quarta-feira, 19 de novembro de 2014

“Não há uma cidade, um Estado no Brasil, sem obra superfaturada”





Para promotor especialista em carteis, algumas empresas atuam como a máfia

MARINA NOVAES São Paulo 

Mudam os esquemas, mas os protagonistas continuam os mesmos. Ano após ano, grandes empresas – em especial, construtoras – são apontadas como pivôs de escândalos suspeitos de desviar uma fortuna dos cofres públicos no Brasil. O mais atual, que atinge a empresa estatal mais importante do país, a Petrobras, revelado pelaOperação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), pode ter causado um rombo de até 10 bilhões de reais. Para o promotor de Justiça de São Paulo Marcelo Batlouni Mendroni, especialista em investigar crimes financeiros e cartéis, somente uma ampla reforma na legislação diminuirá a ocorrência de casos de corrupção que, na avaliação dele, é endêmica.
“Não há uma prefeitura, um Estado no Brasil, sem contratos superfaturados de obras, de prestação de serviços”, disse o promotor, doutor pela Universidad Complutense de Madrid, na Espanha, com pós doutorado na Università di Bologna, na Itália. Em entrevista ao EL PAÍS, na sede do Gedec, órgão do Ministério Público paulista criado em 2008 para investigar delitos de ordem econômica, Mendroni comparou as empresas envolvidas em escândalos dessa natureza à máfia italiana.
O promotor é autor da denúncia, de 2012, um grupo de empreiteiras suspeitas de fraudar uma concorrência pública para obras do metrô paulista. Embora sejam casos completamente distintos – um afeta o Governo Federal, comandado pelo PT, e o outro o Governo paulista, a cargo do PSDB –, chama a atenção a repetição dos “personagens” da esfera privada. Dentre as denunciadas pela Promotoria de São Paulo há dois anos, seis estão agora sob a mira da Operação Lava Jato da PF: as construtoras Camargo Corrêa, Mendes Júnior, OAS, Queiroz Galvão, Iesa e Odebrecht – todas negam irregularidades. Na semana passada, 36 investigados,entre eles executivos de oito construtoras, foram detidos pela Polícia Federal.
Pergunta. Por que observamos a repetição de algumas empresas em casos diferentes de corrupção?
Resposta. Por causado volume de dinheiro envolvido nos contratos com grandes estatais. O Brasil parece que, indiretamente, vai copiando o modelo das atividades mafiosas. Se você for olhar a Cosa Nostra italiana, de um tempo pra cá, ela parou de praticar crimes violentos e entendeu que conseguia ter muito mais sucesso conseguindo ganhar grandes contratos com o poder público, através da infiltração nas obras públicas, da corrupção de agentes públicos e intimidação de concorrentes. Então eles ganham grandes contratos com o Estado, superfaturam essas obras, que foi exatamente o que parece que aconteceu na Operação Lava Jato e que acontece no Brasil... Aliás, verdade seja dita: é o que acontece em praticamente todos os municípios, todos os Estados e na União. É uma corrupção absolutamente disseminada em todo o país. Eu acho que não existe uma prefeitura nesse país, um Estado, que não tenha esquema de superfaturamento de contratos de obras e serviços públicos. E a União, evidentemente, é onde estão os maiores contratos.
Essas organizações empresariais também são organizações criminosas. Isso tem que ficar bem claro. Hoje em dia, sabemos de empresas perfeitamente lícitas que atuam como um modelo de organização criminosa empresarial, que praticam muitos crimes, além de corrupção, a formação de cartel, os crimes tributários, e outros por aí... ou seja, elas praticam atividades lícitas, mas se valem da estrutura empresarial pra praticar crimes.
P. O senhor foi enfático em mencionar que não tem conhecimento profundo sobre a Operação Lava Jato. Mas, pela sua experiência, é possível que o esquema que vimos na Petrobras hoje tenha começado há muitos anos, até em Governos passados?
R. Sem conhecer o caso, sem opinar especificamente sobre esse caso, acho que esse é um esquema que já vem de muitos, muitos anos. (...) A minha opinião é de que sim. Que isso não é um esquema novo. Não só a Petrobras, mas se fossem investigar a fundo as grandes estatais, todos esses contratos, a gente ia ver aí que muitos outros bilhões de reais foram levados através de superfaturamento de obras, de hidrelétricas, estradas, hidrovias, enfim... Não tenho a menor dúvida. Na verdade, eu diria que, com 99,99% de chance, sim que esse esquema existe há pelo menos aí uns 30 anos, desde que o Brasil saiu da ditadura militar... Meu palpite é que desde os anos 80 a gente tenha aí esses esquemas atravessando os Governos indistintamente. Talvez tenha sido mais forte em um Governo que em outro, dependendo muito da ação de Tribunais de Contas, do Ministério Público, da Polícia Federal, enfim, dos termos de investigação e repressão à criminalidade. Mas que existe há bastante tempo eu acho que sim.
P. Muitos classificaram como “histórica” as prisões de empresários na última semana – e recentemente de políticos envolvidos no escândalo do Mensalão. Qual a sua opinião?
