sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Portugueses em Angola (02)


Boa noite
brevemente irei trabalhar para angola pela primeira vez e estou indecisa em tomar ou não os comprimidos de prevenção para a malária, uma vez que as contra-indicações são preocupantes. Tomar ou não tomar, eis a questão!
 Ah, roupa clara e muuuito repelente, por todo o corpo, além do mosquiteiro (há uns no Ikea mt bons e baratos, aqui ás vezes é dificil de encontrar)
 Continuo na minha, estive vinte e trêz anos em Angola, fiz a Guerra, tomei os ditos comprimidos, nunca notei qualquer efeito secundaria,e no entanto, até tenho problemas de saúde, o Paludismo não acontece só ou outros, e quando bem pode ser a brincar ou a serio, e então tomamos toda a porcaria, e nem sequer nos lembramos dos efeitos secundários, e se à quarenta anos estava controlada, não vejo qualquer problema em viajar para Angola

Bom dia gente simpaticamente calorosa... aprecio mto a vossa união e entreajuda... chegou a minha vez.. gostava de ter o máximo de informações de talatona... em relação a escolas(filho com 7 anos) saúde, doenças e segurança.. tenho amigos lá mas o saber nao ocupa lugar.. obrigada e Abreijos

 Fugindo um pouco às castanhas que ainda é um consumo importado, o ano passado numa loja dos frescos vi Manga IMPORTADA!!!!!! numa terra de abundância a imagine-se...2300 KZ o quilo ! Perguntei se não havia engano,mas não! Era mesmo verdade! Acabei por comprar na rua a 200 KZ cada. Fazer mais o quê???

Boa tarde,
Sabem se é possível renovar um visto de trabalho sem a pessoa estar em Angola? A minha mulher esta em Portugal devido ao nascimento do nosso filho e queria renovar o visto dela.
Não compliques!!! Traz o passaporte dela, Coloca um carimbo de entrada em angola, de seguida mete a renovar na DEFA. Quando sair com o novo visto mandas colocar um carimbo de saída de angola... E voilá tens o teu problema resolvido!!!

Procuro administrativa para trabalhar em Luanda...nacionalidade Angolana ou cartão de residente.
Aos interessados e favor enviar mensagem privada.
Obrigado

Mariquinha eu quero ir para Angola......... lá lá lá.
 Mas eu estou farta de ca estar.
Não estou farta do país mas da m.............. de governo que temos, por uma vida melhor vou até para a china.
Claro quando se tem a barriga cheia não se lembram dos que vivem na rua ( não é o meu caso ) mas por este andar não sei.
 Ta assim tao mal?
 Se me permite,eu também pensava assim...agora 5 anos fora de Poetugal nunca mais vejo a hora de voltar , so se da realmente valor ao(pouco) que temos e a falta que o nosso Portugal nos faz quando se esta longe, vamos acreditar mais no nosso Pais e lutar , pois nao ha Pais melhor que Portugal para se viver acredite
 Se tem a oportunidade de vir para cá não olhe para trás , nesta vida só nos devemos arrepender do que não fizemos , tem sacrificios que valem a pena e este é um deles , tem momentos que me apetece trocar um camarão daqui por uma côdea daí , tenacidade e persistência e muita saúde são os ingredientes necessários , boa sorte .
Não tenho e a minha idade já me deixa de pé atras para aventuras...........lamentavelmente a quem dei o melhor da minha vida hoje nada me dá em troca.
 também quero se precisarem de uma pessoa para vários trabalhos de construção ou comandar pessoal la estou livre já estive 3 anos la

In Facebook







Angola, Portugal e China, as três gargantas da corrupção



O caso dos vistos gold explicado em 10 parágrafos

A Polícia Judiciária deteve esta quinta-feira 11 pessoas - incluindo altos quadros do Estado - por suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais, tráfico de influência e peculato, no âmbito de uma investigação sobre atribuição de vistos gold. 

