terça-feira, 22 de setembro de 2009

António de Oliveira Salazar. Mulher, família, filhos?


Apenas deixo que uns tantos roubem para que melhor me sirvam.
Político e estadista: 1889 - 1970

Fernando Correia da Silva

Tanto, que depois privatizei a política da acção cultural. Sem encargos para o Estado, Azeredo Perdigão, o mecenas vermelhusco, com a sua Fundação Gulbenkian é que passou a ser o meu Ministro da Cultura. Mas disto ele não sabe, nem sequer suspeita. Contudo o Ferro, às vezes, até descobria coisas com interesse. Foi ele quem achou a minha imagem nos painéis de S. Vicente. Num lado o Infante de Sagres e eu no outro. Dois homens de gabinete. Um, a mandar as caravelas à descoberta do mundo. Outro, que é pobre, filho de pobres, a mandar Portugal seguir em frente.

Mulher, família, filhos?

Os povos antigos, ou são tristes ou são cínicos; a nós, portugueses, coube ser tristes. É frase lapidar e assim descarto o cinismo que me assacam. Somos povo sorumbático mas, espicaçados, em heróis nos convertemos. Somos povo fincado à terra mas, espicaçados, metemo-nos a caminho e damos novos mundos ao mundo. Amália Rodrigues anda lá por fora a promover a tristeza que será nossa. Não gosto de fados mas a tristeza dá-me jeito. Sejam tristes, não me aborreçam, eu é que sei o que é bom para todos, eu é que sei quando devo espicaçar.

Aos fins de semana as minhas afilhadas chegam a meter em S. Bento uma dúzia de amigas e colegas. É um bando de raparigas a palrar de manhã até à noite. Isto, realmente, não é tristeza, mas algazarra que eu suporto, aliás a única. Verdes meninas a chilrear, deleite meu...

As minhas afilhadas... Nas férias mandei a mais velha visitar a mãe. E ela foi, mas não correu bem o reencontro, quem me contou foi a Maria. A rapariga perguntou à mãe por que motivo é que a filha de uma simples rural vivia em Lisboa com o Presidente do Conselho. Perguntou mais:
- Senhora, quem é afinal o meu pai?
E a mãe não soube o que responder, baixou os olhos, corou. Tola, foi sempre tola... Não posso perder tempo com estas coisas, importante é a incumbência que Deus me deu.

Mulher, família, filhos? Julia Perestrelo, a fidalguinha, não aceitou a minha corte. Embora sendo eu estudante já com prestígio, continuava a ser ainda, e apenas, o filho do feitor de uma herdade da família. Quando me arrimei à Julia, a sua mãe, que é também minha madrinha, apontou-me o dedo:
- Não esqueça os tamancos do seu pai.

Pôs-me no meu lugar, pobre, filho de pobres. Mas se a fidalguinha não quis, ou não pôde querer, outras quiseram, outras querem. Cada vez eu sonho mais com as mulheres da minha vida: Felismina, a potrazinha de Viseu; Maria Laura, mulher do próximo e eu a cobiçá-la, pecador me confesso; Carmen Lara, a espanhola; Carolina, a viúva aristocrata, essa quase me leva ao matrimónio, os monárquicos queriam muito, travei a tempo; e Christine, a francesinha, vendaval de simpatia, sedução; e tantas outras... Ainda hoje, muitas delas, vêm ao castigo em S. Bento, até viscondessas e marquesas. Ali mesmo no jardim, moita frondosa, fidalgas e um pobre, filho de pobres, a revidar...

Deus isentou-me da paternidade porque me reservou para missão maior. Ainda bem, prefiro o respeito ao amor. Mas um homem tem as suas necessidades e fidalgas não há sempre ao meu dispor. O que é preciso é compostura. Algumas vezes, a meio da noite, Manuel, o meu guarda-costas de confiança, leva-me a um certo clube só para cavalheiros da alta, fica ali no Largo do Andaluz. Sem outras testemunhas, num quarto há sempre uma mulher nova e bonita à minha espera, muito asseada, primeira apanha. Talvez enfermeira, ou telefonista, ou costureira, coitaditas... Nada pergunto, apenas me sirvo. Tudo muito discreto, tudo pela surda. Já dizia S. Tomás de Aquino: se não podes ser casto, sê cauto ao menos.

Maria

Maria fica enciumada com as cenas do jardim, sou eu a sua paixão secreta. Sei disso, mas não o demonstro, avassalo. Não se lamenta, não abre a boca, virgem fiel, fidelíssima, sempre à espera de quem se nega a desvirgá-la. Está comigo desde a "República dos Grilos", em Coimbra, onde já era a governanta. Fala-me é das serras e da neve, da Primavera a romper, do gado, do milho a desfolhar, das eiras, das alfaias e da lavoura. Também se queixa das criadas lerdas no casarão de S. Bento, e das vendedeiras do mercado que tentam roubá-la nos preços, que a cidade não tem emenda, é só ladrões. Gosto de ouvi-la, entretém-me. Está sempre a vigiar quem me visita, cão de guarda. Um dia aponto-lhe os Ministros que acabam de sair do meu gabinete e digo-lhe que eles deviam era estar na cadeia. Pergunta-me por que não os mando então prender. Respondo que não vale a pena, pois já roubaram tudo o que tinham para roubar. Ela sabe que roubar, eu cá não roubo. Apenas deixo que uns tantos roubem para que melhor me sirvam. Mas isto a Maria não pode entender, é muito ignorante.

Imagem: Tomada de posse de Salazar http://www.tcontas.pt/imagens/expo_vr/salazar_tomada_de_posse.jpg

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Zorro


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Dados sobre publicação
Publicado por Zorro Productions, Inc.
Primeira aparição All-Story Weekly (1919)
Criado por Johnston McCulley
Características do personagem
Alter ego = Don Diego de la Vega (original, em diferentes versões, existem diferentes sucessores)
Ocupação Hidalgo
Parceria Bernardo (criado)
Base de operações Caverna do Zorro
Parentesco Dom Alejandro De La Vega (Pai)
Habilidades Excelente atleta, cavaleiro, espadachim, atirador e Combate corpo a corpo

Zorro é um personagem de ficção, criado pelo escritor Johnston McCulley. Ele é apresentado como o alter-ego de Don Diego De La Vega, um jovem membro da aristocracia californiana, no período em que a região era colônia espanhola (até meados do século XIX).
Após longo período de educação na Europa, Diego retorna à Califórnia e passa a defender os "fracos e oprimidos", sob uma máscara e uma capa negra, empunhando uma espada e cavalgando um cavalo igualmente negro de nome "Tornado". Sem o disfarce, ele simula ser um homem que se acovarda diante de situações de perigo.

A figura passaria a ser chamada de "Zorro" pela população, porque seus movimentos e sagacidade lembrariam uma raposa (a tradução em português da palavra espanhola "zorro"). O próprio personagem adota a letra "Z" como sua assinatura (através de três linhas cruzadas), marcando-a com sua espada em paredes e nas roupas de seus inimigos, como sinal de sua passagem.

Johnston McCulley teria se inspirado em personagens históricos da América Latina, tradicionalmente ligados a movimentos conhecidos como "banditismo social", e destacadamente nas figura de Joaquin Murietta (que teria inspirado o sobrenome da mais recente representação cinematográfica de Zorro, Alejandro Murietta) e Salomon Maria Pico e em heróis da ficção que se disfarçavam através de capuzes: Scaramouche e Pimpinela Escarlate.

Zorro tem sido apresentado em mídias diversas e em diferentes caracterizações, em versões nem sempre correspondentes à original. Por este motivo, o personagem é considerado um ícone menor da cultura pop, aparecendo no cinema, em programas de televisão e em histórias em quadrinhos. Zorro também pode ser considerado como um herói "capa-e-espada", ou seja, um representante de um gênero menor da ficção norte-americana conhecida como Swashbuckler.

Versão em quadrinhos
As histórias de Zorro foram adaptadas aos quadrinhos em versões várias e em momentos diversos nos EUA, ainda que sua difusão internacional tenha se dado predominantemente pela televisão e pelo cinema.

No Brasil
Na década de 1970, duas editoras brasileiras publicaram as histórias do Zorro em História em Quadrinhos. A primeira foi a Editora Abril, que publicou as histórias criadas por Walt Disney (visto que a editora brasileira detinha os direitos de publicação de todos os personagens Disney e Zorro era um deles) com base em sua série de TV, estrelada por Guy Williams. O slogan da capa era "Zorro, o verdadeiro", de Walt Disney, assemelhando os contos a sua televisiva série. alguns números tinham roteiros de Primaggio Mantovi desenhos de Rodolfo Zalla.[1] A outra foi a Editora Brasil e América (conhecida como EBAL), do Rio de Janeiro, através de um acordo com a Societé Française de Presse Illustrée. Embora as histórias lembrassem a série de TV (havia o Sargento Garcia, mas menos bobo e ingênuo, e mais corajoso; e Bernardo, o criado de Don Diego de La Vega/Zorro, não era surdo-mudo, e falava), o tom das intrigas eram de um teor mais adulto, e muitas vezes, dava-se a impressão de ver um filme tenso e dramático de Capa & Espada aos moldes europeus, ou ler um conto de Alexandre Dumas. Os traços dos personagens já eram mais rústicos,desenhados por J.Pape.

Para não haver confusão, a EBAL publicava na capa Zorro Capa & Espada, para diferenciar do "Zorro" caubói (verdadeiramente conhecido como The Lone Ranger, ou "Cavaleiro Solitário"), que a editora também publicava na mesma época. Em meados dos anos de 1980, a EBAL encerrou suas publicações.

Em 2006, no Brasil, a editora Panini Comics publicou a minissérie Fugitivos em 4 revistas mensais com o título de capa Zorro, originalmente publicada pela Zorro Productions. A história mostra Zorro e uma mulher chamada Eulália que vagam por diferentes lugares. Eles ajudam pessoas que encontram em seu caminho, fogem do Comandante Enrique Monastério, e formam uma relação amorosa.

Em 2007 a Telemundo em parceira com a Sony,criou a primeira telenovela do Zorro:"Zorro la espada y la rosa"baseada no livro "Comieza a lenda" de Isabel Allende,exibida no Brasil pela Rede Record de Televisão. A novela é uma obra primorosa e conta com atores de várias nacionalidades entre eles mexicanos,argentinos,venezuelanos,colombianos,entre outros... A telenovela se passa nos anos 1800 no México, na Espanha e na Califórnia dos dias de hoje. Na história, o cruel governador Fernando Sanches de Moncada arranja o casamento de uma de suas filhas, Esmeralda, uma moça rebelde que sempre sonha com um amor verdadeiro. Ela irá se casar com o inescrupuloso Ricardo Montero, comandante da Guarda de Los Angeles. Mas Esmeralda gosta mesmo é do charmoso Diego, o único filho de Alejandro de La Vega, um poderoso fazendeiro. Diego é tido por todos como covarde e irresponsável. Mas essa é apenas uma artimanha para esconder sua verdadeira personalidade: um justiceiro mascarado que usa sua espada em defesa dos mais fracos, capaz de arriscar seu grande segredo pelo amor de uma mulher. zorro e intrepertado por antonio banderas no filme.

