terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Quem é Quem: Ana Paula dos Santos


Terça, 27 Outubro 2009 15:26

Luanda – Ana Paula Cristóvão Lemos dos Santos: Nasceu em Luanda a 17 de Outubro de 1963, tendo feito os seus estudos primários e secundários em escolas da capital. Cedo se sentiu atraída pela abertura ao mundo proporcionada pela navegação aérea, tendo sido assistente de bordo das Linhas Aéreas de Angola durante dez anos.

Fonte: Assessoria Presidencial CLUB-K.NET

Envolvida na solução dos problemas das populações deslocadas

Em simultâneo tirou o curso médio de Pedagogia, na especialidade de História e Geografia. Concluiu mais tarde o Curso Superior de Direito, na Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto.

Contraiu matrimónio com o Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, no dia 17 de Maio de 1991. Do enlace matrimonial nasceram três filhos: Eduane Danilo (nascido a 29/9/1991), Joseana (nascida a 5/4/1995) e Eduardo Breno (nascido a 2/10/1998), incluindo o núcleo familiar mais cinco filhos do lado paterno, anteriores ao casamento.

Na sua condição de Primeira-dama, desde os primeiros momentos decidiu assumir uma postura activa a favor das populações mais desfavorecidas, ao lado do Presidente da República, no cumprimento dos superiores interesses do Estado angolano.

Em 1992, Ana Paula dos Santos participou com mais de 60 esposas de Chefes de Estado e de Governo de África, América, Ásia, Europa e Oceânia na Cimeira sobre a Promoção Económica das Mulheres Rurais, em Genebra/Suíça por iniciativa da Rainha Fabíola da Bélgica e das esposas dos Chefes de Estado e de Governo da Nigéria, Ghana, Colômbia e Egipto, com o apoio do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA).

Eleita membro do Comité Director Internacional, em representação da África Sub-sahariana, juntamente com representantes da Nigéria e do Senegal, participou nas reuniões ordinárias de 1994 em Bruxelas (Bélgica) e de 1996 em Amman (Jordânia).

Em Angola, a Primeira-dama está directamente envolvida na solução dos problemas mais candentes da Nação, com especial destaque para as populações deslocadas em resultado do conflito pós-eleitoral de 1992. São conhecidas as suas iniciativas directas e o apoio que concede a projectos e actividades que respondem às necessidades nacionais da mulher rural e seu desenvolvimento, da saúde materno-infantil, da situação das crianças, em particular das mais vulneráveis (órfãs e abandonadas), da educação das crianças e jovens, da defesa e protecção do ambiente, etc.

Por essa razão se deslocou em 1993 em visita de trabalho aos Estados Unidos da América, com o objectivo de sensibilizar as organizações humanitárias e a Câmara de Comércio dos EUA, e, posteriormente, à República Popular da China, sempre em busca de apoios para minimizar os efeitos da guerra.

Nesse mesmo ano esteve presente no Encontro das Primeiras Damas Africanas, à margem da Cimeira dos Chefes de Estado e do Governo da Organização de Unidade Africana (OUA), onde prestou informações sobre a situação das populações angolanas, em especial das mulheres e crianças, e manifestou o seu empenho em lutar pela paz em Angola e em África.

Em Fevereiro de 1997 participou em Washington na Cimeira de Micro-Crédito e assumiu, ao lado de outras esposas de Chefes de Estado e de Governo e de outras personalidades mundiais, o compromisso de contribuir para a erradicação da pobreza no seu país até ao ano 2015.

Várias outras iniciativas de ordem cultural, desportiva e recreativa encontraram sempre o estímulo e o apoio possível da Primeira Dama, que é uma participante activa de várias organizações e instituições nacionais, servindo de incentivo à execução de projectos que têm como objectivo servir a comunidade angolana.

