quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

AMÍLCAR CABRAL. Guerra, secas e fome


"Ele nasceu com a política na cabeça. Era filho de político. Juvenal falava-lhe de todas as coisas". São palavras, em 1976, um ano antes da sua morte, de Dona Iva Pinhel Évora, mãe de Amílcar, mulher de Juvenal Lopes Cabral.

Carlos Pinto Santos
http://www.vidaslusofonas.pt/amilcar_cabral.htm

Memórias e Reflexões, editado pelo autor, em 1947, é um curioso livro do pai de Amílcar em que rememora a sua vida, debate os problemas da época e dos meios em que viveu, anota factos e episódios que clarificam a História e esclarecem as origens sociais do futuro líder do PAIGC.

Juvenal nasce em Cabo Verde em 1889. Um dos avós é grande proprietário rural. Mas a fortuna desaparece depressa, perante as catástrofes naturais das ilhas. O outro avô, o paterno, homem culto, também com algumas posses, dá ao neto o nome de Juvenal, em homenagem ao poeta latino. O rapaz não conhece o pai, morto tragicamente quando tem dois meses. A criança é entregue aos cuidados do avô e, mais tarde, da madrinha, Simoa Borges, que lhe irá financiar os estudos. Primeiro, em Portugal, no Seminário de Viseu. Estava destinado à vida eclesiástica. Mas uma grande seca no princípio do século torna impossível a manutenção de Juvenal na metrópole. Volta ao arquipélago. Em 1906, está a frequentar o seminário de S. Nicolau. Aos dezoito anos, abandona os estudos e embarca para a Guiné à procura de emprego. É funcionário em Bolama, depois professor sem diploma.

Vive em Bafatá quando, a 12 de Setembro de 1924, nasce Amílcar Cabral. Que, na certidão de nascimento, surge com o nome de Hamílcar, homenagem prestada pelo pai ao célebre cartaginês Hamílcar Barca.

Mas, em 1932, morre a madrinha Simoa que lhe deixa algumas propriedades rurais em Cabo Verde. Juvenal, Iva e Amílcar regressam às ilhas. É aí que a família vive o período difícil da Segunda Guerra Mundial. Salazar sobe os custos de vida, as mercadorias rareiam. Em 1940, uma calamitosa seca provoca a fome. Morrem mais de 20 mil cabo-verdianos. E, entre 1942 e 1948, nova crise vai fazer 30 mil vítimas.

Entretanto, nas ilhas, há um forte contingente militar de tropas portuguesas, o que cria inúmeros conflitos com a população e acentua o racismo e o colonialismo. Para além da fome e da seca não há, praticamente, serviços de assistência pública. A emigração para S. Tomé e Angola e, posteriormente, para a América despovoa as ilhas.

Nunca se calou Juvenal. Em 1940, dirige ao governador um memorando em que, baseado em dados históricos, prediz uma grande seca para os anos seguintes (o que se confirmou). Surgirá, depois, o documento enviado ao ministro das Colónias. (Este terrível período de calamidades em Cabo Verde é magistralmente descrito no romance de Manuel Ferreira, Hora di Bai).

Neste contexto, Amílcar Cabral passa a infância e a adolescência. Se o pai lhe aponta um exemplo de consciência e actuação, dentro das limitações legais que o fascismo de Salazar permite, a mãe, Iva Évora, é, para o jovem, o exemplo da ternura, da protecção e do trabalho. Presa todo o dia à máquina de costura, Iva vai contribuindo para que a família vença, da melhor maneira, as crises por que passam. E, mais tarde, sem largar a costura, empregar-se-á numa fábrica de conserva de peixe. A mãe e a sua capacidade de sacrifício há-de servir a Amílcar de testemunho de luta aos jovens combatentes do PAIGC.

Aos 20 anos, Amílcar tem absoluta consciência das degradantes condições de vida do povo cabo-verdiano. Imbui-o um idealismo político, a certeza dos amanhãs que cantam, a inevitável transformação do mundo, a nova ordem emergente do caos pós-guerra.

Aluno brilhante, 17 valores numa escala de 18, Amílcar conclui o curso liceal. Vai para a Praia onde se emprega como aspirante na Imprensa Nacional, enquanto aguarda a concessão de uma bolsa para prosseguir os estudos. Finalmente, em 1945, embarca para Lisboa.

A escolha da sua formação universitária, em que terá, também, havido cumplicidade do pai, é óbvia: será engenheiro agrónomo.

ANTI-COLONIALISTA EM LISBOA
Amílcar chega a Portugal. E, entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.

Imagem: http://2.bp.blogspot.com/

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

«Escravos do Uíje»



29-SET-2009

Na ressaca do último despedimento colectivo dos trabalhadores da Siderurgia Nacional protagonizado pela anterior direcção da empresa gestora da Siderurgia Nacional, o representante em Angola da Chung Fong Holding, Limited, Lam Pak Man, decidiu partir para o Uíge com o propósito de recrutar cerca de 70 jovens para o quadro de pessoal da fábrica, em substituição dos dispensados.

http://www.correiodopatriota.com/

Segundo os recém recrutados, quando foram contactados, os chineses terão prometido um salário correspondente a 12 mil Kwanzas mensais, além de alguns direitos complementares, como alimentação e alojamento.
A verdade, porém, é que não lhes fora dito em como viveriam praticamente encarcerados no perímetro da fábrica, tal como está a acontecer desde que estão em Luanda, após serem transportados em camiões como se fossem bois. Contam que, desde que entraram para o «quintalão» da fábrica, que não os deixam sair, como se estivessem presos.
Em conversa com o Semanário Angolense, um dos «encarcerados», visivelmente aflito, disse que ele e os seus colegas viram as suas vidas a transformarem-se num verdadeiro inferno: «Aqui ninguém sai. Comer, é aqui. Dormir, é aqui. Tudo, é aqui. Não nos deixam sequer passear. Dizem que é responsabilidade para eles se nos deixarem sair, uma vez que alguém se pode perder...». Diz ainda que muitos deles já têm vontade de regressar ao Uíje, porque não sabiam o sofrimento que haveriam de passar. «Assim, não dá!», acrescentou, revoltado.
Um outro jovem que falou à nossa reportagem identificou-se simplesmente por Dinis e disse estar muito decepcionado com o comportamento dos angolanos que estão na administração da Siderurgia Nacional, porque não defendem os outros. «Estamos aqui como presos. E já conversámos: se no final deste mês não pagarem o que prometeram, vamos embora», sublinhou, também completamente revoltado.
Uma fonte da direcção da empresa, que preferiu não ser identificada, disse ao nosso jornal que a fábrica se encontra nestas condições devido a falhas do ministro da Indústria que não quer saber do empreendimento, mas simplesmente do dinheiro que de lá sai.
Assegurou, por outro lado, que o encarceramento dos trabalhadores vindos do Uíje se deve a uma estratégia dos chineses, que consiste na necessidade deles não terem contactos com o mundo exterior à fábrica para não ficarem com os «olhos abertos». «Eles dizem que se os trabalhadores saírem para passear ao fim de semana vão ficar muito espertos, a tal ponto que passarão a incomodar a direcção reivindicando direitos laborais», explicou a nossa fonte.
Em face disso, uma pergunta se impõe: se isto não é escravidão, o que é então?

Imagem: http://sites.google.com/site/missangaorg/projriosuíje

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

«As máscaras e eu»


Estas fotos são mais velhas do que eu. Estão comigo desde os meus 9, 10 anos. Têm-me acompanhado desde então. Foram resgatadas na cidade do Uíje, num estúdio abandonado de um fotógrafo, onde um tio meu instalaria uma alfaiataria. Quando meu tio adquiriu o espaço e nós (meus primos e eu) o vasculhámos, abandonado e num caos revolto, um mundo de mistérios e perplexidades se abriu para nós.

http://ositiodosdesenhos.blogspot.com/2007/06/as-mscaras-e-eu.html

Foi aí que, entre montes de papéis, jornais e revistas com datas de antes de eu nascer, pela primeira vez me vi confrontado com o mistério do passado, pois no Uíje de então, edificado após os massacres de 1961, tudo era novo!
Foi por entre milhares de fotos e negativos, velhos projectores e outros apetrechos relacionados com a fotografia, mas também objectos estranhos (um dos meus primos afiançou-me mesmo que um deles seria uma cadeira eléctrica!) que pela primeira vez eu vi imagens pornográficas. Vi também, pela primeira vez, imagens terríveis de corpos, brancos e negros, esquartejados, decepados… em fotografias tiradas por certo aquando das revoltas de 1961 e das subsequentes represálias…

Estas fotos que agora vos mostro e que eu guardei para mim, devem ter sido tiradas muito antes disso em alguma das fazendas de café limítrofes, para onde vinham homens do sul como contratados.
Aos Domingos, era-lhes permitido fazer as suas celebrações. Estes homens eram iniciados, pertenciam a seitas que celebravam os ritos de passagem e os mistérios de uma complexa teia de crenças. As suas máscaras, algumas de delicada factura, todas de uma também complexa simbologia, não são meros disfarces como na tradição da máscara europeia, mais apropriada a folias e a desregramentos carnavalescos.

