segunda-feira, 26 de julho de 2010

Criança morta pela polícia no Sambizanga


Bastidores. Sexta, 23 Julho 2010 17:34
Luanda - Uma criança de sete anos terá sido morta esta manhã por um agente da polícia nacional, segundo constatou a Rádio Ecclesia.

Fonte: Apostolado CLUB-K.NET

Aconteceu na Rua da Hungria, no município do Sambizanga, quando efectivos da corporação perseguiam um grupo de marginais.


Celso Domingos, de 7 anos de idade, caminhava em direcção à escola quando foi atingido mortalmente por um disparo.

Ainda segundo a Emissora Católica de Angola, outra criança de 13 anos foi levada ao Hospital Américo Boavida em estado grave.

“A criança saiu do quintal para ir à escola. Escutamos dois tiros, dois disparos e quando corremos para ir para a rua encontramos a criança deitada” – confirma a tia da vítima.

“Disseram que apanhou dois tiros da cabeça. São polícias da nona Esquadra que estão a andar a civil a correr atrás dos senhores que vendem droga” – afirmou

A polícia tem outra versão dos factos. Segundo o porta-voz da corporação, Jorge Bengue, foi na sequência de uma troca de tiros que as crianças foram atingidas.

“Uma sessão de troca de tiros que não durou mais do que um minuto. A seguir os jovens meteram-se em fuga. Tínhamos nesta zona uma patrulha nossa no seguimento de um trabalho que temos estado a levar a cabo nos últimos meses” – precisou.

“A nossa patrulha detectou três jovens indiciados na prática de vários crimes. São jovens que sobre eles pesava um mandado de captura por prática de roubos, furtos, consumo e pequeno tráfico de droga naquele município” – informou ainda.

“Na tentativa de se escaparem do cerco da policia, estes dispararam contra a nossa patrulha. Destes disparos, devo sublinhar que ficou ferido um oficial da policia, o senhor José Miguel, na zona facial direito, bem como os mesmos disparos efectuados por esses indivíduos atingiram duas crianças, sendo um rapaz de 13 anos que faleceu no local e uma menina de sete anos” – disse o porta-voz da polícia.

Em solidariedade aos familiares do pequeno Celso a vizinhança protestava, dizendo que “este é mais um dos actos irresponsáveis da polícia”.

“Deram dois tiros. Um furou o bidão e o segundo, tocou no miúdo e na menina no pescoço. Ainda por cima, mataram e põem a arma no bolso, correm e vão para a esquadra. Tem que se processar os senhores” – disse uma vizinha.

sábado, 24 de julho de 2010

Filhos de membros do regime do MPLA gastam € 6000 na discoteca em Lisboa


Bastidores. Terça, 20 Julho 2010 18:12
Londres - Ivan Morais, filho do ex-ministro das finanças de Angola, Pedro de Morais e Joca Carneiro, um filho do general Higino Carneiro, ambos, presentemente de férias em Lisboa, gastaram € 6 000 numa só noite, no passado dia 18 de Julho (domingo) na discoteca Belém Bar Café (BBC) em Lisboa (Situada no lado oposto da rua do palácio de Belém).

Fonte: Club-k.net

Filha do Vice-PR opta por não seguir exemplo
Ambos solicitaram uma “sala súper VIP” da discoteca BBC, restritamente para os dois e suas respectivas amizades ao qual foi lhes solicitado a quantia em referencia. Tinha direito ao número ilimitado de bebidas e garrafas de Champanhe da marca Moët & Chandon (A mais cara do mercado).

Na discoteca Belém Bar Café (BBC) onde esteve Ivan Morais e Joca Morais, estiveram também outros filhos de dirigentes angolanos com realce a Fernanda dos Santos “Nadia”, filha do Vice Presidente angolano mas que no entanto os seus gastos não foram da mesma proporção que os outros dois rapazes. Nadia que esta de férias em Portugal (vive em Londres) não solicitou por exemplo acesso a uma das áreas VIP normais onde naquela noite estavam músicos como Maya Cool, Eddy Tussa, Puto Prata e Nagrelha. A Jovem optou por misturar-se com o “povo”.

Em privado, Ivan de Morais justificou aos que lhe são próximos que pretendia um “espaço privado” porque estava “a viver problemas” em Angola devendo regressar ao país nas próximas duas semanas. (Diz-se que o seu estado de depressão poderá estar ligado ao estado da mãe do seu pai, tratada por Avo Isabel que nos últimos dias tem manifestado sinais de saúde debilitada devido a idade avançada).

Nos dias anteriores, Ivan Morais foi visto em outras discotecas em Lisboa tida como uma das mais caras na capital Lusa. (Uma cerveja custa € 15 enquanto que a garrafa de Champagne Moët & Chandon, chega a custar € 300).

De recordar que Joca Carneiro e Ivan Morais fazem parte da administração da Global Seguros em Angola, empresa de seguros pertencentes aos seus progenitores. (Ivan é accionista do Banco BNI e é o filho do ex Ministro a quem o pai passa alguns bens em seu nome). Em meios ligados aos filhos de elementos do regime do MPLA, Ivan é “respeitado” por ter a fama de jovem que “gasta muito”.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

«Angola é Pior que Guiné-Equatorial» - Rafael Marques


Política. Quinta, 22 Julho 2010 16:19
Luanda - Situação de direitos humanos na Guiné Equatorial não é razão para impedir a sua entrada na CPLP porque há situações piores, diz o activista angolano Rafael Marquês (na foto).

Fonte: VOA CLUB-K.NET

A adesão da Guiné Equatorial à Comunidade de Países de Língua Portuguesa, CPLP, continua a provocar controvérsia. Muitos opõem-se a isso, mencionando o regime ditatorial e a situação de direitos humanos no país.


Marques, disse surpreendentemente que essa não é razão para se excluir a Guine Equatorial de aderir.

Isto porque na perspectiva de Rafael Marques a situação de direitos humanos em alguns dos países da CPLP é bem pior do que na Guine Equatorial.

Crise financeira dá oportunidade à máfia de lavar dinheiro


A crise financeira e consequente redução do crédito concedido à economia, está a permitir à máfia entrar no capital de empresas.
A crise do sistema financeiro europeu está a reduzir o crédito disponibilizado à economia e a favorecer actividades de lavagem de dinheiro por grupos de crime organizado, reporta a Bloomberg, que cita o banco central de Itália.

21 Julho2010 | 11:03 Hugo Paula - hugopaula@negocios.pt
JORNAL DE NEGÓCIOS

“A crise deu espaço ao crime organizado para se desenvolver porque o acesso ao crédito se tornou mais difícil”, disse a directora geral adjunta do banco central de Itália, Anna Maria Tarantola à Bloomberg. “Quem quer que detenha grandes quantidades de dinheiro, como os grupos criminosos, pode fazer investimentos que não são possíveis para os outros. Agora podem investir em actividade totalmente legais”, acrescentou.

A economia italiana decresceu 5% no ano passado e banco central do país antecipa um crescimento de 1% em 2010. A concessão de crédito abrandou em 2008 e 2009, e aparentemente não está a ser suficiente para os negócios mais pequenos, segundo o banco central do país.

As autoridades italianas encerraram no ano passado o famoso Café de Paris, em Roma, com alegações de que este era detido pelo grupo mafioso ‘Ndrangeta. A “Cosa Nostra” terá utilizado cadeias de supermercados que detém, também com o propósito de lavar dinheiro, segundo relatórios dos tribunais citados pela Bloomberg.

No ano passado, o crime organizado aumento as suas receitas em 4% para 135 mil milhões de euros, de acordo com o grupo de anti extorsão, SOS Impresa. As detenções de membros de máfias têm sublinhado a crescente importância da lavagem de dinheiro nos negócios legítimos, refere a Bloomberg, que cita as detenções de memros de grupos de crime organizado.

A polícia italiana prendeu 300 membros da 'Ndrangheta, a máfia mais próspera do país, na semana passada e hoje emitiu mandatos de prisão para mais 67.

O samaritano solitário


Guangzhou, Guangdong (Southern Metropolis Daily - 5 de setembro de 2007)
Em um ônibus lotado com mais de 60 passageiros, 2 homens derrubaram uma senhora no chão e tomaram o telefone celular dela. Zheng shanbing (郑善彬), um homem de 26 anos que serviu como soldado por dois anos, se jogou de uma vez e expulsou os ladrões.

No entanto, naquele momento, outros 6 bandidos correram para o ônibus e cercaram Zheng, juntos os 8 homens o espancaram por 7 minutos. Durante os 7 minutos, os 60 passageiros se mantiveram ali, sem que ninguém viesse a ajudá-lo. Em meio ao caos, quando a senhora foi jogada na multidão, as pessoas apenas a evitaram, como se ela fosse uma praga.

