quarta-feira, 10 de março de 2010

A minha modesta homenagem a Alda do Espírito Santo




Biografia
Alda Espirito Santo, também conhecida por Alda Graça, nasceu em São Tomé em 1926 e teve a sua educação em Portugal. Ainda freqüentou a Universidade, mas teve que abandonar, em parte devido às suas atividades políticas, mas também por motivos econômicos.

http://betogomes.sites.uol.com.br/AldaEspiritoSanto.htm

Sendo uma das mais conhecidas poetizas africanas de língua portuguesa, ocupou alguns cargos de relevo nos governos de São Tome e Príncipe, nomeadamente foi Ministra da Educação e Cultura, Ministra da Informação e Cultura e Deputada. Os seus poemas aparecem nas mais variadas antologias lusófonas, bem como em jornais e revistas de São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique. Depois de publicar "O Jogral das Ilhas, em 1976, publicou em 1978 "É nosso o solo sagrada da terra", o qual é até ao momento o seu trabalho mais importante.

Obra poética:
O Jogral das Ilhas, 1976, São Tomé, e. a.;
É Nosso o Solo Sagrada da Terra, 1978, Lisboa, Ulmeiro.

Angolares1
Canoa frágil, à beira da praia,
panos preso na cintura,
uma vela a flutuar...
Caleima2, mar em fora
canoa flutuando por sobre as procelas das águas,
lá vai o barquinho da fome.
Rostos duros de angolares1
na luta com o gandu3
por sobre a procela das ondas
remando, remando
no mar dos tubarões
p'la fome de cada dia.

Lá longe, na praia,
na orla dos coqueiros
quissandas4 em fila,
abrigando cubatas,
izaquente5 cozido
em panela de barro.

Hoje, amanhã e todos os dias
espreita a canoa andante
por sobre a procela das águas.
A canoa é vida
a praia é extensa
areal, areal sem fim.
Nas canoas amarradas
aos coqueiros da praia.
O mar é vida.
P'ra além as terras do cacau
nada dizem ao angolar1
"Terras tem seu dono".

E o angolar1 na faina do mar,
tem a orla da praia
as cubatas de quissandas4
as gibas pestilentas
mas não tem terras.

P'ra ele, a luta das ondas,
a luta com o gandu3,
as canoas balouçando no mar
e a orla imensa da praia.

(É nosso o solo sagrado da terra)
1 - Angolar: grupo étnico são-tomense. Segundo a tradição portuguesa, sem confirmação científica, teria naufragado, em frente ao extremo sul da Ilha de São Tomé, um barco transportando cativos (1550). Estes, logrando alcançar a costa, teriam dado origem ao Povo Angolar. Admite-se, todavia, que os angolares tenham alcançados a Ilha por seus próprios meios, provenientes do Continente Africano;

2 - Caleima: ondulação forte do mar;
3 - Gandu: tubarão;
4 - Quissanda: tapumes feitos com folhas de palmeira;
5 - Izaquente: frutos cujas sementes são caracterizadas por um alto poder energético.

Avó Mariana
Avó Mariana, lavadeira
dos brancos lá da Fazenda
chegou um dia de terras distantes
com seu pedaço de pano na cintura
e ficou.
Ficou a Avó Mariana
lavando, lavando, lá na roça
pitando seu jessu1
à porta da sanzala
lembrando a viagem dos seus campos de sisal.

Num dia sinistro
p'ra ilha distante
onde a faina de trabalho
apagou a lembrança
dos bois, nos óbitos
lá no Cubal distante.

Avó Mariana chegou
e sentou-se à porta da sanzala2
e pitou seu jessu1
lavando, lavando
numa barreira de silêncio.

Os anos escoaram
lá na terra calcinante.

- "Avó Mariana, Avó Mariana
é a hora de partir.
Vai rever teus campos extensos
de plantações sem fim".

- "Onde é terra di gente?
Velha vem, não volta mais...
Cheguei de muito longe,
anos e mais anos aqui no terreiro...
Velha tonta, já não tem terra
Vou ficar aqui, minino tonto".

Avó Mariana, pitando seu jessu1
na soleira do seu beco escuro,
conta Avó Velhinha
teu fado inglório.
Viver, vegetar
à sombra dum terreiro
tu mesmo Avó minha
não contarás a tua história.

Avó Mariana, velhinha minha,
pitando seu jessu1
na soleira da senzala
nada dirás do teu destino...
Porque cruzaste mares, avó velhinha,
e te quedaste sozinha
pitando teu jessu1?

(É nosso o solo sagrado da terra)

1 - Jessu: cachimbo de barro;
2 - Sanzala: aldeia.
Descendo o meu bairro

(É nosso o solo sagrado da terra)

Em torno da minha baía
Aqui, na areia,
Sentada à beira do cais da minha baía
do cais simbólico, dos fardos,
das malas e da chuva
caindo em torrentes
obre o cais desmantelado,
caindo em ruínas
eu queria ver à volta de mim,
nesta hora morna do entardecer
no mormaço tropical
desta terra de África
à beira do cais a desfazer-se em ruínas,
abrigados por um toldo movediço
uma legião de cabecinhas pequenas,
à roda de mim,
num vôo magistral em torno do mundo
desenhando na areia
a senda de todos os destinos
pintando na grande tela da vida
uma história bela
para os homens de todas as terras
ciciando em coro, canções melodiosas
numa toada universal
num cortejo gigante de humana poesia
na mais bela de todas as lições:

HUMANIDADE

(É nosso o solo sagrado da terra)

Ilha nua
Coqueiros e palmares da Terra Natal
Mar azul das ilhas perdidas na conjuntura dos séculos
Vegetação densa no horizonte imenso dos nossos sonhos.
Verdura, oceano, calor tropical
Gritando a sede imensa do salgado mar
No deserto paradoxal das praias humanas
Sedentas de espaço e de vida
Nos cantos amargos do ossobô1
Anunciando o cair das chuvas
Varrendo de rijo a terra calcinada
Saturada do calor ardente
Mas faminta da irradiação humana
Ilhas paradoxais do Sul do Sará
Os desertos humanos clamam
Na floresta virgem
Dos teus destinos sem planuras...

(É nosso o solo sagrado da terra)

1 - 0ssobô: ave de belas cores, cujo canto, segundo a tradição, anuncia chuva. Tem ainda a força mítica que o associa a regiões paradisíacas.

Lá no água grande
Lá no "Água Grande" a caminho da roça
negritas batem que batem co'a roupa na pedra.
Batem e cantam modinhas da terra.

Cantam e riem em riso de mofa
histórias contadas, arrastadas pelo vento.

Riem alto de rijo, com a roupa na pedra
e põem de branco a roupa lavada.

As crianças brincam e a água canta.
Brincam na água felizes...
Velam no capim um negrito pequenino.

E os gemidos cantados das negritas lá do rio
ficam mudos lá na hora do regresso...
Jazem quedos no regresso para a roça.

(É nosso o solo sagrado da terra)

No mesmo lado da canoa
As palavras do nosso dia
são palavras simples
claras como a água do regato,
jorrando das encostas ferruginosas
na manhã clara do dia-a-dia.

É assim que eu te falo,
meu irmão contratado numa roça de café
meu irmão que deixas teu sangue numa ponte
ou navegas no mar, num pedaço de ti mesmo em luta
[com o gandu1
Minha irmã, lavando, lavando
p'lo pão dos seus filhos,
minha irmã vendendo caroço
na loja mais próxima
p'lo luto dos seus mortos,
minha irmã conformada
vendendo-se por uma vida mais serena,
aumentando afinal as suas penas...
É para vós, irmãos, companheiros da estrada
o meu grito de esperança
convosco eu me sinto dançando
nas noites de tuna
em qualquer fundão, onde a gente se junta,
convosco, irmãos, na safra do cacau,
convosco ainda na feira,
onde o izaquente2 e a galinha vão render dinheiro.
Convosco, impelindo a canoa p'la praia
juntando-me convosco
em redor do voador panhá3
juntando-me na gamela
vadô tlebessá4
a dez tostões.

