sábado, 13 de dezembro de 2014

Preço do petróleo está num momento de volatilidade





O ministro dos Petróleo, Botelho de Vasconcelos, disse hoje, quinta-feira, à imprensa, que o preço do petróleo no mercado internacional está a viver um momento de volatilidade e tem uma incidência imediata nas economias.
De acordo com o ministro, que falava depois da aprovação final global do Orçamento Geral do Estado, referente ao exercício económico de 2015, neste momento o preço do petróleo está baixo com uma cotação em cerca de 62 dólares por Barril.
"Precisamos ter alguma tranquilidade, visto que o orçamento aprovado é para o exercício económico de 2015, e até lá precisamos de muita calma" tranquilizou o ministro Botelho de Vasconcelos.
Segundo o entrevistado, Angola é membro da OPP, onde tem órgãos internos que fazem um acompanhamento permanente, relativamente as variáveis que existem no mercado, as incertezas e outros fenómenos.
Disse que existe orientação superior que foi tomada, no sentido de podermos ultrapassar a situação que neste momento o mercado internacional vem vivendo.
"O Orçamento Geral do Estado está cotado em 81 por Barril, o que devemos fazer é aguardar", reforçou.
O Orçamento geral do Estado Angolano foi aprovado por 162 votos a favor e 30 contra.
Expansão/Angop

Consequências da queda do petróleo poderão ser benéficas





MARTIN WOLF "DO FINANCIAL TIMES"
http://www1.folha.uol.com.br

O significado do declínio do petróleo para a economia mundial depende da razão para ele ter ocorrido e do tempo que durará. Mas, em termos gerais, a queda será útil.
Especialmente importante será o impacto nos países que são exportadores de petróleo em termos líquidos (exportam mais do que importam).
Entre o fim de junho e o começo deste mês, o preço do petróleo cru caiu em 38%.
Esses preços baixos durarão? Ou poderão baixar mais?
Não sou insensato de tentar prever; as elasticidades de preço são tão pequenas (e as margens entre oferta e procura tão finas) que é fácil errar.
Nesse estágio, parece incerto que a queda nos preços seja estrutural duradoura. Mas presumamos que ela dure. Quais seriam as consequências? Aqui estão seis:
Primeiro, uma queda de US$ 40 no preço do petróleo significa uma virada de US$ 1,2 trilhão (ou perto de 2% do PIB mundial) dos países produtores para os consumidores. Isso importa, pois os consumidores tendem a gastar mais rápido do que os produtores, o que pode gerar algum estímulo à demanda.
Segundo, a queda nos preços da energia reduzirá ainda mais a inflação, já baixa. Isso cria dois riscos contrapostos: um é o de que a tendência possa ajudar as expectativas de inflação ultrabaixa a fincar raízes; o risco oposto é que isso incentive os bancos centrais a ignorarem ameaças de alta na inflação subjacente. No momento, o primeiro risco é maior.
Terceiro, a queda nos preços da energia elevará a lucratividade da produção que requer uso intensivo de energia. Ao mesmo tempo, reduzirá lucros e investimentos de capital dos produtores de petróleo. A tendência pode criar riscos de falências no setor de energia, sobretudo entre produtores de petróleo endividados. Até que ponto isso poderia prejudicar os credores ainda não está definido.
Quarto, a queda nos preços redistribuirá renda dos países que exportam para os que importam petróleo --o que inclui a zona do euro, o Japão, a China e a Índia.
Os EUA, hoje, são exportadores líquidos (por causa do gás e do petróleo de xisto).
Mas os países exportadores importantes dependem da receita do petróleo. Entre eles estão Irã, Rússia e Venezuela. O problema não poderia vir para regimes melhores! Mas déspotas encurralados também são um risco.
Quinto, a queda nos preços da energia mudará os preços dos ativos. As taxas de câmbio dos países produtores de energia sofrerão pressão de baixa, o que já pode ser visto no rublo russo. As ações das empresas que se beneficiam de preços mais baixos para o petróleo subirão. Isso pode criar novas bolhas nos mercados de ações.
Por fim, preços do petróleo em queda ameaçam tornar mais intenso o uso do carbono pelas economias, e a reduzir a eficiência energética.
Mas também oferece uma oportunidade de elevar impostos sobre o petróleo ou cortar perdulários subsídios ao consumo em caráter permanente. É uma oportunidade que qualquer governo sensato deveria aproveitar.
Resta muita incerteza sobre a que ponto os preços cairão, e quanto durará a queda.
Mas, na medida em que eles refletem força na oferta e não redução na demanda, os preços em queda representam um estímulo bem vindo para a economia mundial. Também representam uma transferência de renda bem vinda, tirando dinheiro de despotismos petroleiros. É difícil não celebrar esse fato.

