terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

República de Benguela

















Provisão Régia do Reino de Benguela
1615
"De meu poder real e absoluto, me praz e hei por bem, por esta presente provisão, a capitania, conquista e governo das províncias do dito Reino de Benguela (...) e por ela as erijo e ao dito Reino em novo Governo, para que de hoje em diante tenham separada a jurisdição e Governador"
Don Filipe II de Portugal
(Provisão Régia in: DIAS, Gastão Sousa. Os Portugueses em Angola. Lisboa: Agência Geral do Ultramar, 1959. p. 99 e 100)
Declaração de Independência
MPSO - Movimento em Prol da Sobrevivência dos Ovimbundu
4 de Fevereiro de 2002
Governo do MPLA, gigantesca estátua de ferro com pés de barro assentes na tirania, incompetência, despotismo e corrupção, viemos, em nome da nossa etnia, vítima de um genocídio silencioso praticado por vocês, dizer-vos que basta.
Em nome dos Bailundos (va-mbalundu), os Biés (va-vihé), os Uambos (va-wambu), os Galanguis (va-ngalangui), os Quibulos (va-kimbulu), os Adulos (va-ndulu), os Quingolos (va-kingolo), os Kalukembes (va-kaluquembe), os Sambos (va-sambu),os Ekeketes (va-ekekete), os Kacondas (va-kakonda), os Quitatos (va-kitatu), os Seles (va-sele), os Ambuis (va-mbui), os Hanhas (va-hanha), os Gandas (va-nganda),os Chicumas (va-chikuma), os Dombes (va-dombe) e dos Lumbos (va-lumbu), pedimo-vos, a vós, que sempre estivestes à margem do nosso sofrimento, que nos deixeis em Paz.
Fomos hospitaleiros para com vocês. As portas dos nossos onjango estiveram sempre abertas. Em troca, vocês transformaram os nossos sorrisos em lágrimas; minaram as nossas lavras, nakas e consciências. E como se não bastasse, secaram as lágrimas das nossas mulheres. A partir de hoje nunca mais sereis bem-vindos no nosso espaço social, cultural e psicológico, o "onjango". Sois ingratos e mal-agradecidos. Definitivamente, deixamos de reconhecer a vossa soberania.
Não somos um governo eleito; muito menos um Estado independente, ainda que um dia (quem lá sabe) possamos evoluir para tal. A única autoridade que legitima a nossa acção é a liberdade, a consciência e a identidade étnica, que é emanação mais profunda das nossas crenças, atitudes e valores. Isso torna-nos independentes da vossa tirania e do policiamento que sempre fizestes ao nosso pensamento e às nossas acções.
Vocês não têm qualquer legitimidade moral, social e cultural (esta já nem se fala) para nos governarem. Conhecemos, desde muito cedo, os vosso métodos de coação. Por isso não reconhecemos o vosso governo; aliás, nunca vos elegemos para nos governarem. Pena que vocês são demasiados cínicos para aceitarem que nós, os Ovimbundu, nunca vos quisemos. Demos-vos um cartão vermelho nas primeiras eleições que se realizaram no País. Ovimbundu algum se revê no vosso programa (social, económico, político e militar) e no projecto de sociedade que, em vão, vocês procuram sustentar.
Vocês são tudo de mais nefasto e de hediondo que existe na face da terra. A vossa ambição desmedida pelo poder já atingiu as raias do anormal. Da falhada tentativa de implantação da "sociedade socialista" (que excluía a alternância no poder) à criação e alimentação de um Monstro (ingénuo e esquizofrénico), oriundo da nossa etnia, para justificar ao País e ao mundo a destruição metódica do nosso grupo, vocês mostraram que não olham a meios quando se tratam de questões atinentes ao poder. Daí os bombardeamentos indiscriminados, as bombas químicas, a deslocação forçada das populações para fora do seu habitat, (condenando-as a morrer de stress, fome e doenças) e a incorporação, na vossa máquina de guerra, de soldados capturados e rendidos.
Vocês sempre recorreram a bodes expiatórios para justificarem o extermínio que levam a cabo. Para além do Monstro, criado e nutrido por vocês, é táctica vossa fazer crer ao mundo que nós estamos em guerra contra vocês; pelo contrário, vocês é que estão em guerra contra nós, contra a Paz e contra a Democracia e por uma razão muito simples: nós somos a maioria e isso sempre vos preocupou, pois num pleito eleitoral, transparente e justo, qualquer nosso representante sairia vencedor.
Defendemos a ideia segundo a qual, os problemas são intrínsecos à vida humana; mas não precisamos de vocês para os resolveremos. Nós temos capacidade e inteligência suficientes para identificar, catalogar e dar soluções aos nossos problemas e pelos próprios meios. Não precisamos de vocês para nada.
O "onjango" é um espaço que pretende promover o diálogo, a troca de opiniões, de pontos de vista de resultados de pesquisas sobre aspectos económicos e sócio-culturais da etnia Ovimbundu, assim como denunciar, energicamente, o extermínio a que esta etnia está sendo sujeita, desde o regime colonial e que se agravou logo após a ascensão do País à independência.
Pretendemos, deste modo, criar um espaço aberto a todos que pretendam contribuir, com o que têm, para a sobrevivência da etnia Ovimbundu, independentemente da raça, etnia, poder económico, militar e filiação partidária. Trata-se, portanto, de um espaço onde cada um, em qualquer parte do mundo, poderá expressar as suas opiniões sem temer por represálias ou que venha, um dia, a retractar-se do que disse.
Os conceitos promulgados por vocês em matéria de direitos económicos, sociais e culturais (propriedade, trabalho, saúde e educação) e de liberdade (consciência, expressão, associação) não se aplicam a nós, porquanto a nossa existência é imaterial. Não somos anarquistas e muito menos aventureiros; daí que, contrariamente a vocês que impõem a ordem através da força física das estruturas polícias e partidárias, sempre a desfavor da nossa etnia, a nossa forma de governação será baseada na Ética própria dos valores africanos, que vocês sempre ignoraram. Nunca aceitaremos as vossas ideias e a vossa forma de olhar para o mundo. Escusado será dizer que tudo que fizerdes para nos forçarem a mudarmos de opinião será em vão. Estamos, assim, a criar uma nova nação.
Desejamos que ela seja mais justa, mais equilibrada, isenta de guerras; diferentemente da nação criada por vocês, dentro do lema "um só povo uma só nação", que fez tábua-rasa ao nosso modo de ser e de estar no mundo e que hoje, de uma forma solene, nos emancipamos.
O Massacre nos Seles: Depoimento de um sobrevivente
2002
O ano de 1917 foi, para todos os efeitos trágicos, para a Nacao Ovimbundo. Foi neste ano que as etnias irmãs tal é, por exemplo, os Ambos, perderam o seu grande Chefe Mandume, que se suicidou ao prever a derrota eminente, assim como foram ocupados os Reinos de Cassanje, Cuango e Mutano (Reino de Humbi e Njiva).
Relativamente ao espaço étnico Ovimbundu, verificou-se nesse ano o que se denomina na história por “Revolta dos Seles”, cujas causas, segundo Almeida (1979), foram o Roubo de Terras e o Trabalho Forçado.
Trouxemos aqui o depoimento de um sobrevivente dessa guerra a fim de termos uma percepção mais clara sobre tais acontecimentos.
Entrevista conduzida e traduzida por Mbela Isso
- Podia dizer-nos o seu nome?
- Eu chamo-me Aurélio Ukuahamba.
- Quantos anos tem?
- Não sei bem; mas em 1917, eu tinha 14 anos; portanto, devo ter agora 99 anos.
- Diga-nos o que lhes fez deixar o Seles e passar a viver no Bailundo?
- Bem, não me lembro bem da minha aldeia. Recordo-me, isso sim, de que na aldeia se haviam destacado três homens: Manda e o seu irmão Chinguli e o primo deste Yove. Eles tinham morto um branco, chamado Chimboto (este não era o nome real) chamavam-lhe assim por se assemelhar a um sapo, ou seja, era muito gordo. A morte de Chimboto fez com que o problema chegasse ao Bailundo, de onde nasceu a tal guerra. No entanto, essa guerra não foi dirigida contra toda a região dos Seles, não. Ela foi dirigida ao local onde viviam Manda, Chinguli e Yove. Eles haviam inclusivamente trazido um mapa onde estava assinalado o tal local. Consequentemente, a guerra não chegou a outra margem do rio. Apenas no local onde se supunha estarem os três homens até que a guerra terminou numa caverna, de onde saí e fui levado até ao Bailundo, depois de termos passado por Chipala.
- Na verdade quem era esse tal Chimboto?
- Chimboto era um branco.
- Mas que foi que ele fez?
- Bem, o que ele fez não sei; agora o que lhe fizeram eu sei; dizem que foi comido; foi mastigado. Agora as causas que fizeram com que ele fosse comido eu, confesso sinceramente, que as desconheço. Na altura não passávamos de uns simples garotos. É importante referir que em Katanda nada aconteceu porque vivia lá um branco chamado senhor Barradas que saiu em defesa das populações de Katanda, explicando que elas não tinha nada a ver com o problema. Esse senhor Barradas disse a eles que as pessoas daquela zona nada tinham com o problema então ergueu-se uma bandeira na aldeia de Katanda.
- Katanda?...
- Sim, sim, Katanda Seles.
- Mas que é isso de Katanda? É uma aldeia?
- Sim é uma aldeia muito grande, onde vivia o tal senhor Barradas, que vivia próximo da aldeia e saiu em defesa da população que aí vivia.
- Portanto todos que viviam na aldeia de Katanda Seles foram poupados?
- Sim, foram poupados. Os das outras aldeias eram apanhados e mortos logo de imediato. Foram esses acontecimento que lá se viveram.
- Mas matavam apenas homens ou também velhos, mulheres e crianças?
- Tudo era morto, inclusivamente as crianças. Havia casos em que as mulheres eram obrigadas a transportar grandes cargas e eles ao verem que elas não conseguiam caminhar, então diziam que isso era devido ao peso da criança, então pegavam nelas e atiravam-nas ao solo, matando-as: Isso tudo eu vi com os meus próprios olhos.
- Bem, afinal de contas quem eram essas pessoas que tinham ido ao Seles fazer isso; eram angolanos, portugueses, brancos. Quem eram? Pode dizer-nos?
- Refere-se aos que tinham participado nessa guerra? Foram as autoridades coloniais. Foram os brancos. O senhor Gomes Luís, Martinho e o padre Redineck eram esses que se encontravam à frente de todo este processo.
- Redineck?
- Sim; Redineck. Foi um padre francês.
- Um francês metido nisso?
- Sim; um francês. Este padre destacou-se ao ponto de os meus pais assim que tiveram um filho, deram-lhe o nome de Evaristo Redineck. Foi este o nome do meu irmão. Foi um padre muito misericordioso, que muito ajudou a minha mãe que padecia de ochivovo e mal conseguia andar, pois tinha as pernas inchadas. Ele andava sobre um burro e foi ele que tratou da minha mãe até que ela deu à luz e então atribui o nome do padre ao filho. É por isso que o meu irmão se chama Evaristo Redineck.
- Bem, na altura o Rei do Bailundo era Kandimba. Será que ele participou directamente nesta guerra? Ele tinha ido pessoalmente aos Seles?
- Sim, ele participou directamente nessa guerra. Para além dele também esteve o Sekulu Yacomba (Jacob). Havia, na missão do Bailundo, um missionário chamado Hasting que também estava para ir, mas depois desistiu alegando que aquele problema não tinha nada a ver com eles, mas sim com os portugueses. O missionário Hasting queria também ir à guerra porque ele era muito corpulento, e era um homem pela paz, mas depois desistiu e foi ele que orientou para que fosse o tal gigante sekulu Yacomba. Um homem. Era muito corpulento. Um homem entre os homens. Ele é o pai do Sr. André Luvemba. Da Missão Evangélica do Bailundo tinham saído muitas pessoas para lá, como por exemplo, o Salustiano Epalanga, Marcolino Sayongo, Lutero. Todos esses tinham seguido o sekulu Yacomba. Como eram pessoas fortes foram ao Seles por causa de Manda, Chinguli e Yove. Foram esses três os causadores da tal guerra. Mais tarde eles foram apanhados e não se sabe bem para onde foram levados ; se foi para Portugal ou para um outro local, nunca soubemos. Vimos apenas quando foram apanhados e amarrados em correntes.
- Correntes?
- Sim, correntes. Eu vi-os com esses meus próprios olhos. Eu vi como eles foram conduzidos para o rio Queve e metidos à força num barco. Eu estive lá. Vi tudo isso com os meus próprios olhos. Era como se os estivesse a ver mesmo agora. Mande era um negro claro, enquanto que os outros Chinguli e o Yove eram muito escuros.
- Bem, houve pessoas como vocês que foram capturadas. Será que foram convertidas em escravos?
- Bem, não eram bem escravos. Talvez houvesse essa intenção no princípio, mas o governo português ordenou que as pessoas capturadas, na guerra dos Seles, não fossem consideradas de escravas, porque não haviam sido compradas. Agora é bom enfatizar que quem ordenou que se fizesse a guerra contra os Seles, foi o governo colonial português. É assim que se explica que depois de terminada a guerra, as autoridades portuguesas disseram que quem quisesse voltar aos Seles, poderia fazê-lo. Inclusivamente, o Rei de Katanda (dos Seles) se tinha deslocado pessoalmente ao Bailundo, armou o seu acampamento no Sachole, reuniu todas as pessoas que tinham sido levadas ao Bailundo como prisioneiras e disse que todos os que quisessem voltar aos Seles, poderiam fazê-lo. Era uma grande multidão. Muita gente mesmo.
- Esse Rei Katanda era o Rei só de Katanda ou do Seles inteiro?
- Era o soba grande dos Seles. Como na aldeia dele, como disse atrás, ninguém havia sido molestado, isso criou mais confiança nas pessoas que quando souberam da presença dele, foram apresentar-se.
- Terminada a guerra não chegou a nascer ressentimentos entre os Bailundos e os Seles?
- Bem, os Bailundos foram mobilizados pelas autoridades coloniais por haver homens muito corpulentos. Os portugueses pediram ajuda a estes dizendo para lhes ajudarem a combater os (ingumba) bandidos que haviam morto um branco. As autoridades coloniais não enviaram para lá os soldados no activo mas aqueles que estavam de “baixa”, ou seja, soldados que já tinham acabado a tropa e, como tal, sabiam disparar. Foi a estes a quem deram as armas, sob o comando do branco Sr. Gomes, o branco Martinho e o Sr. Padre Redineck que fazia a missa e o sekulu Yacomba de Chilume, foram eles que fizeram o tal trabalho. A nossa mãe é que se tinha recusado a voltar aos Seles, dizendo que os filhos deviam estudar na escola. E assim ficamos no Bailundo onde estudei um bocadinho. Depois disso trabalhei com os missionários e mesmo os bailundos tinham para comigo uma grande estima. Nunca fui maltratado ou humilhado.
- E nunca se arrependeu por ter ficado no Bailundo e não ter regressado à sua aldeia, nos Seles?
- Como me iria arrepender? Eu cresci lá.
- Então acha-se mais Bailundo que Seles?
- Sim, considero-me Bailundo. Foi aí onde me casei. Depois disso desloquei-me uma vez aos Seles para visitar um soba, o Soba Ndu.. então ele disse-me que ia falar com o chefe de posto colonial, para me disponibilizar um carro com o qual ia buscar a minha esposa, bagagem, filhos etc. para eu suceder-lhe no trono.
- Soba quê?
- Soba Ndungu.
- Dos Seles?
- Sim dos Seles.
- E não aceitou?
- Sim, não aceitei, inclusivamente eu tive que lá ir três vezes. Os meus irmãos também tinham ido comigo. De resto, vivi todos esses anos, na Missão do Bailundo, sou um crente, tentei sempre, embora com muita dificuldade, cumprir com os mandamentos da igreja. Fui baptizado em 1930 e até agora tudo tem corrido muito bem.
- Agora teria um certo interesse saber como eles se comunicavam, na altura?
- Bem, os soldados tinham uma corneta, enquanto que o soba usava tambores (batuques). Havia um indivíduo que subia numa árvore de onde ia dando, aos gritos, as orientações. Vocês têm que fazer isso; têm que fazer aquilo. Ia de novo, para uma outra área, repetindo as mesmas acções, dando anúncios. Ia para aldeias distantes que os obrigava a passarem a noite pelo caminho, chegavam ao Huambo e mesmo ao Mungo; e quando andavam em grupo, com homens armados, apoderavam-se do gado bovino e das pessoas que encontravam e traziam para o Bailundo. As coisas decorreram assim até que chegamos ao Bailundo. Isso tudo aconteceu em Março de 1918.
- Só mais questão. No principio falou de uma caverna (eleva). Tem algumas recordações dessa caverna?
- Ah era uma grande caverna.
- Não tinha nome? Como se chamava?
- Chiyumba; foi aí onde nos tínhamos escondido quando os brancos apoiados pelos bailundos atacaram a nossa aldeia. Nós fomos os últimos a chegar e quando lá pusemos os pés encontramo-la completamente cheia; abarrotada e não tivemos outra alternativa que sentarmos à entrada da caverna. Foi aí onde eles nos encontraram. O pai foi afastado da entrada e as pessoas foram obrigadas a sair da caverna. Assim que todos saíram os homens foram alinhados dum lado e, de seguida, todos mortos ao lado de um precipício; os homens foram todos fuzilados. O meu pai também estava para ter o mesmo fim, mas o sekulu Yacomba, não aceitou e disse que ia levá-lo para o Bailundo. Na guerra dos Seles, os bailundos tiveram duas baixas: a do sekulu Chilyambelela, sekulu da Eunice Chavonga que nasceu o Amós Hokohoko. E outro que morreu foi o Chipuketa. São todos de Capila e perderam as suas vidas nos Seles. Eu estava junto do sekulu Chyambelele. A frente dele, vinha o homem da bandeira, depois estava ele e atrás dele, eu. Aconteceu que na caverna estava alguém com uma arma que disparou contra o sekulu Chilyambelea, o qual caiu morto com um tiro na cabeça. O contingente de tropas do governo colonial e os bailundos ficaram aí três dias, a caça das pessoas e fuzilando-as assim que as apanhavam. Isso tudo foi visto com os meus próprios olhos.
- E que nos tem a dizer sobre o comandante desta missão? Era um oficial, comerciante?
- Bem, não era general e muito menos comerciante. Chamavam-lhe sr. Gomes juiz.
- Ah, então era juiz. E onde ele vivia?
- Ele viveu no Bailundo, junto da estrada que dá para Cajabão, muito próximo da casa do senhor Moreira. Foi ele, juntamente com o Sr.Martinho, que organizou todas as forças. Acho que ele era comandante. Agora o padre Redineck, não era propriamente um militar, apenas se limitava a dar a missa, de manhã e a tarde.
- Mas quanto tempo demorou então a guerra?
- Oito meses. Começou em Agosto de 1917 e terminou em Março de 1918.
- Foram grandes combates?
- Sim, grandes combates. Pegavam nas pessoas e disparavam, disparavam sobre elas. No princípio matavam as pessoas ao lado do rio. Depois chegou uma ordem para que as pessoas deixassem de ser mortas na margem dos rios e que era necessário matá-las ao lado de covas abertas para o efeito. Teve de se pedir o envio de enxadas do Bailundo. As pessoas que iam ser mortas é que cavavam as suas próprias covas, isso tanto podia ser feito no período da manhã como da tarde e mais tarde eram fuziladas e fechava-se os buracos. Isso tudo eu vi com os meus próprios olhos.
- Mas uma coisa: Esse Mande, Chinguli e Yove, não tinham armas?
- Não, eles não tinham armas. Estavam desarmados, nem sequer tinham arcos e flechas. É por isso que eu acho que aquela guerra não foi justa, pois uns tinham armas e os outros nada tinham e a única coisa que tinham que fazer era apenas fugir. Bem, mas isso não queria dizer que entre os dos Seles não havia pessoas com armas, pois o Chipuleta, tal como disse, foi morto com uma arma de fogo. Esse Chipuleta tinha acendido um tição à entrada da caverna sem saber que dentro dela estava alguém com uma arma que disparou e foi o fim. Você conhece o sekulu Mbalundu? Que vivia no Sachole?
- Não; não o conheci, mas ele também tinha ido aos Seles?
Sim; também tinha ido. Esse tal sekulu Mbalundu é que tratou da saúde do homem que matou Chipuleta. Ele foi apanhado e foi morto aos poucos. Primeiro cortaram-lhe as mãos; depois as pernas, e, finalmente a cabeça. Foi um sofrimento terrível. E foi essa a guerra dos Seles que eu vi com os meus próprios olhos.
A origem dos ovimbundu segundo a tradição oral
Por: Mbela Issó
"As culturas equivalem-se. É na diferença e pluralidade que se encontra o sentido de humanidade"
Mindlin
Num dos nossos artigos relativos à história dos Ovimbundu, apresentamos três hipóteses sobre a possível origem deste grupo étnico,tendo-nos inclinado, depois de apresentarmos alguns factos, para a hipótese que nos pareceu ser a mais defensável; ou seja, a que dizia respeito ao facto de os Ovimbundu serem descendentes dos autores das pinturas ruprestes de Caninguiri que, através de um processo de aculturação e miscigenação, foram adquirindo traços dos outros grupos bantu, chegados de outras paragens e latitudes.
Os mitos possuem uma importância capital, porquanto a análise das narrativas permite não só resgatar elementos susceptíveis de subsidiar a análise de factos históricos (complementando as fontes escritas), como também auxiliar na identificação de elementos culturais com vista a construção da identidade de um determinado grupo étnico.
O mito, e como muito bem o diz Chiapini (2000), pretende, na maior parte dos casos, explicar o surgimento do mundo, assim como alguns fenómenos da natureza, dentro de uma determinada lógica estrutural, onde podemos encontrar um enredo, que entretêm as pessoas, mas também mostra o desenvolvimento do pensamento e da cultura de uma determinada comunidade. Pese embora o carácter lúdico, e mesmo de entretenimento dos mitos, estes possuem uma grande importância na vida das comunidades. É precisamente isso que nos diz Lévi-Strauss (1967), para quem a relevância dos mitos não radica apenas no seu conteúdo mas, sobretudo, na sua estrutura, uma vez que eles contêm processos mentais universais.
Autores como Campbell (1997) referem-se ao facto de ser característico dos mitos a presença de seres sobrenaturais, chamando-nos,com isso, a atenção ao facto de que os mesmos pretendem estabelecer uma ponte entre o mundo imaginário e a consciência racional. Torna-se, não obstante, necessário não se confundir o mito e a lenda com a superstição. Os mitos e as lendas apresentam-se, geralmente, como narrativas populares de carácter oral e que se transmitem de geração em geração, recaindo a tónica dominante no sobrenatural, enquanto que a superstição se apresentaria como a fragmentação de um velho mito, com a entrada de um novo elemento que é o medo ou o terror (Chiapini,1988).
O mito Ngalangi
Segundo os dados de que dispomos, a lenda sobre a origem do mundo foi recolhida por Keiling (1934) e mais tarde retomada por Child (1964). A tradução de Luís Keiling é a seguinte:
“ Um dia caiu do céu um homem que teve o nome de Féti, que quer dizer o princípio. O bom do homem deu em percorrer a terra e notou que, havendo muitos animais, se encontrava um só homem, que era ele. Que aborrecimento e enfado sentir-se tão só no meio dessa criação! Para ver se espairecia, lembrou-se de ir ao Cunene para caçar um pouco. Pega, pois, nas armas e vai em busca de um hipopótamo, que lhe fornecesse carne e gordura. Horas esquecidas esteve Féti à espera de uma peça de caça, quando em vez do suspirado animal vê surgir das águas uma forma humana, muito semelhante a si mesmo: era a primeira mulher a quem denominou Tchoya, que, derivando do verbo okuoya, quer dizer enfeite, ornato, perfeição. E tão bela, tão garrida a achou o nosso Féti que dela se enamorou e com ela fundou a primeira família que pela luz do sol foi alumiada. Passaram dias, passaram meses, e numa bela manhã foram os ecos da mata despertados pelos vagidos de um novo ser, que viera albergar a habitação do felizardo Féti. Não houve ave do céu, nem animal da floresta, que não viesse dar aos pais os parabéns por tão bom acontecimento. Encantados, impuseram os progenitores ao recém-nascido o nome de Ngalangi.Passaram tempos, e eis que em casa aparece um novo bebezinho, desta vez uma menina, a quem chamaram Viyé. Viyé, provém do verbo okuiya, que em português se traduz por vir. Queriam os pais significar que aquela filha havia de chamar a si as populações e ser o tronco de uma grande família. E Viyé veio a ser a mãe das raças do norte, isto é, das terras do Bié, enquanto foi o pai das gentes do Sul. Assim contam os ngalangi e terminam por afirmar que deles descendem todos os habitantes do Bié,Huambo,Sambo, Cuíma e Caconda”.
Análise da narrativa
A presente narrativa coloca em discussão um aspecto muito importante do ser humano. A tentativa de compreender a sua origem. Sob o ponto de vista da estrutura composicional, a narrativa obedece, como se pode ver, a uma linearidade cronológica dos factos, aparecendo, não obstante, um elemento de subversão, a solidão, de cuja resolução surgem outras situações,cujos desfechos vão levar ao nascimento de vários reinos; daí o seu carácter explicativo que remete para a crença de que a solidão,por si só,é perniciosa, pois o homem é, eminentemente, um ser social. Por outro lado, o tempo e o protagonista assumem posições um tanto ou quanto díspares. Se bem que, por um lado, o personagem principal seja definido no texto (Féti), por outro, a atemporalidade é um aspecto notório o que torna a narrativa mais abrangente, englobando todos os sub-grupos da etnia Ovimbundu, e não só, cuja origem a lena pretende explicar.
