagem da amargura sentida por um sujeito poético que se sente enganado e desiludido por utopias próximas.
Crítico literário e ensaísta, os seus textos encontram-se publicados em vários jornais e revistas angolanas e estrangeiras.
Em parceria com Lopito Feijó, escreveu o ensaio, s/d, Geração da Revolução. Novos Poetas Angolanos em Volta.

É autor das seguintes obras: Apuros de Vigíla. Ensaios de Meditação Genérica (1988); Apologia de Kalitangi. Ensaio e Crítica (1997); Estrada da Secura (1998), Menção Honrosa do Prémio Sonangol de Literatura (1998) – poesia; O Noctívago e Outras Estórias de um Benguelense (2000) – conto; e De Vagares a Vestígios.

Imagem: http://jornaldeangola.sapo.ao/17/65/luis_kandjimbo_em_benguela_para_avaliar_situacao_cultural

Como referenciar este artigo:
Luís Kandjimbo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-08-05].
Disponível na www: .

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A trajectória política de Álvaro Holden Roberto, o pai do nacionalismo angolano


ÁLVARO HOLDEN ROBERTO, nasceu em Mbanza Kongo, ex-São Salvador, província do Zaire, aos 12 de Janeiro de 1923. É filho de Garcia Diasiwa Roberto e de Joana Helena Lala Nekaka. Álvaro Holden Roberto fez os seus estudos primários e secundários em Léopoldville e é cristão baptizado pela Igreja Baptista (Baptist Missionary Society), que chegou a Angola em 1878.

No quadro da sua formação política, Álvaro Holden Roberto frequentou tanto em Léopoldville como no Ghana, vários cursos de Ciências Políticas, incluindo um estágio político-diplomático na Representação Diplomática da República da Guiné Konakry nas Nações Unidas, em Nova York, de 1959 a 1960.

Mais tarde, quando a Assembleia Geral das Nações Unidas decidiu a audição dos peticionários dos territórios ainda colonizados, Álvaro Holden Roberto foi muitas vezes ouvido como Peticionário sobre Angola na Comissão das Tutelas denominada 4ª Comissão. Cada vez que ele aparecia, a delegação portuguesa retirava-se da sala em sinal de protesto, posto que Portugal não aceitava que as suas colónias fossem consideradas como tal, mas como províncias ultramarinas tanto mais que aí reinava a paz, afirmaram eles.

Os acontecimentos de 4 de Janeiro, 4 de Fevereiro e sobretudo os de 15 de Março de 1961, destruíram a argumentação portuguesa que já não teve coragem para prosseguir com as suas elucubrações.

Para melhor compreender a trajectória política de Álvaro Holden Roberto, deve-se recuar no tempo e no espaço.

Com efeito, ele é neto de MIGUEL NEKAKA (avô materno) um dos primeiros Evangelizadores angolanos, baptizado em 23 de Maio de 1889, que traduziu partes significativas da Bíblia de Inglês para o Kikongo e compôs numerosos hinos protestantes.

Miguel Nekaka era antes de tudo um patriota que defendia os direitos dos seus compatriotas, o que lhe valeu a hostilidade, a prisão e torturas por parte das autoridades coloniais portuguesas, mas graças à sua clarividência e resistência, conquistou o respeito e a estima do povo, dos missionários britânicos e de outros instalados nas actuais províncias do Uige e do Zaire.

Miguel Nekaka, que havia sido acusado falsamente de desempenhar um papel fundamental nos preparativos da Revolta dos Angolanos contra o poder colonial português, liderada por TULANTE BUTA (Tulante significa em Kikongo tenente, patente que Buta possuía no Exército Português no tempo da Monarquia em Portugal), guerra que durou de 1913 a 1915, foi duramente torturado pelas autoridades portuguesas. As injustiças de que foi vítima e as torturas que foram infligidas a Miguel Nekaka às quais sobreviveu, graças à sua robustez física, suscitaram nele um forte sentimento de revolta e de vingança, que o levou a fazer o seguinte pronunciamento: UM DOS MEUS DESCENDENTES VINGAR-ME-Á!

Miguel Nekaka faleceu em 1944.

Esse descendente mencionado no pronunciamento de Miguel Nekaka, não é senão ÁLVARO HOLDEN ROBERTO, seu neto, filho primogénito de sua filha JOANA LALA HELENA NEKAKA.

Em 1940, Dom Pedro VII, Rei do Kongo visitou Lisboa para participar na exposição do “Mundo Português”, para comemorar o oitavo centenário da proclamação do Reino de Portugal (1140), e o terceiro centenário da restauração da independência da anexação espanhola (1640). Enquanto esteve em Lisboa, ele pediu mais escolas para o seu povo e nomeou como seu secretário Manuel Sidney Barros Nekaka, filho de Miguel Nekaka, que estava em Lisboa num programa de especialização de dez meses num hospital.

http://www.fnla.net/biographie.htm

Imagem: http://www.rfi.fr/actufr/images/092/holden_roberto200.jpg

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Agostinho Neto


(Kaxicane 17 de Setembro de 1922, - Moscovo 1997)

Agostinho Neto nasceu na aldeia de Kaxicane, região de Icolo e Bengo, a cerca de 60 km de Luanda. O pai era pastor e professor da Igreja Metodista e, a sua mãe, era igualmente professora.
Após ter concluído o curso liceal em Luanda, trabalhou nos serviços de saúde e viria a tornar-se rapidamente uma figura proeminente do movimento cultural nacionalista que, durante os anos quarenta, conheceu uma fase de vigorosa expansão em Angola.

Decidido a formar-se em Medicina, embarca para Portugal em 1947 e matricula-se na Faculdade de Medicina de Coimbra, e posteriormente na de Lisboa. Dois anos depois da sua chegada a Portugal, foi-lhe concedida uma bolsa de estudos pelos Metodistas Americanos.
Envolve-se desde muito cedo em actividades políticas sendo preso em 1951, quando reunia assinaturas para a Conferência Mundial da Paz em Estocolmo. Após a sua libertação, retoma as actividades politicas e torna-se representante da Juventude das colónias portuguesas junto do Movimento da Juventude Portuguesa, o MUD juvenil. E foi no decurso de um comício de estudantes a que assistiam operários e camponeses que a PIDE o prendeu pela segunda vez, em Fevereiro de 1955 só vindo a ser posto em liberdade em Junho de 1957.
Por altura da sua prisão em 1955 veio ao lume um opúsculo com poemas seus, que denunciavam as amargas condições de vida do Povo angolano.

A sua prisão desencadeou uma vaga de protestos em grande escala. Realizaram-se encontros; escreveram-se cartas e enviaram-se petições assinadas por intelectuais franceses de primeiro plano, como Jean-Paul Sart, André Mauriac, Aragon e Simone de Beauvoir, pelo poeta cubano Nicolás Gullén e pelo pintor mexicano Diogo Rivera, e em 1957, Agostinho Neto, foi eleito Prisioneiro Político do Ano pela Amnistia Internacional.

Em 1958, Agostinho Neto licenciou-se em Medicina e, casou com Maria Eugénia, no próprio dia em que concluiu o curso. Neste mesmo ano, foi um dos fundadores do clandestino Movimento Anticolonial (MAC), que reunia patriotas oriundos das diversas colónias portuguesas.

Em 30 de Dezembro de 1959. Neto voltou ao seu País, com a mulher, Maria Eugénia, e o filho de tenra idade, e passou a exercer a medicina entre os seus compatriotas. Em 8 de Junho de 1960, o director da PIDE veio pessoalmente prender Neto no seu Consultório em Luanda.
Uma manifestação pacífica realizada na aldeia natal de Neto em protesto contra a sua prisão foi recebida pelas balas da polícia. Trinta mortos e duzentos feridos foi o balanço do que passou a designar-se pelo Massacre de Icolo e Bengo. Receando as consequências que podiam advir da sua presença em Angola, mesmo encontrando-se preso, os colonialistas transferiram Neto para uma prisão de Lisboa e, mais tarde enviaram-no para Cabo Verde, para Santo Antão e, depois para Santiago, onde continuou a exercer a medicina sob constante vigilância política.

Foi, durante este período, eleito Presidente Honorário do MPLA.

Por mostrar a alguns amigos em Santiago (Cabo Verde) uma fotografia, em que um grupo de jovens soldados portugueses sorriam para a câmara, segurando um deles uma estaca em que foi espetada a cabeça de um angolano e inserta em diversos jornais (por exemplo, no Afrique Action, semanário que se publica em Tunes) Agostinho Neto foi preso na cidade da Praia em 17 de Outubro de 1961 e transferido depois para a prisão de Aljube em Lisboa.

Sob forte pressão, interna e externa, as autoridades fascistas viram-se obrigadas a libertar Neto em 1962, fixando-lhe residência em Portugal. Todavia, pouco tempo depois da saída da prisão, Agostinho Neto, em Julho de 1962, saiu clandestinamente de Portugal com a mulher e os filhos pequenos, chegando a Léopoldville (Kinshasa), onde o MPLA tinha ao tempo a sua sede exterior,

Em Dezembro desse ano, foi eleito presidente do MPLA durante a Conferência Nacional do Movimento.
Em 1970 foi-lhe atribuído o Prémio Lótus, pela Conferência dos Escritores Afro-Asiáticos
Com a "Revolução dos Cravos" em Portugal e a derrocada do regime fascista de Salazar, continuado por Marcelo Caetano, em 25 de Abril de 1974, o MPLA considerou reunidas as condições mínimas indispensáveis, quer a nível interno, quer a nível externo, para assinar um acordo de cessar-fogo com o Governo Português, o que veio a acontecer em Outubro do mesmo ano.
Agostinho Neto regressa a Luanda no dia 4 de Fevereiro de 1975, sendo alvo da mais grandiosa manifestação popular de que há memória em Angola

Agostinho Neto que na África de expressão portuguesa é comparável a Léopold Senghor na África de expressão francesa, foi um esclarecido homem de cultura para quem as manifestações culturais tinham de ser, antes de mais, a expressão viva das aspirações dos oprimidos, armas para a denúncia de situações injustas, instrumento para a reconstrução da nova vida.
Membro fundador da União dos Escritores Angolanos, foi eleito pelos seus pares o seu primeiro Presidente.

Fontes: http://www2.ebonet.net/MPLA/bio_aneto.htm#top

Bibliografia:
Quatro Poemas de Agostinho Neto, 1957, Póvoa do Varzim, e.a.;
Poemas, 1961, Lisboa, Casa dos Estudantes do Império;
Sagrada Esperança, 1974, Lisboa, Sá da Costa (inclui os poemas dos dois primeiros livros);
A Renúncia Impossível, 1982, Luanda, INALD (edição póstuma)

http://www.lusofoniapoetica.com/index.php/content/category/6/38/299/

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Jonas Savimbi


Origem: WIKIPEDIA, a enciclopédia livre.