Sonangol assina empréstimo de 2 mil milhões USD com banco chinês CDB





A Sonangol e o Banco de Desenvolvimento da China (CDB) assinaram esta sexta-feira, em Pequim, um acordo de concessão de um empréstimo à petrolífera angolana no valor de dois mil milhões de USD (200 mil milhões de kwanzas).
De acordo com um comunicado distribuído em Luanda pela petrolífera angolana, o acordo foi assinado pelo presidente da Sonangol, Francisco de Lemos José Maria, e pelo Presidente do CDB, Zheng Zhijie.
Francisco de Lemos assegurou que os financiamentos do CDB têm sido relevantes para a petrolífera nacional, adiantando que os mesmos "têm permitido a realização de projectos de grande monta na exploração de petróleo bruto, refinação e logística".
Lembrou ainda que o recurso aos referidos empréstimos têm servido igualmente de suporte à petrolífera para "a efectivação de alguns projectos governamentais, designadamente a construção de habitações sociais, que tornaram bastante visível a relação de cooperação entre as partes envolvidas no acordo agora firmado".
De acordo com o presidente da Sonangol, a actual abertura do CDB acaba por "guindá-lo à condição de parceiro credível, estável e com quem se pode contar no futuro".
O responsável pelo banco considerou que o acordo "consolida a parceria entre as duas instituições, realçando a importância de África, e de Angola em particular", na relação entre os dois estados, assim como dos créditos que o CDB tem concedido à economia angolana desde 2008.
Zheng Zhijie lembrou que Angola é o segundo maior fornecedor de produtos petrolíferos à China, assegurando que o CDB tem acompanhado atentamente o desenvolvimento da Sonangol, classificando o acordo agora assinado como "uma nova linha de partida nas relações com a petrolífera nacional".
De acordo com o comunicado, este financiamento "vai suportar projectos de expansão da Sonangol no segmento do petróleo e gás".
"O acordo terá a prevalência de 10 anos, mas, nas palavras de Francisco de lemos, e abre fortes perspectivas para outros financiamentos de longo prazo, atendendo às apostas futuras da Sonangol, que em 2015 iniciará a construção da Refinaria do Lobito, e que este ano deu o arranque a vários projectos de monetização de gás natural", conclui o documento.
O Banco de Desenvolvimento da China é a maior instituição financeira chinesa, em termos de cooperação com o exterior, particularmente na área da concessão de créditos.
NJ/Expansão

