sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Chuva. Se você sair de casa carregando um guarda-chuva diminui em até 70% as chances de chover.




A chuva é uma água molhada que cai do céu pra nos atrapalhar. Apenas algumas culturas primitivas ainda consideram a chuva uma coisa boa e acham que ela ajuda no cultivo das plantações, que permite que os animais e as pessoas não morram de sede e outras bobagens. As pessoas esclarecidas e cultas que vivem nas grandes cidades não acreditam mais nessas crendices supersticiosas. Elas sabem que toda a comida vem dos hipermercados e das redes de fast food e que a água vem da torneira e de galões de 20 litros. Portanto, já compreenderam que a chuva só serve para sujar os carros depois de serem lavados, para causar inundações e para estragar finais de semana na praia.

http://desciclo.pedia.ws/wiki/Chuva

De onde vem
Muitos se perguntam de onde vem a água da chuva que nos causa tantos transtornos - se seria algum tipo de ataque vindo de Marte, tentando nos matar afogados ou em deslizamentos de terra, ou alguma criatura gigantesca de outra dimensão mijando em nossas cabeças (ideia que foi rapidamente descartada, pois a chuva não costuma ser amarela e quentinha). A verdade é que ninguém sabe ao certo, mas já surgiram várias teorias a respeito.

Antigamente muitos acreditavam que a chuva fosse Deus chorando. Isso foi aceito por muito tempo, mas foi deixado de lado quando Deus fez seu famoso pronunciamento explicando que isso era impossível, pois ele só seria capaz de criar dilúvios com seu próprio choro se ele fosse emo.

São Pedro. Não se engane, ele não é nenhum santo.

Uma outra teoria afirma que a chuva é criada por Chuck Norris quando ele pratica seus Roundhouse Kicks submerso no fundo do Oceano Pacífico. Chuck afirma que isso não é verdade, e que da última vez que deu um Roundhouse Kick no Pacífico avisou com antecedência um sujeito chamado Noé de que talvez haveria problemas. (Muitos acreditam erroneamente que o Tsunami da Indonésia foi gerado por um Roundhouse Kick de Chuck Norris, mas isso também não é verdade).

Outra teoria afirma que toda a água que chove no mundo vem dos lugares mais inexplorados da Terra, como o Acre, a Terra-Média e a Zona Leste. Alguns respeitados pescadores, políticos, caras que cataram aquela gostosa do 5º andar e outros mentirosos em geral afirmam que nesses lugares inóspitos a chuva chove pra cima e causa alagamentos no céu, o que explica a chuva que chove pra baixo nos outros lugares.

Ainda uma última teoria, sem dúvida a mais nonsense de todas, diz que a chuva ocorre devido à evaporação da água do mar, que então sobe ao céu na forma de vapor e condensa, tornando-se as nuvens conhecidas como Cumulonimbus, e se precipita sobre a terra. É claro que ninguém com mais de 2 neurônios jamais acreditou nesses absurdos, e os cientistas que imaginaram isso foram linchados e mortos.

Com quem reclamar
Todo mundo sabe que o único responsável pela chuva é São Pedro. É só ele que causa inundações, é só ele que suja seu carro, é só ele que estraga seu final de semana, é só ele que causa desmoronamentos no metrô de São Paulo. Se você passou aquele aguardado final de semana na praia trancado em casa jogando Banco Imobiliário ou se foi sugado pela terra enquanto caminhava pela rua a culpa é só dele. Pergunte a uma grande empreiteira ou a uma grande mineradora quem é o responsável por todas as desgraças que afligem a humanidade e eles te explicarão que é São Pedro, só ele.

Além de ser um sádico maldito, São Pedro ainda costuma escolher os lugares onde vai chover e aonde não vai de acordo com suas próprias inclinações pessoais. Por exemplo, desde que São Pedro ficou brigado com São Paulo a cidade de São Paulo virou um inferno quando chove. Por outro lado, São Pedro tem grande preconceito contra o povo do Nordeste e se diverte assistindo os nordestinos morrerem de sede, o que obriga os nordestinos a virem para São Paulo, tentando inutilmente fugir da fúria implacável de São Pedro; sem conseguir, é claro.

Como evitar a chuva
Sacolaman. Sempre preparado para enfrentar a chuva.
Foi cientificamente provado, através de estudos dos princípios da Lei de Murphy, que se você sair de casa carregando um guarda-chuva diminui em até 70% as chances de chover. Agora, se você sair de casa sem um guarda-chuva as chances de chover aumentam em 712%. Por isso, a melhor forma de evitar a chuva é sair de casa carregando vários guarda-chuvas, vestindo uma capa de chuva e galochas. Tomando todas essas medidas, é quase certo que não vai chover.

Também foi cientificamente comprovado que as chancaes de chover quando se tem uma piscina em casa (Pode até ser uma Piscina de 1000 Litros).aumentam 99%. Se você fizer uma festa na beira da piscina, essas mesmas chances aumentam 690%. Se você montou a sua poscina de 1000 litros, haverá 499% de chances de chuva. Se você fizer isso num final de semana, as chances aumentarão em 945%, e caso a água caia mesmo, serão 500mm de chuva em 1 hora. Agora, se você quiser parar a chuva é só desmontar a piscina (de 1000 litros).

Outra forma de evitar a chuva é nunca lavar o carro, pois de acordo com Murphy a possibilidade de começar a chover assim que você terminar de lavar o carro é praticamente a mesma de o ônibus que você espera há 2 horas chegar exatamente depois de você ter desistido e ido a pé.
Digamos que você costume ir para o trabalho utilizando o transporte público, como trem, ou metrô. Se você decidir ir trabalhar com seu próprio carro as chances de chover e você pegar um congestionamento monstruoso aumentam em até 200%. Elas aumentam para 2500% se você lavou o carro um dia antes.
As chances de se chover nas vésperas do natal são de 3000%. Caso isso ocorra, você (e mais milhares de pessoas) não comprarão o presente de natal dos pivetes dos sobrinhos. E como já se sabe, quando chove, os ônibus ficam completamente lotados, ou seja, você terá uma viagem super confortável graças a chuva.

A possibilidade de chover no final de semana é 89% maior que nos dias úteis. Se você for para a praia as chances então aumentam em 319%. Se for final de semana, você for para a praia e decidir fazer um churrasco elas aumentam para 6272%. Se este fim de semana fizer parte de uma emenda de feriado (você está na praia fazendo churrasco) as chances aumentam para 15983%. Se for feriado como natal ou réveillon, essas chances sobem para 10^987264726%, ou seja, multiplique 10x10 por 987264726 vezes para quem fugiu da escola, se você não sabe multiplicar tire suas duvidas aqui mesmo na Desciclopédia procurando por multiplicar. Se não souber ler, pergunte ao guarda mais próximo.

Mas, fora isso, pode chover a qualquer hora quando você menos espera. Lembre-se que São Pedro é mau e que ele não gosta de você.

Como prever chuvas
A única forma realmente confiável de prever chuvas é observar o comportamento dos camelôs do centro de São Paulo. Quando uma chuva se aproxima, essas notáveis criaturas sofrem grandes mudanças em seu comportamento. Eles deixam de vender óculos de sol, CDs piratas e demais objetos e passam todos ao mesmo tempo a vender guarda-chuvas. De onde surgem os guarda-chuvas e para onde vão os óculos de sol e os CDs piratas é um mistério que a mente humana ainda não é capaz de compreender.

A chuva é um momento memorável que merece ser comemorado.
Uma coisa importante é nunca seguir as previsões meteorologicas. Se falaram que não vai chover, é porque vai chover; se falarem que vai chover é porque já está chovendo faz tempo. Você pode ajuda-los a acertar saindo sempre com guarda-chuva, um mecanismo capaz de repelir chuva como repelente repele aqueles borrachudos chatos de praia.

Tipos de Chuva
Chuva de viados (emos): É a chuva fraca que não chega a molhar ninguém. Somente pessoas mais sensíveis utilizam guarda-chuva. Também conhecida como o "chove e não molha";
Chuva intermediária: É a chuva que acontece no começo ou no fim do dia, forçando algumas pessoas a preferirem um transporte público a andar a pé. Pode acontecer ainda no meio do dia, ou a noite, ou de madrugada, ou o tempo todo, ou nunca, ou por 40 dias e 40 noites, nunca se sabe;
Chuva pesada: É a tipica chuva de fim de semana e feriados; o volume de água que cai das calhas ja é o suficiente para encher os baldes e, assim, lavar todas as roupas do mês. Também é bastante útil em lugares onde sempre falta água, como a Baixada Santista;
Chuva de Canivetes: Expressão popular fora de moda e brega. Hoje em dia não ocorrem muitas chuvas de canivetes, pois quase ninguém mais carrega esses equipamentos. O mais normal atualmente são as chuvas de MP3 Players.

Curiosidades
Só chove quando a moça do MIB2 tá triste.
A chuva é psicológica.
Se nessa casa tem goteira, pinga ni mim.
A chuva cai em pé, mas corre deitada.
Setembro chove.
Outubro também.
Dezembro nem se fala.
15 quilos de carne, dá pra 20 comer?
Descobri que estou apaixonado pela chuva e ontem até fapei olhando para as gotas caindo, sentindo o vento úmido no meu rosto, o cheiro do ozônio se formando, o barulho da chuva, o barulho dos trovões, os relâmpagos iluminando o céu...

Uma das melhores fapadas da minha vida. Sou doente? Ou sou só um chuvófilo?
O cara acima morreu,foi encontrado com canivetes na cara,pois emos morrem todos os dias,o culpado é São Pedro ou não

As sociedades secretas e a revolução (em Portugal)


Confundir o papel da Maçonaria e da Carbonária no período que levou à implantação da República é um erro comum, mas grosseiro. Eram em tudo distintas, embora lutassem as duas pelo fim da Monarquia. Quando o regime caiu, os seus destinos também foram bem diferentes.

