terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Banco millennium. Indemnizações milionárias num banco falido!!!



Indemnizações milionárias num Banco falido! Como é que isso é possível? Expliquem-me porque eu não compreendo.

Jorge Jardim Gonçalves, Paulo Teixeira Pinto, Filipe Pinhal, Christopher de Beck, António Rodrigues, Armando Vara, Santos Ferreira, Vitor Fernandes, António Ramalho e Nuno Amado, são alguns dos responsáveis pela miserável performance do Millennium BCP mas bem recompensados por isso, pois só à sua conta, o cofre do Banco ficou aliviado em várias dezenas de milhões de euros.

Se o Banco Millennium BCP esteve avaliado em mais de 15 mil milhões de euros e agora vale aproximadamente um décimo; se boa parte dos seus produtos dão prejuízo aos clientes, estando a  porcaria das acções na primeira linha, com milhares de clientes "agarrados" e alguns arruinados; se o BCP sai da Grécia com prejuízos acumulados de mais de 2,4 mil milhões de euros, como é possível que os actuais e os anteriores Executivos usufruam de remunerações milionárias e tenham beneficiado de indemnizações exageradamente escandalosas!

Então essas pessoas que fizeram negócios de altíssimo risco, criminosamente ruinosos; que levaram o Banco à falência e que desgraçaram a vida de milhares de clientes, são recompensadas pelos maus serviços que prestaram?

Uma empresa que não dá lucros não pode distribuir benefícios. Se o Millennium BCP não gera mais valias para os seus clientes e reduziu o seu valor patrimonial em cerca de noventa por cento, os administradores, em vez de receberem ordenados, indemnizações e reformas milionárias, deviam ser responsabilizados e penalizados por esses maus resultados mas nunca ser recompensados pelo seu mau trabalho, como infelizmente acontece neste País suigeneris.

Neste País pagam-se ordenados milionários a qualquer sujeito desavergonhado que tenha jeito para a vigarice e arte para levar as Empresas à falência!

Não entendo estas regras e não me conformo com elas.
1 comentário
Oswaldo Jorge do Carmo disse...
Exmo Senhor
Autor desta Publicação
Lisboa

Exmo Senhor,

De facto, se, neste País, houvesse Justiça, estes Senhores, além de não receberem nada, estavam na cadeia!!

Em contra partida, no mesmo Protectorado, querem mandar os Trabalhadores, para Casa, sem qualquer Indemnização!!

Sim, comparadas com as destes Compadres, podem ser consideradas, Indemnizações "0"!!!!!

Não é por acaso que, cada vez há mais Criminalidade, de todas as espécies e em todas as Áreas!!!!!

Isto lembra-me, um pouco, o problema das Reformas. Na Suiça, País de estúpidos, as Reformas são, todas, do mesmo valor: 1.700.00 Euros. Em Portugal, País de inteligentes, até existe um Senhor, que ganha, além de outras Mordomias, 165.000.00 Euros/Mês!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Há, aqui, qualquer coisa que não bate certo, no entanto, eu, como pertenço à classe dos burros, não consigo decifrar, este ENIGMA!!!!!!
Laranjeiro, 28-04-2013
http://direitodeopinar.blogspot.com
Imagem: altohama.blogspot.com


domingo, 19 de janeiro de 2014

HOMOSSEXUAIS FAMOSOS




Existem fortes evidências de que Marcel Proust era homossexual. Segundo alguns biógrafos do autor de Em Busca do Tempo Perdido, Proust era frequentador assíduo dos mais conhecidos points gays da Paris de sua época. Além dele, muitas outras personalidades da literatura, do cinema e da música jogaram na área dos homossexuais. É o que nós veremos a seguir.

Foi através do livro Diário de um Ladrão que Jean Genet - autor de peças como O Balcão, As Criadas e O Biombo – assumiu publicamente sua homossexualidade para a conservadora Paris dos anos 1940 – cidade em que viveu a maior parte de sua vida.