Mas as nossas mãos milenárias
separam-se na areia imensa
desta praia de S. João
porque eu sei, irmão meu, tisnado como eu p'la vida,
tu pensas irmão da canoa
que nós os dois, carne da mesma carne
batidos p'los vendavais do tornado
não estamos do mesmo lado da canoa.

Escureceu de repente.
Lá longe no outro lado da Praia
na ponta de S. Marçal
há luzes, muitas luzes
nos quixipás5 sombrios...
O pito dóxi6 arrepiante, em sinais misteriosos
convida à unção desta noite feiticeira...
Aqui só os iniciados
no ritmo frenético dum batuque de encomendação
aqui os irmão do Santu
requebrando loucamente suas cadeiras
soltando gritos desgarrados,
palavras, gestos,
na loucura dum rito secular.

Neste lado da canoa, eu também estou irmão,
na tua voz agonizante, encomendando preces, juras,
[ Maldições.

Estou aqui, sim, irmão
nos nozados7 sem tréguas
onde a gente joga
a vida dos nossos filhos.
Estou aqui, sim, meu irmão
no mesmo lado da canoa.

Mas nós queremos ainda uma coisa mais bela.
Queremos unir as nossas mãos milenárias,
das docas dos guindastes
das roças, das praias
numa liga grande, comprida
dum pólo a outro da terra
p'los sonhos dos nossos filhos
para nos situarmos todos do mesmo lado da canoa.

E a tarde desce...
A canoa desliza serena,
rumo à Praia Maravilhosa
onde se juntam os nossos braços
e nos sentamos todos, lado a lado,
na canoa das nossas praias.

(É nosso o solo sagrado da terra)

1 - Gandu: tubarão;
2 - Izaquente: frutos cujas sementes são caracterizadas por um alto poder energético;
3 - Vadô Panhá: espécie de peixe voador que no tempo seco se apanha na praia;
4 - Vadô tlebessá: peixe voador que se distingue do vadô panhá por apenas se pescar em alto mar;
5 - Quixipás: barracas feitas com folhas de palmeira;
6 - Pitu dóxi: "apito doce", literalmente. Flautista virtuoso;
7 - Nozado: velório.

Onde estão os homens caçados neste vento de loucura
O sangue caindo em gotas na terra
homens morrendo no mato
e o sangue caindo, caindo...
Fernão Dias para sempre na história
da Ilha Verde, rubra de sangue,
dos homens tombados
na arena imensa do cais.
Ai o cais, o sangue, os homens,
os grilhões, os golpes das pancadas
a soarem, a soarem, a soarem
caindo no silêncio das vidas tombadas
dos gritos, dos uivos de dor
dos homens que não são homens,
na mão dos verdugos sem nome.
Zé Mulato, na história do cais
baleando homens no silêncio
do tombar dos corpos.
Ai, Zé Mulato, Zé Mulato.
As vítimas clamam vingança
O mar, o mar de Fernão Dias
engolindo vidas humanas
está rubro de sangue.
- Nós estamos de pé -
nossos olhos se viram para ti.
Nossas vidas enterradas
nos campos da morte,
os homens do cinco de Fevereiro
os homens caídos na estufa da morte
clamando piedade
gritando pela vida,
mortos sem ar e sem água
levantam-se todos
da vala comum
e de pé no coro de justiça
clamam vingança...
... Os corpos tombados no mato,
as casas, as casas dos homens
destruídas na voragem
do fogo incendiário,
as vias queimadas,
erguem o coro insólito de justiça
clamando vingança.
E vós todos carrascos
e vós todos algozes
sentados nos bancos dos réus:
- Que fizeste do meu povo?...
- Que respondeis?
- Onde está o meu povo?
...E eu respondo no silêncio
das vozes erguidas
clamando justiça...
Um a um, todos em fila...
Para vós, carrascos,
o perdão não tem nome.
A justiça vai soar,
E o sangue das vidas caídas
nos matos da morte
ensopando a terra
num silêncio de arrepios
vai fecundar a terra,
clamando justiça.
É a chamada da humanidade
cantando a esperança
num mundo sem peias
onde a liberdade
é a pátria dos homens...

(É nosso o solo sagrado da terra)

Para lá da praia
Baía morena da nossa terra
vem beijar os pezinhos agrestes
das nossas praias sedentas,
e canta, baía minha
os ventres inchados
da minha infância,
sonhos meus, ardentes
da minha gente pequena
lançada na areia
da praia morena
gemendo na areia
da Praia Gamboa.

Canta, criança minha
teu sonho gritante
na areia distante
da praia morena.

Teu teto de andala1
à berma da praia
teu ninho deserto
em dias de feira,
mamã tua, menino
na luta da vida.

Gamã pixi2 à cabeça
na faina do dia
maninho pequeno, no dorso ambulante
e tu, sonho meu, na areia morena
camisa rasgada,
no lote da vida,
na longa espera, duma perna inchada

Mamã caminhando p'ra venda do peixe
e tu, na canoa das águas marinhas
- Ai peixe à tardinha
na minha baía
mamã minha serena
na venda do peixe
pela luta da fome
da gente pequena.

(É nosso o solo sagrado da terra)

1 - Andala: folha de palmeira;

2 - Gamã pixi: gamela com peixe.

CECÍLIA MEIRELES. Poeta: 1901 – 1964. Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa


Quando tudo aconteceu...
1901: 7 de novembro, Rio de Janeiro: nasce Cecília Meireles. Seus pais: Carlos Alberto de Carvalho Meireles e Matilde Benevides. Ambos morreram cedo: o pai, três meses antes do nascimento da filha; a mãe faleceu quando Cecília tinha 3 anos de idade. Os avós paternos: João Correia Meireles, português, funcionário da Alfândega do Rio de Janeiro, e D. Amélia Meireles, ambos falecidos.

Lúcia Helena Vianna
http://www.vidaslusofonas.pt/cecilia_meireles.htm

A avó materna, D.Jacinta Garcia Benevides, açoriana, cuidou da menina, como tutora. – 1910: Termina o Curso Primário, na Escola Estácio de Sá. Recebe medalha de ouro das mãos do poeta Olavo Bilac, então Inspetor Escolar do Distrito Federal. Na adolescência: paixão pelos livros. Estuda história, línguas, filosofia, estudos orientais, que continuaram sempre. Nasce o entusiasmo pelo Oriente. – 1917: Diploma-se na Escola Normal (Instituto de Educação). Desde então exerce o Magistério. Segue os estudos no Conservatório Nacional de Música. – 1919: O primeiro livro de versos, Espectros, recebe elogios da crítica. – 1922: Casa-se com o artista plástico português, Fernando Correia Dias.

Desse casamento nascem três filhas: Maria Elvira, Maria Matilde e Maria Fernanda (esta virá a ser uma famosa atriz do teatro brasileiro). – 1924: Escreve Criança meu amor, adotado pelas escolas municipais. – 1929: Edita a conferência O espírito vitorioso, apresentada no Concurso para vaga na cátedra de Literatura Brasileira, no Instituto de Educação. – 1930/1934: Atividade jornalística intensa: dirige uma página diária sobre Educação no jornal Diário de Notícias. Faz críticas ao Governo de Getúlio Vargas em defesa de uma nova escola. – 1934: Passa a dirigir o Instituto Infantil, no Pavilhão Mourisco. Cria uma Biblioteca Infantil. Neste mesmo ano faz a primeira viagem ao exterior.Visita Portugal acompanhada do marido, a convite da Secretaria de Propaganda desse país. Intensa atividade cultural em Lisboa e Coimbra. Nascem grandes amizades. – 1935: Leciona Literatura Brasileira na recém fundada Universidade do Distrito Federal (hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro). Suicídio do marido. – 1936/1938: Dificuldades econômicas lhe exigem muito trabalho: ministra cursos de Técnica e Crítica Literária; sobre Literatura Comparada e Literatura Oriental. Escreve regularmente em vários jornais (A Manhã, Correio Paulistano, A Nação).Trabalha no departamento de Imprensa e Propaganda como responsável pela revista Travel in Brazil. – 1938: Seu livro Viagem recebe o Prêmio Poesia da Academia Brasileira de Letras.