Neste sentido, a metáfora do homem que caiu do céu (Féti), responde, em pleno, a questão da vida e do nascimento da primeira forma de organização da sociedade humana no espaço territorial ocupado pelos Ovimbundu. Deste modo, tematizam-se aspectos de grande significado para a compreensão da origem dos mesmos, através de uma linguagem simples.Do ponto de vista da estrutura arquetípica, posta de manifesto através do surgimento da fêmea (da lama,) a mesma não se pode dissociar da própria cultura Ovimbundu onde se gerou a narrativa, tomando em consideração o papel da mulher na referida comunidade. Recorde-se que o homem veio do céu.
Outras análises poderiam ser feitas, nomeadamente nos aspectos que se prendem com a micro-estrutura (aspectos linguísticos),pois estamos cientes de que uma análise desse tipo não deveria cingir-se apenas à estrutura geral da narrativa (enredo) e ao conteúdo temático. Lamentavelmente, uma tradução não nos permite irmos tão longe. Acresce a isso que o nosso propósito foi o de analisar a narrativa dos Ngalangi sob o ponto de vista macro-estrutural, apegando-nos mais em questões de índole histórico-cultural, que propriamente literária e linguística, o que poderá ser feito noutras ocasiões.
Implicações
A presente narrativa propõe uma visão endógena sobre a origem dos Ovimbundu, que é contrária a algumas fontes escritas onde a temática é posta nos processos migratórios (de fora para dentro). A lenda mostra que este processo se desenvolveu de dentro para dentro para fora,isto é, os Ovimbundu tiveram a sua origem precisamente nas proximidades do rio Cunene e daí se foram expandido para outras áreas e regiões. Apesar disso, o bom-senso recomenda-nos certa cautela para não cairmos em certos exageros e análises precipitadas, mesmo que autores como Clark (1973) afirmem que a infiltração “banto no território terá sido feita gradualmente,por pequenos grupos, (...) que terão sido em acolhidos pelas populações autóctones, e na maior parte vivendo o período mesolítico”. Este ponto de vista reforça a nossa hipótese de os Ovimbundu serem resultado de uma simbiose entre os autores das pinturas de Caninguiri e os Bantu que, posteriormente, tiveram contactos com aqueles. É do mesmo autor a ideia segundo a qual “a ocupação de lugares desertos ou de fraca densidade populacional, a miscigenação,a adopção da cultura e até da língua dos povos autóctones terá dado lugar a uma bantoização progressiva das populações”.
Caninguiri: O berço dos Ovimbundu
Pese embora esses subsídios fica por responder o significado da narrativa do sub-grupo Hanya que, conforme nos diz Hauenstein (1967), também postula a existência de Féti e Tchoya, na perspectiva dos Ngalangi. A única diferença assenta no facto de que, para os Hanya, os Ovimbundu teriam vindo de um local chamado Nali, instalando-se, posteriormente, em Cinendele, já em território angolano. E não deixam de ser curiosos os palpites de Child de que Féti teria emigrado mais para Norte. Nesta linha de ideias os reis Ngola, de cujo nome deriva Angola, teriam descendido de Féti. Consequentemente, algumas etnias irmãs seriam, nesta linha de ideias, descendentes da etnia Ovimbundu e não o contrário como o afirmam certos estudos. Será?
Origem dos Ovimbundu:
A hipótese mais próxima da realidade.
Por: Mbela Issó
A origem dos ovimbundu tem sido motivo de estudos apaixonados por parte de vários historiadores. Uma das razões para que isso aconteça, tem a ver com o facto de se tratar de um grupo étnico que marcou (e continua a marcar), de modo profundo, a história económica, social, política e cultural da porção de território Ovimbundu en Africa.
Na verdade, este grupo étnico, destacou-se muito cedo. Assim, temos, em primeiro lugar, a enfatizar a resistência tenaz que manifestou contra o invasor colonialista; em segundo lugar, a sabedoria de alguns dos seus reis, que lhes permitiu estender as suas relações comerciais até ao Zanzibar (Oceano Índico); em terceiro lugar, a exploração desenfreada a que foi vítima durante o regime colonial (roças, pescarias, fazendas de algodão, café,etc.) que levou muitos ovimbundu a emigrarem para os países vizinhos. Por último, e na história mais recente, o facto de ter surgido, no seio deste grupo étnico, uma rebelião armada, cujas consequências ainda estão para ser descritas.
A origem dos Ovimbundu é, de acordo com os historiadores, sempre vista dentro dos processos migratórios Bantu (Os ovimbundu, tal como a maior parte da população que vive a sul do equador é Bantu, por pertencerem a um grupo linguístico que utiliza a raiz ntu para se referir ao homem. O acréscimo do pefixo Ba (plural)- Bantu surge, assim, para designar esta população no seu todo). Recorde-se que alguns investigadores têm avançado hipóteses segundo as quais os Bantu teriam vindo da Ásia ou da região de Bahar-el-Ghazal e que se teriam fixado nos grandes lagos. Muito para além das formulações hipotéticas é um facto comummente aceite entre os investigadores de que os Bantu devem, provavelmente, ter vindo das mesetas de Bauchi (Nigéria) e dos Camarões. Mas tudo aponta no sentido de serem originários do Noroeste da floresta equatorial (vale de Benué) e que durante milhares de anos se foram fixando em vários pontos da África. As migrações, como é óbvio, tiveram várias causas entre as quais podemos apontar as de carácter político (defesa e luta pela sobrevivência de um grupo face ao outro); económico (ligadas às catástrofes naturais que faziam com que os Bantu procurassem terrenos mais férteis). São os problemas que Basil Davidson designou como sendo de carácter físico. Por último, pode apontar-se o desentendimentos dentro dos vários clãs (problemas ligados à sucessão ao trono).
Ekuikui II :Artífice da estratégia "vergar o adversário pela economia"
Relativamente a Angola é de referir que os Bantu angolanos, são originários do que se tem designado por 2º Centro Bantófono (Baixo Congo e Planalto Luba).Os ovimbundu seriam, assim, descendentes dos Bantu que se fixaram no planalto central. No entanto, as hipóteses acerca da origem dos ovimbundu são várias e nem sempre consensuais. As referidas hipóteses dividem-se entre aquelas que afirmam que os Ovimbundu teriam vindo de Benué (um vale situado numa região a leste da Nigéria); as que defendem a ideia de que seriam resultado de uma miscigenação de outros grupos e as que os consideram como descendentes dos autores das pinturas rupestres de Caninguiri (Kañilili).
De acordo com a primeira hipótese os ovimbundu, conforme os seus autores, teriam passado pela faixa Atlântica, fixando-se em Benguela. E dado o facto de serem agricultores dirigiram-se ao planalto do Huambo e Bié, cujas terras eram as mais férteis. Esses autores sustentam esta hipótese com dados provenientes da linguística. Assim, segundo ele, alguns dos termos utilizados pelos Ovimbundu, ao invés de se aproximarem aos usados pelos Bantu mais próximos assemelham-se mais aos do povo Igbo da Nigéria. É o caso do termo "Suku" (deus) "omunu" (pessoa,) "twendi" (vamos). Os kimbundu por, exemplo, utilizam o termo Nzambi para designar Deus.
Os defensores da segunda hipótese afirmam que os Ovimbundu são uma síntese de vários grupos étnicos. E, consequentemente, defendem a ideia de que este grupo não tem um carácter homogéneo. Estão à vista os aproveitamentos políticos que se podem fazer desta interpretação. Uma vez que se pretende, com este ponto de vista, provar que os Ovimbundu não são um grupo étnico unitário, e muito menos têm uma especificidade cultural e étnico-linguística próprias.
Os estudiosos, defensores desta hipótese, apegando-se em aspectos linguísticos, afirmam que os Ovimbundu seriam descendentes dos Bakongo, uma vez que, segundo eles, a língua umbundu é uma síntese do Bantu-Kongo e do Bantu-Lunda. Na verdade, esta hipótese, possui uma certa evidência científica, pois os Ovimbundu, pela posição que ocupam no planalto central, teriam ligações com os Ambundu da baixa de Kasanji; com os Cokwe e os Lunda. E mesmo a sua grande versatilidade, a sua impressionante capacidade de adaptação aos diversos habitat, poderia ser explicada a partir desta simbiose; desta miscigenação que não se cingiu apenas a aspectos linguísticos e biológicos;mas também à adopção de saberes, técnicas, formas colectivas de luta contra a adversidade da natureza.
Esta hipótese, a mais aceite pelos vários historiados, viria a levar um rude golpe, criando assim, várias dúvidas, com a descoberta da estação arqueológica de Kaniniguiri (Kaniñili). É de referir que esta se situa nas áreas do Mungo e do Bailundo e remonta a milhares de anos (9600 anos ou 9670 anos em idade absoluta). O que mostra que, paralelamente, as comunidades pré-bantu (Bosquímanos,os Vátuas e outros) existia, na região do planalto, uma comunidade, de onde saíram os autores das famosas e impressionantes pinturas ruprestes de Kaninguiri. E, se para além das evidências arqueológicas, nos ativermos à tradição oral, que apresentaremos quando falarmos da história de cada subgrupo étnico em particular, podemos tirar a seguinte conclusão: existem evidências claras que apontam no sentido de os Ovimbundu serem descendentes directos dos autores das pinturas de Kaninguiri e que foram sofrendo, num processo de "osmose", influência dos grupos Bantu que se iam fixando nas proximidades.Saliente-se que, de acordo com alguns historiadores, as migrações dos Bantu, em Angola, devem ter iniciado no século XII com a entrada dos Kikongo; dos va-Nyaneka no séc XVI, dos Ngangeula, no século XVII, dos Ovambo e dos Cokwe, no século XVIII e dos Ovakwangali no século XIX.
O grupo étnico dos ovimbundu é, actualmente, formado por vários subgrupos :va-mbalundu, va-vihé, va-wambu, va-ngalangui, va-kimbulu, va-ndulu, va-kingolo, va-kaluquembe, os va-sambu), va-ekekete), va-kakonda), va-kitatu, va-sele, va-mbui, va-hanha, va-nganda va-chikuma, va-dombe e va-lumbu). Estes subgrupos vivem na região que compreende o Huambo, zona de solo fértil e onde se pode cultivar cereais, pomicultura, horticultura, etc. Para além disso, possui boas condições para o gado, especialmente bovino; é de referir que algumas províncias como a Huíla possuem regiões onde a população é maioritariamente Ovimbundu (Caluquembe e Caconda); o Bié, igualmente uma zona fértil e de clima saudável; Benguela, região igualmente com terrenos muito férteis e onde existem minérios de cobre,ferro,enxofre, sulfato de sal,etc.e numa parte do Cuanza sul.
Por fim resta-nos apenas dizer que os futuros estudos a efectuar quer ao nível da linguística, quer da arqueologia,quer ainda da tradição poderão aportar outros dados importantes para o conhecimento relativo a origem dos Ovimbundu.
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MPSO - Movimento Pela Sobrevivência dos Ovimbundu
DECLARAÇÃO
Tomando em consideração os novos contornos do processo político angolano, e o facto de a Unita estar, inquestionavelmente, associada às razões que conduziram ao surgimento do MPSO, porquanto o genocídio étnico a que os Ovimbundu têm sido objecto foi motivado pelo receio, politicamente justificado, dessa força política chegar ao poder graças à sua base social, o MPSO não pode ficar indiferente ao novo quadro político angolano, sobretudo na véspera da realização do IX Congresso da Unita a realizar-se nos dias 24 a 27 de Julho; de modo que vem declarar o seguinte:
1. O MPSO, cujos objectivos são os de lutar, intransigentemente, pela integridade física, cultural e social dos ovimbundu, considera o ambiente de paz reinante em Angola como uma grande vitória, que deveria ser preservada a todo o custo; não obstante isso, não deixa de manifestar o seu desagrado pelo processo de reinserção dos desmobilizados das FMU e seus dependentes; escusado será referir que, em certos casos, o Ministério de Reinserção Social, deu mostras de pretender o extermínio dessa franja populacional que só não sucumbiu, na totalidade, nos “Campos da Morte”, graças a sua capacidade de resistência e espírito de iniciativa;
2. Durante os longos anos do conflito que abalou o país, os angolanos e a comunidade internacional, “aprenderam” a tragar a ideia de que as dificuldades que o país vivia eram, na maior parte dos casos, derivadas do factor guerra; dificuldades que iam desde a instauração de uma democracia e de um Estado de Direito, aos problemas de índole económica e social; no entanto, passado um ano, constata-se que, em Angola, não só houve um agravamento das muitas situações vividas no período de guerra, como também se pôs de manifesto a incompetência da élite no poder em governar o País, associada ao pânico derivado da perda do controlo da sociedade; só assim se explica o facto de se manterem as situações seguintes, nomeadamente:
a) Partidarização das instituições, consubstanciada na existência e permanência dos agentes do SINFO (polícia secreta), das Células e Núcelos da Juventude do Partido nas escolas, universidade, ministérios, etc., e a mobilização forçada dos funcionários para o MPLA, com o risco de perderem o emprego, caso se recusem a tal o que é, sem dúvida alguma, o facto mais evidente de que estamos perante uma ditadura, e muito longe de um Estado que se diz Democrático e de Direito;
b) Falta de isenção nos meios de comunicação social estatal (televisão, rádio e imprensa escrita) e a adopção de linhas editoriais, sobretudo no Jornal de Angola, que atentam contra o processo de Paz e Reconciliação Nacional e que concorrem para o acirrar de ódios contra os ovimbundu, através do que essa imprensa, afecta ao partido no poder, denomina de “umbundização” do aparelho do estado e da sociedade;
c) Falta de transparência no processo de desarmamento da população civil a nível nacional, e acções no sentido de tornar a famigerada polícia de emergência, tristemente conhecida por “Ninjas”, cada vez mais aguerrida, numa fase em que isso não só já não se justifica, como também não se compreende o porquê de tais acções;
d) Indiferença do poder judicial, relativamente aos escândalos de corrupção que proliferam por todo o lado e a cada momento, envolvendo, inclusivamente, figuras como a da sua Excelência, o Sr. Presidente da República, e às atitudes de intolerância política que se vão verificando, sobretudo nas províncias, contra qualquer força política;
e) Remissão ao ostracismo das províncias do Centro de Angola onde o cenário de pobreza e exclusão social atinge proporções alarmantes, o que acrescido a inexistência do papel do Estado nessas zonas, faz pensar numa punição daqueles que durante vários anos quiseram permanecer do outro “lado da barricada”.
3. Um dos fenómenos que se vem verificando em Angola, logo após a instauração da democracia multipartidária, é a proliferação de partidos, muitos dos quais criados a mando não se sabe de quem, mas cujos objectivos são mais que claros: sair em defesa da élite no poder que pretende manter-se nele por tempo indeterminado. É nesta linha de ideias que o MPSO nota, com grande satisfação, o não surgimento, até ao momento, de qualquer força política de base étnica ovimbundu. Isso é, para nós, o sinal mais claro de que essa comunidade continua ainda a rever-se, pese embora os inqualificáveis e injustificáveis erros, na força política que surgiu no seu seio.
4. Desde o cessar fogo ocorrido há um ano, no Luena, até ao presente momento, o país entrou num grande marasmo político onde a Unita, como o maior partido da oposição, se absteve de exercer o seu papel de controlo do governo no poder. De modo que, não se pode deixar de louvar os partidos, organizações não governamentais e pessoas singulares que, de um modo exemplar, souberam ocupar o vazio deixado por àquele partido; daí o nosso reconhecimento ao elevado grau de consciência política e coragem dessas instituições e entidades. Referimo-nos, em particular, ao Padepa, Open Society ao Coeipa e aos seus líderes.
5. O processo de reconciliação nacional é, por si mesmo complexo, e exige medidas práticas, capazes de sossegar as vítimas. Nesse sentido, é de louvar as iniciativas dos sobreviventes do 27 de Maio que se batem pela justiça e pelo esclarecimento da situação que levou a morte milhares de seus camaradas.
6. O MPSO não pode deixar de manifestar preocupação face aos rumores sobre a existência da corrupção no seio da Unita, “o party in waiting” que é, neste momento, uma das esperanças dos angolanos, assim como da existência de acordos secretos com o Partido no Poder para uma eventual partilha no poder o que, diga-se, em abono da verdade, seria uma forma pouco digna de honrar o legado político e histórico do fundador do Partido, o Dr. Jonas Malheiro Savimbi. Consequentemente, os congressistas deverão eleger para futuro presidente da Unita, em consciência e liberdade, aquele que mostra ser capaz de romper, definitivamente, com o Mpla e de proclamar ao mundo o fim do Gurn. Torna-se óbvio que, com o fim da guerra, já nada justifica a existência do Governo de Unidade e Reconciliação Nacional, apresentando-se apenas como uma estratégia do Partido no Poder para, quando das eleições, justificar-se perante os eleitores de que “não roubou”, e nem “desgovernou” o País sozinho.
7. Nos dias que correm, torna-se cada vez mais claro que apenas um partido que se rege por princípios democráticos é capaz de os estender a toda a sociedade. Assim, não se pode deixar de reconhecer a capacidade e o mérito da Unita ao implementar medidas democráticas, de facto, na forma como pretende eleger o seu Presidente, numa altura em que o Mpla, sempre anacrónico e apegado a princípios estalinistas, ainda discute sobre a viabilidade ou não de se manter o centralismo democrático.
8. Por último, o MPSO exorta os congressistas da Unita para, em momento algum, se desviarem do grande objectivo a alcançar no presente momento histórico: tomar o poder pela via das urnas, substituindo o governo incapaz, anacrónico e corrupto do Mpla que, por tudo isso, perdeu a legitimidade de ficar em frente dos desígnios da nação; pelo que, a discussão das “questões internas” e dos “erros do passado” não deveria ser feita antes de cumprido tão sublime objectivo.
18 de Junho de 2003
Pinceladas de uma cronologia que o MPLA intencionalmente ignorou
Por: Balbina Essanju
(Século XX)
1900
O missionário protestante M.Z. Stober,denuncia que, na região do Bailundo, continuava a venda de escravos. Outro missionário C.A. Swan, escreve que na região do Bié, os escravos debilitados nas caravanas eram mortos com golpes na cabeça e deixados na mata ao deus dará.
1902
Surgimento na região do Bailundo de um profeta que vaticina a derrota dos colonialistas portugueses.
1908
O reverendo Wesley H. Stover,pertencente ao American Boards of Comissioneres for foreign mission, do Bailundo,é expulso da colónia por se suspeitar estar ligado aos rebeldes do Bailundo desde 1902 (data da revolta de Mutu-ya-Kevela).
1917
Nos Seles,verifica-se uma revolta contra os portugueses devido o roubo de terras e o trabalho de contrato. Os Africanos incendiaram as casas dos comerciantes portugueses.
1940
Surgimento no Huambo do "Grupo de Nova Lisboa" constituído por brancos e mulatos que se opunham ao envio de trabalhadores Africanos para S.Tomé; " Revolta tenaz contra os portugueses no Cubal que foi terrivelmente reprimida.
1950
Surgimento no Lobito do grupo Ohio e, no Bié, o "Grupo Avante" todos dissolvidos pelas autoridades coloniais.
1952
Interdição no Bailundo do clube sociocultural Olonguende.
1955
Aparecimento em Nova Lisboa (Huambo) da Juventude Cristã de Angola, agrupava membros do AASA e do Seminário Real de Nova Lisboa. Depois de 8 meses deixou de funcionar.
1957
Interdição do grupo OCA (organização cultual dos angolanos no Lobito de tendência predominantemente protestante e prisão do seu presidente Júlio Afonso.
1960
Forma-se no Huambo (Nova-Lisboa) o Grupo "Grande-Vanguarda-Comando" dirigido por Marcos Kassaga e João Baptista, formado por soldados Africanos da Escola de Aplicação Militar.Forma-se, igualmente no Huambo o grupo Cacunda, chefiado por Júlio Chinovala Cacunda.
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Ovimbundu states
Cingolo
Rulers
*1800* Ekundi
*1820* Ulundu
*1840* Kalukongolo
*1860* Kalueyo I
*1870* Cimina
*1880* Kalueyo II
*1890* Cimbalandongolo
*1900* Nandi
Ciyaka
Rulers
*1810* Atende II
*1820* Cikoko I
18.. - 18.. Kuvombo-inene
18.. - 18.. Ndumbu III
*1835* Handa II Kaciyombo
1842 - 1850 Njimbi Ukulundu
1850 - 1870 Canja I Cimbua Cahuku Luanjangombe III
1870 - 1898 Handa Njundo
1898 - 1904 Cilulu III
1904 - 1911 Handa III
1911 - 1915 Atende III
1915 - 1918 Cikoko II
1918 - 1920 vacant
1920 - 1925 Cilulu IV
1925 - 1928 Handa IV Kalumbombo
1929 - 1939 Sakulanda Luanjangombe IV
1939 - 1940 Cilulu V
1940 - ... Tomasi
Gumba
Rulers
*1903* Ciweka
19.. - 1934 Mbati
1935 - 1938 Simbwyikoka (regent)
1938 - 1940 Kakope
1940 - 1954 Kafelo
1954 - 1956 Kutenga Lusase
1956 - 1964* Cilombo
Kalembe
Rulers
*1810* Njundu
*1835* Cinguangua II
*1850* Cikomo
*1860* Ndumba
*1895* Nyime
*1900* Sakatilo
Kalukembe
Rulers
*1835* Ndumbu Saciyambu
*1845* Keita Hungulu
*1850* Kamupula
*1860* Ngandu Kapembe
18.. - 18.. vacant
*1880* Pomba Kalukembe
*1890* Muengo Njamba
... - ... Kavala Hungulu
Mbailundu, M'Balundo
Rulers
Katiavala I (1700) [Childs, 1970: 245]
Jahulo I (1720) [Ídem: 245]
Somandulo (s.f)
Tchingi I (1774-1776)
Tchingi II (Tchiliva Banbangulu, 1778)
Ekuikui I (1780)
*1800* Numa I
*1810* Hundungulu I
*1811* Tcisende I
*1818* Njunjulu
*1820* Ngungi
*1835* Civukuvuku Chama (Tchongonga, s.f)
18.. - 1842 Utondosi
1842 - 1861 Mbonge
1861 - 1869 Tcisende II
1869 - 1872 Vasovãvã
1872 - 1875 Ekongo-liohombo
1876 - 1893 Ekuikui II
1893 - 1895 Katiavala II
1895 - 1896 Numa II
1896 - ... Hundungulu II
*1900 - 1902* Kalakata
190. - 190. Kalandula
1903 - 1904 Mutu ya Kevela (regent)
"Houve, entanto, um homem, que não era rei, mas que estava ligado à corte do reino do Bailundo, que não esteve para meias medidas. Esse homem chamava-se Mutu-ya-Kevela, que quis pôr freio aos apetites desmesurados dos portugueses. Mutu-ya-Kevela viria a ser dominado e morto em 1902, muito antes do aprisionamento, na região do Bimbe, do seu conselheiro, Samakaka, famoso pelos seus conhecimentos de magia, utilizado, em vão, para ludibriar as forças portuguesas. Dali em diante, os portugueses tiveram um domínio total do “Reino” ao ponto de, por um lado, influenciarem nas sucessões ao trono e, por outro, mobilizarem os reis, agora convertidos em sobetas, para as suas missões mais bizarras como foi, por exemplo, a mobilização dos bailundos, sob o comando do rei Candimba para a chacina da população dos Seles."
1904 - 1911 Cisende III
1911 - 1935 Njahulu II Kandimba
1935 - 1938 Musita
1938 - ... Cinendele
Félix Numa Candimba
"O último dos soberanos que regeu o Bailundo, sob a bandeira colonial, foi Félix Numa Candimba, da linhagem do rei Candimba. Félix, durante o tempo colonial e os anos que se seguiram a independência nacional, conciliava a função de rei (soba) com a de contínuo na Escola Primária nº 44, do Município do Bailundo."
1977-1998 Manuel da Costa Ekuikui III - Rei do Bailundo
1998 - 2008 Utondossi II
Com a morte do líder da Unita, o fim da guerra e a re-proclamação de Augusto Kachytiopololo para rei, com o epíteto de Ekuikui IV, O “reino” do Bailundo entrou na sua fase mais crítica, cuja nota predominante é a vassalagem total ao MPLA e JES. Daí que o passo a seguir, conforme foi orquestrado por essa força política, com o beneplácito de Augusto Kachytiopololo, foi a eliminação física de Utondossi II, o que se conseguiu, em 2008, como consequência de um atentado sofrido em 2007 na localidade de Lunge, onde vivia. Estes factos apenas atestam quão contraproducente é a intromissão abusiva da política e do poder instituído no poder tradicional. Mas, apesar disso, nos “akokoto” mentais das populações do Bailundo apenas têm lugar os reis de sangue azul. Quantos aos outros, serão esquecidos logo que deixarem o mundo dos vivos.
Another List of Rulers
La lista de los ossoma inene, es decir, de los soberanos del reino de M’Balundo, desde su fundación hasta la actualidad, es la siguiente:
1. Katiavala I (en torno a 1700) [Childs, 1970: 245]
2. Jahulo I (en torno a 1720) [Ídem: 245]
3. Somandulo (s.f)
4. Tchingi I (1774-1776)
5. Tchingi II (Tchiliva Banbangulu, 1778)
6. Ekuikui I (1780)
7. Numa I (s.f)
8. Hundungulu I (s.f)
9. Tchissende I (s.f)
10. Junjulu (s.f)
11. Ngungi (s.f)
12. Chivukuvuku Chama (Tchongonga, s.f)
13. Utondosi (1818-1832)
14. Bungi (1833-1842)
15. Bongue (1842-1861)
16. Tchissende II (1816-1869)
17. Vassovava (1869-1872)
18. Katiavala II, (1872-1875)
19. Ekongoliohombo (1875-1876)
20. Ekuikui II (1876-1890) *
21. Numa II (1890-1892) **
22. Moma (1895-1896)
23. Kangovi (1897-1898)
24. Hundungulu II (1898-1900)
25. Kalandula (1900-1902)
26. Mutu-Ya-Kevela (1902-1903) ***
27. Tchissende III (1904-1911)
28. Kandimba Jahulu (1911-1935)
29. Mussitu (1935-1938)
30. Tchinendele (1938-1948)
31. Filipe Kapoko (1948-1970)
32. Félix Numa (1970-1982)
33. Tchongolola (José Maria Pessela, 1982-1985)
34. Ekuikui III (Manuel da Costa, 1985-1996)