Curiosidades
No conto original de McCulley não existe originalmente a marca do "Z". Além disso, o nome do personagem Sargento Garcia (consagrado na versão de Zorro produzida pelos estúdios Disney para a televisão) é Gonzáles e no último capítulo intitulado "Que bobagem", o herói revela sua identidade.[2]
Douglas Fairbanks foi o primeiro a interpretar Zorro no cinema, responsável por inaugurar as características que a partir de então identificariam o personagem: (a espada, o chicote, a máscara e a sua famosa marca "Z"). Os filmes, do cinema mudo, foram: A Marca do Zorro (1920) e O Filho do Zorro (1925).
Antonio Banderas disse que faria o herói porque era fã da serie com Guy Williams[carece de fontes].
A produção original foi refilmada com Tyrone Power em 1940 e para a televisão, com Frank Langella, em 1974. Entre 1951 e 1974, vários filmes foram realizados na Europa - o melhor foi "Zorro" de 1975, com Alain Delon. Em 1981, George Hamilton protagonizou a sátira "As Duas Faces de Zorro". Em 1998, Steven Spielberg produziu a superprodução "A Máscara do Zorro", longa-metragem com a brilhante direção do diretor Martin Campbell ("007 Contra Goldeneye"), protagonizada pelos astros Antonio Banderas, Catherine Zeta Jones e Anthony Hopkins. E em 2005 foi feita a continuação com o título A lenda do Zorro[carece de fontes].
Em 1937, os estúdios Republic Pictures lançaram o herói em um seriado com episódios de 20 minutos, exibidos semanalmente nos cinemas. Nos cinco anos seguintes, foram realizados outros quatro seriados, com destaque para "A Legião do Zorro", de 1939.
Entre 1981 e 1983, os estúdios Filmation produziram a primeira série animada do personagem, As Novas Aventuras de Zorro. Já a Warner Bros., atualizou a fórmula com novas técnicas de animação e cores vibrantes e produziu, em 1997, outra versão animada.
Em 1958, a Walt Disney lançaria a versão mais famosa de Zorro: a série com Guy Williams Por vários fatores, quase que o projeto não acontece. Mas por ironia do destino, ainda em 1957, quando Walt Disney montava a sua Disneylândia, as negociações com a Rede ABC foram fechadas e no ano seguinte, Zorro entrava no ar.
No Brasil, errôneamente, o personagem Lone Ranger (cavaleiro solitário) foi rebatizado de Zorro quando exibido na TV e no cinema, criando uma grande confusão no país sobre quem era o verdadeiro Zorro. Mas, tirando a máscara, o Cavaleiro Solitário possui poucas semelhanças com o real Zorro - o cenário é os Estados Unidos, nos tempos dos vaqueiros ("cowboys") que lutavam contra os donos originais da terra, os índios. Aliás, o fiel companheiro e amigo do Zorro, que monta no cavalo que atende pelo nome de Silver ("prata", em inglês) é o índio Tonto.
Um outro clone do Zorro - desta vez criado por um espanhol - chamado El Coyote fez muito sucesso no Brasil em uma série de livros de bolso. O sucesso foi tão grande que abriu o mercado para os livros de bolso de Western no país, mercado que durou com força até meados da década de 1990. "El Coyote" é muito semelhante ao Zorro, mas age na California do século XIX, quando a região deixou de ser mexicana para se tornar estadunidense.
Zorro já foi interpretado por uma atriz chamada Linda Sterlin no filme Zorro's Black Whip de 1944

Imagem: http://www.zineacesso.com/wp-content/uploads/2009/02/zorro.jpg

sábado, 19 de setembro de 2009

António de Oliveira Salazar. Manda quem pode, obedece quem deve.


Político e estadista: 1889 - 1970

Fernando Correia da Silva

Quando tudo aconteceu...

1889: Nasce em Vimieiro, Santa Comba Dão. - 1914: Em Coimbra, conclui o curso de Direito. - 1918: Lente de Ciência Económica. - 1926: Após o golpe de 28 de Maio é convidado para Ministro das Finanças; ao fim de 13 dias renuncia ao cargo. - 1928: É novamente convidado para Ministro das Finanças; nunca mais abandonará o poder.- 1930: Presidente do Conselho de Ministros; cria a União Nacional. - 1933: Faz ratificar a nova Constituição (corporativa); cria a PVDE, polícia política; proíbe as oposições, impõe o partido único, regime totalitário. - 1936: Na Guerra Civil de Espanha apoia Franco; cria a Legião Portuguesa e a Mocidade Portuguesa; abre as colónias penais do Tarrafal e de Peniche - 1937:

Escapa a um atentado dos anarquistas.- 1939: Iniciada a Segunda Guerra Mundial, Salazar conseguirá manter a neutralidade do país. - 1940: Exposição do Mundo Português. - 1943: Cede aos Aliados uma base militar nos Açores. - 1945: A PIDE substitui a PVDE. - 1949: Contra Norton de Matos, Carmona é reeleito Presidente da República; Portugal é admitido como membro da NATO. - 1951: Contra Quintão Meireles, Craveiro Lopes é eleito Presidente da República. - 1958: Contra Humberto Delgado, Américo Tomás é eleito Presidente da República; o Bispo do Porto critica a política salazarista - 1961: 22/01, assalto ao Sta. Maria; 04/02, assalto às prisões de Luanda; 11/03, tentativa de golpe de Botelho Moniz; 21/04, resolução da ONU condenando a política africana de Portugal; 19/12, a União Indiana invade Goa, Damão e Diu; 31/12/61 para 01/01/62, revolta de Beja. - 1963: O PAIGC abre nova frente de batalha na Guiné. - 1964:A FRELIMO inicia a luta pela independência, em Moçambique. - 1965: Crise académica; a PIDE assassina Delgado. - 1966: Salazar inaugura a ponte sobre o Tejo. - 1968: Salazar cai de uma cadeira e fica mentalmente diminuído. - 1970: Morte de Salazar.

POBRE, FILHO DE POBRES

Esta cadeira está desengonçada mas arrisco-me. Gosto muito de estar sentado aqui ao sol, no terraço do Forte de Santo António do Estoril, a contemplar a foz do Tejo e o oceano. É o meu único luxo, sou pobre, filho de pobres.

No exílio, uma vez a rainha D. Amélia disse que, se pudesse, de mim faria o rei de Portugal. Enganou-se. Eu gostava era de ter sido primeiro ministro de um rei absoluto. Só consigo estar no Governo porque nunca saio da rotina. Como conseguiria aguentar estes anos todos a concorrer a eleições, a ir ao Parlamento responder a perguntas, a correr a inaugurar coisas? Não, rei não quis, nem quero ser; sou pobre, filho de pobres.

Tenho aversão a espalhafatos. Admirei o Mussolini, depois fartei-me dele. Cheguei a ter o seu retrato em cima da minha secretária, foi homem que fez obra. Mas irritou-me a forma aparatosa de estar na vida. Por motivo idêntico também não gostei do António Ferro, nem do Duarte Pacheco, nem do Henrique Galvão e nem do Humberto Delgado. Despeitados, os dois últimos acabaram por me trair. Ao Duarte Pacheco, que também fez obra, Deus mandou que morresse num desastre de viação. Mas ao António Ferro, fui eu que o deixei cair em 1949, os tempos eram outros e já me incomodava o estrondo da sua propaganda.

http://www.vidaslusofonas.pt/salazar.htm
Foto: http://demokratia.blogs.sapo.pt/arquivo/OliveiraSalazar-thumb.PNG

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Mário Castrim. Cheira-me a Revolução!


Transformando o sonho em vida…
Mário Castrim, o poeta

21/03/2009 por Cheira-me a Revolução!

Professor, jornalista, escritor, dramaturgo, crítico literário, Manuel Nunes da Fonseca, mais conhecido por Mário Castrim, nasceu em Ílhavo em 1920 e morreu em Outubro de 2002.
Intelectual multifacetado, ficou mais conhecido como crítico de televisão, onde devido aos níveis de exigência e qualidade em que colocava a fasquia ganhou fama de intolerante. Foi no “Diário de Lisboa” desde 1965, e mais tarde no “Tal e Qual” que Castrim embirrava com a fraca prestação da televisão. Ele, que foi membro do júri para o Prémio Europeu de Televisão.
Está representado em inúmeros compêndios escolares e, em 1963 criou o “Diário de Lisboa – juvenil”, que considerou a sua obra mais importante. Deve-se dizer que neste suplemento se formaram grandes nomes de intelectuais, escritores ou jornalistas.

Militante comunista, escreveu também no jornal Avante!, onde revela um outro lado que ele próprio minimizava: o de grande poeta. Segundo Correia da Fonseca, que compilou e publicou, em 1998, alguns poemas de Castrim e a que deu o nome de “Poemas do Avante!: “O Mário não sabe nunca onde param os seus textos, sejam eles crónicas ou poemas, contos ou escritos de qualquer outra espécie. Sei de cor versos seus que, quando os cito e lhe pergunto quem os escreveu, responde candidamente que não faz ideia. Em tempos, os meus filhos decoraram-lhe versos de que não se lembra de ter sido o autor”.

Duas características têm a pouca poesia que conheço de Mário Castrim: a estonteante actualidade e a enorme sensibilidade.
Hoje, Dia Mundial da Poesia, deixo aqui dois poemas de Mário Castrim. O primeiro, uma “Saudação à Primavera”, outro, uma homenagem à condição de militante comunista do saudoso poeta.

Saudação à Primavera

Na hora certa.

Disse que chegaria.
Declarou dia e hora.
Tão longe que ela mora
que diabo, até
se lhe perdoaria
que, perdendo a maré,
chegasse no outro dia.

De tudo se abrigou
na sorte ingrata
e à hora exacta
“aqui estou!”
disse da alta esfera.

Bem-vinda Primavera!

Ser comunista, hoje

Esperança:
é a maneira
como o futuro fala
ao nosso ouvido.
Depois
há que saber
organizá-lo.

Então
Os comunistas entram em acção.

http://revolucionaria.wordpress.com/2009/03/21/mario-castrim-o-poeta/

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Alice Vassalo Pereira (nos tempos do Juvenil)


«Desafiada pelos filhos, Alice de Jesus Vieira Vassalo Pereira da Fonseca, escreveu Rosa, minha irmã Rosa, primeiro livro para infância e juventude que deu à estampa e, incentivada pelo marido, o jornalista e escritor Mário Castrim, concorreu ao Prémio de Literatura Infantil «Ano Internacional da Criança» (1980).

Ganho o prémio, Alice Vieira prosseguiu a escrita de obras dedicadas aos mais jovens, começando em 1981 a procurar temas para alguns dos seus livros na História de Portugal. A sua escrita ficcional para crianças e adolescentes tem alternado, desde então, entre narrativas inspiradas na História (Promontório da Lua), textos que versam assuntos da actualidade – o apelo ao consumo, a influência da televisão na educação infantil – e problemas do quotiniano juvenil: a amizade, a solidão, as relações familiares, as relações entre crianças e adultos (Os olhos de Ana Marta) ou a infância em diálogo com a velhice (Às dez a porta fecha; Um fio de fumo nos confins do mar).

Alice Vieira considera-se uma escritora urbana: as suas narrativas decorrem sobretudo no ambiente social da classe média lisboeta e baseiam-se na realidade observada de perto, processo a que não é alheio o contacto com autores e jovens leitores em escolas e bibliotecas públicas, para promoção da sua obra e do livro infantil em geral, e que iniciou durante a prática da sua profissão: o jornalismo.