António Ventura
Professor da Faculdade de Letras de Lisboa e director do Centro de História da Universidade de Lisboa
http://jornal.publico.pt/noticia/18-08-2010/as-sociedades-secretas--e-a-revolucao-20032903.htm

É habitual, quando se fala da proclamação da República, em 1910, relacionar o evento com a acção determinante das sociedades secretas - a Maçonaria e a Carbonária -, o que frequentemente gera confusões, equívocos e erros grosseiros. Estamos perante duas organizações distintas, a todos a níveis, desde as origens, contextos fundacionais, referências, composição social e objectivos. Enquanto a Carbonária era de facto uma organização secreta, agindo no maior sigilo, nada transparecendo para o exterior, a Maçonaria dificilmente podia ser classificada como tal, uma vez que eram conhecidos os nomes dos seus dirigentes e publicava boletins e anuários com informações sobre muitos responsáveis a nível nacional e local.

A Maçonaria surgiu no início do século XVIII em Inglaterra. Esta é a realidade histórica, não obstante as referências lendárias que lhe foram associadas. Nascida num contexto inglês, numa sociedade que sofreu dezenas de anos de guerras religiosas e políticas, era um espaço privilegiado de reflexão, um ponto de encontro e de diálogo entre homens com ideias políticas e religiosas díspares. Daí a interdição de discussões de carácter político ou religioso fracturantes. Era naturalmente elitista - bastava a obrigatoriedade de saber ler e escrever para lhe limitar drasticamente o acesso.

Em contrapartida, a Carbonária, que nasceu 100 anos depois, em Nápoles, em plena Restauração, com ramificações no Jura e na Floresta Negra, implantou-se em Itália e em França reunindo descontentes com o rumo da Europa depois do Congresso de Viena, congregando liberais, antigos militares que serviram no exército napoleónico, burgueses, intelectuais e estudantes. Era uma organização política e popular, virada para o combate político, o que a distinguia da Maçonaria, utilizando um simbolismo relacionado com a floresta e os trabalhos nela realizados, o que de novo contrastava com o simbolismo maçónico da construção e dos construtores. Os seus membros tinham a designação de Bons-Primos e organizavam-se em Barracas.

Enquanto em 1727 já se assinala actividade maçónica em Portugal, as primeiras referências à Carbonária datam do início da década de 30 do século XIX, possivelmente entre emigrados liberais refugiados em Paris. As notícias dessa Carbonária desaparecem depois da guerra civil (1834), para voltarem a surgir na década de 40, com a Antiga e Sublime Ordem da Carbonária Lusitana. Após um período de actividade entre 1842 e 1843, desapareceu para ressurgir depois da Patuleia, e sob os ecos das Revoluções de 1848. Até 1852 teve uma intensa actividade com a organização de Choças e Barracas e a eleição de uma Alta-Venda, tendo Coimbra como principal centro de irradiação. Algumas estruturas persistiram até aos finais do século, mas a Carbonária que participará na revolução republicana é outra, ou melhor, são outras, no plural.

Ritos iniciáticos
Em 1897 surge a Carbonária Portuguesa, republicana, a partir de uma organização estudantil, a Maçonaria Académica. A sua actividade é modesta nos anos subsequentes, sendo o seu órgão máximo a Alta-Venda chefiada por Luz de Almeida como grão-mestre. As iniciações faziam-se no interior de casas, em especial nos Centros Republicanos António José de Almeida e Botto Machado, e no Teatro Heliodoro Salgado. A cerimónia decorria num ambiente decorado para inspirar temor ao candidato, usando os carbonários presentes balandraus (um capote largo e comprido) ou máscaras.

Paralelamente existiu outra organização, com a designação de Bonfim, também conhecida como Liga Progresso e Liberdade. A sua sede foi descoberta pela polícia, sendo o núcleo dissolvido pelos próprios membros, todos anarquistas intervencionistas ou republicanos avançados, que fundaram outro, a que deram o título de Carbonária Lusitana, também conhecida pela designação de Carbonária dos Anarquistas. Heliodoro Salgado foi o seu grande dinamizador. Esta Carbonária estava ligada, a partir de 1899, à loja maçónica irregular Obreiros do Futuro. As iniciações eram diferentes das que ocorriam na Carbonária Portuguesa, faziam-se ao ar livre, no campo, nos arredores de Lisboa, nas estradas e nos caminhos para a Tapada de Ajuda, nas minas do Canto, no Casal do Alvito, nas furnas da serra de Monsanto e até no Cemitério dos Prazeres.

Embora a Carbonária Lusitana fosse autónoma e formada maioritariamente por elementos operários que não recusavam a luta política, a colaboração táctica com o Partido Republicano Português (PRP) teve consequências e alguns militantes acabaram por se passar para o campo republicano.

A fusão entre as duas carbonárias ocorreu nos finais de 1907 ou início do ano seguinte. Ao ser exposta a actividade dos Obreiros do Futuro após a explosão na Estrela, com prisões e fugas para o estrangeiro, muitos dos seus membros integraram-se na Carbonária Portuguesa. A absorção ocorreu sem qualquer acordo formal, sentindo os carbonários lusitanos necessidade de serem enquadrados. As iniciações de António Maria da Silva e de Machado Santos tiveram importantes reflexos no futuro da Carbonária, pelos papéis que ambos iriam desempenhar, integrando a sua direcção juntamente com Luz de Almeida. As suas responsabilidades seriam ainda maiores após a ida do grão-mestre para o exílio, de onde só regressou depois de proclamada a República.

A iniciação de António José de Almeida trouxe à Carbonária um prestigiado caudilho republicano e facilitou as suas relações com a Maçonaria, cada vez mais sensível ao ideal republicano. Luz de Almeida, com a sua figura discreta de bibliotecário, percorria o país, fazia contactos, promovia iniciações, fundava novos canteiros ou Choças. Mesmo os elementos isolados, que não se podiam integrar nas estruturas ordinárias, mantinham uma ligação na qualidade de Vedetas. A sua ida para o estrangeiro impediu que estivessem em Portugal no momento da revolução. Há notícia da existência de outras organizações de cariz carbonário, autónomas mas actuando em consonância como os grupos Coruja e Mineiros.

Da velha Carbonária Lusitana - a Carbonária dos Anarquistas - sobreviveu um pequeno núcleo em redor de José do Vale, João Borges e Bartolomeu Constantino, que participarão no 5 de Outubro, mas sob a direcção da Carbonária Portuguesa. Nos relatos sobre as jornadas de Outubro de 1910, dos antigos carbonários lusitanos restam Bartolomeu Constantino, Carlos Antunes, António Alcochetano e José de Jesus Gabriel.

Quanto à Maçonaria, apesar de se dever manter fora da acção política num sentido partidário, a verdade é que a sua progressiva republicanização era evidente, ainda antes do grão-mestrado de Magalhães Lima, o que levou a um envolvimento mais directo dos maçons na mudança de regime. Sendo a Maçonaria uma organização progressiva, isto é, que sempre pugnou pelo progresso da Humanidade a todos os níveis, para muitos maçons, em Portugal, esse progresso era incompatível com a manutenção do regime monárquico. Daí a necessidade de mudança, não por razões partidárias, mas por razões nacionais. Foi o que sucedeu de um modo mais visível a partir da reunião de 14 de Junho de 1910, realizada no Palácio Maçónico, com centenas de maçons, na qual foram dados ao grão-mestre plenos poderes para organizar uma Comissão Maçónica de Resistência, em articulação com o Directório do PRP, composta por José de Castro - grão-mestre adjunto do Grande Oriente Lusitano Unido -, Miguel Bombarda, Cândido dos Reis, Francisco Grandela, José Cordeiro Júnior, José Simões Raposo, Manuel Martins Cardoso, António Maria da Silva e pelo próprio Machado Santos. Estes dois últimos, simultaneamente dirigentes da Carbonária Portuguesa.

A reunião de 29 de Setembro de 1910, na sede do Directório do PRP, na qual se preparou a revolução, é esclarecedora quanto aos elementos e forças envolvidos, dirigentes partidários, da Carbonária, de lojas maçónicas e do Grande Oriente Lusitano Unido: Simões Raposo, Machado Santos, José Cordeiro Júnior, António Maria da Silva, José Barbosa, Inocêncio Camacho, Cândido dos Reis, Manuel Martins Cardoso, Eusébio Leão, José Relvas, e Miguel Bombarda.

Crises e cisões
O papel da Carbonária nas jornadas de Outubro de 1910 foi determinante. Note-se que o almirante Cândido dos Reis, chefe máximo do movimento, era simultaneamente carbonário e maçom, o mesmo sucedendo com Machado Santos, o "pai" da República, que assumiu a chefia dos revoltosos na Rotunda.

Sobre a actividade da Carbonária após o 5 de Outubro de 1910, as informações ainda são escassas. Teve um papel mobilizador contra as incursões monárquicas, mas as dissenções no interior do Partido Republicano Português puseram termo à organização que tanto fez pela proclamação da República. Continuaram, certamente, a existir grupos de cariz carbonário, na sua maior parte ligados ao sector "democrático" do PRP, mas a velha Carbonária deixou de existir, porque a Monarquia, razão de ser da sua fundação e labor, também já não existia. Fora uma organização de contrapoder que visava destruir um regime e os pilares que o suportavam.

Entre 1910 e 1926, a Maçonaria estará presente em todos os níveis da vida política, social, económica e cultural do país. Em Março de 1910, o Grande Oriente Lusitano Unido contava com 97 Lojas e 58 Triângulos. Em igual data de 1911, aqueles números subiram para 122 Lojas e 79 Triângulos, e os efectivos passaram de 2844 em Março de 1910 para 3192 em igual mês do ano seguinte. Essa afluência também se deveu ao oportunismo dos que buscavam atestados de republicanismo.

Durante a Primeira República, cerca de metade dos ministros e dos parlamentares foram maçons. O mesmo sucedeu com três dos Presidentes da República: Bernardino Machado, Sidónio Pais e António José de Almeida, tendo o primeiro e o último sido grão-mestres do Grande Oriente Lusitano Unido.

As lutas políticas e as rivalidades pessoais não tardaram a fazer-se sentir, afectando a unidade do Partido Republicano. Os confrontos na Constituinte acabaram por revelar uma realidade que poucos continuavam a querer ignorar: alcançada a mudança de regime, a unidade era dispensável. O velho PRP irá fragmentar-se, dando origem a várias formações partidárias, e esse fenómeno acabou por ser transmitido à Maçonaria, que conheceu a partir de 1913 convulsões internas e uma grave cisão, em 1914, que só foi solucionada em 1926, pouco antes do 28 de Maio, quando já era tarde de mais. Outras sociedades secretas existiram nessa época e aguardam um estudo mais profundo, da Legião Vermelha aos Cavaleiros da Luz.