Notas: * Falleció en 1893.
** Estas fechas no parecen correctas, o bien hubo un vacío entre 1892 y 1895.
*** No fue rey, sino virrey.
**** Cuando falleció Ekuikui III, el municipio de Bailundo estaba ocupado por UNITA, y se nombró rey a Utondossi II que, sin embargo, según algunas informaciones no llegó ser entronizado. Cuando UNITA abandonó el municipio, en 1999, el Rey Utondossi II acompañó la retirada del movimiento.
Ndulu
Rulers
*1800* Cindele
*1810* Mbundi
*1835* Siakalembe
*1850* Lusãse
*1870 - 1890 Elundu Civava
1890 - 189. Civange
*1897* Cipati
*1900* Cisusulu
190. - 190. Kasuanje
190. - 190. Siakanjimba
*1904* Ndingilinya
19.. - 19.. Sihinga
*1910* Congolola
*1917* Cisokokua
19.. - 1935 Cihopio
1935 - ... Sangombe Esita (regent)
Ngalangi
Rulers
... - ... Ndumba II Cihongo
*1835* Kambuenge II
*1844 - 1860 Ndumba III Epope Kateyavilombo
1860 - 18.. Etumbu Lutate
*1886* Ndumbu I
*1890* Ekumbi
*1895* Cihongo II
*1899* Ciyo
*1905* Cipala
*1916* Kangombe
*1920* Ngangawe
192. - 192. Cuvika
*1925* Cikuetekole
19.. - 1931 Mbumba Kambuakatepa
1931 - 1933 Cingelesi
1933 - 1935 Ndumbu II
1935 - ... Congolola
Sambu
Rulers
... - ... Handa
*1810* Usinhalua II
*1820* Kambangula
*1835* Congolola
... - ... Lundungu
... - ... Ekuikui
... - ... Mandi
*19..* Citangeleka Komundakeseke
Viye
Rulers
1795 - 1810 Kawewe
1810 - 1833 Moma Vasovãvã
1833 - 1839 Mbandua
1839 - 1842 Kakembembe Hundungulu
1842 - 1847 Liambula
1847 - 1850 Kayangula
1850 - 1857 Mukinda (regent)
1857 - 1859 Nguvenge
1860 - 1883 Konya Cilemo
1883 - 1886 Ciponge Njambayamina
1886 - 1888 Ciyoka
1888 - 1890 Cikunyu Ndunduma
1890 - 1895 Kalufele
1895 - 1901 Kaninguluka
1901 - 1903 Ciyuka (1st time)
1903 - 1915 Kavova
1915 - 1928 Ngungu
1928 - 1940 Ciyuka (2nd time)
Wambu
Rulers
*1800* Kahala I Kanene
*1805* Vilombo II Vinene Kaneketela II
1813 - 1825 Cingi II Cinene Livonge
1825 - 1840 Ngelo II Yale
1840 - Apr 1846 Ciasungu Kiapungo
1846 - 1860 Kapoko II
1860 - 1870 Atende II a Njamba
1870 - 1877 Vilombo III Kacingangu
1877 - 1885 Hungulu II Kapusukusu
1885 - 1891 Wambu II
1891 - 1894 Njamba Cimbungu
1894 - 1902 Livonge
1902 The portuguese attemped to extinguished the state by colonial power
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A morte (14 Janeiro 2012) do rei Ekuikui IV