Jonas Malheiro Savimbi (Bié, 3 de Agosto de 1934 — Lucusse, 22 de Fevereiro de 2002) foi um político angolano, sendo durante mais de trinta anos o líder da UNITA.

Biografia
Jonas Savimbi nasceu e cresceu na província do Bié. Durante a sua juventude ganhou uma bolsa de estudos para a Europa (Suíça), onde viria a se formar em ciências politicas. A maior parte da vida adulta do líder da UNITA foi passada como líder da guerrilha. Fluente em português, inglês e francês, Savimbi costumava reservar essas línguas para contatos com seus opositores políticos, diplomatas ou jornalistas. No dia-a-dia, Savimbi usava a língua Ovimbundu para se exprimir.

A "UNITA — Movimento do Galo Negro" foi criada por Savimbi em 1966 para combater o colonialismo português. O líder da UNITA podia ter chegado ao poder com o fim do colonialismo, mas as eleições acordadas com Portugal nunca chegaram a ser feitas porque o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) tomou o País de assalto com a ajuda do exército cubano. Ao fim de 15 anos de luta de guerrilha contando com grande apoio dos Estados Unidos e Tropas sul africanas contra o exército cubano, a UNITA consegue que estes retirem de Angola e se façam eleições.

Em 1992, Savimbi concorreu a eleições. Os resultados deram-lhe a derrota, e resolveu voltar à guerra. O líder da UNITA retirou-se para a cidade de Huambo e optou pelo caminho da guerra civil, que causou a morte a milhares de pessoas. 1992 é a data do princípio do fim de Savimbi.

Savimbi estabeleceu Huambo como a sua capital e deixando claro aos jornalistas com quem falava que o movimento que liderava pretendia a paz.

Em 1994, a UNITA assinou os acordos de paz de Lusaca, depois de meses de negociações, e aceitou desmobilizar as suas forças, com o objectivo de conseguir a reconciliação nacional. O processo de paz prolongou-se durante quatro anos, marcado por acusações e adiamentos. Apesar da Unita ter cumprido parte destes acordos enviando para Luanda os seus elementos para fazerem parte do Governo de Unidade Nacional, o MPLA criou uma pseudo-Unita (a chamada Unita renovada), para poder controlar o parlamento e a actividade politica.

Em 22 de fevereiro de 2002, Jonas Savimbi foi morto na província do Moxico (Leste de Angola) pelas Forças Armadas Angolanas (FAA), que resultou ainda na morte de outros elementos da UNITA. Com a morte de Savimbi, Angola encontrou finalmente o caminho para a paz que durante longos anos tanto aspirou.


Ver também
Há ainda teorias que garantem que o lider rebelde Angolano não foi morto mas que se suicidou, baseando-se no tiro estranhamente encontrado no lado direito da sua garganta.

Imagem: http://2.bp.blogspot.com

sábado, 1 de agosto de 2009

Óscar Ribas conversou com Luís Kandjimbo em LEITURAS,Programa da TPA


Luís Kandjimbo – Boa noite, amigos telespectadores. Leituras volta a estar em sua companhia. Passados que foram os 15 dias do último programa, aqui estamos mais uma vez para abordarmos os temas relevantes sobre a literatura angolana, em que entrevistamos autores, falamos das suas obras e de outros projectos criativos relacionados com a literatura. O nosso convidado esta noite é um dos fundadores da ficção moderna angolana, um ficcionista, um ensaísta, um poeta que foi consagrando toda uma vida à literatura e que temos o prazer de tê-lo aqui à conversa e para tal vou convidar-vos para que conheçam um pouco mais de sua biografia. O nosso convidado esta noite é o escritor Óscar Ribas. Temo-lo aqui connosco, vamos agradecer a sua presença e esperar que tenhamos uma conversa proveitosa e que os telespectadores tirem o máximo rendimento do que for aqui abordado, quer a títulos de informações sobre as suas obras, quer em relação a outros aspectos que podem servir de exemplo aos jovens criadores. Muito obrigado Sr. Óscar Ribas. Agradecemos a sua presença. Oxalá que se sinta como se estivesse em sua própria casa. De sua extensa obra, vou destacar as três primeiras obras que publicou, entre os anos 27 à primeira metade dos anos 50, e gostaria que manifestasse o seu ponto de vista em relação, dessas três obras que publica nesse período, qual delas é que merece a sua maior atenção? Qual delas prefere?

Óscar Ribas – De todos os livros que eu escrevi, para mim o melhor, que eu aprecio mais, o que eu gosto mais é do Uanga.

Luís Kandjimbo – Ao ter destacado o Uanga, que é um romance folclórico como o próprio autor Óscar Ribas subintitulou este livro, é um romance que acaba por inserir uma série de episódios que abordam temas da tradição, temas do folclore , mas dentro dessa história, há um episódio bastante interessante que envolve Joaquim e Catarina, que é de resto uma história romântica, é uma história de afectos, em que aparece uma interferência perturbadora que é D. António Sebastião. Pode falar-nos um pouco desse episódio de D. Sebastião, ao interferir negativamente nessa relação da Catarina?

Óscar Ribas – A Catarina que é uma das principais protagonistas, eu fui mais ou menos pela minha mãe, tem as características da minha mãe, a Catarina. E fui obrigado, vá permita-se esta expressão, a matá-la, enfim, quando leio isso vêm-me as lágrimas aos olhos, só para poder depois descrever as práticas resultantes de um falecimento. Eu quando chego ao fim, quando leio essa parte vem as lágrimas aos olhos, sensibilizo-me com isso. A Catarina, portanto, uma mulher boa, de boa índole, como aliás uma característica da nossa gente.

Luís Kandjimbo – Mas neste episódio de afectos, de Joaquim e Catarina, da interferência negativa e perturbadora de António Sebastião, acontece um caso de vingança. António Sebastião que é humilhado, acabou por se transformar num motivo de chacota e de zombaria, vem depois pretender fazer vingança desse facto. Como é que isso se explica? Quando se trata de um indivíduo com algum prestígio, no meio tradicional, mas quando posto no meio suburbano da capital, ele é confrontado com a perda de prestígio, porque não sabe ler nem escrever.

Óscar Ribas – São coisas que acontecem não é? Como aconteceu mesmo.

Luís Kandjimbo – A história do Sebastião…

Óscar Ribas – … do António Sebastião sim. Bem, a explicação que deu … chorem, ele quando disse “chorem” foi, como mais tarde ele depois explicou, ele sendo um homem de prestígio lá na sua terra, no seu meio, homem com dinheiro, com propriedades e não saber ler. “Chorem, chorem por eu não saber ler”. E claro isso foi interpretado de maneira diferente. A Catarina, quando ouviu “chorem”, supôs que o homem, o Joaquim tivesse morrido.

Luís Kandjimbo – Sim, sim, então o Sebastião pretendia dizer “Chorem, porque eu infelizmente não poderei ler”…

Óscar Ribas – …”pois não posso ler não é? Um homem tão poderoso como sou, enfim, com muitas propriedades, muitas mulheres, e não saber ler? Chorem …”

(...)

http://embangola.artedesign-net.pt/cultura/literatura.php?ct_id=295&sid=192
Imagem: http://www.angoladigital.net/

sexta-feira, 31 de julho de 2009

TARZAN


(EUA, 1912 ; 1929 na BD)
"Tarzan dos Macacos" - "o rei da selva" (continente africano - século xx)

Nascido em 1912, fruto da imaginação e da inspiração do escritor norte-americano Edgar Rice Burroughs (1875-1950), "Tarzan" é talvez o maior mito do século XX e a mais duradoura referência da moderna cultura popular, surgida do cruzamento do sonho com as técnicas de marketing. Com efeito, não será exagero considerar "Tarzan" o mais célebre herói de ficção do século passado, ultrapassando em popularidade outros heróis igualmente famosos, tais como "Tintin", "Astérix", "Rato Mickey", "Super Homem", "Flash Gordon", "Mandrake", "Fantasma", "Príncipe Valente", entre muitos outros.

"Tarzan" conseguiu, de facto, o feito extraordinário de estender o seu domínio a áreas tão diversificadas como a literatura, o cinema, a televisão, a rádio, a banda desenhada, os desenhos animados ou os jogos de vídeo. Ironicamente e de forma paradoxal, constata-se que se, por um lado, é ao cinema que a figura do "Rei da Selva" deve a sua fama universal e imortalidade, por outro lado, foi essa mesma "Sétima Arte" que mais distorceu o espírito inicial da criação do genial Edgar Rice Burroughs.
Foi na edição de Outubro de 1912 da revista mensal "The All-Story" que começou a ser publicada uma espécie de fábula moderna intitulada "Tarzan of the Apes" ("Tarzan dos Macacos"), assinada pelo escritor Norman Bean, pseudónimo usado, inicialmente, por Edgar Rice Burroughs. Perante o êxito alcançado pela narrativa - que contava as atribulações e peripécias vividas pelo filho de um lorde inglês (Greystoke) que é educado por gorilas e chimpanzés na floresta equatorial africana - tanto o público leitor como o editor pediram a Burroughs que acrescentasse mais episódios e prolongasse as histórias por mais uns tempos.

A história de "Tarzan" inicia-se quando, na sequência de um naufrágio, o casal aristocrático inglês, Lord Greystoke, esposa e filho conseguem chegar a uma praia, na costa africana. Os seus pais morrem pouco tempo depois e deixam orfão o pequeno branco indefeso, que é recolhido e protegido por "Kala", uma grande fêmea gorila que o livra de uma morte certa. Criado no seio dos símios superiores na mais completa liberdade, o jovem "Tarzan" vai, progressivamente, adquirindo uma notável robustez e agilidade físicas e aprende, inclusivamente, a linguagem dos animais.

Mais tarde, "Tarzan" conhece uma rapariga chamada "Jane", que se torna a sua inseparável companheira de muitas aventuras pelos quatro cantos do planeta, penetrando em mundos fantásticos, como, por exemplo, quando descem ao centro da Terra ou visitam civilizações míticas perdidas na alvorada dos tempos.