Esta série tem o apoio da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República
Imagem: maconariaportugal.com

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Violência eleitoral no Brasil. Presidente do tribunal eleitoral escapa de assassinato


A viatura em que seguia o presidente do órgão de justiça eleitoral foi atingida por mais de trinta balas, disparadas por criminosos, mas a vítima apenas contraiu ferimentos graves. Fontes oficiais negam que se trate de um atentado com motivações políticas

Porto Alegre (Canalmoz) - A menos de 45 dias da realização das eleições presidências, legislativas e estaduais no Brasil, a violência está ameaçar inviabilizar o processo. Na manhã de ontem, quarta-feira, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Sergipe, Luiz António Mendonça, sofreu um atentado, onde a sua viatura foi atingida por cerca de 30 disparos, com ele a bordo, em Aracaju, capital do Estado. A vítima sofreu ferimentos considerados ligeiros, pela equipa médica que o atendeu. Foi atingida somente por fragmentos de bala, mas o seu motorista foi ferido gravemente.

Ainda não há muitos dados sobre o atentado, mas as autoridades oficiais, nomeadamente o presidente do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) Ricardo Lewandowski, já apareceram em publico a descartar a hipótese de que atentado tenha natureza política.
Para além de declarar “caso isolado” o atentado sofrido pelo presidente do TRE de Sergipe, o presidente do TSE disse que "não há hipótese" de interferências nas eleições marcadas para 03 de Outubro próximo.
"Todas as forças de segurança do país e do Estado estão mobilizadas para esclarecer o mais rapidamente possível os factos que envolvem esse atentado, e descobrir também, com a maior brevidade possível, os responsáveis por este acto criminoso", disse o presidente do TSE falando na capital política do Brasil, Brasília.
Entretanto, o presidente do TSE cancelou uma sessão do órgão que dirige, que decorria na capital, para viajar até Arcaju, a fim de acompanhar o caso.
Analistas políticos brasileiros consideram que as declarações do presidente do TSE são para evitar reacções violentas e ou medo durante o processo eleitoral, pois a única hipótese lógica do atentado é que os criminosos queriam ceifar a vida do Presidente do órgão eleitoral regional.

Os bandidos não roubaram o carro, mesmo depois de ter baleado os seus ocupantes. Aliás, os carros de Estado no Brasil tem uma identificação própria através da matrícula, e não tem sido alvo de roubo pelos criminosos. Mas também os cerca de 30 tiros que formam disparados contra a viatura, estragaram completamente o carro, que ficou imobilizado, e logo os meliantes se puseram em fuga com certeza de que os seus ocupantes haviam morrido!
"A Justiça Eleitoral está coesa, unida e preparada para enfrentar qualquer desafio", disse, entretanto, o presidente do TSE, manifestando a sua insegurança com o atentado contra do seu colega.
Antes de ocupar o cargo de presidente do TRE de Sergipe, Mendonça também já desempenhou cargos de secretário de Segurança Pública do Estado e de procurador da República estadual.

Por esta razão, o presidente do TSE aventa a possibilidade de que o atentado esteja relacionado com questões dos cargos anteriores de Mendonça: "Nós não estamos descartando nenhuma hipótese. Não podemos afastar a hipótese de que tenha uma motivação relacionada a uma questão pessoal, uma questão ligada mesmo à actuação profissional do desembargador.
O Estado de Sergipe, é dirigido pelo Partido dos Trabalhadores, cujo Governador é Marcelo Déda. Este, por sua vez, reagiu negando claramente a possibilidade de que o atentado esteja relacionado com questões eleitorais.
"As linhas mais rigorosas de investigação são no sentido de buscar encontrar alguma relação do episódio com vingança e criminosos que foram presos no período em que o actual desembargador era o secretário da Segurança Pública", disse o governador num encontro com o presidente Lula da Silva.

(Borges Nhamirre, em Porto Alegre) 2010-08-19 07:03:00
Imagem: gilgiardelli.wordpress.com

ANGOLA. Governo inicia pagamentos em atraso a empreiteiros


Pretoria (Canalmoz) - São 13 as empresas lusas que constam da lista de 78 a que Angola já começou a pagar. Até 12 de Agosto, o Estado angolano tinha já transferido 650 milhões de euros para regularizar os pagamentos em dívida.
Segundo o «Jornal de Negócios», no total de beneficiários desta regularização publicada dia 17 do corrente no portal do Ministério das Finanças de Angola, as construtoras portuguesas receberam até agora 313 milhões de dólares.
Angola deve cerca de 1,5 mil milhões de euros às empresas nacionais, 30% da sua dívida total. De acordo com o governo angolano, «78 empresas que realizaram empreitadas de obras de projectos de investimentos públicos já tinham começado a receber, até ao 12 de Agosto deste ano, os atrasos referentes ao período compreendido entre Outubro de 2008 e Agostos de 2009».

O rol é composto, na sua maioria por empresas angolanas, mas também por brasileiras, chinesas, norte-americanas e francesas.
Durante a visita de Cavaco Silva a Angola, o presidente José Eduardo dos Santos garantiu que as dívidas às Pequenas e Médias Empresas seriam pagas no prazo de dois meses.

(Redacção / Agencia Financeira) 2010-08-19 06:49:00

Comunicação Social. Bispos de Angola e Governo discutem fim do monopólio do regime do MPLA


Pretoria (Canalmoz) - Membros do Governo e da Igreja Católica em Angola reuniram-se para debater a expansão da Rádio Ecclesia, emissora católica angolana, a todo o país. Face a restrições impostas pelo governo do MPLA, a Rádio Ecclesia apenas pode transmitir em frequência modulada a nível da cidade de Luanda e outras cidades capitais.

O tema foi abordado num encontro entre a ministra da Comunicação Social, Carolina Cerqueira e D. Filomeno Vieira Dias, vice-presidente da Conferência Episcopal, acompanhado por D. António Jaka, vice-presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação Social, que renovaram o interesse da emissora católica ser escutada em todo país. Na prática, o governo do MPLA, através da Rádio Nacional de Angola, detém o monopólio das transmissões radiofónicas em todo o país.

A titular da pasta da Comunicação Social remeteu qualquer decisão para depois da regulamentação da lei de imprensa, à luz da nova Constituição.
“A conversa foi amena e frutuosa, com garantias de que no final do processo os resultados serão satisfatórios”, explicou D. António Jaka, citado pelo jornal angolano “O Apostolado”. (Redacção)

2010-08-19 06:47:00

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

CUBA. Regime intensifica prisões de membros da oposição


Pretoria (Canalmoz) - O regime de Havana intensifica a onda de detenções ao mesmo tempo que
procede à deportação de presos políticos para Espanha. Cinco activistas do Movimento de Jovens pela Democracia – Jordi García Fournier, Heriberto Liranza, Idalmis Núñez Reinoso, Samuel Leblan Pavón e um quinto que não foi possível identificar – foram interceptados pela polícia do regime no passado dia 11 do corrente na parte oriental do país. A polícia alegou que os jovens encontravam-se em Baracoa, província de Guantánamo, sem serem residentes dessa cidade.

No dia seguinte, vários membros da Aliança Democrática Oriental, que agrupa uma vintena de movimentos em prol da democracia, protestaram contra as prisões arbitrárias ocorridas em Baracoa. Em reacção, a polícia do regime organizou os habituais “actos de repúdio”, envolvendo desta vez crianças com a idade compreendida entre os 5 e os 8 anos. As crianças receberam ordens para apedrejar a casa de Néstor Rodríguez Lobaina, presidente da organização Jovens Cubanos pela Democracia.

Entretanto, a agência de notícias independente, APLOPRESS, informa que o preso político Julián Antonio Monet Borrero, líder do Movimiento “Seguidores de Miguel Valdez Tamayo”, encontra-se em estado de saúde grave, correndo perigo de vida. Monet Borrero, que se encontra em greve de fome, foi transferido para um hospital. No momento em que
iniciou a greve pesava de 72 kg. Neste momento pesa somente 50 kg.
(Redacção / La Razón / www.aplopress.com )

2010-08-18 06:49:00

Foragidos da BO suspeitos de assassinato de agentes da PRM



Maputo (Canalmoz) – O Comando-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM) suspeita que os assassinatos de alguns policiais, na cidade de Maputo, estejam a ser cometidos por cadastrados que se evadiram da Brigada Operativa (BO).
O porta-voz do Comando-geral, Raul Freia, afirmou, ontem, num briefing com a imprensa, que a corporação suspeita que os baleamentos contra agentes da PRM sejam protagonizados por malfeitores que fugiram daquela cadeia de máxima segurança.

O porta-voz quando instado a fornecer detalhes sobre o baleamento de dois membros da Polícia, ocorrido a semana passada, na Avenida Guerra Popular, disse, como sempre, que “ainda estão a trabalhar de forma a apurar mais dados”.
Segundo ele, a Polícia acredita ainda que sejam os mesmos criminosos que também têm vindo a assaltar, à mão armada, residências, estabelecimentos comerciais e instituições bancárias.

Raul Freia não fala de detenções apesar de já indicar o grupo que tem vindo a atirar contra os policiais. Contudo, na segunda-feira desta semana, o porta-voz do Comando da PRM da cidade de Maputo, Arnaldo Chefo, disse que já se identificou o grupo de indivíduos que baleou mortalmente dois agentes da Polícia na semana passada. Ele também disse, sem avançar pormenores, que não há detidos porque as investigações ainda estão em curso, para não se incorrer em erros.

(Conceição Vitorino) 2010-08-18 07:03:00


Para Onde Vamos Afinal? - Maurílio Luiele


Brasil - Causou-nos viva perplexidade o recente episódio afectando o semanário ‹‹A Capital››. Meus Senhores, impedir uma publicação de sair à rua, queimando mais de 3000 exemplares apenas porque expressa uma opinião contrária ao discurso oficial é um atentado grave à liberdade de expressão e de opinião, direitos fundamentais garantidos pela Constituição da República de Angola. É censura grotesca e violenta, que nos remete para a era das trevas. É GOLPE! Não tem outra designação!