A morte (14 Janeiro 2012) do rei Ekuikui IV, autoridade tradicional máxima do reino do Bailundo, deixa o reino mergulhado numa crise profunda. Augusto Kachytiopololo, era o nome de baptismo do ancião que faleceu aos 94 anos, vítima de doença.

O seu antecessor foi Manuel da Costa (Ekuikui III) que governou o Bailundo entre 1977 e 1998. Segundo dados históricos, Manuel da Costa não pertencia a linhagem dos reis do Bailundo, mas sim dos reis da Luvemba. Mas subiu ao trono como Ekuikui III, tendo sido respeitado como tal.

Nos anos 80, foi raptado pela UNITA e levado para o antigo bastião do "Galo Negro", a Jamba, onde era tratado como um rei. Em 1992, com o deflagrar da guerra pós-eleitoral e consequente fixação de Jonas Savimbi no Bailundo, Ekuikui III retoma o trono, diante da fuga de um novo rei, Augusto Kachytiopololo, Ekuikui IV, que lhe tinha tomado o lugar durante a sua ausência.

Quando Ekuikui III faleceu no final dos anos 90, mergulhou, de novo, o reino numa crise. As forças do governo tinham, entretanto, retomado o Bailundo, e o MPLA impôs a re-proclamação de Augusto Kachytiopololo para rei, com o epíteto de Ekuikui IV. Kachytiopololo, de acordo com fontes históricas, era um homem comum, não pertencente a qualquer linhagem dos reis do Bailundo, e foi elevado à categoria de rei por questões essencialmente políticas, tendo mesmo sido eleito deputado do MPLA em 2008.Mas governo de Angola alega que Katchytiopololo foi neto do antigo Ekuikui ll , rei histórico da resistência colonial.

A sucessão obedece alguns rituais a serem observados. O ritual fúnebre foi feito durante o período da noite onde o corpo é enterrado e a cabeça depositada no tabernáculo. Óbito de Katchytiopopolo termina a 19 de Fevereiro do corrente. Cabe aos Mwekalhas, designação dada a Corte tradicional, a eleição do futuro rei.

O Reino do Bailundo foi fundado no século XV. Chegou a ser o maior,mais poderoso e influente reino do centro e sul de Angola. Actualmente continua a ser uma importante praça de disputa política.Recentemente, a Ministra Cultura, Rosa Cruz e Silva manifestou a a intenção do seu ministério reabilitar e requalificar o santuário onde jazem as ossadas dos soberanos Katiavala (fundador do Reino do Bailundo) e Ekuikui II pelo seu valor histórico e cultural.
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BREVE HISTORIA DE LOS REINOS OVIMBUNDU
Según José Redinha (1974: 39), las poblaciones que actualmente se denominan ovimbundu2 constituyen el mayor grupo etnolingüístico angoleño, al representar aproximadamente una tercera parte del total de la población. Está subdividido en 15 subgrupos, entre los que destacan los denominados huambos, bienos y bailundos. Los ovimbundu ocupan una franja territorial rectangular entre el litoral y el altiplano central de la zona de Huambo y Bié, y sus orígenes no están muy claros. Gladwun Childs (1970: 241)3 se refiere a un héroe fundador Feti y a un mito fundacional según el cual el primer lugar de ocupación de los ovimbundu sería un lugar cercano a la confluencia de los ríos Kunene y Kunyonãmua. Estas poblaciones poseen un imbricado sistema de parentesco que se expresa en un modelo de doble descendencia: patrilineal (oluse) y matrilineal (oluina4).

El oluse define en la actualidad el modelo de sucesión política, de este modo, todos los cargos con autoridad y poder, del sekulo (pequeño jefe, también denominado jefe de aldea) al ossoma (jefe, rey), se transmiten por vía patrilineal. A su vez, el sistema matrilineal, el oluina, definía tanto los modos de transmisión de la propiedad como la organización de la vida económica, que incluía las caravanas comerciales. Los clanes matrilineales tenían sus propios jefes, a través del tío materno (manji a nyõho), que ostentaba poderes políticos y religiosos sobre los miembros de su ossongo (clan matrilineal [plural, olossongo]). Estos jefes también podían ser macotas (consejeros) del ossoma (ídem: 58-59). Fundamentalmente, los ovimbundu trazaban la descendencia y las relaciones sociales a través del oluina, es decir, del sistema matrilineal. Sin embargo, más recientemente, la descendencia y la transmisión de propiedad y del poder político se producen por vía del oluse. Algunos autores señalan que este cambio está muy asociado a la influencia de las iglesias, sobre todo las protestantes (ArJaGo, 1999: 44).
Según Douglas Wheeler y Diana Christensen (1973: 55), los reinos ovimbundu, que serían aproximadamente unos 22 a principios del siglo XX, empezaron a formarse durante el siglo XVII, como resultado de la integración de grupos de poblaciones imbangala o jaga, que se desplazaron desde el norte y nordeste del altiplano y se mezclaron con poblaciones que ya residían en la región. Según Neto (1997), estas poblaciones imbangala estaban relacionadas con los lunda y los luba, y su fusión con las poblaciones del altiplano dio lugar a los precursores de los actuales ovimbundu. Los 22 reinos ovimbundu presentaban diferentes tipos de constitución e importancia política y social, y en su mayoría estaban constituidos únicamente por una ombala5 (unidad sociopolítica que reunía a varios conjuntos de pequeñas aldeas) liderada por el ossoma o soberano. Cada conjunto de pequeñas aldeas se denominaba etambu, y tenía a su frente a un sekulo o jefe de aldea, por lo general miembro del clan real del ossoma, por vía patrilineal.

El ossoma ostentaba el máximo poder, desde el punto de vista político y religioso, y contaba con la colaboración de un conjunto de consejeros, los macotas, constituido por sus sekulo, por otros miembros del linaje real del ossoma y por ancianos prominentes del reino. Los reinos más importantes fueron los de Bié, Bailundo y Huambo6 que, tanto por su dimensión (estaban constituidos por numerosos conjuntos de olumbala) como por su situación geográfica, dominaban prácticamente la totalidad del altiplano central y el comercio de caravanas con el interior del continente. Varios olossama (plural de embala), menos importantes, eran miembros de los olossongo reales de Bié, Bailundo y Huambo, y dependían, desde el punto de vista político y religioso, de estos soberanos (ídem: 58-59).
EL REINO DE M’BALUNDU
El reino de M’Balundu es el mayor y uno de los más importantes de los reinos ovimbundu. Según Gladwyn Childs (1970: 246), este reino llegó a incorporar a reinos que no eran ovimbundu y a extender su dominio hasta el río Kuanza. A lo largo de su historia, el reino de M’Balundu ha sufrido una serie de profundas influencias y transformaciones, sobre todo a partir de la dominación colonial portuguesa y, más concretamente, a partir de 1902, fecha de la última sublevación de los bailundos contra la dominación colonial. A partir de esa época, el reino perdió su independencia y fue sometido progresivamente a la lógica políticoadministrativa colonial, de la que conviene destacar dos aspectos: la subordinación de sus estructuras políticas al poder administrativo colonial, así como la progresiva reducción de la base territorial del reino.

En el período precolonial (entendido como el período anterior a 1902), la ofeka (nación en umbundu) de M’Balundu ocupaba una amplia región del altiplano central, a partir de su centro fundacional, la montaña de Halavala7. A partir de 1902, la base territorial de la ofeka se redujo progresivamente, y se vio sujeta a la lógica de las divisiones administrativas coloniales hasta quedar confinada a sus límites actuales, que corresponden, a grandes rasgos, al actual municipio de Bailundo y algunas regiones de los municipios colindantes.

Según la historia local oral, el reino de M’Balundu fue fundado, probablemente en el siglo XVI, por un cazador llamado Katiavala, procedente de la región de Sumbe o Seles, en la actual provincia de Kwanza Sul. Según la historia narrada por los ancianos:

“(...) Antes del inicio del reinado, ya existían Umbulu y Katiavala, así como sus familias. Fue en el tiempo en el que no se conocía la raza blanca. Y mucho menos las armas, la escopeta. Vivían sólo como gente, pueblo. (...) Entonces él [Katiavala] descendía de la familia del rey, hasta el momento de la colonización portuguesa. (...) El reinado de Katiavala procede de Seles, provincia de Kwanza Sul, de donde venían todos estos reyes. Socossange era el padre de Katiavala. Se instalaron en estas tierras debido a la caza, buscaban animales. Desde Seles hacia aquí, se instalaron en una ombala denominada Ngonga.

En aquel tiempo, conseguían mucha caza, cazaban y vendían, y criaban ganado bovino. Los pastores de este ganado eran Katiavala y el soba Ndalo. Entonces la alimentación era sólo a base de carne de buey. (...) Katiavala no era un soba, no, era pastor. En esa época los pastores tenían esa necesidad de comer carne de buey. En estas circunstancias, los dos pastores idearon un método para poder abatir una cabeza [de ganado]. Afilaron una vara y la introdujeron en el ano de un buey. Al tirar de ese palo, las menudencias del vientre tapan automáticamente el ano, impiden la evacuación y hacen que fermente la barriga del animal, que muere. Entonces, aquéllos que querían comer la carne quedaron satisfechos, pero el dueño del animal se enfadó.

Utilizaron este método dos veces. El dueño de los animales se entristeció, ya que no descubría la enfermedad que estaba matando a su ganado. Pero había un espía que fue a decirle que los responsables de aquella situación eran los propios hijos de la casa [Katiavala y Ndalo]. Entonces, el dueño de los bueyes [Socassange, padre de Katiavala y de Ndalo] se enfureció tanto con los pastores que Katiavala y el soba Ndalo huyeron. (...) En ese momento, en la montaña donde nos encontramos [montaña sagrada de Halavala, donde se hallan las tumbas de Katiavala y de Ekuikui II], ya se ubicaba Umbulu Tchingala. Katiavala pensó que tenía que venir aquí para presentarse al rey (...) y, al dirigirse a esta gente, aquí ya existía una camada joven entre estas gentes, fue bien recibido, porque era un visitante. Le preguntaron de dónde venía y él dijo que de la ombala Ngonga, y volvían a preguntarle: ‘¿qué vas a hacer?’, y él les decía que era cazador y que se encontraba en aquella montaña de Sambo, bien recibido, y le dijeron ‘entonces, quédate donde estás. Nosotros por aquí también tenemos nuestros cazadores y nos quedamos aquí’. En aquella época, Katiavala siempre que cazaba un animal sacaba un muslo y se lo enviaba a Umbulu Tchingala. Era un regalo a los reyes que se encontraban aquí.

