sexta-feira, 15 de junho de 2012

Porque gostamos de Rock and Roll


Porque o rock traz a tona o “animal” que há em todos nós. Pelo menos em alguns casos, como a versão distorcida do hino nacional americano de Jimi Hendrix de Woodstock em 1969.
Segundo um novo estudo da Universidade da Califórnia (Los Angeles, EUA), certas alterações repentinas de tom e frequência em uma música acionam os mesmos mecanismos emocionais em nós que os sinais de alerta de perigo nos animais.
Quando os animais sinalizam perigo, eles forçam uma grande quantidade de ar através da sua caixa de voz muito rapidamente, produzindo um efeito dissonante projetado para capturar a atenção e provocar uma resposta emocional em outros animais.
Sendo assim, a música de Hendrix, bem como trilhas sonoras de filmes de terror como o som estridente da cena do chuveiro em Psicose (filme de 1960 de Alfred Hitchcock), provocam reações fortes nas pessoas (aliás, estudos indicam que as partituras musicais que acompanham clássicos de terror e drama tendem a imitar sons que naturalmente afligem as pessoas, como ruídos estáticos ou gritos).
E eis aqui uma curiosidade: como esses sons são também associados ao perigo, essas fortes reações incluem geralmente emoções negativas, como sentimento de raiva, tristeza, medo. Faz sentido, não?
“Esse estudo ajuda a explicar porque a distorção do Rock and Roll anima as pessoas: ela traz à tona o animal em nós. Os compositores têm conhecimento intuitivo do que parece assustador, sem saber por quê. O que eles geralmente não percebem é que estão explorando nossas predisposições de ficar excitado e ter emoções negativas ao ouvir determinados sons”, explica Greg Bryant, autor do estudo.
Me peguei até pensando na imagem que o rock tem: de algo muitas vezes sombrio, triste, violento, invocando até um certo preconceito em relação aos amantes do estilo, considerados “do mal” por alguns.
Aliás, um estudo da Universidade de Cambridge (Reino Unido) confirmou que as pessoas fazem suposições sobre a personalidade e valores dos outros com base nas suas preferências musicais.
O rock tem muitos fãs, mas quem sabe essa “tendência à negatividade” não esteja prejudicando um pouco o estilo musical. Genericamente, o nosso cérebro tem tendência a gostar mesmo é de música clássica; segundo pesquisa do biólogo Nicholas Hudson, as pessoas tendem a gostar de músicas que soam “complexas” aos ouvidos, mas que são “decifráveis” e facilmente “compactadas” pelo cérebro, exatamente como as composições eruditas.
Mas, voltando à famosa pesquisa de Cambridge, aqueles que gostam de música clássica são vistos como feios e tediosos (é mole?), enquanto roqueiros são considerados emocionalmente instáveis e fãs de pop são vistos como pessoas “genéricas” (claro, afinal, são músicas “pop” porque são “populares” e “todo mundo” ouve. É nessa hora que um “emocionalmente instável” se irrita).
A pesquisa

No estudo, várias peças de 10 segundos de música original foram compostas, projetadas para serem genéricas e emocionalmente neutras, ou começarem devagar e em seguida distorcerem de repente.
Estudantes voluntários acharam as músicas distorcidas mais emocionantes e mais carregadas de sentimento negativo.
Em um estudo paralelo, os pesquisadores colocaram as mesmas composições em clipes de vídeo emocionalmente neutros, com pessoas caminhando ou tomando café. Um outro grupo de voluntários viu os vídeos e não achou a música distorcida mais excitante, mas a percebeu como mais negativa, mostrando que imagens não neutralizam o conteúdo emocional da música.[Telegraph]

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Ex – miss no desemprego



Lisboa – A ex- Miss Angola 2006, Stiviandra Oliveira  é descrita como estando “psicologicamente  abalada”,  como conseqüência de acontecimentos menos bons que se  aconteceram na sua vida nos últimos meses. A mesma encontra-se agora no desemprego depois de se ter notabilizado como a “super-directora”, da  5M uma empresa  criada do âmbito da reconstrução nacional.

Fonte: Club-k.net
Antiga “super directora” da empresa 5M
A empresa 5M, tem como Presidente do Conselho de Administração,  Vincent Micler, um cidadão frances ligado ao general Manuel  “Kopelipa”. Vincent Micler  era  até pouco tempo o esposo  da ex – miss  responsável pela sua nomeação na empresa no ano passado.  No seguimento de uma recente  separação conjugal, o empresário  comportou-se a “moda africana”  retirando-lhe todas as benesses reduzindo-a ao “zero”.

A 5M tinha um DG, o francês Daniel Zhoar  porem com a entrada da ex- miss,  alguns  poderes passaram para a mesma tornando-a numa “super-directora” e a  sua a sua gestão  foi  criticada por alguns excessos.   Desde que  o ex- esposo a colocou naquela  empresa, a ex –miss    passou a ser  associada a situações constrangedora que se foram registrando. Procedeu com a expulsão  de funcionários  e efectuou cerca de 20 despromoções  e redução de salários.  Admitiu   novos funcionários oriundos da STORM, uma empresa onde a mesma trabalhou no passado.  Os novos admitidos aparentemente pessoas de sua confiança, passaram a usufruir  salários na ordem dos 120 mil Kwanzas e outras regalias, o que diferenciava, dos cerca de 60 mil KZ que os despedidos recebiam.