Fonte: Club-k.net

Os Riscos de Falência do Estado Democrático em Angola!
Pensar que, menos de um ano depois de inaugurada a chamada III República, assistiríamos impotentes a uma violação tão escancarada da Constituição com a manifesta complacência dos órgãos do Estado, é de deixar arrepiado qualquer angolano que, como eu, acredita que a democracia é possível em Angola e, aliás, pela sua diversidade sociocultural, não há mesmo a ela alternativa.

Não é necessária nenhuma super-formação jurídica para concluir que o episódio em epígrafe é uma violação grosseira aos direitos fundamentais garantidos pela Constituição. Não cabe sequer interpretação ou discussão. Porém, um olhar pregresso pelos acontecimentos em Angola, pelo menos desde Setembro de 2008 nos alerta para o facto deste episódio não se tratar de um caso isolado. Desde o próprio processo eleitoral 2008 ao escamotear posterior do calendário eleitoral, passando pelo atribulado processo constitucional, às proibições de manifestações e pelo cortejo quotidiano de violações de direitos fundamentais de que Tchavola, Iraque e Zango são exemplos eloquentes, fica exposta uma orquestração afinada e consciente que visa perverter o processo democrático angolano. Tais práticas passam longe do discurso oficial que advoga uma sociedade plural, e consequentemente democrática, reconciliada e economicamente desenvolvida. Como explicar então este ‹‹gap›› entre o discurso político oficial e a prática política. Quem são afinal estas pessoas que, tendo inusitado acesso aos jornais privados antes mesmo que sejam publicados, se arrogam ao direito de simplesmente queimá-los se contiverem matérias contrárias aos seus interesses? Quem são, entre nós, os pescadores de águas turvas e porque elegem este comportamento?

É aqui que a meu ver cabe espaço para profunda reflexão, visando descortinar os rumos sinuosos porque passa a nossa incipiente democracia. Sem essa reflexão e posicionamento consciente corremos o risco de ver o país descambar para um brutal totalitarismo ante a nossa cúmplice passividade, e isso, não é, absolutamente, desejável. Por isso quero aqui avançar humildes subsídios que possam ampliar esta reflexão que se faz necessária.
Rafael Marques em seu makaangola.com, iniciativa anti-corrupção, tem trazido contribuições que nos ajudam a compreender a aracnídea teia de interesses envolvendo destacadas figuras do Estado angolano. Segundo ele, a ‹‹Presidência da República de Angola tem sido usada como um cartel de negócios obscuros›› e isso aporta consequências perniciosas ‹‹para a liberdade e o desenvolvimento dos cidadãos assim como para a estabilidade política e económica do país››.


As várias denúncias levantadas por Marques não têm sido convincentemente desmentidas pelos implicados e isso explica em parte porque a célebre ‹‹tolerância zero›› só serviu para levantar poeira e turvar ainda mais as águas para os habituais pescadores se deleitarem e porque, em relação à lei da probidade administrativa, a ‹‹montanha pariu um verdadeiro rato›› que fecha as ditas declarações de bens num fortíssimo e inacessível cofre da PGR e isenta os mais altos dignitários do país desta declaração. A defesa destes interesses consolidados gera práticas políticas contrárias ao espírito democrático plasmado no discurso oficial e resulta nesta perniciosa fissura que separa contundentemente o discurso da prática. Entre estas práticas a mais costumeira e generalizada é a bajulação à figura de Eduardo dos Santos. Segundo Adam Smith, em ‹‹Teoria dos sentimentos morais›› nas cortes de príncipes onde sucesso e privilégios dependem não da estima de inteligentes e bem informados mas do favor de superiores presunçosos e arrogantes, a adulação e a falsidade prevalecem sobre o mérito e habilidades. Diz ainda Smith que em tais círculos ‹‹as habilidades em agradar são mais consideradas do que as habilidades em servir››.


Os rasgos de bajulação que nos são dados a assistir diariamente em Angola nos fazem pensar que os círculos do poder aqui se guiam desta forma perversa e a blindagem que se procura em torno de Eduardo dos Santos resulta em práticas violentas como o episódio que aqui nos serve de referência e que afectou o semanário ‹‹A Capital››. Eduardo Gianetti, em seu livro ‹‹Auto-engano›› nos ajuda a compreender porque isto pode comprometer as nossas aspirações democráticas . Segundo ele, ‹‹o auto-engano pode ser uma estratégia útil para a sobrevivência. O enganador auto-enganado, convencido sinceramente do seu próprio engano, é uma máquina de enganar mais habilidosa e competente em sua arte do que o enganador frio e calculista.›› O enganador passa a acreditar em suas próprias mentiras e, assim fica mais fácil convencer os demais. Assim, aqueles que se cercam somente de bajuladores enquanto concentram poder e conquistam as massas, acabam blindados contra todo tipo de crítica. Os conselheiros mais sábios são ultrapassados pelos bajuladores e ficam diante deles impotentes passando a conduta do ‹‹príncipe›› a ser ditada pelos perversos conselhos dos bajuladores. Estes perseguem interesses díspares e, para alcançá-los não olham a meios, só os fins interessam.


Harry Adams em seu ensaio sobre plutocracia, diz-nos que plutocracia é um sistema em que seus actores se servem dos mecanismos e instituições democráticas para alimentar simplesmente interesses particulares em detrimento do interesse comum. A diferença com a cleptocracia é que esta simplesmente não se esconde sob o guarda-chuva da democracia.


A cleptocracia simplesmente detona o sistema democrático porque não se resguarda nele. De toda a forma, as consequências sociais, políticas e económicas de ambos os sistemas são as mesmas: desigualdades sociais gritantes, crises económicas, atentados à liberdade de expressão, passam a ser imagens inamovíveis da paisagem social e política. No caso de Angola há fortes indícios que apontam para o estabelecimento de uma forma plutocrática de governo que explica, de resto, a dissonância entre o discurso político oficial de cunho essencialmente democrático e as práticas contrárias a ele que resultam da defesa de interesses particulares consolidados. O MPLA é hoje refém desta malha fina de interesses que foi tecida em torno de José Eduardo dos Santos e, não admira, portanto, que figuras como Marcolino Moco se confrontam com estrondosas dificuldades de se reverem e reconhecerem neste partido que tem responsabilidades históricas no processo angolano. Por seu lado, o Presidente da República que inquestionável e indiscutivelmente teve um papel decisivo no alcance da paz há oito anos e foi apontado por muitos como a figura da estabilidade, envolto nesta teia aracnídea, se transformou hoje no principal obstáculo ao desenvolvimento do processo democrático em Angola.


Adams aponta como exemplo de plutocracia o governo de George W Bush, que, entre outros aspectos, se aproveitou da guerra no Iraque e da sua reconstrução para favorecer interesses de grupos económicos que lhe eram próximos, inclusive de grupos onde eram patentes interesses de Dick Cheney, então seu vice-presidente. As consequências das práticas plutocráticas de Bush são conhecidas: uma crise económica de dimensões planetárias e que todos, de alguma forma, experimentamos na pele. Contudo, o sistema democrático americano secular, dotado de mecanismos consolidados de exercício democrático, funcionou, ele próprio, como antídoto e tratou de extirpar radicalmente este cancro, gerando uma onda de mudança que numa única sentada varreu do seu caminho John MacCain e Hilary Clinton e conduziu Barack Obama, expressão cristalina da mudança, ao poder. No nosso caso, a plutocracia está actuando sobre uma democracia incipiente, minando à nascença os seus fundamentos, havendo, por consequência, riscos sérios dela se consolidar e converter o Estado democrático num estado autoritário, opaco e brutal que empurrará inexoravelmente mais angolanos para a miséria. Só a alternância protagonizada por forças verdadeiramente democráticas e engajadas poderá livrar Angola desta fatalidade.

Assim, é importante desde já uma tomada de consciência sobre os riscos reais de perversão do Estado democrático em Angola. Como cidadãos, dispomos ainda do poderoso instrumento que é o voto para impedirmos que isso aconteça. Mas, não admira que as forças retrógradas, que giram em torno dos interesses acima referidos, joguem a cartada de viciar a partida o processo eleitoral quer por vias jurídicas ou operacionais ou mesmo por via do torpedear do calendário eleitoral, como, aliás, já ocorreu em 2008 (afinal deveríamos votar para as presidenciais em 2009!). A própria constituição actual está cheia de “cascas de banana” estrategicamente colocadas para impedir a alternância. Mas, se for gerada uma verdadeira tsunami favorável à mudança, não haverá força capaz de impedir. As forças democráticas angolanas têm assim a responsabilidade de mobilizar amplamente os cidadãos para a mudança, gerando uma onda imparável de mudança que permitirá protagonizar a alternância em 2012. Se este movimento não se erguer, receio, sinceramente que a sobrevivência do Estado democrático em Angola ficará comprometida

terça-feira, 17 de agosto de 2010

ZIMBABWE. Interdita venda de diamantes produzidos por mina controlada pelo exército


Pretoria (Canalmoz) - O Grupo Rapaport, uma das principais redes de comercialização de diamantes, proibiu a compra de diamantes produzidos pelas minas de Marange, no Zimbabwe. Numa declaração, o presidente do conselho de administração do grupo, advertiu que “quaisquer negociantes de diamantes que fizessem uso da rede para a venda de diamantes das minas de Marange seriam expulsos e os seus nomes divulgados em público”.
A polémica em torno das minas de Marange tem a ver com o facto do exército zimbabweano ter-se apoderado dos campos de exploração mineira em 2008, forçando milhares de garimpeiros a abandonar o local. De acordo com grupos de direitos humanos, cerca de 200 garimpeiros foram mortos por soldados do exército zimbabweano.

Nos termos do chamado Processo de Kimberley, está interdita a venda de diamantes cuja produção esteja associada à violação de direitos humanos e a conflitos armados.

(Redacção) 2010-08-17 07:27:00

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

“A arrogância dos dirigentes substituiu a lei e o respeito em Moçambique”



– afirma Alice Mabota, presidente da Liga dos Direitos Humanos

“O ministro do Interior, senhor Pacheco, (NR: no caso da detenção do líder dos Desmobilizados de Guerra, Hermínio dos Santos) foi muito arrogante. Tem toda essa arrogância porque tem protecção do Comité Central da Frelimo. É uma arrogância que não se compadece com os princípios de um estado de direito democrático. A arrogância demonstrada vem mostrar que na óptica do MINT, nem todos os moçambicanos são iguais perante a lei”.