Mas ao contrário dos brancos adultos, que na sua tolerância sobranceira, encaravam estas celebrações rituais como uma espécie de curiosidade folclórica, eu (que ainda oiço a monótona toada dos tambores, propícia a todos os transes e à sugestão de todos os mistérios) ainda vejo as danças com os seus saltos, rodopios, apitos e estalar dos chicotes, as peles, as penas, e as ráfias. Respiro ainda o ar quente e o pó dessas tardes de Domingo. Sinto que estas máscaras ficaram sempre em mim como um sinal da minha inquieta fascinação por toda a espécie de mistérios. Dos atávicos aos telúricos.

Nota - Embora, ao longo da minha vida, me tenha vindo a interessar pela etnografia angolana, não sou, nem pouco mais ou menos, um especialista. Por isso, se por acaso, entre os visitantes deste blogue, se encontrar alguém com conhecimentos menos rudimentares, peço-lhe que me ajude a descobrir mais sobre a origem e funções destas máscaras.
Postado por Fernando Campos em 6/27/2007 07:34:00 AM

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

AMÍLCAR CABRAL. Cerca de uma centena de membros do Partido são indiciados, julgados, fuzilados.


Carlos Pinto Santos

Noutros pontos da cidade, onde se alojam os cerca de meio milhar de combatentes do PAIGC, grupos pertencentes à revolta aprisionam os restantes dirigentes sediados em Conacri: Aristides Pereira, Vasco Cabral, José Araújo, entre outros. São todos transportados para uma vedeta que zarpa para Bissau. Seku Turé recebe no palácio presidencial, a 21 de Janeiro, os cabecilhas da rebelião. Tudo leva a crer que apoia os assassinos de Cabral.

http://www.vidaslusofonas.pt/amilcar_cabral.htm

Mas, surpresa: o Presidente da Guiné-Conacri não dá cobertura. Manda prender os conspiradores, ordena ao Exército que detenha todos os elementos do PAIGC, intercepta, em pleno mar, o barco que leva os prisioneiros para Bissau. Uma comissão internacional, indigitada por Séku Turé, elabora um inquérito sobre os acontecimentos. A pouco e pouco, os antigos dirigentes do PAIGC são libertados. O Conselho Superior de Luta do Partido decide ir mais longe na investigação.

http://www.vidaslusofonas.pt/amilcar_cabral.htm

A partir daí, uma teia de denúncias, traições e intrigas vai acelerar as conclusões. Cerca de uma centena de membros do Partido são indiciados, julgados, fuzilados. Entre eles, está a maioria dos culpados, mas estão, também, muitos inocentes. Era inevitável que assim acontecesse. A morte de Amílcar Cabral, o chefe quase incontestado, desencadeia ódios e paixões e, nesse ambiente, difícil seria que a justiça fosse completamente isenta. Para mais, num clima de guerra contra o colonialismo português que ninguém quer abrandar.

De facto, o Exército Português nada lucra com o assassínio. A guerrilha intensifica a acção. Em Março de 1973, dispõe dos mísseis terra-ar "Stella" que retiram a supremacia aérea às forças portuguesas. Em Maio, Spínola, governador da Guiné, avisa o ministro Silva Cunha: "Aproximamo-nos, cada vez mais, da contingência do colapso militar". A 24 de Setembro, nas matas de Madina do Boé, o PAIGC declara, unilateralmente, a independência da Guiné-Bissau.

Larbac, poeta e contista
Amílcar escreve poemas de amor. E, entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.

Juvenal Cabral, à luz difusa de um candeeiro, escreve na sua casa em Cabo Verde um memorando a Vieira Machado, ministro das Colónias de Salazar.

Está-se em Dezembro de 1941 e o ministro visita a Praia. O documento chegará às mãos do membro do Governo de Lisboa. Que, muito provavelmente, não o leu. Que lhe importa as opiniões de um obscuro professor primário cabo-verdiano?

No entanto, o documento é significativo. Preocupado com a seca e a fome no seu arquipélago, Juvenal propõe ao ministro algumas políticas a seguir para minorar os males: pesquisa e captação de águas, arborização intensiva, protecção à agricultura, supressão do imposto sobre as terras, criação de um crédito agrícola, protecção ao pequeno funcionário.

Seu filho, Amílcar, tem 17 anos e frequenta o liceu no Mindelo. Não se sente ainda com capacidade para auxiliar o pai na cruzada em favor de Cabo Verde. Mas já conhece todos os problemas que afectam a sua terra, porque o pai, desde cedo, o consciencializa.

Todavia, Amílcar é, nessa altura, Larbac. Assim assina os poemas de amor que escreve: Quando Cupido acerta no alvo, Devaneios, Arte de Minerva, entre outros. Os temas denotam influências clássicas. Os poetas que conhece do liceu são os inspiradores: Gonçalves Crespo, Guerra Junqueiro, Casimiro de Abreu, por exemplo. O lirismo de Amílcar (Larbac é anagrama de Cabral) não se evidencia pela originalidade. Revela, porém, a sua sensibilidade amorosa. Esse romantismo passa para a sua prosa de adolescente, os contos, notas e comentários onde se vislumbra já um seguro conhecimento e um desejo de participação no universo insular em que vive. Um pouco mais tarde, em Lisboa, essas preocupações irão agudizar-se.

Imagem: http://www.caboindex.com/blog/

Uíge. A Visitar


Quedas do Bombo sobre o rio Cuilo
Lagoa do Feitiço
Lagoa de Luzamba e Mavoio
Lagoa do Sacapete
Vale do Loge

http://www.info-angola.ao/governo/

Busto do Heroi N’Bemba – fica na entrada do bairro N’Bemba N’Gango, no Uíge e foi um soba da cidade.
Igreja de São José - junto das pedras do Encoje, datada do século XVIII.
Fortaleza do Bembe - construída no século XX , fica situada junto a Igreja do Bembe.
Figuras rupestres de Kisadi
Pedra de N’Zinga N’Zambi (Toto)
Pedra de Kakula Quimanga
Pedra do Tunda – fica situado no Negage e era onde se fazia justiça matando os criminosos.
Ponte Mágica sobre o rio Vamba Wa M’Bamba
Ruína do Fortim de Maquela
Túmulo do Ancião Mekabango – grande guerreiro da resistência contra a ocupação colonial.
Túmulo do Rei M’Bianda-N’Gunga – Grande Rei e Guerreiro da Resistência a ocupação colonial.
Reserva Florestal do Beu – Com uma área de 1400 Km², a vegetação é do tipo mosaico, floresta densa. A reserva está limitada a norte pela fronteira com a República Democrática do Congo, a oeste com o rio Zadi, a leste com o rio Beu, a sul com a comuna do Beu.

ONDE RELAXAR
A Lagoa do Feitiço, que fica em Dambe, no município de Quitexe, e a Lagoa de Luzamba são propícias para banhos. Existem também a lagoa de Mavoio, em Maquela Zombo e as quedas do Bombo sobre o rio Cuilo.

FESTAS E EVENTOS
As festas da Cidade acontecem de 1 a 7 de Julho, em toda a província.

ITINERÁRIOS
Província agrícola de clima tropical húmido possui uma fauna variada com a presença de elefantes, búfalos, antílopes, macacos azuis e outras espécies raras.

