sábado, 14 de agosto de 2010

Julgamento de Charles Taylo. Graça Machel citada durante acareação da modelo britânica


Pretória (Canalmoz) - Prossegui ontem no Tribunal Internacional de Crimes de Guerra em Haia o julgamento do antigo presidente liberiano, Charles Taylor. O ex-chefe de Estado da Libéria é acusado de 11 crimes, incluindo a instigação de assassínio, violação, mutilação e de transformação de crianças em soldados. Pesa ainda sobre Taylor a acusação de ter utilizado diamantes para financiar a guerra na Libéria.

Na sessão de ontem, a modelo britânica, Noami Campbell, admitiu perante o tribunal ter recebido diamantes entregues por dois agentes do ex-chefe de Estado liberiano. O caso passou-se em Setembro de 1997, quando Campbell encontrava-se de visita à África do Sul a convite do Presidente Nelson Mandela.

Depondo perante o tribunal, Campbell disse que após um jantar na residência oficial de Mandela, dois homens bateram à porta do quarto da modelo, tendo-lhe entregue um saco contendo diamantes, oferta de Charles Taylor. O então presidente liberiano era um dos convidados presentes ao jantar oferecido por Nelson Mandela. Da lista de convidados constavam individualidades como a viúva do primeiro presidente moçambicano, Graça Machel, o compositor americano, Quincy Jones, a estrela de cinema Mia Farrow, entre outros.

Nas declarações perante o colectivo de juízes que está a julgar Taylor, Noami Campbell negou que Graça Machel tivesse levantado objecções pelo facto de Charles Taylor contar-se entre os convidados ao jantar. Campbell desmentiu versões que haviam circulado de que Graça Machel, em protesto contra a presença de Charles Taylor, teria alegadamente abandonado o local onde decorria o jantar.

Fotografias tiradas por ocasião do jantar na residência oficial do presidente sul-africano mostram o Mandela e Graça Machel ladeados de Charles Taylor e Quincy Jones.

(Redacção) 2010-08-06 09:32:00

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Desemprego tende a crescer no mundo. Jovens precipitam-se a serem uma “geração perdida”


– aponta um estudo da Organização Internacional do Trabalho sobre Tendências Globais de Emprego para a Juventude

Maputo (Canalmoz) – O desemprego no mundo está cada vez mais a crescer e ameaça colocar os jovens numa situação de “geração perdida”. O relatório anual de Tendências Globais de Emprego para a Juventude, da Organização Internacional do Trabalho (OIT) concluiu que desde 2002 o número de jovens desempregados entre pessoas com idade entre 15 e 24 anos atingiu 13 porcento. Em 2009, a taxa de desemprego entre os maiores de 25 anos foi de 4,9 porcento. Comparativamente aos adultos, a taxa de desemprego entre jovens fixou-se em 2,8 vezes superior.
O documento tornado público na última quarta-feira, não retrata a situação evidenciando, o que se passa em cada país do mundo. Contudo, aponta que em 2009, 81 milhões de jovens no mundo, dos 623 milhões economicamente activos, estavam desempregados. O número poderá subir até ao fim de 2010, por isso, corre-se o risco de haver “uma geração perdida”, com jovens sem alguma esperança de ter emprego.

A crise financeira económica é apontada como sendo um dos factores que precipitou tal cenário.
De acordo com o relatório, nos países ricos o número de jovens desempregados passou de 8,5 milhões, em 2008, para 11,4 milhões, em 2009, o que representa um aumento de 34,1 porcento. Nos países em desenvolvimento e pobres, onde a maioria trabalha de forma independente e em sectores informais, sem algum benefício social, os jovens “perdem a oportunidade de sair da pobreza”, devido ao desemprego.
Em 2009, entre as mulheres, o desemprego cifrou-se em 13,2 porcento, contra os 12,9 porcento dos homens.

(Redacção) 2010-08-13 07:12:00
Imagem: novidade-afn.blogspot.com

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

SWAZILÂNDIA. Governo reduz preços de combustíveis


Mbabane (Canalmoz) - O governo do Reino da Swazilândia anunciou uma redução no preço dos combustíveis com efeito a partir de hoje. A redução deve-se à oscilação do preço do crude verificado o mês passado nos mercados internacionais, segundo uma nota do Ministério dos Recursos Naturais e Energia.
O litro de gasolina sem chumbo (95) que custava 7,75 emalangeni (35,0246 MT, passa a custar 7,45 emalangeni (33,6688 MT), menos cerca de sete meticais do que em Moçambique, onde o governo acaba de introduzir um aumento do preço. A taxa de câmbio utilizada para a conversão foi de 1 Lilangeni = 4,51930 MT (www.aonda.com)

Embora país do interior, o preço da gasolina consegue ser inferior ao praticado em Moçambique, país costeiro sem os mesmos encargos de transporte da Swazilândia que normalmente importa combustíveis através de portos sul-africanos.
Na Namíbia, um país costeiro membro da SADC na costa atlântica, os preços praticados são semelhantes aos que a Swazilândia passa a praticar de hoje em diante.

(Redacção) 2010-08-06 09:33:00
Imagem: girafamania.com.br

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Matola: Governo “ameaça” com grande potencial bélico


FIR encurrala líder do Fórum dos Desmobilizados de Guerra

Maputo (Canalmoz) – Homens fortemente armados da Força de Intervenção Rápida (FIR), uma das unidades militarizadas da Policia da República de Moçambique (PRM), vigiam desde a noite do ultimo sábado a zona da residência do presidente do Fórum dos Desmobilizados de Guerra, e desde domingo estão, ostensivamente, a vigiar a residência de Hermínio dos Santos, localizada no bairro de Infulene “A”, no Município da Matola, capital da província de Maputo, nos arredores da capital do País. O visado, entretanto, acusa as autoridades de o quererem assassinar por alegadamente ele estar a liderar a preparação de uma manifestação dos desmobilizados à escala nacional.

Pelo menos até à noite de ontem, segunda-feira, a Policia continuava no local. Enquanto isso, o visado, que acusa a Policia de o querer assassinar, afirma que não tem medo de “morrer pela causa dos desmobilizados” e ameaçava levar avante a manifestação “à escala nacional”.
Os moradores do Bairro de Infulene “A”, vizinhos do líder dos desmobilizados de guerra, estão em pânico, devido à presença de cerca de 40 homens da Força de Intervenção Rápida (FIR). Para além do presidente dos desmobilizados, que fez as guerras nas fileiras do exército fiel ao partido Frelimo, vive também naquele bairro o líder do Fórum dos chamados “Madgermanes” que há anos se vem manifestando contra o facto do governo não acertar com eles contas com os ex-trabalhadores moçambicanos na ex-RDA, antes da unificação da Alemanha.
Mendes, dos “Madgremanes”, e Hermínio dos Santos são vizinhos.

Pelo menos 40 homens da Força de Intervenção Rápida (FIR), munidos de canhões e outros instrumentos de grande potencial bélico, em viaturas blindadas, estão posicionados naquele bairro desde sábado, em frente da residência do presidente do Fórum dos Desmobilizados de Guerra, Hermínio dos Santos.
Depois de patrulharem a rua onde mora Hermínio dos Santos, durante a noite do último sábado, os homens da FIR cercaram, a partir das primeiras horas de domingo, a casa do presidente do Fórum dos Desmobilizados.
O ambiente que se viveu, pelo menos no domingo, foi de pânico entre os moradores que segundo apuramos ficaram indignados com a atitude da polícia.

Em declarações ao nosso jornal, Hermínio dos Santos, que desde domingo contínua encurralado no interior da sua residência, acusou as autoridades governamentais de o estarem a querer assassinar.
Segundo Hermínio dos Santos, durante o dia de domingo a policia estacionou o carro blindado em frente da porta da sua residência, sem explicações para tal atitude.
Depois disso retiraram-se, “ao que supõe para rendição dos homens”.
A FIR retornou ao local durante a noite, tendo dois deles, segundo Hermínio dos Santos, se encostado à janela do seu quarto, “numa clara atitude de ameaça”.
Ainda no ultimo sábado, momentos antes da investida policial, Hermínio dos Santos orientou uma reunião do fórum que dirige, “com objectivos de planificar uma manifestação que vai ser levada a cabo à escala nacional pelos desmobilizados de guerra, dentro dos próximos dias”.