Ainda como  sub-directora procedeu  com exonerações de funcionários sem prévio aviso e em Novembro de 2011, despediu  cerca de 6 trabalhadores da 5M  por estarem alegadamente envolvidos numa  greve. Demitiu   o director dos recursos humanos por ter-se mostrado sensível  ao Sindicato dos trabalhadores da empresa. O caso foi depois levado ao MAPESS. Os seus excessos  foram na altura visto como  algo que criava embaraços a imagem do general “Kopelipa”.

Naquela altura,  a ex- sub-directora da  5M   passou a viver entre Luanda e uma região nos arredores de Mônaco onde apenas  habitam milionários.  Logo após a separação,  com o  PCA, Vincent Micler ,  a ex-miss viu perder todos os  privilégios e poderes que tinha  estando agora a procura de um emprego de que lhe permitirão  ter uma  vida normal.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Ray Bradbury – In memoriam


No dia 6 de junho de 2012 nossa realidade ficou menos fantástica. Fecha os olhos à luz deste mundo uns dos maiores ícones da literatura universal. Ele que nos transportou a tantos outros mundos por meio de uma literatura escorreita, inquietante e prolífica agora nos deixa definitivamente.
Morre aos 91 anos o escritor norte-americano Ray Douglas Bradbury depois de lutar bravamente durante anos contra os efeitos degenerativos de um derrame sofrido em 1999. Deixa como legado além de contribuições significativas para a televisão e o cinema, uma vasta obra literária contabilizada em mais de 600 contos, 30 romances traduzidos para 36 idiomas, distribuídos em mais de 60 livros publicados, com mais de 8 milhões de cópias vendidas, em todo o mundo.
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Apontado pela Putnan’s Publishers como um dos maiores mestres da Ficção Científica universal (juntamente com Isaac Asimov, Arthur Clark e André Carneiro).
Foi dono de uma prosa poética inconfundível, grande responsável pelo reconhecimento desse gênero literário, denotando um autor preocupado com a vida espiritual da Humanidade diante do materialismo da sociedade.
Uma de suas obras mais célebres o romance “Farenheit 451″ (título que se refere à temperatura de combustão do papel) escrita durante os piores anos da Guerra Fria, denuncia os males da censura e do controle do pensamento em um Estado Totalitário que proíbe a publicação e a leitura de livros. Foi adaptada ao cinema pelo diretor francês François Truffaut e constitui um dos mais importantes marcos na história do cinema de FC.
Em Farenheit 451, destaca-se o alerta sobre a ditadura do senso comum, ali representada pela comunicação de massa (e a consequente massificação da humanidade) frente à liberdade de pensar e a do sentir individual.
Também se destacam os livros de contos “Crônicas Marcianas” e “Frutos Dourados do Sol” repletos de simbolismo e de imagens poéticas.
Com as tintas da sensibilidade e do humanismo Bradbury constrói paisagens e mundos nunca visitados denunciando o racismo, a arbitrariedade, o apelo à violência e mais que tudo a falência dos valores humanos perante a voracidade de um progresso inconsciente e autofágico.
Em Crônicas Marcianas é fácil intuir o paralelo histórico de todo processo de conquista e colonização. Os seres humanos vão para Marte como antes os europeus, cheios de sonhos ou expulsos como párias de suas terras, migraram para as colônias do Novo Mundo. Vão para Marte como os colonizadores norte-americanos migraram para o “Oeste Bravio”. Levando consigo a teia intrincada de suas aspirações como também a malha distorcida de todas as suas misérias.
No trecho do conto “Gafanhotos” a linguagem poética está a serviço desta narrativa, que ouso traduzir livremente assim:
“Os foguetes incendiaram os prados desnudos, transformando as rochas em lava, a madeira em carvão, a água em vapor, transmutando areia e sílica em vidro verde, que refletia a invasão como um espelho estilhaçado”.
“Os foguetes chegaram como tambores estrondando na noite e desceram como gafanhotos; um enxame envolto em florações róseas de róseas fumaças”.
“E dos foguetes saíram homens com martelos nas mãos para moldar aquele mundo ímpar numa forma familiar aos seus olhos, eliminando tudo o que fosse estranho”.
“Com as bocas cheias de pregos, quais carnívoros de dentes de aço, passando-os rapidamente para suas mãos à medida que suas marteladas erguiam casas de madeira, pregavam coberturas com telhas finas para eliminar o mistério das estrelas e colocavam cortinas para conter a noite”.
“E quando os carpinteiros terminaram, chegaram suas mulheres com vasos de flores, chitas e frigideiras. Instalaram suas cozinhas barulhentas que superassem o silêncio de Marte, restrito do outro lado de tantas portas e de tantas janelas veladas por tantas cortinas”.
Quando questionado pelo pessimismo desses textos, Bradbury preconiza que em nenhum momento tentava prever esse tipo futuro, mas sim, nos alertar a evitá-lo.
Em “Frutos dourados do Sol” o autor nos premia com vários contos em que o elemento fantástico (quando presente) alia-se à trama como um simples pretexto para nos convidar à reflexão.
Apenas para citar um exemplo, no conto “Casa de Força” a narrativa está a serviço de uma profunda reflexão sobre a vida e a necessidade humana do contato com o divino (ou com o universo) quando é confrontada com sua finitude.
O argumento do conto é muito simples:
Berty e sua esposa cavalgam para ir a um funeral. Abrigam-se de uma eminente tempestade em uma casa de força e depois seguem sua jornada.
No entanto a forma como esta singela história é contada é simplesmente cativante:
Quanto ao estado de espírito da esposa de Berty (e à sua riqueza moral) quando está refletindo sobre sua completa falta de religiosidade frente à morte de sua mãe, o autor nos brinda com o seguinte (na belíssima tradução de Sérgio Flaksman):
– É que eu nunca tive razões para me sentar em uma igreja — respondia. Não era veemente a respeito. Simplesmente andava e vivia e movia as mãos, que eram lisas e pequenas como seixos. O trabalho havia polido as unhas dessas mãos com um esmalte que não vinha em vidros. Tocar crianças as havia suavizado, criar crianças as havia feito moderadamente severas, e o amor de um marido as havia feito gentis.
E agora a morte as fazia tremer.
Ao descrever o personagem Berty o autor nos premia com o seguinte:
“Berty a conhecia e sabia que não era mulher de se irritar. Por isso, a irritação não se transmitiu para ele. Ele era um jarro tampado; o conteúdo era de confiança. Podia chover do lado de fora que a mistura não se alterava.”
O desfecho desta história é fantástico.
Evidentemente não estragarei aqui o prazer do leitor em confirmar esta minha avaliação por si mesmo.
Apenas quero ressaltar a maestria deste genial escritor, não apenas como uma singela homenagem que aqui se mescla ao mais profundo pesar.
Queria acima de tudo ressaltar minha gratidão.
A gratidão do jovem que fui e — por que não — de toda uma geração.
Uma geração que em tenra idade encontrou nas páginas de seus admiráveis livros motivo de inspiração para lutar por um futuro em que não sejamos traídos por nossos próprios desejos e também por uma ciência que seja a solução e não a fonte de nossos maiores problemas.
Nas palavras de Walt Whitman:
“Eu canto o Corpo Elétrico;
As hostes dos que me circundam,
e que circundo também;
Não me deixam, até que os acompanhe,
responda-lhes,
descorrompa-os,
E os preencha com a carga da Alma.
Descanse em paz, Ray Bradbury (1920-2012).
-o-
[Foto: Wikipedia]
[Leia os outros artigos de Mustafá Ali Kanso]
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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Escritor Ivan Lessa morre em Londres


