Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Livros escolares falsificados na China


Luanda - Para a China vão livros de todas as disciplinas leccionadas no ensino primário, que abarca da 1ª à 6ª classe, de acordo a reforma educativa. Segundo a nossa fonte, os livros chegam a Angola de navio, algumas vezes passando pela África do Sul, sendo desembarcados no porto do Lobito.

Fonte: O País

Seguidamente são transportados por via terrestre até à cidade capital. O destino e o despacho para os clientes são feitos no mercado Asa Branca, disse.

Bela, a nossa interlocutora, que disse não poder revelar o preço que pagam pelas cópias dos livros, mas garante que é um valor acessível e que permite render lucros. “Todo negócio agora vem da China”, mencionou.

Acrescentou que a fiscalização não devem confiscar o material às senhoras que zungam ou vendem nos mercados informais, mas sim fiscalizar os portos e as alfândegas, onde entram esses materiais. “Será que eles não vêem os contentores de livros que entram no país?” Questionou a senhora.

Os fornecedores estacionam as suas viaturas num pequeno parque junto ao mercado, onde as antigas comerciantes do mercado do Roque Santeiro vendem. O negócio é feito em circuito fechado, pelo que não aceitam vender a mercadoria a pessoas desconhecidas, nem tão pouco revelar o preço. “ Já temos as nossas clientes. Se alguém quiser livros em grande quantidade tem de comprar às senhoras a quem vendemos; elas vendem barato ”, disse um dos fornecedores.
Asa Branca, fonte dos livros copiados

No mercado Asa Branca, os livros são comercializados por homens e mulheres, num pequeno corredor que liga o mercado e um quintal onde as senhoras provenientes do ‘Roque’ vendem, denominado de Asa Roque. Num espaço apertado, os vendedores ocuparam o lado direito e o esquerdo para comercializar materiais escolares.

Na “fonte”, como é considerada pelos ambulantes, os livros da 1ª à 6ª classe custam 100 Kwanzas. Margarida Paulo contou que vende no mesmo local onde compra, mas muito cedo. A caixa de livros de qualquer disciplina do ensino primário custa cinco mil ou quatro mil e 500 Kwanzas, revelou.

“As senhoras do São Paulo e outras que zungam pelas ruas de Luanda compram-os a nós, a retalho, ao preço de 100 Kwanzas, para que elas também lucrem”, afirmou.

A comerciante tem conhecimento da proibição da venda dos livros escolares, mas alega que não tem outra opção. “Nós dependemos simplesmente do mercado, de acordo com a procura. Sabemos que nesta época a maior procura são os materiais escolares, por isso, optei em negociar livros. Estamos a dar uma grande ajuda ao governo, porque eles não têm capacidade para oferecer livros a todos os alunos, daí que os livros são vendidos a preço acessível”, referiu.

Uns nas bancadas e outros no chão, por cima de um pano, assim é a venda no corredor do Asa Branca. Bela Simão contou que sempre vendeu material escolar e confessou que os livros da reforma educativa são mais facilmente copiados.
“A China faz tudo, logo, não é novidade. Chego às cinco horas e compro o meu negócio e posteriormente começo a vender. Para Bela, o importante é conseguir alguma coisa para sustentar a sua família. “Não estamos a prejudicar ninguém, não matamos e não roubamos, por isso sinto-me livre em vender o meu negócio”, salientou.

Para além dos livros do ensino primário, em algumas bancadas no Asa Branca também são comercializados livros das disciplinas do 1º e 2º ciclo do ensino secundário, correspondentes à 7ª e 12ª classes.

Assim como na bancada de Domingos Pedro, que diz vender livros com timbre proibido, é crime, “mas os comerciantes vão onde há lucros”, destacou.

As senhoras que nos vendem não aceitam revelar a fonte. Não sei como vêm, nem de onde vêm. “Limito-me a comprar e revender”, disse. Os livros da 7ª a 9 ª classes estão marcadas em 1000 Kwanzas, mas com desconto ficam a 900. Da 10ª à 12ª podem custar 2000 a 1500 Kwanzas. Os livros mais caros são os de língua portuguesa e matemática, explicou.
Manual do ensino primário, os mais procurados no arreio de S. Paulo

Os livros cuja venda é proibida, são os mais procurados nos mercados informais de Luanda. No São Paulo, os preços variam entre 350 a 400 Kwanzas. A vendedora Maura revelou que os livros da 1ª à 4ª classe custam 300 kz, cinco livros saem por 1500 kz.

A jovem comerciante adiantou que compra os livros em grande quantidade no mercado Asa Branca. “Cada caixa tem 45 livros e custa 4.500 kz”.

Por outro lado, Maria Paulo, vendedora há três anos, disse que vende os livros das primeiras classes do ensino escolar no valor de 250 Kwanzas. Maria contou que sempre diversificou o seu negócio e como está a aproximar-se o início das aulas, escolheu materiais escolares.

Maria Paulo afirmou que desconhece de onde provém a mercadoria que vende desde o mês passado. “Eu compro a retalho no mercado do Kikolo, nas senhoras. De onde vem eu não sei. Realmente a venda é proibida, mas é o negócio que encontramos no mercado e está a render lucro, vamos fazer o quê?”.

O mercado do Panguila também tem sido fonte de mercadoria para as senhoras que vendem material escolar. Judith contou que tem comprado os livros no mercado mais a norte de Luanda. “Compro a retalho, cada a 150 e vendo a 300 Kwanzas, mas com desconto. Não somos as culpadas pela venda dos livros. Fizemos sempre alguma coisa para que os nossos filhos não passem a fome. Se o negócio que está a dar lucro de momento é os livros, nós comercializamo-los”.
Encarregados de educação alegam insuficiência de stocks

Os livros muitas vezes não chegam às mãos das crianças. E se a direcção da escola os entregar, não serão todos os livros. Dos cincos livros que o aluno precisa, a escola entrega apenas dois ou três, disse Joana Mateus, enquanto comprava livros da 3ª classe para o seu filho. No livro está escrito que deve ser distribuído gratuitamente, mas encontrase à venda, sem fiscalização, salientou.

O Ministério de Educação deve rever essa situação e produzir mais livros, no sentido de distribuir a todos os alunos. “As escolas não têm stock suficiente e muitas direcções guardam alguns livros para os seus parentes, assim sendo temos que nos prevenir, para que os nossos filhos não fiquem desenquadra dos na sala de aula, caso não recebam todos os livros. Um outro encarregado de educação considerou os preços dos livros acessível. “Cinco livros por apenas 500 Kwanzas”.
O jovem comprou livros para a 2ª, a 4ª e a 5ª classes, para os seus irmãos. “No meu caso, a conta já é maior. Se as escolas distribuíssem todos os livros, seria um alívio para as famílias, principalmente as mais favorecidas”, acrescentou.
Kero comercializa livros adicionais da 1ª à 4ª classe

Ao contrário dos mercados informais, no híper mercado Kero são comercializados alguns livros adicionais para os alunos do ensino primário. O Meu Caderno de Actividade é um livro produzido pela Plural Editora, no âmbito da reforma educativa. Na capa indica que o livro contém textos do manual de língua portuguesa e matemática da 1ª à 4ª classe. Cada livro custa 1.695 kzs.