Ana Paula dos Santos é Presidente do Fundo de Solidariedade Social “Lwini”, cuja missão é a angariação de fundos e a execução de projectos de apoio às vítimas civis das minas terrestres e às comunidades rurais, com especial destaque para as mulheres. Neste contexto, assumiu a presidência do Comité Nacional para a Promoção da Mulher Rural, para melhor poder advogar a favor das questões que mais preocupam as mulheres no meio rural.

Pela sua sensibilidade, a Primeira-dama de Angola adora conviver com as crianças e os velhos de terceira idade. Ela é Presidente Honorária de várias organizações filantrópicas, como por exemplo a Associação Mundo do Amor, a Associação de Cegos e Amblíopes de Angola e do Centro de Meninas de Rua. É também Madrinha do Hospital Pediátrico de Luanda, mobilizando apoios para a manutenção do hospital e colaborando na evacuação para o exterior do país de crianças com patologias graves.

Ana Paula dos Santos é ainda Presidente do Comité Miss Angola, que, com o propósito de valorizar a beleza e as qualidades morais e intelectuais da mulher angolana, realizou já dez concursos a nível nacional e tem nove participações a nível internacional, tanto no Concurso de Miss Universo como no de Miss Mundo.

Como Presidente do Conselho Geral do Fundo Lwini promove galas internacionais de angariamento de fundos e torneios de futebol e de basquete, e também Corridas com pessoas portadoras de deficiência, sendo organizada todos os anos a taça Lwini, que este ano será alargada aos países da África Austral.

sábado, 7 de Novembro de 2009

Henrique de Paiva Couceiro: Uma Vida de Honra e Glória


Faz hoje 65 anos que morreu uma das figuras maiores da nossa História Contemporânea, o comandante Paiva Couceiro, que entregou a alma ao criador a 11 de Fevereiro de 1944.

http://escavar-em-ruinas.blogs.sapo.pt/44530.html

Resumir a vida deste militar e governador ultramarino é quase impossível, dada a dimensão da sua vida e o brilho e luminosidade da sua obra modelar. Um exemplo de heroísmo, tenacidade e virtudes cívicas.

Henrique Mitchell de Paiva Cabral Couceiro nasceu em S. Mamede, freguesia da cidade de Lisboa, a 30 de Dezembro de 1861, filho do general José Joaquim de Paiva Cabral Couceiro e de D. Helena Isabel Teresa Armstrong Mitchell.

Casou a 21 de Novembro de 1896, em Lisboa, com D. Júlia Maria do Carmo de Noronha (1873+1941), filha primogénita e herdeira do dr. D. Miguel Aleixo António do Carmo de Noronha (1850+1932), 3.º Conde de Paraty, e de sua mulher D. Isabel de Sousa Mourão e Vasconcelos (1849+1936).

Como militar assentou praça no Regimento de Cavalaria Lanceiros d’El-Rei (1879) e cobriu-se de glória, pela acção notável em Humpata, Angola (1889), na campanha militar de Angola (1889-1891), na campanha de Melilla, no Marrocos espanhol (1893) e nos combates de Marracuene e Magul, Moçambique (1895), em coragem enaltecida.