Entretanto, "Tarzan" adquire um profundo sentido de humanidade e de justiça, pondo-se ao serviço dos indefesos e de causas nobres, combatendo tribos selvagens e homens brancos gananciosos e desonestos. Quando um dia, "Tarzan" descobre as suas próprias origens, regressa a Inglaterra e a Londres para uma curta estadia, mas rapidamente chega à conclusão de que o mundo dito civilizado e os costumes burgueses não são feitos para ele e decide, assim, regressar definitivamente à selva africana.
Edgar Rice Burroughs destacou-se, sobretudo, pela sua inteligência intuitiva, possuindo uma grande inspiração criativa e imaginação, aliando a estas qualidades, um extraordinário dom de contar histórias e de criar climas de suspense. A África que utiliza para pano de fundo das suas narrativas e aventuras nada tem que ver com o continente real, pois trata-se de uma África "fantasma", "imaginária" e "irreal", habitada por povos estranhos, descendentes de antigos fenícios, romanos ou cruzados.

A aventura "The Return of Tarzan" ("O Regresso de Tarzan"), dada à estampa em 1913 e assinada já com o verdadeiro nome do autor, seguir-se-iam, em revista e em livro, até 1944 (seis anos antes da morte de Burroughs) mais algumas dezenas de títulos, num total de 43, incluindo romances e contos traduzidos para o mundo inteiro. A partir de 1918, as aventuras de "Tarzan" são adaptadas ao cinema, tendo sido produzidos, desde então e até hoje, cerca de 50 filmes deste herói, incluindo desenhos animados produzidos pela "Disney".

A adesão popular às histórias de Edgar Rice Burroughs foi de tal modo imediata que conduziu à exploração do herói em muitas e variadas direcções, entre as quais (a que nos interessa para o caso), a banda desenhada. Ao contrário do que se passou com o cinema, onde a transposição do espírito de Burroughs nunca foi totalmente conseguida, a banda desenhada só muito raramente se afastou do universo concebido pelo inventor de "Tarzan".

No início do ano de 1929, "Tarzan" passa também a ser adaptado para banda desenhada, aparecendo as suas aventuras oficialmente nos jornais diários americanos, distribuídos pelo "Metropolitan Newspaper Syndicate" (um ano mais tarde integrado no "United Features Syndicate"), sob a forma de tiras diárias assinadas por Harold Foster, um prestigiado publicitário reconvertido, entretanto, ao realismo figurativo da banda desenhada.

Harold Foster, o primeiro autor das tiras diárias, que aparecem pela primeira vez a 7 de Janeiro de 1929, desenha, assim, as 60 primeiras tiras, seguindo-se a este na série (que termina em 1973) os seguintes artistas: Rex Maxon (1929-36), William Juhré (1936-38), novamente Rex Maxon (1938-47), Burne Hogarth (1947), Dan Barry (1948-49), John Letti (1949), Paul Reinman (1949), Nicholas Viskardy (1950), Bob Lubbers (1950-54), John Celardo (1954-67) e Russ Manning (1967-73).
Relativamente às "sunday pages" (páginas dominicais), surgidas pela primeira vez a 15 de Março de 1931, com a assinatura de Rex Maxon, obrigatórias, ainda hoje em dia, nos jornais americanos de domingo, estas foram desenhadas sucessivamente por Rex Maxon (1931), Harold Foster (1931-1937), Burne Hogarth (1937-1945), Reuben Moreira (1945-47), Burne Hogarth (1947-50), Bob Lubbers (1950-54), John Celardo (1954-68), Russ Manning (1968-79), Gil Kane (1979-81), Mike Grell (1981-83) e Gray Morrow (de 1983 até ao presente).

Tal como fará, a partir de Fevereiro de 1937, na ilustração das pranchas da série de banda desenhada "Prince Valiant", também nas pranchas de "Tarzan", Harold Foster faz a ilustração acompanhada com textos em rodapé que comentam e dirigem a narrativa, rejeitando os balões como forma de integração dos diálogos. A partir de 27 de Setembro de 1931, Foster assume a produção da série nos dois formatos, passando a encarregar-se também da página dominical a cores. A série passa, então, a ter um sentido criativo único, com o predomínio da dimensão pictórica sobre a componente narrativa.

Não obstante a marca de qualidade e de talento deixada, ao longo dos anos, pelos vários artistas que se ocuparam de "Tarzan", nomeadamente Harold Foster, deve-se destacar, por ser de inteira justiça, acima de todos, Burne Hogarth, por muitos considerado o mais famoso e o melhor ilustrador/desenhador de "Tarzan", tendo, inclusivamente, ficado conhecido, com todo o mérito, por "Miguel Ângelo da Banda Desenhada". Hogarth tornou-se ainda célebre pelas suas numerosas obras sobre a anatomia dinâmica do corpo humano, técnica e arte que ele estudou profundamente e que aplicou também no desenho de "Tarzan".

Burne Hogarth sucede precisamente a Harold Foster (que passa a dedicar-se, em exclusivo, a partir de Fevereiro de 1937, à sua famosa criação, o herói medieval "Prince Valiant") na ilustração das páginas dominicais de "Tarzan". Assim, a partir de 9 de Maio de 1937 e durante 13 anos (apenas interrompidos durante um período de pouco mais de 1 ano), Hogarth trabalha de uma forma entusiástica e apaixonada, conferindo a "Tarzan" um esplendor "barroco" nunca mais atingido depois dele, expondo o herói em poses anatómicas de grande plasticidade e dinamismo.

Russ Manning foi outro importante artista de banda desenhada que se ocupou da série "Tarzan" e foi, inclusivamente, de todos os autores, aquele que se manteve mais fiel ao espírito da obra de Edgar Rice Burroughs, tendo começado a desenhar "Tarzan" a partir do fim da década de 60, quer nas pranchas diárias, quer nas páginas dominicais.

Apesar de, desde 1929 até aos nossos dias, terem passado diversos autores e artistas pela série "Tarzan", nunca a figura do "Rei da Selva" foi tão exaltada e glorificada como pelo génio de três grandes mestres: Harold Foster, Burne Hogarth e Russ Manning. Na verdade, fica-se a dever, sobretudo, a estes três artistas norte-americanos uma das mais portentosas criações da banda desenhada mundial, que, além de dar outra dimensão ao mito criado por Edgar Rice Burroughs, renovou por completo a técnica, a estética e a temática das "histórias aos quadradinhos".

Contribuição de Alexandre Ribeiro

http://www.bdportugal.info/Comics/Hero/Tarzan/index.html
Imagem: http://michaelmay.us/temp/1122_tarzan.jpg

quinta-feira, 30 de julho de 2009

EÇA DE QUEIRÓS


(*25/11/1845 †16/08/1900)
Resumo biográfico:

Diplomata e escritor muito apreciado em todo o mundo e considerado um dos maiores escritores portugueses de todos os tempos, Eça de Queirós nasceu José Maria Eça de Queirós, em Póvoa de Varzim-Portugal, no dia 25 de Novembro de 1845. Seu nome muitas vezes tem sido, de forma equivocada, grafado como "Eça de Queiroz".

Eça de Queirós morreu em Paris-França, no dia 16 de Agosto de 1900 (Funeral em Lisboa - 17 de Agosto)

Era filho do Dr. José Maria Teixeira de Queirós, juiz do Supremo Tribunal de Justiça, e de sua mulher, D. Carolina de Eça. Depois de ter estudado nalguns colégios do Porto matriculou-se na faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, completando a sua formatura em 1866. Foi depois para Leiria redigir um jornal político, mas não tardou que viesse para Lisboa, onde residia seu pai, e em 1867 estabeleceu-se como advogado, profissão que exerceu algum tempo, mas que abandonou pouco depois, por não lhe parecer que pudesse alcançar um futuro lisonjeiro. Era amigo íntimo de Antero de Quental, com quem viveu fraternalmente, e com ele e outros formou uma ligação seleta e verdadeira agremiação literária para controvérsias humorísticas e instrutivas. Nessas assembléias entraram Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Salomão Saraga e Lobo de Moura.

Estabeleceram-se então, em 1871, as notáveis Conferências Democráticas no Casino Lisbonense (V. Conferência), e Eça de Queirós, na que lhe competiu, discursou acerca do "O Realismo como nova Expressão de Arte", em que obteve ruidoso triunfo. Decidindo-se a seguir a carreira diplomática, foi a um concurso em 21 de Julho de 1870, sagrando-se o primeiro colocado e, em 1872, obteve a nomeação de cônsul geral de Havana, para onde partiu. Permaneceu poucos anos em Cuba, no meio das terríveis repressões do governo espanhol.

Em 1874 foi transferido para Newcastle; em 1876 para Bristol e, finalmente em 1888, para Paris, onde veio a falecer. Eça de Queirós era casado com a Sr.ª D. Emília de Castro Pamplona, irmã do conde de Resende. Colaborou na Gazeta de Portugal, Revolução de Setembro, Renascença, Diário Ilustrado, Diário de Notícias, Ocidente, Correspondência de Portugal, e em outras publicações.

Para o Diário de Notícias escreveu especialmente o conto 'Singularidades duma Rapariga Loura' (1873), publicada como 'livre brinde' aos assinantes do jornal, em 1874, e a descrição das festas da abertura do canal do Suez, a que ele assistiu em 1870, publicada com o título 'De Port Said a Suez', no referido jornal, folhetim de 18 a 21 de Janeiro do mesmo ano de 1870. Na Gazeta de Portugal, de 13 de Outubro de 1867, publicou um folhetim com o título 'Lisboa', seguindo-se as 'Memórias de uma Freira' e 'O Milhafre'; em 29 de Agosto de 1869, o soneto 'Serenata de Satã às Estrellas'.

Fundou a Revista Portugal com a colaboração dos principais e mais célebres homens de letras do seu tempo. Saíram desta revista 24 números, que formam 4 tomos de 6 números cada um. Para este jornal é que escreveu as 'Cartas de Fradique Mendes'. Na Revista Moderna publicou o romance 'A Ilustre Casa de Ramires'.

