terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Francos, pânico e absurdos. Paul Krugman





Suíços fazem fila em frente de uma casa de câmbio em Genebra.

Suíços passaram décadas cuidando da fortaleza da sua moeda e agora pagam por isso
Ah, Suíça, famosa por seus relógios e moeda forte. Pede que outros países experimentem políticas econômicas radicais, mas não existem surpresas com os suíços.

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Até que elas existam. Na quinta-feira, o Banco Nacional Suíço, equivalente à Reserva Federal, surpreendeu o mundo financeiro com dois golpes, ao abandonar a sua política de vincular o franco suíço ao euro e, ao mesmo tempo, baixar a taxa de juros que paga pelas reservas bancárias até alcançar um valor negativo, – 0,75%. Em seguida, começou a tempestade nos mercados.
E há bons motivos para sentir um arrepio de medo, mesmo se nossas finanças não forem afetadas diretamente pelo valor do franco. A razão é que as tributações monetárias da Suíça são uma ilustração em miniatura da dificuldade que é escapar do turbilhão deflacionário que está arrastando a maior parte da economia mundial.
O que precisam entender é que as regras habituais da política econômica mudaram quando eclodiu a crise financeira de 2008; entramos em mundo paralelo do qual não conseguimos sair. Em muitos casos, as virtudes econômicas viraram vícios: a disposição para economizar virou um obstáculo para o investimento; a probidade fiscal é um caminho para a estagnação. E no caso dos suíços, o fato de serem conhecidos pela segurança dos seus bancos e a fortaleza da sua moeda converteram-se em uma grande responsabilidade.
Funcionou assim: quando a Grécia deu início à crise financeira, no final de 2009, e outros países foram submetidos a uma enorme pressão, o capital em busca de um refúgio seguro começou a ser derramado na Suíça. Isto, por sua vez, disparou o franco suíço, o que teve um efeito devastador para a competitividade da indústria suíça e esteve a ponto de afundar o país - que já tem inflação e taxas de juros muito baixos - em uma deflação similar à japonesa.
De forma que os responsáveis pela política monetária suíça fizeram todo o possível para enfraquecer a sua moeda. Pode-se pensar que é fácil desvalorizar a sua moeda - basta imprimir mais notas, certo? -, mas em um mundo que acaba de passar por uma crise, isso não é nada fácil. Imprimir mais notas e encher os bancos com elas não serve para nada; o dinheiro fica lá e nada mais. Os suíços tentaram um método mais direto: vender francos e comprar euros no mercado internacional, e no processo adquiriram uma enorme quantidade de euros. Mas nem isso funcionou.
Então, em 2011, o Banco Nacional Suíço tentou uma tática psicológica. "A atual e enorme supervalorização do franco suíço", declarou, "representa uma grave ameaça para a economia suíça e nos expõe ao risco de nos colocar no caminho da deflação". Portanto, anunciou que fixaria um valor mínimo para o euro – 1,20 francos suíços – e que, para respeitar esse mínimo, estava "disposto a comprar moedas estrangeiras em quantidades ilimitadas". O que o banco esperava, sem dúvida, era que traçar essa linha vermelha limitaria o número de euros que de fato teria que comprar.
E durante três anos a tática funcionou. Mas, na quinta-feira, os suíços de repente renunciaram a ela. Não sabemos o motivo exato; ninguém que eu conheço acredita na explicação oficial: que se trata de uma resposta ao enfraquecimento do euro. Mas parece provável que uma nova onda de capital em busca de refúgio faça com que o esforço de manter o franco desvalorizado acabe custando caro demais.
Na minha opinião, os suíços acabam de cometer um grande erro. Mas, sejamos francos – francos? –, o destino da Suíça não é o verdadeiro problema. O que importa de verdade é a demonstração de como está difícil lutar contra as forças deflacionárias que agora afetam grande parte do mundo (não apenas a Europa e o Japão, mas muito possivelmente também a China). E apesar de a trajetória dos Estados Unidos ter sido muito boa durante os últimos trimestres, seria tolice supor que o país está imune.
Isso nos diz que é muito, muito importante não ficar próximo demais da beira da deflação; alguém pode entrar nela, e então é extremamente difícil sair. Esta é uma das razões pelas quais cortar drasticamente o gasto público quando a economia está mal é uma ideia ruim: não apenas pelo custo imediato que aparece em forma da perda de postos de trabalho, mas também porque aumenta o risco de se ver preso em uma armadilha deflacionária.
É também um dos motivos pelos quais a cautela é necessária ao subir as taxas de juros quando a inflação está baixa, mesmo sem acreditar que a deflação seja algo iminente. Agora mesmo, as pessoas sérias – as mesmas que, de forma equivocada, decidiram que 2010 era o ano de esquecer o emprego para se preocupar com o déficit – parecem estar chegando ao consenso de que a Reserva Federal deveria começar a subir os juros em breve. Mas por quê? Não há nenhum indício de aceleramento de inflação nos dados atuais, e os indicadores da inflação prevista pelo mercado estão caindo, o que indica que os investidores consideram que há riscos de deflação, embora a Reserva não os veja.
E concordo com o mercado na sua preocupação. Se a recuperação dos Estados Unidos perder força, seja por contágio dos problemas do exterior ou porque nossas variáveis fundamentais não são tão sólidas quanto acreditamos, é muito fácil que a restrição monetária acabe sendo um ato de absoluta loucura.
Foi o que aprendemos com os suíços. Temos que tomar cuidado; passaram gerações protegendo a fortaleza da sua moeda e agora estão pagando o preço.
Paul Krugman é prêmio Nobel de Economia e professor de Economia da Universidade de Princeton.
© The New York Times Company, 2015