Foi formado com o Curso de Artilharia da Escola do Exército (1881-1884); alferes (1881); segundo-tenente de Artilharia (1884); primeiro-tenente (1889); comandante de Cavalaria da Humpata, Angola (1889-1891); cavaleiro da Ordem de Torre e Espada (1890); oficial da Ordem de Torre e Espada (1891); Medalha de Prata para distinção ao mérito, filantropia e generosidade (1892); condecorado com a Cruz de 1.ª Classe do Mérito Militar de Espanha (1893); ajudante do comando do Grupo de Baterias de Artilharia a Cavalo (1894); ajudante-de-campo do Comissário Régio de Moçambique (1894-1895); cavaleiro da Real Ordem Militar de S. Bento de Avis (1895); capitão de Artilharia (1895); ajudante-de-campo honorário do Rei Dom Carlos (1895); proclamado «benemérito da Pátria» (1896); comendador da Ordem de Torre e Espada (1896); conselheiro do Conselho de Sua Majestade; condecorado com a Medalha Militar de Ouro do Valor Militar (1896); condecorado com a Medalha Militar de Prata de Comportamento Exemplar; condecorado com a Medalha de Prata da Rainha D. Amélia (1896); deputado da Nação (1906-1907); vogal da Comissão Parlamentar do Ultramar (1906); vogal da Comissão Parlamentar de Administração Pública (1906-1907); vogal da Comissão Parlamentar da Guerra (1906-1907); Governador-Geral de Angola (1907-1909); demitido do Exército (1911); comandante das Incursões Monárquicas de 1911 e 1912; Presidente da Junta Governativa do Reino, na Monarquia do Norte (1919); escritor.

Monárquico convicto, foi anti-republicano de gema e anti-salazarista, sendo perseguido pelo Estado Novo, em atropelo das garantias das liberdades cívicas, tratado como um reles vigarista, esquecida a sua imensa folha de serviços prestados à Pátria.

Ousou afrontar o tirânico Salazar, que, de forma iníqua e arbitrária, o mandou expulsar do País em 1935 e prendê-lo e deportá-lo novamente em 1937, por discordar da política ultramarina do Presidente do Conselho e do Estado Novo.

Numa altura em que Paiva Couceiro tinha já 76 anos de idade foi posto na fronteira sem quaisquer documentos, a sofrer as agruras do exílio! Incomodava sempre porque era um homem de brio, dignidade, de raro carácter, um idealista romântico, audaz e tenaz, em cujas veias latejava um elevado conceito de Honra.

Um homem sincero e notável, acima de tudo um Homem de acção e um Homem da Nação. Não curvava a cabeça alva e digna perante o tirano “Botas”, como paladino da Pátria, eivado de predicados indispensáveis.

Deixou uma impressão indelével nas páginas da nossa História, uma luz que cintilava uma coragem sublimada.

Foto: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Henrique_Mitchell_de_Paiva_Couceiro.jpg

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Amazing Grace. História de John Newton, autor de um dos mais famosos hinos da história




Eu costumava pensar que o hino favorito da América, "Amazing Grace", estava um pouco ultrapassado, mas acabei descobrindo a impressionante história do autor, que relato abaixo:

http://bacaninha.uol.com.br/home/mensagens/reflexao/2002/10/amazing_grace/amazing_grace.html

Em torno de 1750, John Newton era o comandante de um navio negreiro inglês. Os navios fariam o primeiro percurso de sua viagem da Inglaterra, quase vazios, até que chegassem na costa africana. Lá os chefes tribais entregariam aos europeus as "cargas" compostas de homens e mulheres, capturados nas invasões e nas guerras entre as tribos. Os compradores selecionariam os espécimes mais finos, e os comprariam em troca de armas, munição, licor, e tecidos. Os cativos seriam trazidos, então, à bordo e preparados para o "transporte". Eram acorrentados abaixo das plataformas para impedir suicídios. Eram colocados de lado a lado, para conservar o espaço, em fileira após a fileira, uma após outra, até que a embarcação estivesse "carregada", normalmente com até 600 "unidades" de carga humana.

Os capitães procuravam fazer uma viagem rápida, esperando preservar ao máximo a sua carga; contudo, a taxa de mortalidade era alta, normalmente 20% ou mais. Quando um surto de disenteria ou qualquer outra doença ocorria, os doentes eram jogados ao mar. Uma vez que chegavam ao Novo Mundo, os negros eram negociados por açúcar e o melaço, para manufaturar o rum, que os navios carregariam à Inglaterra para o pé final de seu "comércio triangular."