Outra personalidade gay foi Paul Verlaine. O poeta francês se notabilizou não apenas por sua obra, mas também pela conturbada relação homossexual com o também poeta Arthur Rimbaud.

Apesar da fama de mulherengo, existem indícios de que o poeta inglês George Gordon Byron, conhecido como Lord Byron, também mantinha relações afetivas com rapazes.

Não existem provas conclusivas, mas alguns indícios apontam que Leonardo da Vinci também era gay. Um desses indícios é um processo que o acusava de, juntamente com outros três homens, manter relações homoafetivas com um rapaz de 17 anos que posava como modelo num dos ateliês em que Da Vinci trabalhou.

Documentos divulgados recentemente dão como certo que o escritor francês André Gide, além de gay, tinha uma certa queda por garotos. Gide, que assumiu a homossexualidade para seus leitores, iniciou-se sexualmente aos 24 anos, com um jovem árabe que, num de seus livros, descreve como Ali.

Embora tenha mantido um casamento com a mesma mulher durante nada mais nada menos que 50 anos, é sabido que o alemão Thomas Mann apreciava homens jovens e tinha uma certa fixação por Klaus, seu filho. As tendências homossexuais de Mann foram reveladas em seus diários íntimos, abertos 20 anos após sua morte.

Conhecido principalmente pelo clássico O Retrato de Dorian Gray, um dos maiores livros da literatura universal, Oscar Wilde foi preso por causa de um romance com um jovem chamado Alfred Douglas. Condenado pelo que se convencionou chamar de práticas homossexuais, Wilde passou 2 anos encarcerados e viveu o resto da vida no exílio.

Acreditou-se durante muito tempo que o compositor clássico russo Tchaikovsky tenha se suicidado. A versão atual para a morte do mestre russo é um pouco diferente: na verdade, Tchaikovsky teria sido induzido ao suicídio por causa de uma relação homoerótica com um membro da família imperial russa. Gay, o compositor costumava contar suas experiências com homens para o irmão, que também era homosexual.

Uma biografia póstuma revelou que Greta Garbo, grande diva do cinema do século XX, manteve relações homoafetivas com mulheres desconhecidas e prá lá de conhecidas, como Tallulah Bankhead e a ainda mais famosa Marlene Dietrich. Existem ainda relatos de que Garbo manteve um affair com a roteirista, teatróloga e poetisa espanhola Mercedes Acosta.

A grande paixão da escritor lésbica Gertrude Stein respondia pelo nome de Alice B. Toklas. Ambas se conheceram em 1906 e já em 1910 já moravam juntas. Gertrude costumava assinar cartas pelo casal, como Gertrude e Alice. Depois da morte de Gertrudes, a inconsolável Alice se dedicou a publicar toda a sua obra. O casal está sepultado no mesmo túmulo no cemitério Pére Lachaise, de Paris.

Marguerite Yourcenar, a primeira mulher eleita para a Academia Francesa de Letras, viveu um romance de quatro décadas com Grace Frick. Yourcenar é autora de três livros que versam sobre a homossexualidade, um deles é o clássico Memórias de Adriano.

A poetisa norte-americana Elizabeht Bishop viveu durante anos uma relação homoerótica ardente e totalmente assumida com a companheira brasileira Lota de Macedo Soares, criadora do Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro.

Autora de Orlando, clássico da literatura de lingua inglesa, a escritora Virginia Woolf também se sentia atraida por mulheres. Uma delas, conhecida como Vida, foi a maior paixão de Virginia. Alguns estudiosos da obra da escritora asseguram que o personagem da ficção Orlando foi baseado no da vida real, Vida.

Apesar dos boatos e fofocas sobre sua intimidade, o ator Rock Hudson negou durante a maior parte da vida que fosse homossexual. A revelação só ocorreu nos anos 1980 quando Hudson, não só saiu do armário como admitiu ser portador do virus HIV. Pouco tempo depois, o ator faleceria em virtude da AIDS.