MONUMENTOS
Antiga Administração do Concelho;
Casas Antigas do Estado;
Busto do Heroi N`bemba;
Igreja de São José, junto das pedras do Encoje, datadas do século XVIII;
Fortaleza do Bembe, construída no século XX (situada junto da igreja de S.José);
Figuras rupestres de Kisadi;
Pedra de Nzinga N´zambi (Toto);
Pedra de Kakula Quimanga;
Pedra do Tunda (onde faziam justiça e morte aos criminosos)
Ponte Mágica sobre o rio Vamba Wa Mbamba;
Ruina do Fortim de Maquela;
Túmulo do Ancião Mekabango (grande guerreiro na Resistência contra a ocupação colonial);
Túmulo do Grande Rei e Guerreiro da Resistência a ocupação Mbianda-Ngunga.

DESPORTO E AVENTURA
Os rios são navegáveis, sendo também possível a prática da pesca desportiva.

DIVERSÃO
Existem discotecas na Cidade do Uíge.

Viagem e Estadia

DOCUMENTOS
Documentos necessários: Passaporte e visto (válido por 2 mês e permite duas entradas)

Vacinas: Febre amarela é obrigatória

COMO CHEGAR
A província conta com cinco aeroportos, apesar de apenas dois encontrarem-se em actividade um na cidade do Uíge e outro no Negage, onde escalam várias aeronaves.

O Acesso por estrada pode ser feito a partir de Luanda, passando pela província do Bengo, chegamos ao Uíge.

ALOJAMENTO
A rede hoteleira da província regista infra-estruturas degradadas. Apenas duas (2) unidades funcionam debilmente. O ramo dispõe de: 8 hotéis, 8 pensões, 75 restaurantes, 4 centros recreativos, 5 boites, 23 lanchonetes e, 1 dancing.

ALIMENTAÇÃO
Os hotéis possuem bons restaurantes. Os pratos típicos são muambas, nthsombe (espécie de larvas apanhadas em árvores, cozidas e tostadas) e catatos, acompanhados de funge ou verduras. A bebida típica é o Malavo (ou marufo), retirada da árvore chamada bordão.
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Info Província
A província do Uíge fica no norte de Angola e tem 16 Municípios, Alto Cauale, Ambuíla, Bembe, Buengas, Bungo, Damba, Kimbele, Kiteche, Macocola, Maquela do Zombo, Mucaba, Negage, Puri, Sanza Pombo, Songo e Uíge (Capital), distribuídos numa superfície de 58.698 Km².

O seu clima é tropical húmido, com uma temperatura média anual de 24ºC. Na sua fauna encontramos animais como elefantes, búfalos, porcos do mato, antílopes, macacos azuis e ainda várias espécies raras.

Os rios mais importantes desta província são o Zadi, Dange, Lúria, Lucala, Luvulu.

Durante a época colonial o Uíge foi um importante centro de plantação do café robusta.

O grupo étnico maioritário é o Bakongo, mas pode-se encontrar também o Ovimbundo e o Kimbundo. A língua nacional mais falada é o Kikongo. A agricultura é a principal actividade económica da província.

As potencialidades turísticas da província do Uíge encerram belezas naturais e inúmeros sítios históricos tais como:

As potencialidades turísticas da província do Uíge encerram belezas naturais e inúmeros sítios históricos tais como:
A flora e fauna com espécies de animais e plantas raras e típicas;
Pedras denominadas agulhas do Zalala;
Morros do alto Caual;
Quedas do Massau;
Quedas de Camulungo;
Lagoas e rios em savanas abertas;
Verdadeira paisagística;
Artesanatos em junco, madeira e marfim;
Pontes de lianas (cordas);
Máscaras de vários tipos;
Instrumentos musicais típicos;
Cafezeiros em flores e a lagoa com o mesmo nome;
As ricas serras e savanas bem como as ruínas da fortaleza do Bembe;
Velhos monumentos da cidade do Uíge e belíssimas vilas;
Pinturas rupestres da Cabala;
Complexo piscina da cidade do Uíge;
Locais históricos de ocupação colonial e, fortins.

CORREIOS E TELECOMUNICAÇÕES
Os serviços dos correios:
Outrora com várias estações postais de 1.ª, 2.ª e 3.ª classe, estendendo-se respectivamente a Uíge, Maquel do Zombo, Damba, Mucaba, Quitexe, Milunga, Quimbele, Songo, Cangola, Bembe, Bungo, Sanza Pombo, Totó, Negage, e Macocola; Cuilo-Pombo, Bengo, Vista Alegre, Vale do Loge, Uamba, Caiongo, Aldeia Viçosa, Senguela, Buenga-Sul, Dimuca, Cambamba, Lucunga, Buenga Norte, Ambuila e Nsoso, são actualmente limitados à cidade do Uíge.

As comunicações
São asseguradas por telefone com rede Internet (na cidade de Uíge), rádio de telecomunicação administrativa (entre todos os municípios), telegrafia possibilitando as ligações internas e externa ainda com limitações. O serviço meteorológico, funciona debilmente, carecendo de apetrechamento.

ÁGUA E ELECTRICIDADE
Pela província do Uíge passam bastantes rios e a estratégia do passado permite fazer alusão de que possuía 8 pequenas hidroeléctricas com uma potência de 1.223 KVA e 147 centrais com uma produção de 6.181.129 KWH.
Até a data a província é alimentada parcialmente através de 2 (dois) grupos geradores, 1 (um) de 1.225 kw, e de 200 KWH.

ONDE COMPRAR
Na província produz-se cestos, cadeiras e alcofas de junco. Os produtos são vendidos em mercados, principalmente em Quimbele.

Imagem: http://www.portalangop.co.ao/

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

AMÍLCAR CABRAL – Noite de facas longas em conacri


Libertador, 1924 -1973

Carlos Pinto Santos

Ninguém mais pode estragar o paigc. só nós próprios... quando tudo aconteceu...

1924, 12 de Setembro: Nasce em Bafatá, Guiné - 1932: Vai para Cabo Verde - 1943: Completa no Mindelo o curso liceal - 1944: Emprega-se na Imprensa Nacional, na Praia - 1945:

http://www.vidaslusofonas.pt/amilcar_cabral.htm

Com uma bolsa de estudo, ingressa no I. S. Agronomia, em Lisboa - 1950: Termina o curso e trabalha na Estação Agronómica de Santarém - 1952: Regressa a Bissau, contratado para os S. Agrícolas e Florestais da Guiné - 1955: O governador impõe a sua saída da colónia; vai trabalhar para Angola; liga-se ao MPLA - 1956: Criação em Bissau do PAIGC - 1960: O Partido abre uma delegação em Conacri; a China apoia a formação de quadros do PAIGC - 1961: Marrocos abre as portas aos membros do Partido - 1963, 23 de Janeiro: Início da luta armada, ataque ao aquartelamento de Tite, no sul da Guiné; em Julho o PAIGC abre a frente norte - 1970, 1 de Julho: O papa Paulo VI concede audiência a Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Marcelino dos Santos; 22 de Novembro: O governador da Guiné-Bissau decide e Alpoim Calvão chefia a operação de "comando" "Mar Verde" destinada a capturar ou a eliminar os dirigentes do PAIGC sediados em Conacri: fracasso! - 1973, 20 de Janeiro: Amílcar Cabral é assassinado em Conacri.

Noite de facas longas em conacri

Amílcar Cabral é assassinado em Conacri. E, entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.

O cenário: uma casa branca, isolada, de um só piso, um largo terreiro à volta, uma enorme mangueira em frente da casa, um telheiro que serve de garagem; em Conacri, capital da República da Guiné, de que é Presidente Séku Turé. O tempo: três da madrugada do dia 20 de Janeiro de 1973. A acção: um carro, um Volkswagen, que o condutor arruma no telheiro. Dois faróis projectam a luz para os ocupantes do veículo que são Amílcar Cabral e a sua segunda mulher, Ana Maria. Uma voz ríspida vem da noite e ordena que amarrem Amílcar. Este resiste. Não deixa que o atem. O comandante do assalto dispara. Atinge-o no fígado. Amílcar, sentado no chão, propõe que conversem. A resposta é uma rajada de metralhadora que acerta na cabeça do fundador do PAIGC. A morte é imediata. Os autores do atentado: Inocêncio Kani, que dispara primeiro, um veterano da guerrilha, ex-comandante da Marinha do PAIGC; membros do Partido, todos guineenses.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Orlando Castro, O Perseverante Justiceiro


Mais uma profunda análise de um lutador que não necessita de submarinos para atacar na calada do dia. Porque na calada da noite já era. Os políticos actuais são como alguns submarinos… mergulham profundamente e jamais retornam à superfície. Ficam bem lá escondidos no fundo do mundo. E quando decidem respirar, voltar ao ar livre, muitas armas e algemas os esperam.