Como eram as viagens internacionais de avião na década de 1930





Por: Matt Novak
http://gizmodo.uol.com.br/viagens-aereas-1930/

Hoje, viajar de avião para outro país é uma coisa normal e ir para qualquer uma das grandes cidades do mundo é relativamente fácil. Mas como era viajar através do mundo em 1930, quando o conceito de viagem aérea ainda era novo? Era incrível, desde que você pudesse pagar.
No início da indústria do transporte aéreo comercial, a Imperial Airways significava o meio de transporte da Grã-Bretanha para o resto do mundo. Como a única companhia aérea que fazia voos internacionais nas décadas de 1920 e 1930, a Imperial foi responsável por mostrar aos ricos e famosos todos os lugares que eram domínios da Coroa Britânica. E ao cumprir essa expectativa, a missão da companhia acabava sendo a de fazer com que os domínios do Império (e, por extensão, o mundo) parecessem menores.
E isso foi feito em grande estilo.
Um começo difícil
Durante a Primeira Guerra Mundial, os aviões se tornaram uma ferramenta essencial para a vitória, dando início a um admirável mundo novo de batalhas. Os aviões já eram o futuro da guerra, mas ainda precisavam provar que poderiam ser também o futuro da paz.
Depois da Guerra, a Grã-Bretanha tinha um excesso de aviões de guerra que representariam o início de sua indústria de aviação comercial. No entanto, o começo dos anos 1920 foi um período difícil para as empresas britânicas que fabricavam aviões. Durante os tempos de paz, ao contrário do que acontecia com as empresas de aviação da França, Bélgica, Holanda e dos Estados Unidos, o governo britânico investiu pouco nas viagens aéreas.
Ainda assim, o governo britânico resolveu juntar as poucas empresas aéreas que subsistiam para formar a Imperial Airways, que foi criada em 1924. A Imperial foi concebida como uma companhia privada e altamente subsidiada que operaria um monopólio com o apoio do governo. Eles levaram o correio e passageiros até os confins do mundo.
Tecnologia Moderna
Os aviões da Imperial nos anos 1920, que eram feitos de madeira e tecido, iriam lentamente se transformar nos aviões dos anos 1930, que seriam feitos de metal. Mas isso não aconteceu só porque os aviões mais modernos eram mais elegantes. Os aviões novos também combinavam melhor com a missão da Imperial Airlines de manter o Império Britânico.
Peter Fearon, em seu artigo de 1985 sobre a história da aviação britânica, explica que o tipo de material que estava sendo usado era de particular interesse para a extensão de um Império que abrigava uma incrível variedade de climas.
Na verdade, o Ministério da Aeronáutica incentivou os fabricantes a usarem metais na fabricação das estruturas não por conta das vantagens que poderiam ser obtidas através de designs mais aerodinâmicos, mas porque, especialmente em regiões tropicais, o metal era mais durável que a madeira.
A troca do biplano (foto acima) para o monoplano (foto abaixo) também tornou a experiência da viagem mais espaçosa e moderna. Viajantes endinheirados gostavam da sensação de já estar no futuro – de ser uma parte vital do esforço da Inglaterra para os dias que estavam por vir.
Mas a velocidade era a maior diferença entre os aviões de 1920 e os de 1930. Como Derek H. Aldcroft observa em seu artigo sobre a história da aviação britânica: “…enquanto na maior parte da década de 1920 a velocidade média de cruzeiro era de 160 quilômetros por hora ou menos, no começo de 1934 os aviões começaram a atingir velocidades de cruzeiro que variavam entre 225 e 320 quilômetros por hora.” Esse foi o tipo de melhoria que fez com que as viagens internacionais se tornassem não só possíveis, mas também práticas.
Voando em grande estilo
Com partes iguais de aventura angustiante e luxo indulgente, tomar um voo internacional em 1930 era uma experiência e tanto e as pessoas que podiam pagar se inscreveram em massa para viver essa emoção.
Aproximadamente 50 mil pessoas voariam pela Imperial Airways de 1930 a 1939. Mas esses passageiros pagaram preços incrivelmente altos para passear pelo mundo. Os voos mais longos poderiam cobrir uma distância de mais de 12.000 quilômetros e custar em torno de 20.000 dólares ajustados para a inflação.
Por exemplo, um voo de Londres para Brisbane, na Austrália (a rota mais longa disponível em 1938), levava 11 dias e incluía mais de vinte paradas programadas. Hoje, as pessoas podem fazer esse trajeto em 22 horas com uma única escala em Hong Kong, e pagar menos de 2.000 dólares por uma passagem de ida e volta.
A propaganda impressa foi imprescindível para que a Imperial Airways espalhasse sua mensagem de que luxo e aventura agora estavam disponíveis para o homem comum. E que o relativamente novo pássaro de metal era seguro o suficiente para que famílias inteiras pudessem viajar dentro dele.
Os anúncios acima foram veiculado em 1937 nas páginas da revista Flight. “Voe para a África do Sul ou para a Índia em menos de uma semana!”, dizia um deles. “Faça o caminho para a Índia no navio voador da Imperial“, dizia outro.
O avião Armstrong Whitworth mostrado acima estava disponível em dois modelos: oEuropean Class (para viagens curtas) e o Imperial Class (para excursões maiores). O modeloEuropean acomodava 32 passageiros e incluía uma copa e três banheiros. Se o voo fosse noturno, o Empire Class acomodava apenas 20 passageiros, pois esse era o número de camas que a aeronave levava.
O modelo Empire também tinha três banheiros, embora eu não tenha encontrado nenhuma descrição de como era se aliviar em pleno voo naquela época. Dadas as turbulências extremas (os aviões podiam descer centenas de pés em questão de segundos), eu imagino que ir ao banheiro era algo evitado tanto quanto fosse possível.