R. Eu acho que o Brasil vive uma fase em que deveria rever toda a legislação, a questão da Justiça, pra de alguma forma passar o país a limpo... É lógico que a corrupção não vai ser extirpada, mas que fosse dado um golpe violento contra a corrupção, para que as pessoas tenham mais medo. Porque do jeito que ela existe hoje, eu não tenho nenhum medo de errar em dizer que a corrupção é absolutamente endêmica no Brasil. E não acho que só isso vai ser um divisor de águas. Se não se houver essa reforma processual penal e penal, eu acho que nós vamos viver esse filme mais algumas vezes, achando que dessa vez vai... E isso pode ter um efeito rebote muito perigoso, no sentido de que as pessoas fiquem incrédulas, desestimuladas...
P. O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, disse à Folha de S.Paulo que algumas das empresas investigadas disseram ter sido alvo de concussão, ou seja, da exigência de dinheiro para fechar contratos. O que o senhor acha desse discurso?
R. É balela. (...) Assim como a gente não sabe quem veio antes, o ovo ou a galinha, na corrupção a gente também não sabe quem vem antes, a empresa ou o agente político. Porque é interessante para os dois. Na verdade, as duas partes se procuram...
P. Qual a dificuldade que o Brasil tem de perseguir e punir os agentes corruptores?
R. A corrupção é talvez um dos casos mais difíceis de se apurar. Porque é um crime silencioso que interessa às duas partes. Na corrupção, existem dois autores ao mesmo tempo e a vítima é o Estado, que é quieto, silencioso, não fala... A investigação da corrupção é dividida basicamente de duas formas cruciais: a primeira é quando as partes não sabem que estão sendo investigadas, que é quando temos um maior grau de possibilidade de eficiência, na medida em que nós temos instrumentos como escutas telefônicas, escutas ambientais, buscas e apreensões... Depois que os casos chegam à imprensa, corremos contra o tempo.
P. O senhor disse que, depois que a investigação vaza, fica mais difícil reunir um conjunto de provas ‘diretas’. Isso não facilita, de certa forma, o trabalho da defesa? Porque grandes empresas têm grandes advogados...
R. Se você tem poucas provas diretas, mas tem um conjunto vasto de provas indiretas, é possível que se dê maior valoração para as provas indiretas. Mas o poder Judiciário no Brasil, de uma forma geral, ainda é um pouco resistente em analisar as provas indiretas, coisas que na Europa e nos Estados Unidos, já foi absolutamente superado. Na Itália, por exemplo, os juízes aplicam nos casos de grandes máfias a questão da ‘máxima de experiência’, que é uma coisa muito nova no Brasil. (...) Mesmo a colaboração premiada, que é usada há muito tempo na Europa e nos Estados Unidos, só agora começa a ser usada no Brasil, principalmente depois da Lei de Organização Criminosa, mas ela já estava na nossa legislação. No Direito as coisas são um pouco mais lentas que nas outras ciências, porque envolvem uma adaptação da sociedade. Nós passamos por um período, e ainda passamos de certa forma, de muita resistência de advogados dizendo a colaboração premiada é imoral, mas isso é um instrumento absolutamente lícito. Então é um processo lento.
P. O que pode ser feito para diminuir a ocorrência de crimes financeiros no Brasil?
R. Em uma investigação de uma organização criminosa você precisa de uma engrenagem de três rodas: legislação adequada, estrutura e treinamento. Pra começar, já passou do tempo de os Estados terem varas criminais especializadas em crimes econômicos. Os casos de lavagem de dinheiro e de formação de cartéis, especificamente, e aqueles correlatos, são extremamente complexos. Quando você manda um caso desses pra um juiz comum, que na maioria das vezes não está habituado com esse tipo de processo, ele vai ter que começar tudo do zero.
O outro ponto é que a punição seja efetiva pra esse tipo de crime. Eu costumo dizer o seguinte: esses empresários, esses políticos e agentes públicos que praticam a corrupção não precisam de ressocialização, como os criminosos comuns. Eles precisam de uma pena com caráter exclusivamente punitivo. Não é permitindo que ele deixe a prisão depois de cumprir um sexto da pena... Por que hoje é muito vantajoso o cara praticar o crime, conseguir roubar milhões, e depois sair, resgatar o dinheiro que eles têm aplicado em outra parte do planeta, e viver uma vida nababesca. Se você tem um nível baixo de criminalidade em alguns países da Europa é porque as pessoas têm medo da mão pesada da Justiça, não porque elas nascem naturalmente boas...
P. Qual a sua opinião sobre o financiamento privado das campanhas eleitorais?
R. Eu sou um pouco radical nessa questão. Eu, por exemplo, me questiono por que tem que ter o financiamento público ou privado de campanha... Por que as grandes empresas querem financiar as campanhas? Porque elas têm interesses. Não é de graça. Não é ideológico. Elas bancam candidaturas indistintamente, de vários partidos, sem nenhuma ideologia política, dos concorrentes diretos. Isso é o óbvio ululante. Só não enxerga quem não quer ver. É um ciclo vicioso: eles financiam as campanhas e depois cobram de alguma forma, seja para facilitar os contratos com essas empresas, que são superfaturados e é, muitas vezes, a forma como recebem o dinheiro investido de volta.
Imagem: O promotor de Justiça Marcelo Mendroni, de São Paulo. / M. NOVAES