Conhece o médico Heitor Grilo. Casam-se no ano seguinte. Viagem aos Estados Unidos e México. Ministra cursos de Literatura Brasileira na Universidade do Texas. – 1939: Viagem é editado em Lisboa. – 1940: Nos Estados Unidos leciona Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas. Faz conferências sobre literatura, folclore e educação no México. – 1942/1944: Publica Vaga Música. No jornal A Manhã, escreve importantes estudos sobre folclore infantil. – 1944: Visita Uruguai e Argentina. – 1945: Publica Mar Absoluto. A família muda-se para o Cosme Velho. – 1948: Instalação da Comissão Nacional de Folclore. É tratada como autoridade no assunto. – 1949: Mais um livro: Retrato Natural. – 1951:

Secretaria o Primeiro Congresso Nacional de Folclore (Rio Grande do Sul). Viagem à Europa (França, Bélgica, Holanda e Portugal). Publica Amor em Leonoreta. – 1952: Recebe o Grau de Oficial da Ordem do Mérito, do Chile. Sócia honorária do Gabinete Português de Leitura, do Instituto Vasco da Gama, de Goa, na Índia. Lança: Doze noturnos de Holanda & O Aeronauta. – 1953: Afinal sai O Romanceiro da Inconfidência, a obra prima. A convite do primeiro ministro Nehru, participa de Simpósio sobre a obra de Gandhi, na Índia. Recebe título Doutor Honoris Causa pela Universidade de Deli. Compõe Poemas escritos na Índia. Passagem pela Itália: nascem os Poemas Italianos. Índia, Goa e Europa... Pequeno Oratório de Santa Clara. – 1954: Novas viagens: Europa e, agora, Açores. – 1956: Publica Canções. – 1957: Viaja a Porto Rico. – 1958: Faz conferência em Israel. Visita aos lugares santos. Publicação da Obra Completa pela editora José Aguilar. – 1960: Publica Metal Rosicler. – 1963: O último livro publicado em vida, Solombra. – 1964: Morre em 9 de novembro. Repousa no Cemitério São João Batista (Botafogo, Rio de Janeiro) túmulo n.8951, quadra 14. Uma lápide simples contém apenas nome e data, 1901-1964. – 1965: A Academia Brasileira de Letras confere-lhe o Prêmio Machado de Assis, post mortem, pelo conjunto de sua obra.

Seus livros
Espectros, 1919 l Nunca mais... e Poema dos Poemas, 1923 l Baladas para El-Rei, 1925 l Criança, meu amor, 1927 l Viagem, 1939 l Vaga música, 1942 l Mar Absoluto e Outros Poemas, 1945 l Retrato natural, 1949 l Amor em Leonoreta, 1951 l Dez noturnos de Holanda & O aeronauta, 1952 l Romanceiro da Inconfidência, 1953 l Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955 l Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955 l Canções, 1956 l Romance de Santa Cecília, 1957 l Obra poética, 1958 l Metal Rosicler, 1960 l Poemas escritos na Índia, 1961 l Solombra, 1963 l Ou isto ou aquilo, 1964 l Crônica trovada da cidade de Sam Sebastiam, 1965 l Poemas italianos, 1968 l Ou isto ou aquilo & Inéditos, 1969 l Cânticos, 1981 l Oratório de Santa Maria Egipcíaca, 1986 .

Desde 1998 vem sendo desenvolvido projeto de publicação de toda a obra em prosa da poeta, coordenado pelo camonista Leodegário de Azevedo Filho.
Em 2001, em comemoração ao centenário de nascimento, a Editora Nova Fronteia, do Rio de Janeiro, publica Poesia Completa, em dois volumes. Edição organizada por Antonio Carlos Secchin.

terça-feira, 9 de março de 2010

Enid Blyton


Enid Mary Blyton, nasceu a 11 de Agosto de 1897, num pequeno andar sobre uma loja em Lordship Lane, zona Este de Dulwich em Londres. Com alguns meses de idade a sua família mudou-se para Beckenham em Kent. Local onde Enid e os seus irmãos, Hanly e Carcey passaram a sua infância. Hoje Beckenham é uma cidade activa, mas no século passado foi uma localidade calma e rural.

http://www.misteriojuvenil.com/BlytonBiografia.htm

Enid foi uma apreciadora da história natural e sempre recordava os passeios que fazia com o seu pai Thomas Blyton. Ele ensinou-a tudo sobre a natureza, animais, insectos, aves e plantas, que viviam nos campos em volta da sua casa. O seu entusiasmo pelo estudo da natureza foi muito importante para o resto da sua vida, onde aplicou os conhecimentos em muitos livros, histórias poemas e artigos.

Também gostava muito de ler. Lia tudo o que lhe caia nas mãos, até enciclopédias difíceis. Com o incentivo do pai começou a inventar a suas próprias histórias e poemas.
Tal como gostava de escrever, também detestava ajudar em casa e cuidar dos seus irmãos mais pequenos. A sua mãe Theresa não compartilhava nenhum interesse de Enid ou do seu pai. Com o tempo Thomas e Theresa concluíram que já não tinhamnada em comum, separando-se quando Enid tinha 13 ou 14 anos, tendo ficado com a sua mãe. Enid sofreu muito com a saídado pai. Thomas foi um bom pianista e sempre tinha planeado uma carreira musical para a sua filha, mas em 1916 Enid decidiu que a única coisa que queria era estudar para professora. Telefonou ao pai e convenceu--o a assinar os papeis necessários e um ano depois começou a estudar para professora primária, em Ipswich High Scholl.
Tempos depois, nas suas horas vagas começou a escrever seriamente.
No início Enid Blyton teve dificuldade em encontrar um editor para publicar as suas histórias e durante alguns anos o seu trabalho foi negado constantemente.
Como uma pessoa determinadaEnid não desistiu e continuou a escrever em cada minuto que tinha livre. Finalmente publicou um pequeno poema numa revista editada por Arthur Mee e um outro na “Nash’s Magazine”. Até hoje não se sabe qual dos poemas foram, pois na altura foram publicados sem o nome do autor. O primeiro poema com o titulo “Have You...!” (”Tu tens...”) apareceu em Março de 1917 no “Nash’s Magazine”. Uns meses depois na mesma revista publicou outro, chamado “My Summer Prayer” (O Meu Desejo de Verão).
Também quando terminou os seus estudos e começou a trabalhar como professora, Enid continuou a escrever. Em Fevereiro de 1922 começou a escrever artigos para a revista “Teachers World”. No início os seus trabalhos eram publicados com pouca regularidade, mas a partir de 1929 teve uma página semanal com o título “ Enid Blyton’s Children Page”. Normalmente continha uma carta, um poema e uma história. Escreveu regularmente para a “Teacher’s World” até 1945.
No Verão de 1922 Enid publica o seu primeiro livro, intitulado “Child Whispers”, que continha uma colecção dos seus poemas.
A capa de cartão foi desenhada com pouca qualidade por um amigo da escola, Phyllis Chase. Mas dado o êxito obtido, o editor publicou outra colecção no ano seguinte, chamado “Real Fairies”.
E assim Enid Blyton começou a sua carreira como autora.