Começou, ainda adolescente, por colaborar no «Juvenil» do Diário de Lisboa, suplemento que divulgou as primeiras tentativas literárias de muitos jovens talentos de então e foi coordenado por Alice Vieira entre os anos de 1968 e 1970. Entretanto, a autora publicou em 1964 um livro de poemas intitulado De estarmos vivos e, em 1977, o volume de contos Um nome para Setembro, literatura para adultos que só viria a retomar na década de noventa. Em 1975 passa a jornalista profissional no Diário de Notícias, onde coordenou a secção «Cultura / Arte e Espectáculos» e dirigiu o suplemento infantil «Catraio», que contava com contribuições de alunos das escolas de todo o país. Ainda no Diário de Notícias, a partir de 1981, foi responsável por uma rubrica de crítica literária infanto-juvenil – «Ler(zinho)» – e desenvolveu uma página semelhante no «Guia de Pais e Educadores» da revista Rua Sésamo.

Tendo abandonado o jornalismo activo em 1991, para se dedicar a tempo inteiro à escrita literária, mantém no entanto colaboração regular em diversos periódicos e em revistas femininas. Utilizou a técnica da reportagem para regressar à escrita para adultos e, após aturada pesquisa, publicou em 1994 – ano em que Lisboa foi Capital Europeia da Cultura – o album Esta Lisboa, com fotografias de António Pedro Ferreira. Neste livro, a digressão guiada pelos locais mais célebres e pelos recantos menos lembrados da cidade, transporta o leitor a uma Lisboa em transformação, ligada ao passado pela lenda e pela história. Em Praias de Portugal, com fotografias de Maurício de Abreu, album produzido no âmbito da Exposição Universal de Lisboa, Expo'98, retoma o processo jornalístico que utilizara no guia olisiponense e conduz o leitor pelas povoações piscatórias e areais do país.

Alice Vieira recebeu em 1984, por Este Rei que eu escolhi, o Prémio de Literatura para Crianças / Melhor Texto do Biénio (1983-1984) da Fundação Calouste Gulbenkian. Dez anos mais tarde foi candidata ao Prémio Hans Christian Andersen da IBBY (International Board on Books for Young People), tendo o seu livro Os olhos de Ana Marta sido escolhido para a lista de honra; foi de novo candidata ao mesmo prémio em 1998. Em 1996 foi-lhe atribuído, pelo conjunto da sua obra, o Grande Prémio de Literatura para Crianças da Fundação Calouste Gulbenkian. Em 1992 e 1998 as traduções de Rosa, minha irmã Rosa e Os olhos de Ana Marta, respectivamente, foram nomeadas para o «Deutscher Jungendliteraturpreis» (Prémio Alemão de Literatura para a Juventude).

Alice Vieira é uma das escritoras portuguesas mais traduzidas e divulgadas no estrangeiro: várias obras suas fazem parte da selecção de obras notáveis para crianças e jovens elaborada pela Biblioteca Juvenil Internacional de Munique.»
Centro de Documentação de Autores Portugueses
04/2004

http://www.dglb.pt/sites/DGLB/Português/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?AutorId=11744

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Rudyard Kipling


(1865 - 1936)
Escritor britânico nascido em Bombaim, hoje Mumbai, Índia, nos áureos tempos do Império Britânico, Prêmio Nobel de Literatura (1907) em consideração ao seu poder de observação, originalidade de imaginação, idéias e um acentuado talento para a narrativa, os quais caracterizam este autor famoso à escala mundial, que foi um dos maiores escritores ingleses e um dos poetas mais populares na Inglaterra.

Filho de respeitáveis ingleses em missão colonial, Alice née MacDonald (1837-1910) e John Lockwood Kipling (1837-1911), Head do Department of Architectural Sculpture at the Jejeebhoy School of Art and Industry in Bombay, foi educado na Inglaterra, no United Services College, Westward Ho, Bideford, voltou à Índia (1882) onde começou sua atividade como jornalista em Bombaim, trabalhando para jornais anglo-indianos. Iniciou sua carreira literária com Departmental Ditties (1886) e subseqüentemente ficou conhecido principalmente como escritor de contos, em particular com as coleções de contos Plain Tales from the Hills (1888) e Soldiers Three (1888).

Voltou para Inglaterra (1889) e ganhou sucesso imediato com a publicação de Barrack-Room Ballads, seguidos de contos mais brilhantes. Depois da morte de seu amigo americano e colaborador literário, Wolcott Balestier, casou-se (1892) com a irmã do amigo morto, Carrie Wolcott. Jungle Book (1894) tornou-se um clássico infantil para as crianças do mundo inteiro. Tornou-se envolvido com o trabalho da Imperial War Graves Commission, e amigo pessoal do rei George V. É considerado o grande porta-voz do Império Britânico e sua obra além de retratar os pontos mais remotos do grande império, quase sempre enaltece a presença civilizadora dos ingleses.

Elogiado por T. S. Eliot, sua poesia alcançou prestígio internacional, além dos seus contos e romances alcançarem rapidamente edições em todo o mundo. Além de seus livros de poemas, escreveu ensaios jornalístico e depoimentos sobre suas inúmeras viagens. Entre suas muitas obras, destacam-se His Barrack Room Ballads (1892), Jângal (1895), The Second Jungle Book (1895), The Seven Seas (1896), Captains Courageous (1897), The Day's Work (1898), Stalky and Co. (1899), Kim (1901), Just So Stories (1902), Trafficks and Discoveries (1904), Puck of Pook's Hill (1906), Actions and Reactions (1909), Debits and Credits (1926), Thy Servant a Dog (1930) e Limits and Renewals (1932). Recebeu muitos títulos honoris causa e outros prêmios como a Gold Medal da Royal Society (1926) e morreu de hemorragia, em Londres, e foi enterrado no Poet’s Corner of Westminster Abbey, London, England.

Foto copiada do site da FUNDAÇÃO NOBEL:
http://www.nobel.se/

http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/NLRuKipl.html

domingo, 13 de setembro de 2009

Mandrake, o mágico




Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Publicado por King Features Syndicate. Primeira aparição 11 de Junho de 1934. Criado por Lee Falk. Phil Davis
Características do personagem. Alter ego Mandrake
Afiliações Collegium Magikos Inter-Intel
Os Defensores da Terra
Ocupação Mágico profissional
Habilidades Tem o poder de hipnotizar as pessoas instantaneamente e comunicar com outras pessoas telepaticamente.

Mandrake, o mágico, é um personagem de banda desenhada, criado em 1934 por Lee Falk (também criador do Fantasma). Falk encarregou o desenhista Phil Davis do desenho de suas histórias. Mandrake era um ilusionista que se valia de uma impossível técnica de hipnose instantânea, aplicada com os olhos e gestos das mãos, e de poderes telepatas. Quando o narrador informava que ele executava seu gesto hipnótico, a arma do vilão se transformava em um buquê de rosas ou numa pomba.

O personagem foi baseado em Leon Mandrake, um mágico que fazia performances no teatro pelos anos 20, usando uma cartola, capa de seda escarlate e um fino bigode. O desenhista Davis conheceu Leon, relacionando-se com ele por muitos anos.

Características
Ambientada nos anos trinta, a história nos mostra Mandrake elegantemente vestido em finos ternos, usando cartola e luvas e uma capa forrada em vermelho. Morando em Xanadú, propriedade fantástica no alto de uma colina (provavelmente baseada na vila californiana do jornalista William Randolph Hearst), combatia os criminosos usando a hipnose como arma.

Sua noiva, a princesa Narda de Cockaigne, fictício reino na Europa oriental, e seu companheiro inseparável, Lothar, gigante príncipe africano que abandonou sua tribo para acompanhar o mágico e surrar os bandidos com sua força, eram os personagens mais constantes nas histórias. Lothar, provavelmente, foi o primeiro personagem negro nas histórias em quadrinhos, mesmo que de uma forma caricata, usando roupas de pele e um chapéu típico turco.

Imagens: http://100grana.wordpress.com/2007/10/31/escolhido-o-ator-para-ser-mandrake/

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Flash Gordon




Em 1933, a King Features Syndicate abriu um concurso para descobrir personagens de quadrinhos que rivalizassem com Buck Rogers e Tarzan de sua concorrente, a Pulitzer Syndicate. Alex Raymond se inscreveu e ganhou, passando a desenhar Flash Gordon e Jim das Selvas (que completava a página) para o New York American Journal, a partir de um domingo, 7 de Janeiro de 1934. Poucas semanas depois, Raymond passaria também a desenhar o Agente Secreto X-9, outra encomenda da King Features para contrabalançar o sucesso de *** Tracy, da Pulitzer.

No Brasil, o primeiro capítulo (ou "prancha") de Flash Gordon no Planeta Mongo foi publicado no nº 3 do Suplemento Infantil do jornal A Nação, do Rio de Janeiro, em 28 de Março de 1934 (a partir do nº 15, o Suplemento passou a circular de forma independente com o título de Suplemento Juvenil). Depois de mais de 80 capítulos publicados em página dupla no Suplemento, em 1937 decidiu-se pela publicação de um álbum de luxo, contendo as primeiras 60 pranchas, do qual foram impressas três tiragens de 5000 exemplares, vendidos com absoluto êxito. Em 1987, a EBAL de Adolfo Aizen (fundador do Suplemento Juvenil) publicou uma edição comemorativa dos 50 anos do lançamento do álbum original.

http://www.sergeicartoons.com/Comunidade/blogs/sergei/archive/2007/01/15/Flash_Gordon.aspx

Imagens: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/7/7c/Flash_Gordon.jpg
http://201.67.44.181/portal/olimpiada_2007/desenhos/flash%20gordon.jpg

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A biblioteca esquecida de Hitler


Em A biblioteca esquecida de Hitler,Timothy Ryback mapeia as leituras do ditador alemão, destacando os autores e obras que exerceram maior influência sobre a formação do Führer.

Sabe-se que as três bibliotecas particulares de Adolf Hitler, localizadas em Berlim, Munique e no refúgio de Obersalzberg, nos Alpes bávaros, chegaram a abrigar mais de 16 mil volumes. O mais enigmático dos genocidas do século xx possuía coleções completas de Shakespeare, Goethe, Schiller, Kant e Fichte, encadernadas com ostensivo luxo e assinaladas com o característico ex-libris nacional-socialista. Livros sobre ocultismo e misticismo racial também despertavam a atenção do leitor assíduo, porém caótico, que se vangloriava de ler ao menos um livro por dia.

Timothy W. Ryback, autor de The last survivor: legacies of Dachau, premiado em 2003 com oHans Rosenberg Book Prize,dá merecido destaque aos livros que influenciaram a escrita de Mein Kampf na célebre prisão de Landsberg, depois do putsch frustrado de 1923, mas não deixa de mencionar curiosos volumes presenteados por admiradores e bajuladores, trechos assinalados por Hitler nas margens dos livros ou detalhes como a presença física do ditador num fio de cabelo encontrado em meio às páginas envelhecidas. Durante oito anos de incansável pesquisa em coleções públicas e particulares nos Estados Unidos e na Europa, Ryback rastreou desde os livros lidos pelo obscuro cabo-mensageiro Hitler, nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, até as consoladoras leituras dos dias finais no bunker de Berlim, em 1945. O trabalho do historiador e diplomata norte-americano foi altamente elogiado por Ian Kershaw, o maior especialista em Adolf Hitler da atualidade.

http://www.americanas.com.br/AcomProd/1472/2755906

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Buck Rogers




Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Dados sobre publicação. Publicado por Amazing Stories. Primeira aparição Agosto de 1928. Criado por Philip Francis Nowlan. Características do personagem. Alter ego Anthony Rogers. Afiliações Wilma Deering, Dr. Huer

Capa da Amazing Stories, Volume 3, número 5, Agosto de 1928, onde foi publicado o conto Armageddon 2419 A.D., primeira aparição de Buck Rogers. Ilustração de Frank R. Paul.