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Portugueses em Angola (03)





Boas!
Uma dúvida! Sabem onde se consegue comprar comida de dieta para gatos castrados em Luanda? Na casa dos animais ainda não havia...

Boa tarde a todos vós, e bom fim de semana . SFF alguem me sabe explicar o significado de um B.I Angolano "estar" numa lista negra? Passo a explicar. Este ano levei os meus filhos para Portugal para estudarem , ambos ttêem nacionalidade Angolana , o unico documento que tinham em falta era o B.I , fui na ilha tratar dos mesmos , com a menina correu tudo bem e recebemos o mesmo no proprio dia , com o menino , entregaram-me o bi ao mesmo tempo mas verifiquei que o apelido do pai estava mal escrito , expus a questão e muito solicitos resolveram o problema , e uma hora depois entregam-me novo B.I , surpresa erraram no outro apelido do pai , quando fui chamar a atenção para o facto , simpaticamente tentaram tratar da situação e fazerem um novo , quando no monitor apareceu a mensagem de que tal era impossivel e que aquele B.I se encontrava numa lista negra do sistema , como tinha viagem para o dia seguinte de manhã ja não consegui fazer mais nada , agora so preciso saber o que sig¨nifica isso efectivamente , encontro-me na provincia e por razões laborais vai demorar muito ate me deslocar a Luanda , portanto se alguem souber efectivamente o significado disto , que me informe , e me dê alguma dica de como resolver . Obrigado

Boa tarde, sou novo por aqui e gostaria de fazer uma pergunta. O meu pai e natural de Luanda assim como parte da minha família paterna. Gostaria de saber se posso adquirir a nacionalidade angolana e se é muito complicado. Precisava de a conseguir com alguma urgência. Se alguém me puder ajudar quanto aos procedimentos agradecia muito. Antes de mais obrigado pela ajuda
 Já vi Matumbos piores!!
Eles teem medo prk os novos os que estão a vir de todos os lados estão a chegar trazem conhecimento, mentalidades diferentes, sentido de justiça etc.etc.
Isso provoca choque de mentalidades e se evoluirmos então os lugares serão para quem tem competência e não for the Boys!!!
Isso causa estorvo !!
Já estão com medo
 Humberto Abrantes, desculpa que te diga, mas és simplesmente insuportável... Vais longe!!! Cada um sabe de si.
Olha os meus n ficaram qdo Angola precisava porque queriam q fossem para a guerra, mas afinal iam matar portugueses ou angolanos??? Claro que tomaram a decisão acertada na altura em irem para Portugal e voltarem quando isto estabilizou... Não quer dizer que agora n ajudemos!!! Tem mas é juízo e vai pa caminha....