Bibliografia:
- 'A Morte de Jesus', no folhetim Revolução de Setembro (12, 13, 14, 27 e 28 de Abril, e 11 de Maio de 1870);
- 'O Mistério da Estrada de Sintra' (1870), em colaboração com Ramalho Ortigão, publicadas em 1871, no Diário de Notícias, e depois na coleção da Parceria Pereira, de que se tem feito várias edições;
- O Crime do Padre Amaro (1876 - 2ª versão), primeira em 15/Fev/1875;
- O Primo Basílio (1878);
- O Mandarim (1880), publicado no Diário de Portugal;
- Outro Amável Milagre (1885), in AAVV, Um Feixe de Penas, Lisboa, Tipografia de Castro & Irmão;
- Festa de crianças (1885), in AAVV, Beja-Creche, Coimbra, Imprensa da Universidade;
- A Relíquia, Porto (1887), Livraria Internacional de Ernesto Chardron, de Lugan e Genelioux, Sucessores;
- Os Maias - 2Vols. (1888), Porto, Livraria Internacional de Ernesto Chardron, de Lugan e Genelioux, Sucessores;
- Fraternidade (1890), in AAVV, Anátema, Coimbra, Gaillaud, Aillaud & C.ª;
- 'As Farpas' (1890/91), crônica mensal da política, das letras e dos costumes, por Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, iniciada em Maio de 1871- Uma Campanha Alegre - de As Farpas (2vols - 1890/91), Lisboa, Companhia Nacional Editora;
- As Minas de Salomão (trad.) (1891), de Rider Haggard, Porto, Livraria Internacional de Ernesto Chardron, de Lugan e Genelioux, Sucessores;
- Almanaques (prefácio - 1895), in Almanaque Enciclopédico para 1896, Lisboa, Livraria A. M. Pereira;
- Um Génio que era um Santo (1896), in AAVV, In Memoriam de Antero de Quental, Porto, Mathieu Lugan;
- A Duse (1898), in AAVV A Duse, Lisboa, Tipografia da Companhia Nacional Editora;
- A Correspondência de Fradique Mendes (1900) - em 1889 na Revista de Portugal;
- A Ilustre Casa de Ramires (1900);
- A Cidade e as Serras (1900);
- Episódios da Vida Romântica, em 2 tomos;
- Eusébio Macário;

As obras de Eça de Queirós, na maior parte, têm tido diversas edições, tanto em Lisboa como no Porto. Colaborou no livro 'In Memoriam', em homenagem a Antero de Quental. São de Eça de Queirós os interessantes prólogos dos Almanachs Encyclopedicos de 1896 e 1897, por ele dirigidos e publicados pelo falecido editor António Maria Pereira. Eça de Queirós, quando faleceu, estava trabalhando em romances inspirados nas lendas de S. Cristóvão e de S. Frei Gil, o celebrado bruxo português. Devido à iniciativa de amigos dedicados do falecido escritor, elevou-se uma estátua em mármore para perpetuar a sua memória, a qual está situada no Largo de Quintela. É uma verdadeira obra artística do escultor Teixeira Lopes. Figura Eça de Queirós curvado sobre a Verdade, lendo-se no pedaço de mármore tosco, que serve de pedestal à Estátua da Verdade, estas palavras, que foram ali esculpidas. «Sobre a nudez forte da Verdade, o manto diáfano da fantasia».
A inauguração realizou-se no dia 9 de Novembro de1903, discursando os Srs. Conde de Arnoso e de Ávila, Ramalho Ortigão, Dr. Luís de Magalhães, Aníbal Soares e Antônio Cândido; o ator Ferreira da Silva recitou uma poesia do Sr. Alberto de Oliveira, falando por último o Sr. Conde de Resende, cunhado de Eça de Queirós, agradecendo muito comovido, em nome da família do falecido escritor, a homenagem prestada à sua memória.

Transcrito por Manuel Amaral

http://www.nossosaopaulo.com.br/Reg_SP/Barra_Escolha/B_EcaDeQueiros.htm

terça-feira, 28 de julho de 2009

Sousa Jamba




Sousa Jamba (Missão de Dondi, Angola, 9 de Janeiro de 1966) é um escritor e jornalista angolano.

Origem: WIKIPEDIA, a enciclopédia livre.

Entre 1976 e 1984, em consequência da guerra, emigrou para a Zâmbia, onde fez os estudos em língua inglesa e com a qual começou a sua produção literária. Em seguida, regressou a Angola, trabalhando como jornalista nas zonas controladas pela União Nacional da Independência Total de Angola (UNITA).

Em 1986, adquiriu uma bolsa para estudar na Grã-Bretanha, onde fez estudos superiores e de jornalismo. Como jornalista, foi repórter da UNITA, e tem desenvolvido actividades nos Estados Unidos, Brasil, Portugal e Grã-Bretanha, colaborando regularmente com jornais como The Spectator, O Independente e Terra Angolana.

Escritor-residente em diversas universidades da Escócia, Sousa Jamba publicou as suas primeiras obras em inglês: Patriots (1990, Patriotas , tradução portuguesa,1991), On the Banks of the Zambezi (1993), A Lonely Devil (1994, Confissão Tropical , tradução portuguesa, 1995).

Imagem: http://www.wook.pt/ficha/patriotas/a/id/95623

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Van Gogh


30/03/1853, Groot-Zundert, Holanda. 29/07/1890, Auvers-sur-Oise, França
Da Redação em São Paulo

A genialidade de Vincent Van Gogh somente foi reconhecida após a sua morte. Em vida, o artista holandês, que passou fome e frio, viveu em barracos e conheceu a miséria, vendeu apenas uma pintura _ "O Vinhedo Vermelho". Em maio de 1990, uma de suas mais conhecidas obras, "O Retrato de Dr. Gachet", pintado um século antes, justamente no ano de sua morte, foi comercializado por US$ 82,5 milhões.

Maior expoente do pós-impressionismo, ao lado de Paul Gauguin e Paul Cézanne, Vicent Willen Van Gogh, foi sempre sustentado pelo irmão Theodorus, com quem trocou mais de 750 correspondências, documentos fundamentais para um estudo mais aprofundado de sua arte. Na sua fase mais produtiva (1880/90), Van Gogh foi completamente ignorado pela crítica e pelos artistas. Atualmente, os seus quadros estão entre os mais caros do mundo.

Na infância, Van Gogh aprendeu inglês, francês e alemão. Mas, com apenas 15 anos, deixou os estudos para trabalhar na loja de um tio, em Haia (Holanda). Com 24 anos, achou que a sua vocação era trabalhar com a evangelização, chegando a estudar teologia, em Amsterdã. Pouco tempo depois, dividiu os seus poucos bens com os pobres e passou a ser sustentado pelo irmão, ao mesmo tempo em que iniciava a carreira profissional como pintor.

Van Gogh, que também morou na França e na Bélgica (onde conviveu com mineiros extremamente pobres), pintou mais de 400 telas _os três anos anteriores à sua morte foram os mais produtivos. Uma mudança fundamental na vida do pintor holandês aconteceu quando Van Gogh trocou Paris por Arles, mais ao sul da França. Na pequena cidade, Van Gogh aluga uma casa e intensifica o seu trabalho, ao lado de Gauguin.

Após um período de ótima convivência, os dois pintores começam a discutir muito e Van Gogh ataca Gauguin com uma navalha em dezembro de 1888. Inconformado com o fracasso do ataque e completamente transtornado, Van Gogh corta o lóbulo de sua orelha esquerda com a própria arma. Em seguida, embrulha o lóbulo e o entrega a uma prostituta. Internado em um hospital, recebe a visita do irmão Theodorus. No começo de janeiro de 1889, Van Gogh deixa o hospital, mas apresenta sinais evidentes de disfunção mental _às vezes, aparenta tranqüilidade, em outras oportunidades, demonstra alucinações.

Internado pelo irmão em um asilo, Van Gogh não deixa de pintar. Por ironia, à medida que a sua saúde fica ainda mais deteriorara, a classe artística começa a reconhecer o seu talento, expondo alguns de seus trabalhos em museus. Quando deixou o asilo, o pintor holandês foi morar nas imediações da casa de seu irmão. Nesta época, pinta, em média, um quadro por dia. Depois de ver os seus problemas mentais serem agravados, Theodorus decide que Van Gogh será tratado pelo médico Paul Gachet. Em maio de 1890, aparentando estar recuperado, Van Gogh passa a morar em Auvers-sur-Oise, a noroeste de Paris, onde pinta freneticamente.

Em julho, uma nova recaída no estado de saúde do pintor holandês, que também demonstra inconformismo com as dificuldades financeiras enfrentadas pelo seu irmão. No dia 27, Van Gogh sai para fazer um passeio e toma uma decisão drástica _atira contra si mesmo, no tórax. Cambaleando, volta para a sua casa, mas não comenta com ninguém que tinha tentado o suicídio. Encontrado por amigos, Van Gogh passa as últimas 48 horas de sua vida, conversando com o seu irmão _os médicos não conseguiram retirar a bala do tórax. No dia 29, pela manhã, o pintor morreu e o seu caixão foi coberto com girassóis, flor que ela amava. Aliás, a tela "Os Girassóis" é uma das obras-primas de Van Gogh.

http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u242.jhtm
Imagem: http://www.wisdom.weizmann.ac.il/

sábado, 25 de julho de 2009

Questões sociais e políticas antes da unificação ortográfica


Manchete - 3-Jul-2009 - 10:48

JB ONLINE

Quem o diz é o escritor moçambicano Mia Couto

Antes da unificação da grafia da língua portuguesa nos países africanos que falam (?) o português, é preciso discutir questões do âmbito social e político, defende Mia Couto para quem a reforma ortográfica não faz sentido.

"Eu não tenho uma posição militante em relação a isso, não dou essa importância. Reconheço que pode haver algumas razões para se fazer uma reforma ortográfica. Eu sou crítico ao discurso que foi feito para justificar o acordo para ficarmos mais próximos, para nos entendermos melhor, isso é mesmo mentira", disse.

Para Mia Couto, os falantes da língua portuguesa já se entendem, "é mentira que tenhamos nos afastado do ponto de vista cultural do conhecimento". E complementa que "nós já nos entendemos, eu sempre li brasileiros sem dificuldade nenhuma".

De acordo com o sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras que está no Rio de Janeiro para o Festival de Teatro da Língua Portuguesa, o que afasta o mundo lusófono são as "opções políticas e estratégias que as elites desses países têm". Se estas questões não forem discutidas, segundo disse à Lusa o escritor moçambicano, "vamos criar um mal entendido pensando que automaticamente, por uma razão técnica, nós vamos chegar a uma maior proximidade".

Mia Couto diz sentir prazer em ler autores brasileiros com "elementos gráficos diferentes para que essa diversidade esteja presente". E refere não ter "medo de uma língua que tenha diversidades com a tradução de marcas culturais e geográficas, não temos que ter medo disso".

Ele afirma-se resistente ao Acordo Ortográfico que no Brasil vigora desde 1 de Janeiro deste ano. Para o escritor, os países pobres de língua portuguesa precisam "resolver uma série de outras coisas antes (da reforma) que não sei se estão a ser discutidas".

"Entendo que em Portugal este assunto foi tido com muito mais nervos e componentes psicológicos" e contrapôs que em Moçambique, um país com mais de 25 línguas africanas, o português é tido como segunda língua. "As pessoas lá são quase sempre multilíngues, pois falam duas ou três línguas africanas."