“Estamos a protegê-lo” – MINT

O ministro do Interior, José Pacheco, apareceu na manhã desta segunda-feira a justificar a presença dos homens da Força de Intervenção Rápida (FIR) na residência do presidente dos Desmobilizados de Guerra, como sendo uma forma de proteger Hermínio dos Santos da vandalização por parte de um grupo de desmobilizados.
De acordo com Pacheco, a Policia esta no local depois de ter recebido informações segundo as quais um grupo de desmobilizados se preparava para ir vandalizar a casa de Hermínio dos Santos. O ministro não avançou as causas que estariam por detrás da alegada intenção dos desmobilizados. Mas, entretanto, em contacto com o nosso jornal, Hermínio dos Santos, que se diz visado, refutou as alegações do ministro do Interior, afirmando que não havia nenhuma fonte que teria reportado ao Governo sobre a alegada vandalização que estaria a ser preparada pelos desmobilizados, porque segundo suas próprias palavras “ainda no sábado eu estava reunido com os desmobilizados”.
A fonte acusou a Policia, na pessoa do ministro José Pacheco, de estar a querer orquestrar o seu assassinato devido às promessas que o Fórum que dirige fez de levar a cabo manifestações, à escala nacional, em breve.

Manifestações

Entretanto, Hermínio dos Santos deu a conhecer que no próximo sábado o Fórum dos Desmobilizados de Guerra vai fazer o lançamento das linhas de orientação das manifestações, afirmando que “os protestos vão ter lugar em todo o país no próximo mês de Setembro”.
“Nós vamos nos manifestar, e o Governo vai ter que ceder. Se quererem usar a força através da Policia, vão ter da nossa parte a resposta merecida”, disse peremptoriamente Hermínio dos Santos.
Até ontem à noite, a Policia continuava a sitiar a casa onde vive aquele responsável dos desmobilizados. Hermínio dos Santos afirma não poder “nunca mais” ceder as “ameaças”.

(Eliseu Carlos) 2010-08-10 07:07:00

sábado, 7 de agosto de 2010

Editorial. Mudar a Constituição para Guebuza continuar?


É preciso travar a geração do escangalhamento

Maputo (Canalmoz) - A Constituição da República refere que “todas as camadas patrióticas da sociedade moçambicana num mesmo ideal de liberdade, unidade, justiça e progresso, cujo escopo era libertar a terra e o Homem, engajaram-se na luta por princípios que devolveram ao povo moçambicano os direitos e as liberdades fundamentais”. No preâmbulo lê-se ainda que “a Constituição de 1990 introduziu o Estado de Direito Democrático, alicerçado na separação e interdependência dos poderes e no pluralismo, lançando os parâmetros estruturais da modernização, contribuindo de forma decisiva para a instauração de um clima democrático que levou o país à realização das primeiras eleições multipartidárias”, diferentemente da inicial que suscitou uma guerra sangrenta de que não se pode dissociar como causa a veleidade e livre arbítrio de um punhado de cidadãos ambiciosos de poder e pitosgas quanto às consequências que a sua medíocre visão histórica poderia suscitar.

Esses cidadãos auto-proclamaram-se força dirigente da Sociedade e do Estado. Deu no que deu: sangue por todo o lado, miséria generalizada, refugiados em todo o lado, dentro e fora do país. Desgraça.
Os traços desse regime – destruição da sociedade velha, criação do homem novo, evacuação dos improdutivos para campos de trabalhos forçados, reeducação dos reaccionários e execução sumária dos inimigos do povo – foram obras de quem não teve dúvidas de decisões que tomou. Deu numa guerra tremenda.
Hoje estamos na mesma. Um punhado de indivíduos vencedores de eleições promovidas num ambiente de total baralhada, de leis eleitorais contraditórias, suscitadas por esse mesmo grupinho que as manobrou com o intuito de assegurar legalidade aos actos eleitorais, prepara-se para mudar a lei fundamental a fim manter no poder o seu actual líder e consequentemente fazer do Estado a sua machamba.

Esse grupinho imagina que ninguém mais, entre os mais de vinte milhões de cidadãos, está capaz de exercer os cargos que exercem. Esquecem-se que em qualquer país realmente empenhado em construir uma genuína democracia, os mandatos são limitados a prazos determinados.
É o grupinho de sempre. O tal das certezas que depois acabam em pancadaria sangrenta.
Se o grupo for avante com os seus propósitos, estamos no peugada de um autêntico golpe de Estado em que o homem que ainda pode estar sujeito a procedimentos judiciais internacionais por actos que, ainda que sendo do passado, não prescrevem, pode estar a engendrar formas de se perpetuar no poder.

A presente Constituição “reafirma, desenvolve e aprofunda os princípios fundamentais do Estado moçambicano (…) e assegura que a ampla participação dos cidadãos na feitura da Lei Fundamental traduz o consenso resultante da sabedoria de todos no reforço da democracia e da unidade nacional”. Mas a maioria parlamentar prepara-se para decidir entre quatro paredes, ignorando o povo.
A Constituição estabelece que Moçambique é um estado democrático em que a Soberania reside no povo, mas esse grupo prepara-se para ignorar o povo.
A defesa e a promoção dos direitos humanos e da igualdade dos cidadãos perante a lei; o reforço da democracia, da liberdade, da estabilidade social e da harmonia social e individual; a promoção de uma sociedade de pluralismo, tolerância e cultura de paz, são objectivos fundamentais.

Os actos contrários à unidade nacional visando atentar contra a unidade nacional, prejudicar a harmonia social, criar divisionismo, situações de privilégio ou discriminação com base em vários pressupostos, entre eles a “opção política”, “são punidos nos termos da lei”.
Mas há, mesmo assim, quem quer voltar a fazer do País uma “cotada” de alguns.
O presidente da República “só pode ser reeleito uma vez” e foi esta a Constituição que o Senhor Guebuza jurou cumprir. Se for para além disso, estará a desonrar-se a si próprio, tanto mais que já disse, publicamente, que não se recandidatará. Quer tudo: as propriedades privadas e o poder político num país em que a constituição prescreve direitos do Estado e direitos privados.
Só tem de seguir o exemplo do seu antecessor, mas parece que está a querer ir com o chinelo para além da sua perna. Há fortes suspeitas disso.

Na qualidade de PR é também chefe do Governo. Pressupõe-se, então, que o mesmo condicionalismo que o abrange no que respeita à recandidatura a PR no fim do segundo mandato, se aplica a todas as funções que nesta Constituição são inerentes ao cargo de chefe de Estado.
Mesmo que se preparem agora mais poderes para o primeiro-ministro, como já houve quem lançasse essa hipótese, Guebuza estaria em condições morais para ocupar tal cargo com outro presidente? Será que Moçambique é um parque de diversões de políticos irresponsáveis? Quererá ele ser um desses comuns politiqueiros só porque, na Russia, Putin fez uma dessas?
Na Constituição vigente há “limites materiais”. Não se revê a Constituição porque um grupo de senhores entendeu que a oportunidade deles voltarem a excluir os outros, está de novo ao seu alcance.

As leis de revisão constitucional têm de respeitar a independência, a soberania e a unidade do Estado; a forma republicana de Governo (…); o sufrágio universal, directo, secreto, pessoal, igual e periódico na designação dos titulares electivos dos órgãos de soberania das províncias e do poder local; o pluralismo de expressão; (…); o direito de oposição democrática”.
A Constituição vigente impõe que as alterações destas matérias são obrigatoriamente sujeitas a referendo. A forma republicana de governo pressupõe que se deve respeitar os mandatos e a alternância.
O problema a certa altura deixa de ser jurídico e passa a ser político.
Quer isto dizer que poder-se-á entender como TRAIÇÃO e USURPAÇÃO DE PODER qualquer alteração que não seja com a exclusiva intenção de melhor servir o Povo. Neste caso as alterações de que se fala serão para que um punhado não largue o poder político.

Condições formais, legais, para se promoverem alterações à Constituição em termos de poderes extraordinários pode haver, mas quando o legislador introduz certas cláusulas pétrias, fixas, está a ter em conta a necessidade de passarmos a ter um Estado moderno, em que, com os princípios sagrados, que mexem com as mais diversas sensibilidades humanas, não se brinca. Foi uma das condições para a Guerra Civil terminar.
Mesmo que se admita (ainda que para muitos seja forçado) que a Frelimo ganhou as últimas eleições legislativas com margens confortáveis que lhe dão legitimidade para alterar a Constituição a seu bel-prazer, é preciso ter-se em conta que sob a sua batuta encapuçada foram excluídas candidaturas e candidatos para poder chegar a ter a posição de alterar a constituição. Pode-se falar em golpe premeditado.

Mesmo assim ganhou com menos de um quarto de votos da totalidade dos moçambicanos com capacidade eleitoral.
Há mais de três quartos dos moçambicanos que não votaram ou votaram noutros. Isto é preciso ter-se em conta.
Esse cenário mostra bem que há mais legitimidade fora do Parlamento para se exigir que não se mexa nos pontos sagrados da democracia e se respeite os prazos dos mandatos e outros princípios constitucionais, do que a maioria qualificada da Frelimo na Assembleia da República, possa ter.
A Frelimo e o seu presidente têm de ter presente que se chamarem a si “poderes extraordinários” para alterar a Constituição, para acomodar a sua apetência pela ditadura ou continuidade no poder de uns certos “brazonados”, o povo pode também vir a chamar a si “poderes extraordinários” para impedir isso; para impedir a Frelimo e o seu presidente de ter veleidades semelhantes às que já tiveram antes do país entrar pela via da violência.