Maputo (Canalmoz) – Em Moçambique, a arrogância que vem sendo demonstrada pelos dirigentes está a substituir a própria lei e o respeito pelos moçambicanos. Este facto faz com que alguns dirigentes passem por cima da lei, sentindo-se donos de tudo e de todos. Quem o afirma é a presidente da Liga dos Direitos Humanos. Alice Mabota, um dos rostos mais visíveis da sociedade civil moçambicana.
Alice Mabota fez essa declaração quando falava há dias ao Canalmoz sobre a “estranha” detenção do líder do Fórum dos Desmobilizados de Guerra, Hermínio dos Santos. Este aguarda em liberdade pelo julgamento que “sem explicações plausíveis” acabou sendo adiado para o próximo dia 18 de Agosto corrente, depois de amanhã, quarta-feira.

Numa novela atípica, em que o actor principal é o Ministério do Interior, na pessoa do ministro José Pacheco e do Comandante Geral da PRM, Jorge Khalau, o líder dos desmobilizados é acusado de crimes de desobediência qualificada e ameaças ao Estado. Questionámos à presidente da LDH se havia alguma legalidade na detenção de Hermínio dos Santos, ao que esta, sem palavras a medir, disse que Moçambique não é propriamente um país recomendado quando o assunto for legalidade e justiça.
Na estranha detenção de Hermínio dos Santos, Alice Mabota critica aquilo que considera de “postura arrogante do ministro do Interior”, José Pacheco, quando este afirmou que o batalhão de agentes da lei e ordem que tinham cercado a casa do líder dos desmobilizados tinha como função garantir a sua protecção, facto que não veio a acontecer porque, Dos Santos acabou sendo detido.

Sem papas na língua, Mabota afirma que “o ministro do Interior, senhor Pacheco, foi muito arrogante. Tem toda essa arrogância porque tem protecção do Comité Central da Frelimo. É uma arrogância que não se compadece com os princípios de um estado de direito democrático. A arrogância demonstrada vem mostrar que na óptica do MINT, nem todos os moçambicanos são iguais perante a lei”.
Mas Mabota disse que a Liga dos Direitos Humanos está de olho no “caso Hermínio dos Santos” e será dada toda protecção ao líder dos Desmobilizados de Guerra. “Estamos a prestar o nosso apoio. O processo está com a Liga e vamos até às últimas consequências. Esta é a nossa tarefa como Liga dos Direitos Humanos”, disse Alice Mabota.

“Atingimos o ponto crítico”
Aproveitámos a ocasião para pedir alguns comentários da presidente da Liga sobre os baleamentos de que os agentes da Lei o Ordem têm sido vítimas. Alice Mabota diz que tudo passa por uma questão de reorganização da polícia, porque, segundo ela, há muita coisa que anda mal. “Atingimos o ponto crítico. Temos uma polícia que é para nos defender e essa mesma polícia é baleada. Atingimos o ponto crítico da incapacidade e do azedar de relações dentro da própria polícia”, conclui a presidente da LDH.

Segundo afirmou, a polícia deve reorganizar-se e repensar o que são as suas estratégias de acção. Porque não tem explicação que o Comandante-Geral venha a público dizer que o crime assim como os criminosos têm dias contados e meia volta aparecem agentes da polícia a serem mortalmente baleados. Mabota relacionou os factos para criticar a forma como são usados os meios policiais. Disse não ser compreensível que a Força de Intervenção Rápida e agentes da PRM, que deviam garantir protecção aos cidadãos, vigiem um cidadão (líder do Fórum dos Desmobilizados de Guerra) que quer usufruir dos seus direitos.
(Matias Guente)

2010-08-16 07:01:00

domingo, 15 de agosto de 2010

Num aparente desinteresse. Tribunal Supremo bloqueia casos de grande corrupção


– acusa CIP

O Centro de Integridade Pública (CIP) questiona se o Tribunal Supremo estará ou não a bloquear o desfecho dos casos de grande corrupção no país. Hoje, passam nove anos que os assassinos do economista Siba Siba Macuacua continuam impunes


Maputo (Canalmoz) – O Tribunal Supremo parece não estar interessado em que alguns casos sonantes de corrupção, como os de assassinato do economista Siba Siba Macuacua, do antigo ministro Almerinho Manhenje, sejam julgados com a celeridade que se espera, considera o Centro de Integridade Pública (CIP), para quem aquela entidade se tornou um bloqueio à finalização de determinados processos, havendo a percepção de que esse mesmo bloqueio seja politicamente motivado, principalmente, por falta de juízes.

Segundo o CIP, as autoridades do Estado (judiciais e do Governo) têm agido apenas sobre a pequena corrupção, deixando a grande corrupção impune. Tal cenário, nos últimos anos frustrou a expectativa dos moçambicanos que acreditavam numa acção penal anti-corrupção. Nos últimos anos, a pressão para que haja uma acção penal efectiva contra a corrupção em Moçambique teve como centro de atenções o Ministério Público (e o seu Gabinete Central de Combate à Corrupção). O papel de outros actores de relevo, como o Tribunal Supremo, foi visto com menos agressividade.

Numa nota envia à redacção do Canalmoz, o CIP escreve que a Procuradoria Geral da República (PGR) tem sido alvo de maior escrutínio público (e até da Assembleia da República), colocando-se-lhe rótulos quando se mostra hesitante ou dúbia no tratamento de uma determinada matéria para investigação – como de facto é a sua postura dúbia no “caso MBS” e nas graves alegações contra a ministra do Trabalho, Helena Taipo.

O CIP fala ainda de alguns casos de corrupção que estão parados em sede de recurso no Supremo, há demasiado tempo, quando se esperava que os mesmos fossem priorizados, uns porque já são antigos e envolveram assassino (“caso Siba Siba/Banco Austral”), outros porque tem como protagonistas ex-governantes (o antigo ministro do Interior, Almerinho Manhenje) e outros ainda porque envolviam réus presos há mais de um ano (caso do Centro de Processamento de Dados).
Relativamente ao “caso Siba Siba Macuacua”, a fonte refere que até hoje, 11 de Agosto de 2010, a investigação do caso esbarrou na inoperância do Tribunal Supremo e afirma: “O caso Banco Austral tem duas vertentes. A vertente do assassinato e a vertente da gestão danosa. As duas têm uma relação intrínseca. A gestão danosa foi a principal causa do assassinato”.

Sobre o assassinato, o Ministério Público (MP) acusou alguns indivíduos em 2009, mas o Tribunal da Cidade de Maputo rejeitou as acusações, soltando os suspeitos que haviam sido detidos (Parente Júnior, entre outros, nomeadamente dois guardas do antigo banco sobre quem se suspeita tenham sido os autores materiais do crime). O MP recorreu ao Tribunal Supremo, havendo ainda a esperança/possibilidade de o Tribunal Supremo dar razão ao MP e vir a pronunciar os acusados. Parte dos antigos administradores, nomeadamente Octávio Muthemba e Jamu Hassan, haviam sido constituídos arguidos como autores morais, mas o Ministério Público se absteve de os acusar, também por alegada falta de indícios.

(Redacção) 2010-08-11 07:25:00

Estados Unidos da América. Presidente Obama adverte que continuidade de conflitos retrai investimentos e gera violência



Maputo (Canalmoz) - Os presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama realçou o papel da juventude “na promoção de valores como a abertura, transparência, debates honestos, discórdia de opiniões com civismo no seio de grupos e organizações juvenis pois isso dá azo aos bons hábitos”. Obama respondia a uma questão levantada pela Dra. Nadja Gomes, activista moçambicana dos direitos humanos, durante um encontro realizada na Casa Branca entre o presidente norte-americano e jovens africanos.

Convidada a pronunciar-se pelo presidente norte-americano, a Dra. Nadja Gomes, que também é professora de Direito, começou por indagar o que Obama “recomendava aos jovens de África e à sociedade civil em particular, no que se refere à adesão aos princípios da não-violência, boa governação e democracia quando a nossa realidade é bem diferente”. Nadja Gomes referiu-se concretamente ao facto das eleições no nosso país “registarem muitas das vezes um abstencionismo na ordem dos 80%, eleições essas que na verdade pautam-se pela falta de transparência”.

O dirigente Americano disse que “não se podia separar a política da economia, nem o conflito do desenvolvimento.” Para o presidente Obama, “o conflito constante, muitas das vezes assente em questões étnicas, que ocorreu em África, é em detrimento profundo do desenvolvimento e do seu próprio reforço”, acrescentando: “Se existir conflito, isso afugenta os investidores, o que torna mais difícil para os empresários criarem oportunidades, privando assim os jovens de emprego, tornando-os mais propensos a serem recrutados para tomarem parte em conflitos de carácter violento”.
Obama realçou a necessidade da integração plena das mulheres na sociedade, e a alternância do poder, evitando alterações constitucionais visando a eternização de regimes políticos.

(Redacção) 2010-08-10 06:55:00

Rússia suspende exportação de trigo


Maputo (Canalmoz) – A Rússia vai suspender a partir de 15 de Agosto corrente as exportações de trigo e produtos derivados, devido à queda nas colheitas, provocada pela onda de calor e incêndios que estão a afectar aquele país. O embargo vai durar até ao final de Dezembro deste ano.
O primeiro-ministro Vladimir Putin justificou a decisão dizendo que “face às invulgares elevadas temperaturas e à seca, parece-me justificado impor um embargo temporário às exportações russas de trigo e produtos derivados. É verdade que o stock que temos é suficiente: 9,5 milhões de toneladas, mas não devemos permitir que os preços dos alimentos subam no interior do mercado russo”.

A Rússia fornece 8 porcento do trigo comercializado no mundo, e é o terceiro maior exportador mundial. O cereal atingiu o valor mais alto em 23 meses, depois de Moscovo ter anunciado o embargo.
Aos agricultores afectados pela seca, Putin prometeu uma ajuda financeira.
“O tempo arruinou as nossas esperanças. Não há chuva. Tudo está a secar. O solo está rachado e até agora ainda não choveu”, disse o director-geral da agricultura, Sergei Kryukov.
Enquanto isso, o líder da Igreja Ortodoxa russa pediu mesmo aos fiéis para rezarem por chuva.