Buck Rogers é um personagem de pulps e HQs, criado em 1928 como Anthony Rogers, herói de duas novelas de Philip Francis Nowlan publicadas na revista Amazing Stories. Rogers tornou-se mais conhecido por uma duradoura série de tiras publicadas em jornais. Ele também estrelou um seriado cinematográfico, uma série de TV, um jogo de computador e muitos outros formatos de mídia.

As aventuras de Buck Rogers, seja sob a forma de banda desenhada, filmes, rádio ou televisão, tornaram-se parte importante da cultura pop estadunidense. Este fenômeno pop desenvolveu-se paralelamente ao desenvolvimento da tecnologia espacial no século XX e apresentou o espaço aos norte-americanos como um ambiente familiar para aventuras extravagantes.

Buck Rogers tem sido creditado por levar às massas o conceito de exploração espacial, seguindo as pegadas de pioneiros da literatura como H.G. Wells.

Em 1995, Martin Caidin, criador do Homem de Seis Milhoes de Dolares, escreveu o livro Buck Rogers: A Life in the Future, TSR, Inc.ISBN 0786901446, nesse livro, ao despertar da hibernação, Rogers recebe implantes cibernéticos, iguais aos do Steve Austin. Recentemente a Dynamite Entertainment (editora conhecida por publicar personagens em domínio público)[1]anunciou que irá lançar uma minissérie em quadrinhos do personagem.[2

Imagens: http://www.lib.monash.edu.au/exhibitions/scifi/xscifi45.jpg
http://www.smallartworks.ca/PS/MBFS/BuckComp.jpg


Buck Rogers in the 25th Century
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Buck Rogers in the 25th Century (Buck Rogers no Século XXV no Brasil) foi um seriado de televisão estadunidense transmitido originalmente entre os anos de 1979 e 1981, com o ator Gil Gerard no papel-título. A série lançada pelo canal NBC teve um piloto homônimo produzido pela Universal Studios e lançado nos cinemas em 1979. Foi criada por Glen A Larson logo após o término de outra série de sucesso criada por ele Battlestar Galactica. Curiosamente, Buck Rogers acabou utilizando vários ítens desta outra séria como por exemplo os manches das Naves de Caça Terrestres. Estas naves chamadas de "Starfighter" também foram o conceito original dos Vipers Coloniais da Série "Galáctica" tendo sido criadas pelo mesmo designer, Ralph McQuarrie.

O seriado e o filme, por sua vez, foram inspirados no personagem Buck Rogers, presente em histórias em quadrinhos e romances desde os anos 1920.

Características
Na primeira temporada, Buck Rogers, um astronauta militar do século XX, é acidentalmente congelado durante uma missão espacial e desperta no século XXV, passando a atuar como patrulheiro. Era auxiliado por um robô atrapalhado, Twiki (dublado originalmente por Mel Blanc na primeira temporada) e pelo computador Dr. Theopolis (que não aparece na segunda temporada). Fazendo o tipo latin lover, sempre cercado de belas mulheres, tanto amigas quanto inimigas, Buck Rogers agradou à audiência adolescente e garantiu a continuidade da série.

Na segunda temporada, Buck parte numa espaçonave de exploração científica, nos moldes de Star Trek. As aventuras em sofisticados ambientes espaciais foram substituídas pelo interior da nave e por planetas áridos, com poucas possibilidades de Buck exercer seu humor e sua influência sobre mulheres. Houve ainda a introdução do melancólico personagem alienígena Hawk (Falcão), o último de sua raça, dentre outros. Essas mudanças não agradaram nem a Gil Gerard nem ao público, e a série foi rapidamente cancelada.

sábado, 5 de setembro de 2009

Os Sete Magníficos


Western clássico norte-americano realizado por John Sturges em 1960, The Magnificent Seven foi interpretado por Yul Brynner, Eli Wallach, Steve McQueen, Horst Buchholz, Charles Bronson, Robert Vaughn, Brad Dexter e James Coburn. O argumento foi escrito por William Roberts, adaptando a história do também clássico Shichinin no samurai (Os Sete Samurais, 1954), de Akira Kurosawa.

Numa pequena aldeia do México, próxima da fronteira com os EUA, um grupo de agricultores pacíficos começa a ser frequentemente incomodado pelo bandido local, Calvera (Eli Wallach), que juntamente com os seus homens profana as colheitas e o gado desses agricultores, impedindo-os de ultrapassarem o seu limiar de subsistência. Um dia, fartos de serem vilipendiados e sabendo que não conseguiriam enfrentar os bandidos sozinhos, decidem contratar pistoleiros profissionais para sua defesa. Assim, chegam até Chris (Yul Brynner), um honrado e decente homem de armas.

Chris fica sensibilizado pela causa dos agricultores e decide ajudá-los. Nos dias que se seguem, vigia a aldeia e começa a recrutar um grupo para o ajudar na sua tarefa. O primeiro a juntar-se a ele é Vin (Steve McQueen), a que se segue o avarento Harry Luck (Brad Dexter). Finalmente, conseguem recrutar Lee (Robert Vaughn), O'Reilly (Charles Bronson), Britt (James Coburn) e Chico (Horst Buchholz). Fica assim composto o grupo de "sete magníficos" defensores dos oprimidos agricultores. Um grupo heterodoxo unido por uma causa comum e interesses bem diferentes.

Enorme sucesso na época, Os Sete Magníficos adaptou os códigos de honra dos samurais japoneses a um cenário ocidental onde se desenrolaram histórias decisivas para o imaginário popular - o do western. Apesar de figurarem temas já presentes em filmes anteriores do género, o filme de Sturges teve a mais-valia de um fabuloso elenco para contar de forma excitante a história. É importante salientar que alguns dos actores presentes só se tornariam famosos alguns anos mais tarde (como Charles Bronson ou James Coburn), sendo decisivas as suas contribuições para o resultado final. A variedade de personalidades do grupo é essencial para que o espectador possa escolher o seu favorito e para potenciar as interacções dramáticas. Destaque-se ainda a memorável partitura musical de Elmer Bernstein.

O filme teve três sequelas, a primeira das quais estreou em 1966, Return of the Seven, realizada por Burt Kennedy, mantendo apenas Yul Brynner do elenco original. Deu também origem a uma série de TV homónima entre 1998 e 2000. Foi nomeado para o Óscar de Melhor Banda Sonora.

Como referenciar este artigo:
Os Sete Magníficos. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-09-05].
Disponível na www: http://www.infopedia.pt/$os-sete-magnificos>.

Imagem: http://citizenzuko.blogs.sapo.pt/arquivo/588871.html

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Brick Bradford




Brick Bradford surgiu pela primeira vez a 21 de Agosto de 1933, como tira diária, com distribuição da Central Press Association. Os seus autores, o argumentista William Ritt e o desenhador Clarence Gray, criaram esta série com um cariz de aventuras de aviação, à semelhança de Tailspin Tommy e de Smilin' Jack, a que aqui já nos referimos anteriormente. A distribuição da série pelos jornais norte-americanos começou com uma fraca expressão, já que a distribuidora, que era uma subsidiária da King Features Syndicate, apenas se dedicava aos jornais locais e não aos de expansão nacional, pelo que demorou alguns meses até a sua divulgação ganhar uma maior dimensão no país.

Brick Bradford marcou o panorama dos quadradinhos, porém, como série de ficção científica, em grande parte devido ao aparelho inventado por um personagem secundário, o cientista Kala Kopak, que permitia viajar ao nível subatómico e igualmente viajar no tempo, e que mudava de dimensões de acordo com os desejos de quem o comandava. Este aparelho (baptizado em Portugal como Pião) foi introduzido em 1937, após ter primeiramente surgido numa tira independente, que figurava na parte superior da página dominical da série, a que os americanos chamam topper, tornando-se um dos principais impulsionadores dos acontecimentos que proporcionavam as diversas peripécias das aventuras. Se bem que não faltavam as ligações românticas entre Brick e a filha de um dos seus companheiros de aventuras, June Salisbury (e não só).

No entanto, havia diferenças substanciais entre os argumentos das tiras diárias e das páginas dominicais, que passavam inclusive pelos diferentes nomes dos personagens que nelas surgiam, o que levou a frequentes confusões nas posteriores reedições da série.

Em finais dos anos 40, Ritt deixou de escrever os argumentos, que passaram para a exclusiva responsabilidade de Gray, até ano ano de 1952, altura em que Paul Norris, que desenhava Jungle Jim na altura, se encarregou de lhe dar continuidade. A 25 de Abril de 1987, a série terminou após ter vindo a perder gradualmente notoriedade, na altura em que Norris finalmente se reformou.

Foram - e continuam a ser - muitas as reedições das aventuras de Brick Bradford, desde os comic-books os anos 40, passando pelo seu aparecimento em Big Little Books, até às actuais edições das suas aventuras, que foram publicadas nas mais diversas línguas. Em Portugal, onde Brick Bradford chegou a ser conhecido como Brigue Forte, foi sobretudo o Mundo de Aventuras (e algumas das suas edições especiais, como Espaço) que se dedicou a popularizar entre nós as viagens no tempo dos principais personagens.

Brick Bradford chegou a ser adaptado para cinema, numa produção de 1947, realizada por Spencer Gordon e Thomas Carr, com Kane Richmond, Rick Vallin e Linda Leighton nos principais papéis.

A tira aqui apresentada tem o © da King Features Syndicate, está assinada por Paul Norris e é datada de 19 de Outubro de 1982. A dimensão da mancha é de 32,9 x 9,9 cm e a do papel de 36 x 10,3 cm, aproximadamente.

http://quadradinhos.blogspot.com/2006/04/brick-bradford.html
Imagem: http://www.lambiek.net/artists/n/norris/norris_p.jpg

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Primeiro romance de José Eduardo Agualusa sai no Brasil após 20 anos



Em Angola, não temos bibliotecas num número desejável e a memória se perde facilmente.

Bolívar Torres, JB ONLINE

RIO - Dois tempos distintos unem e separam, com o Atlântico entre eles, a obra do escritor angolano José Eduardo Agualusa. Recém-lançado em Portugal, Barroco tropical, seu último romance, dá um pulo de 10 anos para vislumbrar uma Luanda em convulsão, num nem tão distante 2020. Deste lado do oceano, sua estreia na ficção, A conjura, escrita duas décadas atrás, chega hoje às livrarias do Rio, fazendo a trajetória inversa: volta 200 anos na história da mesma capital angolana para radiografar, entre 1880 e 1911, um período decisivo do seu passado colonial, marcado por um frustrado levante revolucionário. Mesmo com o abismo temporal, passado e futuro se completam com a mesma função. Em ambos os casos, o que interessa a Agualusa é decifrar a atualidade absurda de seu país.

– Escrevi A conjura como uma maneira de pensar o presente – comenta o autor, enquanto anda pelas ruas de Copacabana, onde está hospedado. – Isso era muito importante naquele momento, em que havia poucos estudos sobre o século 19 em Angola. Eu próprio passei a compreender melhor o país ao escrever o livro. Há divisões na sociedade que só podem ser explicadas ao se analisar o passado. A guerra civil foi mais um embate entre uma visão urbana e rural do que de ideologias de esquerda e direita. Ela opôs uma África profunda, presa à tradição rural, a uma África urbana. Claro que essas divisões já existiam no século 19.