John Newton transportou muitas cargas de escravos africanos trazidos à América no século 18. No mar, em uma de suas viagens, o navio enfrentou uma enorme tempestade e afundou. Newton ofereceu sua vida à Cristo, achando que iria morrer. Após ter sobrevivido, ele se converteu e começou a estudar para ser pastor. Nos últimos 43 anos de sua vida ele pregou o evangelho em Olney e em Londres. Em 82, Newton disse: "Minha memória já quase se foi, mas eu recordo duas coisas: que eu sou um grande pecador, e que Cristo é meu grande salvador!"

No túmulo de Newton, lê-se: "John Newton, uma vez um infiel e um libertino, um mercador de escravos na África, foi, pela misericórdia de nosso senhor e salvador Jesus Cristo, perdoado e inspirado a pregar a mesma fé que ele tinha se esforçado muito por destruir."

O seu mais famoso testemunho continua vivo, no mais famoso das centenas de hinos que escreveu: Amazing Grace!
Amazing grace, how sweet the sound
That saved a wretch like me,
I once was lost, but now am found,
Was blind, but now I see.

'Twas grace that taught my heart to fear,
And grace my fears relieved.
How precious did that grace appear
The hour I first believed.

Through many dangers, toils and snares,
I have already come.
'Tis grace hath brought me safe thus far,
And grace will lead me home."

Ó Graça surpreendente...
Como é doce o som que salvou
um desaventurado como eu.
Eu estava perdido, mas
agora me achei.
Fui cego, mas agora vejo.

Sua Graça ensinou meu coração temer.
E aliviou os meus medos.
Quão preciosa foi a revelação
no primeiro momento em que eu acreditei.

Através de muitos perigos,
labutas e armadilhas eu já passei,
esta Graça trouxe-me
até aqui.
E a Graça conduzir-me-á
ao meu lar.

Joyful Heart Ministries, Dr. Ralph F. Wilson

I AM...
Eu sou...
By John Newton
I am not what I might be,
Eu não sou o que eu poderia ser,
I am not what I ought to be,
Eu não sou o que eu deveria ser,
I am not what I wish to be,
Eu não sou o que eu gostaria de ser,
I am not what I hope to be,
Eu não sou o que eu pretendo ser,
But I thank God
Mas agradeço à Deus
I am not what I once was,
Que não sou o que uma vez já fui.
And I can say with the great apostle,
E posso dizer
By the grace of God
Com a graça de Deus,
I am what I am
Eu sou o que eu sou!"

Imagem: http://portalcinema.blogspot.com/2009/05/critica-amazing-grace-2006.html

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Malangatana (Valente Ngwenya)


Nasceu em Matalana, Província de Maputo, a 6 de Junho de 1936.Frequentou a Escola Primária em Matalana e posteriormente, em Maputo, os primeiros anos da Escola Comercial.

http://www.paulo-santos.com/docs/conteudos

Foi pastor de gado, aprendiz de nyamussoro (médico tradicional), criado de meninos, apanhador de bolas e criado no clube da elite colonial de Lourenço Marques.

Tornou-se artista profissional em 1960, graças ao apoio do arquitecto português Miranda Guedes (Pancho) que lhe cedeu a garagem para atelier. Acusado de ligações à FRELIMO, foi preso pela polícia colonial quando duma leva de prisões que levou á cadeia, entre outros, os poetas José Craveirinha e Rui Nogar. Contrariamente aos seus companheiros, não se provou tal envolvimento pelo que acabou absolvido, após quase 2 anos de prisão.

No entanto, a pressão sobre ele exercia-se continuamente pois os seus quadros, embora não exactamente retratando a realidade, davam-na a entender muito bem. Vejam-se as obras desses anos e toda a simbologia que deles se desprende de denúnica da opressão/Após a Independência teve vários envolvimentos na área política, tendo sido deputado pelo Partido Frelimo de 1990 até 1994 e hoje é um dos membros da Frelimo na Assembleia Municipal de Maputo. Foi um dos criadores do Movimento para a Paz e pertence à Direcção da Liga de Escuteiros de Moçambique. Foi um dos criadores de Museu Nacional de Arte e procurou manter e dinamizar o Núcleo de Arte (associação que agrupa os artistas plásticos).