(Redacção / EuroNews) 2010-08-06 07:14:00

ZÂMBIA. Jornalistas manifestam-se contra violência do partido dirigente


Pretoria (Canalmoz) - O ministro da informação zambiano, Ronnie Shikapwasha, apelou aos órgãos de comunicação social do país a não manifestarem-se contra os actos de intimidação perpetrados por quadros do partido, MMD, pois em sua opinião “determinados políticos poderiam aproveitar-se da situação e perturbar a paz do país”. No entanto, um porta-voz dos referidos órgãos declarou que os “jornalistas iriam avançar com o plano inicial de proceder à entrega de uma petição ao Presidente Rupiah Banda, e assegurariam que a paz não seria perturbada”.

Em entrevista recentemente concedida em Lusaka, Shikapwasha havia dito que os actos hostis contra jornalistas estavam a receber a devida atenção por parte do presidente e do seu próprio ministério. Ele instou os jornalistas a enviarem a petição ao Presidente Rupiah Banda sem que fosse necessário realizarem a manifestação de protesto.

Na passada semana, quadros do MMD, agrediram o repórter Anthony Mulowa, do diário Times of Zambia, os fotógrafos Richard Mulonga e Chibaula Silwamba do jornal The Post. A agressão contra os jornalistas ocorreu no Aeroporto Internacional de Lusaka quando os profissionais da comunicação social procediam à cobertura da chegada do Presidente Rupiah Banda de uma visita efectuada ao Uganda.

A manifestação, que deverá ter lugar amanhã, defronte da residência oficial do chefe do Estado zambiano, está a ser organizada pelo Instituto de Comunicação Social da África Austral (MISA), a Associação de Imprensa da Zâmbia, o Sindicato dos Jornalistas da Zâmbia, e o Comité de Liberdade de Imprensa do jornal The Post. Das demais organizações envolvidas nos preparativos da manifestação constam a Associação de Mulheres Jornalistas da Zâmbia, o Sindicato dos Locutores e outros Divulgadores de Informação da Zâmbia, e o Fórum de Comunicação Social da Zâmbia.

(Redacção / Times of Zâmbia) 2010-08-06 07:26:00

sábado, 14 de agosto de 2010

Zimbabwe. Família Mugabe apodera-se de fazendas confiscadas a agricultores privados



Pretoria (Canalmoz) - É por demais conhecido o papel desempenhado por Robert Mugabe na desarticulação de uma das mais prósperas economias agrícolas de África. Superior à da África do Sul, a tecnologia agrícola herdada pelo governo de Mugabe por altura da independência colocava o país na posição privilegiada de poder auto-abastecer-se em alimentos essenciais da dieta do povo zimbabueano, para além de garantir receitas com as exportações de bens produzidos pelo sector agro-pecuário, em particular a carne, que era consumida em mercados europeus muito antes da introdução do regime de contingentação no âmbito da Convenção de Lomé. Esta a realidade económica do Zimbabwe em Abril de 1980, não obstante os esforços envidados pela guerrilha do ZANLA em debilitar o sector agrícola da então Rodésia, atacando fazendas, destruindo celeiros e, no caso concreto do sector pecuário, cortando tendões a bois e vacas como forma de inviabilizar um sector vital da economia.

Escudando-se numa birra antiga com os antigos colonizadores, Mugabe cedo apercebeu-se de que a chantagem económica era o instrumento ideal para congregar apoios que permitissem a consolidação do seu projecto totalitário, de eternização do poder à custa da repressão sem quartel dos que lhe surgiam pelo caminho. Efectivamente, com apoio da sua milícia particular, convenientemente crismada de “veteranos da luta armada”, Mugabe enveredou por uma campanha sistemática de confisco de fazendas em nome da distribuição de terras a quem não a tinha. Sem se preocupar com as calamitosas consequências económicas que daí adviriam, Mugabe entreteve-se a desmantelar a base da economia do Zimbabwe. A orgia de destruição em que estava empenhado, impedia-o de ver o desemprego, a escassez de produtos, as quebras nas exportações, e a crescente dependência em relação ao estrangeiro, não obstante os alertas periodicamente lançados de dentro e fora do país, avisando-o de que caminhava para o abismo.

Apesar das frequentes declarações públicas de que o programa de reforma de terras destinava-se a dá-las aos sem-terra, Mugabe e os membros da sua família mais próxima apoderaram-se de várias fazendas confiscadas pelo regime da ZANU-PF. Sabe-se hoje que a Família Mugabe é proprietária de pelo menos 10 fazendas comerciais.

Nos princípios do corrente ano, Mugabe, acompanhado de ministros do seu regime, efectuou uma visita à fazenda de produção de leite, a Gushungo Dairy Estates, ex-Foyle Farm. Para além desta fazenda, a família Mugabe é também proprietária da fazenda Highfield Farm nos arredores de Norton. O Estado adquiriu duas fazendas próximas com o objectivo de se criar uma zona tampão em redor da Highfield Farm.

Junto à fazenda Gushungo Dairy Estates, situa-se a Iron Mask Farm, igualmente propriedade da família Mugabe, embora se acredite que esteja registada em nome da esposa do presidente zimbabweano, Grace Mugabe.
Investigações revelaram que a família Mugabe apoderou-se das fazendas Sigaru Farm, Liverdale Farm, Bassil Farm e Mazowe Farm na Província de Mashonaland Central. A senhora Grace Mugabe é referida como estando em vias de se apoderar de uma fazenda na Província de Mashonaland Ocidental, para oferecer a um filho do seu primeiro casamento, Russell Goreraza. Em tempos, o pai de Goreraza, Stanley, havia sido destacado para a embaixada zimbabweana em Beijing como adido militar, numa altura em que Robert Mugabe fazia a corte a Grace.
Um sobrinho de Mugabe, de nome Leo Mugabe, possui três fazendas comerciais, e o irmão mais novo, Patrick Zhuwawo, é dono de duas outras fazendas. Este facto foi revelado no âmbito de uma acção judicial de divórcio litigioso movida pela ex-mulher de Leo Mugabe.

Sabina Mugane, irmã do actual presidente do Zimbabwe, apoderou-se de uma fazenda na região agrícola de Norton durante a campanha de confisco de propriedades agrícolas privadas.

(Redacção / The Zimbabwean) 2010-08-06 07:30:00














Julgamento de Charles Taylo. Graça Machel citada durante acareação da modelo britânica


Pretória (Canalmoz) - Prossegui ontem no Tribunal Internacional de Crimes de Guerra em Haia o julgamento do antigo presidente liberiano, Charles Taylor. O ex-chefe de Estado da Libéria é acusado de 11 crimes, incluindo a instigação de assassínio, violação, mutilação e de transformação de crianças em soldados. Pesa ainda sobre Taylor a acusação de ter utilizado diamantes para financiar a guerra na Libéria.

Na sessão de ontem, a modelo britânica, Noami Campbell, admitiu perante o tribunal ter recebido diamantes entregues por dois agentes do ex-chefe de Estado liberiano. O caso passou-se em Setembro de 1997, quando Campbell encontrava-se de visita à África do Sul a convite do Presidente Nelson Mandela.

Depondo perante o tribunal, Campbell disse que após um jantar na residência oficial de Mandela, dois homens bateram à porta do quarto da modelo, tendo-lhe entregue um saco contendo diamantes, oferta de Charles Taylor. O então presidente liberiano era um dos convidados presentes ao jantar oferecido por Nelson Mandela. Da lista de convidados constavam individualidades como a viúva do primeiro presidente moçambicano, Graça Machel, o compositor americano, Quincy Jones, a estrela de cinema Mia Farrow, entre outros.

Nas declarações perante o colectivo de juízes que está a julgar Taylor, Noami Campbell negou que Graça Machel tivesse levantado objecções pelo facto de Charles Taylor contar-se entre os convidados ao jantar. Campbell desmentiu versões que haviam circulado de que Graça Machel, em protesto contra a presença de Charles Taylor, teria alegadamente abandonado o local onde decorria o jantar.

Fotografias tiradas por ocasião do jantar na residência oficial do presidente sul-africano mostram o Mandela e Graça Machel ladeados de Charles Taylor e Quincy Jones.

(Redacção) 2010-08-06 09:32:00

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Desemprego tende a crescer no mundo. Jovens precipitam-se a serem uma “geração perdida”


– aponta um estudo da Organização Internacional do Trabalho sobre Tendências Globais de Emprego para a Juventude

Maputo (Canalmoz) – O desemprego no mundo está cada vez mais a crescer e ameaça colocar os jovens numa situação de “geração perdida”. O relatório anual de Tendências Globais de Emprego para a Juventude, da Organização Internacional do Trabalho (OIT) concluiu que desde 2002 o número de jovens desempregados entre pessoas com idade entre 15 e 24 anos atingiu 13 porcento. Em 2009, a taxa de desemprego entre os maiores de 25 anos foi de 4,9 porcento. Comparativamente aos adultos, a taxa de desemprego entre jovens fixou-se em 2,8 vezes superior.
O documento tornado público na última quarta-feira, não retrata a situação evidenciando, o que se passa em cada país do mundo. Contudo, aponta que em 2009, 81 milhões de jovens no mundo, dos 623 milhões economicamente activos, estavam desempregados. O número poderá subir até ao fim de 2010, por isso, corre-se o risco de haver “uma geração perdida”, com jovens sem alguma esperança de ter emprego.

A crise financeira económica é apontada como sendo um dos factores que precipitou tal cenário.
De acordo com o relatório, nos países ricos o número de jovens desempregados passou de 8,5 milhões, em 2008, para 11,4 milhões, em 2009, o que representa um aumento de 34,1 porcento. Nos países em desenvolvimento e pobres, onde a maioria trabalha de forma independente e em sectores informais, sem algum benefício social, os jovens “perdem a oportunidade de sair da pobreza”, devido ao desemprego.
Em 2009, entre as mulheres, o desemprego cifrou-se em 13,2 porcento, contra os 12,9 porcento dos homens.