Em 1924, casou com Hugh Pollock, um editor do departamento de livros da George Newnes. Por esta altura o seu nome começou a ser conhecido e alguns editores consagrados mostravam interesse nos seus livros.
Em 1926 Enid e Hug mudaram-se para Elfin Cottage em Beckenham. Passado algum tempo Blyton comprou o seu primeiro animal doméstico, um cão chamado Bobs. “Um Fox-Terrier de pelo macio”, como descreveu na sua autobiografia. Bobs aprendeu muitos truques: como sentar-se, balancear um biscoito no nariz e deitar-se de costas quando Enid lhe dizia “Morre para o Rei”. Estava treinado para fechar portas e esperar pelo “clic” da fechadura para se certificar que realmente a porta ficou fechada. Quando Enid começou a escrever a sua página semanal no “Teacher’s World”, incluía uma carta de Bobs “Letter from Bobs”, onde escrevia, no ponto de vista do Bobs, tudo o que se passava na família durante essa semana. Estas cartas eram muito divertidas e Bobs quase foi tão popular entre os leitores, como a sua dona! Bobs foi o primeiro animal que Blyton apresentou aos seus milhares de jovens nas suas histórias e nas cartas da revista.
No mesmo ano Enid, começou a escrever na gazeta “Sunny Stories for Litle Folks”, que era publicada quinzenalmente para jovens mais pequenos. Muitos dos seus leitores escreviam-lhe e Blyton começou a ter uma ideia do tipo de histórias que eles mais gostavam de ler.
Pouco depois de ter começado a escrever para a “Sunny Stories” Enid editou um livro de aventuras chamado “The Wonderful Adventure”, que relatava a busca de um tesouro perdido por um grupo de seis crianças. Este livro foi a primeira novela de aventura que Enid publicou, mas como a editora era muito pequena, foram feitas poucas cópias. Tristemente esta história foi esquecida em pouco tempo, mas Blyton continuou a escrever contos que foram muito populares entre os leitores da “Sunny Stories”. Algumas delas foram compiladas e editadas em livros.
Em 1929 Enid e Hugh voltaram a mudar-se, foram para uma vila típica do século XVI em Burn End, Buckingshire, chamada Old Thatch. Esta tinha um jardim maior que Elfin Cottage e dava mais espaço para Enid ter as suas flores e animais. Foi nesta vila que teve as suas duas filhas, Gillian em 1931 e Imogen em 1935.
Durante muitos anos Enid continuou a escrever pequenas histórias para a revista “Sunny Stories”, mas quando o titulo da revista mudou para “Enid Blyton’s Sunny Stories”em 1937, Enid decidiu escrever uma história em série. Chamava-se “Aventurer of the Wishing Chair”. Foi tão popular que continuou a publicar outras histórias. Decidiu escrever uma história de aventura para a edição 37 com o primeiro episódio da “The Secret Island” (Ilha Secreta). Esta teve tal sucesso, que pela primeira vez foi editada num livro completo. Logo os leitores reclamaram mais aventuras com o João, Miguel, Margarida e a Nora. A Ilha Secreta foi editada em livro em 1938 e em Portugal teve a primeira edição em finais dos anos 60 pela Clássica Editora. Em 1939 Blyton escreveu na “Sunny Stories” outra história desta série, “The Secret of Spiggy Holes” - (O Segredo das Grutas de Spiggy).
Enid sabia que as crianças gostavam das suas pequenas histórias, mas constatou que escrever livros de grande enredo, também teriam bastante aceitação e assim continuou.
Em 1938, começou por escrever livros inteiros de aventura. Nesta altura mudou de casa com toda a família. As suas filhas cresceram, Enid e Hugh decidiram que precisavam de mais espaço e escolheram uma casa grande em Beaconsfield.
Nas suas cartas em “Teachers World” Enid descreveu a vivenda e os seus jardins. Perguntou aos seus leitores qual o nome mais apropriado para a nova casa. Anos depois Enid escreveu na sua autobiografia como centenas de crianças lhe mandavam sugestões e muitas delas decidiram o mesmo nome “Green Hedges”. Enid viveu em Green Hedges para o resto da sua vida, e durante estes anos a sua direcção foi tão popular como o palácio de Buckingham ou o número 10 de Downing Street. Ao mudar-se para Green Hedges, viu o início da sua época bastante positiva, para além das suas histórias semanais no “Sunny Stories” e na página do “Teacher’s World” , Enid concentrou-se nos seus livros completos.
Escreveu histórias sobre a escola e o Circo. Mas o seu êxito mais popular foi nas suas séries de aventura e mistério. Paralelamente a este sucesso, Enid separa-se de Hugh Pollock em 1942, meses depois do seu primeiro livro de “Os Cinco” - “Os Cinco na Ilha do Tesouro”.
Em 1943 casou novamente, com Kenneth Waters e continuou a escrever ainda mais.
Os livros “Segredo” e “Os Cinco” foram tão populares que Enid escreveu outras séries. Uma delas foi “Aventura” e o primeiro livro, “Uma Aventura na Ilha”, foi publicado em 1944. Outros sete livros completam esta série. Tambem com grande sucesso foi a colecção “Mistério” que contava com a interpretação dos “Cinco Descobridores e o seu Cão”, apareceram na sua primeira aventura em “O Mistério da Casa Queimada” em 1943. Os “Cinco descobridores” resolviam mistérios na sua vila de “Peterswood”, um lugar parecido a Bourne End, uma localidade perto de Old Tatch.
Em 1949, escreve o seu primeiro livro para jovens mais crescidos, intitulado “The Rockingdown Mystery” - (O Mistério de Rockingdown). Um ano depois escreve o primeiro livro do “Clube dos Sete”. Os Sete apareceram inícialmente no livro “The Secret of the Old Mill” em 1948, mas “O Clube dos Sete” foi a primeira aventura oficial. Em pouco tempo, grupos de crianças em toda a Inglaterra, imitavam “Os Sete”, organizando reuniões, criaram símbolos dos seus grupos e utilizavam linguagens secretas.
Mas o momento mais decisivo foi em 1949, quando Blyton publicou “Noddy Goes to Toyland”- (”Nodi no País dos Brinquedos”). Nodi foi a personagem mais triunfante para crianças muito pequenas e até hoje é tão popular como no início. As suas aventuras apareceram em livros, banda desenhada, televisão e num filme completo. Com os anos muitos jogos foram editados com e sobre Nodi, muito mais que qualquer outra personagem Inglesa.
Enid Blyton nunca foi tão feliz como quando escrevia as suas histórias. Ela foi uma autora de nascimento e dai lhe ter sido fácil a criação de novos personagens e histórias. Na sua autobiografia, escreveu como criava uma nova história. Nunca a planeava antes de a escrever na máquina. Somente a colocava nos seus joelhos, fechava os olhos e imaginava a história: “É como espreitar por uma janela, ou um filme na minha cabeça, vêr os meus personagens e escrever tudo no papel”. Foi uma prenda divina que lhe deu a força para escrever muitos livros e histórias. Entre Janeiro de 1940 e Dezembro de 1949, Enid Blyton tinha publicado mais de 200 livros, e nos anos 50 foram mais de 300! E não foi tudo, também respondia a centenas de cartas dos seus pequenos leitores, autografava livros, lia em público e sobretudo ajudava a angariar fundos para fins de caridade. Também tinha alguns passatempos, como jogar golfe e bridge.
No início de 1950, Blyton deixou de escrever no Sunny Stories, para poder empenhar-se na sua nova revista “Enid Blyton’s Magazine”. Esta revista - como os seus livros e histórias que criou como Mr. Pink-Whistle e Nodi, deu origem à criação de vários clubes que ajudavam a recolher fundos para organizações criativas e sem fins lucrativos.
Por exemplo a “Busy Bee Club” angariou dinheiro para a “People’s Dispensary for Sick Animals (P.D.S.A.)” uma organização para animais doentes. A “Sunbeams Club” ajudou uma fundação para bebés cegos. Também a “Magazine Club” apoiou uma caridade antes de acabar nos finais de 1959. Este Clube chegou a ter mais de 129 mil associados.
Nos últimos dias da sua vida, Enid Blyton padecia enferma. A morte do seu segundo marido Kenneth em 1967 foi um grande golpe e um ano depois morreu, em 28 de Novembro de 1968, vitima do que é hoje conhecida por doença de Alzheimer, deixando mais de 700 livros escritos e perto de 5000 contos.
Em toda a sua vida Blyton foi uma pessoa muito privada. Na sua autobiografia “The Story of my life”, que escreveu em 1952, contém muitas fotografias suas, da casa e da família, mas não dava muitos pormenores da sua vida, para os que iam além de quando escrevia.
Em 1974 Barbara Stoney escreveu a “Enid Blyton the Biography”, que revela a história verdadeira da sua vida.
Passados 37 anos desde a sua morte, os livros de Enid continuam tão populares e a serem vendidos como edições anteriores, tanto em Inglaterra como em todo o Mundo, incluindo Portugal. Quantos de vocês não conhece ou não tem em casa um livro da Enid Blyton? Como “Os Cinco”, “Aventura”, “Clube dos Sete”, “Colecção Mistério”, “As Gémeas”, “4 Torres”, etc.
As suas histórias e personagens foram reproduzidas em: jogos, séries de televisão, revistas, banda desenhada, filmes e teatro. Mas onde está o segredo de todo este êxito? Qual a razão de as suas histórias terem sido tão famosas? Em primeiro, foi uma autora de nascença, sabia exactamente o que as crianças e jovens gostariam de ler, nas suas histórias o Mundo é novo e verde, os dias, grandes e com sol, os adultos não chateavam muito e as crianças poderiam fazer tudo o que desejassem: explorar túneis secretos, acampar em ilhas com árvores e toda a natureza á volta, descobrir mistérios, procurar tesouros e até “vagabundear” no meio ambiente com carroças puxadas a cavalos. É um mundo mágico onde os bons ganham e a comida é em abundância e sempre há um final feliz. Pode haver melhor coisa que se queira ter? Todos os anos é prestado um tributo a esta autora, o chamado “Enid Blyton Day”, organizado pela Enid Blyton Society. As últimas edições tiveram lugar em Twyford a 30 km de Londres. Neste dia reúnem-se entusiastas que compram, trocam e vendem livros e outros coleccionáveis. São realizadas palestras e convidados falam de variados assuntos.