Muito ligado à criança, tem colaborado intensamente com a UNICEF e durante alguns anos fez funcionar a escolinha dominical "Vamos Brincar", uma escolinha de bairro.
Impulsionador, no passado, de um projecto cultural para a sua terra natal-Matalana, Marracuene, retoma-o, logo que a guerra termina, criando-se assim a Associação do Centro Cultural de Matalana, de cujo grupo fundador Malangatana faz parte, sendo actualmente presidente da Direcção. Esta Associação pretende criar um projecto de desenvolvimento entegrado das populações em torno do desenvolvimento profissional, de produção de auto-emprego, juntamente com o trabalho artístico, etno-antropológico e ecológico.

Desde 1959 que participa em exposições colectivas em várias partes do mundo para além de Moçambique nomeadamente África do Sul, Angola, Brasil, Bulgária, Checoslováquia, Cuba, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Holanda, índia, Islândia, Nigéria, Noruega, Paquistão, Portugal, RDA, Rodésia, Suécia, URSS e Zimbabwe. A partir de 1961 realizou inúmeras exposições individuais em Moçambique e ainda na Alemanha, Áustria, Bulgária, Chile, Cuba, Estados Unidos, Espanha, Índia, Macau, Portugal e Turquia.

Tem murais pintados ou gravados em cimento em vários pontos de Maputo e na cidade da Beira; na África do Sul; no Chile; na Colômbia; nos Estados Unidos da América; na Grã-Bretanha; na Suazilândia; e na Suécia. A sua obra, para além dos murais e das duas esculturas em ferro instaladas ao ar livre é composta por Pintura, Desenho, Aguarela, Gravura, Cerâmica, Tapeçaria, Escultura e encontra-se (exceptuando a vastíssima colecção do próprio artista) em vários museus e galerias públicas, bem como em colecções privadas, espalhadas por inúmeras partes do Mundo.

Malangatana foi membro do Júri do Primeiro Prémio Unesco para a Promoção das artes: é membro permanente do Júri " Heritage", do Zimbabwe; foi membro do Júri da II Bienal de Havana; da Exposição Internacional de Arte Infantil de Moscovo; de vários eventos plásticos em Moçambique e Vice-Comissário Nacional par a área da Cultura de Moçambique para a Expo 98.

Imagem: http://maschamba.weblog.com.pt/MalangatanaCEA.jpg/MalangatanaCEA.jpg

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Caster Semenya. A história da mulher-homem já tem barbas


Por Pedro Candeias e Mariana Pinheiro, Publicado em 22 de Agosto de 2009

São várias as atletas femininas com traços masculinos. Provocados por drogas ou pela mãe natureza

http://www.ionline.pt/conteudo/19433-caster-semenya-historia-da-mulher-homem-ja-tem-barbas

"Queres ver o meu sexo?" Aconteça o que acontecer daqui para a frente, esta é a frase dos Mundiais. E é de Caster Semenya, a atleta sul-africana cuja fama já ultrapassa a de Usain Bolt. Pelas piores razões. Semenya irá ficar para a história como uma das campeãs (800 m) mais desvalorizadas de sempre. Porquê? Pelo aspecto masculino que levantou dúvidas sobre a questão das questões: é rapaz ou rapariga? Os pais, que a viram nascer, garantem que é menina; as rivais, que a vêem correr, dizem que é menino. Em 2000, decidiu acabar-se com os testes de género mas o caso Semenya trouxe-os de volta. Mas Caster é só mais uma numa lista de mulheres-homem que já tem barbas.