(Redacção) 2010-08-13 07:12:00
Imagem: novidade-afn.blogspot.com

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

SWAZILÂNDIA. Governo reduz preços de combustíveis


Mbabane (Canalmoz) - O governo do Reino da Swazilândia anunciou uma redução no preço dos combustíveis com efeito a partir de hoje. A redução deve-se à oscilação do preço do crude verificado o mês passado nos mercados internacionais, segundo uma nota do Ministério dos Recursos Naturais e Energia.
O litro de gasolina sem chumbo (95) que custava 7,75 emalangeni (35,0246 MT, passa a custar 7,45 emalangeni (33,6688 MT), menos cerca de sete meticais do que em Moçambique, onde o governo acaba de introduzir um aumento do preço. A taxa de câmbio utilizada para a conversão foi de 1 Lilangeni = 4,51930 MT (www.aonda.com)

Embora país do interior, o preço da gasolina consegue ser inferior ao praticado em Moçambique, país costeiro sem os mesmos encargos de transporte da Swazilândia que normalmente importa combustíveis através de portos sul-africanos.
Na Namíbia, um país costeiro membro da SADC na costa atlântica, os preços praticados são semelhantes aos que a Swazilândia passa a praticar de hoje em diante.

(Redacção) 2010-08-06 09:33:00
Imagem: girafamania.com.br

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Matola: Governo “ameaça” com grande potencial bélico


FIR encurrala líder do Fórum dos Desmobilizados de Guerra

Maputo (Canalmoz) – Homens fortemente armados da Força de Intervenção Rápida (FIR), uma das unidades militarizadas da Policia da República de Moçambique (PRM), vigiam desde a noite do ultimo sábado a zona da residência do presidente do Fórum dos Desmobilizados de Guerra, e desde domingo estão, ostensivamente, a vigiar a residência de Hermínio dos Santos, localizada no bairro de Infulene “A”, no Município da Matola, capital da província de Maputo, nos arredores da capital do País. O visado, entretanto, acusa as autoridades de o quererem assassinar por alegadamente ele estar a liderar a preparação de uma manifestação dos desmobilizados à escala nacional.

Pelo menos até à noite de ontem, segunda-feira, a Policia continuava no local. Enquanto isso, o visado, que acusa a Policia de o querer assassinar, afirma que não tem medo de “morrer pela causa dos desmobilizados” e ameaçava levar avante a manifestação “à escala nacional”.
Os moradores do Bairro de Infulene “A”, vizinhos do líder dos desmobilizados de guerra, estão em pânico, devido à presença de cerca de 40 homens da Força de Intervenção Rápida (FIR). Para além do presidente dos desmobilizados, que fez as guerras nas fileiras do exército fiel ao partido Frelimo, vive também naquele bairro o líder do Fórum dos chamados “Madgermanes” que há anos se vem manifestando contra o facto do governo não acertar com eles contas com os ex-trabalhadores moçambicanos na ex-RDA, antes da unificação da Alemanha.
Mendes, dos “Madgremanes”, e Hermínio dos Santos são vizinhos.

Pelo menos 40 homens da Força de Intervenção Rápida (FIR), munidos de canhões e outros instrumentos de grande potencial bélico, em viaturas blindadas, estão posicionados naquele bairro desde sábado, em frente da residência do presidente do Fórum dos Desmobilizados de Guerra, Hermínio dos Santos.
Depois de patrulharem a rua onde mora Hermínio dos Santos, durante a noite do último sábado, os homens da FIR cercaram, a partir das primeiras horas de domingo, a casa do presidente do Fórum dos Desmobilizados.
O ambiente que se viveu, pelo menos no domingo, foi de pânico entre os moradores que segundo apuramos ficaram indignados com a atitude da polícia.

Em declarações ao nosso jornal, Hermínio dos Santos, que desde domingo contínua encurralado no interior da sua residência, acusou as autoridades governamentais de o estarem a querer assassinar.
Segundo Hermínio dos Santos, durante o dia de domingo a policia estacionou o carro blindado em frente da porta da sua residência, sem explicações para tal atitude.
Depois disso retiraram-se, “ao que supõe para rendição dos homens”.
A FIR retornou ao local durante a noite, tendo dois deles, segundo Hermínio dos Santos, se encostado à janela do seu quarto, “numa clara atitude de ameaça”.
Ainda no ultimo sábado, momentos antes da investida policial, Hermínio dos Santos orientou uma reunião do fórum que dirige, “com objectivos de planificar uma manifestação que vai ser levada a cabo à escala nacional pelos desmobilizados de guerra, dentro dos próximos dias”.

“Estamos a protegê-lo” – MINT

O ministro do Interior, José Pacheco, apareceu na manhã desta segunda-feira a justificar a presença dos homens da Força de Intervenção Rápida (FIR) na residência do presidente dos Desmobilizados de Guerra, como sendo uma forma de proteger Hermínio dos Santos da vandalização por parte de um grupo de desmobilizados.
De acordo com Pacheco, a Policia esta no local depois de ter recebido informações segundo as quais um grupo de desmobilizados se preparava para ir vandalizar a casa de Hermínio dos Santos. O ministro não avançou as causas que estariam por detrás da alegada intenção dos desmobilizados. Mas, entretanto, em contacto com o nosso jornal, Hermínio dos Santos, que se diz visado, refutou as alegações do ministro do Interior, afirmando que não havia nenhuma fonte que teria reportado ao Governo sobre a alegada vandalização que estaria a ser preparada pelos desmobilizados, porque segundo suas próprias palavras “ainda no sábado eu estava reunido com os desmobilizados”.
A fonte acusou a Policia, na pessoa do ministro José Pacheco, de estar a querer orquestrar o seu assassinato devido às promessas que o Fórum que dirige fez de levar a cabo manifestações, à escala nacional, em breve.

Manifestações

Entretanto, Hermínio dos Santos deu a conhecer que no próximo sábado o Fórum dos Desmobilizados de Guerra vai fazer o lançamento das linhas de orientação das manifestações, afirmando que “os protestos vão ter lugar em todo o país no próximo mês de Setembro”.
“Nós vamos nos manifestar, e o Governo vai ter que ceder. Se quererem usar a força através da Policia, vão ter da nossa parte a resposta merecida”, disse peremptoriamente Hermínio dos Santos.
Até ontem à noite, a Policia continuava a sitiar a casa onde vive aquele responsável dos desmobilizados. Hermínio dos Santos afirma não poder “nunca mais” ceder as “ameaças”.

(Eliseu Carlos) 2010-08-10 07:07:00

sábado, 7 de agosto de 2010

Editorial. Mudar a Constituição para Guebuza continuar?


É preciso travar a geração do escangalhamento

Maputo (Canalmoz) - A Constituição da República refere que “todas as camadas patrióticas da sociedade moçambicana num mesmo ideal de liberdade, unidade, justiça e progresso, cujo escopo era libertar a terra e o Homem, engajaram-se na luta por princípios que devolveram ao povo moçambicano os direitos e as liberdades fundamentais”. No preâmbulo lê-se ainda que “a Constituição de 1990 introduziu o Estado de Direito Democrático, alicerçado na separação e interdependência dos poderes e no pluralismo, lançando os parâmetros estruturais da modernização, contribuindo de forma decisiva para a instauração de um clima democrático que levou o país à realização das primeiras eleições multipartidárias”, diferentemente da inicial que suscitou uma guerra sangrenta de que não se pode dissociar como causa a veleidade e livre arbítrio de um punhado de cidadãos ambiciosos de poder e pitosgas quanto às consequências que a sua medíocre visão histórica poderia suscitar.

Esses cidadãos auto-proclamaram-se força dirigente da Sociedade e do Estado. Deu no que deu: sangue por todo o lado, miséria generalizada, refugiados em todo o lado, dentro e fora do país. Desgraça.
Os traços desse regime – destruição da sociedade velha, criação do homem novo, evacuação dos improdutivos para campos de trabalhos forçados, reeducação dos reaccionários e execução sumária dos inimigos do povo – foram obras de quem não teve dúvidas de decisões que tomou. Deu numa guerra tremenda.
Hoje estamos na mesma. Um punhado de indivíduos vencedores de eleições promovidas num ambiente de total baralhada, de leis eleitorais contraditórias, suscitadas por esse mesmo grupinho que as manobrou com o intuito de assegurar legalidade aos actos eleitorais, prepara-se para mudar a lei fundamental a fim manter no poder o seu actual líder e consequentemente fazer do Estado a sua machamba.

Esse grupinho imagina que ninguém mais, entre os mais de vinte milhões de cidadãos, está capaz de exercer os cargos que exercem. Esquecem-se que em qualquer país realmente empenhado em construir uma genuína democracia, os mandatos são limitados a prazos determinados.
É o grupinho de sempre. O tal das certezas que depois acabam em pancadaria sangrenta.
Se o grupo for avante com os seus propósitos, estamos no peugada de um autêntico golpe de Estado em que o homem que ainda pode estar sujeito a procedimentos judiciais internacionais por actos que, ainda que sendo do passado, não prescrevem, pode estar a engendrar formas de se perpetuar no poder.

A presente Constituição “reafirma, desenvolve e aprofunda os princípios fundamentais do Estado moçambicano (…) e assegura que a ampla participação dos cidadãos na feitura da Lei Fundamental traduz o consenso resultante da sabedoria de todos no reforço da democracia e da unidade nacional”. Mas a maioria parlamentar prepara-se para decidir entre quatro paredes, ignorando o povo.
A Constituição estabelece que Moçambique é um estado democrático em que a Soberania reside no povo, mas esse grupo prepara-se para ignorar o povo.
A defesa e a promoção dos direitos humanos e da igualdade dos cidadãos perante a lei; o reforço da democracia, da liberdade, da estabilidade social e da harmonia social e individual; a promoção de uma sociedade de pluralismo, tolerância e cultura de paz, são objectivos fundamentais.

Os actos contrários à unidade nacional visando atentar contra a unidade nacional, prejudicar a harmonia social, criar divisionismo, situações de privilégio ou discriminação com base em vários pressupostos, entre eles a “opção política”, “são punidos nos termos da lei”.
Mas há, mesmo assim, quem quer voltar a fazer do País uma “cotada” de alguns.
O presidente da República “só pode ser reeleito uma vez” e foi esta a Constituição que o Senhor Guebuza jurou cumprir. Se for para além disso, estará a desonrar-se a si próprio, tanto mais que já disse, publicamente, que não se recandidatará. Quer tudo: as propriedades privadas e o poder político num país em que a constituição prescreve direitos do Estado e direitos privados.
Só tem de seguir o exemplo do seu antecessor, mas parece que está a querer ir com o chinelo para além da sua perna. Há fortes suspeitas disso.