También los cazadores de aquí, cuando mataban se acordaban del regalo que hacía Katiavala y también llevaban un presente. A Katiavala le ofrecieron una de las patas [el miembro posterior de una pieza de caza]. Éste quedó poco satisfecho y recordó que siempre que él mataba a un animal llevaba a esa familia un muslo así que, ¿cómo es que, a la inversa, en vez de llevarle un muslo le llevaban una pata? Para él supuso una ofensa. Entonces, Katiavala generó una oportunidad cuando aquí se planeó una cacería. Al quedar aquí sólo mujeres y niños, Katiavala subió hasta esa montaña con su escopeta. Las casas eran de revoque y él, que recogió algunos manojos de revoque, disparó la escopeta; como en esa época la población no conocía las armas, todos se asustaron bastante. Prendió fuego a los manojos de revoque y, continuación, alguien fue a buscar a los que estaban cazando para contarles que Katiavala había incendiado la aldea. Algunos cazadores suspendieron la caza y vinieron a ver los daños. Katiavala, al darse cuenta de que los habitantes estaban yendo a su encuentro, hizo un segundo disparo y avivó las llamas, puso más revoque y las llamas fueron aumentando. Los que venían a su encuentro huyeron y no llegaron. Fue cuando Katiavala subió hasta aquí a la montaña [se instaló], saliendo de donde estaba. Así comenzó el reinado”. (Ebai: 2004-2)

En esta región había originalmente cinco aldeas (kimbu en umbundo): Halavala, Tchilapa, Ngola, Ndulu y Viyé. Cada kimbu estaba organizada en torno a grupos de parientes, era políticamente independiente de las otras y no tenía una organización política central. Fue Katiavala el que, al dominarlas, dio una unidad política a estas kimbu i fundó el reino M’Balundu; se hizo entronizar con el título de Katiavala I. De acuerdo con el relato que hemos expuesto, Katiavala dominó a esas poblaciones por el hecho de disponer de una ventaja tecnológica-militar, esto es, una escopeta, un canhângulo. Con la creación del reino de M’Balundu, Katiavala introdujo dos principios fundamentales: la centralización política de las aldeas y la introducción de un hecho cultural nuevo, que todavía en la actualidad es una seña de la identidad cultural de M’Balundo, el culto a los reyes, a través de dos vías diferentes: el culto a los cráneos reales, conservados en los etambu, y el culto a los cuerpos, conservados en los akokotos10. Siguiendo con el relato:

“Después de instalarse aquí en la montaña, Katiavala mandó llamar a los jefes de esas cinco aldeas para que vinieran a verlo. Con su escopeta al hombro, Katiavala recibió a las visitas y les dijo que, a partir de ese momento, no quería oír ninguna sentencia en esas aldeas sin que fuese resuelta sólo por sus manos. Cuando pensó en fundar su propio reino, mandó llamar a su padre y, después, de nuevo a los soma de esas cinco aldeas. Cuando estaban todos reunidos, Katiavala dijo ‘a partir de hoy se inicia mi reinado’ (...) y mandó cavar un agujero ordenando que se metieran en él las cabezas de un gallo, un cabrito, un cerdo, un perro, un buey y la de una persona. El reinado se inició con esta costumbre (...) Katiavala ordenó a sus hombres que cogiesen a un hombre, que lo aislasen, y trajeran su cabeza y dejaran el cuerpo abandonado. Por tratarse de una orden de Katiavala, sus hombres fueron al campo y trajeron la cabeza y la pusieron en ese agujero. Katiavala ordenó que se tapara el agujero y en ese lugar plantó un árbol que se llama olumbi, que crece rápidamente”. (Ídem: 2004-2)

Al fundar el reino, Katiavala introdujo también el nombre del mismo a partir de una costumbre local anterior a él, a la que denominaban ombalundu, que consistía en que los hombres de esa región se pintaban una raya negra desde la frente hasta la punta de la nariz. Katiavala habría asociado esta costumbre local al mbalundu, topo real que tiene una raya semejante, pero blanca, y denominó M’Balundu a esta tierra .

“(...) una vez que el reinado estuvo en fase de crecimiento, apareció un ratón al que se llamó topo, en umbundu onete, que tenía una señal en la frente. Katiavala agarró al topo y le pegó en la frente, en el pecho y en el pescuezo, recordando el símbolo de los Umbulu Tchingala que vivían aquí; eran ellos los que vivían aquí, eran ellos los que tenían la tradición de una señal negra que iba de la frente a la nariz. Aquella señal era la que tenía el nombre de M’Balundu. A partir de ahí, Katiavala encontró que el nombre de Halavala sería designado como M’Balundu. El significado de M’Balundu es el siguiente: ‘aunque esté todo cubierto, con un sombrero, buenas ropas, zapatos… tengo todo tapado menos la frente, que es difícil de esconder’. M’Balundu es una cosa que todos ven. Y es así como surgió el nombre de M’Balundu, que excluyó de una vez por todas el nombre de Halavala” (Ídem: 2004-2).
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COLONIALISMO E O DESMANTELAMENTO DA TERRA AFRICANA
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Álcool, Valium e Xanax terão matado Whitney Houston


Cocktail de álcool, Valium e Xanax pode ter sido a causa da morte da cantora de "I Will Always Love You", Whitney Houston, diz o site "RadarOnline".

Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)

Na noite em que acabou por falecer, Whitney Houston tinha ingerido um cocktail explosivo: álcool, Xanaz e Valium, e deve ter sido isto que a levou à morte. A polícia encontrou as embalagens dos dois medicamentos na suíte do hotel Beverly Hilton onde, no passado dia 11, a cantora foi encontrada morta. Mas os resultados das análises toxicológicas somente devem ser divulgados nas próximas semanas.
"Whitney tinha tomado Valium, Xanaz e álcool, o que a levou à morte. O médico-legista está à espera dos resultados toxicológicos finais para determinar qual dos três foi o principal fator da sua morte", afirmou ao site "RadarOnline" uma fonte próxima do caso.
Recorde-se que a cantora foi encontrada morta com o rosto submerso dentro da banheira do seu quarto.
De acordo com esta fonte, "os calmantes e o álcool foram, certamente, a causa da morte, e não o afogamento. O seu coração parou de bater porque o sistema respiratório foi suprimido pela ação dos ansiolíticos misturados com a bebida, o que provavelmente aconteceu de forma súbita".
Segundo o mesmo site, na véspera da sua morte a diva da pop ter-se-á envolvido numa briga numa discoteca em Hollywood, com uma mullher que supostamente estaria a insinuar-se ao seu ex-namorado, Ray J., que a acompanhava. Esta terá sido, alegadamente, a razão pela qual Whitney foi apanhada a sair da discoteca, naquela noite, despenteada e embrigada. Testemunhas dizem que ela andava a beber muito.
http://aeiou.expresso.pt/alcool-valium-e-xanax-terao-matado-whitney-houston=f706376

Imagem: Imagem da cantora Whitney Houston projetada num ecrã na noite da entrega dos Grammys a 12 de fevereiro
Getty Image





terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

José Eduardo Agualusa. Um escritor em um banco de praça



Ele já teve endereço no Rio, e hoje mora em Lisboa, mas às vezes vive em Luanda. Ele, nas próprias palavras, é morador do mundo. De 28 a 30 de maio, o escritor angolano José Eduardo Agualusa, 50, morou em São Francisco Xavier, o pequeno distrito de São José dos Campos (SP) que serve de sede, há três anos, ao Festival da Mantiqueira – Diálogos com a Literatura. Caminhou, conversou com leitores e com outros autores, provou menus locais. E participou, juntamente com dois escritores brasileiros, de um debate em que falou de política, geografia sentimental e, claro, literatura. Depois, num banco da praça central do distrito, entre uma abordagem e outra de fãs, ele falou a VEJA Meus Livros.
Posso estar errada, mas eu tenho a sensação de que os festivais celebrizam os escritores. É possível?
O que esses encontros têm de melhor para o autor é o contacto com o público. Para mim, é importante, primeiro, porque temos uma noção real de para quem estamos escrevendo, o que interessa nos nossos livros às pessoas. Se não tivermos esse contacto, é um pouco como atirar garrafas ao mar, sem saber se alguém as abrirá, se alguém vai ler aquilo, não tendo nenhum eco. Segundo, porque as pessoas fazem sugestões, fazem críticas.
Então, há mais que tietagem nos festivais?
Há de tudo, evidentemente. Mas você tem leitores muito críticos, que apontam erros. Não há livro que não tenha erros, até de lógica interna, de estrutura. E há pessoas que conhecem os livros todos do autor e podem falar deles. Tem gente que conhece os meus livros melhor do que eu. Eu já não lembro dos meus. O primeiro eu nunca mais li, por exemplo.
Que crítica incomoda mais a você, a do leitor ou a do resenhista?
Nenhuma crítica incomoda, se é justa. Quando aponta um erro, ótimo, porque a gente corrige. Essa crítica é muito importante porque ajuda o escritor a fazer melhor. Às vezes, há erros indicados em um determinado livro que podem ser corrigidos em edições seguintes. Essa crítica é sempre bem-vinda. O que irrita o autor é a crítica que não é justa ou que é feita a partir de uma leitura equivocada ou, indo ainda mais longe, de uma não-leitura. E tanto faz se essa crítica deprecia ou elogia o livro. De nada serve aquela crítica que faz um monte de elogios ao seu livro, mas que é superficial. Essa crítica também me irrita. Me irrita tanto quanto a crítica que desanca, que destrói o livro sem um esforço de compreensão, sem tentar ajudar o leitor. Eu fui crítico durante muito tempo, e acho que o papel principal da crítica é ajudar o leitor a ler o livro.
Um resenhista brasileiro criticou a presença do realismo mágico no seu último livro,Barroco Tropical, lançado aqui no Brasil pela Companhia das Letras. Este seria um caso de crítica justa ou injusta?
Este é um bom exemplo de crítica que não é justa. Até porque, ali em Angola, se a gente tenta construir um romance realista, acaba sempre construindo um romance que fora é tido como realismo mágico, porque a própria realidade está completamente mergulhada no maravilhoso e no fantástico. As pessoas trouxeram do exterior, do campo para a cidade, esse mundo mágico onde elas vivem. Haveria que se discutir essa presença do realismo mágico. E, de resto, por que não? Por que não se pode ter realismo mágico em um livro? O que há de errado nisso?
Barroco Tropical foi lançado no Brasil no final do ano passado. Já podemos esperar um novo romance seu?
Eu acabei de terminar um romance que, no fundo, é uma história sobre a língua portuguesa. Em Portugal, sairá em outubro. Espero que aqui saia até o fim do ano pela Companhia das Letras. O livro se chama Milagrário Pessoal, porque o personagem principal, o narrador, é um linguista angolano que tem um caderninho que ele chama de milagrário pessoal, no qual ele anota todos os pequenos prodígios do cotidiano. Ele acha que os grandes milagres são discretos, mas acontecem, estão sempre acontecendo. Então, ele tem esse caderninho, e a primeira parte do romance é como se fossem anotações dele no caderninho. Ele vai contando a história nesse milagrário. Posso contar a história, se você quiser.
Quero, claro.
É a história de uma menina, uma linguista, que trabalha com neologismos. Ela usa um programa de informática para recolher as palavras novas que chegam à língua todos os dias e depois as analisa para saber se são neologismos. Para você ter uma ideia, todos os anos cerca de 300 palavras novas chegam aos dicionários. Então, o trabalho dela é de recolher as palavras novas e dicionarizar aquelas que são efetivamente neologismos. De uma forma geral, os neologismos são pouco interessantes. São anglicismos, palavras que vêm do inglês, sem grande interesse. Mas um dia, misteriosamente, ela começa a receber dezenas, depois centenas de palavras, mas palavras tão bonitas, tão extraordinárias, tão urgentes e tão necessárias que as pessoas se apropriam delas e começam a utilizá-las sem sequer darem conta que são palavras novas. E ela fica tão perturbada com a situação que vai falar com o antigo professor, esse velho linguista angolano, o narrador, que é um homem pouco ortodoxo, e ela acha que ele pode ajudá-la a resolver aquele mistério. E os dois juntos vão tentar encontrar a fonte desses neologismos. No fim, é uma grande viagem pela língua portuguesa, pela história da língua e pela forma como a língua se foi afeiçoando a territórios tão diversos geograficamente.
Há outro projeto, além desse?
Sim. O outro projeto, que provavelmente só para o ano estará concluído, é um livro de contos sobre canções da MPB. Tem o título provisório de Contos Cantados, mas não ficará assim. Um dos contos já saiu aqui numa recolha de contos baseados em composições do Caymmi, o meu é sobre É Doce Morrer no Mar. É uma música muito bonita, até hoje eu gosto muito. Tem uma versão angolana do Paulo Flores, que ficou bem. Escrevi também um conto, que foi publicado num jornal português, a partir de João e Maria, do Chico Buarque, que deve entrar no livro. Tem também um texto baseado em A Força que Nunca Seca, da Vanessa (ele diz Vanéssa) da Mata. Serão uns dez contos.
De que maneira a música reverbera no seu texto?
Eu tenho uma preocupação grande com o ritmo e a melodia interna da frase. Tanto que o livro As Mulheres do Meu Pai teve o primeiro parágrafo, que é escrito em prosa, musicado por um cantor português, João Gil. Num primeiro momento, quando ele me contou que havia musicado o texto, eu tomei um susto. Achei que não tinha resultado bem, mas acabei gostando. E fiquei feliz porque mostra que aquilo que escrevo tem alguma melodia, tem algum ritmo. Sempre digo aos tradutores: a única preocupação que eu tenho é de que as frases mantenham o ritmo.
Você lê seus textos em voz alta?
Leio. Acho muito importante. Muito, muito, muito. Ler em voz alta é essencial para conhecer o resultado do texto, para saber se tem ritmo. Há uma coisa que se faz com frequência na Europa, em países como França, Alemanha e Inglaterra, e que aqui pouco se faz, que é a leitura enquanto espetáculo. Sessões de leitura em que o autor lê um trecho pequeno do livro, na sua língua original, depois tem um ator que lê mais páginas. E depois há a possibilidade de conversar com o público. Isto é visto como um espetáculo, as pessoas pagam para assistir. Eu fiquei a gostar muito desse modelo.
Essas sessões também devem servir de fonte de renda para os escritores.
Sem dúvida nenhuma. É significativo.
As pessoas costumam idealizar os escritores e esperar deles considerações profundas sobre o cosmos. Alguém já lhe perguntou, por exemplo, qual o sentido da vida?
Muito (risos). Acho que o importante, quando você não sabe o que responder, é contar uma história. Se a história for boa, a pessoa se distrai, e no final já nem lembra o que perguntou. Eu conto sempre uma história passada em Berlim, quando eu vivia por lá. Fui a um encontro com três poetas sul-africanos. Era uma sala escura, os poetas estavam sentados cada qual à sua mesa, com um foco de luz em cima. Tinha uma apresentadora alemã, falando em alemão, num tom monocórdio, muito chata. Ao fim de pouco tempo, estava todo mundo numa sonolência grande, quando me dei conta de que um dos poetas adormecera na mesa. E a partir desse instante a ação ficou muito interessante, porque todo mundo queria saber como é que ela ia resolver aquele problema. Então, ela terminou a apresentação e fez uma primeira pergunta em inglês para o poeta adormecido. E o poeta dormindo. Ela repete a pergunta mais alto. E o poeta dormindo. Então, ela aproxima-se finalmente do poeta, gritando a pergunta em inglês, o poeta acorda estremunhado e diz, Essa pergunta eu não respondo.
Que ótimo. Eu já esqueci a pergunta (risos).
(Risos.) Você quer saber a pergunta mais absurda que um jornalista me fez aqui no Brasil?
Quero.
Como está a situação da escravatura em Angola?
E o que você disse?
Eu disse, Olha, eu acho bom que você tenha colocado essa questão, porque é uma questão tão atual, e é um escândalo que continuem chegando ao Brasil navios carregados de escravos, e a Armada Britânica não consegue fazer nada. A menina ficou chocada e disse, É verdade isso, é verdade?? (Risos.)