 

O caso que está a ter maior impacto e a causar maior estupefação na sociedade portuguesa é o do diretor nacional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), Manuel Jarmela Palos, que ocupa este cargo desde 2005. Palos entrou para o SEF em 1993, ou seja há 21 anos, e fez aquilo que se costuma chamar 'carreira de sucesso' dentro desta força policial.
O seu trabalho foi reconhecido além-fronteiras e, em 1999, foi distinguido pelo então Ministro do Interior de Espanha com a "Cruz al Mérito Policial com Distintivo Blanco". Oito anos depois, em 2007, é a vez de o Ministro da Administração Interna português lhe atribuir a medalha de Mérito Liberdade e Segurança na União Europeia, contributo para a construção do Espaço Liberdade e Segurança da Europa, através da concretização do projeto ISone4ALL.
A detenção de Maria Antónia Moura Anes, 56 anos, é quase tão surpreendente quanto a de Palos. Nomeada a 1 de novembro de 2011 para o cargo de secretária-geral do Ministério da Justiça, pela atual ministra Paula Teixeira da Cruz, Maria Antónia foi coordenadora do sector de formação do Instituto dos Registos e do Notariado (IRN) entre julho de 2010 e setembro de 2011.
É aqui, no IRN, que esta licenciada em História que iniciou a vida profissional como professora de liceu, até entrar para os serviços de documentação do Centro de Estudos Judiciários em 1987, se cruza com um outro dos 11 detidos: António Figueiredo, presidente do IRN desde 2007.
Refira-se ainda que a secretária-geral do Ministério da Justiça, entre outras funções, foi funcionária da Polícia Judiciária e adjunta de José Pedro Aguiar-Branco, durante menos de três meses, quando o atual ministro da Defesa tinha a pasta da Justiça.
Albertina Gonçalves, secretária-geral do Ministério do Ambiente e sócia do escritório de advogados do ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, foi ouvida no âmbito da operação vistos gold. Não foi detida, mas o seu gabinete foi objeto de buscas.
Além dos suspeitos com funções de relevo na administração pública portuguesa - Manuel Palos, Antónia Anes e António Figueiredo -, foram ainda detidos mais três funcionários do IRN e três cidadãos chineses. Os 11 detidos pela Polícia Judiciária vão passar a noite na prisão e são presentes ao juiz de instrução criminal esta sexta-feira.
A Polícia Judiciária fez saber que esta investigação estava em curso há vários meses, e que a operação visto gold foi desencadeada em diversos pontos do país, envolvendo cerca de duas centenas de investigadores. A investigação é dirigida pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), coadjuvado por elementos da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) tinha confirmado esta quinta-feira de manhã que estavam em curso várias diligências, nomeadamente 60 buscas em diversos pontos do país, tendo sido emitidos mandados de detenção. Em causa estavam "suspeitas de crimes de corrupção, tráfico de influências, peculato e branqueamento de capitais", segundo uma nota da PGR.  

O programa de atribuição de vistos gold, criado em 2013, prevê a emissão de autorizações de residência para estrangeiros oriundos de fora do espaço Schengen que façam investimentos em Portugal por um período mínimo de cinco anos. Entre as opções de investimento incluem-se as transferências de capital num montante igual ou superior a um milhão de euros, a criação de pelo menos dez postos de trabalho ou a compra de imóveis num valor mínimo de 500 mil euros. 


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Petrobras: o maior escândalo financeiro da história na mira dos EUA