«É preciso ser preto para ser angolano?
É preciso ser preto para ser da UNITA?
ALTO HAMA
Para os que estão por dentro dos meandros da política angolana, as minhas posições são claras. Para os que estão por fora, em particular para os meus amigos portugueses, tais posições poderão parecer contraditórias. E isto porque, usando o mais nobre critério jornalístico (a liberdade), tanto critico o MPLA e o Governo angolano (são ambos a mesma coisa) como o faço em relação à UNITA e ao seu Presidente.

Sou angolano, nasci em Angola, lá estudei, brinquei, cresci e me fiz homem. Mesmo que tenha sido obrigado pelos acontecimentos históricos a abandonar o país onde nasci, e a utilizar a nacionalidade portuguesa dos meus pais, o meu coração esteve lá, está lá e estará sempre lá, quer o MPLA queira ou não, quer a UNITA queira ou não.

Nunca me conformarei com o estado a que o meu país chegou. Nunca me conformarei com a miséria, a fome, a indignidade, o roubo e tudo o que de mau tem acontecido no meu país. Não acredito que tudo isto seja consequência da guerra e estes últimos sete anos de paz, confirmam que todo o mal que existiu e que continua a existir se deve aos governantes do MPLA.

Duvidam? Em sete anos de paz, nada mudou. A fome, a miséria, a indignidade, a mortalidade infantil, os roubos, os assassínios e tudo o resto continuam a somar pontos na minha terra porque, de facto e de jure, poucos têm milhões e milhões têm pouco ou nada.

Portanto sou militante e conscientemente da oposição ao actual Governo angolano e ao partido que o sustenta, o MPLA.

E, quer acreditem ou não os que estão dentro, fora, ou fora e dentro, sou “militante”, ou pelo menos assim me considero, da UNITA.

Compreendo que muitas das minhas posições contra a actuação da UNITA não sejam bem aceites por muitos dos seus militantes, desde logo porque – também no Galo Negro – ser branco nada ajuda a ser considerado angolano.

Aprendi ao longo da minha vida que não me sentiria bem se ficasse quieto perante o que considero errado. E muitas das vezes não estou de acordo com a actuação da UNITA e da sua actual Direcção. Ou mais grave ainda, com a sua não actuação, um misto de passividade e lentidão que não se coaduna com quem quer ser alternativa de poder.

A UNITA foi dirigida durante muito tempo por alguém cuja estatura e inteligência eram suficientemente grandes para que os seus militantes estivessem descansados. Quando Jonas Savimbi foi assassinado, a UNITA considerou que a democracia interna era a única hipótese que tinha de sobreviver. E estava certa. A democratização interna fez o Partido sobreviver e fortalecer-se.

O que eu critico muitas das vezes na UNITA é a falta de acção, de actuação, a maneira burocrática e prenhe de lentidão como tudo é decidido, o arrastar das decisões, discutidas até à exaustão numa democraticidade interna que se é boa ao nível das grandes linhas, é um empecilho ao nível da execução, parecendo-me muitas vezes um claro exercício de suicídio político.

Comparativamente, o MPLA está em todas, lidera em força e com alguma qualidade (reconheço) quer as acções internas quer externas, vai somando – em Portugal, por exemplo - apoios em todos os estratos políticos, empresariais e intelectuais, para além de alargar os tentáculos do partido/regime a um cada vez maior número de empresas portuguesas.

Quanto à UNITA, qualquer branco que se aproxime é considerado suspeito... até prova em contrário. Há excepções, há sim senhor. Mas essas excepções servem apenas, e infelizmente, para confirmar a regra.

Contudo, manda a verdade que se diga que é mais fácil a qualquer branco singrar no MPLA do que na UNITA. É pena. Isso não signfica que, no meu caso, mude de trincheira ou engrosse a coluna dos que se afastam sem destino determinado.

Se, em 1975, Rosa Coutinho e todos os seus lacaios não alteraram as minhas convicções, não é agora que alguém o conseguirá fazer. Mas que somos cada vez menos... isso somos.»

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Uíge. Cidadãos aplaudem efusivamente cumprimentos do Presidente da República


Uíge – Os milhares de cidadãos do Uíge presentes no acto central do 4 de Janeiro, realizado no largo do Palácio da Justiça, nesta cidade, aplaudiram efusivamente aos cumprimentos do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, transmitidos pelo ministro da Administração do Território, Virgílio de Fontes Pereira, que presidiu a cerimónia.

ANGOP

Na sequência, o governante, que se fazia acompanhar do governador da província, Paulo Pombolo, do ministro da Agricultura, Afonso Pedro Canga, e de outras entidades, saudou o heróico povo angolano, em particular o do Uíge.

Recorrendo-se à história, o representante na cerimónia do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, disse que desde o período de resistência à penetração colonial, o povo do Uíge sempre demonstrou valentia, citando como exemplo a batalha de Ambuila, ocorrida em 1665.

Segundo o governante, naquela histórica batalha tombou heroicamente “aquele que é considerado o último Rei do Kongo, D. António I, também conhecido por Mwene Mulaza, cujo crânio repousa na ermida da Nazaré, em Luanda”.

Homenageou igualmente todos os naturais do Uíge que se bateram com bravura, heroísmo e fervor patriótico contra o exército colonial português, e pelo seu contributo para a consolidação da paz e da democracia em Angola.

Este ano, a província do Uíge foi escolhida pelo Conselho de Ministros para albergar o acto central comemorativo do 4 de Janeiro, Dia dos Mártires da Repressão Colonial”, cujo lema é “Em memória dos mártires da pátria desenvolvamos o país e reforcemos a democracia”.

Imagem: Cidadãos presentes ao acto central do 4 de Janeiro

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Afrikanita e as suas amigas brasileiras. Orquestra Lunar/ Mulheres da música




A música é delas. Na Orquestra Lunar todas as integrantes são mulheres. Mulheres dos instrumentos, mulheres da voz e, claro, mulher como tema das canções. O primeiro CD do grupo formado em 2005 sai pelo selo da Rádio Mec em parceria com a Rob Digital. A Orquestra já é campeã desde a formação.

http://www.orquestralunar.com/cake/ e MORRO DA MAIANGA

O vozeirão de Áurea Martins é patrimônio cultural do carioca que deveria ser mais valorizado. Só por cooperar nessa doce tarefa, a Orquestra Lunar já marca muitos pontos. Grande cantora da noite com 40 anos de carreira, Áurea tem vários trabalhos, mas seu mais recente CD independente foi reeditado pela Biscoito Fino, aumentando sua possibilidade de ser ouvida. Tomara que seja apenas o início, já que a cantora tem talento de sobra para ter maior destaque no cenário musical.
A prova está nessa brilhante participação no grupo.

Além de Áurea, a Orquestra Lunar soma com a voz de Vika Barcellos e o acompanhamento de Sheila Zagury (piano), Mônica Ávila (sax e flauta), Kátia Preta Nascimento (trombone de vara), Sueli Faria (sax e flauta), Manoela Marinho (violão e cavaquinho), Geórgia Câmara (bateria e pandeiro), Luciana Requião (baixo) e Samantha Renno (percussão). Fátima Guedes presenteia a Orquestra com “Garrafas ao mar”. E a pianista Delia Fischer presenteia o grupo e participa da sua “Das plantas”, parceria com Thiago Picchi. Única composição de uma integrante da Orquestra, “Sete neguinhos” ganhou arranjo da própria autora, Mônica Ávila.

Em um disco de teor feminino não podia faltar Sueli Costa, que está presente em “Voz de mulher”, com letra de Abel Silva. A contemporânea Marina Lima é lembrada com uma surpreendente versão para o hit “Grávida” enquanto a precursora Chiquinha Gonzaga encerra o cd com seu clássico “Corta jaca”.Dos melhores momentos do disco, o samba “Quem sou eu pra perdoar” tem participação especial de Ana Costa dividindo a linha de frente com Vika. Delicioso resgate, a parceria de Carolina Cardoso de Menezes e Armando Fernandes foi lançada originalmente em 1952 pelo grupo Quatro Ases e um Coringa. O lançamento em cd coroa a história de um grupo que nasceu nos palcos. Nessa saudável nova onda de retomar a formação das orquestras de dança, um grupo formado somente por mulheres faz a diferença. Esse toque feminino da Orquestra Lunar vem a somar, com muitas histórias paralelas e talento de sobra.