1. Caster Semenya Tem 18 anos. O rosto tem traços fortes, vincados, com a linha do maxilar pronunciada. Como um homem. Há quem diga que tenha barba. E a voz, profunda e grave, não ajuda. Ainda para mais, é uma vencedora - arrasou nos 800 metros. Das dúvidas passou-se a certezas infundadas que só serão dissipadas quando saírem os resultados dos testes pedidos pela IAAF (Federação Internacional de Atletismo) para apurar o sexo da atleta. "É uma mulher e repito-o um milhão de vezes, se for necessário, e gostaria que a deixassem em paz", diz o pai, Jacob. Michael Seme, o treinador, garante que tem treinado "uma rapariga e não um rapaz". O problema são as outras, as colegas de profissão: "Tem tudo para ser um homem", disse a feminina Marta Domínguez (ouro nos 3 mil metros obstáculos). E Caster ponderou rejeitar a medalha.

2. Balian Buschbaum O nome próprio foi buscá-lo à personagem encarnada por Orlando Bloom no filme "Reino dos Céus" de Ridley Scott. Antes, chamava--se Yvonne. "Sinto-me como se fosse um homem a viver num corpo de mulher." A campeã europeia júnior de salto com vara (1999) retirou-se em 2007 e decidiu submeter-se a uma cirurgia para mudar de sexo. Começou a tomar injecções de testosterona no dia de Natal desse ano e documentou a transformação no seu blogue. Agora, é Balia, o treinador do USC Mainz, um clube na Alemanha, convidado de inúmeros talk-shows para falar da sua experiência. E com um novo bilhete de identidade a condizer.

3. EWA klubukowska A polaca ganhou ouro nos 4 x 100 m e bronze nos 100 m nos Jogos Olímpicos de Pequim. Dois anos depois, em Budapeste, conquistou o ouro nos 4 x 100 m e 100 m, e a prata nos 200 m. Um ano volvido, entrou para a história como a primeira mulher a falhar um teste de género. O resultado foi o seguinte: "Um cromossoma em excesso." Acto contínuo, foi banida de todos os desportos competitivos e expropriada de todas as medalhas conquistadas. E os seus recordes do mundo também perderam validade. Mas afinal de contas Ewa era mulher. E mulher o suficiente para dar à luz. Sentindo-se injustiçada, a sprinter decidiu agir judicialmente contra o Comité Olímpico Internacional até ver o seu nome limpo.

4. Tamara e Irina Press As irmãs Press, produto do universo da União Soviética, dominaram o atletismo na primeira metade dos anos 60 do século XX. Não havia nada em que não batessem a concorrência. A mais velha, Tamara, ganhou quatro medalhas em Jogos Olímpicos: em Roma - 1960 (ouro no lançamento do peso e prata no lançamento do disco); em Tóquio-1964, conquistou ambas as categorias. Irina, dois anos mais nova, ganhou o ouro em Roma (80 metros barreiras) e em Tóquio (pentatlo). E por aí se ficaram. Em 1996, foram introduzidos testes para verificar o género das atletas femininas e as irmãs Press, masculinas como poucas, simplesmente desapareceram do mapa competitivo. As dúvidas instalaram-se: houve quem dissesse que eram homens; houve quem afirmasse que eram hermafroditas. Tamara tornou-se engenheira civil e agora trabalha no Ministério russo dos Desportos. Tal como Irina, até morrer em 2004. Para sempre, ficaram conhecidas como os "Irmãos Press".