Pedro Cifuentes Rio de Janeiro
http://brasil.elpais.com

Segundo o Tribunal de Contas da União, as irregularidades encontradas nas investigações sobre a petroleira somam 3 bilhões de reais. Dilma minimiza a investigação da Justiça norte-americana
Raro é o dia em que a Petrobras, a maior empresa do Brasil e da América Latina, gestora pública do ativo (petróleo) visto pelo Governo de Dilma Rousseff como “o passaporte do futuro” do gigante sul-americano, não se vê implicada no panorama judicial. O presidente do Tribunal de Contas da União, o ministro Augusto Nardes, afirmou nesta quarta-feira que as irregularidades encontradas até o momento em obras da Petrobras somam 3 bilhões de reais, o que o transforma no “maior escândalo da história do Tribunal”, informa a EFE. A Polícia Federal do Brasil estima que a toda a trama pode ter desviado ilegalmente mais de 10,8 bilhões de reais.
Após protagonizar involuntariamente a recente campanha eleitoral por uma série de detenções, demissões e depoimentos judiciais sobre os atos de corrupção e um sistema bem organizado de financiamento irregular dos partidos políticos brasileiros (especialmente o PT), a Justiça norte-americana iniciou uma investigação contra a empresa petrolífera estatal por suposta corrupção, segundo informações da edição do último domingo do jornal britânico Financial Times. A presidenta Dilma Rousseff minimizou a notícia na quarta-feira em Doha e se limitou a afirmar que “a Petrobras está cotada na bolsa de Nova York e faz parte das regras do jogo ser investigada [...] os Estados Unidos devem investigar se existem cidadãos norte-americanos envolvidos em alguma irregularidade”.
De acordo com o publicado, o Departamento de Justiça analisa supostas violações do Ato de Práticas Estrangeiras Corruptas (FCPA, na sigla em inglês), que “proíbe oferecer, pagar, prometer pagar ou autorizar o pagamento de dinheiro ou qualquer coisa de valor para um funcionário estrangeiro”: nesse caso concreto, subornos de cidadãos e empresas norte-americanos para funcionários brasileiros para conseguir vantagens comerciais com a Petrobras. Por seu lado, a Comissão de Segurança e Câmbio (SEC, na sigla em inglês), que regula o mercado de valores norte-americano, também teria aberto uma investigação sobre os recebimentos de ações (ADR) da Petrobras, que são negociadas em Wall Street. Fontes consultadas no Departamento de Justiça norte-americano evitaram entrar em detalhes na terça-feira: “Por uma questão de política, geralmente não confirmamos nem desmentimos se um assunto está sendo investigado”, disse um porta-voz para esse jornal, segundo informações de Joan Faus. Por seu lado, um porta-voz da Embaixada Brasileira em Washington assegurou não ter informações sobre uma investigação.
Questionada pelo EL PAÍS sobre a questão, a Petrobras esclareceu, por meio de nota, que “desconhece qualquer investigação que esteja sendo feita no âmbito do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) ou da Securities and Exchange Comission (SEC)”. Segundo o texto divulgado pela estatal, “a companhia não recebeu notificação de nenhum dos dois órgãos acerca de abertura de investigações para identificar eventual violação à legislação americana, tendo em vista as denúncias efetuadas no âmbito da ‘Operação Lava Jato’”. A nota segue, dizendo que “a Petrobras, através do escritório americano contratado para conduzir as investigações independentes, Gibson, Dunn & Crutcher LLP, já fez contato com os referidos órgãos americanos, informando sobre o início dos trabalhos para apurar tais denúncias na companhia”.
Perguntado na segunda-feira sobre o assunto, o vice-presidente brasileiro, Michel Temer, não negou as informações sobre investigação nos EUA e frisou que as responsabilidades devem ser apontadas, “doa a quem doer”, a mesma frase usada por Dilma ao longo da campanha. “A Constituição brasileira determina a autodeterminação dos povos. Se os Estados Unidos iniciaram uma investigação, devem continuar, como o Brasil está fazendo”, afirmou durante uma reunião com prefeitos.
Os tribunais do país norte-americano podem investigar qualquer empresa estrangeira cotada na Bolsa de Nova York, como é o caso da petrolífera brasileira, cujas ações na segunda-feira caíram 3,5%. O Financial Times destaca que alguns dos supostos delitos começaram quando a empresa tinha Dilma Rousseff como presidenta do Conselho de Administração entre 2003 e 2010, que está agora em seu segundo mandato como presidenta da nação. Sob seu mandato, ocorreu a polêmica compra e venda de uma refinaria em Pasadena, Texas, uma das operações que estariam por trás da abertura do expediente nos Estados Unidos (entre 2006 e 1012, a Petrobras pagou 3 bilhões de reais pelo controle total da citada refinaria, uma quantidade 27 vezes superior à desembolsada anos antes pela belga Astra Oil).
A Petrobras, que emprega mais de 86.000 pessoas e produz dois milhões e oitocentos mil barris de petróleo por dia, vive imersa desde março na ‘Operação Lava-Jato’, iniciada pela Polícia Federal brasileira, que teve uma reviravolta espetacular nas últimas semanas com os depoimentos de três delatores (seu ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa; o doleiro e especialista em lavagem de dinheiro Alberto Youssef; e Julio Camargo, representante de uma construtora com contratos de mais de 3,83 bilhões de reais com a Petrobras) que revelaram o funcionamento de um complexo esquema de propinas e lavagem de dinheiro em troca de uma sensível redução de sua pena e a devolução de 175 milhões de reais. Costa afirmou diante do juiz que existia um sistema de subornos institucionalizado e que o PT embolsou entre 1% e 3% de todos os contratos feitos de 2004 a 2012.
Imagem: Posto de gasolina com combustível da estatal brasileira. / EFE