Assim como Rock Hudson, o escritor brasileiro Caio Fernando Abreu admitiu publicamente a homossexualidade e revelou ser portador do vírus da AIDS. Mas, ao contrário do ícone das telas, Abreu resistiu bravamente à doença até falecer em 1996.

Outro que também admitiu o drama da AIDS foi o cantor brasileiro Cazuza. Bissexual, Cazuza se apoiou nos meios de comunicacão para descortinar sua condição de portador do HIV. O drama do cantor pôde ser acompanhado através dos meios de comunicação de massa , de suas aparições públicas e até através de suas músicas. Cazuza resistiu à enfermidade até falecer aos 32 anos de idade.

Outra grande personalidade que morreu de AIDS foi o bailarino russo Rudolf Nureyev. Sua vida sexual ainda é mantida na obscuridade, mas alguns conhecedores da biografia do inesquecível Nureyev dão conta de que ele também era gay.

Da extensa lista de personalidades homossexuais destacam-se algumas bastante conhecidas do grande público, como o pintor e escultor renascentista Michelangelo. As poucas informações sobre sua vida sexual revelam que, tal como o contemporâneo Leonardo da Vinci, Michelangelo também jogava no time gay.

A vida íntima do escritor e poeta brasileiro Mário de Andrade , um dos fundadores do modernismo, também é uma incógnita. Apesar disso, muitos acreditam que Mário também era homossexual.

O autor de Macunaíma e Paulicéia Desvairada não foi o único escritor brasileiro a manter um certo mistério sobre sua vida sexual. Pedro Nava, de O Círio Perfeito, assim como Mário de Andrade, nunca deixou claro em que time jogava. Muitos acreditam que Nava tenha sido hetero, mas há evidências de que de que o autor de Baú de Ossos era na verdade homossexual.

Considerado o primeiro latin lover do cinema, Rodolfo Valentino provocava suspiros aonde quer que chegasse. O que ninguém sabia era que o mito do cinema preto e branco tinha relações sexuais com homens. As experiências homossexuais de Valentino foram retratadas em seu diário íntimo.

Cole Porter, que manteve um casamento de conveniência por anos a fio, nunca deixou de se relacionar com homens. Dizem que, ao tomar conhecimento da homossexualidade do marido, Linda Porter ainda assim manteve o casamento. Linda era amiga, conselheira, fã e companheira de Cole, menos sua amante.

Outra personalidade que se passava por heterossexual enquanto mantinha um amante do mesmo sexo foi o escritor e dramaturgo T. S. Eliot. Ele, que chegou a sustentar mais de um casamento hetero, manteve uma relação homosexual de mais de 10 anos com um homem chamado John Hayward.

Embora casado com uma mulher, W. Somerset Maugham manteve uma relação homo com um rapaz chamado Gerald Haxton, com quem passava boa parte do ano. Como um vivia nos Estados Unidos e o outro na Europa, Maugham costumava atravessar o Atlântico só para ver o amante.

Homossexual, o francês Jean Cocteau manteve uma relação duradoura com o dramaturgo Raymond Radiguet. O relacionamento durou até a morte de Radiguet, fato que deixou Cocteau extremamente deprimido. Ele, que se dizia feito para a amizade, não para o amor, colecionou vários amantes, entre eles o não menos conhecido Jean Marais.

Alguns biógrafos do gala e eterno mito do cinema James Dean asseguram que ele costumava jogar dos dois lados do campo, com uma certa queda pelos homens. As insinuações sobre a vida íntima de Dean começara a ser publicadas depois de sua morte.

Além de James Dean, outra personalidade notória que nunca assumiu sua bissexualidade publicamente foi o escritor Jack Kerouac. Autor do clássico On the Road, que inspirou toda uma geração, Kerouac certa vez afirmou que a primeira experiência sexual com uma mulher foi algo meio traumático, declaração endossada pela mãe, que uma vez disse acreditar ser ele um heterosexual “com pouco interesse em garotas”.