Com seu livro recém lançado no Brasil "Antes de nascer o mundo", cujo título em Portugal e em Moçambique é "Jesusalém", Mia Couto considera-se antes de tudo um poeta e diz que o que lhe fascina na prosa é o "poder fazer a criação poética, não só em cima da linguagem, mas em cima da narrativa".

"Para mim a poesia não é só um gênero literário, é uma maneira de eu ver o mundo, de eu sentir o mundo", salientou ao destacar que a literatura ainda pode causar encantamento e criar utopias.

"A literatura pode mostrar o gosto de se poder sonhar e se poder construir outros dias. Não é o escritor que desenha um caminho para a saída, mas ele mostra que há um prazer em encontrar um mundo para além desse", declarou.

Após 16 anos de guerra civil com um saldo de um milhão de mortos, Mia Couto se diz céptico, mas que a literatura pode ajudar a cicatrizar as feridas.

"Eu faço arte, literatura, e sou movido por este desejo de ter um compromisso ético de criar uma sociedade nova em Moçambique, um mundo mais justo com mais verdade", explicou.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Jorge Amado



10/8/1912, Itabuna (BA)
6/8/2001, Salvador (BA)
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação
Amado foi eleito para a cadeira número 23 da ABL em 1961

Jorge Amado nasceu na fazenda Auricídia, em Ferradas, município de Itabuna. Filho do "coronel" João Amado de Faria e de Eulália Leal Amado, foi para Ilhéus com apenas um ano e lá passou a infância e descobriu as letras. A adolescência ele viveria em Salvador, no contato com aquela vida popular que marcaria sua obra.

Aos 14 anos, começou a participar da vida literária de Salvador, sendo um dos fundadores da Academia dos Rebeldes, grupo de jovens que (juntamente com os do Arco & Flecha e do Samba) desempenhou importante papel na renovação das letras baianas. Entre 1927 e 1929, foi repórter no "Diário da Bahia", época em que também escreveu na revista literária "A Luva".

Estreou na literatura em 1930, com a publicação (por uma editora carioca) da novela "Lenita", escrita em colaboração com Dias da Costa e Édison Carneiro. Seus primeiros romances foram "O País do Carnaval" (1931), "Cacau" (1933) e "Suor" (1934).

Jorge Amado bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais na Faculdade de Direito no Rio de Janeiro (1935), mas nunca exerceria a profissão de advogado. Em 1939, foi redator-chefe da revista "Dom Casmurro". De 1935 a 1944, escreveu os romances "Jubiabá", "Mar Morto", "Capitães de Areia", "Terras do Sem-Fim" e "São Jorge dos Ilhéus".

Em parte devido ao exílio no regime getulista, Jorge Amado viajou pelo mundo e viveu na Argentina e no Uruguai (1941-2) e, depois, em Paris (1948-50) e em Praga (1951-2).

Voltando para o Brasil durante o segundo conflito mundial, redigiu a seção "Hora da Guerra" no jornal "O Imparcial" (1943-4). Mudando-se para São Paulo, dirigiu o diário Hoje (1945). Anos depois, no Rio, participaria da direção do semanário "Para Todos" (1956-8).

Em 1945, foi eleito deputado federal por São Paulo, tendo participado da Assembléia Constituinte de 1946 (pelo Partido Comunista Brasileiro) e da primeira Câmara Federal posterior ao Estado Novo. Nessa condição, foi responsável por várias leis que beneficiaram a cultura. De 1946 a 1958, escreveria "Seara Vermelha", "Os Subterrâneos da Liberdade" e "Gabriela, Cravo e Canela".

Em abril de 1961, foi eleito para a cadeira número 23 da Academia Brasileira de Letras (sucedendo a Otávio Mangabeira). Na década de 1960, lançou os romances "A Morte e a Morte de Quincas Berro d'Água", "Os Velhos Marinheiros, ou o Capitão de Longo Curso", "Os Pastores da Noite", "Dona Flor e Seus Dois Maridos" e "Tenda dos milagres". Nos anos 1970, viriam "Teresa Batista Cansada de Guerra", "Tieta do Agreste" e "Farda, Fardão, Camisola de Dormir".

Suas obras foram traduzidas para 48 idiomas. Muitas se viram adaptados para o cinema, o teatro, o rádio, a televisão e até as histórias em quadrinhos, não só no Brasil, mas também em Portugal, França, Argentina, Suécia, Alemanha, Polônia, Tchecoslováquia (atual República Tcheca), Itália e EUA. Seus últimos livros foram "Tocaia Grande" (1984), "O Sumiço da Santa" (1988) e "A Descoberta da América pelos Turcos" (1994).

Além de romances, escreveu contos, poesias, biografias, peças, histórias infantis e guias de viagem. Sua esposa, Zélia Gattai, é autora de "Anarquistas, Graças a Deus" (1979), "Um Chapéu Para Viagem" (1982), "Senhora Dona do Baile" (1984), "Jardim de Inverno" (1988), "Pipistrelo das Mil Cores" (1989) e "O Segredo da Rua 18" (1991). O casal teve dois filhos: João Jorge, sociólogo e autor de peças infantis; e Paloma, psicóloga.

Jorge Amado morreu perto de completar 89 anos, em Salvador. A seu pedido, foi cremado, e as cinzas, colocadas ao pé de uma árvore (uma mangueira) em sua casa.
http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u310.jhtm

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Mia Couto


Origem: WIKIPEDIA, a enciclopédia livre.

Mia Couto (Beira, 1955) é um escritor moçambicano. António Emílio Leite Couto foi nominado Mia devido a seu irmãozinho não conseguir dizer "Emílio". Segundo o próprio autor, a utilização deste apelido tem a ver com sua paixão pelos gatos, dizia a seus familiares desde sua infância que queria ser um deles.

Nasceu na Beira, a segunda cidade de Moçambique, em 1955. Ele disse uma vez que não tinha uma "terra-mãe" - tinha uma "água-mãe", referindo-se à tendência daquela cidade baixa e localizada à beira do Oceano Índico para ficar inundada.

Iniciou o curso de Medicina ao mesmo tempo que se iniciava no jornalismo e abandonou aquele curso para se dedicar a tempo inteiro à segunda ocupação. Foi director da Agência de Informação de Moçambique e mais tarde tirou o curso de Biologia, profissão que exerce até agora. Foi recentemente entrevistado pela revista ISTOÉ [1].

Muitos dos seus livros estão traduzidos em alemão, francês, catalão, inglês e italiano.

Poesia
Estreou-se no prelo com um livro de Poesia - Raiz de Orvalho, publicado em 1983. Mas já antes tinha sido antologiado por outro dos grandes poetas moçambicanos, Orlando Mendes (outro biólogo), em 1980, numa edição do Instituto Nacional do Livro e do Disco, resultante duma palestra na Organização Nacional dos Jornalistas (actual Sindicato), intitulada "Sobre Literatura Moçambicana".

Em 1999, a Editorial Caminho (que publica em Portugal as obras de Mia) relançou Raiz de Orvalho e outros poemas que, em 2001 teve sua 3ª edição.

Contos
Depois, estreou-se nos contos e numa nova maneira de falar - ou "falinventar" - português, que continua a ser o seu "ex-libris". Nesta categoria de contos publicou:
Vozes Anoitecidas (1ª ed. da Associação dos Escritores Moçambicanos, em 1986; 1ª ed. Caminho, em 1987; 8ª ed. em 2006; Grande Prémio da Ficção Narrativa em 1990, ex aequo)
Cada Homem é uma Raça (1ª ed. da Caminho em 1990; 9ª ed., 2005)
Estórias Abensonhadas (1ª ed. da Caminho, em 1994; 7ª ed. em 2003)
Contos do Nascer da Terra (1ª ed. da Caminho, em 1997; 5ª ed. em 2002)
Na Berma de Nenhuma Estrada (1ª ed. da Caminho em 1999; 3ª ed. em 2003)
O Fio das Missangas (1ª ed. da Caminho em 2003; 4ª ed. em 2004)

Crónicas
Para além disso, publicou em livros, algumas das suas crónicas, que continuam a ser coluna num dos semanários publicados em Maputo, capital de Moçambique:
Cronicando (1ª ed. em 1988; 1ª ed. da Caminho em 1991; 7ª ed. em 2003; Prémio Nacional de Jornalismo Areosa Pena, em 1989)
O País do Queixa Andar (2003)
Pensatempos. Textos de Opinião (1ª e 2ª ed. da Caminho em 2005)

Romances
E, naturalmente, não deixou de lado a novela, tendo publicado:
Terra Sonâmbula (1ª ed. da Caminho em 1992; 8ª ed. em 2004; Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995; considerado por um juri na Feira Internacional do Zimbabwe, um dos doze melhores livros africanos do século XX)
A Varanda do Frangipani (1ª ed. da Caminho em 1996; 7ª ed. em 2003)
Mar Me Quer (1ª ed. Parque EXPO/NJIRA em 1998, como contribuição para o pavilhão de Moçambique na Exposição Mundial EXPO '98 em Lisboa; 1ª ed. da Caminho em 2000; 8ª ed. em 2004)
Vinte e Zinco (1ª ed. da Caminho em 1999; 2ª ed. em 2004)
O Último Voo do Flamingo (1ª ed. da Caminho em 2000; 4ª ed. em 2004; Prémio Mário António de Ficção)
O Gato e o Escuro, com ilustrações de Danuta Wojciechowska (1ª ed. da Caminho em 2001; 2ª ed. em 2003)
Um Rio Chamado Tempo, uma Casa Chamada Terra (1ª ed. da Caminho em 2002; 3ª ed. em 2004; rodado em filme pelo português José Carlos Oliveira)
A Chuva Pasmada, com ilustrações de Danuta Wojciechowska (1ª ed. da Njira em 2004)
O Outro Pé da Sereia (1ª ed. da Caminho em 2006)
O beijo da palavrinha, com ilustrações de Malangatana (1ª ed. da Língua Geral em 2006)
Venenos de Deus, Remédios do Diabo (2008)

Prémios
1999 - Prémio Vergílio Ferreira, pelo conjunto da sua obra
2007 - Prémio União Latina de Literaturas Românicas
2007 - Prêmio Passo Fundo Zaffari e Bourbon de Literatura, na Jornada Nacional de Literatura

Academia Brasileira de Letras
É sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras, sexto ocupante da cadeira 5, que tem por patrono Dom Francisco de Sousa, eleito em 1998.

terça-feira, 21 de julho de 2009

José Afonso


WIKIPEDIA, a enciclopédia livre.