Em meados da década de 1920, a Imperial Airways exibiria alguns dos primeiros filmes de bordo. Mas o objetivo não era exatamente promover o entretenimento a bordo, mas mostrar as acomodações aconchegantes que seriam indulgentemente anunciadas nos anos 1930. É bom lembrar que as aeronaves melhoradas da Imperial estavam competindo com os mais suaves e silenciosos (embora às vezes mais inflamáveis) dirigíveis do período entre guerras.
De Londres a Singapura em apenas oito dias!
Viagens de avião podiam parecer luxuosas nas fotos da décadas de 1930 – e sem dúvida, de algumas maneiras, elas eram – mas não deixavam de ser uma forma incrivelmente cansativa de ir do ponto A ao ponto B. Ou, mais apropriadamente, do ponto A ao ponto Z, com todas as paradas possíveis entre eles.
Graças aos novos aviões, a expansão das rotas aéreas através do Império Britânico aconteceu relativamente rápido no começo da década de 30. No começo de 1932 havia voos para Cape Town, na África do Sul. Em 1933, os voos da Imperial Airways já chegavam a Calcutá, na Índia. E em 1934 teve início um serviço regular de voos para a Austrália.
O mapa acima mostra como os passageiros da Imperial em 1934 podiam ir de Londres a Singapura por 180 libras (que hoje seriam 10.900 libras ou 17.600 dólares, se ajustarmos a inflação). Que negócio! Especialmente se levarmos em conta que hospedagem, alimentação e praticamente tudo – menos as bebidas alcoólicas -, estava incluso no preço. Mas era uma dor de cabeça.
A viagem de 13.600 quilômetros levava oito dias e, de acordo com a historiadora Lucy Budd, incluía paradas em Paris, Brindisi, Atenas, Alexandria, Cairo, Gaza, Bagdá, Basra, Kuwait, Barém, Sharjah, Gwadar, Karachi, Jodhpur, Déli, Cawnpore, Allabad, Calcutá, Akgats, Rangoon, Bancóc e Alor Star.
Se isso é cansativo de ler, imagine de visitar. Mas ainda era o jeito mais fácil de ir de Londres a Singapura em 1930, mesmo levando em conta a ocorrência, bastante comum, de pousos de emergência.
Naquela época, oito dias era praticamente a velocidade da luz, mas a companhia aérea usava o senso de aventura enquanto tentava assegurar aos passageiros que todas as suas necessidades seriam supridas. Esse equilíbrio continuaria até que o luxo do Jet Set se tornasse o sonho do futuro depois da Segunda Guerra Mundial.
Cada canto do Império
Cairo se tornou um importante um importante polo de tráfego aéreo na década de 30. De acordo com Lucy Budd em um artigo de 2007, a cidade era o ponto de partida das rotas daImperial Airways para o resto do mundo, fosse para a África do Sul, para o sudeste da Ásia ou a Austrália.
Devido à sua localização geográfica, Cairo se tornou um dos aeroportos mais movimentados do mundo e toda a frota da Imperial Airways, com destino à Europa, África ou Ásia convergiam para a capital do Egito.
A rota de quase 13.000 quilômetros que levava de Cairo a Cape Town realizou um sonho britânico do final do século XIX. Como Robert L. McCormack explica em seu artigo de 1976sobre a histórica das viagens aéreas na África, os primeiros voos para a África do Sul eram um passo importante para afirmar a força do Império.
Finalmente, depois de mais de uma década de esperanças frustradas, aImperial Airways, o “instrumento escolhido” do imperialismo aéreo britânico, estava ligando Cairo a Cape Town, as cidadelas gêmeas do poder e da presença britânica na África. Grande parte da África estaria agora a dias (em vez de semanas) de distância de Londres enquanto o velho sonho de Cecil Rhodes de conexão “Cape to Cairo” havia se tornado realidade.
O mapa acima, de 1938, vem do artigo de 2005 de Peter J. Rimmer’s sobre a história das viagens aéreas na Austrália. Nele, podemos ver o incrível alcance que a Imperial havia atingido ao final de década de 1930. Novamente, o voo – ou melhor, série de voos – angustiante de Londres para Brisbane levava onze dias na melhor das hipóteses. Mas compare esse tempo com mais de um mês para se fazer a mesma viagem de navio (42 dias pela SS Stratnaver, por exemplo), e é difícil reclamar.
Conforto e desconforto
A Imperial Airways apelava para o consumidor que desejava a maneira mais luxuosa de viajar. Mas nem sempre era muito agradável, embora se tratasse da tecnologia mais avançada da época. Às vezes as pessoas ficavam doentes e recipientes eram colocados discretamente debaixo dos assentos para garantir que os passageiros tivessem onde vomitar. A pressurização das cabines não ocorreria até os anos 1950, então as pessoas ficavam enjoadas por conta da altura e muitas vezes precisavam receber oxigênio.
A temperatura dentro da cabine era outro ponto a ser considerado, uma vez que verdadeiras histórias de terror sobre voos muito frios eram comuns no final de década de 1920.
Em 1939, a Imperial Airways esperava assegurar aos passageiros que esses desconfortosestavam todos no passado: “Não há necessidade de agasalhar e se enrolar em cobertores. Todos os aviões têm aquecimento e ar-condicionado… e não se preocupem com o barulho: todas as paredes são acusticamente isoladas, o que permite conversar num tom de voz normal.”
Nova missão
Em 1938, a Imperial Airways tinha uma rede de cerca de quarenta mil quilômetros e chegava a cada canto do vasto Império Britânico. E como Gordon Pirie nota em seu artigo de 2004 sobre as viagens aéreas britânicas, no começo da Segunda Guerra, as rotas internacionais da Imperial Airways eram responsáveis por 90% das distâncias percorridas pela empresa.
Com o início da Segunda Guerra Mundial, voar com os ricos e famosos através do mundo já não se encaixava no ideal britânico para a aviação. A Imperial se fundiu com a British Airways em 1939 para criar a British Overseas Airway Corporation. Não é preciso dizer que a maior preocupação era o esforço de guerra.