Europa e seu desvario momentâneo. Joseph E. Stiglitz




Essa loucura econômica não pode durar para sempre; a democracia não permitirá


Por fim, os Estados Unidos estão dando sinais de recuperação da crise que estourou no fim do Governo do presidente George W. Bush, quando a implosão quase total do sistema financeiro teve repercussões em todo o mundo. Mas não é uma recuperação forte; no máximo, a lacuna entre onde a economia estava e onde está hoje não está se alargando. Se está fechando, está fazendo isso muito lentamente; os danos causados pela crise parecem ser de longo prazo.
No entanto, poderia ser pior. Do outro lado do Atlântico, há inclusive poucos sinais de uma recuperação modesta ao estilo norte-americano: a brecha entre onde a Europa está e onde estaria na ausência da crise continua crescendo. Na maioria dos países da União Europeia, o PIB per capita é menor do que o de antes da crise. Meia década perdida está se transformando rapidamente em uma década inteira perdida. Por trás das frias estatísticas, as vidas se arruínam, os sonhos se desafazem e as famílias se desintegram (ou não se formam) pari passu ao fato de que o estancamento —que chega a ser depressão em alguns lugares— se arrasta anos após ano.
A UE tem uma população com grande talento e alto nível de educação. Seus países membros têm legislações sólidas e sociedades que funcionam bem. Antes da crise, a maioria desses países até tinha economias que funcionavam bem. Em alguns lugares, a produtividade por hora —ou a taxa de seu crescimento— era uma das mais altas do mundo.
No entanto, a Europa não é uma vítima. Sim, é verdade que os Estados Unidos administrou mal sua economia; mas não, não é verdade que os EUA de alguma forma mexeram os pauzinhos para impor a pior parte do fardo da crise sobre os ombros da Europa. O mal-estar da UE é auto-infligido, devido a uma sucessão sem precedentes de más decisões econômicas, começando pela criação do euro. Por mais que o euro tenha sido criado com a intenção de unir a Europa, no fim o que fez foi dividi-la; e, devido à ausência de vontade política para criar instituições que permitam que uma moeda única funcione, o dano não está se revertendo.
O caos atual provém em parte da adesão a uma crença que foi desacreditada há muito tempo: a de que os mercados funcionam bem e que não têm falhas de informação e concorrência. A arrogância desmedida também desempenhou um papel. Como se poderia explicar de outro modo o fato de, ano após ano, os prognósticos dos funcionários europeus sobre as consequências de suas próprias políticas serem consistentemente errôneos?
Esses prognósticos não foram errados porque os países da UE não conseguiram colocar em prática as políticas prescritas, mas porque os modelos sobre os quais as políticas se basearam têm graves deficiências. Na Grécia, por exemplo, as medidas destinadas a reduzir a carga da dívida na verdade deixaram o país mais sobrecarregado do que estava em 2010: a proporção entre dívida e PIB aumentou, pois o impacto da austeridade fiscal afetou a produção. Pelo menos o Fundo Monetário Internacional admitiu esses fracassos intelectuais e de políticas.