Boa noite, vou para Portugal dia 26 queria levar alguns produtos alimentares, sabem me dizer se posso levar, como levar e quantos kilos? Obrigado

Boa noite,
Encontro-me a trabalhar em Angola desde Março de 2013 e procuro novos projectos na área Qualidade (ISO 9001), Segurança Alimentar (ISO 22000, IFS, HACCP) e/ou Acreditação de Laboratórios (ISO 17025). Adquiri a minha experiência profissional no Ramo Alimentar, onde destaco competências nas áreas da Implementação e Coordenação dos Sistemas de Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar, bem como, Gestão e Acreditação Laboratorial.
Peço o favor de me contactarem por mensagem privada ou e-mail ( mmvcampos@gmail.com), caso saibam de alguma oportunidade nesta área.
Muito Obrigada.

nao lhr condeno Ana mas se lhe aparecer alguma proposta de trabalho tenha muito cuidado nem tudo o que parece e tente tirar as informacionais coisas dessa firma porque neste momento a muito português em angola que esta em grandes apuros sem ordenado a meses e com passaportes retidos o que faz com que andamos na rua ilegais mas o que e triste e andamos a fugir da policia como se formos uns criminosos eu passei por isto em Luanda na primeira pessoa tenha muito cuidado amiga

In Facebook
Imagem: portugueseindependentnews.com/






Gula humana aumenta para 22.400 as espécies ameaçadas de extinção





Lista Vermelha inclui o atum de aleta azul do Pacífico, muito pescado para fazer sashimi