Monumento em Grândola
Informação geral
Nome completo José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos
Data de nascimento 2 de Agosto de 1929
Origem Aveiro
País Portugal
Data de morte 23 de Fevereiro de 1987
Gêneros Música de intervenção
Página oficial http://www.aja.pt/

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos (Aveiro, 2 de Agosto de 1929 — Setúbal, 23 de Fevereiro de 1987), mais conhecido por José Afonso ou Zeca Afonso, foi um cantor e compositor português.

Não obstante o seu trabalho com o fado de Coimbra e a música tradicional, vulgo folk português, realiza também as célebres actuações no TEP (Teatro Experimental do Porto) com Adriano Correia de Oliveira entre outros. José Afonso ficou indelevelmente associado pelo imaginário coletivo à música de intervenção, através da qual criticava o Estado Novo, regime de ditadura vigente em Portugal entre 1933 e 1974.

Biografia
Foi criado pela tia Gé e pelo tio Xico, numa casa situada no Largo das Cinco Bicas, em Aveiro, até aos 3 anos (1932), altura em que foi viver com os pais e irmãos, que estavam em Angola havia 2 anos.

A relação física com a natureza causou-lhe uma profunda ligação ao continente africano que se reflectirá pela sua vida fora. As trovoadas, os grandes rios atravessados em jangadas, a floresta esconderam-lhe a realidade colonial. Só anos mais tarde saberá o quão amarga é essa sociedade, moldada por influências do apartheid.

Em 1937, volta para Aveiro onde é recebido por tias do lado materno, mas parte no mesmo ano para Moçambique, onde se reencontra com os pais e irmãos em Lourenço Marques (agora Maputo), com quem viverá pela última vez até 1938, data em que vai viver com o tio Filomeno, em Belmonte.

O tio Filomeno era, na altura, presidente da câmara de Belmonte. Lá, completou a instrução primária e viveu o ambiente mais profundo do Salazarismo, de que seu tio era fervoroso admirador. Ele era pró-franquista e pró-hitleriano e levou-o a envergar a farda da Mocidade Portuguesa. «Foi o ano mais desgraçado da minha vida», confidenciou Zeca.

Zeca Afonso vai para Coimbra em 1940 e começa a cantar por volta do quinto ano no Liceu D. João III. Os tradicionalistas reconheciam-no como um bicho que canta bem. Inicia-se em serenatas e canta em «festarolas de aldeia». O fado de Coimbra, lírico e tradicional, era principalmente interpretado por si.

Os meios sociais miseráveis do Porto, no Bairro do Barredo, inspiraram-lhe para a sua balada «Menino do Bairro Negro». Em 1958, José Afonso grava o seu primeiro disco "Baladas de Coimbra". Grava também, mais tarde, "Os Vampiros" que, juntamente com "Trova do Vento que Passa" (um poema de Manuel Alegre, musicado e cantado por Adriano Correia de Oliveira) se torna um dos símbolos de resistência antifascista da época. Foi neste período (1958-1959) professor de Francês e de História na Escola Comercial e Industrial de Alcobaça.

Em 1964, parte novamente para Moçambique, onde foi professor de Liceu, desenvolvendo uma intensa actividade anticolonialista o que lhe começa a causar problemas com a polícia política pela qual será, mais tarde, detido várias vezes.

Quando regressa a Portugal, é colocado como professor em Setúbal, mas, devido ao seu activismo contra o regime, é expulso do ensino e, para sobreviver, dá explicações e grava o seu primeiro álbum, "Baladas e Canções".

Entre 1967 e 1970, Zeca Afonso torna-se um símbolo da resistência democrática. mantém contactos com a LUAR (Liga Unitária de Acção Revolucionária) e o PCP o que lhe custará várias detenções pela PIDE. Continua a cantar e participa, em 1969, no 1º Encontro da "Chanson Portugaise de Combat", em Paris e grava também o LP "Cantares do Andarilho", recebendo o prémio da Casa da Imprensa pelo melhor disco do ano, e o prémio da melhor interpretação. Zeca Afonso passa a ser tratado nos jornais pelo anagrama Esoj Osnofa em virtude de ser alvo de censura.

Em 1971, edita "Cantigas do Maio", no qual surge "Grândola Vila Morena", que será mais tarde imortalizada como um dos símbolos da revolução de Abril. Zeca participa em vários festivais, sendo também publicado um livro sobre ele e lança o LP "Eu vou ser como a toupeira". Em 1973 canta no III Congresso da Oposição Democrática e grava o álbum "Venham mais cinco".

Após a Revolução dos Cravos continua a cantar, grava o LP "Coro dos tribunais" e participa em numerosos "cantos livres". A sua intervenção política não pára, tornou-se um admirador do período do PREC e em 1976 apoia Otelo Saraiva de Carvalho na sua candidatura à presidência da república.

Os seus últimos espectáculos decorreram no Coliseu de Lisboa e do Porto, em 1983, quando Zeca Afonso já se encontrava doente. No final desse mesmo ano, é-lhe atribuída a Ordem da Liberdade, mas o cantor recusa.

Em 1985 é editado o seu último álbum de originais, "Galinhas do Mato", em que, devido ao avançado estado da doença, José Afonso não consegue cantar na totalidade. Devido a isso, o álbum foi completado por: José Mário Branco, Helena Vieira, Fausto e Luís Represas. Em 1986, já em fase terminal da sua doença, apoia a candidatura de Maria de Lourdes Pintasilgo à presidência da república.

José Afonso morreu no dia 23 de Fevereiro de 1987, no Hospital de Setúbal, às 3 horas da madrugada, vítima de esclerose lateral amiotrófica. Será certamente recordado como um resistente que conseguiu trazer a palavra de protesto antifascista para a música popular portuguesa e também pelas suas outras músicas, de que são exemplo as suas baladas.

Em 1994 é feita um CD duplo em homenagem a José Afonso a que se chamou "Filhos da Madrugada Cantam José Afonso". No fim de Junho seguinte, muitas das bandas portuguesas que integraram o projecto, participaram num concerto que teve lugar no então Estádio José de Alvalade, antecessor do actual Estádio Alvalade XXI.

Em 24 de Abril de 1994 a CeDeCe-Companhia de Dança Contemporanea, estreia no Teatro S. Luiz em Lisboa o Bailado Dançar Zeca Afonso com música de José Afonso e coreografia de António Rodrigues, uma encomenda Lisboa94-Capital Europeia da Cultura.

Notas
↑ Assinava os seus discos como José Afonso
↑ Inversão do nome José Afonso
↑ Apesar da recusa por Zeca Afonso, mais tarde, em 1994, é feita nova tentativa e já a título póstumo, mas a sua mulher também recusa, dizendo que, se o marido a não tinha aceitado em vida, não seria depois de morto que a iria receber.
↑ Filhos da Madrugada - Cantam José Afonso - Instituto de Camões

Imagem: José Afonso retratado por Henrique Matos

domingo, 19 de julho de 2009

Ferreira de Castro



Nome: José Maria Ferreira de Castro
Nascimento: 24-5-1898, Oliveira de Azeméis
Morte: 1974, Lisboa

Escritor português, grande precursor do Neo-Realismo em Portugal, nasceu em Oliveira de Azeméis em 1898 e faleceu em 1974. Depois de ter terminado os estudos primários, emigrou para o Brasil, para trabalhar como empregado de armazém no seringal Paraíso, na selva amazónica. Viveu durante alguns anos em Belém do Pará, aí prosseguindo com grandes dificuldades as suas primeiras tentativas literárias e publicando o romance juvenil Criminoso por Ambição. Em 1919, regressa a Portugal, ingressando no jornalismo, colabora com várias publicações; funda a revista A Hora: revista panfleto de arte, actualidades e questões sociais (1922), o jornal O Luso, o grande magazine mensal Civilização (1928-1937); colabora com O Diabo e com O Século e edita as suas primeiras obras.

Entre 1923 e 1927 publica várias novelas - que viria mais tarde a renegar - até, em 1928, ao publicar Emigrantes (história de um pobre aventureiro fracassado) se consagrar como romancista numa ficção onde a pesquisa estética é submetida a ideais humanísticos e sociais. Em 1903 publica A Selva, um dos livros portugueses mais traduzidos em todo o mundo, concebido sob a forma de romance, que foca o drama dos trabalhadores dos seringais na Amazónia e corresponde a uma fase humanista, não excluindo uma objectividade quase fotográfica, com muito de reportagem e de situações vivamente descritas. Com efeito, a publicação de Emigrantes, seguida de A Selva, alcançando um êxito extraordinário, no Brasil e noutros países, apontava, segundo Álvaro Salema, in Ferreira de Castro - A sua vida, a sua personalidade, a sua obra, Lisboa, 1974, "insuspeitadas possibilidades de um realismo novo".

A grande força do fulgurante itinerário romanesco de Ferreira de Castro, segundo o mesmo estudioso, "não era apenas a de um realismo novo, vivido e posto à prova, igualmente, numa experiência pessoal dramaticamente sofrida e na observação franca, corajosa e simples de mundos humanos nunca anteriormente revelados. Não era, somente, a de uma técnica narrativa colhida directamente da verdade existencial, com limitado apport de leituras antecipantes, e servida por um estilo singelo, de expressão clara e imediatamente comunicativa, tão sugestionadora para o leitor de escol que soubesse entendê-las nessa autenticidade como para o homem do povo sem formação prévia de leitor. A força maior da criação literária que Ferreira de Castro vinha desvendar era, afinal, a de uma nova forma de humanismo, representada na ficção romanesca."

Com Terra Fria e A Lã e a Neve, o autor procede a uma nova metodologia de criação romanesca, baseada na observação in loco do meio e problemas sociais que o romance focaliza, num esboço de história natural, onde tenta transmitir um mundo rural miserável, à margem da civilização, protagonizado por gente simples e despecuniada. As dificuldades levantadas pelo regime salazarista à livre expressão do pensamento obrigam, posteriormente, o autor a abandonar o ciclo romanesco que se propusera para se dedicar às impressões de viagem, dedicando-se, entre 1959 e 1963, à publicação de As Maravilhas Artísticas do Mundo ou a Prodigiosa Aventura do Homem Através da Arte. Deste modo, para Álvaro Salema, as obras de Ferreira de Castro inscrevem-se em três grandes categorias: um primeiro ciclo de romances inspirado na "experiência pessoal" e na "observação experimentada", a que correspondem os romances Emigrantes, A Selva, Eternidade, Terra Fria e A Lã e a Neve; os livros de "viajante, empenhado com inteira adesão de vida interior na descoberta e desvendamento da experiência histórica e social da humanidade através das suas expressões multímodas", com Pequenos Mundos e Velhas Civilizações e A Volta ao Mundo; e uma terceira direcção que opera uma "inflexão renovada e renovadora para a análise mais complexa e diversificada dos conflitos interiores em equação com realidades sociais e históricas mais vastas", consubstanciada nos romances A Curva da Estrada, O Instinto Supremo e A Missão (id. Ibi., p. 40).