Maravilhas do Uíge



Aqui, em Luanda, por toda a Angola acontecem coisas de aterrorizar, de pôr os cabelos em pé. E porquê?! Porque quase toda a gente invoca, faz ressurgir, despertar as trevas há muito adormecidas. É de arrepiar. Quem duvidar que venha até cá e veja, se maravilhe.

«DOSSIER FEITIÇARIA
Feitiço no Uíge, um mistério cabeludo
A inclusão do Uíge na rota dos santuários do feitiço em Angola não acontece por livre arbítrio nem por vontade de tornar a abordagem transversal. É mesmo porque a região vive carregada de histórias que a ligam em força a esse fenómeno tão profundamente obscuro e, ao mesmo tempo, tão irresistivelmente mágico e desencadeante de curiosidade em catadupa.

http://www.opais.net/pt/dossier/?det=6147&id=1911

Os que conhecem esta parcela da geografia, onde a África do imaginário do Mundo se mostra em todo o seu esplendor com a exuberância das suas florestas, a abundância dos seus rios, as montanhas e os picos desafiantes, as ribanceiras medonhas, percebem facilmente que aqui se está diante do cenário ideal para o voo do mito, a perpetuação do mistério e o desdobrar das implicações, mais a mais com a forte presença da ignorância que despreza a Ciência.
As histórias da velha Europa que depois a Humanidade consagrou como clássicas, os escritos dos irmãos Grimm, os relatos do dinamarquês Hans Cristian Anderson, só se tornaram tão “reais”, verosímeis e intemporais, porque falam sempre de florestas que metem medo, com duendes, bruxos, monstros e figuras míticas de duas cabeças e mil ideias malvadas.

Do lado de cá, a savana densa e entupida, que não deixa que o sol a penetre e as gotas puras do orvalho da manhã vivam menos, criou as condições para que as noites de África, os seus caminhos e labirintos, a escuridão e o luar, se entrecruzem com a ideia do feitiço.
Digamos, pois, que qualquer um que tenha nascido ou crescido num cenário assim, não se espantará por ter aprendido a coabitar bastante cedo com a crença no feitiço, ou o lado inexplicável da vida e dos fenómenos, a tentativa mais academicista, se quisermos, de se definir esse conceito estranho.

Óbitos com desculpa
Por cá, nas aldeias todos “aprendem” que as mortes têm sempre um culpado: o feiticeiro. Se uma inocente criança vê a sua missão no mundo encurtada, se calhar pela crónica falta de cuidados primários de saúde no campo profundo, ou fulminada por mal pior como uma meningite ou até uma má formação congénita, logo se “descobre” que é o tio ou o avô mauzão quem acabou com a pobre vida, porque precisa de enriquecer e essa morte faz de moeda de troca no seu arranjo com os gurus da feitiçaria. Se um jovem é mal sucedido na vida e inábil até em obrigações tão mundanas como conseguir para si uma esposa, a imaginação corre célere: há com certeza um tio feiticeiro que não quer o progresso do sobrinho.

Se uma parturiente acaba os seus dias na hora em que se prepara para dar ao mundo um novo rebento, nesse momento tão terno e tão deslumbrante que é o nascimento de um filho, há sempre um feiticeiro por detrás da tragédia. Mas é preciso que se saiba que a mulher desenvolveu uma gravidez de risco com os seus “rijos” 45 anos de idade. A Medicina explica isso facilmente mas na aldeia, onde a Ciência vezes sem conta é trocada pela interpretação empírica e o charlatanismo puro, surge um capítulo de desavença e ódios cruzados mais uma vez ligado ao omnipresente feitiço.

Se um aldeão cresce como empreendedor, faz mais na sua labuta que os outros, aumenta o seu rebanho de cabras ou vende mais café que os seus pares, certamente não se livra da acusação de feitiço por ter conseguido tão notável avanço de vida. Ele que reze para que não tenha o azar de perder o filho, sobrinho ou outro familiar próximo, pois de contrário, será o culpado, pois tão vigoroso enriquecimento só pode estar sustentado pela arte do feitiço que pede em troca vidas, muitas vidas…

No Uíge, vinte e oito crianças acusadas de feitiçaria, rejeitadas pelas famílias, perseguidas e sem amor.
Vivem o inferno que a intolerância aliada ao pensamento obscuro cristalizam.
É um lugar que poucos visitam.
Quase apenas a liderança local da Igreja Católica, que o concebeu e levantou em hora boa. Mais os activistas de algumas ONG.

E um ou outro membro com responsabilidade governamental. Amiúde, do ministério da Reinserção Social e do Instituto Nacional da Criança. Também do governo da província, que um dia deixaram roupas e uma bicicleta.
Quando calha, uma equipa de jornalistas que se interessa por uma história rara de rejeição.
Quem chega ao Uíge por avião, a uns escassos dois km na direcção aeroporto-cidade, do lado direito, num plano elevado, ergue-se uma casa de paredes pintadas de um verde esperança.

Pouco dirá ao transeunte, porque está feita para não chamar a atenção.
Lugar discreto. Minúsculo. Mas cheio de amor.
É ali que a Igreja Católica, num gesto que fala da sua longa vocação de solidariedade e humanismo, albergou as crianças que em diferentes momentos foram lançadas ao desamparo e à condenação.
“Criámos este lugar há seis anos, em Dezembro de 2003. Temos trinta e uma crianças, rapazes todos. A ideia foi do Bispo Dom Francisco da Mata Mourisca, antes dele se reformar. É a alma deste projecto”, diz-nos o catequista Pedro Vieira dos Santos, 68 anos de idade bem disfarçados num corpo enérgico.
É o responsável pela casa, a quem todos obedecem. Um gestor mergulhado em preocupações existenciais do dia-a-dia como conseguir o arroz, a fuba para o funji, a massa, o óleo, o peixe, o feijão, a banana, mas também atento – e muito – à recuperação das crianças e adolescentes que encontram refúgio no centro. Aos seus estudos. À sua formação como homens úteis do amanhã.

As dificuldades do lar não são de negligenciar: “Às vezes falta comida.
Quando a Diocese não pode ajudar, fica-se aflito. Contudo, nunca falhou o jantar ou o almoço. Bem ou mal, as refeições fazem-se. Agora mesmo, por exemplo, só temos fuba de bombó e feijão. O MINARS e o INAC ajudam muito com comida e roupa” – detalha o responsável, que reserva também uma palavra de gratidão para a ONG alemã GAUFF, que ajudou com a pintura da casa e ergueu o muro de vedação.
Visitámos o lar, baptizado S. José no dia da sua inauguração (18 de Dezembro de 2003), numa segunda-feira de aulas normais. Por isso o corrupio minguado, só ali estavam quem estuda à tarde.
Perdemos a oportunidade de conhecer os mais novos dos internos, João Maloba e Joaquim Alfredo, envoltos nas malhas da feitiçaria com curtíssimos e inocentes 7 anos de idade. Andam na primeira classe e já haviam abalado, a pé, para a escola que frequentam.

Os colegas falam deles com um misto de pena e admiração, como se não fossem eles próprios heróis iguais de uma mesma novela surreal.»
Por: Luís Fernando, no Uige Fotos: Jacinto Figueiredo

domingo, 3 de janeiro de 2010

Nomeação de Nazário Pedro Vilhena



NOTÍCIAS


Nomeado novo vice-governador do Uíge

18-03-2009

O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, nomeou Nazário Pedro Vilhena Bomba, para ocupar o posto de vice-governador da província do Uíge para o sector de Organização e Serviços Técnicos.
Num outro despacho, o Chefe de Estado deu por extinto o Grupo de Trabalho “ad-hoc” criado em Janeiro deste ano para prevenção e eventual expansão para Angola da epidemia do Ébola que grassou a RDCongo.

As razões para essa extinção devem-se ao facto de ter sido oficialmente declarado o fim da epidemia na RDCongo e de não se ter verificado nenhum caso em todo o território nacional.

http://www.rna.ao/canalA/noticias.cgi?ID=25933

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Uíje. Lendas e magia nos cenários naturais e históricos do Uíge



DISTÂNCIAS EM KM DA SEDE PARA: Luanda 345 - M'Banza Kongo 314

Lendas e magia nos cenários naturais e históricos do Uíge

http://www.portalangop.co.ao/

A região é caracterizada por grande potencialidade de recursos naturais e locais históricos e culturais, muitos deles actualmente em estado de abandono devido às consequências directas ou indirectas do conflito armado que assolou o país por mais de três décadas.
Seus rios são navegáveis, propícios à prática de desportos náuticos e pesca desportiva. Outras opções são os banhos de cachoeiras, nos rios e lagoas. O ecoturista encontra cenários deslumbrantes, reservas florestais e uma rica fauna.