Imagine que um animal começasse a devorar, um por um, os 7.200 milhões de humanos que habitam o planeta e perto do ano de 2050 só restassem 720.000 pessoas na Terra. O predador teria aniquilado toda a humanidade exceto uma população do tamanho da cidade espanhola de Sevilha. Foi isso o que aconteceu com o baiacu da China, um animal dotado, depois de milhões de anos de evolução, de veneno e da capacidade de inchar-se para assustar seus inimigos, mas que não conseguiu vencer um novo perigo: a moda do sashimi. O excesso de pesca para abastecer o mercado japonês reduziu sua população em 99,99% nos últimos 40 anos, segundo a última edição da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, apresentada nesta segunda-feira.
O catálogo, elaborado desde 1964 pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), já inclui mais de 76.000 espécies avaliadas, das quais quase 30%, mais de 22.400, estão ameaçadas de extinção, 4.635 delas em perigo crítico.
O crescente mercado da alimentação está exercendo uma pressão insustentável sobre muitas espécies”, declarou Jane Smart, diretora do grupo de Biodiversidade da UICN, na apresentação do informe no Congresso Mundial de Parques, em Sidney. “A Lista Vermelha é uma chamada à ação. Estamos muito preocupados, porque o que estamos fazendo não é suficiente”, afirmou Smart.
A gula humana também levou o atum de aleta azul do Pacífico, ingrediente do sushi e do sashimi, a passar para a categoria de “vulnerável à extinção”. A indústria pesqueira, sobretudo a asiática, captura esses peixes quando são jovens, antes de reproduzirem, e a UICN calcula que a população pode ter caído 33% nas últimas duas décadas. A indústria de criação de enguias na Ásia, que agora se abastece de enguias americanas depois de esgotar as japonesas, também obrigou a classificação da espécie como ameaçada.
Smart exigiu que sejam impostos limites estritos à captura dessas e de outras espécies e pediu que sejam colocadas em andamento o quanto antes medidas para proteger seus habitats. A metade das 2.000 espécies cujo estado foi avaliado pela primeira vez na Lista Vermelha se encontra em regiões teoricamente protegidas. “Apenas 25% das regiões protegidas são bem geridas e isso é um problema muito sério”, recordou Smart.
O número de espécies ameaçadas de extinção na Lista Vermelha não deixa de crescer. Em 2013 eram pouco mais de 21.000. Em 2004, rondavam as 15.000. E em 1996 passavam pouco das 10.000. Na Espanha há 552 espécies ameaçadas, mais do que o dobro de países do entorno, como França e Portugal.
A cobra chinesa é um bom exemplo do fracasso da conservação de alguns santuários naturais. Ela vive nas reservas chinesas de Ailaoshan e Dawesihan, além do Parque Nacional de Kenting, em Taiwan, mas sua população caiu nos últimos 20 anos devido à caça para fornecer exemplares às cozinhas de Hong Kong, onde é considerada uma iguaria.
A nova Lista Vermelha também constata a extinção total de duas espécies pela destruição de seus habitats. O caracol Plectostoma sciaphilum vivia apenas em uma colina de pedra calcária de Bukit Panching, na Malásia peninsular. Em 2007, uma empresa cimenteira arrasou a colina para extrair a pedra e o caracol desapareceu definitivamente da face da Terra. Também sumiu a maior tesourinha do planeta, a tesourinha gigante de Santa Helena, um inseto de oito centímetros que vivia na ilha britânica de mesmo nome, a mais de 2.000 quilômetros da costa de Angola. O desenvolvimento urbanístico, os ratos e as espécies invasoras de invertebrados que chegaram em barcos eliminaram o inseto, avistado pela última vez em 1967.
Com essas duas extinções, já são 832 as espécies cuja extinção constatou-se em meio século de história da Lista Vermelha, apesar de o número real ser “muito maior”, segundo alerta Craig Hilton Taylor, responsável pela listagem. Outras 69 espécies se extinguiram em liberdade e só sobrevivem em cativeiro.
O presidente da Comissão para a Sobrevivência das Espécies da UICN, Simon Stuart, pediu “uma multiplicação dos esforços de preservação”. O especialista recordou que, quando há recursos e vontade política, é possível reverter o estado crítico das espécies, como aconteceu com a Reserva Natural da Rãzinha Dourada, no departamento colombiano de Tolima. Essa área protegida foi criada em 2008 para proteger um fragmento de bosque úmido no qual vivem duas espécies de rãs venenosas descobertas na última década. Elas estão se recuperando.
“Os especialistas nos advertem que as espécies ameaçadas que estão mal representadas nas áreas protegidas estão diminuindo duas vezes mais rápido do que as que estão bem representadas. Nossa responsabilidade é aumentar o número de áreas protegidas e garantir sua gestão eficaz”, afirmou em um comunicado a diretora geral da UICN, Julia Marton-Lefèvre.
A nova lista mostra centenas de espécies que estão sofrendo a destruição de seus habitats, incluindo 66 espécies de camaleões. O camaleão gigante de três chifres, exclusivo das montanhas do Leste de Usambara, na Tanzânia, foi incluído na lista como ameaçado de extinção, apesar de se concentrar na Reserva Natural de Amani. Essa região teoricamente protegida está sendo afetada pelo desmatamento para a criação de plantações agrícolas, pela mineração em busca de carvão e pela derrubada de árvores para produzir madeira.
A Lista Vermelha é o catálogo mais completo que existe sobre as espécies ameaçadas do planeta, mas está longe de ser exaustivo, já que avalia apenas 76.000 dos 1,7 milhões de espécies descritas.
Imagem: Um atum de barbatana azul do Pacífico em aquário dos EUA. / Randy Wilder