Imagem: http://www.gnosticliberationfront.com/adv1-1st.jpg

sábado, 6 de março de 2010

Osvaldo e Tânia Burity intentam acção judicial contra o «Folha-8»



Os advogados do casal Osvaldo Graça e Tânia Burity intentaram esta semana uma participação criminal contra o semanário

SEMANÁRIO ANGOLENSE

Folha-8, por ter publicado na sua última edição uma matéria de alegado carácter difamatório, calunioso e injurioso, com direito à chamada de capa, sob o título: «Tania Burity. Uma actriz e modelo escandalosa».

No desenvolvimento da «notícia», o Folha-8 acusa Tânia Burity de ter danificado os vidros de uma viatura de marca Peugeot, de cor branca com a chapa de matricula, LD-72-12-AY, propriedade de Antónia C. Van-Dúnem, referindo ainda que esta havia interposto uma acção judicial contra a actriz e modelo. O Folha-8, que é dirigido pelo jornalista William Tonet , afrma
ainda que Tania Burity já foi da «vida» e que tanto ela quanto o seu marido são alvos de um processo criminal na DNIC, por uso e posse de drogas.

No seu pedido, os representantes legais do casal consideram de «graves, falsas, injuriosas e sem qualquer fundamento» as afirmações avançadas publicamente pelo semanário em questão. Mais adiante, sustentam a defesa dos seus constituintes, com as seguintes considerações:

1-Tania Burity nunca, em momento algum, interpelou quem
quer que fosse, acusando-o de ser amante do seu esposo.
2 - O casal não conhece e nunca ouviu falar sequer de qualquer cidadã de nome Antónia C. Van-Dúnem.
3 - Não consta, nos arquivos da Polícia Nacional, especifcamente na Divisão da Samba, qualquer queixa-crime contra a cidadã Tânia Burity.
4- Em momento algum, terá a cidadã Tânia Burity ou o seu esposo Osvaldo Graça sido alvo de processo-crime por uso ou posse de substâncias psicotrópicas.
5-Não existe nenhuma moradora de nome Antónia C. Van-Dúnem,
nos arredores de sua residência. A participação criminal do casal foi enviada na sexta-feira ao Procurador da República junto da DNIC, cabendo cópia para o Director Nacional da Policia de Investigação
Criminal, devendo estar já em fase de instrução processual.

Segundo os advogados de Osvaldo Graça e Tânia Burity, a postura do Folha-8 é «torpe e inadmissível», porquanto viola gravemente os princípios, normas e valores plasmados na lei de imprensa e atinge de forma caluniosa a honra, o bom-nome e dignidade dos seus constituintes.

Diz ainda que os cidadãos retratados na peça do Folha-
8 possuem uma reputação ilibada, inquestionável e incólume, sendo cidadãos orgulhosos do seu trabalho árduo,
das suas vidas e do respeito que granjeiam na sociedade. «O Folha-8 sabia da censurabilidade do seu acto e que toda a sua conduta era proibida por lei, mas não se coibiu de leva-la de forma deliberada, livre e consciente», diz ainda a exposição.

Por violar praticamente todos artigos dispostos na constituição, código civil e a Lei de Imprensa, os advogados do casal já trabalham junto das instituições devidas para a responsabilização civil e criminal do jornal de William Tonet. Foi em Janeiro que começou a circular um e-mail em que se referia que uma suposta cidadã de nome Antónia C. Van-Dunem
seria amante de Osvaldo Graça e que teria o vidro do seu carro partido pela sua esposa, depois de um ataque de ciúmes. Porém, essa informação acabou por se mostrar falsa, desprovida de verdade e sem qualquer fundamento, já que nunca existiu nenhuma queixa-crime contra a actriz na polícia da Samba, como alegava o referido e-mail, nem existe alguém com este nome nas imediações da residência do casal, como também se
referia.

Por outra, na data descrita no e-mail como sendo a altura do incidente do carro, Tânia Burity sequer se encontrava no país. «Existe claramente uma tentativa frustrada e doentia de nos atribuir actos alheios e contrários a nossa postura social e modo de viver, pois se alguém ver por ai essa tal de Antónia C. Van-Dunem que apresente à comunicação social», ironizou Osvaldo Graça, que é colaborador desta casa no sector de publicidade. ■

Parentesco De Ana Lemos E Ana Paula Dos Santos



Lisboa – Estão a ser retificadas as insinuações que circulam na TPA, segundo a qual a apresentadora do telejornal, Ana Lemos tem grau de parentesco com a primeira dama, Ana Paula Cristovão Lemos dos Santos. Correntes geralmente bem informadas esclarecem que não há nenhum vinculo familiar entre ambas havendo apenas coincidência do sobrenome “Lemos”. (Ana Lemos é originaria do Município de Kimbele-Uíge ao contrario de Ana Paula dos Santos que é de Luanda.)

Quarta, 03 Março 2010 23:59 Fonte: Club-k.net

Tais insinuações, segundo observação interna, terá ganhado suporte logo após a apresentadora ter sido escolhida pelos serviços de apoio da presidência para acompanhar a primeira dama numa das suas deslocações ao estrangeiro. No seu regresso, segundo a mesma “observação”, Ana Lemos teria sido convidada a levar o seu filho na tradicional, festa de fim de ano que o casal presidencial promove para as crianças em Angola. Fez um retrato (que esta no seu telemóvel) da primeira dama e do seu filho que de seguida partilhou com as colegas da TPA tendo causado impressão da existência de familiaridade entre ambas.

Ana Lemos passou a ser “temida” na TPA e estando inclusive associada a precipitação que levou ao afastamento de dois pivôs do telejornal, que lhe faziam concorrência, Edgar Cunha e Fernanda Manuel. De inicio os funcionários daquela empresa conotavam o seu protagonismo, a suposta ligação ao inexistente parentesco com a primeira dama angolana. Mais tarde, ficou a saber-se que para alem de ter tido o apoio do então Ministro Manuel Rabelais, a mesma havia se amigado com um assessor do Ministério da Comunicação Social, Gaspar Santos. É descrita como estando prejudicada com o afastamento da entourage de Manuel Rabelais.

No passado era também vista como gozando de influencia junto do circulo presidencial. Esta impressão era causada por ter sido na altura a “melhor amiga” do então assessor presidencial, José Maria. A nível do regime, Ana Lemos é irmã de um economista, Celso Rosa ligado a Administração da ENANA.

quinta-feira, 4 de março de 2010

SUPER-HOMENS







(Via E-mail)
Sem comentários...
Verdadeiramente o homem se auto destrói.
Esta é mais uma prova do fim....
Recebi, partilho convosco para vossa análise e...
Este é o Mundo em que vivemos...
SM
https://www.fnb.co.za/disclaimer.html

quarta-feira, 3 de março de 2010

Advogado Angolano recém-formado


Via Email
Um jovem advogado, recém-formado, montou um luxuoso escritório num
prédio de alto padrão na Avenida 4 de Fevereiro em Luanda, e colocou na porta uma placa dourada:

'Dr. António Soares - Especialista em Direito Tributário.