Recebendo homenagens literárias em vários países e vendo os seus livros traduzidos em várias línguas, Ferreira de Castro assistiria ao culminar do reconhecimento da sua obra com uma vibrante celebração do seu cinquentenário de vida literária, em Portugal e no Brasil, e com, após a publicação de O Instinto Supremo, em 1968, a apresentação pela União Brasileira de Escritores da candidatura conjunta de Ferreira de Castro e de Jorge Amado ao Prémio Nobel de Literatura. Esta adesão à obra de Ferreira de Castro é indissociável da admiração que grande número de leitores votou à atitude de inflexível resistência do escritor, à sua determinação de não compactuar de qualquer modo com o regime, postura manifestada, por exemplo, na decisão de não colaborar com a imprensa portuguesa enquanto vigorasse o regime de censura, no facto de não permitir que nenhuma obra sua fosse adaptada a um cinema financiado pelo Estado ou na adesão a movimentos democráticos. Recebeu, entre outras distinções, o Prémio Internacional Águia de Ouro do Festival do Livro de Nice e foi eleito, em 1962, presidente da Direcção da Sociedade Portuguesa de Escritores.

Bibliografia: Mas..., s/l, 1921; O Êxito Fácil, s/l, 1923; Sangue Negro, Lisboa, 1923; A Metamorfose: Novela Contemporânea, s/l, 1924; Lendas de Lirismo e de Amor, Lisboa, 1925; A Epopeia do Trabalho, Lisboa, 1926; A Peregrina do Mundo Novo, Lisboa, 1926; O Voo nas Trevas: novelas, Porto, 1927; A Casa dos Móveis Dourados, Lisboa, 1927; Emigrantes, Lisboa, 1928; A Selva, Rio de Janeiro, 1930; Eternidade, Lisboa, 1933; Terra Fria, Lisboa, 1934; Eternidade, ed. corrigida, s/l, 1935; Pequenos Mundos e Velhas Civilizações, Lisboa, 1937; A Tempestade, Lisboa, 1940; A Volta ao Mundo, Lisboa, 1942; A Curva da Estrada, Lisboa, 1950; As Maravilhas Artísticas do Mundo ou a Prodigiosa Aventura do Homem Através da Arte, Lisboa, 1959-1963; A Lã e a Neve, Rio de Janeiro, 1954; O Instinto Supremo, Lisboa, 1968; Os Fragmentos, Lisboa, 1974; Correspondência: 1922-1969, Lisboa, 1994

Como referenciar este artigo:
Ferreira de Castro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-06-30].
Disponível na www: http://www.infopedia.pt/$ferreira-de-castro>.
Foto: http://ferreiradecastro.blogspot.com/

sábado, 18 de julho de 2009

José da Silva Maia Ferreira


Remetente Maria Cristina Damazio cdamazio@esoterica.pt

JOSÉ DA SILVA MAIA FERREIRA (Benguela, Angola, séc.XIX - Angola, séc.XX). Tendo estudado na cidade de Lisboa, possívelmente obteve instrução superior à primária. Amanuense da Secretaria do Governo Geral de Angola, tesoureiro da alfândega de Benguela, oficial da Secretaria do Governo de Benguela. Candidato às eleições para senadores e deputados, realizadas em 1839. Colaboração no Almanach de Lembranças, Lisboa, 1879.
Publicou, pelo menos: Espontaneidades da minha alma / As senhoras africanas, Luanda, 1849.


BENGUELINHA !

Passarinho primoroso
E gentil, plumeo cantor,
Que d'aromas tão fragrantes
Não esparzes com candor,
Quando trinas mavioso
Nesse insolito rigor
De um sol forte e constante
Suaves cantos d'amor?!

Ás vezes contemplo
Do dia no albor,
Sentir o rigor
De escravo viver;

Suspiras e gemes
Em cantos d'amor,
Ah! sê meu primor
Não queiras morrer!

Anhélas no mato
Andar pelas fragas,
Viver só de bagas,
Nos ramos dormir?

Esvoaça saltando
Na tua prisão
Ai! Tem compaixão
Não vive a carpir!

Infiltra bondoso
No meu coração
O doce condão -
Do meigo trinar;

Que juro contigo
Do muito viver
Comtigo morrer,
Comtigo findar!

E as azas abrindo
O plumeo cantor,
As juras d'amor,
Ouvio a sorrir -

Em magos acentos
Endeixas trinou,
Que d'alma exalou,
Que d'alma sentiu! -



À MINHA TERRA !

(No momento de avista-la depois de uma viagem.)


De leite o mar - lá desponta
Entre as vagas susurrando
A terra em que scismando
Vejo ao longe branquejar!
É baça e proeminente,
Tem d'Africa o sol ardente,
Que sobre a areia fervente
Vem-me a mente acalentar.

Debaixo do fogo intenso,
Onde só brilha formosa,
Sinto n'alma fervorosa
O desejo de a abraçar:
É a minha terra querida,
Toda d'alma, - toda - vida, -
Qu'entre gozos foi fruida
Sem temores, nem pesar.

Bem vinda sejas ó terra,
Minha terra primorosa,
Despe as galas - que vaidosa
Ante mim queres mostrar:
Mesmo simples teus fulgores,
Os teus montes tem primores,
Que às vezes falam de amores
A quem os sabe adorar!

Navega pois, meu madeiro
Nestas aguas d'esmeraldas,
Vai junto do monte ás faldas
Nessas praias a brilhar!
Vae mirar a natureza,
Da minha terra a belleza,
Que é singella, e sem fereza
Nesses plainos d'alem-mar!

De leite o mar, - eis desponta
Lá na extrema do horizonte,
Entre as vagas - alto monte
Da minha terra natal;
É pobre, - mas tão formosa
Em alcantis primorosa,
Quando brilha radiosa,
No mundo não tem igual!

http://www.jornaldepoesia.jor.br/1jsilva.html

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Barack Obama 'esse negrito'


Ministro que chamou Obama de 'negrito' deixa governo em Honduras

REUTERS JB ONLINE

TEGUCIGALPA – O ministro de Governança e ex-chanceler do governo interino de Honduras, que se referiu ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, como 'esse negrito', deixou o governo interino na terça-feira alegando pressões dos Estados Unidos.

A porta-voz da embaixada dos EUA em Tegucigalpa, Chantal Dalton, negou as pressões sobre as autoridades que assumiram o país após o golpe de Estado, acrescentando que seu país não mantém contato com um governo que não reconhece.

Enrique Ortez renunciou na semana passada ao cargo de ministro das Relações Exteriores depois de seus comentários sobre Obama, e foi nomeado ministro de Governança e Justiça.

Ortez disse em comunicado que se demitiu por 'pressões da embaixada dos Estados Unidos da América ante nosso povo e governo, direta e indiretamente, junto a certos países da Alba', numa referência ao bloco de países esquerdistas liderado pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez.

O presidente interino, Roberto Micheletti, aceitou a renúncia de Ortez.

A derrubada do presidente Manuel Zelaya por militares em 28 de junho recebeu uma ampla condenação internacional, incluindo a dos Estados Unidos, que nesta semana suspenderam os programas de ajuda militar a Honduras e ameaçaram cancelar outros fundos de ajuda ao país num volume de até 180 milhões de dólares.

10:44 - 15/07/2009

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Maria João Pires renuncia à nacionalidade portuguesa


Pianista zangada com autoridades governamentais
03.07.2009 - 09h13 Margarida Gomes

PÚBLICO ÚLTIMA HORA

A pianista Maria João Pires vai renunciar à nacionalidade portuguesa, tornando-se aos 65 anos cidadã brasileira. A notícia é avançada pela Antena 2 da RDP, que adianta que a pianista se fartou “dos coices e pontapés que tem recebido do Governo português".

Decepcionada com o modo como tem sido tratada a nível governamental, sobretudo no seu projecto de ensino artístico de Belgais (Castelo Branco), Maria João Pires, que tinha dupla nacionalidade, decidiu agora ficar apenas com a brasileira.

Em Junho de 2006, Maria João Pires abandonou o Projecto Educativo de Belgais, que desenvolveu no concelho de Castelo Branco, e decidiu ir viver para o Brasil, onde pediu autorização de residência. A pianista está a viver em Salvador, no Estado da Bahia, e vai dedicar-se à hotelaria.

A decisão de renunciar à cidadania portuguesa foi revelada ontem pessoalmente pela pianista ao jornalista da Antena 2 Paulo Alves Guerra, numa conversa que os dois tiveram num centro comercial de Lisboa.

“Encontrei-a casualmente no Centro Comercial das Amoreiras. Maria João Pires andava às compras e ao ver-me acenou-me. Fui ter com ela e no desenrolar da conversa disse-me que ia renunciar à cidadania portuguesa”, relatou ao PÚBLICO o jornalista.

Paulo Alves Guerra advertiu-a de que estava a falar com um jornalista, ao que ela respondeu que podia utilizar a informação como quisesse. Só não permitiu que as suas declarações fossem gravadas.

Maria João Pires não pretenderá fazer mais declarações em Portugal. Daqui para a frente a sua vida vai passar a ser feita entre Portugal, Suíça e Brasil.

A pianista tem recebido telefonemas de vários organismos governamentais de Espanha e do Brasil a convidarem-na para se instalar definitivamente nesses países, mas o convite feito pelas autoridades brasileiras terá sido muito sedutor, levando a pianista a optar por se mudar de armas e bagagens para o outro lado do Atlântico.

Nascida a 23 de Julho de 1944, Maria João Pires aprendeu muito cedo a tocar piano: aos cinco anos deu o seu primeiro recital e aos sete anos tocou publicamente concertos de Mozart.

Com nove anos recebeu o prémio da Juventude Musical. Torna-se reconhecida internacionalmente ao vencer o concurso internacional do bicentenário de Beethoven, em 1970, realizado em Bruxelas.

