quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Carmen Cardin – entrevista nº 387



SELMO VASCONCELLOS – Quais as suas outras atividades, além de escrever ?
CARMEN CARDIN – Além de escrever, sou professora e assessora administrativa.
SELMO VASCONCELLOS – Como surgiu seu interesse literário ?
CARMEN CARDIN - Escrevo desde os nove anos de idade. Desde que me entendo por gente, amo poesia! Entretinha-me nas horas vagas, nas tardes ensolaradas, debaixo de uma amendoeira, lendo Fernando Pessoa, Gonçalves Dias, Fagundes Varela e Augusto dos Anjos. Adoçava-me o espírito perceber a beleza incutida na nuvem perfumada dos seus versos. Essa aragem refrescava-me a alma e revigorava-me os sonhos nas tórridas tardes de um subúrbio carioca.
SELMO VASCONCELLOS – Quantos e quais os seus livros publicados ?
CARMEN CARDIN - Em antologias e coletâneas poéticas, além de sites e blogs há diversas publicações ilustrando a poesia de Carmen Cardin, que possui um acervo que ultrapassa os seiscentos poemas. Ultimamente, na XV Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro lancei “Atalho Para O Banquete” – Poesia – 80 páginas – Oficina Editores.
SELMO VASCONCELLOS – Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesias ?
CARMEN CARDIN - A aspiração – diuturna – de sonhar e idealizar, o “ser, enquanto poeta” e o “poeta enquanto ser” são a evocação natural que norteia minha existência. As pessoas costumam dizer que isso ou aquilo são a sua segunda natureza… A Poesia é a minha única natureza, portanto, ela é o meu espírito incorporado em palavras, lampejos efetivamente reais do meu ser! Não há uma necessidade de se escrever: há uma naturalidade. Penso, logo versifico!
SELMO VASCONCELLOS – Quais os escritores que você admira ?
CARMEN CARDIN – Além dos poetas acima citados, nutro profunda e absoluta admiração por Victor Hugo que, na minha opinião, é único. Aprecio, asseveradamente, Sthendall, Flaubert, Baudelaire, Schoppenhauer, Gibran Kalil Gibran, Saramago, Neruda, Borges, Shakespeare, Voltaire, Goethe, García Marques.
SELMO VASCONCELLOS – Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?
CARMEN CARDIN – Ler, acima e antes de tudo, para tentar entender a si mesmo, isso é pontual. Se pretende obter lucros com a literatura, pode esquecer. Deve ser um ideal e não um objetivo comercial. Mas, eu acredito, se você escrever, efetivamente bem, o sucesso será uma consequência natural desse sacerdócio. Ame primeiro, escreva depois.Mas, não desista jamais!
Messenger: carmencardin@live.com
Facebook: Carmen Cardin
Canto do Coração
Confesso que adoro um Serafim, O Amado!
Versos serão eficazes ao tentar descrevê-lo?
Suplício do meu ser, arroubo extremado…
Martírio: A Paixão e o seu pesadelo.
Que mescla fanática é esta que fazem
os deuses lascivos às leis da Fantasia
que só desejos aos espíritos trazem
castigando-os com o Amor, covardia!
Revelai-me que fórmula misteriosa e secreta
ingrata, invencível, é esta, oh Imortais!?
Como amortecer, do furor do Amor, a seta?
Como livre viver sem sofrê-lo mais?
O veneno condenou a alma da minh’alma
Que antídoto livrar-me-ia de tal ferida ?
Se é o Amor que me aflige, mas me acalma;
Se é este Amor, o grande amor, da minha vida?
Carmen Cardin
Em Preto e Branco
Eu aposto nas emoções praticadas
Da Ternura, ela atravessa fronteiras!
Amo o sabor das coisas delicadas,
Amo o valor das coisas verdadeiras.
Em cada muito, do pouco que faço,
Em cada tudo, do nada que sinto,
A surpresa do viver trái o meu traço:
Dizendo a verdade, eu minto!
No rubor da minha face me afugento
(Às vezes tem-se o nada e este é tanto!)