5. Heidi Krieger Perdão, Andreas Krieger. A lançadora do peso da ex-RDA já não existe. "Foram os esteróides que mataram a Heidi", disse Andreas ao "The New York Times". Como muitas atletas da Alemanha de Leste Heidi, campeã da Europa em 1986, era sistematicamente dopada com esteróides anabolizantes. Essas e outras drogas, garante, contribuíram para a sua transexualidade. Chamavam-lhe "Hormone Heidi". Daí à depressão foi um instante e tentou mesmo suicidar-se, cortando os pulsos - foi o cão Rex que a salvou ao acordá-la com o seu focinho frio. "Foi um choque", confessou. Em 1997, sete anos depois de se ter retirado, Heidi foi obrigada a mudar de sexo, tais eram os traços de masculinidade provocados pelas substâncias injectadas. Agora que é Andreas, casou--se com Ute Krause, uma antiga nadadora da RDA, também ela severamente castigada pelos métodos sombrios dos tempos que antecederam a queda do Muro de Berlim. A sua vida já deu um documentário - "Doping, Fábrica de Campeões".

6.Stella Walsh Nos anos 1930, ninguém sprintava como ela. Ou como ele. Mas já lá iremos. Nasceu Stanislawa Walasiewicz, na Polónia, a 3 de Abril de 1911, mas emigrou para os Estados Unidos com apenas três meses. O pai, Julian, encontrara um trabalho em Cleveland numa fundição. E foi em Cleveland que adoptou o nome Stella - os pais chamavam-lhe Stasia - e começou a dar corda aos sapatos. Logo ganhou um lugar na equipa olímpica dos EUA, em 1927, mas por ser polaca ficou de fora. Não esperou pela cidadania norte-americana e manteve-se fiel à pátria de origem: numa competição pan-eslava, conquistou os 60, 100, 200 e 400 metros e ainda o salto em comprimento. Os líderes polacos ficaram como loucos e não mais a largaram. Depois fez história: ganhou os Jogos Olímpicos de Los Angeles - 1932 e foi prata nos de Berlim -1936 (sempre nos 100 metros). Depois da competição alemã, decidiu abandonar e competir apenas a um nível amador. E a história acabaria bem, porque nunca ninguém questionara o género de Stella. Até à sua morte. Brutal. Foi morta durante um assalto em Cleveland a 4 de Dezembro de 1980 (69 anos) e a autópsia revelou que Stella tinha órgãos genitais masculinos e também ambos os pares de cromossomas XX (mulher) e XY (homem).

Hoje, siga o Mundial de atletismo a partir das 10h45 na RTP2 e Eurosport. É hora da maratona masculina

foto: http://i.dailymail.co.uk/i/pix/2009/08/19/article-0-061D19E9000005DC-924_306x423.jpg

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Spartacus


Ano de lançamento ( EUA ) : 1960 direção: Stanley Kubrick.
atores: Laurence Olivier , Peter Ustinov , Jean Simmons , Charles Laughton , John Gavin
duração: 03 hs 03 min

http://www.adorocinema.com/filmes/spartacus

sinopse
Spartacus (Kirk Douglas), um homem que nasceu escravo, labuta para o Império Romano enquanto sonha com o fim da escravidão. Ele, por sua vez, não tem muito com o que sonhar, pois foi condenado morte por morder um guarda em uma mina na Líbia. Mas seu destino foi mudado por um lanista (negociante e treinador de gladiadores), que o comprou para ser treinado nas artes de combate e se tornar um gladiador.

Até que um dia, dois poderosos patrícios chegam de Roma, um com a esposa e o outro com a noiva. As mulheres pedem para serem entretidas com dois combates até morte e Spartacus escolhido para enfrentar um gladiador negro, que vence a luta mas se recusa a matar seu opositor, atirando seu tridente contra a tribuna onde estavam os romanos.

Este nobre gesto custa a vida do gladiador negro e enfurece Spartacus de tal maneira que ele acaba liderando uma revolta de escravos, que atinge metade da Itália. Inicialmente as legiões romanas subestimaram seus adversários e foram todas massacradas, por homens que não queriam nada de Roma, além de sua própria liberdade. Até que, quando o Senado Romano toma consciência da gravidade da situação, decide reagir com todo o seu poderio militar

sábado, 24 de Outubro de 2009

Afundem o Bismarck!