Fato incomum para um escritor iniciante, A conjura é um romance histórico (assim como Nação crioula, sua quinta narrativa longa). Agualusa recria toda a agitação de um período de efervescência política de seu país. Como sempre, o autor traça uma galeria de retratos curiosos, que se agitam, numa espécie de histeria coletiva, dentro de um cenário em plena transformação. O sonho ainda é possível para a população pobre do bairro de Ingombotas, onde se instala, em meio a ladrões, assassinos e outros renegados de Portugal, o barbeiro benguelese Jerónimo Caninguili, um baixo e manco negro que, apesar da feiúra, logo conquista a população local. Fixado no fatídico 16 de junho de 1911, dia da primeira tentativa frustrada de obter a independência, o autor retrocede até às origens da data histórica, e é lá que encontra Caninguili e outros angolanos que organizam uma sociedade cospiradora, com o sonho de dar ao país desenvolvimento e tratamento digno aos excluídos.

– Relendo o livro depois de 20 anos, podemos dizer que este é um primeiro romance, com a ingenuidade de todo primeiro romance, mas também com algumas qualidades – confessa o autor. – E que já traz algumas das obsessões que trato em outros livros.

Identidade e memória

O leitor fiel de Agualusa reconhecerá a estrutura aleatória e movediça da maioria de seus livros. Entre as referidas obsessões, destacam-se as questões sobre identidade e memória, sempre presentes em sua obra.

– É normal que, num país jovem como Angola, a literatura, a música ou o cinema tragam este questionamento – diz o escritor. - Aconteceu o mesmo com o Brasil. À medida que o país vai se formando, a literatura reflete este questionamento. Mas o Brasil já é um país com mais estrutura. Em Angola, não temos bibliotecas num número desejável e a memória se perde facilmente. Há poucos jornais, também. Aliás, é o único país do mundo em que o jornalismo melhorou, já que antes era tão ruim que não poderia ter ficado pior.

Revelado por aqui depois da Flip de 2004 (quando foi elogiado por Caetano Veloso), Agualusa se diz um homem de três continentes, que se sente a vontade tanto no Brasil e em Angola quanto em Portugal. Para este filho de luso-brasileiros, a língua portuguesa é um terreno de experimentação multicultural, onde colonizador e colônia se atraem e se chocam na mesma sintaxe. A língua é fator de união, mas também de distinção. O autor não se furta em carregar seu texto de expressões locais, que ganham suas devidas traduções em notas de rodapé.

– O mais interessante é que a língua une a geografia e as influências diversas, mas se distigue por suas variantes – diz Agualusa, que morou por três anos no Recife. – Mas nem sempre essas particularidades se dão entre países. Há mais diferenças entre o português de Pernambuco e do Rio Grande do Sul do que entre o português do Rio e do Maranhão. O carioca acredita que o português falado aqui é o português que se fala no Brasil todo. Mas não é verdade. Aqui no Rio existe uma variante da língua portuguesa, em São Luis do Maranhão ou no Recife você terá outra.

As trocas culturais são essenciais para Agualusa, que reclama da falta de interesse dos brasileiros pela África, matriz de sua cultura popular. Enquanto Angola absorve até os dias de hoje a influência brasileira, sua pátria irmã vira as costas.

– Muito em função do tráfico de escravos, as relações entre Brasil e Angola eram diretas, sem intermediações com Portugal – analisa. – Angola teve vários governadores de origem brasileira. Vários padres eram formados no Recife. Famílias que ficaram ricas com o tráfico tinham casas no Brasil e Angola. Essa relação direta se perdeu com o fim do tráfico, mas a influência cultural do Brasil no país continua, na música, na literatura e nas telenovelas. Já o Brasil, ao contrário de Portugal, não tem o conhecimento dessa cultura que o moldou.

20:09 - 02/09/2009

Imagem:
http://www.agualusa.info/cgi-bin/baseportal.pl?htx=/agualusa/div&page=biografia&lg=pt

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Frantz Fanon, uma voz dos oprimidos




“A descolonização é sempre um fenômeno violento”. “uma sociedade é racista ou não é” “as repressões, longe de sufocarem as revoltas, estimulam o progresso da consciência nacional”

A divisão dos homens entre opressores e oprimidos, a desumanização indígena e o condicionamento do negro pelo branco. Contribuições fundamentais na primeira metade do século passado, as questões debatidas pelo psiquiatra e intelectual negro continuam atuais

Anne Mathieu

Foi como um estrondo no céu do pós-guerra. Em 1952, aparecia Pele negra, máscaras brancas [1], uma “interpretação psicanalítica do problema negro”. A introdução proclamava: “É preciso libertar o homem de cor de si mesmo. Lentamente, porque há dois campos: o branco e o negro”.

Seu autor, Frantz Fanon (1925-1961), foi ao mesmo tempo psiquiatra, ensaísta e militante político ao lado da Frente de Libertação Nacional da Argélia (FLN), com a qual compartilhava a causa independentista [2]. Martinicano, faz parte do grupo de intelectuais negros cuja importância a França tem dificuldade em reconhecer, embora tratem de uma história comum a todos. anticolonialista radical, de escrita altamente literária e retórica, contribuiu para aclarar não só a história, mas também reflexões e debates contemporâneos. Preferem, no entanto, esquecê-lo sob o rótulo de “profeta fracassado [3]”.

A temática dos “dois campos” evocada por Fanon não é exclusivamente uma oposição entre essas duas cores de pele; inscrevem-se na antinomia “opressores” e “oprimidos”. Em sua visão, “uma sociedade é racista ou não é” e “o racismo colonial não difere de outros racismos”. Quando busca explicar uma ideia-força e mostrar o escândalo que representa, sua prosa poética e retórica se revela. além disso, para ele, a libertação dos indígenas passa pela recusa do mundo da interdição, pela afirmação do “eu” negado pelo colonizador, que os vê como uma massa disforme e serviçal: “o indígena é um ser aprisionado, o apartheid é apenas uma modalidade da compartimentação do mundo colonial. a primeira coisa que o indígena aprende é a manter-se em seu lugar, a não ultrapassar os limites. É por isso que seus sonhos são musculares, de ação, agressivos – Sonho que salto, nado, corro, escalo. Sonho que estou gargalhando, que atravesso o rio com um pulo, que sou perseguido por carros que nunca me alcançam. Durante a coloni- zação, o colonizado não pára de se libertar entre as nove horas da noite e as seis da manhã”. Em outros tempos, Paul Nizan escrevia: “Enquanto os homens não forem completos e livres, não caminharem por suas próprias pernas nas terras que lhes pertencem, sonharão à noite [4]”. opressão burguesa em 1933, opressão colonial em 1952.

Um libelo apaixonado
Pele negra, máscaras brancas nos conduz ao universo atribuído ao negro que foi sistematicamente condicionado pelo branco. São páginas apaixonantes nas quais a herança – apesar das divergências – dos oradores da negritude e do texto “Orfeu Negro” [5], de Jean-Paul Sartre, se faz sentir por meio de encadeamentos lexicais metafóricos e analíticos do corpo, do olhar. Fanon examina o corpo, talvez por isso escreveu: “a primeira versão deste livro foi ditada, andando de um lado para outro como um orador que improvisa; o ritmo do corpo em movimento, o sopro da voz recitando o estilo [6]”. Porém, a realidade supera a metáfora: “No primeiro olhar branco, ele sentiu o peso de sua melanina”. Séculos de escravidão e colonização determinaram um olhar sobre o outro do qual é difícil para não dizer impossível, se despojar: “Quando me amam, dizem que é apesar da cor da minha pele. Quando me detestam, se justificam dizendo que não é pela cor da pele. Em uma ou outra situação, sou prisioneiro de um círculo infernal”.

O racismo se traduz também na designação do negro, submetido à conotação ancestral de sua cor, que se tornou evidência, quase essência: “O negro, o obscuro, as sombras, as trevas, a noite, as profundezas abissais, denegrir a reputação de alguém; e do outro lado: a mirada clara da inocência, a pomba branca da paz, a luz ofuscante, paradisíaca”. A linguagem não pode expurgar essas conotações, que aparecem também na religião: “O pecado é negro como a virtude é branca”. A análise não era nova naquele momento, mas, de uma obra à outra, Fanon foi mais longe. Seu último livro, Os condenados da terra (1961) [7], demonstra que a “compartimentação” da sociedade colonial e racista gera, obrigatoriamente, uma linguagem racista: “Por vezes, o maniqueísmo alcança o limite de sua lógica e desumaniza o colonizado”. Dito de outra forma, como denunciou Jean-Paul Sartre durante a guerra da Argélia [8], o sistema colonial cria um “sub-homem”.

Fanon prossegue: “Falando claramente, [o maniqueísmo] animaliza. Faz-se alusão aos movimentos arrastados durante o trabalho, ao cheiro que emana das vilas indígenas, às hordas, ao fedor, à reprodução desenfreada, às gesticulações. Demografia galopante, massas histéricas, rostos nos quais não há qualquer traço de humanidade, corpos obesos que não se parecem com nada, preguiça sob o sol, ritmo vegetal, todas essas expressões fazem parte do vocabulário colonial”. E vale mencionar que elas ainda não desapareceram totalmente de nossas latitudes, como lembra a canção Lebruit et e l’odeur [o barulho e o cheiro] (1995) [9], do grupo Zebda.

A “desumanização” do indígena justifica o tratamento ao qual é submetido: “Disciplinar, vestir, dominar e pacificar são as expressões mais utilizadas pelos colonialistas em territórios ocupados”. A guerra da Argélia nada mais é que a continuação paradoxal de um sistema que se baseia na “força” e no desprezo. Dessa forma, a introdução de L’an V de la révolution algérienne [O ano V da revolução argelina] (1959) [10] ressalta que desde o início da guerra, “[o colonialismo] francês não renunciou a nenhum radicalismo: nem o do terror, nem o da tortura”.

Calcularam mal: “as repressões, longe de sufocarem as revoltas, estimulam o progresso da consciência nacional”, analisa Fanon. “Se, de fato, minha vida tem o mesmo valor que a do colono, seu olhar não me fulmina mais, sua voz não mais me petrifica. Sua presença não me perturba mais. Na prática, sou eu quem o incomoda. Não só sua presença não me importuna mais, como já estou lhe preparando tantas emboscadas que logo ele não terá outra opção senão fugir”. Assim, a libertação psíquica induz à perda do medo, ao mergulho no combate pela independência.

A violência da palavra
Em que condições esse combate vai se desenrolar? Em Os condenados da terra postula que “a descolonização é sempre um fenômeno violento”. Isso por que violência chama violência e quando o opressor invade a menor parcela que seja de um território, é difícil manter-se aí pacificamente: “Cada estátua, a de Faidherbe ou Lyautey, de Bugeaud ou do Sargento Blandan, todos esses conquistadores que pousaram sobre o solo colonial não param de significar uma única coisa: ‘Estamos aqui pela força das baionetas...’”. É evidente a resposta dos oprimidos, considerada estrondosa quando se trata de outros países sob outros comandos. Fanon justifica a violência? Não em todos os movimentos: “Condenamos, com o coração aflito, esses irmãos que são jogados à ação com a brutalidade quase psicológica que faz nascer e mantém uma opressão secular”. Não obstante, Fanon nos convida à uma compreensão da gênese da violência e da única alternativa deixada aos oprimidos para sua libertação. Sua descrição da “compartimentação” da sociedade colonial, com sua “linha de partilha” e sua “fronteira indicada pelos quartéis e postos de polícia”, nos remete, aliás, ao nosso universo militarizado que, bem longe de “pacificar”, produz ele mesmo o “radicalismo” que pretende combater.