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Isabel dos Santos. Reina de África y emperatriz de Portugal






Isabel dos Santos, hija del presidente de Angola, controla un imperio empresarial en dos continentes


Hay mandamases con problemas para llenar de allegados un taxi y otros que necesitan un estadio. Isabel dos Santos es de estos últimos. Al Mundial de fútbol de Brasil se llevó a 600 invitados.
Dicen que a su boda con Sindika Dokolo, de profesión coleccionista de arte (e hijo de un empresario de diamantes), acudieron 800 comensales, entre ellos un puñado de presidentes africanos. Dicen que es la mujer más rica de África, y la revista Forbes lo corroboró el pasado año, aunque el volumen de su riqueza es difícil de contabilizar —entre 2.000 y 4.000 millones de euros, según pesquisas occidentales— ya que, digan lo que digan, por boca de la niña de los ojos de su padre nunca ha salido nada.
Nacida en 1973 en Bakú (hoy Azerbaiyán, entonces Unión de Repúblicas Socialistas Soviéticas, la URSS), es la primera hija de José Eduardo dos Santos, presidente de Angola desde 1979. El entonces militante del Movimiento Popular de Liberación de Angola —hasta 1975 colonia portuguesa— recibía en aquella ciudad adoctrinamiento ideológico y educativo —se graduó en ingeniería petrolera y comunicaciones por radar—. Allí conoció a la ajedrecista rusa Tatiana Kukanova, la primera de sus tres esposas. De su relación nació Isabel, primera hija de los siete descendientes reconocidos del presidente.
Cuando se separaron sus padres, Isabel se fue con su madre a Londres, donde cursó ingeniería en el King's College. Allí conoció a su futuro marido, Sindika Dokolo, con quien se casó en 2002.
Para entonces, Isabel llevaba cinco años con su primer negocio, un bar. Pero no fue con un night club en la bahía de Luanda cómo Dos Santos se ha convertido en la mujer más rica del continente negro. Los beneficios de las copas no dan para poseer, en 15 años, bancos, cementeras, televisiones, gasolineras o lanzar, esta semana, una opa de 1.200 millones simplemente para comprar los derechos de voto de Portugal Telecom SGPS en la operadora brasileña OI.
El periodista angoleño Rafael Marques, encarcelado en 1999 por sus críticas al régimen, publicó el pasado año en Forbes el artículo La niña de papá: cómo una princesa africana consiguió 3.000 millones en un país que vive con dos dólares al día. Según Marques, los grandes negocios de Isabel dos Santos se fraguan de dos formas: participando en una empresa extranjera que necesita permisos para abrirse camino en Angola, o a través de una empresa concesionaria, creada por real decreto del padre.
La ideología socialista que aprendió Eduardo dos Santos en la URSS le duró hasta finales de los noventa, en los estertores de la guerra civil, cuando ya llevaba casi dos décadas al frente de la nación. Entonces abrazó el capitalismo y comenzó a firmar concesiones al capital privado extranjero para la explotación de minas, telefónicas y bancos, un mercado virgen en un país con inagotables recursos naturales.
El país crece a niveles inéditos, aunque el 70% de la población vive con menos de dos dólares diarios, y, según la organización Transparency International, solo hay en el mundo 10 países más corruptos que Angola (puesto 168 de 178 países analizados).
Después del night club, uno de los primeros negocios de Isabel dos Santos, fue el del diamante. El presidente-papá crea Endiama, empresa pública para la explotación de piedras preciosas, y su hija aparece como propietaria del 25% de la sociedad. A raíz del escándalo provocado por la película Diamantes de sangre, basada en el libro de Marques, Isabel transfiere la propiedad a su madre.
El país crece a buen ritmo, así que el cemento es un bien de primera necesidad, más aún, un bien estratégico nacional. La cementera Cimangola pasa a ser controlada por la hijísima.