domingo, 16 de novembro de 2014

As 19 jóias da natureza mundial estão em perigo crítico


Imagem: Um okapi na República Democrática do Congo. / UNESCO

Cerca de 8% do Patrimônio Natural da Humanidade se encontra em estado grave

MANUEL ANSEDE Sidney

Cerca de 8% dos paraísos naturais considerados ícones do planeta estão em perigo “crítico” e outros 29% encontra-se em um estado de “preocupação significativa”, entre eles os parques nacionais espanhóis de Doñana e Garajonay e o conjunto declarado Patrimônio Mundial da Humanidade em Ibiza, segundo um informe publicado hoje pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
A organização destaca a “perspectiva positiva” para os outros 2/3 dos lugares considerados Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco, mas oferece um panorama negativo sobre os esforços para preservar a biodiversidade do planeta. Em todo o mundo existem ao redor de 200.000 áreas protegidas e apenas 228 são consideradas Patrimônio Natural.
“Se fracassarmos na conservação dos lugares mais famosos do planeta, fracassaremos com os outros”, declarou Cyril Kormos, da UICN, na apresentação do relatório no Congresso Mundial de Parques, em Sidney (Austrália).
O cultivo de morango e os planos de armazenamento de gás, em Doñana; as agressões às pradarias submarinas da planta aquática Posidonia oceânica, em Ibiza; e os incêndios e o turismo que castigam o Parque Nacional de Garajonay colocam estas três reservas naturais em estado de “preocupação significativa” para a UICN. O Parque Nacional do Teide, no entanto, é um dos exemplos de boa gestão.
Nenhuma das joias naturais da Europa tocou os alarmes da organização internacional, que localizou em outros continentes 19 lugares “com uma perspectiva crítica que precisam de intervenções urgentes e em grande escala para proteger seus valores”. A ecologista russa Elena Osipova destacou hoje que as principais ameaças que estes lugares enfrentam são as espécies invasoras, o turismo, a caça comercial, a pesca, as presas e o corte de árvores, com a mudança climática como ameaça potencial em todas elas. Estes são os 19 santuários naturais em perigo extremo:
A reserva de caça de Selous (Tanzânia)
Com 50.000 quilômetros quadrados, é uma das maiores áreas protegidas da África. Em junho, a Unesco inscreveu o lugar na lista do Patrimônio Mundial em Perigo “porque a caça furtiva em grande escala está dizimando a população de animais selvagens”. O número de elefantes e rinocerontes diminuiu quase 90% desde 1982.
A Reserva da Biosfera do Río Plátano (Honduras)
O próprio governo de Honduras solicitou em 2011 a inclusão desta reserva na lista do Patrimônio Mundial em Perigo, por sua incapacidade para manter a lei na zona pela presença de narcotraficantes. O lugar, um dos poucos bosques tropicais chuvosos da América Central, “encontra-se ameaçado pela ocupação ilícita de terras, a pesca e a caça furtiva”, segundo a Unesco.
A Reserva da Biosfera Mariposa Monarca (México)
A mariposa monarca, que vive até nove meses, viaja milhares de quilômetros, dos bosques do Canadá e EUA até o estado de Michoacán, no México. Ali, milhões se agrupam nos bosques de oyamel, um abesto nativo das montanhas do país. A UICN adverte que “o excepcional papel desta reserva na proteção das mariposas monarca durante o inverno está ameaçado pelo desflorestamento e a agricultura”.
Parque Nacional dos Everglades (EUA)
13 dos 19 lugares em perigo crítico estão na África, mas os países ricos não se salvam. O Parque Nacional dos Everglades, no sul da península da Flórida, é o maior ecossistema de manguezais do hemisfério ocidental e o principal lugar de nidificação de aves aquáticas da América do Norte, mas está afetado pelo crescimento urbano e pela agricultura. O caudal de água que entra no parque foi reduzido em 60% e a contaminação deteriorou suas águas.
Bosques chuvosos tropicais de Sumatra (Indonésia)
São 2,5 milhões de hectares de bosques com 10.000 espécies vegetais, 580 de aves e 200 de mamíferos, incluindo o orangotango de Sumatra. A UICN, e a própria Unesco, o consideram em perigo pela caça furtiva, os planos para construir estradas, o corte ilegal de árvores e a expansão da agricultura.
Reservas naturais do Air e de Teneré (Níger)
Seus 7,7 milhões de hectares que abarcam o maciço vulcânico do Air, encravado no deserto saariano de Teneré. O clima singular desta região permite a existência de uma flora e uma fauna excepcionais, agora ameaçadas pela caça furtiva e o pastoreio ilegal.
Parque Nacional de Comoé (Costa do Marfim)