Na qualidade de PR é também chefe do Governo. Pressupõe-se, então, que o mesmo condicionalismo que o abrange no que respeita à recandidatura a PR no fim do segundo mandato, se aplica a todas as funções que nesta Constituição são inerentes ao cargo de chefe de Estado.
Mesmo que se preparem agora mais poderes para o primeiro-ministro, como já houve quem lançasse essa hipótese, Guebuza estaria em condições morais para ocupar tal cargo com outro presidente? Será que Moçambique é um parque de diversões de políticos irresponsáveis? Quererá ele ser um desses comuns politiqueiros só porque, na Russia, Putin fez uma dessas?
Na Constituição vigente há “limites materiais”. Não se revê a Constituição porque um grupo de senhores entendeu que a oportunidade deles voltarem a excluir os outros, está de novo ao seu alcance.

As leis de revisão constitucional têm de respeitar a independência, a soberania e a unidade do Estado; a forma republicana de Governo (…); o sufrágio universal, directo, secreto, pessoal, igual e periódico na designação dos titulares electivos dos órgãos de soberania das províncias e do poder local; o pluralismo de expressão; (…); o direito de oposição democrática”.
A Constituição vigente impõe que as alterações destas matérias são obrigatoriamente sujeitas a referendo. A forma republicana de governo pressupõe que se deve respeitar os mandatos e a alternância.
O problema a certa altura deixa de ser jurídico e passa a ser político.
Quer isto dizer que poder-se-á entender como TRAIÇÃO e USURPAÇÃO DE PODER qualquer alteração que não seja com a exclusiva intenção de melhor servir o Povo. Neste caso as alterações de que se fala serão para que um punhado não largue o poder político.

Condições formais, legais, para se promoverem alterações à Constituição em termos de poderes extraordinários pode haver, mas quando o legislador introduz certas cláusulas pétrias, fixas, está a ter em conta a necessidade de passarmos a ter um Estado moderno, em que, com os princípios sagrados, que mexem com as mais diversas sensibilidades humanas, não se brinca. Foi uma das condições para a Guerra Civil terminar.
Mesmo que se admita (ainda que para muitos seja forçado) que a Frelimo ganhou as últimas eleições legislativas com margens confortáveis que lhe dão legitimidade para alterar a Constituição a seu bel-prazer, é preciso ter-se em conta que sob a sua batuta encapuçada foram excluídas candidaturas e candidatos para poder chegar a ter a posição de alterar a constituição. Pode-se falar em golpe premeditado.

Mesmo assim ganhou com menos de um quarto de votos da totalidade dos moçambicanos com capacidade eleitoral.
Há mais de três quartos dos moçambicanos que não votaram ou votaram noutros. Isto é preciso ter-se em conta.
Esse cenário mostra bem que há mais legitimidade fora do Parlamento para se exigir que não se mexa nos pontos sagrados da democracia e se respeite os prazos dos mandatos e outros princípios constitucionais, do que a maioria qualificada da Frelimo na Assembleia da República, possa ter.
A Frelimo e o seu presidente têm de ter presente que se chamarem a si “poderes extraordinários” para alterar a Constituição, para acomodar a sua apetência pela ditadura ou continuidade no poder de uns certos “brazonados”, o povo pode também vir a chamar a si “poderes extraordinários” para impedir isso; para impedir a Frelimo e o seu presidente de ter veleidades semelhantes às que já tiveram antes do país entrar pela via da violência.

O mesmo tipo de ambição hegemónica já transformou o País num vale de lágrimas.
O Presidente da República não pode recusar a promulgação da lei de revisão, consta da Constituição. O senhor Guebuza terá sempre essa desculpa, para ‘sacudir a água do capote’. Mas a Constituição vigente prevê também “Limites circunstanciais” que impediriam que a Assembleia da República avance com uma revisão contrária à vontade dos que se reviram nesta Constituição e não foram votar porque não imaginavam que fosse intenção dos vencedores do pleito empreender tamanha rasteira ao Povo.
Pode ser que o Povo aí chame a si “Poderes especiais” e se subleve de tal forma que seja declarado o Estado de Sítio. “Na vigência do estado de sítio ou do estado de emergência não pode ser aprovada qualquer alteração da Constituição”, prevê a Lei Fundamental. Será que a irresponsabilidade vai deixar as coisas ir ao extremo de nos levar ao princípio da história da geração do escangalhamento?
Quando a Guerra Civil começou, o Partido Frelimo sonhava que não tinha oposição. Depois foi o que se viu.
Aconselhamos moderação e, acima de tudo, juízo. Temos todos de evitar repetir os mesmos erros. O tempo é para andarmos para a frente. Não para os que já puseram as vidas dos moçambicanos em risco uma vez, voltem a brincar aos cowboys.

(Canalmoz / Canal de Moçambique) 2010-08-06 09:34:00
Imagem: nossomocambique.blogs.sapo.pt

Cidade de Dondo. Assaltos com recurso a catanas apavoram munícipes


– confirma o Comandante Distrital da PRM no Dondo, Sérgio Azevedo. Enquanto isso, o chefe de Relações Públicas da Polícia em Sofala, Feliciano Dique, queixa-se de falta de efectivo policial para patrulhar os bairros, numa situação em que, segundo ele, “a polícia comunitária pouco ajuda nesse sentido”

Dondo (Canalmoz) – Os assaltantes pilham, ferem e matam dia e noite com recurso a catanas nos bairros Concito e Nhamaiabue, no distrito do Dondo, a 30 quilómetros da cidade da Beira, na província de Sofala. As ocorrências, segundo relataram alguns munícipes ao Canalmoz, devem-se à ausência da Polícia.
Em contacto com o Canalmoz, Mónica Cipriano disse que ela e mais residentes dos bairros onde os criminosos implementam as suas leis à margem da ordem social, estão entregues ao destino, uma vez que não existe algum período de dia em que não estejam ameaçados.

“Aqui no bairro de Concito não há patrulha da Polícia. Aos munícipes são roubados seus bens, são feridos e até mortos por assaltantes. O que se vive no bairro de Concito é muito triste”, desabafa.
Um outro munícipe de nome Alberto Jeque, de 39 anos de idade, comerciante do mercado de Nhamaiabue, disse também que os referidos assaltos já foram várias vezes denunciados junto do comando distrital da Polícia, mas até ao presente momento nada se fez para contornar a situação.
Alberto Jeque disse não compreender como é que a Polícia só patrulha os locais iluminados, como por exemplo os restaurantes, as lojas, entre outros.

O chefe de Relações Públicas da Polícia em Sofala, Feliciano Dique, minimiza a situação descrita pelos munícipes ao declarar que os tais assaltos com recurso a catanas têm vindo a reduzir. E chama ao que ele próprio diz ser o desempenho da Polícia, “sucesso”. Quando a população se queixa ele refere que “o sucesso deve-se às operações policiais”. Ao tentar provar que a criminalidade está a diminuir, Dique disse que “no primeiro semestre do ano passado o distrito registou 357 casos, contra 296 do semestre deste ano”. “Houve uma redução de 61 casos”, acentua.
Porém, Dique admitiu que no distrito de Dondo a corporação enfrenta dificuldades para garantir a ordem, segurança e tranquilidades públicas. E justifica-se: “Um dos obstáculos é a falta de efectivo policial para patrulhar os bairros”.

“A polícia comunitária”, segundo o interlocutor, “pouco ajuda nesse sentido”.
Refira-se que a Polícia Comunitária não é profissional. É um corpo de voluntários.
Por seu turno, o comandante distrital do Dondo, Sérgio Azevedo, reconheceu a situação dos “assaltos com recurso a catanas”, ao afirmar que os mesmos se verificam com maior incidência “nos bairros de Concito e Nhamaiabue”. “Os mentores são jovens oriundos do próprio distrito e arredores, com idades compreendidas entre os 18 e 30 anos”, acusa directamente enquanto a população se queixa de que a Polícia não actua para resolver o problema.

(Conceição Vitorino) 2010-08-03 07:32:00
Imagem: geographicae.wordpress.com

Comércio da China com Países da CPLP aumenta 77%


Pretoria (Canalmoz) - O comércio entre a China e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa aumentou 77% no primeiro semestre de 2010 para 41 688 milhões de dólares, relativamente ao mesmo período do ano anterior.
De acordo com estatísticas dos Serviços de Alfândega da China acabadas de divulgar, o Brasil, com 26 391 milhões de dólares de trocas comerciais – dos quais 16 073 milhões de dólares resultaram de vendas à China – mantém-se como o principal parceiro da República Popular da China com um aumento de negócios da ordem dos 60% até Junho.

A China exportou para o Brasil mercadorias no valor de 10 317 milhões de dólares, uma subida de 104% em relação ao primeiro semestre de 2009.
Angola é o segundo maior parceiro chinês no âmbito dos oito países da CPLP, tendo alcançado trocas comerciais no valor de 13 450 milhões de dólares até Junho, mais 133% relativamente ao mesmo período de 2009.
As vendas angolanas fixaram-se em 12 545 milhões de dólares, na sua maioria petróleo, o que equivale a mais 185 % do que no primeiro semestre de 2009. As vendas da China cifraram-se em 905 milhões de dólares, menos 34% em relação ao mesmo período do ano passado.

Para Portugal, o terceiro parceiro comercial da China, seguiram mercadorias chinesas no valor de 1187 milhões de dólares, contra compras chinesas de 334 milhões de dólares, valores que traduzem aumentos de 40% e 74%, respectivamente.
Até Junho, as trocas comerciais entre Portugal e a China atingiram os 1521 milhões de dólares, mais 46% do que em igual período de 2009.
Angola e Timor-Leste registaram as maiores subidas percentuais nas trocas comerciais com a República Popular da China, de 133% e 132%, respectivamente, enquanto São Tomé e Príncipe, que não tem relações diplomáticas com Pequim, teve a subida mais ligeira, de 8,7%.

(Redacção /macauhub) 2010-07-30 07:10:00