Portugal se queda pequeño para los escasos, pero grandes, empresarios nacionales, como Américo Amorim. El rey mundial del corcho ve en Angola una oportunidad de nuevos negocios. Se repite el guion, la presidencia de Angola da licencia a un banco privado, el BIC. Amorim pone el dinero y en el accionariado, con un 25%, aparece Isabel dos Santos. Como también es habitual, acaban mal, y finalmente Amorim le vende su parte a la angoleña, que ya tiene el 42,5% del mayor banco del país. Consolidada en Angola, y con dinero real, ya puede dar el salto a otros países africanos (está en Namibia) y europeos. Dos Santos posee el 20% del portugués BPI.
Amorim amplió sus negocios a otras áreas angoleñas de innegable futuro, como el petróleo y el cemento. Crea Amorin Energia, el 55% de la familia y el 45% de Dos Santos, formalmente el holding holandés Esperanza. A través de esa sociedad controla la petrolera portuguesa Galp, donde Dos Santos tiene directamente un 7%. A estas alturas, ya es la mujer más poderosa de Portugal —por encima de Maria do Carmo Moniz Espírito Santo— , moviendo hilos en la banca, la energía, los medios de comunicación y las telefónicas.
Isabel dos Santos rechaza las insinuaciones de que sus negocios van muy relacionados con los 35 años de presidencia de su padre. Una de sus escasas exposiciones a los periodistas fue el pasado año en un almuerzo con Tom Burgis, de Financial Times. Aparte de los 250 euros que le costó al diario la pescadilla con patatas, la ejecutiva angoleña le recordaba que a los seis años vendía huevos y que gente bien relacionada hay mucha, pero que sepa hacer negocios, poca.
Dos Santos, madre de tres hijos, atribuye el éxito de sus negocios a su formación en matemáticas e ingeniería. Más concreto es su marido, que se explayó en una entrevista a la televisión angoleña sobre las virtudes de su esposa: "Es muy tranquila, y muy estable, le gusta tener una perspectiva a largo plazo. Posee tres cualidades que la convierten en la gran fuerza de Angola: autoconfianza, estabilidad y ambición". Así cualquiera.
De Luanda a Río, pasando por Lisboa
A finales del siglo XX nació por decreto presidencial la primera teleoperadora privada de Angola, Unitel. En 2001 se lanzó en el negocio de la telefonía móvil, ya con un 25% en manos de Isabel dos Santos. Solo un año después, Portugal Telecom (PT) pagó 12.500 millones de euros por hacerse con el 25% de la angoleña.
Pese a la fuerte inversión de PT, su control de la situación africana es tan escaso que no consigue recibir los 250 millones en dividendos de la angoleña, pues tiene enfadada a Dos Santos.
La brasileña Oi, en proceso de fusión con PT, ha osado deshacerse de esa participación africana sin contar con la empresaria angoleña, lo que le va a costar un disgusto. Oi pide 2.000 millones de euros por el 25% de Unitel, prueba de que la riqueza de la reina de África es mucho mayor de lo evaluado (y contando solo la parte bursátil).
Unitel es la mayor operadora privada de Angola, con más de 10 millones de abonados, casi la mitad de sus habitantes, y con grandes beneficios. Obtenido el capital necesario, Dos Santos ya puede extender sus tentáculos telefónicos por otros países que exigen ver el dinero: Cabo Verde, Santo Tomé... y, sobre todo, Portugal; aquí empezó como accionista de la plataforma de televisión por cable Zon y hace un año se asoció con la familia Azevedo para fusionarse con Optimus y formar la operadora Nos, que controlan casi a partes iguales. Nos es rival de Portugal Telecom en televisión por cable, móvil, fijo e Internet, lo que ahora intenta comprar la francesa Altice por 7.500 millones de euros a su dueña, la brasileña Oi.
Pero ni franceses ni brasileños contaban con Dos Santos, un olvido que les ha costado una opa de la angoleña sobre PT SGPS que, como mínimo, va a sentar a todos a negociar. Dos Santos quiere la parte de PT en Unitel y quizás también el negocio de PT en Portugal. Mientras se sientan, planta una opa y retiene los dividendos que tan bien le irían a una Oi sin cash.