Os líderes europeus continuam convencidos de que sua prioridade máxima deve ser as reformas estruturais. Mas os problemas para os quais eles apontam se tornaram evidentes nos anos prévios à crise, e na época eles não seguravam o crescimento. O que a Europa necessita, mais do que de reformas estruturais em seus países membros, é de uma reforma da estrutura da própria zona do euro, e da reversão das políticas de austeridade, que fracassaram repetidas vezes em sua tentativa de reacender o crescimento econômico.
Comprovou-se várias vezes que os que pensavam que o euro não poderia sobreviver estavam equivocados. No entanto, os críticos tiveram razão em uma coisa: a menos que a estrutura da zona do euro seja reformada e a austeridade se reverta, a Europa não se recuperará.
O drama na Europa está longe de terminar. Um dos pontos fortes da UE é a vitalidade de suas democracias. Mas o euro despojou os cidadãos —sobretudo nos países em crise— de qualquer decisão que pudessem tomar sobre seu destino econômico. Em várias ocasiões, os eleitores tiraram quem tentava a reeleição, pois estavam insatisfeitos com os rumos da economia —mas o que aconteceu foi que os novos Governos seguiram pelo mesmo caminho, ditado em Bruxelas, Frankfurt e Berlim.
Mas por quanto tempo isso pode continuar? E como vão reagir os eleitores? De norte a sul da Europa, temos sido testemunhas do alarmante crescimento dos partidos nacionalistas extremistas, contrários aos valores do Iluminismo que são os que fizeram com que a Europa obtivesse tantos êxitos. Em alguns lugares, crescem grandes movimentos separatistas.
Agora a Grécia põe a Europa à prova mais uma vez. A queda do PIB grego desde 2010 é muito maior do que a queda enfrentada pelos Estados Unidos durante a Grande Depressão da década de 1930. O desemprego juvenil é superior a 50%. O Governo do primeiro-ministro Antonís Samarás falhou, e agora, depois do fracasso do Parlamento em escolher um novo presidente para a Grécia, serão realizadas eleições gerais antecipadas em 25 de janeiro.
Syriza, o partido de esquerda de oposição, que se comprometeu a renegociar os termos de resgate da Grécia pela UE, está na frente das pesquisas de opinião. Se o Syriza vencer mas não chegar ao poder, um dos motivos principais será o medo de como a UE reagirá a essa eleição. O medo não é a mais nobre das emoções e não vai dar lugar ao consenso nacional de que a Grécia necessita para seguir adiante.
O problema não é a Grécia. O problema é a Europa. Se a Europa não mudar sua forma de agir —se não reformar a zona do euro e rechaçar a austeridade— uma reação popular será inevitável. A Grécia talvez possa manter o rumo agora. Mas essa loucura econômica não pode durar para sempre. A democracia não permitirá. No entanto, quanto mais dor terá de suportar a Europa antes de o bom senso se restabelecer?
Joseph E. Stiglitz, prêmio Nobel de Economia, é professor universitário na Universidade de Colúmbia. Seu livro mais recente, em coautoria com Bruce Greenwald, é Creating a Learning Society: A New Approach to Growth, Development, and Social Progress.
© Project Syndicate, 2015.