Maria João Pires renunciou à cidadania portuguesa mas não aos concertos em Portugal, estando igualmente a preparar um novo disco.
Publico
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terça-feira, 7 de julho de 2009

Fernando Namora (1919-1989)



Fernando Gonçalves Namora, de seu nome completo, era filho de António Mendes Namora e Albertina Gonçalves Namora. Nasceu em Condeixa, no dia 15 de Abril de 1919 e faleceu aos 69 anos de idade, no dia 31 de Janeiro de 1989. A infância, a juventude e a adolescência passou-as, no entanto, no nosso concelho, mais concretamente no Vale Florido (freguesia do Alvorge).
Muito do texto literário produzido, tem as marcas desse tempo em que formou a sua personalidade e granjeou os instrumentos inspirativos para uma obra monumental, que todo o mundo culto conhece e admira.
A sua obra, em termos de correntes literárias, evoluiu no sentido dum amadurecimento estético do “neo-realismo”, o que o levou a enveredar por caminho mais pessoal. Não desprezando a análise social, a sua prosa ficou marcada, sobretudo, pelos aspectos do burlesco, observações naturalistas e algum existencialismo.
O nosso biografado foi, sem dúvida, um escritor dotado de uma profunda capacidade de análise psicológica, própria de uma pessoa bem formada e muito sensível, e por isso capaz duma linguagem de grande carga poética. Escreveu poesia, romances, contos, memórias e impressões de viagem.
O poema “Terra” (que, a seguir, se transcreve) é apenas um exemplo, dos muitos que se poderiam apresentar, de alguém que viveu nestas paragens, conheceu bem as suas gentes, os seus modos de vida, os interrogou e reflectiu.



«Terra

Onde ficava o mundo?
Só pinhais, matos, charnecas e milho
para a fome dos olhos.
Para lá da serra, o azul de outra serra e outra serra ainda.
E o mar? E a cidade? E os Rios?
Caminhos de pedra, sulcados, curtos e estreitos,
onde chiam carros de bois e há poças de chuva.
Onde ficava o mundo?
Nem a alma sabia julgar.
Mas vieram engenheiros e máquinas estranhas.
Em cada dia o povo abraçava outro povo.
E hoje a terra é livre e fácil como o céu das aves:
a estrada branca e menina é uma serpente ondulada
e dela nasce a sede da fuga como as águas dum rio.»

Como outros jovens da região que estudavam frequentou o Liceu e a Universidade em Coimbra

Como alguns dos jovens de famílias mais abastadas desta região, Fernando Namora, aos 16 anos, já estava em Coimbra a estudar no Liceu José Falcão. Logo aí o jeito para a escrita se manifestou, tornando-se o Director do jornal académico Alvorada e escrevendo o seu primeiro livro, Almas sem rumo.
A partir de então, às tarefas ligadas aos estudos, juntou as de escritor e nunca mais parou.
Aos 19 anos de idade edita o seu primeiro livro de poemas, Relevos. Nesse mesmo ano, com o romance As sete partidas do mundo, ganha o prémio Almeida Garrett. A qualidade da sua escrita, ainda tão novo, é de imediato reconhecida e, ainda no mesmo ano de 1938, obtém o prémio Mestre António Augusto Gonçalves, de artes plásticas.
Dois anos mais tarde publica o livro de poemas Mar de Sargaços.
Em 1941, o seu livro de poemas “Terra” é integrado no “Novo Cancioneiro”.
No ano seguinte, Fernando Namora conclui a licenciatura em Medicina e abre consultório em Condeixa. Nesse mesmo ano, sai o romance Fogo na Noite Escura, editado pela colecção “Novos Prosadores”.
Um ano depois (1943) exerce a sua profissão de médico em Tinalhas, (Castelo Branco), onde escreverá a novela Casa da Malta (que só publicaria dois anos mais tarde). Nessa obra vêm ao de cima muitas recordações da casa de seus pais, como ele próprio confessa dois anos antes de morrer.
Efectivamente, dois anos antes do seu desaparecimento físico, o Jornal das Letras (de 5 de Janeiro de 1987) lembra a ilustre figura do nosso biografado. E o excerto, que a seguir transcrevemos, são mesmo as palavras de Fernando Namora, aos 67 anos, lembrando bem os tempos passados no nosso concelho e como influenciaram profundamente a sua obra literária.

O concelho de Ansião, e particularmente o Alvorge, pode ufanar-se do ilustre nome de Fernando Namora
«Às vezes persiste só um odor: resinas, urze, o chamuscar do porco na bárbara matança ritual…»
«(…) A adolescência melancólica, a juventude dramatizada. Mas os anos longínquos quase se me esvaziaram. Talvez tivesse precisado de os esquecer. Às vezes persiste só um odor: resinas, urze, o chamuscar do porco na bárbara matança ritual, os refugados impregnado quanta vizinhança havia, à hora da ceia – a ceia do par de velhos cujo conduto para a broa era uma cebola apurada na frigideira.
Tudo cheiros medulares e sugestivos. Às vezes um som: o vento nas ramarias, os sinos perdidos na charneca, os estalidos da madeira do tecto, o estrondo no castanheiro do fundo do quintal naquela noite de raios e coriscos, o piar nocturno de uma ave. Tudo sons que davam mistério às coisas. Às vezes uma imagem desgarrada, sobressaindo absurdamente na opacidade do tempo: uma certa viga ou uma certa fasquia do crescer vagaroso da casa dos meus pais, uma casa que era para eles um desagravo quase passional (aldeia de Vale Florido, nas bandas de Ansião, personagem de muitos dos meus poemas e de umas tantas páginas da Casa da Malta), os três moinhos no cabeço das Degracias, três exílios, três vigias sobre o mato ralo que nem às cabras metia cobiça.
Um cerro mais adiante, nos orvalhos matutinos, já havia sinais desse fabuloso “mar de água” com que a mulher adúltera da aldeia, mulher viajada, mulher sabida, nos desassossegava a imaginação, tanto como nos uivos distantes havia os pressentimentos de comboios, também eles fabulosos, salvo para os aldeões emigrantes que iam às vindimas à Bairrada. Imagens desgarradas, sim, mas imperecíveis: os formigueiros em pânico na rua da vinha, minha curiosidade insaciada, súbito um pastor e o seu cão no meu vadiar solitário, súbito a contadora de enredos nas descamisadas do estio (a arte das ficções foi ela quem primeiro mas incutiu), uma galinha degolada mas nela a morte correndo viva até à fulminação repentina junto do muro da eira (quanto o horror, qualquer horror, me queima de profunda desventura), súbito umas luvas brancas no dia da primeira comunhão e o castigo aplicado com método e deleite, por tê-las sujado de chocolate na merenda tradicionalmente oferecida pelos “Senhores do Palácio” – a vila era feudal!
… Eu passava na aldeia os meses de Verão. A bem dizer, tinha por companheiro o mestre Paulo. Não se fazia uso desse trato de “mestre”, mas depois no Alentejo, aprendi-lhe a expressiva adequação. Mestre Paulo, ele sozinho sem ajudantes, foi o obreiro, quanto a carpintarias, da tal casa de meus pais. Todo o madeirame que por lá se vê teve o afago das suas mãos, anos e anos de idas e vindas do longe onde morava até Vale Florido…
Além de mestre Paulo, a velha Florinda, já a atrás referida mas não nomeada. Chamavam-lhe a “russa”: os seus cabelos, como os da minha avó eram só neve. Sem parentela, um rebanho de quatro cabeças, nos montes baldios a ia procurar para lhe ouvir estórias de espanto. A realidade da aldeia, homens e bichos, nada eram ou eram ilusão: o real estava na fantasia de quem dela se quisesse servir. Rima a rima, Ti Florinda ensinou-me romances versejados, deu-me motes para a minha inventiva assim instigada. Fiquei sempre duvidoso da sua morte: quando menos se esperasse, ela iria repetir as ressuscitações dos seus heróis prodigiosos.
Com o tempo e o desaparecimento das pessoas acentuou-se o meu pendor para a solitude. Errava pelos montes, observando os moleiros e os pastores, decorava livros inteiros de poesia, recitando-os para mim próprio no quarto que dava para a rua da vinha».
«Também minha mãe foi, a seu modo, artista – e grande. “Pintava” belos painéis com rendas e trapos»

Numa entrevista concedida a Cunca de Almeida, em 1 de Março de 1985, Fernando Namora, a respeito dos seus tempos de Ansião, respondia assim:
«- Passei boa parte da infância e da adolescência em Vale Florido, na freguesia do Alvorge. Em “Nome para uma Casa” falo muito desses sítios, como já falara em “As Frias Madrugadas”. Eram ali as minhas férias. E no Alvorge exerceu a sua profissão de boticário um dos meus tios, Antero Mendes Namora, que foi a personagem fabulosa da minha juventude, homem de uma só peça, amante da música e da natureza, profissional de rara competência. Cada uma das suas cartas ou escritos eram peças literárias de alta craveira.
Também minha mãe foi, a seu modo, artista – e grande. “Pintava” belos painéis com rendas e trapos. Cada uma das suas colchas, de uma modernidade surpreendente, teria lugar em qualquer museu».
Como sua mãe, também Fernando Namora tinha algum jeito para as artes plásticas, embora não tenha desenvolvido grandemente esse seu dom.
Só se conhece uma única exposição individual de pintura, de Fernando Namora. Tê-la-á realizado em 1944, em Castelo Branco.
Em Outubro do mesmo ano, o Dr. Fernando Namora muda-se para Monsanto da Beira. Em 1945, publica a novela Casa da Malta.
Em 1946 passa a exercer o cargo de médico municipal de Pavia, no Alentejo. É nesse ano que publica o romance Minas de San Francisco, que no ano anterior, havia escrito em Monsanto.
Três anos mais tarde, vem a lume a primeira série da famosa e mediática obra Retalhos da Vida de um Médico, que obterá o Prémio Vértice. A adaptação desta obra a uma série televisiva e a sua edição espanhola, prefaciada por Gregório Marañon, dão-lhe projecção internacional.

Na sua obra passa em revista a nossa própria realidade humana, social e cultural

Em Retalhos da Vida de um Médico como em muitos outros textos, Fernando Namora passa em revista a nossa própria realidade humana, social e cultural. «Confronta-a com a de outros países, anotando em pormenor os aspectos que uma atenta e lúcida observação não deixa escapar: seja o quotidiano lisboeta, fixado em pormenores que sempre se ligam a um entendimento do mundo à sua volta, seja em redor das paisagens e gentes alentejanas (e muito belas se revelam as páginas de evocação de Castelo de Vide, Marvão, Portalegre ou Monsaraz), ou mesmo para falar dos problemas e questões levantadas sobre a literatura ou a crítica, enfim, a cultura no sentido mais universal, no diálogo vivo com intelectuais de outros quadrantes, o que se afirma nas páginas de Sentados na Relva é ainda (e sempre) uma visão realista de pretender dar do mundo e dos homens que se cruzam no seu caminho, no entusiasmo das ideias e das paixões mais sinceras, o retrato mais exacto e preciso nos contornos ou sentimentos que extravasam desse inalterável? discurso? literário. E por aí Fernando Namora se declara sempre implacável».

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Foto: Em Monsanto com a sua mulher no ano de 1945