Outro homossexual famoso é o escritor Manuel Puig, autor do clássico O Beijo da Mulher-aranha.

A homossexualidade do diretor Pier Paolo Pasolini não era segredo para ninguém. O que deixou meio mundo chocado foi a morte do cineasta italiano, assassinado por um garoto de programa.

Acredita-se que Marlene Dietrich, eterna musa do cinema alemão, também tenha jogado na área dos homossexuais. Alguns estudiosos da vida da atriz acreditam que, além da sueca Greta Garbo, Marlene teve um caso com a espanhola Mercedes Acosta.

Outro que provavelmente jogou na mesma área foi o dramaturgo inglês William Shakespeare.

Dizem que Hans Christian Andersen, que se notabilizou por fábulas como A Pequena Sereia, além de gay, era afeminado.

Outra figura da longa lista de gays famosos é o norte-americano Truman Capote, autor de À Sangue Frio.

Assim como seus conterrâneos Williams, Capote, Stein, Ginsberg e Bishop, o escritor Henry James era homossexual.

Gay também era a orientação sexual do escritor japonês Yukio Mishima.

Além de gay, o pintor irlandês Francis Bacon era alcoólatra e viciado em jogos.

Outro integrante da lista de gênios homossexuais é o português Fernando Pessoa.

Federico Garcia Lorca, outro grande mito ibéricos do século XX e morto durante a Guerra Civil Espanhola, também era gay.

A presença de gays no cinema e no teatro sempre foi grande. Além de Pasolini, Garcia Lorca e Shakespeare, o dramaturgo Christopher Marlowe fazia parte da trupe homosexual.

Por ultimo, não podíamos esquecer de outro homosexual ilustre: Tennessee Williams, dramaturgo norte-americano e autor de Um Bonde Chamado Desejo.

(Trecho do livro
Coisas de Gênio - Fatos pitorescos e curiosidades sobres os maiores gênios da cultura universal)

Para mais curiosidades sobre Homossexuais Famosos, acesse
MAIS QUE CURIOSIDADE.

Por que os homossexuais foram perseguidos pela Inquisição no Brasil?


Proporcionalmente, os gays constituíram o grupo social tratado com maior intolerância pelo Santo Ofício, mas apenas aqueles que praticaram a “sodomia perfeita” arderam nas fogueiras

Luiz Mott

Depois dos cristãos-novos judaizantes, os homossexuais foram os mais perseguidos pela Inquisição portuguesa: trinta homens “sodomitas” foram queimados na fogueira. Proporcionalmente, os gays constituíram o grupo social tratado com maior intolerância por esse Monstrum Terribilem. Foram mais torturados e degredados que os demais condenados e, não bastasse, receberam as penas mais rigorosas. Metade foi condenada a remar para sempre nas galés del Rei.
Mas somente os praticantes do que a Inquisição classificava como “sodomia perfeita” ardiam nas fogueiras. Esta perfeição consistia “na penetração do membro viril desonesto no vaso traseiro com derramamento de semente de homem”. Os demais atos homoeróticos eram considerados pecados graves ou “molice”.  