Maria Carolina Maia
http://veja.abril.com.br/blog/meus-livros/tag/jose-eduardo-agualusa/

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Adeus meu amigo, JOSÉ LUÍS CARVALHO. Gil Gonçalves


Dia 26/12/11, depois de 14.700 km, uma viagem magnifica foi manchada por uma tragédia. Ao quilometro 40 da A1, da Tunisia, na ligação de Sfax para Tunis o nosso amigo e companheiro JOSÉ LUÍS CARVALHO perdeu a vida, num acidente provocado, por um despiste. Uma grelha de drenagem metalica com cerca de 10 metros de cumprimento, em plena faixa de rodagem, no sentido longitudinal da via e a chuva que ocorria na altura, fez com que 4 de nós, perdêssemos o controlo das motas, infelizmente o Nosso Amigo, não teve a sorte que os restantes tiveram e não conseguiu controlar a mota, tendo o despiste sido fatal.
Para toda a Familia os Eleven Up, enviam as suas sentidas condolências. A todos os amigos que nos têm acompanhado nesta viagem, pedimos que este momento e que a dor que todos sentimos, seja respeitada.
JOSÉ LUÍS, OBRIGADO PELA TUA AMIZADE, DESCANSA EM PAZ AMIGO.
Os Eleven Up

On the 26/12/11, after 14.700 km, one wonderful trip was marked by a disgrace. At the kilometer 40, from the A1 in Tunisia, from Sfax to Tunis our Friend JOSÉ LUIS CARVALHO lost is life in an accident. One metallic grid with about 10 meters long, in the middle of the road and the rain that was falling made that 4 of us, lost the control of the bikes, unfortunately our Friend was not so lucky as the rest and lost the control of the bike, and the accident was fatal.
For all Family the Eleven Up, send our deep condolences. To all friends who as being following us on this trip, we ask to to respect together with us this moment of pain.
JOSÉ LUÍS CARVALHO, THANKS FOR YOUR FRIENDSHIP, REST IN PEACE OUR FRIEND
The Eleven Up
http://11-up.blogspot.com/2011/12/jose-luis-carvalho.html

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Artes moçambicanas de luto. Bertina Lopes morreu e foi sepultada em Itália


Maputo (Canalmoz) - Faleceu na madrugada da passada sexta-feira, em Roma, Itália, Bertina Lopes, pintora e escultora moçambicana. Fez os seus estudos em Belas-Artes em Lisboa e, mais tarde, em Roma, onde vivia radicada há cerca de 40 anos.
A artista nas suas obras mostra preocupações sócio-políticas através de uma forte expressividade, influenciada pelo contacto com a poesia de Noémia de Sousa e de José Craveirinha. Na fase inicial da sua carreira, regista em sua tela intitulada «Mafalala» um cenário sombrio, representando a dor do povo moçambicano que teve sua identidade esfacelada pelo processo de colonização. Para o efeito, serviu-se da pintura para prestar a sua contribuição no fortalecimento da consciência patriótica e nacionalista dos seus concidadãos, refere o Ministério do Ministério em comunicado de imprensa enviando à nossa redacção.
Os amigos tratavam-na carinhosamente por Mama B, porque viam nela corporizado o mito e a essência do ser colectivo; uma figura exemplar a seguir pelas novas gerações, sobretudo como fonte de inspiração nos nossos esforços de reconstrução e desenvolvimento nacional. Ela participou em várias exposições, em Portugal, Itália, Luxemburgo, Espanha, Moçambique, Angola, Cabo Verde, Estados Unidos, Brasil, Arábia Saudita, ex-União Soviética, Grécia, de entre outros países.
Ao longo da sua carreira, Bertina Lopes foi sido alvo de numerosos estudos e análises sobre o seu trabalho artístico, facto que prestigia e engrandece as artes plásticas e a escultura do nosso país na arena internacional. Pela expressividade e mensagem das suas obras, ela recebeu vários prémios e títulos dos quais se destacam: o 1.º Prémio de Pintura Internacional do Centro Internacional para a Arte e Cultura Mediterrânea (1975); o Grande Prémio de Honra da União Europeia da Crítica de Arte (1988); o Prémio Mundial Carson da Fundação Rachel Carson, em Nova Iorque (1991); o Prémio internacional de arte “La Piejade” (1992), em Roma; e o título de Comendadora de Arte entregue pelo Presidente da República portuguesa, Mário Soares, em 1993, no período em que ela exercia as funções de conselheira cultural na Embaixada de Moçambique, em Itália. (Redacção)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

JAZZ EM LUANDA DIA 11 DE FEVEREIRO


QUARTETO AMERICANO ABRILHANTA NOITE DE JAZZ EM LUANDA
Dennis Luxion e Michael Raynor dia 11 de Fevereiro às 19h30

Câmara de Comércio E.U.A. - Angola contactus@us-angola.org

O quarteto musical americano Dennis Luxion/Michael Raynor de Chicaco, Illinois, apresenta uma noite de jazz no sábado, 11 de Fevereiro de 2012, às 19h30, no Jango Veleiro, na Ilha de Luanda. O grupo, que visita Luanda a convite da Embaixada dos Estados Unidos da América em Angola, toca “hard-swinging jazz” e foi constituído para criar música que abrange um ampla gama de estilos com base na tradição do jazz.

O legado do lendário saxofonista tenor de Chicago, Von Freeman, tem particular influência no estilo expressivo do grupo. De explorações introspectivas a solo a uma poderosa dinâmica de grupo, as actuações do Quarteto Dennis Luxion/Michael Raynor abarcam a amplitude da expressão humana. Os seus integrantes gostam de partilhar a sua música com as diversas audiências e colaborar com músicos locais durante as suas digressões pelo mundo.

As entradas são livres e todos os amantes da música, em particular os do jazz, estão convidados a marcar presença.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Cuba. Biografia de Fidel Castro lançada em Havana


Pretória (Canalmoz) – De autoria da escritora e jornalista cubana, Katiuska Blanco, foi lançada em Havana sábado último a biografia de Fidel Castro. Trata-se da primeira parte de uma obra em dois volumes, intitulada, “Fidel Castro Ruz – Guerrilheiro do Tempo”, com cerca de 1.000 páginas. Nos primeiros dois volumes, a autora fala da infância de Castro, terminando em Dezembro de 1958, nas vésperas do triunfo do movimento guerrilheiro que derrubou o ditador Fulgêncio Batista.
Falando durante a cerimónia de lançamento da obra, a autora referiu-se a Castro como pessoa de “espírito romântico e eminentemente prático”. (Redacção)
Imagem: Castro, ladeado da autora, Katiuska Blanco, no lançamento do livro “Fidel Castro Ruz - Guerrilheiro do Tempo”. (Cubadebate)

Bonga recebe prémio em França


O músico angolano José Adelino Barceló de Carvalho “Bonga” foi agraciado este fim-de-semana, em Paris, França, com o prémio “Vozes das rotas africanas”, atribuído pela associação CIME e a promotora BGS.
Em declarações à Angop por telefone a partir de Lisboa, Bonga dedicou a distinção ao povo angolano, o qual considerou o grande inspirador para que as suas canções tenham sucesso em Angola, em África e noutras partes do mundo.

Bengo é considerado embaixador da música angolana. Já foi galardoado internacionalmente com vários prémios ao nível da música, assim como recebeu discos de ouro e de platina, além de actuar em importantes palcos mundiais.

Em 40 anos de carreira, Bonga tem igual número de discos, sendo “Angola 72” o seu primeiro; “Angola-74”, “Raízes”, “Kandandu”, “Sentimentos” ,“Bairro” e “Hora Kota” o último.
http://www.rna.ao/radiofm/noticias.cgi?ID=53779

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Fotógrafo moçambicano expõe na Holanda





Maputo (Canalmoz) - A Galerie 23, no coração de Amesterdão, apresenta desde 22 de Janeiro “Grooves of my Soul”, uma exposição fotográfica da autoria do fotógrafo moçambicano Emídio Josine. A exposição comporta 20 fotografias a cores e a preto e branco, que traçam o percurso deste jovem artista.
A mostra fotográfica, uma homenagem a Ricardo Rangel, falecido ícone do fotojornalismo moçambicano, tem por objectivo principal mostrar Moçambique no mundo, mas também fazer uma comparação do contexto sócio cultural entre África e Europa no que se refere ao estilo de vida, às liberdades individuais, ao trabalho e às diversas formas de expressão.
Josine mostrou-se bastante satisfeito em mostrar o seu país além fronteiras e encontra-se optimista em relação a projectos futuros, visto que o seu trabalho foi bem recebido e teve uma nota positiva do público holandês, mas também de vários moçambicanos que residem em Amesterdão.
“Espero continuar a difundir a nossa arte, cultura e a maneira de ser e dentro dos possíveis viajar por vários países de modo a colher várias experiências”, afirma o artista que se encontra em Amesterdão a estudar Cinema na ‘Rietveld Academie’.
“Emídio regista o que lhe chama atenção no seu quotidiano de uma forma espectacular. Ele junta nas suas imagens a arte e o modo de vida dos povos, descobrindo detalhes de várias sociedades. Com o seu olhar, junta vários saberes e conhecimentos. Numa primeira fase apenas em Moçambique e numa fase posterior na Europa. As suas fotos conseguem chamar à atenção para as diferenças socio-culturais. É como se estivesse introduzindo um elemento de ficção nas suas fotos”, referiu Rob Perrée, crítico na Imprensa holandesa.
Ainda segundo Perrée, estamos perante um belo documentário em que se nota claramente a relação entre o fotógrafo e o meio que o rodeia. “Embora Emídio não esteja ciente, vejo também semelhanças com dois fotógrafos americanos Robert Frank e Eugene W.Smith”, sublinha o jornalista holandês.
As fotografias captadas em Chibuto, Maciene e Marracuene (Moçambique), Colónia e Munique (Alemanha) e Amesterdão (Holanda) mostram o género fotográfico documentário uma marca da grande influência de Ricardo Rangel (1924-2009) e do fotojornalismo de reportagem clássica das décadas de 60 e 70. (Ismael Miquidade/ Redacção)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Adelino Timóteo vence Prémio BCI de Literatura 2011



Maputo (Canalmoz) - O escritor e jornalista do Canal de Moçambique, Adelino Timóteo, venceu o prémio literário BCI, com uma compensação monetária de 200 mil meticais. Timóteo concorreu com a obra poética “Dos Frutos do Amor e Desamores até à Partida” que foi distinguindo como a melhor obra editada em Moçambique por um autor moçambicano em 2011.
“Dos Frutos do Amor e Desamores até à Partida” é uma obra poética de 48 páginas com um valor estético-literário pautado por um lirismo grego-latino, um lirismo clássico de Luis Vaz de Camões.
O Presidente do Júri, Ungulani Ba ka Khosa justificou a distinção da obra dizendo que nela “o autor manter acesa a prosa poética no meio literário nacional, não muito explorado no país. A obra vencedora sustenta de forma particularmente sublime na fértil imaginação que vem guiando a escrita do autor, e espera-se que esta obra sirva de catalisador da escrita (imaginativa e crítica) e leitura do género, cuja afirmação, outrora exuberante, tende a “apagar-se” no espaço literário moçambicano.
O Prémio BCI de Literatura 2011, no valor de 200.000 Meticais, foi entregue pelo Administrador do BCI, José Rodrigues, ao representante do escritor Adelino Timóteo que se encontra neste momento fora do País. A cerimónia decorreu na Mediateca BCI e foi dirigida pelo Secretário-Geral da AEMO, Jorge Oliveira. Assistiram ao acto muitos dos mais conceituados escritores moçambicanos, assim como responsáveis pelas maiores editoras do País. (Redacção)

domingo, 29 de janeiro de 2012

Leila Lopes pede 50 mil dólares para desfilar no carnaval carioca


Brasil - A escola de Samba Unidos de Vila Isabel descartou a presença da Miss Universo, a angolana Leila Lopes, do desfile de Carnaval do Rio de Janeiro de 2012 por esta ter exigido o pagamento de 50 mil dólares, viagem e hospedagem em hotel de cinco estrelas para ela, dois seguranças, um assessor e o empresário.

Fonte: A Bola Club.k-net

Leila Lopes foi pessoalmente convidada pelo padrinho da escola, o famoso cantor brasileiro Martinho da Vila, pelo facto do tema ser, este ano, Angola. «Você semba lá... que eu sambo cá. O canto livre de Angola» é o tema do desfile, que foi acordado com o Ministério da Cultura de Angola.

Mas a organização do concursso Miss Universo, que gerencia a carreira de Leila, mandou avisar que ela só vem mediante pagamento de 50 mil dólares. Ou melhor, pagamento, mais hospedagem em hotel cinco estrelas, mais passagem aérea para ela, dois seguranças, um assessor e o seu empresário.

Segundo a Ego, publicação brasileira de celebridades, a exigencia foi comunicada pela Organização Miss Universo, o que desagradou à escola e levou a que descartassem de imediato a presença da angolana.

«Aqui na Vila Isabel só se desfila por amor. Não pagamos nem recebemos de ninguém. Com 50 mil dólares fazemos uma ala inteira para a comunidade. Logo, deixou de ser uma situação que nos interesse», disse Wilson da Silva Alves, presidente da escola, revelando ainda que está já à procura de uma outra diva.

O caso está a levantar alguma polémica porque todos se lembram que Leila Lopes já desfilou no Carnaval do Rio de Janeiro pela Escola Unidos da Tijuca quando era ainda apenas uma modelo. E, segundo a Ego, desfilou de graça. Por outro lado, todos esperavam um sim incondicional e voluntário da angolana por ser o seu País o tema do desfile da escola, na provavelmente mais mediática campanha de sempre de promoção do País a nível mundial, com o desfile a ser acompanhado por muitos milhões de pessoas.

Há também quem defenda Leila Lopes, dizendo que a angolana tem de se sujeitar às regras e à máquina da Organização Miss Universo e que os dias de hoje não se compadecem com voluntarismos.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O aniversário do rei Eusébio


Maputo (Canalmoz) - A nação portuguesa curva-se hoje para celebrar os setenta anos do rei Eusébio. “Pantera Negra” ou Eusébio da Silva Ferreira, completa hoje 70 anos de idade e já lá vão boas dezenas de anos que não entra num relvado para jogar à bola como profissional, mas ninguém o esquece por aquilo que fez enquanto atleta do desporto rei.
O menino nascido no pobre bairro de Mafalala, na cidade de Lourenço Marques (hoje Maputo) a 25 de Janeiro de 1942, atingiu o topo de futebol mundial. Por ter nascido e jogado no período colonial, Eusébio nunca representou a selecção moçambicana, sendo por isso considerado futebolista português, a ex-potência colonizadora de Moçambique.
Hoje é considerado um dos melhores jogadores de sempre da história pela IFFHS (Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol), por especialistas e fãs.
Eusébio ajudou a Selecção Nacional Portuguesa a alcançar o terceiro lugar no Campeonato do Mundo de 1966, tendo sido o maior marcador da competição (recebeu a Bota de Ouro), com nove golos (seis dos quais foram marcados em Goodison Park)
Ganhou a Bola de Ouro em 1965 e ficou em segundo lugar na atribuição da mesma em 1962 e 1966.
Eusébio começou por ser jogador do Sporting de Lourenço Marques. Jogou pelo Benfica 15 dos seus 22 anos como jogador de futebol, sendo associado principalmente ao clube português. É o melhor marcador de sempre do Benfica, com 638 golos em 614 jogos oficiais.
No Benfica ganhou 11 Campeonatos Nacionais (1960-1961, 1962-1963, 1963-1964, 1964-1965, 1966-1967, 1967-1968, 1968-1969, 1970-1971, 1971-1972, 1972-1973 e 1974-1975), 5 Taças de Portugal (1961-1962, 1963-1964, 1968-1969, 1969-1970 e 1971-1972), 1 Taça dos Campeões Europeus (1961-1962) e ajudou a alcançar mais três finais da Taça dos Campeões Europeus (1962-1963, 1964-1965 e 1967-1968). Foi o maior marcador da Taça dos Campeões Europeus em 1965, 1966 e 1968. Ganhou ainda a Bola de Prata sete vezes (recorde nacional) em 1964, 1965, 1966, 1967, 1968, 1970 e 1973.
Foi o primeiro jogador a ganhar a Bota de Ouro, em 1968, façanha que mais tarde repetiu em 1973.
Apelidado de “O Pantera Negra”, “A Pérola Negra” ou “O Rei” em Portugal, Eusébio marcou nos jogos todos que efectuou pelo Benfica e pela selecção portuguesa, 733 golos em 745 jogos oficiais na sua carreira.
Era conhecido pela sua velocidade e pelo seu poderoso remate preciso de pé direito, tornando-o num excelente goleador prolífico.
É considerado o melhor futebolista de sempre do Benfica e de Portugal e um dos primeiros avançados de classe mundial africanos.
Hoje Portugal e um pouco por todo o mundo lusófono vão prestar homenagem ao rei… da bola. Faz 70 anos. (Redacção)