É uma das zonas protegidas de maior tamanho da África ocidental e em seu leque diversificado de tipos de vegetação destacam-se pequenas ilhas de selva densa úmida graças à presença do rio Comoé. Em sua superfície vivem elefantes, chimpanzés e o cão-selvagem-africano. A caça furtiva, os assentamentos humanos, a pressão agrícola e a falta de planos de gestão adequados são suas principais ameaças.
Reserva de fauna de Dja (Camarões)
Considerada pela Unesco como um dos bosques úmidos mais vastos e mais bem conservados da África, a reserva é o lar de 107 espécies de mamíferos, incluindo gorilas, chimpanzés e o ameaçado elefante de bosque africano. Quando foi declarada Patrimônio Natural da Humanidade em 1987, 90% da região estava intacta. Hoje o parque sofre ameaças como a da mineração.
Complexo florestal de Dong Phayayen-Khao Yai (Tailândia)
Este bosque tropical estende-se praticamente da fronteira com o Camboja até o Parque Nacional de Khao Yai. Abriga 800 espécies animais, incluindo 200 de répteis e anfíbios, algumas delas em perigo de extinção. Recebe 700.000 visitantes por ano, que querem ver espécies como o elefante asiático, o urso negro da Ásia e o crocodilo siamês. A região encontra-se em perigo pela falta de administração e o desenvolvimento urbano.
Rennell Leste (Ilhas Salomão)
O maior atol de coral elevado do mundo está ameaçado pela exploração florestal, permitida pelas autoridades das Ilhas Salomão. Situado na ponta sul de Rennell, uma ilha do arquipélago, está coberto por bosques com árvores de 20 metros de altura.
Parque Nacional de Virunga (República Democrática do Congo)
Com quase 800.000 hectares, inclui todo tipo de habitat, dos cumes nevados de 5.000 metros no maciço Rwenzori até vulcões e rios nos quais vivem milhares de hipopótamos. Também serve como refúgio de inverno para milhares de aves procedentes da Sibéria. O Parque Nacional de Virunga é um dos cinco lugares da República Democrática do Congo incluídos na lista do Patrimônio Natural em Perigo da UICN, por causa da caça furtiva multiplicada depois de duas décadas de instabilidade política devido à presença de grupos armados.
Parque Nacional de Kahuzi-Biega (República Democrática do Congo)
Debaixo de dois vulcões extintos, o Kahuzi e o Biega, cresce um bosque tropical habitado por gorilas das planícies orientais, em perigo de extinção.
Reserva de fauna de Ocapis (República Democrática do Congo)
A bacia do rio Congo antes abrigava 5.000 dos 30.000 ocapis que vivem no mundo. O ocapi é um parente da girafa que só é encontrado na República Democrática do Congo e seu número diminuiu drasticamente por causa da caça furtiva.
Parque Nacional Salonga (República Democrática do Congo)
Também na bacia do rio Congo, é a maior reserva de bosque chuvoso tropical da África e acolhe espécies únicas em perigo de extinção, como o chimpanzé anão, o gavial africano ou falso crocodilo e o pavão real do Congo.
Parque Nacional de Garamba (República Democrática do Congo)
É o lar dos últimos rinocerontes brancos do norte que existem no planeta, se é que já não estão extintos por causa dos caçadores furtivos procedentes do Sudão e dos grupos rebeldes armados que patrulham a zona. Os animais, sobretudo os elefantes, são metralhados para a obtenção de seu marfim, segundo denuncia há anos o biólogo espanhol Luiz Arranz, diretor do parque.
Parques Nacionais do Lago Turkana (Quênia)
Por causa de sua salinidade, o Lago Turkana constitui um ecossistema singular que serve de parada para aves migratórias e se reproduzem espécies como o hipopótamo e o crocodilo do Nilo. O lugar está ameaçado pela construção de uma gigantesca represa na Etiópia.
Parque Nacional do Manovo-Gounda St. Floris (República Centro-Africana)
Em seus 1,7 milhão de hectares dominados pela savana encontram-se leopardos, elefantes, gazelas-vermelha e, antigamente, uma abundante população de rinocerontes negros. A paragem está em perigo pela caça furtiva e o pastoreio ilegal.
Parque Nacional de Niokolo-Koba (Senegal)
A que foi uma das reservas naturais mais importantes da África ocidental é hoje um bosque praticamente vazio por causa da caça furtiva. Em 1990 viviam no lugar cerca de 25.000 inhacosos, uma espécie de antílope da savana africana, e ficaram reduzidos a tiros a apenas uma centena, como também ocorreu com o gnu vermelho. Só sobreviveram os javalis-africanos, parentes dos porcos e evitados pelos caçadores, muçulmanos em sua maioria.
Reserva Natural Integral do Monte Nimba (Costa do Marfim e Guiné)