Perseguição irregular
A sodomia, entretanto, não foi estigmatizada e perseguida em todos os tribunais do Santo Ofício da Espanha, nem mesmo pela Inquisição portuguesa em seus primeiros anos de instalação. Isto demonstra que inexplicáveis fatores históricos, políticos e culturais estariam por trás do maior ou menor radicalismo da homofobia católica.
Variações e contradições da condenação moral dos desvios sexuais refletem a condição pantanosa, imprecisa e ilógica do catolicismo em relação ao amor entre pessoas do mesmo sexo. As razões cruciais que levaram a Inquisição a perseguir os homossexuais masculinos teriam sido duas. Ao condenar à fogueira apenas os praticantes da cópula anal, os Inquisidores reforçavam a mesma maldição bíblica que condenava ao apedrejamento “o homem que dormir com outro homem como se fosse mulher”. Ou seja, o crime é derramar o sêmen no vaso “antinatural”, uma vez que judaísmo, cristianismo e islamismo se definem como essencialmente pronatalistas, quando o ato sexual se destina exclusivamente à reprodução. Daí a perseguição àqueles que ousassem ejacular fora do vaso natural da fecundação, uma insubordinação antinatalista inaceitável para povos dominados pelo dogma demográfico do “crescei e multiplicai-vos como as estrelas do céu e as areias do mar”.
A segunda razão tem a ver com o estilo de vida andrógino e irreverente, quiçá revolucionário, dos próprios sodomitas, chamados de “filhos da dissidência”. Eis o trecho de um discurso homofóbico lido num sermão de um Auto de Fé de Lisboa em 1645: “O crime de sodomia é gravíssimo e tão contagioso, que em breve tempo infecciona não só as casas, lugares, vilas e cidades, mas ainda Reinos inteiros! Sodoma quer dizer traição. Gomorra, rebelião. É tão contagiosa e perigosa a peste da sodomia, que haver nela compaixão é delito. Merece fogo e todo rigor, sem compaixão nem misericórdia!”
 Luiz Mott é professor da Universidade Federal da Bahia e autor de Sexo proibido: virgens, gays e escravos nas garras da Inquisição (Papirus, 1988).

Homossexualidade na Igreja: uma tradição medieval





Documentos do século XIV mostram que relações sexuais entre religiosos maduros e jovens aprendizes é muito mais antiga que o atual escândalo enfrentado pelo Vaticano

Jean Verdon
http://www2.uol.com.br
Apesar de perseguido, o homossexualismo esteve muito presente na Idade Média. Segundo John Boswell, autor de Christianisme, tolérance sociale et homosexualité (Cristianismo, tolerância social e homossexualismo), a prática teve uma importância no período que só seria igualada em nossos dias. Boswell atribui a disseminação do homossexualismo à renascença carolíngia, ao desenvolvimento das cidades e à cultura eclesiástica.

Na Idade Média, o meio monástico era um terreno propício para a sodomia: a Regra de São Bento previa que os monges deviam dormir cada um em uma cama, de preferência em um mesmo local, com sacerdotes mais antigos que cuidariam deles. Os regulamentos de Cluny proibiam que os noviços ficassem sozinhos ou na companhia de um só professor. Se um dentre eles, à noite, tivesse de sair para satisfazer suas necessidades, tinha de estar acompanhado por um mestre e por outro jovem munido de lanterna.

Foi em meio a esse ambiente que Arnaud de Verniolle, subdiácono fugido das prisões da ordem dos franciscanos no século XIV, acusado de heresia e de sodomia, afirmou ter sido iniciado nas práticas homossexuais por um colega mais velho, que se tornara padre. Aos 12 anos, seu pai o colocou em uma escola de Pamiers comandada pelo mestre Pons de Massabuc para aprender gramática. Arnaud dividia o quarto com seu professor e outros jovens. “Quando eu morava naquele quarto, fiquei dormindo na mesma cama, durante cerca de seis semanas, com Arnaud Auréol. Depois de duas ou três noites que passamos juntos, ele, pensando que eu dormia, me tomou nos braços e me prendeu entre suas coxas, colocando seu membro viril entre as minhas e, como se estivesse com uma mulher, se mexeu e ejaculou em minhas pernas. Quase sempre, a cada noite que dormíamos juntos, ele recomeçava esse pecado. Como eu, naquele tempo, era ainda uma criança, apesar de não gostar do ato, não ousava contá-lo a ninguém, por pudor.”