A perspicácia de Fanon vale também para sua análise sobre o futuro de um país descolonizado quando uma “burguesia nacional (in)autêntica” sobe ao poder e não fornece ao povo “capital intelectual e técnico”. Baseando-se no exemplo da América Latina, ele previne sobre o risco de transformação de um país em “território de prazeres a serviço da burguesia ocidental”. Disseca a propensão dessa burguesia “cinicamente burguesa” de romper a unidade nacional jogando com o “regionalismo”. E conclui: “Essa luta implacável à qual se entregam as etnias e tribos, essa preocupação agressiva de ocupar os postos livres pela partida do estrangeiro vão, igualmente, gerar competições religiosas. Assistiremos a confrontação entre as duas grandes religiões reveladas: o islamismo e o catolicismo”. Fanon alerta até para o perigo de um partido único, que utiliza o passado para “adormecer” o povo, “mandá-lo lembrar da época colonial e medir o imenso caminho percorrido”. Quantos países africanos nos vêm à cabeça?

Em reação à colonização, segundo ele, não se deve clamar por uma cultura negra como único horizonte. Se houve “obrigação histórica” para “os homens de cultura africana ‘racializar’ suas reivindicações, de falar antes em cultura africana que em cultura nacional”, por outro lado isso “vai conduzi-los a um beco sem saída”. Suas crenças foram lançadas desde sua primeira obra numa fórmula magnífica sobre a qual os adeptos do comunitarismo poderiam refletir: “Não quero cantar meu passado às custas do meu presente e futuro”. Tal afirmação, no entanto, não se fecha a uma reflexão sobre a história do colonialismo, a qual, como ele lembrava em 1952, se apoiou sobre a história da Europa. O colonialismo baseou-se em “valores” que precisam ser repensados: “Se é em nome da inteligência e da filosofia que proclamamos a igualdade dos homens, é também em seu nome que decidimos exterminá-los”.

Em 1961, a condenação de Fanon se amplificaria com uma veemência radical: “Abandonemos essa Europa que não para de falar no homem, ao mesmo tempo que o massacra onde quer que o encontre, em todos os cantos de suas ruas limpas, em todos os cantos do mundo”. Afrontemos de uma maneira salutar essa França que, ao mesmo tempo em que se liberava do nazismo e se reconstruía, massacrava Sétif (maio de 1945) ou Madagascar (março de 1947). Essa França que, no fim da batalha, virava as costas aos seus irmãos de combate senegaleses ou marroquinos que estavam na linha de frente. Escutemos essa voz que há mais de quarenta anos martela sua verdade incisiva, que poderia muito bem ainda ser a nossa: “Podemos fazer qualquer coisa hoje em dia sob a condição de não imitar a Europa, sob a condição de não sermos obcecados pelo desejo de alcançá-la. A Europa adquiriu tal velocidade, louca e desordenada, que escapa a todos os outros condutores, a toda razão, que segue numa vertigem assustadora em direção a abismos dos quais é melhor se distanciar rapidamente”.

Fanon sabe a qual Europa se refere, ele que soube homenagear os judeus da Argélia, os franceses daqui ou de lá que abraçaram a causa independentista. O gesto é universal: “Eu, o homem de cor, quero apenas uma coisa: que jamais o instrumento domine o homem. Que cesse para sempre a servidão de homem para homem. Quer dizer, de mim para outro.”

*Anne Mathieu é diretora da revista Aden-Paul Nizan , de Paris.

[1] Peau noire masques blancs, Edições Seuil (Paris), com prefácio de Francis Jeanson, que redigiria também um posfácio para a reedição de 1965. A obra está disponível até hoje na coleção “Points Essais”.
[2] Ele foi seu porta-voz a partir de junho de 1957. Desde 1953, foi médico-chefe do hospital psiquiátrico de Blida-Joinville (Argélia)
[3] Ver o texto do ensaísta Lothar Baier (Agone, n°33, Marselha, abril de 2005).
[4] Paul Nizan, Antoine Bloyé (1933), Grasset, Les Cahiers rouges [Cadernos vermelhos], Paris, 2005.
[5] Jean-Paul Sartre, “orfeu Negro”, prefácio em: Léopold Sedar Senghor, Antologie de la poésie nègre et malgache [Antologia da poesia negra e malgaxe], Presses universitaires de France [imprensas universitárias da França], Paris, 1948.
[6] Alice Cherki, Frantz Fanon, portrait [Frantz Fanon, um re trato], Seuil, 2000, p.46.
[7] Publicado por François Maspero com um prefácio de Sartre; foi proibido desde o lançamento. Fanon, já sabendo que estava condenado pela leucemia, ditou cada página. Recebeu um exemplar do livro assim que foi impresso, três dias antes de morrer num hospital dos Estados Unidos. De acordo com sua vontade, foi enterrado num vilarejo argelino libertado próximo à fronteira com a Tunísia.
[8] Jean-Paul Sartre et la guerre d’Algérie [Jean-Paul Sartre e a guerra da Argélia], Le Monde Diplomatique, novembro de 2004.
[9] Inspirada em uma declaração de Jacques Chirac sobre o “barulho e cheiro” provocados pelos imigrantes.
[10] Publicado por Maspero. Longos trechos do último capítulo foram publicados em Les Temps Modernes [os Tempos Modernos]. A obra foi acusada de atentar contra a segurança do Estado. Hoje, está disponível pela editora Découverte, na coleção “(re)Découverte” [(re)Descorberta]. A introdução, redigida em julho de 1959, não figurava na primeira edição.

http://diplo.uol.com.br/2009-04,a2832
Imagens: http://mundoafro.atarde.com.br/wp-content/uploads/2009/07/Fanon.jpg
http://www.qub.ac.uk/schools/SchoolofEnglish/imperial/images/frantz_fanon.gif

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

José Eduardo Agualusa


© 2002-2009 by aguarosa bivels
Biografia

José Eduardo Agualusa [Alves da Cunha] nasceu no Huambo, Angola, em 1960. Estudou Silvicultura e Agronomia em Lisboa, Portugal. Os seus livros estão traduzidos para mais de uma dezena de idiomas. Também escreveu várias peças de teatro: "Geração W", "Chovem amores na Rua do Matador", juntamente com Mia Couto, e o monólogo "Aquela Mulher".

Beneficiou de três bolsas de criação literária: a primeira, concedida pelo Centro Nacional de Cultura em 1997 para escrever « Nação crioula », a segunda em 2000, concedida pela Fundação Oriente, que lhe permitiu visitar Goa durante 3 meses e na sequência da qual escreveu « Um estranho em Goa » e a terceira em 2001, concedida pela instituição alemã Deutscher Akademischer Austauschdienst. Graças a esta bolsa viveu um ano em Berlim, e foi lá que escreveu « O Ano em que Zumbi Tomou o Rio ». No início de 2009 a convite da Fundação Holandesa para a Literatura, passou dois meses em Amsterdam na Residência para Escritores, onde acabou de escrever o seu último romance, « Barroco tropical ».

Escreve crónicas para a revista LER e para o jornal angolano A Capital. Realiza para a RDP África "A hora das Cigarras", um programa de música e textos africanos. É membro da União dos Escritores Angolanos.

Em 2006 lançou, juntamente com Conceição Lopes e Fatima Otero, a editora brasileira Língua Geral, dedicada exclusivamente a autores de língua portuguesa.

http://www.agualusa.info/cgi-bin/baseportal.pl?htx=/agualusa/div&page=biografia&lg=pt

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Quem é William Tonet


General do regime agride William Tonet
Segunda, 10 Agosto 2009 14:01

CLUB-K.NET

Lisboa – Um General devidamente identificado e conotado ao regime agrediu recentemente, em Luanda, o Jornalista William Tonet a quem o ameaçou de morte. O agressor invoca argumentações traduzidas nos dizeres de que aquele profissional de comunicação terá “mexido” ou desrespeitado o Presidente José Eduardo dos Santos razão pela qual pensa que William Tonet mereça o trato violento.

Perseguido pelo seu próprio partido

Uma alegada queixa crime esta a merecer tratamento junto das instancias judiciais. O caso poderá dar em nada porque o Jornalista manifesta sinais de perdoar o General. Uma personalidade da PGR enceta diligencias no sentido de “implorar”, a William Tonet para que não denuncie publicamente o nome do oficial de forma a não manchar mais o nome do circulo “privilegiado” na qual o agressor faz parte.

"É lamentável que em Angola, para além da censura jornalística existente, ainda se odeia e se agride gente pelo simples facto de praticar jornalismo" reagia ao incidente o activista na diáspora, Moises Lima baseado em Bruxelas.

Que é William Tonet
É filho de um co-fundador do MPLA, já falecido que chegou a ser deputado pelo partido no poder na mais longa legislatura do país. Quando o nacionalista Guilherme Tonet, foi preso em tarrafal, o pequeno William tinha 5 anos e o pai levou-o consigo numa espécie de rapto da mãe. É assim que passa a viver a sua infância na cadeia ao lado o progenitor e outra parte no Congo Kinshasa onde estava a direcção do MPLA no exterior. Pode-se dizer, que William Tonet nasceu dentro do MPLA e assim se percebe a fidelidade que mantém a este partido que o maltrata por discordar do regime que nele se instalou.

Em finais da década de 70 esteve muito próximo a uma facção do MPLA próxima a um guerrilheiro, Nito Alves. Na senda das prisões o mesmo é detido sendo posto em liberdade após dois anos. Durante o processo de reinserção na sociedade passou a trabalhar na TPA como “camaraman” tendo sido um dos dinamizadores do programa “opção” que retratava o conflito militar. Foi ele quem abriu oficialmente a delegação da TPA em Benguela. Mudou-se depois para Portugal onde exerceu jornalismo.

Conta que "Comecei a fazer jornalismo depois de 1977, pois até essa altura estava nas forças armadas. Como fui apanhado na onda dos presos de 1977, depois de sair fiquei bastante frustrado com a forma como esse processo decorreu. Depois de sair da cadeia e de ter sido colocado em Benguela e Kuado Kubango, entrei como assistente de operador de câmara na TPA, depois de ter sido rejeitado pelo Jornal de Angola, onde participei num concurso, tive boa prestação, mas o director da altura, Costa Andrade Ndunduma, disse não poder aceitar um fraccionista nos seus quadros. Tive de correr dali para fora."

Mais tarde ao serviço da Voz da America (VOA), acompanhou uma delegação americana a Jamba, o então quartel general da UNITA. Os serviços de inteligência da UNITA detiveram lhe após notarem que trazia passaporte angolano. Foi suspeito de espião ao serviço do então regime instaurado no país. Após intervenção norte americana foi solto e Jonas Savimbi, o então líder rebelde desculpou-se do mesmo. Na jamba encontrou vários amigos que com ele estudaram no Huambo, dentre eles estava um ex colega agora convertido num dos melhores quadros militares da guerrilha, o malogrado General Arlindo Chenda Pena “Bem Ben”.

Em 1991 quando as forças da UNITA sitiaram por 57 dias a cidade do Luena, William Tonet que cobria o conflito por parte das tropas do “Galo Negro” abortou o seu então amigo General “Ben Ben” e um outro general das FAPLA, Higino Carneiro que aceitaram a sua proposta de tréguas de paz que ficou conhecida como os acordos do Alto Kauango que deu lugar aos acordos de Bicesse.