A província do Uíge faz fronteiras com a Republica Democrática do Congo, a norte e nordeste; a província de Malange a nordeste; a sul com a as província do Bengo e Kwanza Norte; e a oeste a província do Zaire.
Os seus habitantes praticam ainda uma agricultura de subsistência, produzindo amendoim, mandioca, milho, feijão, batata-doce e rena, banana, gergelim, arroz, inhame, café e outros.

O Bakongo é o grupo étnico maioritário, mas pode-se encontrar também o Ovimbundo e o Kimbundo. A língua nacional mais falada é o Kikongo.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Governador do Uíje reúne órgãos de comunicação social


22/12/2009 11:42

O governador da província do Uíje, Paulo Pombolo, manteve sábado, na sala de sessões da Rádio Nacional, um encontro com os directores e chefes de informação dos órgãos da Angop, Rádio, Jornal de Angola e TPA, com o objectivo de se inteirar do seu funcionamento.

No primeiro encontro com a comunicação social, Paulo Pombolo deixou expresso o desejo de trabalhar para o bem-estar da população local, o que passa necessariamente pela conjugação de esforços de todos.

O governante pediu aos meios de comunicação social para continuarem a desempenhar a sua principal tarefa, que reside na divulgação das principais realizações em prol da população.

Paulo Pombolo foi informado pelos directores dos distintos órgãos da comunicação sobre a sua organização, o programa da extensão dos sinais da Rádio e da Televisão e dos correspondentes do Jornal de Angola em todos os municípios da província.

in Angola Press, 21 de Dezembro de 2009
http://www.uige.gov.ao/NoticiaD.aspx?Codigo=9103

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A lagoa do feitiço



Muitos mitos à volta desta lagoa. É a célebre Lagoa do Feitiço, referência obrigatória em qualquer viagem ao Uíge.
Dizem ....-e acredite se quiser - que tocar nas águas desta lagoa é desafiar a morte. Verdade ou mentira, o certo é que ninguém se atreve. Todos preferem manter-se afastados dessas águas. À cautela... porque nunca se sabe.
São os mitos que tornam o Uíge muito especial. Remmember A SAÚDE DO MORTO de um tal de LF

http://luisfernandoangola.blogspot.com/2008/06/lagoa-do-feitio.html

Lagoa do Feitiço no Uíge

Ainda no leste de Angola, entre os Tucôkwe da comunidade rural, a tradição proíbe as crianças e adolescentes de ir muito cedo (às manhãs) ou muito tarde ao rio (lwiji) e à lagoa (citende, lê-se tchitende), sobretudo se estiver a nevar. A razão dessa proibição é que “Samutambyeka”, uma figura mitológica monstruosa, mais alta do que os eucaliptos, temível pela população, bebe muita água nesses períodos e evita a presença de pessoas antes de ficar saciado. Enquanto bebe, sopra a partir da boca e das narinas um jacto de água que se transforma em nevoeiro.

O arco-íris (Cezangombe, lê-se tchezangombe) que normalmente aparece às tardes e quando está a chover, é utilizado para fazer entender às crianças e aos adolescentes a presença, nessa altura, do também chamado “Espírito perdido”, perto dos rios e lagoas.

“Samutambyeka” é coadjuvado por forças invisíveis conhecidas nessa comunidade como “yikixikixi” ou “espírito das águas”.
Do semanário O País, edição de 26/junho/2009
Mitologia da água, de Américo Kwononoka,
Diretor do Museu Nacionalde Antropologia.

http://seguindoadiante.blogspot.com/2009_06_28_archive.html

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O Natal em Angola


O Natal só ficou conhecido em Angola depois que o colono portugues lá chegou, pois este na sua expansão colonial fazia se acompanhar sempre de missionário. Lembro aqui que, com os descobrimentos os portugueses visavam expandir o império colonial e a fé de Crista.

http://www.portugal.sk/aktivity/akcie/natalemangola/natalemangola.html

Com a evangelização, o Natal tornou-se uma festa hoje assumida como tradicional em Angola, sendo assim, comemorada em todo o País.
Há uma diferença entre o Natal das cidades e das aldeias.
Nas cidades onde o nível social das população é elevado, o Natal é tipicamente português, com todos ingredientes com que é conhecido na Europa, neste caso, em Portugal.

O Natal nas aldeias chega a ter uma característica adequada a baixa condição sócio-economica, cultural e intelectual dos cidadaos ali residentes. E muito animado, o povo programa uma festa tradicional com comidas e bebidas conforme a sua região.

Geralmente há missa na noite de 24 para 25 de Dezembro.
Durante o dia, há danças folclóricas.
Bebe-se a Kissanga ou Kimbombo, que são bebidas tradicionais feitas em casa com ferina de cereais.
Os adultos bebem geralmente o caporroto que é uma bebida destilada, feita com banana, ou batata doce ou ainda com farelo de cereais.

As aldeias vizinhas programam encontros, animados com danças folclórica.
Os povos praticam desporto, ou outras diversoes culturais durante o dia 25 de Dezembro, tais como encontro de footbal, entre grupos pertencentes a aldeias diferentes.
O Natal em Angola, é a maior festa que mobiliza todas populações. Nas aldeias as pessoas são normalmente religiosas. Não se pode falar em religião sem falar de Cristo. Isto torna o Natal, nascimento de Cristo uma história muito interessante.

Imagem: Angola em fotos

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Até a energia eléctrica o MPLA nos rouba!

Já há três dias sem luz. O MPLA desviou, desvia tudo para o campeonato do futebol deles, essa tralha a que chama CAN2010. O MPLA cobiça, rouba tudo. Que mais sabe ele fazer, nada! A não ser guerra. E prepara outra para acabar com toda a oposição por causa do golpe de estado do Plano C. Mas não a ganhara. Desta vez vai levar uma surra daquelas.
Mas não vale a pena! Isto e África, Angola, não tem qualquer valor.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

René Dumont. E, por fim, o emergente e difuso socialismo africano.


Quando a África independente ainda tinha percorrido apenas alguns metros, o francês René Dumont escreveu o livro intitulado “L´Afrique est mal partie” (Éditions du Seuil, 1962). Nele, apesar de Dumond não considerar a África um continente maldito, demonstra como o clima, a demografia e sobretudo a pesada herança colonial figuram insidiosamente como constrangimentos que obstaculizam o desenvolvimento.

Por Leopoldo Amado
http://guineidade.blogs.sapo.pt/5647.html

Porém, a par destes constrangimentos, René Dumond criticava duramente o enfeudamento pura e simples ao comunismo internacional, mas também os discursos extremados e radicalismos que proclamavam um corte total de cooperação com as antigas potências coloniais e, por fim, o emergente e difuso socialismo africano. E, perante esta realidade, Domond considera que a África apresentava-se, no momento das independências, «à un degré extreme, toutes caractéristiques du sous-développement. Le handicap à surmonter est tellement enorme, dans tous cês domaines, par rapport à d'autres régions sous-développées, que sa nature même en devient différente... Ia rigidité de l'organisation sociale et la force des traditions dressent un obstacle... la misère tend à se perpétuer d'elle-même. Ce n'est plus le moment de persévérer dans l'erreur, au nom de n'importe quel dogmatisme, mais celui de regarder en face lês faits et les hommes, pour voir ce qu'on en peut tirer».

Com efeito, Dumond demonstrou como é que uma mentalidade retrógrada (a colonial) permitiu que se submetesse África e os africanos a toda uma série de exploração, as quais decorrem desde o Tráfico de Escravos a à exploração comercial. Cita, por exemplo, o Jules Ferry que, sem hesitar afirmava no Parlamento, a 28 de Julho de 1885, que «La Déclaration dês droits de l'homme n'avait pás été écrite pour lês Noirs de 1'Afrique équatoriale» ou ainda o General Meynier que escreveu mais honestamente que «Dês le premier jour de leur rencontre, les européens ont pose en príncipe leur supériorité sur la race noire... Ils ont plié à l'esclavage les a, justifiant leurs actes par le droit du plus fort... pour y ouvrir des débouchés à leur commerce, ils ont jeté à bas les dernières traces existantes des civilisations africaines».