Arnaud declarou que, anos depois, sentia um mal físico quando se abstinha por mais de oito ou quinze dias de ter relações com um homem ou uma mulher. Tinha, então, experiências heterossexuais, mas uma aventura o fez renunciar às mulheres. Segundo o frei Pierre Record, encarcerado na mesma cela que Arnaud por alguns dias, o subdiácono lhe contou que “na época em que se queimavam os leprosos, ele morava em Toulouse, tendo relações com uma mulher da vida; depois de cometer esse pecado, seu rosto inchou, o que o fez acreditar que estivesse com lepra. Por isso, jurou que a partir de então nunca mais teria relações carnais com mulheres.”



Por outro lado, Arnaud prosseguia com suas aventuras, especialmente com adolescentes. Às vezes, para atingir seus objetivos, ele prometia um emprego com um cônego homossexual, como fez com o estudante Guillaume Rous. Arnaud disse a Guillaume que aquele cônego costumava ter relações com jovens e que o estudante deveria suportá-las em troca do emprego. O estudante disse que não havia problema, pois já tinha cometido esse pecado com um professor de equitação de sua região. Arnaud, aproveitando-se do fato, propôs mostrar a Guillaume como procedia e, em troca, desejava conhecer as técnicas do equitador. Os dois mantiveram relações por muitas vezes.

Para conseguir seu intento, Arnaud dizia que o pecado da sodomia e o da simples fornicação tinham a mesma gravidade. Entretanto, sabia que os padres não podiam simplesmente absolver os que confessavam a sodomia sem uma permissão especial do bispo, o que era permitido em relação à simples fornicação e ao adultério.

Guillaume, no entanto, tinha interesse em se fazer de vítima e acusou Arnaud de violação: “No início, eu recusei – contou – e fugi. Então, Arnaud me perseguiu e jogou-me em cima meu Doctrinal, cuja encadernação se destruiu com o golpe. Depois, pegou uma faca (...) correu atrás de mim, me agarrou e me levou à força ao local onde tínhamos estado antes, (...) torcendo-me o braço com uma mão e tendo na outra, a faca apontada contra mim. Depois me tomou em seus braços, tendo dobrado os meus contra seu peito, com a intenção de me levantar e me carregar até o local em questão. Não conseguindo, me tirou dali, me arrastando e me empurrando”. Arnaud foi condenado “ao muro absoluto, a pão e água, aos ferros, perpetuamente”.

O caso de Arnaud de Verniolle, longe de ser uma exceção, parece ser um exemplo detalhado de uma prática à qual uma série de documentos da época fazem alusão. Por volta de 1051, São Pedro Damião escreveu um longo tratado, O livro de Gomorra, comentando especialmente as relações sexuais entre homens, sobretudo entre clérigos. Acusava os padres de ter relações com seus seguidores e afirmava que muitos deles, para escapar às sanções da Igreja, se confessavam a outros clérigos homossexuais.



Hildebert de Lavadin, arcebispo de Tours (1055-1133) citado por Boswell, nos fez entender que o homossexualismo estava presente entre muitas pessoas, inclusive as mais eminentes: “Inúmeros Ganimedes honram inúmeros altares e Juno se arrepende de não mais ter aquilo a que estava acostumada. O rapaz, o homem feito, o velho se enlameiam neste vício presente em todas as classes sociais”.

O meio urbano tinha um papel importante no desenvolvimento da homossexualidade. Chartres, Sens, Orléans e Paris seriam seus centros mais destacados. Os sermões dos pregadores, como os de Bernardino de Siena por volta de 1420, as discussões e as medidas tomadas pelas autoridades públicas mostravam que as cidades toscanas, em particular, eram seus principais focos. A prática era muito comum entre os jovens solteiros, pois os homens eram obrigados a contrair casamentos tardios. Como o pai nem sempre se manifestava, ausente por razões profissionais, velhice ou morte, os aspectos masculinos da sociedade perdiam seu prestígio face aos caracteres femininos de doçura e polidez inculcados pelas mães, educadoras das crianças.