Na guerra do Huambo após as primeiras eleições gerais em Angola, o jornalista voltou a cobrir a mesma mas ao serviços da sociedade internacionais de canais (SIC), porem do lado do governo. No recuou, em conseqüência da derrota que o governo sofria nas mãos da UNITA, William Tonet foi baleado e andou cerca de um mês a pé com os comandantes das FAA, ate Benguela onde seriam resgatados. Totalmente fragilizado e com uma bala cravada na perna o jornalista foi evacuado pelas autoridades portuguesas ate Lisboa onde seriam exibidos os primeiros vídeos da derrota que acabaram por irritar as autoridades angolanas que ate hoje não o perdoam. Enquanto no hospital foi lhe detectado ulcera no estomago por ter ficado semanas sem comer, que ate hoje é responsável pelo seu estado de saúde. Por andar longas distancias, tinha as pernas inflamadas que requeriam cuidados intensivos.

No seu regresso a Angola voltou a praticar jornalismo criando um dos primeiros jornais privados no pais, o Folha8 (Por la passaram, Graça Campos, Reginaldo Silva, Gilberto Neto e etc). foi detido por diversas vezes e solto após intervenção da amnéstia internacional.

Uma versão em apuração, diz que a corrente passava entre ele e o Presidente JES com quem teve contacto por alguma vez, porem, bloqueados por interferências de elementos que se opunham ao seu reconhecimento ou dos feitos em prol do país.

O Jornalista voltou as carteiras, tendo passado pela Universidade Agostinho Neto e mais tarde concluído o curso de direito pela conhecida Universidade americana sedeada no Brasil. Estagiou advogacia nos escritórios das “mãos livres” em Luanda. Foi também mediador do conflito partidário instaurado na FNLA. É freqüentemente chamado para proferir palestras pelo país fora. Ainda no ativismo cívico lidera o amplo movimento de cidadão.

Presentemente enfrenta cerca de 70 processos crimes levantado por generais com realce aos pertencentes ao circulo presidencial razão pela qual a sociedade civil mostra se preocupada com a vida do Jornalista sobretudo quando o caso já se arrasta por agressões físicas contra o mesmo.

Imagem: http://www.apostolado-angola.org/articleview.aspx?id=3142


quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Legado completo do escritor Óscar Ribas será reeditado


Angop

Ministra da Cultura garante reedição da obra de Óscar Ribas

Luanda – A ministra da cultura, Rosa Cruz e Silva, garantiu sexta-feira, em Luanda, a reedição de todo legado do escritor Óscar Ribas, e sua distribuição às instituições de ensino a todos os níveis, bem como nos locais de consulta para o público.

A ministra falava à margem da palestra sobre a "Conservação de Memórias, a obra literária de Óscar Ribas", que marcou a abertura das comemorações do centenário do escritor.

Segundo a dirigente, neste centenário de Óscar Ribas, a assinalar-se a 17 de Agosto, o Ministério da Cultura (Mincult) e seus parceiros vão celebrar condignamente a data do nascimento daquele que foi o grande pesquisador da literatura oral angolana.

A titular da pasta da Cultura, apelou vai para os jovens no sentido de participarem nas palestras e exposições realizadas pelos especialistas de literatura.

"Já passou muito tempo e nós deixamos de ter a possibilidade de consultar os livros de Óscar Ribas por estarem esgotados, ou não está completa, daí a oportunidade de se reproduzir esta obra e a divulgar para todos os jovens por tudo que representa de lição da angolanidade e da unidade", frisou.

Escritor, jornalista e ensaísta angolano, Óscar Ribas nasceu no dia 17 de Agosto de 1909, na cidade de Luanda e faleceu a 19 de Junho de 2004, em Cascais (Portugal).

O autor deu os primeiros passos da sua actividade no campo das letras, publicando, em 1927 " Nuvens que Passam" e, dois anos mais tarde, em 1929, "Resgate de uma Falta".

Depois de vinte anos sem editar, Óscar Ribas surpreendeu os seus leitores com o livro "Flores e Espinhos", publicado em 1948, o qual, juntamente com dois novos títulos publicados em 1950, "Uanga", e em 1952, "Ecos da Minha Terra", constituem, de acordo com alguns estudiosos da área das Literaturas Africanas, a segunda fase de publicações do autor.

Escritor prestigiado nos meios literários nacional e internacional, membro da União de Escritores Angolanos (UEA), Óscar Ribas foi galardoado com diversos prémios: Margaret Wrong (1952); de Etnografia do Instituto de Angola (1959) e monsenhor Alves da Cunha (1964).

Foi também homenageado com os seguintes títulos: Membro titular da Sociedade Brasileira de Folclore (1954); Oficial da Ordem do Infante, título concedido pelo governo português (1962); Medalha Gonçalves Dias pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (1968); Diploma de Mérito da Secretaria de Estado da Cultura (1989).

Óscar Ribas foi agraciado com o Prémio Nacional de Cultura e Artes 2000, nas categorias de literatura e investigação em Ciências Sociais e Humanas, outorgado pelo Ministério da Cultura.

http://www.portalangop.co.ao/

Imagem: http://kiangola.blogspot.com/2008/11/ministra-da-cultura-rosa-cruz-e-silva.html

ÓSCAR RIBAS (1909 – 2004)



Filho de pai português da Guarda e de mãe angolana pertencente à aristocracia luandense, nasceu em Luanda este socio-etnólogo autodidacta. Iniciou os estudos em Angola mas foi em Portugal que os terminou. Regressado ao país natal empregou-se na Fazenda Nacional tendo vivido em diversas localidades angolanas: Novo Redondo (Sumbe), Ndalatando, Benguela e Bié, para além de Luanda, naturalmente.

Da observação dos usos e costumes do povo angolano foi coligindo todos os factos e pormenores que viriam a ser ricamente descritos nas suas obras. O livro que vos trago é disso exemplo: “UANGA” (feitiço em kimbundu), é um romance que relata os amores de Joaquim e Catarina, habitantes de musseque na Luanda de 1882. Entre eles se intromete o ambaquista António Sebastião que, despeitado, recorre ao feitiço, ao uanga, para terminar com o amor partilhado pelos dois jovens.

A obra é um repositório riquíssimo do quotidiano luandense do século dezanove. Como exemplo extraí os seguintes parágrafos deste notável trabalho:

“(…) A massemba(…), este bailado, rico de fogosidade e elegância, proveio do caduque, dança de Ambaca. Como afinidade persistiu a característica fundamental – a semba ou umbigada. O caduque executava-se ao ar livre, sob a toada de ngoma, dicanza e uma lata, vibrada com duas baquetas grosseiras. Com o aparecimento da harmónica, nasceu então a massemba: substituiu-se o tambor e a lata por aquele instrumento, pela sala se trocou o ambiente campestre.”

“(…) O ambaquista (…), pela superioridade intelectual, que o impõe à consideração de seus irmãos de raça, é preferido pelos sobas para o cargo de conselheiro. E então ele, sempre munido de papel, caneta e tinta (antigamente supridos com folha seca de bananeiras, pedaço aguçado de madeira e infusão de folhas de tomateiro), redige as petições às autoridades superiores, no que é useiro e vezeiro. Para melhor se definir a astúcia de que é dotado, basta dizer-se que, certa vez, desejando um grupo de ambaquistas endereçar uma representação ao chefe da Colónia contra determinada autoridade, assinaram-na em círculo, isto para evitar que a responsabilidade recaísse no primeiro!!!”

Óscar Ribas cegou por completo aos 36 anos de idade. Contudo, nunca deixou de “escrever” os seus livros, fazendo-o através do punho de um irmão a quem ditava o que o conhecimento e a inspiração lhe sugeriam.

É detentor dos seguintes títulos honoríficos:

Membro Titular da Sociedade Brasileira de Folk-Lore (Natal, Rio Grande do Norte, Brasil – 1954)
Oficial da Ordem do Infante (1962)
Medalha Gonçalves Dias da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (1968)
Diploma de Mérito da Secretaria de Estado da Cultura de Angola (1989)
Medalha de Mérito Municipal da C. M. Cascais (1995)
Diploma de Investigador Convidado da Universidade Moderna – Lisboa (1996)

BIBLIOGRAFIA
“Nuvens Que Passam” (1927) – novela

“O Resgate Duma Falta” (1929) – novela

“Flores e Espinhos” (1948) – lirismo, ensaios e contos

“Uanga” (1951) – romance – Menção Honrosa da Agência-Geral do Ultramar

“Ecos da Minha Terra” (1952) – dramas angolanos– Prémio Margaret Wrong do International Committee of Christian Literature for Africa

“Ilundu” (1959) – espíritos e ritos angolanos– Prémio de Etnografia do Instituto de Angola

“Misoso - I, II e III” (1961, 1962 e 1964) – literatura tradicional angolana – Prémio Monsenhor Alves da Cunha da Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra em Angola

“Alimentação Regional Angolana” – 6ª edição (1990)

“Izomba” (1965) – associativismo e recreio

“Sunguilando” (1967) – contos tradicionais angolanos

“Kilandukilu” (1973) – contos e instantâneos

“Cultuando as Musas” (1993) – poesias

“Dicionário de Regionalismos Angolanos” (1997)

“Temas da Vida Angolana e Suas Incidências” (2002) – ensaios

http://www.minhasimagens.org/convidados/tomas/oscarribas.htm

sábado, 15 de agosto de 2009

Aung San Suu Kyi


Origem: WIKIPEDIA, a enciclopédia livre.

Nascimento 19 de Junho de 1945 (64 anos). Rangum. Nacionalidade. Mianmar. Ocupação política


Aung San Suu Kyi, em birmanês , (Rangum, 19 de Junho de 1945) é líder política e ativista birmanesa, premiada com o Nobel da Paz em 1991, líder da oposição ao regime ditatorial do país, activista dos direitos humanos.

É filha de Aung San, o herói nacional da independência da Birmânia, que foi assassinado quando Suu Kyi tinha apenas dois anos de idade.

Depois de ter vivido em Londres, regressou ao seu país em 1988, por altura da morte da mãe. O seu retorno à Birmânia coincidiu com a eclosão de uma revolta popular espontânea contra vinte e seis anos de repressão política e de declínio económico no país. Em pouco tempo, Suu Kyi tornou-se a líder do movimento de contestação ao regime militar.

Manifestação pela liberação de Aung San Suu Kyi, 2005.

Nesse ano de 1988, morreram dez mil pessoas em consequência das medidas de repressão adoptadas pelo regime. Após o seu partido (a Liga Nacional para a Democracia) ter obtido uma vitória esmagadora nas eleições de 1990, Suu Kyi viu-se remetida a prisão domiciliária pela junta militar que governa o seu país. A Birmânia - denominada Myanmar, a partir de 18 de junho de 1989 - continuou a ser dirigida pelo general Ne Win num regime ditatorial, mas a luta pela democracia ganhava crescente visibilidade e apoio internacional.

Manifestação pela liberação de Aung San Suu Kyi, em Nova York, 2003.

Em 1990, Aung San Suu Kyi ganhou o prémio Sakharov de liberdade de pensamento, e em 1991 foi galardoada com o Prémio Nobel da Paz.

Em 1995, o regime militar decidiu levantar a pena de prisão domiciliária imposta à Prémio Nobel, como sinal de abertura democrática dirigido à comunidade internacional. Mas sua liberdade durou pouco. Dos últimos 19 anos, ela passou 13 em prisão domiciliar.[1]

Em 2001, o grupo U2 fez uma canção em sua homenagem chamada Walk On.