Ainda no que se refere às heranças coloniais, Dumond considera que o primeiro prémio dos europeus aos africanos foi justamente o alcoolismo, segundo ele, “o crime dos crimes”, que se acentuou sobretudo quando se introduziram alambiques que vulgarizaram a prática de destilaria entre os africanos, numa altura em que os africanos apenas consumiam bebidas fermentadas de fabrico tradicional e de fraca graduação alcoólica, a saber: vinho de palma ou de ráfia (ricos em vitamina C e com cerca de 4 graus de álcool em média); bebida de milho (rico em prótidos e vitamina B12, com cerca de 3.5 graus de álcool em média).

No entanto, perante o “boom” das independências africanas e num momento em que o emergente socialismo africano parecia ganhar adeptos dentre as várias correntes ideológicas da África em efervescência nacionalista, Dumond, como experimentado homem da tradicional esquerda francesa, alertou, desde essa altura, de que nem sempre as independências eram sinónimas da descolonização, criticando inclusivamente o novo-riquismo das elites africanas que paradoxalmente advogavam o socialismo africano, desenvolvendo Dumont uma autêntica “plaidoyer” em prol de uma política de educação africana adaptada as realidades locais e uma desenvolvimento económico e social que privilegiasse a massa camponesa (para ele, a vanguarda da revolução que se consumaria com a independência económica).

Neste livro, aliás, Dumont apoiou a F.E.A.N.F (Féderation dês Étudiants d’Afrique Noir en France) quando no comunicado distribuído a imprensa por esta, na sequência da realização do seu XIVº Congresso (24-27 Dezembro de 1961) denunciaram o socialismo africano, denúncias essas as quais Dumond corrobora dizendo que o socialismo africano «est trop souvent un mythe abritant le néocolonialisme. Ou une tentative pas toujours honnête de syncrétisme entre un idéalisme communautaire et le maintien de la tradition africaine. Or cette dernière refuse le progrès, qui implique discipline et contrainte, rejet du parasitisme familial. Mais il ne suffit plus de se proclamer révolutionnaire, il faut vivre en conséquence. Cette situation, qu'il faut regarder en face, réduit les chances d'une action révolutionnaire immédiate et réussie ; elle ne justifie en aucune façon une résignation à la situation actuelle. Comment remonter vite le courant, préparer les conditions d'avènement du socialisme, rendre sa réalisation future plus aisée, la transition moins pénible pour le paysan, l'ouvrier et l'étudiant africains?»

Diz Dumont, ao propósito, que «sans une économie planifié et contrôlé, le investissement de travail paysan devient une simple addition d'initiatives locales sans réelle portée économique. De plus, l’ effort fourni dans ce cadre économique sans cohérence ni contrainte et sans unanimité s’essouffle rapidement et ls pressions tribales paralysent vite le progrés. Il faut améne donc des conditions poour que les paysans puissent juger le polique adoptés, en mesurer a portée. Ils exprimeront ainsi à la fois leurs possibilites de réalisation, et les besoins en moyens de production nécessaires à la réalisation de ce Plan. Ainsi débutera le constant dialogue entre la base et le sommet, si nécessaire à la planiftcation démocratique. Installons d'abord lês bases solides du développement, lê crédit et Ia coopération».

Esta interacção que Dumond propunha à emergente África independente era porque, na maior parte dos casos e dos países, os planos eram demasiados audaciosos até no ritmo previsto, pelo que facilmente se percebe que não atingiriam os resultados esperados, pois estes documentos políticos mais parecem declarações de intenção, pois os governos não dispunham nem de organização, nem de quadros indispensáveis, nem de meios financeiros e materiais necessários a sua realização. E ainda acrescentava: Les difficultés de l’Afrique resulte surtout du manque de cadres compétents et honnêtes, en quantité suffisante. Une petite insuffisance de connaissances peut, dans une certaine mesure, être compensée par une grande honnêteté, et vice-versa: mais la double déficience parait sans remede».

É curioso reparar tabém que, ao referir-se criticamente às elites africanas emergentes, Dumond dizia, desde essas altura, que «pour trop d'élites africaines donc, l'indépendance a consiste à prendre la place des blancs et à jouir des avantages, souvent exorbitants, jusque-là concedes aux «coloniaux». Aux soldes élevées, s'ajoutaient parfois les belles villas, toutes meublées, sinon les palais pour les gouverneurs, la nombreuse domesticité payée sur le budget, les autos avec chauffeur. Aux 403, après l´indépendance, succèdent les Chevrolet d'Abidjan, les Mercedes de Yaoundé; souvent renouvelées tous les six mois, ce qui fait grincer des dents lls petites gens. Quand on réduisit ces avantages, certains ont voulu les rétablir à leur profit, sans être difficiles sur les moyens d'y arriver».

Aliás, para Dumond, esta propensão das elites para a prática da corrupção em África explica-se porque «la brusque accession au pouvoir sans controle a trouble certain esprits - prossegue ainda Dumond - corrodé le sens moral (“le pouvoir corrompt, le pouvoir absolu corrompt absolument”). La corruption était, certes, connue du millieu colonial, spécialement des douanes d'Indochine. Depuis l’ indépendece, elle semble prendre dans certains pays, notamment du Centrefrique au Congo et au Gabon, de la Cote d'Ivoire au Dahomey, proportions effarantes. Le Cameroun a institué pour la combattre des commissions criminelles et certains prétendent que les détournements reconnus par celles-ci se monteraient au dixième du budget. Ce qui paraît beaucoup, mais il ne semble pas certain que les enquêtes aient pu remonter haut dans la hiérarchie ».

Analisando, outrossim, o papel dos militantes dos partidos políticos em África, Dumon considera que «les militants des partis au pouvoir en Afrique n'ont pás compris, ou pas voulu comprendre que leur role essentiel devrait être d'éducation civique, de création d’enthousiasme au travail, par une véritable «mystique » de réalisation du plan. II y faudrait des idéalistes, des militants dévoués, et non dês carriéristes, d'abord préoccupés d'accéder aux prebendes, par le moyen des élections, dans l'ambiance de caricature de la démocratie». Sobre o que Domon denominava de «caricatura de democracia», ele ainda profetizou que “ (...) l´Afrique risque d’ faire autant”.

Enfim, revisitar o “L´Afrique est mal partie”, de René Dumond não deixa de ser um exercício interessante, sobretudo para aquilatarmos comparativamente os problemas que a África apresentava e os que apresenta, bem como as soluções que Dumond propunha e aquelas que hoje são postas em prática. Porém, deste exercício, fica-se certamente com a impressão, certamente falaciosa, de que desde a data em que o livro veio a público – há justamente 44 anos – e não obstante as ajudas ao desenvolvimento, a solidariedade do ex-bloco comunista, o ajustamento estrutural e a globalização, ainda continua o nosso continente a apresentar os mesmos problemas, a par de outros entretanto surgidos (p. e. HIV-SIDA), uns e outros reclamando soluções prementes.

Ora, esta aparente sensação é, por incrível que pareça, a prova da vitalidade e da actualidade do livro de René Dumond, cujo título ele próprio confessou desejar que fosse desmentido pelo natural desenvolvimento dos acontecimentos e dos tempos em África. 44 anos passados sobre a data em que que foi escrito o livro, é tempo suficiente para interogarmos se a evolução do continente produziu, por si só, o esperado desmentido que autor tanto ansiava. As respostas à essas interrogação fica ao critério dos juízos de valor que cada um de nós possa fazer ao revisitar " l' Afrique est mal partie", de René Dumond, porque vale a pena o exercício!

Imagem: http://images.kapaza.com/photos/6500000/6586716.jpg

domingo, 13 de dezembro de 2009

Marcolino José Carlos Moco


É da província do Huambo. É licenciado em Direito e desempenha a profissão de jurista.