Azagaia a caminho da Noruega


Maputo (Canalmoz) – O rapper Azagaia tem sido o orador, participante ou convidado para actuar em sessões que englobem discussões à volta da arte de cantar, questões sociais e políticas. Azagaia tem sido um exemplo vivo de uma voz que não se cala diante de injustiças. Depois de muitas viagens por si feitas pelo mundo, agora Azagaia vai a Noruega na primeira semana de Fevereiro a convite da organização “The Norwegian Council for Africa”, por lá o músico vai realizar um concerto e participar num seminário sobre África e políticas. O concerto terá a participação da campeã nacional norueguesa de declamação de poesia, Sarah Osmundsen, e o seminário contará com a presença de professores de media, comunicação, jornalistas e pesquisadores daquele país.
Em estúdio já a preparar seu novo trabalho discográfico “Cubaliwa”, que será lançado ainda este ano Azagaia tem sempre o que partilhar, tem sempre o que dizer quando o assunto é para falar pelos oprimidos. (Linda José)
Imagem: "A Marcha" faz parte do primeiro registo musical de Azagaia, ...
kafekultura.blogspot.com


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

As 10 profissões mais estressantes


Muitas pessoas devem pensam que o seu próprio emprego é o mais estressante que existe. Mas uma nova pesquisa mostra quais realmente são os 10 empregos que geram mais estresse, indo de serviços militares até bombeiros.
A lista foi feita este ano pelo site CareerCast.com. Não é nenhuma surpresa que os cinco postos de trabalho mais estressantes são os que envolvem grandes perigos.
Confira a lista abaixo com as 10 profissões mais estressantes:
1. Soldados;
2. Bombeiros;
3. Pilotos de avião;
4. Generais militares;
5. Policiais;
6. Coordenadores de eventos;
7. Relações públicas executivas;
8. Executivos em empresas;
9. Fotojornalistas;
10. Motoristas de táxi.
No extremo oposto, os trabalhos que são muito pouco estressantes incluem joalheiros, cabeleireiros, costureiros, alfaiates e técnicos em laboratórios médicos.
Se você está buscando evitar o estresse no local de trabalho, Tony Lee, do CareerCast.com, lembra que há uma abundância de opções atraentes.
“O trabalho mais estressante de 2012 paga quase o mesmo que o trabalho menos estressante, e os empregos de baixa tensão são os que acontecem em ambientes confortáveis”, Lee disse. “Os empregos de alta tensão não compartilham desse benefício.”
A pesquisa anual com 200 profissões diferentes leva em consideração o ambiente de trabalho, emprego, competitividade e risco. [LiveScience, Foto]
http://hypescience.com/as-10-profissoes-mais-estressantes/
Hypescience

domingo, 22 de janeiro de 2012

Entrevista com professora literária Simone Schimidt


Luanda - “ANGOLA TEM UMA LITERATURA MUITO PRÓDIGA EM MATÉRIA DE AUTORES”, Segundo à professora Simone Schimidt, do departamento de línguas e literaturas vernáculas, nos cursos de pós graduação em literaturas, da Universidade Federal de Santa Catariana, na República Federativa do Brasil.

* Cláudio Fortuna
Fonte: Semanário Angolense Club.k-net

SA - Professora sei que tem estado muito ocupada à trabalhar na recolha de alguns estudos sobre a nossa literatura, gostaríamos que nos fizesse uma apresentação dos objectivos e o que está a trabalhar em concreto?
Simone Schimidt - Estou trabalhando com as representações de gênero e raça nas literaturas africanas de língua portuguesa, particularmente nas literaturas angolana, moçambicana e caboverdiana. Meu enfoque, em primeiro lugar, incide sobre os modos de construção, nessas literaturas, de um pensamento acerca do problemático conceito de “raça”, buscando compreender de que modo os discursos e percepções sobre essa questão atuaram na formação de um pensamento anticolonial, e também como ele se manifesta hoje, em sociedades pós-coloniais que (re)elaboram constantemente suas respostas aos problemas de identidade (nacional, cultural, subjetiva, etc.). Num segundo momento, interessa-me particularmente investigar como as mulheres, como sujeitos e objetos de representação, tomaram parte desse debate sobre o que chamo de 'elaboração de um discurso sobre as questões raciais' nos países africanos. Nesse sentido, interessa-me a intersecção das categorias de gênero e raça, buscando examinar os modos como se traduziram tais categorias, em termos de experiência representada na literatura, em textos de autoria feminina e/ou em textos onde as relações de gênero e raça têm relevância na economia narrativa.
Além dessa pesquisa que venho desenvolvendo, dedico-me, no momento, a ministrar, juntamente com a supervisora de meu pós-doutorado na Universidade Federal Fluminense, Professora Laura Cavalcante Padilha, um curso sobre memórias de guerras por vozes femininas, que dá continuidade a um trabalho que há tempo vem sendo desenvolvido por um grupo de pesquisadores (dentre os quais se inclui a professora Laura) sobre o motivo da guerra nas literaturas africanas. Trata-se de um momento muito especial em minha carreira, pois desfruto do privilégio de compartilhar pesquisa e docência com uma figura admirável, em todos os sentidos, como é a professora Laura Padilha. O curso que estamos ministrando aborda o tema da guerra, no âmbito do colonialismo português e de seus desdobramentos históricos, a partir do ponto de vista das mulheres. Através da leitura de textos portugueses e africanos de autoria feminina, propomos um jogo de espelhamentos entre estas diferentes representações, discutindo temas como memória, violência e trauma.

Enquanto professor(a), como é que avalia as literaturas africanas neste momento?
As literaturas africanas vêm conquistando atenção e prestígio crescentes no sistema literário de língua portuguesa. Até muito recentemente, apenas os especialistas conheciam e admiravam a produção literária de países como Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe. Hoje essas literaturas começam a ganhar mais relevância, a se difundir para fora do círculo restrito da academia, e a conquistar um público leitor efetivo. O que mais cativa esse novo público, creio, é a vitalidade, a força, a profunda vinculação com a experiência humana que essas literaturas trazem para seus leitores. Quando apresento os autores africanos aos meus alunos no Brasil, eles costumam se emocionar, e afirmam ter encontrado uma literatura capaz de lhes falar mais de perto, estabelecendo importantes laços de identidade com sua vivência pessoal. E a isso se acrescenta um apurado trabalho de criação na linguagem, que instiga o leitor mais exigente.

Todo esse processo de ampliação do público leitor das literaturas africanas no universo da língua portuguesa produz um efeito muito positivo, que é o de dar a conhecer aos seus contemporâneos, dos mais diversos lugares, um pouco das culturas dos países africanos, o registro literário de suas vivências e de sua experiência histórica, além, é claro, de oferecer aos leitores a fruição de textos de grande qualidade estética.

Qual o lugar da literatura angolana no âmbito das literaturas produzidas nos países africanos onde se fala a língua portuguesa?
Um lugar de destaque, sem dúvida. Desde os tempos da luta de libertação (tomando este importante momento da história angolana como um marco significativo no impulso à produção literária), autores da importância de António Jacinto, Viriato da Cruz, Luandino Vieira, Pepetela, Manuel Rui, Boaventura Cardoso, e tantos outros, chamaram a atenção de leitores de vários países para o drama então vivido pelos angolanos, através de uma literatura pujante e de altíssima qualidade, que em muito ultrapassava o mero relato da experiência política, embora também fossem, é evidente, relatos movidos pela vontade política de mudança e de liberdade. Mas como disse, ultrapassavam a contingência do momento vivido, e serviram como uma espécie de modelo para as demais literaturas africanas; é comum vermos, por exemplo, o relato de um autor como Mia Couto, que declara a influência que Luandino Vieira teve sobre sua escrita literária. Hoje, num outro momento histórico, encontramos em autores mais recentes uma literatura que é sem dúvida herdeira dessa tradição de bons narradores e poetas angolanos, tradição essa que remonta, como sabemos, a períodos muito anteriores à independência.

Gostaríamos, que estabelecesse uma relação entre as literaturas africanas produzidas em língua portuguesa e as outras veiculadas em francês e inglês.
É sabido que as literaturas africanas de línguas francesa e inglesa possuem uma tradição mais consolidada, se comparadas às literaturas de língua portuguesa, em termos de produção e recepção de seus textos, e possuem uma quantidade muito grande de autores, muitos deles consagrados junto ao público europeu e norte-americano. Contudo, é difícil estabelecer a comparação que me pede. Para tanto, seria preciso um domínio do corpus literário de cada uma dessas literaturas que eu, francamente, não possuo. Meu território, vamos dizer assim, tem sido o da língua portuguesa, e é dentro dele que me sinto razoavelmente confortável para emitir algumas opiniões, com base nas leituras e reflexões que tenho feito ao longo desses anos em que venho lecionando e pesquisando sobre essas literaturas.

Pode-se falar de angolanidade na literatura de Angola? Em que medida se pode falar desta matriz e o que é isto de angolanidade?
Respondo às duas questões em conjunto. Creio que a reivindicação de uma 'angolanidade' à literatura angolana esteve muito ligada ao programa político de independência nacional. Não se pode discutir esse tema sem vinculá-lo estreitamente ao contexto histórico pós-independência, quando a construção de uma identidade nacional mobilizava todos os sujeitos da nação, especialmente os escritores, que haviam tomado parte ativa na luta anticolonial e ocupavam posições de destaque no novo governo. Hoje, contudo, percebo um certo anacronismo nesta discussão, já que o momento histórico é outro. Vivemos, em termos gerais, um momento de blocos internacionais, de redes transnacionais, onde se indagam identidades, pertencimentos e os muitos deslocamentos que a conjuntura globalizada nos impõe. Além disso, considero que a ênfase na afirmação de uma identidade nacional pode ser bastante nefasta para uma literatura; há muito mais para se compreender nas admiráveis experiências humanas registradas na literatura angolana do que se elas são “autenticamente” angolanas ou não. Embora a ideia de nação exerça ainda um forte apelo sobre todos nós, e em grande parte de nossas vidas precisamos nos sentir 'pertencendo' a um lugar, a uma comunidade, a uma nação, creio que, em alguns momentos da cultura de um país, o nacionalismo pode ser bastante problemático. O grande pensador palestino Edward Said identificava, no imperialismo europeu e nos nacionalismos do então chamado 'terceiro mundo', duas forças conservadoras que se alimentavam reciprocamente.

Quais são os escritores angolanos com projeção internacional e por quê?
Há basicamente dois tipos de reconhecimento internacional. O primeiro deles é de natureza acadêmica, que atua na formação de leitores, na consolidação de uma crítica literária, na definição do que seria, digamos, o corpus de autores angolanos a conhecer, ler e estudar. No âmbito deste tipo de reconhecimento, encontram-se escritores angolanos que têm sido fortemente prestigiados por círculos cada vez maiores de leitores, como é o caso, por exemplo, de Luandino Vieira, Pepetela, Manuel Rui, Boaventura Cardoso, Ana Paula Tavares, Arlindo Barbeitos, Ruy Duarte de Carvalho. Outra modalidade de projeção internacional se deve mais à atuação do mercado editorial, com suas estratégias de grande alcance midiático, que ampliam o público leitor, alargando suas fronteiras. É o caso de autores mais recentes, que têm se beneficiado grandemente dessas formas de contato com o público, movendo-se com desenvoltura na mídia e em outras formas de diálogo direto com os leitores, tais como debates, eventos literários, espaço virtual, etc. São autores que vêm conquistando um público leitor mais amplo, e não necessariamente especializado. Dentre esses autores, eu destacaria, por exemplo, Ondjaki, José Eduardo Agualusa, João Melo. É importante enfatizar que não há nesta divisão 'didática' que traço, nenhum julgamento de valor: o fato de um autor ser mais divulgado pelo mercado editorial, ou de outro ser mais restrito ao ambiente acadêmico, não implica maior ou menor qualidade do trabalho artístico de um ou de outro. Não sou, absolutamente, uma purista neste aspecto. Acredito firmemente que há excelentes textos literários com boa circulação editorial e divulgação na mídia, assim como pode ocorrer a 'canonização', via academia e a crítica literária especializada, de textos e autores nem sempre relevantes. Cabe ainda destacar que a divisão que apontei sinaliza apenas uma tendência, mas não se trata de uma divisão estanque. Na verdade, pelo menos no Brasil, hoje, se verifica uma forte tendência a 'misturar' esses dois lados da divulgação dos autores; felizmente (pois quem ganha com isso sem dúvida é o leitor), os escritores consagrados pela academia circulam cada vez mais no meio editorial e na mídia, assim como os autores que já surgiram sob os auspícios das estratégias mercadológicas de divulgação de suas obras, têm sido lidos de forma crescente pela academia, o que considero extremamente saudável do ponto de vista cultural.

Alguns estudiosos das literaturas africanas, dizem que a literatura angolana ocupa um espaço privilegiado no conjunto das outras literaturas dos PALOP, concorda?
Sim, acredito que a literatura angolana ocupa um lugar de bastante destaque dentre as literaturas de língua portuguesa. Isso se deve, ao meu ver, a uma tradição literária que já se pode considerar bastante implantada em Angola, e também a uma quantidade expressiva de bons autores, que circulam internacionalmente. Eu não ousaria fazer comparações do tipo “este país tem muito maior destaque em sua literatura do que aquele”, mas acredito, sim, no caráter referencial que a literatura angolana assume contemporaneamente perante os demais países de língua portuguesa.

Em seu entender, como é que é possível ocupar esse lugar, quando há uma critica literária angolana bastante incipiente?
Trata-se de uma literatura muito pródiga em autores, e isso faz com que dialogue vivamente com a crítica de outros países, como é o caso do Brasil. As redes de contato e as constantes trocas culturais que se dão entre os escritores angolanos e os críticos e estudiosos brasileiros são, como se sabe, intensas e muito ricas. Além disso, a crítica literária voltada para as literaturas africanas de língua portuguesa não tem cessado de crescer em muitos outros países, o que permite que o diálogo da literatura angolana com seus estudiosos tenha um caráter transnacional muito interessante.

Para terminar, gostaríamos de ouvir que conselho daria aos estudantes angolanos que pretendem aderir à crítica e aos estudos das literaturas africanas?
Que se dediquem a ler seus autores com atenção e respeito por seu admirável trabalho. Que desfrutem do privilégio de possuírem uma literatura de grande qualidade, mantendo, contudo, um diálogo permanente com aquilo que está sendo produzido e discutido fora de seu país. Este parece ser um bom conselho: que não percam de vista os valores e a riqueza daquilo que pertence ao seu país, à sua cultura, mas que também não se restrinjam a isso, ou seja, que não se deixem jamais enclausurar dentro de sua própria experiência cultural e histórica.

sábado, 21 de janeiro de 2012

O que foi a revolta das cem flores? como que aconteceu e por quê?


Introdução
O movimento das Cem Flores (minfang yundong) refere-se ao período do início de 1956 até meado de 1957, quando o Partido Comunista Chinês (PCC) permitiu a liberdade de expressão, deixando “as Cem Flores desabrocharem e as Cem Escolas rivalizarem”.
O movimento é considerado como um período chave na história da República Popular. No início de 1956, para consolidar as conquistas socialistas, Mao iniciou um período de “relaxamento” para os intelectuais. E em fevereiro de 1956, no XX Congresso do PCUS, Khrushchev denunciou os atos tirânicos de Stalin, o que obrigou os dirigentes comunistas a reconhecerem os erros do stalinismo, alimentando assim, a esperança dos intelectuais de que o regime retificaria o seu “estilo de trabalho” e reformaria o sistema socialista. Sem dúvida, as crises políticas e ideológicas do bloco soviético, sobretudo as revoltas populares na Polônia e Hungria serviram como elemento catalizador para as manifestações intelectuais na China.

Joao de Deus. http://br.answers.yahoo.com/activity?show=ixwHlSl8aa

O Partido resolveu lançar, no fim de abril de 1957, a Campanha de Retificação (zhengfeng yundong), convidando os intelectuais a criticarem livremente o governo. Os manifestantes, sobretudo, os estudantes não se limitaram aos discursos oficiais, mobilizaram-se para reivindicar a “liberdade” e a “democracia”, desafiando assim, os projetos autoritários e paternalistas do Partido. Em conseqüência, a Campanha de Retificação transformou-se numa Campanha Anti-direitista (fanyou yundong)— uma grande repressão aos manifestantes. O efêmero desabrochar das Cem Flores deixou marcas profundas na futura relação Estado-intelectual.