No 1º dia de trabalho, chegou bem cedo, vestindo o seu melhor fato,
sentou-se atrás de sua escrivaninha, e ficou aguardando o primeiro cliente.
Meia hora depois batem à porta.
Ele pede para a pessoa entrar e sentar-se, rapidamente apanha o telefone do gancho e começa a simular uma conversa:

- Mas é claro, Sr. Mendonça, pode ficar tranquilo! Nós vamos ganhar essa
causa! O juiz já deu parecer favorável!...
– Sei, sei... Como? Ah, os meus honorários? Não se preocupe! O senhor pode
pagar os outros 50 mil na semana que vem!...
– É claro!... O que é isso, sem problemas!... O senhor me dá licença agora
que eu tenho um outro cliente aguardando... Obrigado... Um abraço!
Bate o fone no gancho com força e diz:
- Bom dia, o que o senhor deseja?
– Eu vim instalar o telefone...

terça-feira, 2 de março de 2010

Empresa Contrata Jardineiros Portugueses Para Trabalhar Em Benguela



Benguela - Mais uma história de jardim agita a opinião pública em Benguela, incidindo desta vez, não sobre milhões de dólares, mas sobre a presença de jardineiros portugueses, estimados tipo de mão-de-obra importada, supérflua porque não especializada.

Fonte: Apostolado CLUB-K.NET

Dirigente alega que não há experts angolanos

Foram trazidos em Angola pela empresa ‘Angolaca’, que presta serviços de construção civil ao Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN), de acordo com o correspondente da ‘Rádio Ecclesia’ em Benguela.

A citada empresa afectou-os na capital nas acácias rubras, nos trabalhos de reabilitação e manutenção em curso dos jardins locais.

Indignação

Entretanto, a sua presença e sua alegada pouca qualificação estão a indignar forças vivas de Benguela entre estudantes, populares e políticos da Oposição.

«Este gesto confirma a politica de exclusão e de violência social, direi mesmo de terrorismo contra a população local», reagiu o estudante Armindo Marques aos microfones do correspondente da Ecclesia.

Abundou no mesmo sentido a cidadã Marinela de Augusto, sustentando: «que trouxessem apenas o conhecimento e os angolanos passassem eles próprios a tratarem da beleza do seu pais. É triste perante a percentagem do desemprego no país».

«Este governo não quer nada com os angolanos. Estamos independentes há cerca de 30 anos. Há angolanos que podiam ser profissionalizados e especializados», indignou-se o político Francisco Viana, do Bloco Democrático.

Estamos a falar em “experts”
O delegado provincial do GRN, general Andrade, refutou esta posição, defendendo a perícia dos contestados jardineiros.

«Estamos a falar em “experts”. Eu não me lembro ter visto em nenhum sítio aqui os nossos “experts” estarem a dedicar-se à jardinagem. Por este motivo, temos que nos preparar a subir o nosso nível», afirmou.

Observou, ainda, que «não é simplesmente dizer que porque estão europeus agora a tratar do jardim e a gente tem que ir ocupar o lugar deles. Não. Nós temos que estar paralelos a eles, com o concedimento deles para podermos trazer o mesmo rendimento que eles trazem.»

«Se a gente continua a pensar que jardineiro é o último dos homens na cadeia do conhecimento, então vamos continuar a ter os jardins como a gente tinha», rematou.

Entretanto, o correspondente da emissora católica soube que a administração municipal de Benguela foi marginalizada no contrato que possibilitou o emprego dos referidos jardineiros. O contrato envolveu somente a parceria do executivo do governador provincial Armando Cruz Neto como o GRN.

JES Não Quer Tchizé Na Liderança Da TPA



Lisboa - São atribuídas a José Eduardo dos Santos (JES), manifestações que identificam a sua objecção quanto a questão da TPA em ser dirigida por um familiar seu, neste caso a sua filha, Tchizé dos Santos. A comiseração de JES é coadunada, com a posição de uma corrente familiar ao qual se inclui Maria Luisa Abrantes, que desencoraja a incursão da jovem.

Fonte: Club-k.net
Rabelais pretendiam comprometer PR com actos de nepotismo
No círculo familiar, esta oposição ganhou consistência após a exposição de Tchizé dos Santos num embate público que envolveu a carismática líder do Sindicato dos Jornalistas, Luisa Rogério. A filha do PR, chegou a mover um processo judicial contra aquela.
Por outro lado, altos funcionários na sede central do MPLA, em Luanda, entendem que a TPA deve ser entregue a alguém com cunho político devido à sua importância de “servidora” do regime. (entenda-se aparelho de instrumentalização)

A idéia de colocar Tchizé dos Santos na liderança da TPA, partiu da direcção cessante do Ministério da Comunicação Social. Na altura do afastamento das anteriores direcções da TPA e RNA, o então ministro Manuel Rabelais, deu a entender que a entrada da filha do PR, na empresa, correspondia a uma orientação superior.

Entretanto, elementos que se apresentam como próximos, a Tchizé dos Santos promovem, na internet, a idéia de que a mesma nunca teve pretensão de ser directora da TPA. justificam que este acto de nepotismo é de autoria do antigo Ministro Manuel Rabelais. Esta tese, dos supostos “amigos” de Tchizé é sustentada no teor de um comunicado da mesma em que dizia que era o ministro Rabelais quem lhe chamou após ter acesso as suas qualificações. Quanto à saída da jovem, no parlamento angolano que se julgava ser o primeiro passo para ser transferidas para a televisão, as mesmas figuras fazem notar que a empresaria solicitou dispensa devido ao seu estado de gravidez.

A nova ministra Carolina Cerqueira pretende nomear uma nova direcção para as empresas ligadas ao Ministério. Defendeu tal necessidade esta Quinta feira num encontro com jornalistas da RNA no CEFOJOR em Luanda. O passo da mesma é reforçado com um anuncio interno, na TPA, feito por Helder Barber, coordenador da televisão ao qual anuncia a cessação do mandato da comissão de gestão por si coordenada.

Não há ainda informação de quem venha ser o futuro PCA, conforme nova designação a ser adoptada. Antes da formação do novo governo, Manuel Rabelais pensava no deputado João Melo que terá declinado.

Luanda/Viana/Luanda: A estrada do terror nocturno


No passado sábado fiz novamente o percurso entre Viana e Luanda no periodo nocturno, depois de o ter percorrido em Dezembro do ano passado.
Devo confessar que, felizmente, não sou um "habitué" deste trajecto, que já não frequentava há pelo menos dois anos, mais ou menos desde que as obras do projecto Expresso Luanda/Viana tiveram inicio.


Com este apontamento não pretendo falar do estado das obras que já ultrapassaram todos os prazos de conclusão incialmente previstos e muito menos das razões de tanto atraso. Haverá certamente algumas que até já são do conhecimento da opinião pública.
Pretendo apenas implorar, a quem de direito, que coloquem umas velinhas para iluminar aquele trajecto, já que não será não cedo que teremos os candeeiros da EDEL a exercerem a sua nobre e iluminada magistratura de influencia positiva sobre a circulação naquele troço.

No periodo nocturno temos de facto entre Viana e Luanda uma estrada do terror, com todos os horrores passíveis de acontecer, por falta do mínimo de visibilidade quer para os motoristas, quer para os transeuntes.
No último sábado fui testemunha de um destes horrores, ao passar bem perto de uma pessoa que estava deitada no chão da estrada ao lado de uma moto-rápida.

Como é evidente não foi possível divisá-lo com a necessária distância para evitar a tangente.
Para além do calafrio que apanhei, fiquei sem saber o que terá acontecido com a referida pessoa.
Estava caído de bêbado?
Tinha sido atropelado?
Enfim...