Imagem: Isabel Dos Santos, en un acto público el pasado verano en Saint Tropez. / Venturelli (Getty Images)

Empresária angolana retira parte das exigências de sua OPA sobre PT





A operadora brasileira Oi considerava inaceitáveis as premissas do negócio


Um dia depois de qualificar de “inoportuna” a oferta de aquisição da qual foi alvo, a operadora brasileira Oi chamou de “inaceitáveis” as condições impostas na Oferta Pública de Aquisição (OPA) feita por Isabel dos Santos pela Portugal Telecom SGPS. No domingo, a filha do presidente de Angola, por meio de sua sociedade Terra Peregrin, lançou uma OPA, qualificada de “amistosa”, pela PT SGPS. Ofereceu 1,35 euro (4,32 reais) por ação, de forma a avaliar a sociedade em 3,84 bilhões de reais – o que compreende apenas os direitos de voto na Oi e uma dívida de 2,88 bilhões da Rioforte, virtualmente incobrável. Diante da má recepção das exigentes condições que impôs para realizar a oferta, a executiva angolana está disposta a reconsiderar.
A primeira resposta da Oi foi qualificar a OPA de “inoportuna”, com o que dava a entender que a iniciativa tomada por Dos Santos perturbava seus planos de venda de ativos o mais rápido possível. Um dia depois, a Oi ampliou sua crítica, chamando de “inaceitáveis” as condições da oferta, como as de suspender as operações até depois da OPA, eliminar o limite ao direito de voto da PT SGPS ou proibir essa sociedade de adquirir mais ações da Oi, todos eles termos estabelecidos no acordo de fusão assinado em 8 de setembro. A Oi confirma à CNMV de Lisboa que não modificará nenhum desses acordos.
Dada a oferta nada atraente – 30% abaixo da cotação nos últimos meses – e das condições envolvidas, a interpretação dos investidores era de que Dos Santos tentava ditar o ritmo da Oi para obter uma melhor posição na hora de negociar a venda da operação da PT na África. Entretanto, parece que há algo além disso. A executiva angolana, ao conhecer a rejeição absoluta da Oi, cogitou retirar essas condições.
“Lamentamos muito que a Oi tenha assumido essa posição sem ponderar devidamente a proposta de geração de valor apresentada e sem ouvir os acionistas, que estão implicados”, afirmou o porta-voz da empresária angolana. E acrescenta: “Cogitamos prescindir de algumas das exigências anunciadas para prosseguir com a oferta”.
Enquanto isso, os franceses da Altice voltaram a Portugal para prosseguir com as negociações para adquirirem os ativos da PT em Portugal (ofereceram 7,5 bilhões de euros, ou 24 bilhões de reais), e as ações subiram 16% em dois dias: estão cotadas a 1,40 euro, acima do 1,35 oferecido por Do Santos.
Imagem: A empresária angolana Isabel dos Santos. / Venturelli (Getty Images)


Angola. Pegadas de dinossauro paralisam mina de diamantes





Pegadas de 118 milhões de anos atrás detém a busca de joias em Angola
Em um dia de dezembro de 2010, o geólogo russo Vladimir Pervov franziu o rosto. Rodeado por gigantescos caminhões de 100 toneladas de capacidade, estudava os minerais da quarta maior mina de diamantes do mundo, a de Catoca, em Angola. E em um estrato de terra de 118 milhões de anos apareceu algo que não era uma pedra preciosa: uma pegada fossilizada pertencente a um animal que andou por ali no Cretáceo Inferior, o período que sucedeu o Jurássico.