O mesmo tipo de ambição hegemónica já transformou o País num vale de lágrimas.
O Presidente da República não pode recusar a promulgação da lei de revisão, consta da Constituição. O senhor Guebuza terá sempre essa desculpa, para ‘sacudir a água do capote’. Mas a Constituição vigente prevê também “Limites circunstanciais” que impediriam que a Assembleia da República avance com uma revisão contrária à vontade dos que se reviram nesta Constituição e não foram votar porque não imaginavam que fosse intenção dos vencedores do pleito empreender tamanha rasteira ao Povo.
Pode ser que o Povo aí chame a si “Poderes especiais” e se subleve de tal forma que seja declarado o Estado de Sítio. “Na vigência do estado de sítio ou do estado de emergência não pode ser aprovada qualquer alteração da Constituição”, prevê a Lei Fundamental. Será que a irresponsabilidade vai deixar as coisas ir ao extremo de nos levar ao princípio da história da geração do escangalhamento?
Quando a Guerra Civil começou, o Partido Frelimo sonhava que não tinha oposição. Depois foi o que se viu.
Aconselhamos moderação e, acima de tudo, juízo. Temos todos de evitar repetir os mesmos erros. O tempo é para andarmos para a frente. Não para os que já puseram as vidas dos moçambicanos em risco uma vez, voltem a brincar aos cowboys.

(Canalmoz / Canal de Moçambique) 2010-08-06 09:34:00
Imagem: nossomocambique.blogs.sapo.pt

Cidade de Dondo. Assaltos com recurso a catanas apavoram munícipes


– confirma o Comandante Distrital da PRM no Dondo, Sérgio Azevedo. Enquanto isso, o chefe de Relações Públicas da Polícia em Sofala, Feliciano Dique, queixa-se de falta de efectivo policial para patrulhar os bairros, numa situação em que, segundo ele, “a polícia comunitária pouco ajuda nesse sentido”

Dondo (Canalmoz) – Os assaltantes pilham, ferem e matam dia e noite com recurso a catanas nos bairros Concito e Nhamaiabue, no distrito do Dondo, a 30 quilómetros da cidade da Beira, na província de Sofala. As ocorrências, segundo relataram alguns munícipes ao Canalmoz, devem-se à ausência da Polícia.
Em contacto com o Canalmoz, Mónica Cipriano disse que ela e mais residentes dos bairros onde os criminosos implementam as suas leis à margem da ordem social, estão entregues ao destino, uma vez que não existe algum período de dia em que não estejam ameaçados.

“Aqui no bairro de Concito não há patrulha da Polícia. Aos munícipes são roubados seus bens, são feridos e até mortos por assaltantes. O que se vive no bairro de Concito é muito triste”, desabafa.
Um outro munícipe de nome Alberto Jeque, de 39 anos de idade, comerciante do mercado de Nhamaiabue, disse também que os referidos assaltos já foram várias vezes denunciados junto do comando distrital da Polícia, mas até ao presente momento nada se fez para contornar a situação.
Alberto Jeque disse não compreender como é que a Polícia só patrulha os locais iluminados, como por exemplo os restaurantes, as lojas, entre outros.

O chefe de Relações Públicas da Polícia em Sofala, Feliciano Dique, minimiza a situação descrita pelos munícipes ao declarar que os tais assaltos com recurso a catanas têm vindo a reduzir. E chama ao que ele próprio diz ser o desempenho da Polícia, “sucesso”. Quando a população se queixa ele refere que “o sucesso deve-se às operações policiais”. Ao tentar provar que a criminalidade está a diminuir, Dique disse que “no primeiro semestre do ano passado o distrito registou 357 casos, contra 296 do semestre deste ano”. “Houve uma redução de 61 casos”, acentua.
Porém, Dique admitiu que no distrito de Dondo a corporação enfrenta dificuldades para garantir a ordem, segurança e tranquilidades públicas. E justifica-se: “Um dos obstáculos é a falta de efectivo policial para patrulhar os bairros”.

“A polícia comunitária”, segundo o interlocutor, “pouco ajuda nesse sentido”.
Refira-se que a Polícia Comunitária não é profissional. É um corpo de voluntários.
Por seu turno, o comandante distrital do Dondo, Sérgio Azevedo, reconheceu a situação dos “assaltos com recurso a catanas”, ao afirmar que os mesmos se verificam com maior incidência “nos bairros de Concito e Nhamaiabue”. “Os mentores são jovens oriundos do próprio distrito e arredores, com idades compreendidas entre os 18 e 30 anos”, acusa directamente enquanto a população se queixa de que a Polícia não actua para resolver o problema.

(Conceição Vitorino) 2010-08-03 07:32:00
Imagem: geographicae.wordpress.com

Comércio da China com Países da CPLP aumenta 77%


Pretoria (Canalmoz) - O comércio entre a China e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa aumentou 77% no primeiro semestre de 2010 para 41 688 milhões de dólares, relativamente ao mesmo período do ano anterior.
De acordo com estatísticas dos Serviços de Alfândega da China acabadas de divulgar, o Brasil, com 26 391 milhões de dólares de trocas comerciais – dos quais 16 073 milhões de dólares resultaram de vendas à China – mantém-se como o principal parceiro da República Popular da China com um aumento de negócios da ordem dos 60% até Junho.

A China exportou para o Brasil mercadorias no valor de 10 317 milhões de dólares, uma subida de 104% em relação ao primeiro semestre de 2009.
Angola é o segundo maior parceiro chinês no âmbito dos oito países da CPLP, tendo alcançado trocas comerciais no valor de 13 450 milhões de dólares até Junho, mais 133% relativamente ao mesmo período de 2009.
As vendas angolanas fixaram-se em 12 545 milhões de dólares, na sua maioria petróleo, o que equivale a mais 185 % do que no primeiro semestre de 2009. As vendas da China cifraram-se em 905 milhões de dólares, menos 34% em relação ao mesmo período do ano passado.

Para Portugal, o terceiro parceiro comercial da China, seguiram mercadorias chinesas no valor de 1187 milhões de dólares, contra compras chinesas de 334 milhões de dólares, valores que traduzem aumentos de 40% e 74%, respectivamente.
Até Junho, as trocas comerciais entre Portugal e a China atingiram os 1521 milhões de dólares, mais 46% do que em igual período de 2009.
Angola e Timor-Leste registaram as maiores subidas percentuais nas trocas comerciais com a República Popular da China, de 133% e 132%, respectivamente, enquanto São Tomé e Príncipe, que não tem relações diplomáticas com Pequim, teve a subida mais ligeira, de 8,7%.

(Redacção /macauhub) 2010-07-30 07:10:00

Editorial. Justiça e Humildade


Maputo (Canalmoz) - Um dos rostos mais visíveis do regime dos Khmer Vermelhos, que oprimiu o povo do Camboja de 1975 a 1979, acaba de ser condenado a 30 anos de prisão por crimes contra a humanidade. Kaing Guek Eav, também conhecido por “Duque”, era o responsável por um dos “campos de reeducação” do regime liderado por Pol Pot, e onde morreram às suas ordens para cima de 15 mil pessoas.

Ao fim de cerca de 30 anos de regime de terror, o povo do Camboja vê finalmente a justiça a ser feita. A memória dos milhões de cambojanos que pereceram sob a opressão dos ‘Khmer Rogues’ não foi esquecida.
Os traços desse regime – destruição da sociedade velha, criação do homem novo, evacuação dos improdutivos para campos de trabalhos forçados, reeducação dos reaccionários e execução sumária dos inimigos do povo – confundem-se com a fisionomia do regime instituído no nosso país na mesma altura que os Khmer Vermelhos ascenderam ao poder. Os partidos dirigentes dos dois Estados apostavam estatutariamente na destruição – ou “escangalhamento” – das sociedades, ditas tradicionais feudais e decadentes. Ambos reclamavam ter sido iluminados por correntes progressistas durante os anos que viveram em Paris e disso fazem alarde em volumosas memórias que impingem a preço de saldo. Em público, a adulação e o enaltecimento das figuras de proa de cada um dos regimes era a nota dominante.

Os que ontem oprimiam, torturavam e matavam o povo do Camboja, confessam hoje, perante os tribunais, os seus hediondos actos. Com humildade, pedem perdão pelas barbaridades que admitiram ter praticado.
Talvez isso, e apenas isso, diferencie os dois regimes que começaram por marcar fases distintas da histórica da Ásia e da África quase que em simultâneo. Deste lado da história, a arrogância, o desplante e a impunidade de uns poucos contrastam com a humildade e o arrependimento manifestados por um Kaing Guek Eav. Outras figuras do regime dos Khmer Rogues preparam-se para subir à barra dos tribunais.