Acredito que situações deste gênero aconteçam com alguma e preocupante frequência no periodo nocturno naquela estrada.
Aqui fica pois este pedido de um devoto pela vida.
Acendam umas velinhas com urgência ou ponham rapidamente a iluminação pública daquela via a funcionar.
Caso contrário...


segunda-feira, 1 de março de 2010

“Nandó” Evacuado Para O Exterior




Segunda, 01 Março 2010 15:01
Lisboa - O Vice- Presidente angolano, Fernando da Piedade Dias dos Santos “Nandó” terá sido evacuado para o exterior do país, no seguimento de um mal estar, na sexta feira (26), entendido como “problemas de caris cardíaco”. Logo após terem dado a conhecer, as instâncias superiores do regime, sobre o seu estado, fez-se defesa da sua evacuação para uma clinica no estrangeiro.

Fonte: Club-k.net

No dia em que sentiu-se mal, “Nandó” não foi visto na reunião do Comitê Central do MPLA realizada em Luanda. Na Quarta feira esteve na reunião do conselho de Ministro, mas a sua participação foi nula sem ter falado, o que terá dispersado atenção dos governantes que estavam presente.

No governo, O Vice- Presidente angolano, Fernando da Piedade Dias dos Santos “Nandó” responde pela área social, a luz do novo organograma estabelecido. Em caso de vacatura, substitui o PR nas suas funções.

BOMBA de Tânia Burity !



Via Email

Aos dezasseis dias do mês de Janeiro de 2010, compareceu a cidadã de nome Antónia C. Van-Dúnem moradora do Morro Bento, ao departamento de investigação criminal da Samba, para declarar o seguinte:
Quando a mesma por volta das 14h30min ao estacionar a viatura foi interpelada pela sua vizinha de nome Tânia Burity acusando-a de ser uma das amantes de seu marido Osvaldo Graça e usando palavras obcenas.

Enquanto ela parte para a ignorância, Antónia Celina C.Van-Dunem ao entrar dentro de casa é a Tania que diz: vais ver o que te vai acontecer, ela Antónia não liga, depois de 15min o sobrinho chama-lhe a dizer que o vidro de traz do seu carro de marca Peugeot de cor branca com a chapa de matrícula LD-72-12-AY foi danificada pela Tânia, que de seguida diz: vai te queixar onde quiseres que não tenho medo de nada nem de ti nem da polícia, sendo assim a lesada pretende seguir o procedimento criminal.

Afinal Tânia Burity sempre é problemática, vítima ou vilã? e agora como fica a imagem da actriz que sempre abriu a boca para falar de justiça? A justiça desta vez tem de ser feita igualmente, ja que constatamos que foi feita para todos, ja que Tânia goza de influências para conseguir o que quer daí que abre a a boca para dizer que não teme nada nem ninguem,sabemos muitos de nós que Tânia Burity ja foi pega a consumir drogas de que é usuária a muito tempo ela e o marido,mas nada acontece já que a mesma ja teve arquivado um processo sobre este caso, lá está a moralista sem moral, nos jornais as coisas são abafadas pelo facto de seu marido Osvaldo ter lá conhecimentos e trabalhar num destes jornais, então faremos a nossa parte como cidadãos que é divulgar estas notícias para que todos tenhamos conhecimento do que acontece por de traz dos panos.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

A RNA e Eduardo Magalhães



«Eduardo Magalhães

Quinta, 25 Fevereiro 2010 19:13
Lisboa – O antigo Director Geral da RNA, Eduardo Magalhães, que em reunião interna, no passado, foi obrigado, por Manuel Rabelais, a assumir desvio de dinheiro daquela empresa, prometeu à nova Ministra Carolina Cerqueira apresentar um diagnóstico do sector. Fez tais promessas a margem de um encontro que a governante teve com os profissionais da Rádio, esta Quinta feira (25), em Luanda, no centro de formação de Jornalistas (CEFOJOR).

Fonte: Club-k.net
Ex-DG da RNA desmarca-se do antigo Ministro
No decorrer do encontro marcado com reclamações (vulgo bombardeamento, no sentido literário) a Ministra mostrou-se ocorrente sobre os problemas naquela empresa que são alvos de comentários na rua por isso optou por escutar os trabalhadores in loco. Consoante aquilo que escutou dos funcionários, a ministra revelou que não gostava que daqui a quatro anos (em referencia ao seu consulado), o seu mandato fosse mencionado desta forma ao qual considera que “não é bom”.

Dentre as constatações radiografadas no encontro ao qual Magalhães promete preparar o “diagnostico do sector” foi notado alguns pontos como os seguintes:

- A Creche da RNA foi privatizada o que provocou indignação a nova ministra

- O colégio destinado aos filhos dos trabalhadores da empresa foi semi privatizado cobrando tarifas consideradas exorbitantes.

- Os trabalhadores ficaram sem refeitório ao que leva os mesmos a irem comer fora quando estão em piquete

- Falta de transporte para as reportagens. Foi citado o caso de um colega que terá retardado um trabalho por falta deste meio tendo sido socorrido por amigos.

De acordo com informações habilitadas, a Ministra Carolina Cerqueira pretende dar seguimento a uma agenda destinada a auscultação das empresas ligadas ao ministério. Prevê visitar a TPA no próximo dia 4 de Março.»

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Manuel Rabelais Começou A Ser Ouvido Pela PGR



Lisboa – O ex- ministro da comunicação social, Manuel Rabelais começou a ser ouvido pela Procuradoria Geral da Republica (PGR) no seguimento de uma alegada utilização indevida de verbas ou fundo dos cofres de Estado angolano durante a sua gestão como membro do governo.

Fonte: Club-k.net

Na segunda feira (22), corria em círculos judiciais informações de que o mesmo deveria ser chamado na tarde daquele dia, mas, entretanto, o antigo governante foi apenas ouvido, na quarta-feira. No segundo dia (quinta-feira) o antigo dirigente teria, no decorrer do interrogatório, se manifestado mal estar. Na percepção de avaliação interna o mesmo terá se saído “muito mal” em termos de defesa ou argumentação.

A sua saída do governo esta a ser acompanhada por denuncias em forma de cartas que circulam em meios jornalísticos. A mais recente carta a sua gestão descreve que: “A quando das Eleições de 2008, a TPA foi orientada pelo governo para a expansão do sinal a nível nacional, cuja verba tinha sido entregue ao Ministro da Comunicação social com valor de 250 mil dólares. o Ministro tivera orientado o Director da TPA para junto do BFA, fazer um empréstimo uma vez que o Senhor Ministro se encontrava fora do país, e apos o seu regresso o Ministério fazia a devolução deste valor ao Banco.”

“A partir desta data o Ministério não o fez, orientou o Director da TPA na altura para junto da verba destinada a TPA que era de seis. milhões de dólar por mês que pagasse ao banco, este também não o fez, porque o governo já tivera entregue o dinheiro no cofre da comunicação social. Com a saída do Ministro do governo, o banco cancelou os salários de janeiro dos funcionários da TPA devido desta divida”

“Os salários de Janeiro foram pagos no dia 12 de fevereiro, o banco cancelou todas as contas dos funcionários aguardando qualquer contacto com a direcção da tpa. O Coordenar executivo enviou uma comissão ao banco e foram informados que a direcção do BFA não podia fazer o pagamento dos salários devido da divida de 250 mil dólares que a TPA deve.”
“Assim esta comissão negociou com o banco no sentido da TPA continuar a pagar esta divida, depositando mensalmente 50. mil dólares. Contactado a Direcção do Ministério, não há qualquer informação, neste sentido” diz o autor da carta advertindo que “deve-se alertar a nova Ministra que o antigo Ministro desviou este dinheiro para o seu beneficio pessoal. e os salários de janeiro apenas foram desbloqueados no dia 18 de Fevereiro. esta situação esta a preocupar os profissionais da tpa, uma vez que esta empresa esta cheia de dividas e pode-se correr o risco dos funcionários não ter salários no mês de Fevereiro”, lamentou.
Entretanto, caso for declarado culpado e ser detido, o processo do antigo Ministro poderá associado a nova onda de “tolerância zero” levada a cabo pelo Presidente da Republica contra a corrupção, praticada pelos membros do MPLA.