http://brasil.elpais.com

“Vladimir se surpreendeu com o estranho formato da pegada e me enviou fotografias por e-mail”, recorda o paleontólogo português Octavio Mateus, descobridor em 2005 do primeiro dinossauro encontrado em Angola, o Angolatitan Adamastor, um animal de 13 metros de comprimento que viveu há 90 milhões de anos. Emocionado, o pesquisador partiu imediatamente de avião para a mina de diamantes a céu aberto, com uma produção de mais de seis milhões de quilates por ano. Uma vez ali, em um imenso buraco semelhante a um estádio com arquibancadas para espectadores gigantes, Mateus encontrou outra pegada e outra e outra, até chegar a quase 70 pegadas.
Então, aconteceu o inesperado. A Sociedade Mineradora de Catoca – formada pelas empresas mineradoras Endiama (Angola), Alrosa (Rússia), LLV (China) e Odebrecht (Brasil) – decidiu parar a extração de pedras preciosas nesse setor, de mais de 300 metros quadrados. “É uma história fantástica. As minas de diamantes da África não têm boa reputação, é a primeira vez que acontece algo assim”, afirma Mateus, da Universidade Nova de Lisboa.
A má fama vem justamente de países como Angola, onde a partir de 1975 uma guerra civil opôs o governo do Movimento Popular de Libertação de Angola, sustentado pela URSS, e a União Nacional para a Independência Total de Angola, apoiada pelos EUA. O Governo tinha petróleo e a guerrilha possuía diamantes, cuja venda aos países ricos financiava a guerra. Eram os chamados diamantes de sangue.
“Nessa ocasião, a empresa decidiu parar a atividade nesse setor, e não por ser obrigatório por lei, mas porque se deram conta do valor do achado para o patrimônio cultural de Angola e decidiram protegê-lo”, argumenta Mateus. “Desconheço as cifras concretas, mas deter a extração de diamantes pode ter causado a perda de centenas de milhares de euros”.
O achado das 70 pegadas do Cretáceo foi anunciado na quarta-feira em um encontro anual da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados, em Berlim. Lá, Mateus apresentou “um descobrimento inesperado”. Junto com 18 pegadas de saurópodes, um tipo de dinossauro popularizado pelos diplodocos de pescoço comprido, apareceram dezenas de pegadas de um animal surpreendente. “É um mamífero do tamanho de um guaxinim, em uma época na qual a maioria era pequena como ratos”, explica.
Os especialistas não sabem o que era o animal que correu pela mina de diamantes há 118 milhões de anos. “Fiz uma compilação de pegadas de mamíferos encontradas em todo mundo. Espero que possamos descobrir o que é”, diz o paleontólogo Anne Schulp, do museu de história natural Naturalis, em Leiden (Holanda).




Os pesquisadores, reunidos na equipe PaleoAngola, asseguram que não se desenterrou, em nenhum lugar do planeta, um esqueleto fóssil de um mamífero de tamanho suficiente para ter deixado essa pegada há 118 milhões de anos. A única pista são os restos de um mamífero, de pouco mais de meio metro de comprimento, que viveu na China aproximadamente cinco milhões de anos depois. O problema é que as extremidades desse animal não foram conservadas, tornando impossível saber se faz parte do mesmo grupo, separados pela distância no espaço e no tempo.
“Sobre as pegadas de Catoca, não podemos dizer muita coisa além do fato de terem sido feitas por um animal com formato de mamífero, sobretudo porque estão muito mal conservadas”, acrescenta o italiano Marco Marzola, outro paleontólogo da equipe PaleoAngola.
Marzola, o mais jovem do grupo, de 31 anos, foi o primeiro a se dar conta de que algumas pegadas na mina de diamantes não eram de mamífero ou de dinossauro. “Descobri que algumas pegadas, a princípio atribuídas a mamíferos, na realidade pertenciam a um animal do Cretáceo relacionado com os modernos crocodilos”, diz.
Para Marzola, “é excepcional que a empresa Catoca tenha detido toda a atividade de mineração nesse setor durante oito meses”. Sobre as centenas de milhares de euros supostamente perdidos, talvez seja necessário acrescentar outro tanto no futuro, como sugere o holandês Schulp: “O fato de não sabermos de qual mamífero se trata mostra que existe uma enorme quantidade de trabalho por fazer. Somente raspamos a superfície”.

Imagem: Vista aérea da mina de diamantes de Catoca, em Angola. / Angola Field Group