Possivelmente, novas lições de humildade e arrependimento serão dadas naquele outro lado da história. Deste lado, continuaremos a assistir – por já estarmos habituados – aos que, orgulhosamente sós, enaltecem um passado manchado de sevícias, de ultraje, de humilhação, de degradação da pessoa humana e de sangue, por terem a convicção de que eles próprios e o poder judicial «estão juntos». A lição que a História da humanidade nos trás, e que este caso no Camboja só reconfirma, é que mais tarde ou mais cedo, tudo o que se tentou escrever por linhas tortas, acaba por ser escrito direito.

Os familiares e herdeiros das vítimas dos abusos do Poder em Moçambique ainda hão-de um dia celebrar a verdade quando as algemas que continuam a manietar a palavra se quebrarem definitivamente. A humildade dos que têm os seus nomes ligados a práticas semelhantes às dos Khmers Vermelhos do Camboja poderia evitar processos de catarse, mas o seu sentido da auto-estima é tão perverso, a política de exclusão tão evidente, que não conseguem ver como acabam todos os que se guiam pela ganância e obsessão totalitária.

(Canalmoz / Canal de Moçambique) 2010-07-30 07:17:00

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Regime impede jornais privados de escreverem a cerca da saúde de Assunção dos Anjos


Bastidores
Quarta, 28 Julho 2010 21:58

Londres – O antigo adido de imprensa da embaixada de Angola em Lisboa, Ramiro Barreira, esta a mover influencia junto de jornais privados em Luanda, a fim de prevenir que estes não tragam nas próximas edicções textos ou artigos relacionados ao estado de saúde do Ministro das Relações Exterior, Assunção dos Anjos.

Fonte: Club-k.net

Ramiro foi o porta-voz da missão diplomática angolana em Portugal ao tempo que o ministro, Assunção dos Anjos era o Embaixador. Entretanto, não há informação que confirma de que o ex-diplomata tenha alguma procuração que o orienta a fazer corredores juntos aos jornais para fazer segredo do estado de saúde do dirigente angolano ou se o faz na qualidade de voluntario.

De recordar que Ministro Assunção dos Anjos encontra-se em Madrid a receber tratamento medico depois de ter sido acometido com um mau estar no decurso de uma viagem de trabalho aos Estados Unidos. O mesmo não chegou a regressar ao país tendo ficado inicialmente em Lisboa até decidir ir a Espanha. Já não foi a tempo de participar na cimeira da CPLP que Angola acolheu a semana passada.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

José Eduardo Agualusa. Há falta de escritores


«Há falta de escritores. Os escritores levam tempo a construir. Um músico popular faz-se em menos tempo, um escritor exige mais tempo de formação. É necessário um investimento muito grande e continuado para se formar escritores. É preciso melhorias na cultura e na educação, na ampliação da rede de bibliotecas públicas.

http://www.apostolado-angola.org/articleview.aspx?id=3241

E num país como Angola, em que um livro é muito caro e chega a muito poucas pessoas, é normal que não haja muitos escritores. Ainda assim, Angola é um dos poucos países de África que tem um grupo de escritores com dimensão internacional. Mas muito poucos jovens, porque os jovens foram privados do acesso à cultura durante este tempo todo. Pode ser que daqui a dez ou quinze anos, com maior esforço do governo, possam ser criadas as condições para que daqui a vinte ou trinta anos comecem a surgir novos escritores.

Preocupa-o essa falta de escritores?
Naturalmente. Porque há histórias que se vão perdendo. Angola tem grandes histórias com uma dimensão universal e é uma pena que não se faça mais para evitar que se percam. Todas as grandes tragédias geram histórias, a Segunda Grande Guerra deu origem a inúmeros bons romancistas, com a Guerra Civil Americana aconteceu o mesmo. Todos os grandes conflitos, todas as situações de ausência de Estado, produzem literatura. O derrube das Torres Gémeas nos EUA, por exemplo, já deu origem a alguns grandes livros. Angola tem muitas histórias mas há poucas pessoas para as contar a todas.»

«Falta de apoios condiciona publicação de obras literárias. Angop
Escritor angolano John Bella
Luanda – O secretário-geral adjunto da Brigada Jovem de Literatura, John Bella, afirmou hoje, em Luanda, que a escassez de recursos financeiros, a ausência de patrocínios, bem como o rigor das editoras angolanas impedem a publicação de obras literárias.

http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/lazer-e-cultura/2010/5/24/Falta-apoios-condiciona-publicacao-obras-literarias,dd732232-93e0-4042-96e2-248fdc51d1f9.html

Em declarações à Angop quando convidado a falar do papel da literatura no desenvolvimento do homem, o escritor realçou existir um número considerado de escritores, principalmente jovens, interessados em publicar obras com alguma regularidade, pretensão, no entanto, que não tem sido possível por falta de recursos.

As dificuldades são sentidas com maior intensidade fora da província de Luanda, segundo explicações do responsável, adiantando que a ausência de investimentos privados em algumas províncias reflecte-se na falta de patrocínios.

“O reflexo é sentido igualmente nos leitores que acabam deste modo com poucas opções de leitura, dada a escassez de livros de autores angolanos”, explicou John Bella.

A produção literária em Angola, avançou a fonte, ainda é insuficiente, pelo que as instituições públicas e privadas devem, em colaboração, envidar esforços para inverter o actual quadro, pois a literatura representa uma expressão cultural.

Segundo o escritor, a falta de interesse pela leitura, por parte de alguns jovens, deve-se pela distância que existe entre o leitor e o livro, que segundo ele, ainda não está ao alcance de quem quer.

John Bella defende igualmente a revitalização dos centros culturais e infantis, pois são autênticos impulsionadores da leitura no seio juvenil.

A criação de bibliotecas e salas de leitura a nível dos municípios de Luanda, segundo a fonte, também servirão de estimulantes de leitura e consequentemente elevarão o nível intelectual dos jovens angolanos.»

«Destruição de bibliotecas
A destruição de bibliotecas tem sido uma prática habitual ao longo da história, geralmente promovida por exaltados líderes políticos ou religiosos; está sócia ao fanatismo ideológico e costuma acaecer como consequência de mudanças sociais radicais, confrontos religiosos, e conflitos bélicos. Constitui, junto com a bibliocastia ou queima de livros, um dos capítulos da História da estulticia, a incultura, o ódio e a vingança.

http://pt.wikilingue.com/es/Destruição_de_bibliotecas

Ficheiro:Brand Anna Amalia 22.30Uhr.JPG
Incêndio da Herzogin Anna Amalia Bibliothek, em Weimar, Alemanha.
No século em que viveu Enrique de Villena mal teria teólogo, que abrindo um livro onde tivesse algumas figuras geométricas, não as julgasse caracteres mágicos, e sem mais exame lhe entregasse ao fogo... um francês, chamado Genest, vendo um manuscrito onde estavam explicados os Elementos de Euclides, pelas figuras que tinha se imaginou que era de nigromancia, e ao momento jogou á correr despavorido, pensando que lhe acometiam mil legiones de demónios, e foi tal o susto, que morreu dele.
Fray Benito Jerónimo Feijoo e Montenegro, Obras escolhidas, 1863, p. 317-8.Tabela de conteúdo

Metas na história da destruição de bibliotecas
A história da destruição das bibliotecas acompanha à história da humanidade e parece não ter fim. Estes são alguns das principais metas documentadas:
O Papiro de Ipuur, narrado por "o príncipe Ipu", partidário da velha ordem, descreve como foram destruídas, entre outras coisas, muitas bibliotecas de templos durante o primeiro período intermedio do Egipto (ca. 2175 a 2040 a. C.) Possivelmente, trata-se da primeira revolução social documentada.
As desavenencias entre os clérigos partidários de Amón e os de Atón provocaram a destruição das obras de seus adversários, que inclusive apagaram escrupulosamente de todo o país o nome do principal valedor de Atón, o faraón Ajenatón (ca. 1353 - 1337 a. C.)

Quando Nínive é arrasada em 612 a. C., destruiu-se a biblioteca real de Asurbanipal, que continha relatos como: a Epopeya de Gilgamesh, o mito de Adapa, ou o pobre homem de Nipur, precedentes dos relatos bíblicos e de As mil e umas noites.[1] Felizmente, muitos restos de tablillas cerâmicas foram achadas pelos arqueólogos.
Heródoto escreveu que quando Cambises invadiu o Egipto em 525 a. C., arrasou os templos e queimou todo o resto de cultura do país, ficando só com o ouro, pois este não ofendia sua memória.
Na fortaleza dos espíritos do palácio de Darío I (ca. 549 - 485 a. C.) em Persépolis, guardavam-se os arquivos dos reis aqueménidas, gravados em chumbo e estaño, em uma escura sala (a 33 do Tesouro). Foi incendiada, mas a lenda conta que se salvaram os dois únicos manuscritos de Zoroastro: «o livro dos livros de Persia», escrito com letras de ouro, ainda que poucos séculos depois foram destruídos no incêndio da Biblioteca de Alejandría, onde estavam depositados.