Arlindo Chenda Pena


Joanesburgo - Arlindo Chenda Pena foi um guerrilheiro que passou a ser apelidado por “Ben Ben” em homenagem ao líder revolucionário argelino, Ahmed Ben Bella. Aos 13 anos aderiu a UNITA movimento fundado pelo seu tio Jonas Savimbi ascendendo a sua hierarquia até se tornar um comandante de inspiração militar. Teve formação militar na Europa e qualificou-se como instrutor de artilharia na academia Real de Guerra Marroquina.

Fonte: Club-k.net

Em 1985, ainda coronel, tornou-se chefe do Estado-Maior da Frente “Estamos a Voltar” da FALA. Neste mesmo ano, houve uma ofensiva do governo pressionando a UNITA contra o sul da cidade de Mavinga, e Arlindo Pena e os seus homens marcharam de Malange a pé, centenas de quilômetros até ao norte, para montar uma operação de socorro. A viagem de duas semanas transformou lhe rapidamente numa lenda. Dentro de um ano tinha sido promovido a general de divisão e em Dezembro de 1989, com apenas 34 anos, ascendeu ao posto de chefe do Estado-Maior General do exercito da UNITA, em substituição de Demostenes Chilingutila.
Depois de os acordos de Bicesse foi a Luanda e participou na junção das FALA e FAPLA que deu lugar as forças armadas angolanas (FAA). Fez parte do grupo de 11 generais da UNITA que desertou as FAA a pretesto de fraude eleitoral nas eleições de 1992. Houve em Setembro deste mesmo ano confrontos militare em Luanda e o o General Ben Ben escapou ileso embora a TPA dava-lhe como morto chegando do a mostrar um corpo dizendo que era seu. Na altura o mesmo fugiu para a província do Bengo onde seria recebido por dois generais das FALA, Galiano da Silva e Sousa “Bula Matadi” e Abilio Kamalata Numa que dias antes fugira de Luanda.
O General Arlindo Chenda Pena “Ben Ben” fez parte, Em Setembro 1993, de uma delegação do “Galo Negro” que iria entrevistar-se com o então Presidente português, Mário Soares para “esclarecer mal entendidos entre a UNITA e Portugal”. O então Ministro das Relações Venâncio de Moura pediu explicações a Portugal e o oficioso Jornal de Angola, publicou textos no qual Mário Soares era injuriado
Regressaria a Luanda apos entendimento entre MPLA e UNITA, porem regressou no bailundo por se sentira inseguro na capital do país onde chegou a ser alvo uma tentativa de assassinato na qual o seu guarda apanharia um tiro no pé. No decursso de novas negociações tornou a regressar a Luanda em paralelo com a integração no exercito angolano ocupando as funções de Vice Chefe de Estado Maior das FAA. Na realidade era um chefe decorativo (não lhe era confianda missões). Acabaria por ficar mais em casa e a situação muito lhe abalava. Quando chegasse delegações estrangeira em Angola era levado de casa para ser apresentado.

A 14 de outubro de 1998 havia sido evacuado para Africa do Sul no seguimento de uma assistência no posto de saúde do exercito que lhe atribuía paludismo. Apos 5 dias acabaria por falecer numa clinica em Joanesburgo por alegada paralezia renal e problemas pancreáticos. Foi enterrado num cemitério localizado na zona West da cidade de Pretoria. A sua mãe, Judith Pena que estava em Borkina Faso deslocou-e a Africa do Sul para acompanhar o enterro do mesmo.
Na sequencia do seu desaparecimento físico, o Gabiente da presidência da UNITA, reagiria apartir do Andulo alertando que dispunha de informações segundo a qual os médicos teriam detectado veneno no sangue deste malogrado sobrinho de Jonas Savimbi.
Ha analises que insinuam que a morte de Ben Ben dava seguimento a uma estratégia que visava causar desgaste psisologico ou problemas familiares a Savimbi. (As autoridades teriam raptado um filho de Savimbi, Araujo Sakaita que por efeito de sedativos terá falado mal do pai, o jovem continua com problemas causados pelos químicos que lhe foi dado pelo regime).

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Alexandre Dáskalos


Alexandre Daskalos nasceu no Huambo em 1924. Fez a instrução primária e secundária nesta cidade, na altura, conhecida como Nova Lisboa. Frequentou, a partir de 1942, o liceu de Sá da Bandeira (Lubango) onde concluiu o 7º ano. Mais tarde seguiu para Lisboa, matriculando-se na Escola Superior de Medicina Veterinária, tendo-se licenciado cinco anos depois.

NAÇÃO OVIMBUNDU
http://www.ovimbundu.org/Personalidades/Escritores-Ovimbundus/ Alexandre Daskalos.html

Regressou a Angola em 1950. Faleceu no sanatório de Caramulo em 1961. Nos anos 60, foi publicado um opúsculo de quatro poemas seus na "colecção Bailundo", dirigida pelo poeta Ernesto Lara Filho e Rebelo de Andrade. Publicou Poemas (1961), Poesia de Alexandre Dáskalos (edição póstuma 1975) .

Um poema de Alexandre Dáskalos
Que é São Tomé
I

Quatro anos de contrato
com vinte anos de roça.

Cabelo rapado
blusa de branco
dinheiro no bolso
calção e boné

Eu foi São Tomé!

Calção e boné
boné e calção
cabelo rapado
dinheiro na mão...

Agora então volto
mas volto outra vez
à terra que é nossa.
Acabou-se o contrato
dos anos na roça

Eu vi São Tomé!

Cuidado com o branco
que anda por lá...
Não sejas roubado
cuidado! cuidado!
Dinheiro de roça
ganhaste-o. Té dá
galinhas... e bois...
e terras... Depois
já tiras de graça
o milho da fuba,
o leite, a jinguba
e bebes cachaça.

Eh! Vai descansado,
dinheiro guardado
no bolso da blusa.

Que é São Tomé?

Cabelo rapado
blusa de branco
dinheiro no bolso
calção e boné.

II

Este mente, aquele mente
outro mente... tudo igual.
O sítio da minha embala
aonde fica afinal?

A terra que é nossa cheira
e pelo cheiro se sente.
A minha boca não fala
a língua da minha gente.

Com vinte anos de contrato
nas roças de São Tomé
só fiz quatro.

Voltei à terra que é minha.
É minha? É ou não é?

Vai a rusga, passa a rusga
em noites de fim do mundo.

Quem não ficou apanhado?
Vai o sono, vem o sono
vai o sono
quero ficar acordado.
No meio da outra gente
lá ia naquela corda
mas acordei de repente.

Quero ficar acordado.

Onde está o meu dinheiro,
onde está o meu calção
meu calção e meu boné?
O meu dinheiro arranjado
nas roças de São Tomé?

Vou comprar com o dinheiro
sagrado da minha mãe
tudo quanto a gente come:
trinta vacas de fome,
galinhas... de papelão.

Vou trabalhar nesta lavra
em terra que dizem nossa
quatro anos de contrato
em vinte anos de roça.

Eu foi São Tomé!

Cabelo rapado
blusa de branco
dinheiro no bolso
calção e boné.

Aiuéé!

(No reino de Caliban II - antologia
panorâmica de poesia africana de ex-
pressão portuguesa)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

«Deputados Terão BMW Como Viaturas Protocolares»



Segunda, 22 Fevereiro 2010 21:02
Luanda - Os deputados à Assembleia Nacional poderão fazer-se transportar em novas viaturas protocolares de marca BMW a partir do mês de Março, disse a O PAÍS uma fonte no parlamento.

Fonte: O País CLUB-K.NET

As viaturas deveriam ser atribuídas ainda no ano passado, mas o comprador foi persuadido pelo vendedor a esperar por uma versão mais recente da viatura que sai para o mercado já no próximo mês.

Juntamente com a preocupação das viaturas protocolares, alguns deputados enfrentam ainda a falta de habitação condizente com o estatuto de deputados. A fonte que vimos fazendo referência confidenciou que ainda em 2009 o problema deveria ser solucionado, mas a estrutura dos apartamentos não convenceu a anterior Presidência da Assembleia Nacional.

“Foram notados erros de concepção no projecto, porque não contemplavam aposentos para o motorista e o guarda de serviço”, disse a fonte de O PAÍS.

As casas a serem atribuídas serão de função e a sua construção pode acontecer já no final deste mês com as correcções sugeridas já incorporadas.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010