As condutas não heterossexuais apareciam em apenas 0,5% das cartas de remissão. O homossexualismo excluía; constituía acusação quase sempre imputada aos heréticos. Notemos que os raros casos atestados nessas cartas eram relacionados a uma inclinação amorosa. Uma carta de 1385 declara que os parceiros tinham o hábito “de estar juntos e de se freqüentar sempre por amor, de gostarem um do outro, de jogar e se divertir sempre juntos”. Um dos dois era casado e pai de quatro filhos. Quanto às injúrias com conotação sexual, eram apenas dirigidas às relações com as mulheres. Quando não, eram utilizados termos sem relação aparente com o ato: a injúria ligada ao homossexualismo se exprimia como brincadeira, como “primeiro de abril”.

O homossexualismo, antes do século XIII, não fora objeto de condenações virulentas segundo John Boswell. Face ao amor e ao erotismo, parecia, pois, existir uma tradição cristã tolerante. Nos penitenciais– apanhado de pecados acompanhados cada um de uma penitência – o homossexualismo não tinha nenhum privilégio em relação aos outros desvios. Entretanto, São Columbano retomaria muitas vezes o tema da sodomia, pronunciando severas condenações. O monge que se deixasse levar a cometer atos como o homicídio ou a sodomia jejuaria por dez anos. Aquele que tivesse um filho jejuaria por sete anos a pão e água.

O laico que praticasse a sodomia jejuaria por sete anos, dos quais os três primeiros a pão e água, com sal e legumes secos apenas. Nos quatro últimos, absterse-ia de pão e de carne.



Repressão crescente

A condenação seria mais pesada a partir do século XIII. Um pouco antes, o conselho de Naplouse, em 1120, decretou que todo adulto condenado por ter cometido voluntariamente o pecado de sodomia seria queimado na fogueira. O III Concílio de Latrão, em 1179, previu que todo indivíduo que tivesse cometido um ato de incontinência contra a natureza seria reduzido ao estado laico ou relegado a um mosteiro, se fosse um clérigo; excomungado e totalmente excluído da comunidade de fiéis, se fosse um laico.

No final da Idade Média, uma época em que era necessário procriar nos países despovoados por epidemias e guerras, o homossexualismo foi objeto das garras da justiça. Em 1343, na região de Lyon, Mathieu de Colombetes foi condenado a uma multa de 300 florins, cem vezes mais do que a multa prevista para um concubinato.

Nos séculos XIV e XV, as autoridades se inquietavam com a progressão do homossexualismo. O discurso médico era ambíguo. Não ignorava completamente a prática, mas se mostrava discreto em seus comentários sobre o Cânon de Avicena, que a menciona por repetidas vezes. Jacques Despars, médico do século XV, foi mais explícito. Amplificando o tratamento preconizado por Avicena, detalhava os castigos aos quais os homossexuais deveriam ser submetidos. Mantinha, porém, um prudente silêncio em relação à pedofilia. Depois de ter conhecido o texto aviceniano, concluiu que poderia relatar muitos outros tipos de coitos sodomitas, mas preferiu se calar. A natureza humana, com sua tendência ao mal e desejosa de novas concupiscências, correria riscos se decidisse praticá-los.

A mesma prudência se manifestava entre os confessores: por querer informar demais, corria-se o risco de que homens e mulheres cometessem pecados desconhecidos até então. Mesmo assim, no final da Idade Média os processos contra os sodomitas se multiplicaram. Um controle da vida privada – mesmo que não se possa exagerar na importância da repressão – foi instaurado. Se as práticas não eram novas, a visão que a sociedade tinha delas havia mudado. Foi preciso esperar até 1568 para que Pio V tomasse medidas mais severas que as editadas no III Concílio de Latrão, determinando que os clérigos e monges sodomitas perdessem seu estatuto e fossem entregues ao braço secular.