O tirano grego Pisístrato, reuniu em sua Biblioteca as obras da época –inicialmente, com o objectivo de compor a Ilíada–, mas foi saqueada por Jerjes em 480 a. C.
A Grande Biblioteca de Alejandría, foco da cultura helénica, promovida pelos Ptolomeos, onde tentaram compilar todo o conhecimento da época, era «a editorial maior da antigüedad» segundo Vitruvio, e sucumbió no ano 48 a. C., no incêndio que devastou a cidade de Alejandría durante o assédio de César. Ainda que os cronistas romanos da época omiten o acontecimento e outros o consideram destruição parcial ou o pospõem, achacándolo a líderes fanáticos, tais como o bispo Teófilo ou o califa Omar.

A Biblioteca de Constantinopla (criada em 315, por Constantino com 7.000 vols. em seu início), que chega a ter mais de 100 mil rollos na época de Teodosio, é queimada neste ano por León III o Isáurico.
Quando Teodosio I (379 - 395) declarou religião oficial ao cristianismo, começou a perseguição do pagano, e os seguidores do bispo Teófilo, destruíram todos os livros depositados no Serapeum de Alejandría, os restos da Grande Biblioteca e as dos templos. O sacerdote hispano Paulo Orosio, que viajou a Alejandría vinte anos depois, escreveu em suas Histórias contra os paganos: «Existem hoje templos, que nós temos visitado, cujos estantes de livros têm sido esvaziados pelos homens de nosso tempo».[2]

A biblioteca da residência dos papas em Letrán, dispunha de numerosos livros de diversos autores clássicos gregos e latinos que foram ordenados queimar por Gregorio I (590) «o cónsul de Deus», se perdendo exemplares de Cicerón, Tito Livio e outros muitos autores, alegando que «os jovens preferem essas leituras ao Novo Testamento». A partir deste pontífice considerou-se que a sozinha proximidade de um livro pagano pode pôr em perigo uma alma piedosa.[3]
Egipto é declarado islâmico em 604; os Livros da sabedoria estavam depositados nos Tesouros reais, mas em 633 Omar proclamou: «...se o que diz neles é conforme ao Livro de Deus não permite os ignorar, mas se há algo neles contra o Livro, são maus, seja como seja, os destrói.» Utilizaram-se como combustível.
Por ter-lhe privado de seu amor, a esposa do rico príncipe fatimí Mahmud ao Dawla bin Fatik, após seu fallecimiento destruiu sua biblioteca, uma das mais quatro admiráveis de O Cairo. O príncipe, grande poeta, adorava ler e escrever noite depois de noite.

Os cruzados sitiaram Trípoli em 1099. Rendida a cidade sem combate, os vencedores, entre outras tropelías, prenderam fogo à Biblioteca. Um sacerdote, vendo a multidão de edições do Corán depositadas em seus estanterías ordenou seu incêndio.
A Biblioteca de Constantinopla é de novo devastada pelos turcos no 1453.
A biblioteca da Madraza de Granada, a primeira Universidade desta cidade, foi assaltada pelas tropas do cardeal Cisneros, no final de 1499, os livros foram levados à praça de Bib-Rambla onde se queimaram em pública fogueira. O edifício da Madraza uma vez clausurada a Universidade foi doado pelo rei Fernando para Cabildo (Prefeitura) da cidade, em setembro de 1500.

A Biblioteca Nacional de Sarajevo foi queimada no final de agosto de 1992. O incêndio foi causado pelo fogo de artilharia do exército sérvio-bosnio. O edifício não tenía valor estratégico nem importância militar, mas constituía o grande simmbolo de identidade de um povo; possuía uns dois milhões de livros e milhares de documentos e manuscritos de grande valor, conservados ao longo de séculos tanto por muçulmanos como por sérvios ortodoxos, croatas católicos e judívos.
Em 2003, queima-a de um millon de livros na biblioteca Nacional do Iraque.»

Imagem: A queima de livros, Berlim, 1933
www.educ.fc.ul.pt/.../opombo/album/perigos.htm




terça-feira, 27 de julho de 2010

BNA, Banco Nacional de Angola, o Banco do Povo


Já não existe palavra para definir esta mixórdia. Que final nos aguarda, neste caos democrático? O colapso total? Parece que é isso mesmo.
Isto é uma fábrica de cinismo.

«Polícias de Viana apoderam-se do dinheiro desviado do BNA
Sociedade. Sexta, 23 Julho 2010 18:38

Luanda - O PAÍS apurou de uma fonte ligada às investigações do caso que agentes policiais colocados na unidade conhecida como Controlo de Viana participaram num “festim” de distribuição de dinheiro que esteve na posse de um funcionário do sector de contabilidade do Banco Nacional de Angola.

José Kaliengue. Fonte: O Pais CLUB-K.NET

Fernando Monteiro, esteve ausente do local de trabalho aquando da eclosão do escaldante caso por um período de três meses, mas curiosamente, garantiu uma fonte deste jornal, o seu local reservado no livro do ponto continuava assinado por uma pessoa ainda não identificada, prenunciando haver uma certa concertação prévia.


Fernando viu a casa assaltada por agentes da esquadra do Controlo de Viana quando foi accionado o alerta de que ele estaria a ser procurado pela justiça pela sua alegada implicação no “Caso BNA”.

Segundo uma fonte ligada ao processo de investigação corroborada por outras fontes familiares aos integrantes da corporação policial, os agentes da autoridade acabaram por retirar da casa volumes com dinheiro que foi dividido entre si num descampado, nos arredores da sua casa, à vista de transeuntes.

As fontes precisam o local onde tudo se passou como sendo um campo situado no bairro conhecido como Coelho, nas imediações da empresa Sol Dourado, ao Quilómetro 9, em Viana. Segundo as mesmas fontes, Fernando Monteiro tinha guardados em casa oito sacos e cinco pastas cheias de dinheiro que fontes bancárias dizem que eram em notas de dois mil Kwanzas destinadas à queima.

Uma fonte ligada, ao processo de investigação confidenciou entretanto que os volumes estavam completamente cheios de dólares americanos totalizando um montante que não pôde precisar.

A área de investigação criminal do comando da divisão de Polícia de Viana reagiu já tardiamente e pôde fazer muito pouco para recuperar a parte do dinheiro surripiado.

Fontes deste jornal disseram que os agentes da autoridade que se locupletaram com os valores estão a exibir, neste momento, sinais de ostentação de riqueza que fogem dos padrões permissíveis pelo seu estatuto remuneratório. Entre este sinais constam a exibição de viaturas de marca Toyota Rav-4 e alguns deles se dedicam agora à venda de viaturas usadas.

Detenções continuam no BNA
Foi detida, na última segunda-feira, mais uma funcionária também do sector de contabilidade do banco central supostamente implicada nas trafulhices que acabam sempre no desfalque de importantes somas monetárias.

Segundo a fonte de O PAÍS, a funcionária já vinha sendo buscada no fim-de-semana passada em casa, na igreja e até na escola mas sem sucesso, acabando por ser detida no bar do BNA onde se encontrava a tomar o pequeno almoço.

Uma outra fonte revelou que militares e polícias terão esquadrinhado na última sexta-feira o Centro Cultural Português onde uma funcionária do BNA, implicada no caso, estaria a prestar provas para onde frequentava um curso numa instituição de ensino superior à distância, na qual estava matriculada.

Ao que constou a este jornal a situação das últimas detenções envolvem também funcionários de outras empresas que alegadamente estariam ligados ao esquema de extracção de valores financeiros do banco central, nomeadamente de empresas petrolíferas internacionais como a ENI, por exemplo.

Este jornal apurou, posteriormente que as duas funcionárias detidas na quinta-feira da semana passada, uma delas pelo menos está encarcerada com o filho em nome de quem estava registada a empresa em cuja conta bancária foram depositados os valores duplicados para pagamento de falsas aquisições de cabazes para os funcionários do banco.

A descoberta acabou por ser feita pelo facto do BNA ter um fornecedor oficial da mesma mercadorria, levantando fundadas suspeitas a existência de pagamentos de cabazes fornecidos por uma segunda empresa.