Paula Góes Editora de Língua Portuguesa
http://pt.globalvoicesonline.org/2007/10/13/china-fragil-moralidade/

Quando os 8 bandidos escaparam, a camisa de Zheng estava rasgada, cheia de marcas. O telefone celular dele também tinha sido roubado. Os passageiros entorpecidos e o motorista olhavam para eles silenciosos. A senhora, sentida, lançava olhares furisos, gritando, “Onde está a consciência de vocês?! Vocês não vão dormir tranquilos hoje!”

A reportagem e a penetrante praga da senhora causaram fúria na internet contra os passageiros. Não foi a primeira vez que algo do tipo aconteceu. É o que os chineses chamam de “Ver um Homem Morrendo sem Ajudá-lo”. Cansados de tanta apatia e entorpecimento, alguns internautas, mais do que lançar fúria e condenar, aproveitaram o assunto para refletir sobre a falta do bom samaritano e a degeneração da moralidade na sociedade chinesa contemporânea.
San Jieyaoxian reclamou que os padrões de moralidade de hoje em dia deterioraram:

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Como a China está conquistando os recursos e as lealdades dos países da África


Amiga ou predadora? - Pequim está desafiando o Ocidente ao aumentar a sua influência no mais pobre dos continentes, embora alguns africanos questionem o valor dessas relações

Dos correspondentes do FT
http://manoeldiasbrazil.spaces.live.com/blog/cns!3657E47F95D68560!521.entry

Alguns enxergam nisso um relacionamento temporão, outros acreditam tratar-se de uma nova forma de colonialismo. De qualquer maneira, a China está ampliando de forma rápida e resoluta a sua influência em todo o continente africano, à medida que as suas companhias se adentram em um terreno no qual as empresas ocidentais hesitam em ingressar.

O avanço chinês --apoiado pelo governo, liderado por corporações estatais e impulsionado pela ânsia de assegurar os suprimentos de petróleo-- modificou, em um período de poucos anos, o padrão de investimentos e comércio na África.

Até pouco tempo atrás um ator secundário na África, a China está consolidando a sua posição como um dos principais parceiros comerciais do continente, atrás dos Estados Unidos, e da França, já tendo superado o Reino Unido.

Para a China, a África oferece uma dimensão extra: é um continente três vezes maior do que o território chinês, com uma população menor que a chinesa, sendo rica em várias das matérias-primas das quais Pequim necessita. Petróleo de Angola, platina do Zimbábue, cobre de Zâmbia, madeiras tropicais do Congo, ferro da África do Sul: todos estes produtos estão na lista de compras da China.

Em troca, os chineses oferecem vantagens aos governos africanos. Eles trazem experiência de primeira mão em desenvolvimento rápido, estão familiarizados com as condições nos países pobres, e não manifestam preocupações ou escrúpulos quanto aos padrões de governança ou aos direitos humanos.

De uma forma diferente da competição ideológica que ocorreu na África durante a Guerra Fria, a China está emergindo vigorosamente como uma opção alternativa a governos mais acostumados a lidar com as ex-potências coloniais européias e os Estados Unidos.

Em um determinado nível, a China está envolvida com a captação direta de recursos, investindo bilhões de dólares nas zonas petrolíferas promissoras. Mas o país está também engajado em uma mistura de construção de influência e de oportunismo.

Assim como os ex-colonizadores da África, a China consolida as suas relações políticas e comerciais com auxílios, concessões especiais, reduções de dívidas, bolsas de estudos, treinamento e fornecimento de especialistas. Recentemente, Pequim enviou à África tropas mantenedoras da paz e, talvez o mais surpreendente, observadores eleitorais.

Ao mesmo tempo e, novamente, como os principais parceiros ocidentais da África, os chineses têm se mostrado dispostos a reforçar os seus compromissos com assistência militar e armamentos, fornecendo equipamentos a países como o Zimbábue e o Sudão, nos quais outros fornecedores estão impedidos de atuar devido a embargos.

Na Angola da era pós-guerra civil, empreiteiras chinesas estão reconstruindo a lendária estrada-de-ferro Benguela, obra originalmente concluída por uma companhia britânica na década de 1920, entre o coração da África, rico em minerais, e a costa do Atlântico.

Em Uganda uma companhia chinesa está transformando decrépitos prédios estatais em Entebe em um complexo de cerimoniais para a reunião do Commonwealth no ano que vem.

O comércio entre a China e a África quase quadruplicou desde o início desta década, crescendo 36% no ano passado, e chegando ao patamar de US$ 39,7 bilhões, segundo estatísticas oficiais chinesas. Cerca de metade das exportações chinesas é composta de maquinários, equipamentos eletrônicos e produtos de alta tecnologia.

Dezenas de milhares de chineses se mudaram para a África, incluindo operários em países como Etiópia e Botsuana, assim como engenheiros, comerciantes e pequenos empresários. Um estudo revelou que o número de chineses registrados no Sudão triplicou desde o final da década de 1990, chegando a quase 24 mil em 2004.

O turismo chinês na África também passa por forte expansão e, segundo os números oficiais, a quantidade de turistas chineses que visitaram o continente dobrou no ano passado, chegando a 110 mil.

Segundo o governo de Pequim, mais de 600 companhias de capital chinês se estabeleceram na África nos últimos dez anos. Entre elas estão indústrias manufatureiras que produzem para os mercados regionais, ou que, possivelmente, exportam para a União Européia (UE) ou os Estados Unidos, beneficiando-se do acesso isento de tarifas a produtos dos países africanos mais pobres.

A busca da China por aliados políticos africanos remonta às décadas de 1960 e 1970, quando o país tentava obter favores tanto do Ocidente quanto da União Soviética --construindo estádios, ministérios e, o mais espetacular, uma ferrovia de 1.850 quilômetros ligando a região central de Zâmbia ao porto de Dar-es-Salaam, na Tanzânia, um projeto que foi recusado pelos governos e empresas ocidentais.

Alguns países africanos transferiram a sua lealdade para Taiwan durante a década de 1990, quando Pequim e Taipei disputavam apoio no continente.

Mas, atualmente, apenas seis das 53 nações africanas --Burkina Faso, Chade, Gâmbia, Malawi, São Tomé e Príncipe e Suazilândia-- não mantém relações com Pequim. O Senegal foi o mais recente país africano a se aproximar da China, no ano passado.

Li Zhaozing, o ministro chinês das Relações Exteriores, fez uma visita bastante divulgada a seis países africanos no mês passado. A viagem, que incluiu passagens pela Nigéria e pela Líbia, dois grandes produtores de petróleo, também enviou um sinal aos países menores a respeito do auxílio técnico e financeiro que eles podem esperar em troca de cooperação.

Hoje em dia, a política da China está subordinada a objetivos econômicos, com interesses focados não apenas no petróleo e nos metais estratégicos, mas também nos recursos alimentares.

Como atores que ingressaram com atraso na África, as companhias chinesas têm demonstrado disposição para assumir riscos que outros investidores repeliram, e para ingressar em países desprezados pelas potências ocidentais.

Em Serra Leoa, eles preencheram discretamente um vácuo em diversos setores, desde o hoteleiro até o manufatureiro, enquanto o governo chinês fortaleceu a marinha do país, ao doar a esta um veículo para patrulha dos recursos pesqueiros leoneses.

Um documento sobre políticas do governo chinês divulgado no mês passado atesta o compromisso por parte de Pequim de facilitar o acesso de produtos africanos ao mercado chinês, de isentar alguns desses produtos de tarifas e de encorajar os investimentos chineses na região, apoiados por empréstimos preferenciais e créditos aos compradores. Ele estabelece uma frente ampla de cooperação, que inclui os setores agrícola, de transporte, de turismo e de defesa, assim como o de recursos naturais.

Embora um estudo do Departamento de Energia dos Estados Unidos, divulgado neste mês, tenha concluído que as aquisições chinesas de patrimônios no estrangeiro são economicamente neutras para o governo norte-americano, ele chama atenção para problemas potenciais oriundos da disposição da China em negociar com regimes despóticos.

O exemplo mais nítido de como a busca de energia por parte da China conflita com as políticas ocidentais é o caso do Sudão, um produtor emergente de petróleo no qual a China é o principal investidor e o cliente dominante. A China tem lançado mão consistentemente do seu poder de veto no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para bloquear as tentativas lideradas pelos Estados Unidos no sentido de impor sanções contra o Sudão devido às atrocidades cometidas em Darfur.

Uma autoridade sudanesa descreve a presença da China como importante, "não só sob o aspecto econômico, mas também no plano político". Desde que entrou no setor petrolífero do Sudão, a China tem aumentado as suas vendas de armas ao país, incluindo aviões de caça. A fabricação de armas e munições chinesas no Sudão complica os esforços para cumprir um embargo da ONU para impedir as remessas de armas às milícias em Darfur.

Armas e rádios de fabricação chinesa estariam sendo usados na fronteira do Chade --onde a França mantém uma guarnição militar-- por rebeldes que atuam com o apoio sudanês.

Em Angola, país arruinado pela guerra, os chineses ingressaram em um dos ambientes mais inóspitos do mundo para os investimentos, oferecendo um crédito de US$ 2 bilhões, lastreado no petróleo, em um momento no qual os bancos ocidentais e as instituições internacionais se mostram cautelosas na hora de emprestar dinheiro ao país.

Um acordo entre Angola e o Fundo Monetário Internacional (FMI) foi postergado, principalmente devido às dúvidas do FMI quanto à forma como o governo angolano gerencia o dinheiro arrecadado com o petróleo. Desconfianças similares impediram a realização de uma conferência de doadores internacionais.

"Os chineses estão oferecendo o empréstimo como uma alternativa a trabalhar com o FMI", diz Princetonn Lyman, diretor de estudos de políticas para a África do Conselho de Relações Exteriores em Washington.

Até o momento, a visão africana com relação ao acelerado envolvimento da China com o continente tem sido amplamente positiva. A China é tida no continente como um modelo de modernização, mais sensível às necessidades africanas do que os parceiros ocidentais, capaz de construir represas, estradas e pontes mais rapidamente e de forma mais barata, além de fornecer produtos de consumo mais condizentes com o poder aquisitivo africano.

Embora os países da África que não produzem petróleo tenham sofrido com os altos custos das importações, o continente também se beneficia com a elevação dos preços dos seus produtos, provocada pela demanda chinesa.

Mas as críticas também crescem. Comerciantes de Cabo Verde à Namíbia reclamam da invasão chinesa. Em Lagos, o principal canal comercial do oeste da África, as autoridades nigerianas têm expulsado os comerciantes chineses que não possuem licença para atuar no país.

As companhias da China são criticadas por preferirem os trabalhadores chineses ou, quando empregam nativos, por proporcionarem más condições de trabalho.

Os produtos baratos de consumo da China prejudicam a produção local. Fábricas de vestuários têm fechado as portas em toda a África, com efeitos devastadores para países como Lesoto, onde algumas destas fábricas eram de propriedade chinesa.

Há um clamor por medidas protecionistas. Quando a Federação de Trabalho Cosatu, da África do Sul, comemorou o seu aniversário em dezembro, os participantes tiraram as suas camisas vermelhas do sindicato, manifestando repulsa, ao descobrirem que as roupas foram fabricadas na China.

"Não existe nenhuma relação altruísta entre a China e a África", diz Lyal White, do Instituto Sul-Africano de Relações Internacionais. "O interesse da China não está nos produtos manufaturados de alto valor que a África do Sul deseja promover. Para Pequim, a África é uma arca do tesouro repleta de matérias-primas, e é isso o que a China quer".

Chris Alden, um especialista da Escola de Economia de Londres, diz a respeito dessa relação: "Os africanos estão começando a encarar isto como uma faca de dois gumes".

Enquanto em alguns países o envolvimento da China parece ser benigno, em outros a abordagem chinesa mina os esforços por parte da União Africana e dos parceiros ocidentais no sentido de tornar os governos e as empresas mais transparentes e responsáveis.

A cooperação chinesa se constitui em um salva-vidas para governos de países como Togo, cujos auxílios financeiros europeus foram praticamente extintos, além de proporcionar conforto a regimes tirânicos.

Uma visita a Pequim em novembro por Jendayi Frazer, secretário assistente de Estado dos Estados Unidos para questões africanas, marcou apenas um primeiro passo quanto à interação de Washington com a China com relação à África.

A China não fornece dados relativos a auxílios para desenvolvimento, e não declara desde 1996 as suas vendas de armas ao departamento da ONU responsável por contabilizar estas transações. Além do mais, os motivos por trás da assistência tecnológica prestada aos africanos vêm sendo questionados.

Para o lançamento de um satélite no ano que vem, a Nigéria recorreu à Corporação Industrial Grande Muralha, uma companhia chinesa que é alvo de sanções econômicas dos Estados Unidos por ter, supostamente, fornecido ao Irã tecnologia que poderia ser útil para um programa de armas nucleares.

Uma autoridade nigeriana graduada da área de relações internacionais vê as coisas da seguinte forma: "A impressão é que a China está atingindo o patamar de envolvimento na África dos países ocidentais. Sendo um país em desenvolvimento, a China nos entende melhor. Eles estão também dispostos a colocar mais ofertas sobre a mesa. Por exemplo, o mundo ocidental nunca está preparado para transferir tecnologia pra nós --mas os chineses estão. Segundo a nossa ótica, embora a tecnologia chinesa possa não ser tão sofisticada quanto aquela de alguns governos ocidentais, é melhor contar com tecnologia chinesa do que não possuir nenhuma tecnologia".

Tradução: Danilo Fonseca

Roberto De Almeida Ordenou A Suspensão Compulsiva Do Docente Universitário Na Agostinho Neto



Destaques

Terça, 20 Julho 2010 19:14
Lisboa - O ano de 1984 foi o “consagrado”, “Ano da Defesa e da Produção”. Assim sendo, honrado as insígnias do referido ano, o Senhor Roberto de Almeida, recomendou: O professor João Deves (à dir.) “deve imediatamente ser dispensado - função docente Agostinho Neto - em virtude das concepções ideológicas que perfilha, contrarias à teoria marxista”.

Fonte: Club-k.net

Professor João Daves, 26 anos depois:
Solicita reintegração na Universidade Agostinho Neto, renumeração e justiça
As recomendações do ex-patrono para Esfera Ideológica do MPLA-PT, Roberto de Almeida, contra o Professor João Daves não pararam por ai segundo o “Urgente e confidencial” documento que o Club-k teve acesso:
- Accionar no sentido de impedir a viagem desse docente ao estrangeiro;
- Muito urgente: Ao departamento (DAPP e Gabinete de Estudos). Elaborar nota enviada para o Gabinete do Presidente da Republica a att. do C/da Aldemiro Vaz da Conceição informando das razoes da não materiorização da autorização superior ... referente ao curso de pós-graduação para a RDA;
- Ao Gabinete de estudos INABE: Informar da não deslocação do interessado a RDA por este ter sido desvinculado da docência.

Por outro lado, o professor João Daves apresentou recentemente no tribunal de Luanda uma “Queixa contra o Senhor Roberto de Almeida” (anexo), na qual solicita renumeração “dos prejuízos morais, financeiros e materiais causados ao signatário incluindo, entre outros, salários e regalias de Docente e Investigador da Universidade A. Neto durante o período de vigência da decisão do Partido”.

Confira os pormenores do assunto (documentos) no link em anexo:

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O MPLA pode manter-se no poder, mas perderá a actual hegemonia - Abel Chivukuvuku


Luanda - Falando em exclusivo para este canal, o político abordou a situação prevalecente no país, à luz da nova Constituição. Estabelece comparações entre o que aconteceu aquando da entrada em vigor da lei Constitucional de 1991 quando Angola adoptou um novo regime político e concluiu que não houve mudanças qualitativas na actual III República.

Fonte: VOA CLUB-K.NET

Não houve Mudanças Qualitativas na Actual III República

Citando Vital Moreira notabilizado constitucionalista quando qualifica “Superlativo” o presidencialismo de Angola ao concentrar poderes na pessoa do presidente da República de forma exacerbada, o nosso entrevistado nota sinais de retrocesso.

Sobre o futuro do país a médio e longo prazo, Chivukuvuku elegeu o fim do ciclo político histórico do presidente Eduardo dos Santos como variável essencial no cenário que designou de “mais provável” de ocorrer, entre outros dois imediatamente a seguir na ordem decrescente classificados “de provável” e “o menos provável”.

No designado “cenário provável” o MPLA partido que governa pode manter-se no poder, mas perderá a actual hegemonia diz o político.

No “menos provável” dos cenários não acredita que ocorram em Angola mudanças instantâneas motivadas por levantamentos, golpes de Estado ou qualquer outro género de perturbações.

Sobre a saúde da oposição em Angola de um modo geral disse que a primeira percepção com que se fica é de uma fragilidade perante a hegemonia asfixiante do actual regime político.

Sobre o seu futuro individual diz-se aberto enquanto angolano patriota. Aceitaria liderar iniciativas políticas enquanto patriota.

E julga que deve manter-se na política activa por mais 12 anos, altura em que passará o testemunho as novas gerações para dedicar-se a escrita e realizar viagens para descobrir um pouco mais sobre esta coisa boa que Deus criou, alusão a terra.

domingo, 18 de julho de 2010

Em Moçambique. Projecto de plantação de jatropha é imoral e perverso


– Considera a Associação dos Amigos da Terra, sedeada em Bruxelas. Com ela corrobora a Justiça Ambiental moçambicana.


Maputo (Canalmoz) – O grupo verde designado “A Friends of the Earth” (Amigos da Terra) de Bruxelas critica os planos de expansão de produção de biocombustíveis em Moçambique. Classifica os acordos para promover a produção de biocombustíveis em África, “para alimentar carros europeus, de imoral e perverso”.
As contestações surgem no âmbito de um acordo entre a União Europeia e o Brasil para expandir a produção de biocombustíveis em Moçambique.

O activista para alimentação e agricultura da “Friends of the Earth Europe”, Adrian Bebb, refere que “a crescente expansão de biocombustíveis em todo mundo não está apenas a prejudicar o ambiente, mas também, muitas vezes, prejudica a subsistência das pessoas e o acesso aos alimentos”.
Adrian Bebb considera que usar milhões de hectares de terras agrícolas para plantações de jatropha e cana-de-açúcar em Moçambique, um país que sofre de fome persistente, para cultivo de culturas para alimentar carros europeus, é imoral e perverso. Os biocombustíveis não são uma solução para os problemas da mudança climática global, nem da segurança energética ou da pobreza em Moçambique.

Anabela Lemos, da Justiça Ambiental, em representação da “Friends of the Earth” em Moçambique, diz que “a expansão de biocombustíveis no nosso país está a transformar florestas e vegetação naturais em culturas de combustíveis, está a retirar terras férteis das comunidades que estão a cultivar alimentos, e a criar más condições de trabalho e conflitos com a população local pela posse de terra. Nós queremos investimentos reais em agricultura que nos permitam produzir alimentos e não combustível para carros estrangeiros”.
Adrian Bebb diz que os objectivos dos biocombustíveis europeus é que estão a causar esta expansão global. Diz ainda que as políticas da União Europeia já estão a causar disputa de terras e desflorestamento em todo o Sul. Em vez de fazerem acordos para conseguir mais terras no Sul, a União Europeia deveria eliminar a sua política de biocombustíveis, investindo numa agricultura amiga do ambiente e diminuindo a energia que usamos para transporte, defende Bebb.

(Redacção) 2010-07-16 08:04:00

Cuba. REGISTOS VERBAIS



“En Cuba se entra o se sale de la cárcel por razones de Estado, no de derecho.” (Em Cuba entra-se ou sai-se na Cadeia por razões de Estado, não de Direito) - Carlos Alberto Montaner, escritor cubano

“Imponerse es de tiranos, oprimir es de infames" (Impor-se é de tiranos, oprimir é de infames) - José Martí

CANALMOZ 2010-07-16 08:13:00

Imagem: http://www.chargeseditoriais.com/

Zimbabwe. Rede ferroviária à beira do colapso


Pretoria (Canalmoz) - O gerente geral dos Caminhos de Ferro do Zimbabwe (NRZ), Mike Karakadzai, afirmou que a totalidade da rede ferroviária do país enfrenta o colapso devido a negligência. Karakadzai disse que o governo deveria acelerar a abertura do sector ferroviário a entidades privadas como forma de aliviar o fardo suportado pela empresa estatal, NRZ.


De acordo com Karakadzai, “os NRZ possuem recursos limitados para a manutenção da rede ferroviária que se encontra em mau estado”. Referiu que a “rede ferroviária está em adiantado estado de deterioração e à beira do colapso devido à falta de manutenção periódica”.
Nos seus tempos áureos, as infra-estruturas empresa eram consideradas das melhores do mundo. As condições das vias férreas eram mantidas em condições superiores de funcionamento. A situação caótica com que depara a NRZ levou o Banco Mundial a recomendar em Dezembro do ano passado o encerramento de diversos troços da rede ferroviária nacional.

(Redacção / The Independent)

2010-07-16 08:15:00

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Justino Pinto de Andrade. “Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo…”?


9. Somos, também, contraditórios quando nos referimos ao peso do petróleo na formação do nosso Produto Interno Bruto. Por exemplo, em finais do mês de Novembro de 2009, o então Ministro da Economia, Manuel Nunes Júnior, afirmou, no Parlamento, que o sector não petrolífero da nossa economia contribuía já com apreciáveis 58% para a formação do PIB, pelo que restariam tão-somente 42% para o sector petrolífero.

JUSTINO PINTO DE ANDRADE jpandrade.blogspot.com/

Na voz do Ministro, isso significava uma clara inversão da importância da posição desses sectores. Estávamos perante uma mudança estrutural importantíssima para a nossa economia, com consequências positivas na criação de muito mais empregos e uma significativa melhoria no bem-estar das populações.

10. Na sua intervenção no Parlamento, o Ministro Manuel Nunes Júnior ilustrou resumidamente o percurso do PIB a partir do ano de 2006. Nesse ano, o crescimento do sector não petrolífero teria sido superior ao do sector petrolífero. Em 2007, o crescimento do sector petrolífero fora de 20,4%, e o do sector não petrolífero de 25,7%. Em 2008, o crescimento do sector petrolífero atingira 12,3%, contra os 15% do sector não petrolífero. Em 2009, o sector petrolífero teve um crescimento negativo de 3,6%, e o sector não petrolífero um crescimento positivo de 5,2%. Para 2010, o Ministro previu um crescimento de 3,4% para o sector petrolífero e um crescimento de 10,5% para o sector não petrolífero.

11. Há, pois, aqui, uma clara inconstância nas taxas de crescimento do PIB. E é bem perceptível o facto de o sector não petrolífero da nossa economia andar muito a reboque da evolução do sector petrolífero que o arrasta, ou, pelo menos, que o acelera ou desacelera.

12. Se é indubitável a relativa aleatoriedade das taxas de crescimento da nossa economia, fruto das circunstâncias e incidências do petróleo, tornou-se para mim mais inquietante a falta de sintonia entre os dados avançados em finais de 2009 pelo então Ministro da Economia, e os dados agora avançados pelo Governador do Banco Central, Abraão Gourgel. No encerramento do “V Encontro de Juristas Bancários de Angola”, Abraão Gourgel disse que o sector petrolífero contribui com 55% para a formação do nosso PIB. O Governador do BNA falou ainda sobre a importância de alguns sectores económicos para a economia e, sobretudo, para a geração de emprego, tendo destacado o papel da agricultura, agro-indústria e construção civil.

13. Estou de acordo com os postulados do Governador do BNA sobre a importância a dar aos sectores não petrolíferos, mas fiquei muito preocupado com a falta de concordância entre os números que foram avançados publicamente por aquelas duas individualidades, no curto espaço de 6 meses. Por exemplo, como foi possível, em apenas 6 meses, o sector petrolífero da nossa economia ter passado de uns estimulantes 42% na formação do PIB (como referiu o então Ministro da Economia), para os novamente preocupantes 55% exibidos pelo Governador do BNA? Alguma coisa não está a bater certo… Será que a estrutura do PIB pode variar tão rapidamente? Tendo havido uma evolução muito positiva no sector não petrolífero da nossa economia, como afirmou o Ministro, ainda assim o sector petrolífero recuperou o seu vigor e o seu protagonismo? Será também que a dinâmica dos números varia em função do auditório a quem nos dirigimos?

14. Para os parlamentares, talvez com o intuito de facilitar a aprovação do Orçamento, o Ministro da Economia disse que o peso específico do sector petrolífero estava a diminuir. Para os juristas bancários (para quem os números poderão querer dizer muito pouco), o Governador do BNA avançou uma percentagem que coloca a nossa e economia, em termos estruturais, praticamente no mesmo patamar em que estávamos antes. Ou será que já estamos diante do velho ditado, que diz: “Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo…”?

Imagem: club-k-angola.com

SME desmente informações sobre detenção de documentos de cidadãos portuguesas


Quinta, 15 Julho 2010 12:09

Luanda - O porta – voz dos Serviços de Migração e Estrangeiros (SME), Simão Milagre, desmentiu esta Quinta-feira, 15/7, durante uma entrevista ao Programa “Bom Dia Angola” da Televisão Pública de Angola (TPA), as informações que dão conta da detenção de documentos de cidadãos portugueses em, Luanda.

Fonte: TPA CLUB-K.NET

"Conhecemos alguns círculos da imprensa portuguesa"


“Venho aqui desmentir categoricamente esta informação. Essa não corresponde a verdade ”, disse Simão Milagre.

Segundo Simão Milagre tais informações vêm somente para manchar o bom nome da instituição.

“A mesma noticia fala em salvo-conduto, isto não é verdade, porque o salvo-conduto é concedido pelas missões diplomáticas dos respectivos países e, é com isso que os mesmos são autorizados a permitirem viagem”, salientou.

De acordo com o responsável, a mesma notícia peca por defeito, tudo porque quando se tem em posse um processo de qualquer cidadão que seja nacional ou estrangeiro, a contrapartida é o recibo e que este mesmo recibo faz fé em qualquer autoridade quando este for abordado na rua, quer pela Polícia Nacional ou então pelos Serviços de Fiscalização do SME.

Questionado se o SME terá algum procedimento particular, Simão Milagre, disse: “Não, esta é uma atitude provocatória. Nos conhecemos alguns círculos da imprensa portuguesa. Sempre que há eventos de maior dimensão, como é o caso da CPLP que Luanda vai acolher”.

Entrevista de José Gama a Radio Despertar


Luanda - Vivemos no mundo em constantes transformações com as novas tecnologias a facilitarem cada vez mais a aproximação entre indivíduos, povos e nações.

Fonte: Radio Despertar CLUB-K.NET

A internet trouxe novas formas de pesquisa e de comunicação rápida, que nos possibilita estarmos informados sobre o país e o mundo instantaneamente e a custos baixíssimos. A internet é um mundo livre em que flui a informação sem fronteiras. O governo angolano tenta travar o vento com as mãos.


José Gama é, activista cívico e um dos gestores do Club-K, site da internet que congrega vários angolanos em diferentes partes do mundo e está representado em 14 países. O site, segundo José Gama, permite aos angolanos o acesso a informação livre, não sujeita aos condicionalismos do governo angolano.

José Gama falou à Rádio Despertar numa entrevista conduzida pelo jornalista Joaquim Ribeiro.

RD- O Governo manifestou recentemente a intenção de criar uma lei para regulamentar ou gerir os portais. Que opinião tem sobre esta questão?

GAMA – O governo deve ter a sua justificação. É louvável que tenha procedido desta forma, criar uma lei que possa regularizar o tipo de jornalismo que se faz online. Há figuras que as vezes se queixam ou se sentem caluniadas via internet, nos Sites e Blogs, sem terem como recorrer em termos de justiça, e as autoridades sentem, por aquilo que temos estado a escutar, que não há pessoas responsáveis por aquilo que se escreve na internet. Mas, desde já, é importante realçar que será uma batalha que não creio que as autoridades terão forças para ir longe.

A China que é uma grande potência tentou fazer isso mas não conseguiu banir Sites como a Google. Não conseguiu porque hoje a internet é uma coisa globalizada. Eu acho que a única coisa que as autoridades podem fazer é, talvez, em termos de publicidade, que é a fonte de receitas dos Sites, obrigar nas empresas que queiram publicitar em Sites o façam apenas em Sites que estejam registados a nível da comunicação social. Em termos de criar leis não se vai a lado nenhum porque os Sites em referência, por exemplo o Club-K, não é gerido em Angola, não é registado ou criado em Angola. É um Site formado por Angolanos mas é um Site estrangeiro, porque ele é feito a partir de fora logo não tem nada a ver com as leis que se fazem ou que se regem em território angolano. A Internet é um espaço globalizado em que qualquer pessoa pode entrar e ler. Por isso mesmo a gente acha que as autoridades angolanas vão ter uma batalha muito forte e, repito, não terão forças para ir longe com essa medida. Mas entende-se o debate que pode ser no sentido de pressionar os responsáveis dos Sites a terem uma postura mais responsável.

Pode ser também que haja uma razão por detrás. Se formos a fazer uma leitura política podemos perceber que há um processo de monopolizar os órgãos de informação e a internet aparenta estar isenta e livre do controle das autoridades e dai que tenham pensado nisso numa fase semelhante a China que é um país de regime de partido único com característica ditatorial e penso que estamos a ir também pela mesma via.

As autoridades podem estudar seriamente, aprofundar o debate, convidar as pessoas que estão envolvidas nesses projectos e juntos acharem uma forma de mecanismo para acompanhar isso porque criar uma lei não se vai conseguir aquilo que se quer. Angola não tem servidores de Sites. Todos os Sites angolanos são feitos e registados fora do país. Há poucos Sites na internet. Nós não somos um país como o Brasil que chega a ter mil Sites ou mais de informação. Alguma coisa por detrás haverá certamente que as autoridades viram e que a gente não vê, mas precisávamos de perceber.

RD – Então não vê hipótese de sucesso nesta intenção?

GAMA – O sucesso que as autoridades poderão vir a ter é o debate que se está a criar. Debate que cria e que força as pessoas que estão por detrás destes Sites a ganharem um sentido de responsabilidade daquilo que vão informando. Os próprios gestores em si podem ter uma cultura de autocensura porque vão fazer tudo no sentido de não ferir as autoridades. Isso poderá ser um sucesso por parte das autoridades. Um debate é sempre um debate, trás sempre ideias, é algo valioso, as pessoas trocam opiniões, é algo frutífero. Não tem que ser necessariamente uma lei. Não há ainda registo de país algum no mundo que tenha este tipo de lei para regulamentar a internet. Eu penso também que as autoridades deveriam pesquisar os países fora em que se consome mais produto online, beber da sua experiência e contactar a própria China e saber como é que a China perdeu a batalha ao decretar uma guerra contra certos portais online que eles achavam que eram contra o regime Chinês. É dentro desta base que a gente está a analisar o discurso e as intenções das autoridades angolanas.

RD – Terá sido por alguma polémica criada pelos sites existentes que levou o governo a intenção de regulamentar a utilização da internet?

GAMA – Penso que sim porque os outros Sites da Angop, Jornal de Angola são progovernamentais e as autoridades têm o controlo dos mesmos. Não acredito que seria uma lei para regulamentar esses de que as autoridades já têm o controlo. Eles querem uma lei para controlar aqueles que estão fora do seu cerco. Mas, na verdade, no caso concreto do Club-K, eu acho que a preocupação não é naquilo que a gente vai divulgando em si. Eu acho que é no debate porque há um debate muito intenso entre os internautas. Eu penso que é isso que deve estar a incomodar as autoridades porque mesmo aqui em Angola a gente nota que por vezes há certos debates que se tenta impedir, manifestações e é tudo nessa vertente que a gente faz um paralelismo0 e compreende o que é que realmente está a incomodar ou a fazer com que as autoridades passem a tomar esse tipo de medidas.

RD – Quanto a liberdade de imprensa em Angola, qual é a opinião que tem?

GAMA – Em termos de lei, a Constituição garante a liberdade de imprensa mas por vezes notamos que as próprias pessoas têm-se autocensurado. Noto que as pessoas por vezes têm medo de falar porque já houve antecedentes de pessoas que escreveram e falaram e foram censuradas por usarem os seus direitos. Vimos tempos atrás o jornalista Rafael Marques que foi preso, foi molestado porque escreveu algo que as autoridades acharam contra a figura do presidente e ele foi preso. Há esses antecedentes que hoje fazem com que as pessoas tenham medo de falar, de fazer uso da sua liberdade de expressão.

A própria liberdade de expressão não é só naquilo que se escreve na imprensa. A liberdade de expressão também está no manifesto público que a gente vai fazer na rua. Veja que nos últimos dois meses as autoridades impediram uma manifestação em Benguela, impediram, abortaram uma manifestação em Cabinda que eram feitas por activistas cívicos. Mas momentos antes, em Janeiro, notamos que em Cabinda o próprio governador promoveu uma manifestação contra o terrorismo. Quer dizer que a liberdade de expressão pode ser exercida por parte dos membros das autoridades mas os activistas cívicos, a população é impedida de exercer esse direito. Até o próprio presidente do Tribunal Constitucional, o Dr Rui Ferreira, duas ou três semanas atrás, numa palestra em Luanda criticou a atitude de certos governadores provinciais de estarem a impedir as manifestações que não passam de uma liberdade de expressão. Se ele faz esta crítica quer dizer que como agente do Estado reconhece aquilo que temos estado a afirmar que a liberdade de expressão em Angola tem estado a ser amputada. Os direitos dos cidadãos têm sido violados pelas próprias figuras ligadas ao Estado angolano o que é uma acção muito negativa e que fere a Constituição.

RD – Que leitura faz da democracia que estamos a observar depois da aprovação da nova Constituição?

GAMA – A democracia é avaliada pela regularidade da realização de eleições em Angola, o que foi realizado em 2008. A democracia é avaliada pelo consenso e decisões que se vão tomando em torno do estado Foi realizada uma Constituição que infelizmente não reuniu consenso da população. Foi alvo de simulação. Colocaram pessoas nos órgãos de informação, simulando como se reunisse consenso. É uma coisa muito triste, muito errada. Quer dizer que hoje está-se a governar, está-se a viver mas com uma Constituição na qual as pessoas não se revêem.

Hoje as pessoas gostariam de ter uma constituição em pudessem votar livremente o seu Presidente. Quando isso não acontece quer dizer que temos um recuo democrático. Temos casos de violação das liberdades de expressão como referi atrás, pelos próprios governantes através do impedimento de manifestações de protesto. As autoridades precisam de se rever.

Esperamos que as autoridades se retratem porque Angola precisa de seguir um sentido democrático e ser um país de referência, semelhante a outros países como o Ghana, que hoje é uma referência em África e mundial quando se fala de democracia. Temos o caso da África do Sul onde existe de facto liberdade. Vimos em tempos atrás a forma como foi exposto o caso do Presidente Jacob Zuma que foi alvo de uma infidelidade por parte da mulher. Houve um debate muito consistente e aberto nos órgãos de informação porque desde o momento que ele é uma figura pública, a sua vida fica exposta ao público.

O outro caso que eu vejo como um desavanço democrático é o tipo de trabalho que os órgãos de informação fazem. Veja o que em tempos atrás o Jornal de Angola publicou o discurso do Senhor Presidente da UNITA, apresentando o Senhor como se fosse um apoiante das autoridades. Vemos como o Jornal de Angola, os órgãos de informação do governo acabam de ser um órgão de manipulação popular que é algo adverso a democracia. Mais uma vez ai nota o desavanço da democracia que passa a ser deturpada pelas próprias autoridades. Vejamos o caso da própria TPA, por vezes somos enxovalhados com noticiários repletos de propaganda do MPLA. Eu vi dois anos atrás na África do Sul que há um partido criado por elementos do ANC, organizou um Congresso e aquilo passou na televisão em directo, foi destaque nos jornais. É uma coisa que em Angola não acontece. Um partido realizar um Congresso os jornais estatais não fazem destaque porque aquele partido não faz parte do governo. É ai onde a gente também avalia o nível da democracia. Veja que no último Congresso do MPLA, a Angop passou cerca de 50 artigos por dia só a falar do Congresso. Houve um Congresso da UNITA e Angop passou uns 16 e da FNLA passou por ai 3. Vimos o que aconteceu durante as eleições.

As matérias sobre os partidos políticos eram retratadas de forma inversa, apresentavam os partidos num sentido negativo. Nós falamos com jornalistas destes jornais e eles explicaram-nos que de facto acompanharam os partidos só que – diziam em of – nós trazíamos as nossas matérias para a redacção e postos nas redacções havia outras figuras que invertiam os próprios artigos para dar uma impressão negativa. Vejamos o caso do Senhor David Mendes na altura das eleições ele tentava sair do país com uma certa quantia, bem, como jurista reprovamos pelo facto de não ter declarado os valores que estava a levar para o exterior, mas uma coisa que intrigou é que ao invés de chamarem primeiro a polícias autoridades colocaram primeiro a TPA, a rádio a divulgar aquilo. Quer dizer deu-se mais importância em fazer a divulgação do caso do Senhor em vez de dar um tratamento jurídico. A leitura política que se fez é que criou-se uma cabala contra o Senhor.

Preço do petróleo é um verdadeiro pesadelo para o Governo


- reconhece ministro da Energia, Salvador Namburete

Viaturas do Estado movidas a gás aquém do planificado “Nos últimos 5 a 6 anos tem sido um verdadeiro pesadelo para o Governo gerir a subida galopante do preço do petróleo no mercado internacional, de modo a manter o ritmo das actividades económicas e sociais, sem ameaçar ou comprometer os níveis de crescimento do PIB e da estabilidade macroeconómico”, disse ontem Salvador Namburete, ministro da Energia


Maputo – O ministro da Energia, Salvador Namburete, reconhece que o preço do petróleo é um “pesadelo para o governo” e reconhece também que o número de viaturas do Estado já convertidas a funcionar a gás ainda é muito inferior ao que está previsto. Não avança números concretos, mas diz que para se reverter o cenário, dez por cento das viaturas estatais serão brevemente convertidas.
Salvador Namburete falava ontem, em Maputo, num encontro onde se discutiu o uso de gás natural em viaturas e o seu impacto na redução da poluição ambiental. O ministro justifica que as viaturas do Estado movidas a gás estão em número reduzido porque o processo de conversão deve, antes de tudo, passar por uma campanha de sensibilização das empresas do Governo.

O governante explica que a conversão das viaturas estatais para funcionarem a gás não pode ocorrer do nada, pois deve acautelar a questão da dependência do país na importação de combustíveis líquidos.
“Nos últimos 5 a 6 anos tem sido um verdadeiro pesadelo para o Governo gerir a subida galopante do preço do petróleo no mercado internacional, de modo a manter o ritmo das actividades económicas e sociais, sem ameaçar ou comprometer os níveis de crescimento do PIB e da estabilidade macroeconómico,” disse Namburete.

Num outro desenvolvimento, Salvador Namburete afirma que a intensificação do uso do gás natural em viaturas irá contribuir, por um lado, para o incremento da utilização do gás natural que o país produz e, por outro, poderá contribuir para a redução dos custos dos transportes de passageiros e de carga, para além de outros benefícios ambientais decorrentes do uso de um combustível mais limpo, o que contribui no combate às mudanças climáticas.
Entretanto, o ministro apela para que as viaturas do Estado adiram ao uso do gás.

Não haverá subsídio para o uso de gás natural
Contrariamente ao que acontece com a importação dos combustíveis líquidos, na massificação das viaturas movidas a gás, de acordo com salvador Namburete, o Governo não prevê nenhum financiamento ou subsídio às empresas que se dedicam a tal actividade. Muito menos aos consumidores. Porém, diz Namburete que o Governo tem algumas ideias que brevemente poderão ser implementadas nesse sentido, mas foi já dizendo que “não se prevê nenhum financiamento”.

A segurança preocupa os clientes da «Autogás»
A questão de segurança para as viaturas movidas a gás constitui uma das grandes preocupações para os usuários. Os participantes do seminário ontem realizado pelo Governo a assunto aqui descrito, mostraram-se preocupados com a questão de segurança dos carros movidos a gás e questionaram: quais as garantias que se pode ter de que os veículos não correm perigo?
João das Neves, director-geral da «Autogás», garante existirem medidas de seguranças, mas desde que estas tenham sido convertidas pela sua empresa, a Autogás. Ele diz que não há algum perigo em usar viaturas movidas a gás, tal como tem sido propalado. A segurança permite evitar incêndio ou explosão do veículo, em caso de qualquer incidente. Acrescenta que os veículos dispõem de um sistema que permite funcionar mesmo em alta pressão, sem correrem o risco de incêndio ou explosão.

O apetrechamento de uma qualquer viatura para que ela possa funcionar a gás, implica um gasto inicial de mil dólares americanos, no mínimo. O veículo deve sujeitar-se previamente a uma pré-inspecção. Caso seja aprovado para nele ser aplicado o sistema de gás, o veículo manterá o sistema de gasóleo ou gasolina, conforme seja o caso. Os veículos com os dois sistemas (gasolina ou gás e alternativamente gás) funcionarão com um ou outro, consoante a necessidade do utente. Não há, contudo, bombas de abastecimento de gás suficientes. Na cidade de Maputo há apenas uma a funcionar.

O consumo de gás numa viatura é sensivelmente o mesmo que a gasóleo ou a gasolina. Se uma viatura gasta 10 litros de diesel ou gasolina, gastará os mesmos 10 kgs mas de gás. A poupança estará no preço do gás que é muito inferior ao gasóleo e à gasolina. A outra vantagem é que o gás é hoje um produto nacional.
Um constrangimento grave, no entanto, é que uma bomba de abastecimento de gás implica um alto investimento, de meio milhão de dólares para cima, confidenciou-nos uma fonte ligada ao projecto de uso de gás nas viaturas. A pergunta que fica é: quando haverá viaturas suficientes no país que justifiquem que se invista em bombas de reabastecimento de gás em todo o país? Presentemente uma viatura a gás só tem onde se abastecer em Maputo. Não deixa de circular porque inverte-se o sistema e a mesma viatura, com um simples botão, muda de gás para o combustível que normalmente usa, gasolina ou gasóleo.

(António Frades e Egídio Plácido) 2010-07-15 07:30:00

Imagem: mocambique3.blogs.sapo.pt/arquivo/2006_01.htm

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Consultora exorta empresariado a reforçar presença em África



Pretoria - África está a ganhar peso na economia global e os executivos e investidores devem reforçar a presença das suas empresas nos países africanos com melhores perspectivas, entre eles Angola e Moçambique, afirma a consultora McKinsey.


No boletim trimestral, intitulado “O Que Faz Mover o Crescimento de África”, a consultora sublinha que em 2040 um em cada cinco jovens de todo o mundo serão africanos e a mão-de-obra será superior até à da China. “Se as recentes tendências continuarem, África vai ter um papel cada vez mais importante na economia global”, afirma a McKinsey.
O continente conta com 60% de terras aráveis incultas a nível mundial e uma grande percentagem dos recursos minerais. A classe consumidora está a crescer a um ritmo duas a três vezes superior ao dos países da OCDE.
Ao nível do investimento estrangeiro, a taxa de retorno é maior do que em qualquer outra região em desenvolvimento.

“Os executivos e investidores globais não podem ignorar isto. Uma estratégia para África deve ser parte do seu planeamento a longo prazo. A altura para as empresas agirem de acordo com esses planos é agora”, refere o relatório.
“As empresas que já têm negócios em África devem considerar expandir as suas actividades. Para outras que ainda estão à margem, entrar cedo nestas economias emergentes dá a oportunidade de criar mercados, estabelecer marcas, moldar estruturas industriais, influenciar as preferências dos consumidores e estabelecer relações a longo prazo”, adianta o relatório da consultora McKinsey.

A consultora agrupa as principais economias do continente em “diversificadas”, como a África do Sul, ou em “pré-transição”, caso da Etiópia. Angola surge no grupo dos exportadores de petróleo, os que têm os maiores PIB per capita, mas cuja economia é menos diversificada. Têm “fortes perspectivas de crescimento”, mas devem investir as suas receitas petrolíferas em infra-estruturas e educação, além de introduzir reformas que estimulem o sector privado. Moçambique é considerado uma economia em transição, cujas perspectivas dependerão da expansão das trocas entre os países africanos.
“Se estes países melhorarem as suas infra-estruturas e sistemas de regulação, poderiam também competir globalmente com outras economias emergentes de baixos custos”, adianta o relatório da consultora.
(Redacção / macauhub)

2010-07-13 06:56:00

Nova revolta popular na Beira. Munícipes frustram entrega de edifícios municipais ao Partido Frelimo



Beira – Está instalada na Beira mais uma revolta popular contra uma ordem do tribunal local que visa que património público municipal seja entregue ao Partido Frelimo.

Doze tiros foram ontem disparados por agentes da policia que se fizeram à sede do bairro do Matadurouro, na Beira, na perspectiva de dar cumprimento a uma ordem de despejo emanada pelo tribunal provincial de Sofala.


Não há vítimas humanas a relatar, mas o facto terminou com uma algazarra dos populares locais, e da chefe do bairro, Lucia Cipriano, contra a escrivã do tribunal, identificada apenas por Anita, e autoridades da lei e ordem que a acompanhavam.
Segundo o que apuramos, eram 10 horas quando a referida escrivã se fez ao local, para dar cumprimento à ordem de despacho do tribunal provincial de Sofala que obriga o Conselho Municipal da Beira a entregar 17 casas reclamadas pela Frelimo como sendo da sua propriedade, casas essas que sempre serviram como edifícios municipais e que o último presidente municipal eleito pela Frelimo, Chivavice Muchangage, alianou ao seu próprio partido.

Até à hora em que redigimos este artigo nenhuma sede dos bairros, das 17 visadas pela ordem judicial, fora entregue. Em todas elas a população estava posicionada para fazer justiça com as próprias mãos por entenderem que a Frelimo com a cumplicidade do tribunal está a querer apoderam-se do que é património municipal.
No confronto com a escrivã Lúcia Cipriano pediu que aquela exibisse o título de propriedade do imóvel, bem assim a decisão que ordenava o despejo. Não tendo a escrivã procedido conforme o seu pedido ela recusou-se a assinar e a receber os papéis da ordem do tribunal. Foi então que os policias intrometeram-se no assunto e ordenaram Lúcia Cipriano a sair, ao que esta disse fosse o que fosse não abandonaria o local.
Volta e meia um dos polícia disparou três tiros em direcção aos pés dela, sendo que outros disparam outros tantos tiros. Daí a multidão furiosa intrometeu-se no caso, afirmando que aquela é a sede do bairro e portanto não a deixariam ser retirada. “Nós estávamos a ocupar a sede do bairro a uns dois quilómetros daqui. Assim, este edifício pertencia a fundo do Fomento, que após concluir o projecto Inhamízua 2 cedeu-o ao CMB. É surpreendente que antes reivindicavam outro imóvel, hoje fazem-no a este,” palavras de Lúcia Cipriano.
Soubemos que no meio do motim a escrivã “perdeu” o processo e desatou a reclamar que o tinham roubado. O assunto foi depois encaminhado para a esquadra local da polícia. Até às 13 horas de ontem procurava-se uma saída mediante mediação policial, a qual contou com a participação do director da ordem do Comando Provincial da Polícia de Sofala, identificado apenas por Paulo.

Este processo tem o número 95/2005. Corre há mais de cinco anos. Teve inicio aquando da transmissão de poderes da administração subordinada ao Governo Central (Frelimo), à Renamo, representada por Daviz Simango que acabara de ser eleito pela primeira vez como edil da cidade. Agora Daviz Simango continua a ser edil da Beira, mas por ter vencido, já como independente, as eleições de 2008. Entretanto, Daviz Simango passou a dirigir um partido, o MDM, que foi criado já depois dele ter sido reconduzido no cargo de presidente do Município da Beira.
Recorda-se que em Dezembro de 2007 o Tribunal Judicial de Sofala proferiu uma sua sentença a favor do Partido Frelimo no litígio relativo à propriedade e usufruto de 17 imóveis que constavam do inventário de bens patrimoniais do Conselho Município da Beira apresentado por Chivavice Muchangage quando o actual administrador da Angónia, em Tete, fez a passagem do poder na autarquia da Beira para o seu sucessor, Daviz Simango

Os tais 17 edifícios, logo a seguir foram considerados propriedade do partido Frelimo e não do Estado. Alguns deles foram construídos com fundos do Estado de raiz e outros estavam arrendados à autarquia para funcionamento da administração local nos diversos bairros da capital da província de Sofala.
O Conselho Municipal da Beira (CMB) defende que a decisão do Tribunal Judicial Provincial não obedeceu aos factos e às provas apresentadas pela edilidade, as quais trazem a lume que o apossamento e a tomada dos imóveis pela Frelimo correu de forma obscura. Por exemplo, em Janeiro de 2003 a Frelimo registou os imóveis sem os ter antes alienado. Em Junho do mesmo ano pediu ao Governador local a passagem dos imóveis dos bairros à Frelimo. Só em Agosto de 2004 um anúncio convidava o partido Frelimo a alienar os imóveis.

“Se formos a ver a certidão de registo de imóveis não condiz em muitos pontos com as coordenadas dos imóveis reclamados pela Frelimo, o que seria um elemento que o tribunal deveria considerar para não dar por procedente o pedido da Frelimo”, defende o presidente da Beira, engenheiro Daviz Simango.
Apesar do referido recurso ter sido interposto em tempo útil o tribunal de Sofala está agora a agir sem que haja uma sentença transitada em julgado.
Daviz Simango diz-se surpreendido. Defende que uma decisão que não transitou em julgado não pode ser executada por um tribunal que não é agora competente. Ficamos surpreendidos ao saber que o nosso pedido de recurso ao surpremo só avançou há cinco dias, depois de o termos requerido a 1 de Março de 2007. “Só a 10 de Julho, há dias, é que o nosso processo deu entrada no Supremo, o que é estranho,” disse Simango.

Dois meses depois da posse do engenheiro Simango no seu primeiro mandato, o partido Frelimo apareceu a reivindicar a propriedade dos imóveis sob alegação que os mesmos lhe tinham sido atribuídos por via de contrato de arrendamento celebrado com o Estado e que tinham sido ilegalmente ocupados pelo Conselho Municipal da Beira.
Depois de um prolongado “braço de ferro” e que culminou com algumas escaramuças protagonizadas por membros do partido Frelimo que tentavam ocupar os imóveis à força, o caso acabou sendo julgado em Tribunal, depois de uma queixa intentada pelo Conselho Municipal da Beira, que antes reagira “às provocações da Frelimo” com uma providência cautelar, que não chegou a proceder.

A sentença do Tribunal Judicial Provincial de Sofala acabaria por dar razão à Frelimo, ordenando a restituição dos imóveis em disputa.
Na decisão judicial de primeira instância, vem expresso que o partido Frelimo alienou as casas ao Estado nos termos do artigo 2 da Lei 5/91 de 9 de Janeiro e Decreto 2/91 de 16 de Janeiro, tendo à data da prepositura da acção, pago os respectivos valores. O Município da Beira, por sua vez defendeu-se alegando não constituir a verdade que os imóveis foram ocupados de forma ilegal, dado que em 06 de Fevereiro de 2004, tinha recebido os imóveis em causa do Edil cessante, como património do Conselho Municipal da Beira, concretamente no que respeita aos imóveis com os registos prediais 1914, 10446 e 3487, bem como os que ostentavam os contratos de arrendamento n.ºs 2574, 4678, 4561 e 9011.

O CMB, referiu ainda que os imóveis com os contratos de arrendamento n.ºs 9004 e Registo Predial 10445, foram sempre património da Administração do Conselho Municipal da Beira, conforme a chapa constante da fotografia junto aos autos, a fls. 67, incluindo o imóvel com o contrato de arrendamento n.º 6410.
Na óptica do Conselho Municipal da Beira, de contrário, a Frelimo teria que explicar a utilização de fundos do Conselho Municipal na reabilitação de imóveis que diz serem sua propriedade, pois estar-se-ia se em presença de desvios de fundos do Estado, pelo que assunto deveria, sendo o caso, ser tratado em fórum próprio.
Por outras palavras, todas as verbas públicas gastas a reabilitar os edifícios que o partido Frelimo diz agora pertencerem-lhe terão sido usadas fraudulenta e abusivamente, se vingar a decisão do tribunal de primeira instância, facto que poderá dar aso a novo processo judicial, este já de desvio de fundos do Estado pelo Partido Frelimo.

Os imóveis reclamados pelo Conselho Municipal da Beira, serviram desde a independência nacional como sedes dos então grupos dinamizadores, substituídos por Secretariados de Bairros, desde 1998, sendo que o inquilino dos referidos imóveis era o Conselho Municipal e não o partido Frelimo.
O CMB sustenta ainda que os contratos foram feitos pelo pseudo locador em 06/07/2006, sendo tecnicamente impossível, que a APIE assinasse na mesma data os contratos 768, 7810 e 7042.
Mesmo com estes argumentos apresentados pelo Conselho Municipal da Beira, o Tribunal Judicial Provincial de Sofala, julgou procedente o pedido do partido Frelimo declarando-o como legítimo proprietário de todos os imóveis descritos nos autos.

Além da entrega e do reconhecimento do direito de propriedade do partido Frelimo, o Tribunal condenou também o Conselho Municipal da Beira ao pagamento de 792.502.000,00 MT (Setecentos e noventa e dois milhões e quinhentos e dois mil meticais da antiga família), a título de indemnização, pela privação do uso dos imóveis por um período de 13 meses.
Quando a sentença foi proferida a 18 de Dezembro do ano passado, o presidente do Conselho Municipal da Beira, eng.º Daviz Simango, já havia declarado que recorreria da sentença e que não haveria de entregar as sedes até que a justiça fosse reposta.
Na Beira está-se agora a viver momentos de grande tensão por causa deste caso. Não está posta de parte uma revolta popular de grandes dimensões se proceder a obrigação de entrega dos edifícios ao partido Frelimo. O ambiente está muito tenso. A população está disposta a fazer justiça pelas suas próprias mãos.
(Adelino Timóteo)

2010-07-13 07:00:00

Produtos africanos com acesso facilitado ao mercado da China


Pretoria - A China está a conceder acesso livre de tarifas alfandegárias a cerca de 4 mil produtos de mais de duas dezenas de países africanos, estimulando o investimento industrial chinês e o crescimento económico em África.


Xie Yajing, conselheira comercial chinesa para a África e Ásia Ocidental, afirmou recentemente ao jornal queniano, «The Standard», que o esforço para estimular as importações africanas passa também pela abertura de um centro de Exposições Africanas em Pequim, para dar maior visibilidade a estes produtos no país.
“A China assinou acordos de livre acesso com mais de 20 países africanos, para permitir a importação de mais de 4 mil produtos sem tarifas alfandegárias”, afirmou Yajing ao jornal queniano.
De acordo com a mesma responsável, as exportações chinesas para África têm-se mantido estáveis, ao passo que 23 países africanos conseguiram aumentar as suas exportações para a China.

O volume de comércio bilateral aumentou 24% no primeiro trimestre deste ano, para 27,8 mil milhões de dólares. Os dados mais recentes dos Serviços de Alfândega da China indicam que no caso dos países de língua portuguesa esta subida é ainda maior: 91% até Abril, para 25.089 milhões de dólares.
No período em análise, a China importou dos oito países de língua portuguesa bens no valor de 17 459 milhões de dólares (um aumento homólogo de 108%) e exportou mercadorias no valor de 7 630 milhões de dólares (um aumento de 60%).

(Redacção /macauhub) 2010-07-02 07:17:00

Polícia investiga Al Gore


O antigo vice-presidente dos EUA terá efectuado avanços sexuais relativamente a uma massagista de hotel, há quatro anos atrás.
As autoridades norte-americanas anunciaram a reabertura da investigação.

02/07/10 10:25 DIÁRIO ECONÓMICO

A vítima disse ter sido inicialmente desencorajada de apresentar queixas pelos seus amigos, que receavam que o mundo "poderia ser destruído pelo aquecimento global" se Al Gore fosse acusado de assédio sexual.

Comentários (1)
Francisco Batista, Lisboa | 02/07/10 11:18
Avanços Sexuais ?? Não conhecia o Sr. Al Gore como cientista ginecológico . Mas afinal que avanços na sexualidade são esses que o Sr. Gore descobriu ??
A massagista foi sua assistente ?? Ou martir cobaia pela ciência ??
Ele há coisas....

Imagem: Wikipedia

terça-feira, 13 de julho de 2010

General Silva Mateus Faz Ataque A Mendes De Carvalho


Luanda - O presidente instituidor da Fundação 27 de Maio, general Silva Simão Mateus, denunciou publicamente, num debate na Rádio Despertar, que Uanhanga Xitu, sob o pseudônimo literário de Mendes de Carvalho, como sendo o autor moral ou material do desaparecimento físico do seu sobrinho Caeiro Fortunato, que curiosamente era seu vizinho, no Bairro Popular.

Fonte: Terra Angolana CLUB-K.NET

“O velho Mendes impressionou a família quando se apercebeu que Caeiro estava foragido”, disse Silva Mateus, acrescentando que por temer represália, este (a família), entregou de mãos a beijar o foragido “e a partir daquela data, nunca mais foi visto”.

O general recorda ainda que, semanas posteriores a manifestação do 27 de Maio de 1977, o escritor, Uanhanga Xitu, foi louvado pelo então ministro da Defesa, Henriques Teles Carreira, vulgarmente conhecido por Iko Carreira, num discurso proferido no dia 1 de Agosto de 1977, juntos com outros nomeadamente, o general Zé Maria, Delfim de Almeida, Ary da Costa e Kamu de Almeida, por terem oprimido brutalmente até à morte os seus companheiros da jornada, por iniciativa própria.

O velho Uanhanga Xitu, de acordo com Silva Mateus, nunca foi militar “mas de repente, começou a ser visto publicamente fardado no Ministério da Defesa”. E nas cadeias, segundo consta no livro intitulado “Holocausto em Angola”, quando o escritor se deparasse com uma pessoa conhecida lhe questionava: Você também está aqui? Pois não tens juízo. Estas palavras, curiosamente, eram tidas como uma senha para a eliminação física do indivíduo.

O general Silva Mateus aconselha o escritor, caso se sinta lesado, a processá-lo judicialmente. “Só aceito um confronto no tribunal caso achar caluniado”, manifestou confiantemente.

Outrossim, o TA soube que a Fundação 27 de Maio deliberou a criação de um gabinete de advocacia que contará com alguns advogados da nossa praça para intentar acções crimes contra aqueles que a declaração do Bureau Político do MPLA, de 27 de Maio de 2002, acusa de terem cometido excessos e agido à margem das instituições do Estado.
Em remate, Silva Mateus, fez a leitura da declaração das Nações Unidas que dá conta que os crimes de genocídio ou holocausto não prescrevem, ou seja não se extinguem .
*Lucas Pedro