Em 2008, Suu Kyi foi classificada como a 71ª mulher mais poderosa do mundo, pela revista Forbes. Em setembro do mesmo ano, seu estado de saúde suscitou preocupação. Ela estaria recusando a comida que lhe era fornecida pela junta militar.[2]

Prisão e julgamento
A duas semanas do fim de sua mais recente pena de prisão domiciliar, Aung San Suu Kyi foi enviada para a prisão de Insein, nos arredores de Rangum. Ela e seu médico particular estão detidos desde 7 de maio de 2009. As autoridades acusaram formalmente Suu Kyi de descumprir os termos de sua detenção quando permitiu que um americano dormisse em sua casa, no início de maio. Seu estado de saúde é delicado. "Ela não pode mais comer. Sua pressão é baixa e ela sofre de desidratação", segundo seu médico.

Nove ganhadores do Nobel manifestaram apoio a Aung San Suu Kyi, que atualmente está sendo julgada.[3]Segundo a Secretária de Estado para os Direitos Humanos da França, Rama Yade, a detenção de Suu Kyi, a poucos dias de sua liberação, visa afastá-la do processo eleitoral. O objetivo do regime é chegar às eleições legislativas de 2010 sem entraves. "Trata-se de um estado que vive sob o terror há vinte anos," [4].

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, qualificou de escandaloso o processo contra Aung San Suu Kyi. "É escandaloso que ela seja julgada e continue a ser detida em razão de sua popularidade", declarou Clinton em Washington. [5]

Em 30 de maio, os dois juízes militares que julgam a principal opositora birmanesa, adiaram a data de apresentação das razões finais no processo contra ela, de 1º para 5 de junho. "O tribunal pronunciará a sentença depois das razões finais" − disse Kyi Win, da equipe de três advogados que defendem Aung San Suu Kyi. [6]

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Idi Amin Dada


Seu estilo de governar era arbitrário, seu temperamento excêntrico, vingativo e violento.

Militar e ex-ditador de Uganda

Idi Amin Dada nasceu em Koboko, uma pequena aldeia de camponeses muçulmanos de Kakwa, nas margens do Nilo, em um dos distritos mais remotos de Uganda. A data precisa de seu nascimento é incerta. Algumas fontes a situam entre 1923 e 1925, outras apontam o dia 1º de janeiro de 1925.

Alistado no Exército britânico, foi ajudante de cozinheiro e o seu porte físico (1,90 metro, 110 quilos) o ajudou a ser campeão de boxe na categoria peso pesado de seu país (1951-1960).

Após a independência de Uganda em 1962, Idi Amin se tornou chefe do Exército (1966) do presidente Milton Obote. Em 1971, graças a um golpe militar, assumiu o poder e se transformou em um dos maiores déspotas da África, culpado pela morte de milhares de ugandenses.

Seu estilo de governar era arbitrário, seu temperamento excêntrico, vingativo e violento. Expulsava imigrantes, sobretudo asiáticos, dizendo que Deus lhe havia dito para transformar Uganda em um país de homens negros. Expressava também admiração por Adolf Hitler.

Durante o seu governo (1971-1979) violou muitas vezes os direitos humanos fundamentais, sendo denunciado dentro e fora do continente africano. Muitos ugandenses acusavam-no de manter cabeças decepadas em uma geladeira, de alimentar crocodilos com cadáveres e de ter desmembrado uma de suas esposas. Alguns diziam que ele praticava canibalismo.

Em 1972 rompeu relações diplomáticas com Israel. Em 1975 foi recebido pelo papa Paulo 6º. como chefe em exercício da Organização da Unidade Africana. No ano seguinte foi notícia internacional quando, ao apoiar o seqüestro de um avião da Air France por um comando palestino, a força aérea israelense atacou o aeroporto de Entebbe, próximo a Campala, capital de Uganda, libertando os reféns.

O ataque deixou 31 mortos, entre eles 20 ugandenses. A intervenção foi encarada pelo ditador como uma humilhação pessoal. Em 1976 rompeu relações diplomáticas com o Reino Unido. Dois anos depois, um atentado contra ele nos subúrbios de Campala fracassou.

Exilado na Tanzânia, o líder por ele deposto, Milton Obote, convocou um levante e, no dia 11 de abril de 1979, o ditador foi derrubado pela Frente Nacional de Libertação de Uganda (FNLU), pelas forças do presidente da Tanzânia, Julius Nyerere, e de exilados ugandenses.

Um novo regime, dirigido por Yusuf Lule, chefe do FNLU, também seria destituído no dia 20 de junho por Godfrey Binaisa. Idi Amim abandonou o país e fugiu para a Líbia, mas teve de buscar outro refúgio quando o ditador líbio Muamar Kadhafi o expulsou do país.

Recebeu asilo da Arábia Saudita, em nome da caridade islâmica, onde viveu até o final de sua vida, acompanhado por quatro esposas e 50 filhos. Cerca de um mês antes de morrer, pediu para retornar a Uganda, mas o governo do país negou-lhe o pedido. Idi Amin foi enterrado na Arábia Saudita.

http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u758.jhtm

Imagem: http://farm1.static.flickr.com/172/430932565_61996f85e8_o.jpg

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Ken Saro-Wiwa




“O que a Shell e a Chevron fizeram ao povo ogoni, às suas terras e a seus rios, a seus riachos, à sua atmosfera, chega ao nível de um genocídio.

- A Shell e as alterações climáticas.
Ken Saro-Wiwa era escritor e fazia parte do povo ogoni da Nigéria. Assumiu funções de presidente do “Movimento para a Sobrevivência do Povo Ogoni” (MOSOP). Num livro que publicou em 1992 pode-se ler: “O que a Shell e a Chevron fizeram ao povo ogoni, às suas terras e a seus rios, a seus riachos, à sua atmosfera, chega ao nível de um genocídio. A alma do povo ogoni está a morrer e eu sou testemunha.” Saro-Wiwa juntou 300 mil pessoas numa marcha de protesto, exigindo à Shell e à Chevron o pagamento de indemnizações e a reparação dos danos ambientais causados no delta do rio Níger.

No ano seguinte, o líder do movimento é preso, junto com outros dirigentes, acusados da morte de quatro líderes Ogoni. A Amnistia Internacional considera Saro-Wiwa, defensor da não-violência, um “prisioneiro de consciência”. Um tribunal militar condena-o por homicídio. Governos e organizações de todo o mundo acusam o tribunal de fraude, apelam à libertação do ecologista e tentam levar a Shell a intervir. Sem êxito. A 10 de Novembro, Saro-Wiwa e os oito dirigentes do movimento são enforcados pela ditadura militar. Em homenagem a estes activistas, o dia 10 de Novembro é considerado, internacionalmente, o Dia Contra a Shell.

A destruição das florestas naturais e a libertação de grandes quantidades de dióxido de carbono e outros gases pelos automóveis e máquinas afins que utilizamos, têm vindo a intensificar a concentração desses gases na atmosfera. Como consequência, temos vindo a assistir por todo o planeta ao chamado aquecimento global: um aumento da temperatura média superficial global que se têm registado nos últimos 150 anos e que conduz às alterações climáticas.

Embora a Shell alegue estar a reduzir as suas emissões de dióxido de carbono (o principal causador das alterações climáticas), a quantidade de dióxido de carbono produzida pelo petróleo da Shell excede a produzida pelo Brasil. A Shell pretende aumentar a sua produção de petróleo para além dos 100 milhões de barris por dia nos próximos 10 a 15 anos. Simultaneamente, procura aumentar a dependência mundial do gás natural, que também contribui para o aquecimento global. Como membro do American Petroleum Institute, a Shell continua a fazer um lobby feroz contra as medidas para mitigar as alterações climáticas, incluindo o Protocolo de Quioto.

O núcleo de Coimbra do GAIA está a preparar acções surpresa para assinalar o Dia contra a Shell. No Porto, o GAIA também está a preparar accções para o mesmo dia e está a realizar um documentário sobre alterações climáticas, que depois irá ser divulgado e projectado e nas duas cidades. Contactos: coimbra@gaia.org.pt 969739685 (Susana) 914461319 (Sofia)

http://www.gaia.org.pt/?q=node/719


Ken Saro-Wiwa, um escritor nigeriano que ajudou a criar um movimento pacífico de massas em defesa do povo Ogoni, foi executado em Novembro de 1995, juntamente com outros oito activistas do meio ambiente e dos direitos Humanos. Catorze anos depois circunstâncias em torno das nove execuções, juntamente com os incidentes relacionados de ataques brutais e torturas, estão sendo novamente investigados.

Quem se vê envolvida no caso é a Shell. A família do escritor acusa a companhia petrolífera holandesa Shell por cumplicidade no caso. Uma condenação teria repercussões e poderia tornar claro que grandes empresas não podem simplesmente actuar impunemente nos países mais pobres e não só.

http://notasaocafe.wordpress.com/2009/05/28/relembrar-ken-saro-wiwa/

Foto de Ken Saro-Wiwa: WIKIPEDIA

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Mobutu


Em 1997, o regime de Mobutu chegou ao fim. Após 37 anos no poder.

Mobutu Sese Seko Nkuku wa za Banga (significa em português O Todo Poderoso Guerreiro que Por Sua Força e Inabalável Vontade de Vencer, Vai de Conquista em Conquista Deixando fogo em Seu Rastro. (n. Lisala, Congo Belga, 14 de Outubro de 1930 - † Rabat, Marrocos, 7 de Setembro de 1997). Com uma imagem marcada pelo uso de um chapéu de pele de leopardo e uma bengala, fica para a história contemporânea de África como um dos mais poderosos governantes do continente.

Mobutu alistou-se em 1949 no exército, como sargento da Força Pública congolesa. Envolveu-se na luta pela independência, que foi conseguida em 1960, exercendo então o cargo de secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros.

Afastou-se depois da política, mas não da actividade militar, esfera em que foi consolidando a sua influência até que ela se tornou um incontornável poder de facto no país. Decidiu-se por uma iniciativa militar, em 1965, que afastou o presidente e o primeiro-ministro, declarando-se Mobutu seu herdeiro espiritual. Dissolveu a Assembleia Nacional e assumiu a titularidade de todos os poderes (legislativo, executivo e judicial), em regime de partido único, de tal forma que o seu nome se veio a confundir com o próprio Estado.

Perante a comunidade internacional, alegou ser o único garante da unidade de um país multiétnico e, apesar da sua política ditadorial, foi apoiado pelos países ocidentais, que não queriam ver instalado um regime comunista em tão importante região de África. Em 1971, Mobutu mudou o nome do país e do importante rio internacional, ambos Congo, para Zaire.

Mobutu governava um dos países mais ricos do continente (entre outras potencialidades económicas, merece destaque a exploração de metais e pedras preciosas), mas o seu povo vivia cada vez mais abaixo do limiar da pobreza. A dívida externa chegava a atingir os 12 mil milhões de dólares. Em simultâneo, a fortuna pessoal de Mobutu, quase toda no estrangeiro, subia para índices estimados hoje em cerca de 7000 milhões de dólares. O presidente concentrava nas suas mãos uma grande parte do Produto Nacional Bruto (PNB) do país.

Em 1997, o regime de Mobutu chegou ao fim. Após 37 anos no poder, o "Grande Leopardo" (como era por vezes apelidado) viu-se obrigado a abandonar o país, deixando o poder a Laurent-Désiré Kabila, que durante muitos anos lhe vinha movendo uma luta de guerrilha. Morreu de cancer da próstata no exílio em Rabat, Marrocos, em Setembro de 1997.

http://www.dittatori.it/mobutu-por.htm

Imagem: Mobutu Sese Seko e Richard Nixon em Washington D.C., 1973.
WIKIPEDIA