O escritor e cronista Ivan Lessa, colunista da BBC Brasil, morreu na tarde da última sexta-feira em Londres, aos 77 anos.
Ivan era colaborador da BBC desde janeiro de 1978, quando deixou o Brasil para se radicar na capital britânica.
Por Redação, com BBC – Brasil
Ao lado de nomes como Millôr Fernandes, Jaguar, Ziraldo, Tarso de Castro e Sérgio Cabral, ele foi dos fundadores do jornal O Pasquim, que ganhou fama com a resistência à censura promovida pela ditadura militar.
Ao lado do cartunista Jaguar, também cofundador do Pasquim, criou o personagem Sig, o ratinho inspirado em Sigmund Freud que se tornou o símbolo da publicação.
Ivan publicou três livros - Garotos da Fuzarca (1986), Ivan Vê o Mundo – Crônicas de Londres (1999) e O Luar e a Rainha (2005). Também participou do livro Eles Foram para Petrópolis, de 2009, uma compilação da sua troca de correspondência por e-mails com o amigo e também jornalista Mario Sérgio Conti.
Ele também trabalhou na TV Globo e foi colaborador de diversas publicações brasileiras, entre elas as revistas Senhor, Veja e Playboy, e os jornais Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e o Jornal do Brasil.
Nos últimos anos, Ivan vinha publicando três colunas semanais no site da BBC Brasil – a última delas publicada na manhã de sexta-feira.
Antes de se mudar definitivamente para a Grã-Breranha, em 1978, o escritor já havia passado um período de três anos na cidade, entre 1968 e 1972, também trabalhando para o então chamado serviço brasileiro da BBC de Londres.
Após sua mudança, em 1978, ele retornou apenas uma vez ao Brasil, para uma breve visita em 2006, a convite da revista Piauí, para escrever um artigo sobre suas impressões do Rio de Janeiro após 28 anos de ausência.
http://correiodobrasil.com.br/escritor-ivan-lessa-morre-em-londres/466950/