Entram 40 funcionários novos no BNA Era esperável que a sangria de quadros que o Banco Nacional de Angola está a conhecer com as detenções de funcionários redundaria na necessidade de contratação de mão-de-obra para prover as áreas afectadas com as detenções. Com efeito, O PAÍS apurou que foram admitidos nos últimos tempos, nos quadros do BNA, 40 jovens com formação superior através de um processo que não obedeceu a um concurso público e admitidos com um salário que ronda os trezentos mil Kwanzas, o que, no entender da fonte deste jornal, levanta algumas interrogações.

A fonte precisou ainda que a questão da remuneração terá sido uma das causas do envolvimento de funcionários bancários, a vários níveis, no esquema da delapidação das reservas do BNA. Por exemplo, disse a fonte, o salário dos agentes de segurança do banco não chegava aos 40 mil Kwanzas mensais.

Peixe miúdo… A sociedade tem-se questionado sobre o facto de apenas funcionários de base estarem a ser acusados de participarem dos crimes de que estão a ser imputados aos acusados.

O PAÍS apurou, entretanto, que pelo menos uma funcionária sénior do BNA que durante algum tempo esteve ligada à direcção do nevrálgico sector de gestão de reservas tem a residência vigiada e com interdição de viagem.

Alguns observadores do caso em pauta consideram-na mesmo uma peça fundamental de todo este processo caso venha a abrir a boca nas investigações do caso BNA.

Ao PAÍS chegaram informações que não foi possível apurar que estão envolvidos no caso funcionários de alto nível, mas que por razões ponderosas não estão a ser detidos, além de que se lhes foi exigida a devolução dos bens registados em seu nome. Nesta senda alguns condomínios estão a ser vendidos ou cedidos à custódia das autoridades para ressarcir os danos causados aos cofres públicos. É sintomático o facto de a página de anúncios classificados do Jornal de Angola contém uma série de anúncios a dar conta da venda de imóveis na nobre área de Talatona, Lar do Patriota, Mussulo e Benfica, prenunciando uma espécie do “subprime” angolano que vários especialistas haviam advertido que um dia poderia acontecer. Também nos últimos tempos algumas instituições bancárias têm estado a convocar determinados clientes que terão contraído créditos, mas que não conseguem honrar os compromissos com as prestações regulares criando uma situação de crédito mal parado para a banca.»

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Criança morta pela polícia no Sambizanga


Bastidores. Sexta, 23 Julho 2010 17:34
Luanda - Uma criança de sete anos terá sido morta esta manhã por um agente da polícia nacional, segundo constatou a Rádio Ecclesia.

Fonte: Apostolado CLUB-K.NET

Aconteceu na Rua da Hungria, no município do Sambizanga, quando efectivos da corporação perseguiam um grupo de marginais.


Celso Domingos, de 7 anos de idade, caminhava em direcção à escola quando foi atingido mortalmente por um disparo.

Ainda segundo a Emissora Católica de Angola, outra criança de 13 anos foi levada ao Hospital Américo Boavida em estado grave.

“A criança saiu do quintal para ir à escola. Escutamos dois tiros, dois disparos e quando corremos para ir para a rua encontramos a criança deitada” – confirma a tia da vítima.

“Disseram que apanhou dois tiros da cabeça. São polícias da nona Esquadra que estão a andar a civil a correr atrás dos senhores que vendem droga” – afirmou

A polícia tem outra versão dos factos. Segundo o porta-voz da corporação, Jorge Bengue, foi na sequência de uma troca de tiros que as crianças foram atingidas.

“Uma sessão de troca de tiros que não durou mais do que um minuto. A seguir os jovens meteram-se em fuga. Tínhamos nesta zona uma patrulha nossa no seguimento de um trabalho que temos estado a levar a cabo nos últimos meses” – precisou.

“A nossa patrulha detectou três jovens indiciados na prática de vários crimes. São jovens que sobre eles pesava um mandado de captura por prática de roubos, furtos, consumo e pequeno tráfico de droga naquele município” – informou ainda.

“Na tentativa de se escaparem do cerco da policia, estes dispararam contra a nossa patrulha. Destes disparos, devo sublinhar que ficou ferido um oficial da policia, o senhor José Miguel, na zona facial direito, bem como os mesmos disparos efectuados por esses indivíduos atingiram duas crianças, sendo um rapaz de 13 anos que faleceu no local e uma menina de sete anos” – disse o porta-voz da polícia.

Em solidariedade aos familiares do pequeno Celso a vizinhança protestava, dizendo que “este é mais um dos actos irresponsáveis da polícia”.

“Deram dois tiros. Um furou o bidão e o segundo, tocou no miúdo e na menina no pescoço. Ainda por cima, mataram e põem a arma no bolso, correm e vão para a esquadra. Tem que se processar os senhores” – disse uma vizinha.

sábado, 24 de julho de 2010

Filhos de membros do regime do MPLA gastam € 6000 na discoteca em Lisboa


Bastidores. Terça, 20 Julho 2010 18:12
Londres - Ivan Morais, filho do ex-ministro das finanças de Angola, Pedro de Morais e Joca Carneiro, um filho do general Higino Carneiro, ambos, presentemente de férias em Lisboa, gastaram € 6 000 numa só noite, no passado dia 18 de Julho (domingo) na discoteca Belém Bar Café (BBC) em Lisboa (Situada no lado oposto da rua do palácio de Belém).

Fonte: Club-k.net

Filha do Vice-PR opta por não seguir exemplo
Ambos solicitaram uma “sala súper VIP” da discoteca BBC, restritamente para os dois e suas respectivas amizades ao qual foi lhes solicitado a quantia em referencia. Tinha direito ao número ilimitado de bebidas e garrafas de Champanhe da marca Moët & Chandon (A mais cara do mercado).

Na discoteca Belém Bar Café (BBC) onde esteve Ivan Morais e Joca Morais, estiveram também outros filhos de dirigentes angolanos com realce a Fernanda dos Santos “Nadia”, filha do Vice Presidente angolano mas que no entanto os seus gastos não foram da mesma proporção que os outros dois rapazes. Nadia que esta de férias em Portugal (vive em Londres) não solicitou por exemplo acesso a uma das áreas VIP normais onde naquela noite estavam músicos como Maya Cool, Eddy Tussa, Puto Prata e Nagrelha. A Jovem optou por misturar-se com o “povo”.

Em privado, Ivan de Morais justificou aos que lhe são próximos que pretendia um “espaço privado” porque estava “a viver problemas” em Angola devendo regressar ao país nas próximas duas semanas. (Diz-se que o seu estado de depressão poderá estar ligado ao estado da mãe do seu pai, tratada por Avo Isabel que nos últimos dias tem manifestado sinais de saúde debilitada devido a idade avançada).

Nos dias anteriores, Ivan Morais foi visto em outras discotecas em Lisboa tida como uma das mais caras na capital Lusa. (Uma cerveja custa € 15 enquanto que a garrafa de Champagne Moët & Chandon, chega a custar € 300).

De recordar que Joca Carneiro e Ivan Morais fazem parte da administração da Global Seguros em Angola, empresa de seguros pertencentes aos seus progenitores. (Ivan é accionista do Banco BNI e é o filho do ex Ministro a quem o pai passa alguns bens em seu nome). Em meios ligados aos filhos de elementos do regime do MPLA, Ivan é “respeitado” por ter a fama de jovem que “gasta muito”.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

«Angola é Pior que Guiné-Equatorial» - Rafael Marques


Política. Quinta, 22 Julho 2010 16:19
Luanda - Situação de direitos humanos na Guiné Equatorial não é razão para impedir a sua entrada na CPLP porque há situações piores, diz o activista angolano Rafael Marquês (na foto).

Fonte: VOA CLUB-K.NET

A adesão da Guiné Equatorial à Comunidade de Países de Língua Portuguesa, CPLP, continua a provocar controvérsia. Muitos opõem-se a isso, mencionando o regime ditatorial e a situação de direitos humanos no país.


Marques, disse surpreendentemente que essa não é razão para se excluir a Guine Equatorial de aderir.

Isto porque na perspectiva de Rafael Marques a situação de direitos humanos em alguns dos países da CPLP é bem pior do que na Guine Equatorial.

Crise financeira dá oportunidade à máfia de lavar dinheiro


A crise financeira e consequente redução do crédito concedido à economia, está a permitir à máfia entrar no capital de empresas.
A crise do sistema financeiro europeu está a reduzir o crédito disponibilizado à economia e a favorecer actividades de lavagem de dinheiro por grupos de crime organizado, reporta a Bloomberg, que cita o banco central de Itália.

21 Julho2010 | 11:03 Hugo Paula - hugopaula@negocios.pt
JORNAL DE NEGÓCIOS

“A crise deu espaço ao crime organizado para se desenvolver porque o acesso ao crédito se tornou mais difícil”, disse a directora geral adjunta do banco central de Itália, Anna Maria Tarantola à Bloomberg. “Quem quer que detenha grandes quantidades de dinheiro, como os grupos criminosos, pode fazer investimentos que não são possíveis para os outros. Agora podem investir em actividade totalmente legais”, acrescentou.