O carmim dos meus lábios é sedento
A maquiagem dos meus olhos é o pranto.
Não faço planos, desconheço o que é promessa.
Nada tenho. Nada sou. Nada sei.
Nada peço, tudo quero, tenho pressa!
O artifício do amor é a minha lei!
Carmen Cardin
“ Loucura “
Acariciei, suavemente, os teus cabelos
Beijei os teus pés, oh criatura!
Teus gemidos? Passei a tê-los
Iludi-me com a tua jura!
Da tua imagem tão amada
Fiz uma obra, uma escultura.
De ouro, de brilhantes, dourada
A arte heróica da minha bravura.
Para satisfazer os desejos teus
Percorri toda senda escura:
Fui ao céu falar com Deus:
Fui ao inferno, quanta loucura!
Eu te desejei de toda a minh’alma
Eu te amei com a maior ternura!
Teu ser até perturbou-me a calma
Eu que tinha a mente segura!
Mas agora( maldição!)tudo se acabou
Foi tempestade forte, que não dura
A doença do amor que me vitimou
Será, no mundo, minha única cura!
Carmen Cardin
“Perfeição”
Que mistérios o envolve?
Que forças o detém ?
Se a minha energia se dissolve
No magnetismo que ele tem?
Se a todo e qualquer momento
Seu fascínio me convém?
Se o meu pensamento
Com a sua imagem se entretém?
Quais os ventos que o conduz
Brisa suave ou rude tormenta?
Sombras, negrumes ou raios de luz
Que poderes o movimenta?
Brilhante é o seu olhar, profundo!
Miríade de beleza que seduz…
Nenhum outro ser no mundo
Com a mesma grandeza reluz!
Seus pés são dois alicerces
Firmados na base do vigor.
Os olhos, alcandoradas preces
Que poeta algum pode compor!
Suas pernas são colunas vitais
Sustentando um corpo robusto
Seu peito, sede de arsenais
Que abriga um homem augusto!
Suas mãos são ágeis, criativas
Arquitetas de mágicas carícias.
Seus lábios são nascentes vivas
De um melífluo mar de delícias!
Seu pensar paralisa o universo,
Seu sorriso ameniza minhas dores,
Seu falar revela-me o verso,
Seu caminhar fertiliza as flores!
O cântico da sua boca é sagrado,
Os gestos do seu corpo são ciência.
Seu meditar é barco ancorado,
No grande porto da inteligência!
Seu espírito é essência divina,
(Formosos são os detalhes seus)
Dele, monarca, é que se origina
Os fervorosos anseios meus.
Na esperança, meu ser se anima:
A Fé é escudo até para os ateus!
Eu e Ele unidos, esta é a sina
Um tálamo eterno nos dará Deus!
Carmen Cardin
O Atalho Para O Banquete
Quem sobreviveu
a um amor desfeito
Pode resistir
a um espelho quebrado
Consegue engolir
outra angústia qualquer…
Eu fiz do sonho
o meu vício perfeito
Diariamente
dele sorvo um bocado
E mastigo a vida:
sem antiácido sequer.
Quem quis colocar
suas mãos no fogo
Jamais se entregará
ao medo da nevasca
Jamais padecerá
no que chamam de deserto…
Provoquei a vida
e ela me fez seus toques
E toda solidão que engulo,
secamente, “on the rocks”,
Não me imuniza
do errado ou certo.
Quem divisará
as fronteiras do seu eu?
Só consegui achar a sorte
quando ela se perdeu
No escuro desespero
de quem crê na esperança.
Andei por um atalho
procurando Felicidade
Então escorreguei
no abismo da Saudade
No profundo precipício
precipitado da Lembrança.
E a audácia de querer
Rascunha-me um sorriso;
A teimosia de sentir
Penhora o meu descanso.
Vou descascando a tristeza
Cozinhando-a com o pranto…
A alquimia dos temperos
Antecipa-me o sabor
Saberei o ponto da calda
Provando, outra vez, do amor
Desse acre-doce tão exótico
A especiaria do encanto!
Carmen Cardin
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