Rodeado de savanas, o Monte Nimba se eleva coberto por um bosque denso no qual vivem chimpanzés e espécies endêmicas como o sapo vivíparo. A mineração, o desflorestamento, a caça furtiva e a falta de recursos econômicos afogam a reserva.





sábado, 15 de novembro de 2014

Fornecedores das petrolíferas asfixiados por facturas em atraso



Atrasos nos pagamentos a fornecedores e prestadores por operadores petrolíferos põem em risco a actividade de muitas empresas, dizem associações do sector, que, ainda assim, temem recorrer aos tribunais, pois podem perder clientes.

Nelson Rodrigues
EXPANSÃO

Muitas empresas nacionais fornecedoras e prestadoras de serviços à indústria petrolífera correm o risco de paralisar a actividade devido a atrasos nos pagamentos de facturas, nalguns casos desde 2012, por parte dos grandes operadores, alertam membros da Associação das Empresas Prestadoras de Serviços ao Sector Petrolífero (AEPSP).
Segundo Pedro Lukebadyo, director da empresa Angola Processing and Supplier - e membro da AEPSP -, que falava recentemente no Fórum de Fornecedores do Sector Petrolífero, o pagamento de serviços prestados tem demorado de 90 dias a três anos, o que, na sua opinião, pesa no orçamento das empresa e dificulta futuros trabalhos.
O empresário queixa-se igualmente do risco que muitas empresas correm em cessar as actividades alegando falta de recursos e perda de novos contratos quando fazem pressão sobre as alegadas empresas devedoras. "O que acontece é que, normalmente, a factura não deveria demorar tanto, mas, às vezes, chega a demorar dois ou três anos. E, quando reclamamos, corremos o risco de não receber nada", lamenta o fornecedor, que aponta as grandes operadoras petrolíferas como as visadas neste processo.
Pedro Lukebadyo apontou, como solução possível, a interposição de uma queixa por violação contratual junto dos tribunais, mas teme, ao mesmo tempo, que a medida prejudique as empresas nas próximas contratações. "Se levarmos o caso a tribunal, não vai resultar, porque o cliente vai cortar o contrato", disse O mesmo aconselha Lurdes Caposso, directora da LCF e Associados, para quem a relação extrajudicial conserva a relação de negócio entre as empresas.
A advogada da LCF e Associados defende que o sector petrolífero exige transparência na comunicação financeira, o que "permitirá esclarecer todas as dúvidas dos contratos firmados entre as empresas". "Se um prestador de serviço ou subempreiteiro não recebe do seu cliente pagamentos no tempo estatuído no contrato, a lei prevê todos os mecanismos de reclamação do seu crédito, porque isto significa que o cliente tem o crédito para com ele", explica Lurdes Caposso, que aconselha os empresários fornecedores a optarem pela via negocial. Também o presidente da Associação de Empresas Contratadas da Indústria Petrolífera Angolana (AECIPA) afirma que tem recebido muitas preocupações dos seus associados.
Segundo Bráulio de Brito, os atrasos nos pagamentos são uma preocupação comum no País. E concorda que prejudicam as empresas. "É uma questão que existe no nosso sector - e penso que na vida empresarial no geral -, em que, por várias razões, os pagamentos são feitos com muito atraso. Por norma, os contratos internacionais e outros estipulam pagamentos a 30, 60 ou mesmo 90 dias, em função do porte e volume de trabalho contratual entre as empresas", explica o líder associativo, que pede maior atenção das petrolíferas ao conteúdo local.
Atrasos prejudicam produtividade
Ao falar dos prejuízos causados pelos atrasos no pagamento das facturas, Bráulio de Brito apontou a baixa produtividade das empresas locais em consequência dos atrasos como uma das dificuldades mais debatidas no sector. Também apontou o problema dos vistos e o custo da matéria-prima outros impasses na actividade dos fornecedores, apesar de apontar algumas soluções como a de negociação da 'dívida'.
"A observação feita de negociar e engajar as empresas é válida, mas, em muitos momentos, temos de avançar para uma posição mais musculada, porque os constrangimentos são muito grandes", alertou o responsável. Para evitar outros constrangimentos, Lurdes Caposso explica que, na relação negocial, "o fornecedor vai ter com o cliente e mostra que, em termos de compliance, ele está em incumprimento, e que a lei pode dar-lhe mecanismos de resolução do litígio de eles virem ao tribunal".
Como o negócio petrolífero é de relação de confiança, a sugestão é sempre resoluções extrajudiciais, afirma Caposso, acrescentando que os empresários que se encontrarem nessa posição devem contactar os seus clientes, com a ajuda de um advogado ou de um especialista de mediação, e resolverem o litígio.
Intervenção da associação
A actuação da associação dirigida por Bráulio de Brito vai para além dos atrasos nos pagamentos. De acordo com o responsável, várias acções têm sido levadas a cabo com vista a dar resposta às necessidades dos fornecedores. Uma delas é o contacto que a associação tem mantido com o Ministério das Finanças e com o Banco Nacional de Angola, com vista a ajustar "algumas medidas que são tomadas com impacto na indústria petrolífera".