As críticas dos intelectuais e dos democratas foram: a dominação e o comando arbitrário do partido; a falta de proteção aos direitos individuais; a opressão da polícia política; as “três pragas” (o burocratismo, o dogmatismo e o sectarismo); a megalomania; a busca do sucesso rápido; o desprezo pela história e pela tradição; o culto à personalidade; a imitação cega da União Soviética; a falta da democracia; a falta da liberdade de expressão; a proibição das ciências sociais; a censura; o servilismo.
As reivindicações foram: o Estado de direito; a liberdade de informação; o equilíbrio do poder; o multipartidarismo; a indenização para os empresários; a autonomia dos intelectuais; a liberação dos cursos “burgueses” (como a sociologia, a ciência política, o direito, antropologia, entre outros); a tolerância ideológica; a liberdade de expressão e a emancipação do indivíduo.
As principais reivindicações dos estudantes também foram a democracia e Estado de direito. Os alunos argumentavam que o espírito do socialismo era igualdade, democracia e liberdade, sem as quais não haveria socialismo; reivindicavam a eleição direta; defendiam o sistema socialista porém queriam melhorar a vida política e cultural do país; Elogiavam a decisão do presidente Mao por lançar a Campanha de Retificação, como esforço para evitar que o “fogo húngaro” incendiasse a China; criticavam o culto à personalidade e o “obscurantismo”; combatiam a nova classe, isto é, uma camada dos quadros burocratas que abusava do poder e agia contra os verdadeiros princípios do socialismo; lutavam pela emancipação do indivíduo e pela liberdade do pensamento.
Em geral, as críticas e as reivindicações ainda são pertinentes nos dias de hoje, na media em que a questão do socialismo, do Estado de direito e da democracia ainda desafia o governo chinês.

Conclusão
Como um movimento social, as Cem Flores foram marcadas pela precocidade. Em primeiro lugar, o regime comunista ainda era jovem e as vitorias heróicas da revolução e da Guerra da Coréia proporcionaram grande prestígio ao Partido Comunista. Apesar das crises internacionais e das dificuldades econômicas internas, na época, o projeto socialista ainda não tinha perdido seu apelo, e a população depositava grandes esperanças nos comunistas.
Em segundo lugar, embora numerosos, os protestos eram fenômenos essencialmente do meio intelectual. Os manifestantes, sobretudo, estudantes, professores, democratas, profissionais, funcionários, até alguns quadros do Partido, apontaram os problemas do regime e reivindicaram a democracia e a emancipação do indivíduo. Mas esses conceitos abstratos tinham pouca relevância para a grande massa iletrada. A maioria da população não participou das manifestações, e os protestos democráticos não conquistaram as simpatias dos operários e camponeses.
O próprio Partido também pagou um alto preço por ter ignorado as advertências precursoras. A irônica deusa da história freqüentemente coloca os opressores no lugar dos reprimidos. Muitos dirigentes do Partido, por sua vez, seriam queimados mais tarde pelo fogo da Revolução Cultural (1966-1969). Através dessas vicissitudes, a “velha guarda” finalmente aprendeu as lições, e começou a corrigir os erros e a reformar o sistema.
Podemos descrever o relacionamento entre o partido e os intelectuais como um ciclo da “repressão e relaxamento”. Mesmo cada ciclo s
Fonte(s):
www.rj.anpuh.org/
Imagem: Ilustração, retirada de um livro deensino primário, mostrando três membros da Guarda Vermelha. Wikipedia.




sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Lin Zhao


Lin Zhao ( Simplificado / Chinês Tradicional :林昭), nascida como Peng Lingzhao ( Simplificado / Chinês Tradicional :彭令昭) em Suzhou , 16 de dezembro de 1932 morreu em 29 de abril de 1968.
Foi uma francodissidentes durante o Movimento das Cem Flores, de 1957. Durante esse tempo, os intelectuais, como se foram encorajados a criticar o Partido Comunista da China , mas acabaram por ser punidos por isso.
Em outubro de 1960, Lin Zhao foi presa pela primeira vez em Suzhou por ser uma contra-revolucionária. Ela foi mais tarde condenada a 20 anos de prisão. Enquanto estava na prisão, ela já famosa escreveu centenas de páginas de comentários críticos sobre Mao Zedong usando seu próprio sangue. Ela foi executada em 1968.
A vida de Lin Zhao foi trazida à luz pelo documentarista Hu Jie, cujo documentário纪录片寻找林昭的灵魂(In Search Of Soul Lin Zhao) ganhou inúmeros prêmios e também apareceu em vários capítulos de Philip Pan 's livro de 2008, Out of Shadow Mao .
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Quem é Quem: Aline Frazão, cantora angolana


Lisboa - Aline Frazão nasceu e cresceu em Luanda (Angola) e vive actualmente em Santiago de Compostela, na Galiza. Pisou o palco pela primeira vez com 9 anos e desde essa altura teve a oportunidade de cantar vários estilos de música como fado, MPB, Jazz e música tradicional de Angola e Cabo-Verde.

Fonte: Facebook Club.k-net
Com 15 anos começou a escrever as primeiras canções, tocando a guitarra com influências que vinham do Brasil, em especial da bossa nova. Entre 2006 e 2009 conjugou a universidade em Lisboa com pequenas colaborações em diversos projectos de música e teatro. Na sua rota de viagem seguiu-se Barcelona, onde nasce o projecto “A minha embala”, cujo único álbum seria lançado dois anos mais tarde, em Junho de 2011. Mas foi em Madrid, cidade onde morou durante cerca de dois anos, que começou a fazer concertos acústicos a solo em bares e salas, interpretando versões de clássicos da música angolana, cabo-verdiana e brasileira, e também temas autorais.

Procurando unir duas paixões - viajar e cantar - Aline actuou em diversas cidades como Paris, Dublin, Lisboa, Luanda, Bruxelas, Londres e Buenos Aires. Depois de participar na edição de 2010 do Cantos na Maré, festival galego dedicado à lusofonia, a angolana decidiu mudar-se desta vez para a Santiago de Compostela e dedicar-se exclusivamente à música. Aí formou a banda que a acompanha actualmente: o contrabaixista cubano Jose Manuel Díaz e o percussionista galego Carlos Freire. Em Setembro de 2011, entrou em estúdio para gravar o seu primeiro disco.


“Clave Bantu” é uma produção independente que reúne um selecção de onze temas originais compostos pela angolana durante esses últimos quatro anos de viagens. Inclui ainda duas parcerias inéditas com dois escritores angolanos, José Eduardo Agualusa e Ondjaki. O disco, com arranjos de Aline e Jose Manuel Díaz, conta ainda com as participações especiais do multi-instrumentista brasileiro Sérgio Tannus e do trombonista português Rúben da Luz.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A Ilha do Conde de Monte Cristo


Exército de ratos invade a ilha de Montecristo, na Itália

Ilha, que tem apenas 10 km², é uma área protegida e considerada uma reserva natural biogenética

Um exército de ratos invadiu a ilha italiana de Montecristo, no arquipélago toscano, num ataque que nem mesmo o escritor francês Alexandre Dumas poderia ter imaginado na sua famosa obra "O conde de Monte Cristo", informou nesta sexta-feira o jornal Corriere della Sera. A ilha, que tem apenas 10 km², é uma área protegida e considerada uma reserva natural biogenética.

Os roedores chegaram ao local a bordo de navios e se reproduziram de maneira muito rápida. Segundo o jornal, existe um rato por metro quadrado na ilha que inspirou Dumas, o que pode ameaçar o ecossistema do local. Para solucionar o problema, as autoridades usarão um avião para jogar 27 toneladas de alimentos envenenados em Montecristo.

O método escolhido foi duramente criticado por associações a favor dos animais e pelo campeão de pesca submarina Carlo Gasparri, quem escreveu uma carta à Promotoria da capital da Toscana, Florença, na qual afirma que o veneno utilizado é contraproducente. "O produto é altamente tóxico para os organismos marinhos e pode provocar efeitos negativos no ambiente a longo prazo. Além disso, é uma substância que demora muito para desaparecer do ambiente", afirmou Gasparri.

O praticante de pesca submarina também disse que o veneno é um risco para os milhares de turistas que desembarcam em Montecristo no verão para uma visita guiada. Ele propõe que seja usado um veneno mais leve. Na ilha, onde vive um vigia com sua família, há uma vila do século XVIII, as ruínas de um antigo mosteiro e a gruta onde viveu no século V o Bispo de Palermo, São Maximiliano.

Terra
WSCOM Online

http://www.wscom.com.br/noticia/internacional/RATOS+INVADEM+ILHA+DE+MONTECRISTO-119152

sábado, 31 de dezembro de 2011

Lançado concurso literário TDM


Maputo (Canalmoz) - Foi lançado ontem, em Maputo, o concurso literário TDM 2012, um evento cultural que tem por objectivo incentivar a produção literária e estimular o gosto pela leitura.
Em conferência de imprensa para anunciar o concurso, o administrador delegado da TDM, Zainadin Dalsuco, disse que “para o ano de 2012 teremos três modalidades, nomeadamente Romance, Conto e Poesia, e a grande novidade é que até à última edição, o Romance era premiado com o valor de 100 mil meticais e as outras duas modalidades com 75 mil meticais, pelo que na presente edição o valor do Romance passará para 150 mil meticais e as outras duas para 100 mil meticais cada”, afirmou Zainadin Dalsuco. Acrescentaria que “adicionalmente aos prémios monetários, serão oferecidos aos vencedores um computador portátil a cada e ainda um pacote de banda larga, válido por três meses”.
Para o secretário-geral da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), Jorge Oliveira, a bienal literária “já tem o seu espaço e em todas as edições a nossa expectativa é de que mais autores adiram e que hajam bons e justos vencedores, pois não estamos perante bons prémios, e que tem ajudado a encontrar bons autores – que é o objectivo deste concurso”, concluiu Jorge Oliveira.
De referir que as obras premiadas serão publicadas, em livro, pela TDM que deterá, apenas para as primeiras edições, os direitos autorais.
As publicações não deverão ultrapassar os 1.000 exemplares por cada obra premiada, sendo que 200 exemplares serão destinados ao autor, 100 à empresa TDM, enquanto os restantes 700 exemplares serão oferecidos a diferentes instituições de ensino e bibliotecas previamente seleccionadas em todas as 11 províncias do país.
(FDS)
Imagem: ... prémios do Concurso Literário TDM-2010, sendo um na modalidade de conto, ...
noticias.sapo.mz

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

China: dissidente Chen Wei condenado a 9 anos de prisão. Escritor apelou à «revolução de jasmim»


Um tribunal do sudoeste da China condenou o dissidente e escritor Chen Wei a nove anos de prisão por «incitação à subversão do poder de Estado», informou a defesa.

Chen foi interpelado pela polícia em Fevereiro, no contexto do reforço da repressão contra os opositores ao regime comunista, na sequência de uma série de apelos à «revolução de jasmim», inspirada nos movimentos pró-democracia dos países árabes.

«Ele é inocente. Criticou o Partido [Comunista Chinês], o que nenhuma lei proíbe», declarou Zheng Jianwei, um dos advogados de defesa do dissidente, citado pela AFP.
http://www.tvi24.iol.pt/internacional/china-chen-wei-dissidente-revolucao-de-jasmim-tvi24/1311295-4073.html
Imagem: Em 2008, Liu aparece em frente ao túmulo do dissidente Bao Zunxin, ..
www1.folha.uol.com.br

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Nancy Vieira já está em Maputo


Maputo (Canalmoz) - A cantora cabo-verdiana Nancy Vieira já está em Maputo, para um concerto único a ter lugar amanhã no Centro Cultural da UEM. Trata-se de um show enquadrado no programa Verão Amarelo da mcel, numa produção da Big Brother Entretenimento.
Em conferência de imprensa, que teve lugar na manhã de ontem, numa das estâncias turísticas da capital, Nancy introduziu-se ao público moçambicano, tendo referido que é primeira vez que vem a Moçambique e sentiu hospitalidade e calor humano que caracteriza o povo moçambicano, ou simplesmente “morabeza”, como ela fez questão de nos caracterizar.
Na noite de amanhã, em sessão de gala no Centro Cultural da UEM, Nancy Vieira disse que vai lançar o seu mais recente álbum, “No Amá”, expressão que em língua crioula e literalmente traduzido para português é o mesmo que “amemo-nos”.
Esta jovem cantora de dócil voz vai-se fazer acompanhar por quatro instrumentistas, com destaque para o moçambicano residente em Portugal, Costa Neto, que também já está no solo pátrio.
“O meu disco “No Amá” é composto por doze temas, todos em crioulo, todos especiais para mim, porque fala de amor e todos resultam de uma selecção que não foi fácil de fazer”, disse Nancy para depois acrescentar que “o tema “No Amá” é de Teófilo Chantre e é um apelo bonito. “Esta música fala sobre um romance, mas aproveitei para deixar um apelo ao amor no sentido mais abrangente, a todas as formas de amar”, concluiu.
Zófimo Muiuane, em representação da mcel, disse que “a operadora que põe os 128 distritos a comunicar não podia ficar alheia a esta aparição, porque é filosofia da mcel apoiar a cultura nacional e internacional”. (FDS)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Cabo Verde de luto. Funeral de Cesária Évora é amanhã


A diva do amor cabo-verdiana Cesária Évora morreu sábado aos 70 anos na cidade de Mindelo devido a complicações respiratórias
Pretória (Canalmoz) – A cantora cabo-verdiana Cesária Évora será sepultada amanhã no Mindelo, sua terra natal. A Diva dos pés descalços vai continuar em câmara fria até às 07h00 do dia do funeral. O corpo será transladado para a residência familiar, onde permanecerá até ao meio dia.
O corpo será velado no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Vicente. À tarde, pelas 16h00 o cortejo fúnebre parte para o cemitério.
O governo de Cabo Verde decretou dois dias de luto nacional. O dia das cerimónias fúnebres foi decretado tolerância de ponto em Mindelo.
A bandeira nacional está a meia haste em todo território cabo-verdiano, em embaixadas, consulados e outras representações de Cabo Verde no exterior.
Cesária faleceu sábado, com 70 anos, na cidade de Mindelo. Sofria de complicações respiratórias.
De acordo com a “Rádio Nacional de Cabo Verde”, citada pela VOA, a cantora sentiu-se mal por volta das 7h da manhã quando foi levada de urgência para o Hospital Batista de Sousa vindo a falecer pouco depois das 11h.
Cesária Évora nasceu a 27 de Agosto de 1941. Tem 24 discos editados, entre originais ao vivo e em parceria com outros artistas de vários países.
Cesária Évora permanece como o maior expoente da morna. Iniciou a sua carreira mundial no início dos anos 90. Era a voz de Cabo Verde. Encantou as plateias através de todo o planeta. Actuou nos palcos mais conceituados do planeta.
A 23 de Setembro deste ano, em Paris, anunciou que ia deixar os palcos para sempre por causa da sua saúde.
O seu último espectáculo em França foi em Abril no “Grand Rex”. Depois cancelou todos os concertos.
Foi sujeita a várias intervenções cirúrgicas. Em Maio de 2010, obrigaram-na a abandonar os palcos.
Cesária Évora tornou-se conhecida do grande público em 1992, com o lançamento do seu terceiro álbum, “Miss Perfumado”, e dois concertos num Teatro de Paris.
Apesar de tardio, o sucesso internacional de Cesária, cuja carreira começou há 50 anos, jamais parou. A sua célebre canção “Sodade” assegurou a sua notoriedade.
Em 1999, Portugal, agraciou Cesária Évora com a medalha da Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.
Em 2009, o presidente francês Jacques Chirac distinguiu-a com a medalha da Legião de Honra de França.
O galardão “Les Victoires de la Musique” para melhor álbum foi-lhe atribuído por duas vezes: em 2000 pelo álbum “Café Atlântico” e em 2004 pelo álbum “Voz d’Amor”.
Em 2003 Cesária Évora foi premiada com um “Grammy” atribuido ao disco “Voz d’Amor”.
Em Dezembro de 2010, no Rio de Janeiro, o Presidente Lula da Silva condecorou Cesária Évora com a medalha de Ordem do Mérito Cultural 2010.
Cesária Évora foi distinguida também com o prémio carreira na gala do “Cabo Verde Music Awards 2011”. (Redacção/ VOA)