Neste momento é membro da 4ª comissão, tendo já exercido cargos como: Dirigente Provincial do MPLA; Governador das Províncias: Bié e Huambo; Secretário Geral do MPLA; Primeiro Ministro da República; Secretário Executivo da CPLP; Ministro da Juventude e Desportos.

http://www.ovimbundu.org/Personalidades/Os-Ilustres-Ovimbundus/Marcolino-Jose-Carlos-Moco.html

Imagem: CLUB-K.NET

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Alda Lara. À prostituta mais nova


Alda Ferreira Pires Barreto de Lara Albuquerque nasceu em Benguela a 9 de Junho de 1930. Concluiu, em Lisboa, o 7.º ano do Liceu e licenciou-se em Medicina pela Universidade de Coimbra, depois de ter passado pela Universidade de Lisboa. Alda teve uma vida muito curta o que leva a pensar a qualquer crítico literário no que seria a sua obra se a morte não a ceifasse assim tão cedo. Faleceu em Cambambe a 30 de Janeiro de 1962 com apenas 32 anos de idade.

http://www.ovimbundu.org/Personalidades/Escritores-Ovimbundus/Alda-Lara.html

Nos tempos de estudante, Alda Lara teve uma vida cultural muito intensa e activa. Assim, na qualidade de declamadora, participava nas actividades da Casa dos Estudantes do Império, o que lhes fez ganhar uma grande notoriedade. É de referir que, apesar de grande parte da sua poesia, reflectir uma insatisfação face ao status quo colonial, logo após a sua morte, a Câmara Municipal de Sá-da-Bandeira (actual Lubango) chegou a instituir o prémio Alda Lara para a poesia.
Da sua obra, destacam-se os seguintes trabalhos: Poemas, 1966, Sá de Bandeira, Publicações Embondeiro; Poesia, 1979, Luanda, União dos Escritores Angolanos; Poemas, 1984, Porto, Vertente Ltda. (poemas completos).


Alguns poemas de Alda Lara
Testamento
À prostituta mais nova
Do bairro mais velho e escuro,
Deixo os meus brincos, lavrados
Em cristal, límpido e puro...
E àquela virgem esquecida
Rapariga sem ternura,
Sonhando algures uma lenda,
Deixo o meu vestido branco,
O meu vestido de noiva,
Todo tecido de renda...
Este meu rosário antigo
Ofereço-o àquele amigo
Que não acredita em Deus...
E os livros, rosários meus
Das contas de outro sofrer,
São para os homens humildes,
Que nunca souberam ler.
Quanto aos meus poemas loucos,
Esses, que são de dor Sincera e desordenada...
Esses, que são de esperança,
Desesperada mas firme,
Deixo-os a ti, meu amor...
Para que, na paz da hora,
Em que a minha alma venha
Beijar de longe os teus olhos,
Vás por essa noite fora...
Com passos feitos de lua,
Oferecê-los às crianças
Que encontrares em cada rua...

Prelúdio
Pela estrada desce a noite
Mãe-Negra, desce com ela...

Nem buganvílias vermelhas,
nem vestidinhos de folhos,
nem brincadeiras de guizos,
nas suas mãos apertadas.

Só duas lágrimas grossas,
em duas faces cansadas.

Mãe-Negra tem voz de vento,
voz de silêncio batendo
nas folhas do cajueiro...
Tem voz de noite, descendo,
de mansinho, pela estrada...

Que é feito desses meninos
que gostava de embalar?...
Que é feito desses meninos
que ela ajudou a criar?...
Quem ouve agora as histórias
que costumava contar?...

Mãe-Negra não sabe nada...
Mas ai de quem sabe tudo,
como eu sei tudo
Mãe-Negra!...

É que os meninos cresceram,
e esqueceram
as histórias
que costumavas contar...
Muitos partiram pra longe,
quem sabe se hão-de voltar!...

Só tu ficaste esperando,
mãos cruzadas no regaço,
bem quieta bem calada.

É a tua a voz deste vento,
desta saudade descendo,
de mansinho pela estrada...

Imagem: http://chuvadeletras.no.sapo.pt/reflection.jpg

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

História de Angola. Entretanto o Ocidente passara a apoiar o governo do MPLA


A guerra continuava a alastrar por todo o território. A UNITA e a FNLA juntaram-se então contra o MPLA. A UNITA começou por ser expulsa do seu quartel-general no Huambo, sendo as suas forças dispersas e impelidas para o mato. Mais tarde, porém, o partido reagrupou-se, iniciando uma guerra longa e devastadora contra o governo do MPLA. A UNITA apresentava-se como sendo anti-marxista e pró-ocidental, mas tinha também raízes regionais, principalmente na população Ovimbundu do sul e centro de Angola.

Fonte: pt.wikipedia.org

Agostinho Neto morreu em Moscovo a 10 de setembro de 1979, sucedendo-lhe no cargo o ministro da Planificação, o engenheiro José Eduardo dos Santos.

No início da década de 1980, o número de mortos e refugiados não parou de aumentar. As infra-estruturas do país eram consecutivamente destruídas. Os ataques da África do Sul não páravam. Em agosto de 1981, lançaram a operação "Smokeshell" utilizando 15.000 soldados, blindados e aviões, avançando mais de 200 km na província do Cunene (sul de Angola). O governo da África do Sul justificou a sua acção afirmando que na região estavam instaladas bases dos guerrilheiros da SWAPO, o movimento de libertação da Namíbia. Na realidade tratava-se de uma acção de apoio à UNITA, tendo em vista a criação de uma "zona libertada" sob a sua administração. Estes conflitos só terminaram em Dezembro de 1988, quando em Nova Iorque foi assinado um acordo tripartido (Angola, África do Sul e Cuba) que estabelecia a Independência da Namíbia e a retirada dos cubanos de Angola.

A partir de 1989, com a queda do bloco da ex-União Soviética, sucederam-se em Angola os acordos de paz entre a Unita e o MPLA, seguidos do recomeço das hostilidades. Em Junho de 1989, em Gbadolite (Zaire), a UNITA e o MPLA estabeleceram uma nova trégua. A paz apenas durou dois meses.

Em fins de abril de 1990, o governo de Angola anunciou o reinício das conversações directas com a UNITA, com vista ao estabelecimento do cessar-fogo. No mês seguinte, a UNITA reconhecia oficialmente José Eduardo dos Santos como o Chefe de Estado angolano. O desmoronar da União Soviética acelerou o processo de democratização. No final do ano, o MPLA anunciava a introdução de reformas democráticas no país. A 11 de Maio de 1991, o governo publicou uma lei que autorizava a criação de novos partidos, pondo fim ao monopartidarismo. A 22 de Maio os últimos cubanos sairam de Angola.

Em 31 de maio de 1991, com a mediação de Portugal, EUA, União Soviética e da ONU, celebraram-se os acordos de Bicesse (Estoril), terminando com a guerra civil desde 1975, e marcando as eleições para o ano seguinte.

As eleições de setembro de 1992, deram a vitória ao MPLA (cerca de 50% dos votos). A UNITA (cerca de 40% dos votos) não reconheceu os resultados eleitorais. Quase de imediato sucedeu-se um banho de sangue, reiniciando-se o conflito armado, primeiro em Luanda, maas alastrando-se rapidamente ao restante território.

A UNITA restabeleceu primeiramente a sua capital no Planalto Central com sede no Huambo (antiga Nova Lisboa), no leste e norte diamantífero.

Em 1993, o Conselho de Segurança das Nações Unidas embargou as transferências de armas e petróleo para a UNITA. Tanto o governo como a UNITA acordaram em parar as novas aquisições de armas, mas tudo não passou de palavras.

Em novembro de 1994, celebrou-se o Protocolo de Lusaka, na Zâmbia entre a UNITA e o Governo de Angola (MPLA). A paz parecia mais do que nunca estar perto de ser alcançada. A UNITA usou o acordo de paz de Lusaka para impedir mais perdas territoriais e para fortalecer as suas forças militares. Em 1996 e 1997 adquiriu grandes quantidades de armamentos e combustível, enquanto ia cumprindo, sem pressa, vários dos compromissos que assumira através do Protocolo de Lusaka.

Entretanto o Ocidente passara a apoiar o governo do MPLA, o que marcou o declínio militar e político da UNITA, com este movimento a ter cada vez mais dificuldades em financiar as suas compras militares, perante o avanço no terreno das FAA, e dado o embargo internacional e diplomático a que se viu votada.

Em dezembro de 1998, Angola retornou ao estado de guerra aberta, que só parou em 2002, com a morte de Jonas Savimbi (líder da Unita).

Com a morte do líder histórico da UNITA, este movimento iniciou negociações com o Governo de Angola com vista à deposiçãio das armas, deixando de ser um movimento armado, e assumindo-se como mera força politica.