O encouraçado alemão Bismarck, um terror dos mares, um moderníssimo navio de combate, foi posto a pique pela esquadra inglesa do Atlântico na manhã do dia 27 de maio de 1941.

http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/bismarck.htm

Ele fora alvo de uma das maiores caçadas navais do século XX, quando a maior parte dos navios de guerra da Grã-Bretanha, senhora da mais poderosa esquadra do mundo, colocou como prioridade máxima afundar o Bismarck. Com ele foi-se a possibilidade da Alemanha nazista interceptar pela superfície os barcos que vinham de todos os lados do mundo para abastecer as ilhas britânicas. Dali em diante, quem tomou a tarefa de infernizar os comboios aliados foram os submarinos.

Localizando o Bismarck
Saindo das nuvens que cobriam o vasto oceano, o Catalina, um avião de observação da RAF (Royal Air Force), logo visualizou o que lhe pareceu um enorme navio de guerra lá embaixo. Quando Dennis Briggs, seu piloto, tratou de manobrar para vê-lo melhor, foi surpreendido por uma ativa barragem de fogo que partira das torres do gigante. Era um navio inimigo. Certamente ele encontrara o Bismarck. Naquele instante, a partir das 10h30m do dia 26 de maio de 1941, todas as embarcações inglesas receberam o comunicado. O encouraçado alemão, de quem haviam perdido o contanto por mais de 31 horas, estava navegando em mar alto há uns 300 quilômetros distante da ilha da Irlanda. A ordem, peremptória, então veio diretamente do Almirantado: afundem o Bismarck! afundem o Bismarck! Estava para se encerrar uma das maiores perseguições navais de todos os tempos.

Orgulho da marinha alemã
Hitler visita o Bismarck
O Bismarck fazia parte de um conjunto de modernos encouraçados mandados construir por Hitler a partir de 1935 para recuperar o prestígio da Kriegsmarine, a marinha de guerra alemã. Além dele, saíram dos estaleiros da Blohm & Voss, em Hamburgo, o Scharnhorst, Gneisenau, o Prinz Eugen e o Tirpitz, caracterizados pela extrema concentração de tonelagem articulada com uma excelente artilharia de bordo que os colocaram na vanguarda das embarcações de guerra do seu tempo. Antes de tudo, os encouraçados eram um feito da engenharia naval alemã.

Operação "Rheinübung"
O Bismarck
A operação Rheinübung, "Exercício Reno", que decidiu a partida do Bismarck e do Prinz Eugen de dentro do Mar Báltico para o alto mar, era o seguimento de uma outra operação, a "Berlim", ambas determinadas pelo almirante Erich Raeder em abril de 1941, levada a efeito por dois outros encouraçados, o Scharnhorst e o Gneisenau. Estes haviam afundado 22 barcos com mais de 115 mil toneladas, mas não puderam seguir em missão devido a problemas mecânicos e o temor de vê-los perdidos

O Prinz Eugen, foto aérea de Bismarck num ataque concentrado de aviões da RAF.

O Prinz Eugen, foto aérea de Bismarck
Ao tempo em que o Alto Comando da Kriegsmarine recolhia os dois encouraçados para a proteção do porto francês de Brest (a França naquela altura estava ocupada pelos nazistas desde junho de 1940), o almirante Lütjens traçou as diretrizes para que o Bismarck e o Prinz Eugen se lançassem pela águas do Mar do Norte, dando continuidade ao objetivo de localizar e afundar os comboios anglo-americanos. O fim de tudo era deixar o Reino Unido carente de forças materiais para seguir na guerra. A estratégia de Hitler era isolar as ilhas britânicas, assolá-las pelo ar com os bombardeios e impedir que recebessem qualquer auxilio vindo pelo mar, promovendo um lento garrotear das suas energias para obrigar Churchill e o governo inglês à capitulação.

Imagem: http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-103662722-dvd-afundem-o-bismarck-lacrado-_JM