domingo, 18 de janeiro de 2015

Site da UFRJ é invadido por hackers contra “desrespeito a Maomé”




Portal de História da UFRJ foi invadido pr hackers na manhã deste sábado
O site do departamento de história da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foi hackeado neste sábado por um grupo muçulmano em protesto contra “o desrespeito ao amado profeta Maomé”. O site da revista Itaca, publicação do IFCS (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais) da UFRJ, também foi hackeado.

http://correiodobrasil.com.br

O grupo que diz ter sido autor da ação é o BD Grey Hat Hackers, de Bangladesh. Não é possível dizer a que horas os sites foram hackeados, mas até às 12h42 deste sábado eles continuavam fora do ar.
Na tela de fundo preto e frases em verde, os hackers afirmam, em inglês, que o “Islã não promove terrorismo”. Segundo os ativistas, se promovesse, a sociedade estaria em perigo, já que, de acordo com a mensagem, são 2,6 bilhões de muçulmanos no mundo.
“O Islã não se trata de ‘nós somos melhores que você’. O Islã é ‘deixe-nos mostrar algo que é melhor para você'”, diz a mensagem. “O Islã não promove o terrorismo, você não estaria vivo agora [se promovesse]. Somos mais de 2,6 bilhões [no mundo]”.
Mesmo tentando passar uma mensagem de esclarecimento e compreensão de que terrorismo e o Islã não são a mesma coisa, os hackers finalizam o texto dizendo para as pessoas “tomarem cuidado” e lançando um desafio ao governo de Israel: “Impeça-nos se conseguir, Israel”.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Portugal. Pesca da sardinha proibida deixa 2500 sem emprego





Pescadores ainda têm de esperar dois meses para poderem voltar a pescar sardinha. Leonel de Castro/Global Imagens

Os 2500 pescadores de sardinha vão continuar em terra e sem ajudas do Governo até março. E daí até maio haverá quota limitada, que se esgotará em cinco dias de mar para cada um dos 130 barcos.

Ana Trocado Marques

A partir de maio, há mais limites. No Norte, exige-se a divisão da quota pelas organizações de pesca (OP). "A situação é muito preocupante, mas tem havido alguma colaboração entre nós e a administração central, no sentido de aproveitar a pouca quota existente para os meses em que a sardinha atinge um preço médio de mercado mais elevado", explicou, ao JN, Agostinho Mata, da Propeixe, a Cooperativa de Produtores de Peixe do Norte, que representa 35% da frota nacional do cerco.

General Tavares interdita atuação de Koffi Olomide em Luanda






Lisboa -  A Comissão Administrativa da Cidade de Luanda (CACL),  chefiada pelo general  José Tavares Ferreira, proibiu a realização de um   espetáculo previsto para este  sábado (10), no Cine Atlântico que teria como anfitrião o músico congolês Koffi Olomidé.

Fonte: Club-k.net

Invoca “tardia solicitação”
Em comunicado tornado público, a  CACL  justifica  que a interdição deve-se ao facto de a promotora do espetáculo neste caso a “Edson Miguel” apenas solicitou a autorização da realização do evento no dia 8 de Janeiro junto da administração do distrito urbano do Rangel  razão pela qual invoca “tardia solicitação”.
Este órgão do governo de Luanda, diz ainda que  os promotores do agendado  espetáculo,  violaram o  disposto do artigo nº 22.º do Decreto Presidencial nº 111/11, de 31 de Maio, sobre o Regulamento de Espectáculos e Divertimentos Públicos.
O órgão dirigido pelo general  Ferreira Tavares diz ainda que não foram  asseguradas as medidas de segurança junto ao comando da Policia Nacional de Luanda, nem aos bombeiros por isso determina que é interditado a realização do espetáculo com o músico  Koffi Olomidé.