A economia italiana decresceu 5% no ano passado e banco central do país antecipa um crescimento de 1% em 2010. A concessão de crédito abrandou em 2008 e 2009, e aparentemente não está a ser suficiente para os negócios mais pequenos, segundo o banco central do país.

As autoridades italianas encerraram no ano passado o famoso Café de Paris, em Roma, com alegações de que este era detido pelo grupo mafioso ‘Ndrangeta. A “Cosa Nostra” terá utilizado cadeias de supermercados que detém, também com o propósito de lavar dinheiro, segundo relatórios dos tribunais citados pela Bloomberg.

No ano passado, o crime organizado aumento as suas receitas em 4% para 135 mil milhões de euros, de acordo com o grupo de anti extorsão, SOS Impresa. As detenções de membros de máfias têm sublinhado a crescente importância da lavagem de dinheiro nos negócios legítimos, refere a Bloomberg, que cita as detenções de memros de grupos de crime organizado.

A polícia italiana prendeu 300 membros da 'Ndrangheta, a máfia mais próspera do país, na semana passada e hoje emitiu mandatos de prisão para mais 67.

O samaritano solitário


Guangzhou, Guangdong (Southern Metropolis Daily - 5 de setembro de 2007)
Em um ônibus lotado com mais de 60 passageiros, 2 homens derrubaram uma senhora no chão e tomaram o telefone celular dela. Zheng shanbing (郑善彬), um homem de 26 anos que serviu como soldado por dois anos, se jogou de uma vez e expulsou os ladrões.

No entanto, naquele momento, outros 6 bandidos correram para o ônibus e cercaram Zheng, juntos os 8 homens o espancaram por 7 minutos. Durante os 7 minutos, os 60 passageiros se mantiveram ali, sem que ninguém viesse a ajudá-lo. Em meio ao caos, quando a senhora foi jogada na multidão, as pessoas apenas a evitaram, como se ela fosse uma praga.

Paula Góes Editora de Língua Portuguesa
http://pt.globalvoicesonline.org/2007/10/13/china-fragil-moralidade/

Quando os 8 bandidos escaparam, a camisa de Zheng estava rasgada, cheia de marcas. O telefone celular dele também tinha sido roubado. Os passageiros entorpecidos e o motorista olhavam para eles silenciosos. A senhora, sentida, lançava olhares furisos, gritando, “Onde está a consciência de vocês?! Vocês não vão dormir tranquilos hoje!”

A reportagem e a penetrante praga da senhora causaram fúria na internet contra os passageiros. Não foi a primeira vez que algo do tipo aconteceu. É o que os chineses chamam de “Ver um Homem Morrendo sem Ajudá-lo”. Cansados de tanta apatia e entorpecimento, alguns internautas, mais do que lançar fúria e condenar, aproveitaram o assunto para refletir sobre a falta do bom samaritano e a degeneração da moralidade na sociedade chinesa contemporânea.
San Jieyaoxian reclamou que os padrões de moralidade de hoje em dia deterioraram:

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Como a China está conquistando os recursos e as lealdades dos países da África


Amiga ou predadora? - Pequim está desafiando o Ocidente ao aumentar a sua influência no mais pobre dos continentes, embora alguns africanos questionem o valor dessas relações

Dos correspondentes do FT
http://manoeldiasbrazil.spaces.live.com/blog/cns!3657E47F95D68560!521.entry

Alguns enxergam nisso um relacionamento temporão, outros acreditam tratar-se de uma nova forma de colonialismo. De qualquer maneira, a China está ampliando de forma rápida e resoluta a sua influência em todo o continente africano, à medida que as suas companhias se adentram em um terreno no qual as empresas ocidentais hesitam em ingressar.

O avanço chinês --apoiado pelo governo, liderado por corporações estatais e impulsionado pela ânsia de assegurar os suprimentos de petróleo-- modificou, em um período de poucos anos, o padrão de investimentos e comércio na África.

Até pouco tempo atrás um ator secundário na África, a China está consolidando a sua posição como um dos principais parceiros comerciais do continente, atrás dos Estados Unidos, e da França, já tendo superado o Reino Unido.

Para a China, a África oferece uma dimensão extra: é um continente três vezes maior do que o território chinês, com uma população menor que a chinesa, sendo rica em várias das matérias-primas das quais Pequim necessita. Petróleo de Angola, platina do Zimbábue, cobre de Zâmbia, madeiras tropicais do Congo, ferro da África do Sul: todos estes produtos estão na lista de compras da China.

Em troca, os chineses oferecem vantagens aos governos africanos. Eles trazem experiência de primeira mão em desenvolvimento rápido, estão familiarizados com as condições nos países pobres, e não manifestam preocupações ou escrúpulos quanto aos padrões de governança ou aos direitos humanos.

De uma forma diferente da competição ideológica que ocorreu na África durante a Guerra Fria, a China está emergindo vigorosamente como uma opção alternativa a governos mais acostumados a lidar com as ex-potências coloniais européias e os Estados Unidos.

Em um determinado nível, a China está envolvida com a captação direta de recursos, investindo bilhões de dólares nas zonas petrolíferas promissoras. Mas o país está também engajado em uma mistura de construção de influência e de oportunismo.

Assim como os ex-colonizadores da África, a China consolida as suas relações políticas e comerciais com auxílios, concessões especiais, reduções de dívidas, bolsas de estudos, treinamento e fornecimento de especialistas. Recentemente, Pequim enviou à África tropas mantenedoras da paz e, talvez o mais surpreendente, observadores eleitorais.

Ao mesmo tempo e, novamente, como os principais parceiros ocidentais da África, os chineses têm se mostrado dispostos a reforçar os seus compromissos com assistência militar e armamentos, fornecendo equipamentos a países como o Zimbábue e o Sudão, nos quais outros fornecedores estão impedidos de atuar devido a embargos.

Na Angola da era pós-guerra civil, empreiteiras chinesas estão reconstruindo a lendária estrada-de-ferro Benguela, obra originalmente concluída por uma companhia britânica na década de 1920, entre o coração da África, rico em minerais, e a costa do Atlântico.

Em Uganda uma companhia chinesa está transformando decrépitos prédios estatais em Entebe em um complexo de cerimoniais para a reunião do Commonwealth no ano que vem.

O comércio entre a China e a África quase quadruplicou desde o início desta década, crescendo 36% no ano passado, e chegando ao patamar de US$ 39,7 bilhões, segundo estatísticas oficiais chinesas. Cerca de metade das exportações chinesas é composta de maquinários, equipamentos eletrônicos e produtos de alta tecnologia.

Dezenas de milhares de chineses se mudaram para a África, incluindo operários em países como Etiópia e Botsuana, assim como engenheiros, comerciantes e pequenos empresários. Um estudo revelou que o número de chineses registrados no Sudão triplicou desde o final da década de 1990, chegando a quase 24 mil em 2004.

O turismo chinês na África também passa por forte expansão e, segundo os números oficiais, a quantidade de turistas chineses que visitaram o continente dobrou no ano passado, chegando a 110 mil.

Segundo o governo de Pequim, mais de 600 companhias de capital chinês se estabeleceram na África nos últimos dez anos. Entre elas estão indústrias manufatureiras que produzem para os mercados regionais, ou que, possivelmente, exportam para a União Européia (UE) ou os Estados Unidos, beneficiando-se do acesso isento de tarifas a produtos dos países africanos mais pobres.

A busca da China por aliados políticos africanos remonta às décadas de 1960 e 1970, quando o país tentava obter favores tanto do Ocidente quanto da União Soviética --construindo estádios, ministérios e, o mais espetacular, uma ferrovia de 1.850 quilômetros ligando a região central de Zâmbia ao porto de Dar-es-Salaam, na Tanzânia, um projeto que foi recusado pelos governos e empresas ocidentais.

Alguns países africanos transferiram a sua lealdade para Taiwan durante a década de 1990, quando Pequim e Taipei disputavam apoio no continente.

Mas, atualmente, apenas seis das 53 nações africanas --Burkina Faso, Chade, Gâmbia, Malawi, São Tomé e Príncipe e Suazilândia-- não mantém relações com Pequim. O Senegal foi o mais recente país africano a se aproximar da China, no ano passado.

Li Zhaozing, o ministro chinês das Relações Exteriores, fez uma visita bastante divulgada a seis países africanos no mês passado. A viagem, que incluiu passagens pela Nigéria e pela Líbia, dois grandes produtores de petróleo, também enviou um sinal aos países menores a respeito do auxílio técnico e financeiro que eles podem esperar em troca de cooperação.

Hoje em dia, a política da China está subordinada a objetivos econômicos, com interesses focados não apenas no petróleo e nos metais estratégicos, mas também nos recursos alimentares.

Como atores que ingressaram com atraso na África, as companhias chinesas têm demonstrado disposição para assumir riscos que outros investidores repeliram, e para ingressar em países desprezados pelas potências ocidentais.

Em Serra Leoa, eles preencheram discretamente um vácuo em diversos setores, desde o hoteleiro até o manufatureiro, enquanto o governo chinês fortaleceu a marinha do país, ao doar a esta um veículo para patrulha dos recursos pesqueiros leoneses.

Um documento sobre políticas do governo chinês divulgado no mês passado atesta o compromisso por parte de Pequim de facilitar o acesso de produtos africanos ao mercado chinês, de isentar alguns desses produtos de tarifas e de encorajar os investimentos chineses na região, apoiados por empréstimos preferenciais e créditos aos compradores. Ele estabelece uma frente ampla de cooperação, que inclui os setores agrícola, de transporte, de turismo e de defesa, assim como o de recursos naturais.

Embora um estudo do Departamento de Energia dos Estados Unidos, divulgado neste mês, tenha concluído que as aquisições chinesas de patrimônios no estrangeiro são economicamente neutras para o governo norte-americano, ele chama atenção para problemas potenciais oriundos da disposição da China em negociar com regimes despóticos.

O exemplo mais nítido de como a busca de energia por parte da China conflita com as políticas ocidentais é o caso do Sudão, um produtor emergente de petróleo no qual a China é o principal investidor e o cliente dominante. A China tem lançado mão consistentemente do seu poder de veto no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para bloquear as tentativas lideradas pelos Estados Unidos no sentido de impor sanções contra o Sudão devido às atrocidades cometidas em Darfur.

Uma autoridade sudanesa descreve a presença da China como importante, "não só sob o aspecto econômico, mas também no plano político". Desde que entrou no setor petrolífero do Sudão, a China tem aumentado as suas vendas de armas ao país, incluindo aviões de caça. A fabricação de armas e munições chinesas no Sudão complica os esforços para cumprir um embargo da ONU para impedir as remessas de armas às milícias em Darfur.

Armas e rádios de fabricação chinesa estariam sendo usados na fronteira do Chade --onde a França mantém uma guarnição militar-- por rebeldes que atuam com o apoio sudanês.

Em Angola, país arruinado pela guerra, os chineses ingressaram em um dos ambientes mais inóspitos do mundo para os investimentos, oferecendo um crédito de US$ 2 bilhões, lastreado no petróleo, em um momento no qual os bancos ocidentais e as instituições internacionais se mostram cautelosas na hora de emprestar dinheiro ao país.

Um acordo entre Angola e o Fundo Monetário Internacional (FMI) foi postergado, principalmente devido às dúvidas do FMI quanto à forma como o governo angolano gerencia o dinheiro arrecadado com o petróleo. Desconfianças similares impediram a realização de uma conferência de doadores internacionais.

"Os chineses estão oferecendo o empréstimo como uma alternativa a trabalhar com o FMI", diz Princetonn Lyman, diretor de estudos de políticas para a África do Conselho de Relações Exteriores em Washington.

Até o momento, a visão africana com relação ao acelerado envolvimento da China com o continente tem sido amplamente positiva. A China é tida no continente como um modelo de modernização, mais sensível às necessidades africanas do que os parceiros ocidentais, capaz de construir represas, estradas e pontes mais rapidamente e de forma mais barata, além de fornecer produtos de consumo mais condizentes com o poder aquisitivo africano.

Embora os países da África que não produzem petróleo tenham sofrido com os altos custos das importações, o continente também se beneficia com a elevação dos preços dos seus produtos, provocada pela demanda chinesa.

Mas as críticas também crescem. Comerciantes de Cabo Verde à Namíbia reclamam da invasão chinesa. Em Lagos, o principal canal comercial do oeste da África, as autoridades nigerianas têm expulsado os comerciantes chineses que não possuem licença para atuar no país.

As companhias da China são criticadas por preferirem os trabalhadores chineses ou, quando empregam nativos, por proporcionarem más condições de trabalho.

Os produtos baratos de consumo da China prejudicam a produção local. Fábricas de vestuários têm fechado as portas em toda a África, com efeitos devastadores para países como Lesoto, onde algumas destas fábricas eram de propriedade chinesa.

Há um clamor por medidas protecionistas. Quando a Federação de Trabalho Cosatu, da África do Sul, comemorou o seu aniversário em dezembro, os participantes tiraram as suas camisas vermelhas do sindicato, manifestando repulsa, ao descobrirem que as roupas foram fabricadas na China.

"Não existe nenhuma relação altruísta entre a China e a África", diz Lyal White, do Instituto Sul-Africano de Relações Internacionais. "O interesse da China não está nos produtos manufaturados de alto valor que a África do Sul deseja promover. Para Pequim, a África é uma arca do tesouro repleta de matérias-primas, e é isso o que a China quer".

Chris Alden, um especialista da Escola de Economia de Londres, diz a respeito dessa relação: "Os africanos estão começando a encarar isto como uma faca de dois gumes".

Enquanto em alguns países o envolvimento da China parece ser benigno, em outros a abordagem chinesa mina os esforços por parte da União Africana e dos parceiros ocidentais no sentido de tornar os governos e as empresas mais transparentes e responsáveis.

A cooperação chinesa se constitui em um salva-vidas para governos de países como Togo, cujos auxílios financeiros europeus foram praticamente extintos, além de proporcionar conforto a regimes tirânicos.

Uma visita a Pequim em novembro por Jendayi Frazer, secretário assistente de Estado dos Estados Unidos para questões africanas, marcou apenas um primeiro passo quanto à interação de Washington com a China com relação à África.

A China não fornece dados relativos a auxílios para desenvolvimento, e não declara desde 1996 as suas vendas de armas ao departamento da ONU responsável por contabilizar estas transações. Além do mais, os motivos por trás da assistência tecnológica prestada aos africanos vêm sendo questionados.

Para o lançamento de um satélite no ano que vem, a Nigéria recorreu à Corporação Industrial Grande Muralha, uma companhia chinesa que é alvo de sanções econômicas dos Estados Unidos por ter, supostamente, fornecido ao Irã tecnologia que poderia ser útil para um programa de armas nucleares.

Uma autoridade nigeriana graduada da área de relações internacionais vê as coisas da seguinte forma: "A impressão é que a China está atingindo o patamar de envolvimento na África dos países ocidentais. Sendo um país em desenvolvimento, a China nos entende melhor. Eles estão também dispostos a colocar mais ofertas sobre a mesa. Por exemplo, o mundo ocidental nunca está preparado para transferir tecnologia pra nós --mas os chineses estão. Segundo a nossa ótica, embora a tecnologia chinesa possa não ser tão sofisticada quanto aquela de alguns governos ocidentais, é melhor contar com tecnologia chinesa do que não possuir nenhuma tecnologia".

Tradução: Danilo Fonseca

Roberto De Almeida Ordenou A Suspensão Compulsiva Do Docente Universitário Na Agostinho Neto



Destaques

Terça, 20 Julho 2010 19:14
Lisboa - O ano de 1984 foi o “consagrado”, “Ano da Defesa e da Produção”. Assim sendo, honrado as insígnias do referido ano, o Senhor Roberto de Almeida, recomendou: O professor João Deves (à dir.) “deve imediatamente ser dispensado - função docente Agostinho Neto - em virtude das concepções ideológicas que perfilha, contrarias à teoria marxista”.

Fonte: Club-k.net

Professor João Daves, 26 anos depois:
Solicita reintegração na Universidade Agostinho Neto, renumeração e justiça
As recomendações do ex-patrono para Esfera Ideológica do MPLA-PT, Roberto de Almeida, contra o Professor João Daves não pararam por ai segundo o “Urgente e confidencial” documento que o Club-k teve acesso:
- Accionar no sentido de impedir a viagem desse docente ao estrangeiro;
- Muito urgente: Ao departamento (DAPP e Gabinete de Estudos). Elaborar nota enviada para o Gabinete do Presidente da Republica a att. do C/da Aldemiro Vaz da Conceição informando das razoes da não materiorização da autorização superior ... referente ao curso de pós-graduação para a RDA;
- Ao Gabinete de estudos INABE: Informar da não deslocação do interessado a RDA por este ter sido desvinculado da docência.

Por outro lado, o professor João Daves apresentou recentemente no tribunal de Luanda uma “Queixa contra o Senhor Roberto de Almeida” (anexo), na qual solicita renumeração “dos prejuízos morais, financeiros e materiais causados ao signatário incluindo, entre outros, salários e regalias de Docente e Investigador da Universidade A. Neto durante o período de vigência da decisão do Partido”.

Confira os pormenores do assunto (documentos) no link em anexo: