Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

sábado, 24 de maio de 2014

CECÍLIA MEIRELES. Poeta: 1901 – 1964.



Lúcia Helena Vianna
Desembarcam em Lisboa recebidos pela fina flor da intelectualidade lusa. Lá estão a esperá-los aqueles que se tornarão amizades duradouras: o crítico José Osório de Oliveira, o ilustrador Pedro Bordalo Pinheiro, Simão Coelho Folho, o crítico de arte  Guilherme Pereira de Carvalho, Manuel Mendes, Carlos Queiroz. No Estoril aguarda-a a poeta Fernanda de Castro, que há muito reitera os convites  para que a brasileira faça conferências e palestras nas universidades portuguesas.

http://www.vidaslusofonas.pt/cecilia_meireles.htm

“os amigos são uma forma animada de poesia”

Portugal, a pátria ancestral. A herança açoriana, o casamento com um artista português de prestígio, agregados à qualidade de seu lirismo,  abrem-lhe caminho para o reconhecimento público em terra lusitana . Contatos  com a imprensa, com editores, com  críticos. Capitaliza  reconhecimento e admiração. Para Jorge de Sena, como Pessoa ou Rilke, Cecília era “filha moderna do simbolismo antigo”.

         TANTO SUCESSO E UMA DECEPÇÃO

Em Lisboa, Cecília falha um encontro com Fernando Pessoa. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.        
Dezembro. Noite chuvosa e fria em Lisboa. No café A Brasileira, no Chiado, há quase duas horas Cecília e o Correia Dias esperam. Esperam por aquele que Cecília Meireles tanto deseja conhecer e sobre cuja poesia tem sido a primeira a dar notícia no Brasil.
Quase duas horas e nada! Fernando acha melhor desistir:
- Vamos, Cecília, ele não virá!
- Podemos aguardar um pouco mais, quem sabe, ocorreu um imprevisto...
- Não, é perda de tempo. Eu o conheço bem, se não veio até agora, não virá mais.
De volta ao Hotel, recebem o pequeno volume, com os dizeres:
“A Cecília Meyreles , alto poeta, e a Correia Dias, artista, velho amigo e até cúmplice (vide "Águia”, etc...  ), na invocação da Apolo e Atena, Fernando Pessoa, 10 –XII –34.
É um exemplar de Mensagem, recentemente publicado. Um cartão lacônico acusa o recebimento :
“Cecília Meireles - cumprimenta e agradece.”
Dez anos depois, escreve ao amigo Armando Costa Rodrigues : “Como lamento não o ter conhecido!”. E num diálogo surdo com aquele que tanto admirava, rebate:
“Mas tu preferes a penumbra dos cafés sonolentos, em cujas mesas todos os poetas da Lusitânia fincam algum dia o cotovelo e, fronte apoiada ao punho, criam aqueles sonhos que eles mesmos  não governam (...)”

(Evocação  lírica de Lisboa, crônica)
         DE VOLTA AO RIO
Em 12 de Janeiro de 1935 está de novo em casa. Reencontra o país vivendo um clima de  medo, de ameaças e perseguições. O Governo Vargas torna-se uma ditadura cruel. Retoma as atividades no Pavilhão Mourisco. Assume a cadeira de Literatura Luso-Brasileira na Faculdade de Filosofia e Letras da recém fundada Universidade do Distrito Federal.
Na vida pessoal, sucedem-se as crises de depressão do marido. Crises que o levam ao suicídio em 19 de novembro desse ano. Foram “13 anos de angústias sobre essa tragédia, tentando dominá-la”. Uma “Canção póstuma” dá a medida da dor sublimada em poesia:
Fiz uma canção para dar-te;
porém tu já estavas morrendo.
A Morte é um poderoso vento,
E é um suspiro tão tímido, a Arte...
É um suspiro tímido e breve
como o da respiração diária.
Choro de pomba.  E a Morte é uma águia
cujo grito ninguém descreve.
Vim cantar-te a canção do mundo,
mas estás de ouvidos fechados
para os meus lábios inexatos,
- atento a um canto mais profundo.
E estou como alguém que chegasse
ao centro do mar, comparando
aquele universo de pranto
com a lágrima de sua face.
E agora fecho grandes portas
sobre a canção que chegou tarde, -
- E sofro sem saber de que Arte
se ocupam as pessoas mortas.
Por isso é tão desesperada
a pequena, humana cantiga,
Talvez dure mais do que a vida,
Mas à Morte não diz mais nada.

(Canção póstuma, Retrato natural)
Nos anos seguintes, viúva, sem nenhum parente, com três filhas para educar,  as dificuldades econômicas exigem-lhe intenso trabalho. Dá aulas de Técnica e Critica Literária, Literatura Comparada e de Literatura Oriental na Universidade. Trabalha ainda no Departamento de Imprensa e Propaganda onde dirige a revista Travel in Brazil.

         "E AQUI ESTOU, CANTANDO"

Fins de 1938, início de 1939. Abre-se novo ciclo de realizações. Reorganização da vida afetiva e familiar. Conhece o médico Heitor Grilo. Casam-se em 1939.
Consagração na vida pública: Viagem  é publicado em Lisboa. A poeta segue sua trajetória.
Eu canto porque o instante existe
E a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
Sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
Não sinto gozo nem tormento,
Atravesso noites e dias
No vento.
Se desmorono ou se edifico,
Se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.                             

(Motivo)
O primeiro dos vários auto-retratos registra precocemente os efeitos das mudanças:

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha  este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?                              

(Retrato)

         SOBRE O VAZIO DAS PEDRAS, CONSTROI SUA CATEDRAL
As publicações se sucedem. A década de 40 será das mais produtivas na vida da poeta.
Publica Vaga Música em 1942. Em 1945, Mar Absoluto; Retrato Natural em 1949. De um livro ao outro o caminho se faz sem tropeços, fiel  aos motivos fundadores de seu lirismo: mar, música, melancolia, orfandade.
É tempo de guerra. “Tempo de  homens partidos”, canta Carlos Drummond de Andrade, contemporâneo e admirador da poeta. Como ele Cecília  proclama a contraditória condição humana:
Nós merecemos a morte,
Porque somos humanos
E a guerra é feita pelas nossas mãos,
(...)
Criamos o fogo, a velocidade, a nova alquimia,
Os cálculos do gesto,
Embora sabendo que somos irmãos.
Temos até os átomos por cúmplices, e que pecados
De ciência, pelo mar, pelas nuvens, nos astros!
Que delírio sem Deus, nossa imaginação!        
(“Lamento do oficial por seu cavalo morto”)

No livro de 1949,  poemas mais modernos e despojados expõem o caráter afetivo da participação de Cecília nas dores do mundo:
  

Dez bailarinas deslizam
Por um chão de espelho.
Têm corpos egípcios com placas douradas,
Pálpebras azuis e dedos vermelhos.
Levantam véus brancos, de ingênuos aromas,
E dobram amarelos joelhos.
(...)

os homens gordos olham com um tédio enorme
as dez bailarinas tão frias.
Pobres serpentes sem luxúria,
Que são crianças, durante o dia.
Dez anjos anémicos, de axilas profundas,
Embalsamados de melancolia.

Vão perpassando como dez múmias
As bailarinas fatigadas.
Ramo de nardos inclinando flores
Azuis, brancas, verdes, douradas.
Dez mães chorariam, se vissem
As bailarinas de mãos dadas.       

(“Balada das dez bailarinas no cassino”)
No ano de 1945 muda-se para a casa do Cosme Velho, onde viverá até o fim de seus dias.
Nos anos seguintes dedica-se a escrever  peças de teatro (A nau catarineta, 1946; O menino atrasado, 1966). Inicia as pesquisas sobre a época colonial brasileira . Tem em mente ambicioso projeto: um épico que resgate lendas,  tradições, misticismos em torno da  frustrada Conjuração Mineira.
O folclore, outra de suas paixões, ocupa a agenda no ano de 1948. Cecília  é tratada como especialista na Comissão Nacional de  Folclore. E em 1951 secretaria o Primeiro Congresso Nacional de Folclore, no Rio Grande do Sul.

         DE NOVO EM PORTUGAL
“Não te aflijas, com a pétala que voa,
Também é ser, deixar de ser assim.”
Os Açores, enfim. No ano de 1951 pode atender aos convites sempre renovados dos velhos amigos, Armando Cortes-Rodrigues e José Bruges. A visão real da Ilha de São Miguel parece não lhe causar surpresa : “A paisagem é como se fosse a do meu quintal, na infância.”  Emoção ao conhecer sua alma irmã de longa e profunda correspondência (246 cartas):
AQUELE que caminha ao longo das praias             

E vai dando a volta à  sua Ilha,
Fala com pescadores  e sereias     
Com a maior naturalidade.
(...)
tem seu mapa de afetos, sua linguagem de canções,
sopra endereços no vento,
depois de assinar com letra pequenina:

ARMANDO CORTES- RODRIGUES.   

(“Inscrição natalícia”)
Ainda em 1951, publica Amor em Leonoreta e, no ano seguinte, Doze noturnos de Holanda & O Aeronauta. Trabalha incansavelmente na finalização da pesquisa  sobre a história  de Vila Rica e da Conjuração Mineira.

         AFINAL A OBRA PRIMA
“Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos: que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Às vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz. (...)”..

Corre o ano de 1953 . Depois de exaustivo trabalho, o  Romanceiro da Inconfidência está pronto.
Cinco anos passou  mergulhada no século XVIII, construindo uma “narrativa rimada” (rimances)  que remete o leitor à  trágica  história  do ciclo do ouro em Vila Rica (a Inconfidência Mineira). Alcança fixar em poesia a história do alferes Tiradentes e dos intelectuais e poetas traídos por delatores. Primeiro grito de liberdade da terra colonial. Resposta definitiva àqueles que a acusavam de escassa brasilidade.

Liberdade - essa palavra
Que o sonho humano alimenta
Que não há ninguém que explique,
E ninguém que não entenda!

Brasil mineiro. Minas de ouro. Riqueza imensa. Ambição maior. Eis o cenário onde tudo acontece:
EIS a estrada, eis a ponte, eis a montanha
Sobre a qual se recorta a igreja branca.
Eis o cavalo pela verde encosta
Eis a soleira, o pátio, a mesma porta.
(...)

E eis a névoa que chega, envolve as ruas,
Move a ilusão de tempos e figuras.
(...)
Seu verso soa consoante ao ritmo dos  poetas árcades Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antonio Gonzaga, personagens dos acontecimentos rememorados.

(...)   
Passei por essas plácidas colinas
e vi das nuvens, silencioso, o gado
pascer nas solidões esmeraldinas.

(...)     

Tudo me fala e entendo do tesouro
arrancado a estas Minas  enganosas,
com sangue sobre a espada, a cruz e o louro.
Tudo me fala e entendo: escuto as rosas
e os girassóis destes jardins, que um dia
 foram terras e areias dolorosas,
por onde o passo da ambição rugia;
por onde se arrastava, esquartejado,
o mártir sem direito de agonia.”

Celebra o poder transfigurador da palavra:
Ai, palavras, ai, palavras,
Que estranha potência a vossa!
Ai, palavras, ai, palavras,
Sois de vento, ides no vento,
No vento que não retorna,
E, em tão rápida existência,
Tudo se forma e transforma!

(...)
A liberdade das almas,
ai! com letras se elabora...
E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta:
frágil, frágil como o vidro
e mais que o aço poderosa!
Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam...

(...)
Detrás de grossas paredes,
De leve, quem vos desfolha?
Pareceis de tênue seda,
Sem peso de ação nem de hora...
-  e estais no bico das penas,
-  e estais na tinta que se molha,
-  e estais nas mãos dos juízes,
-  e sois o ferro que arrocha,
- e sois barco para o exílio,
- e sois Moçambique e Angola!

(...)
Ai, palavras, ai, palavras,
Que estranha potência, a vossa!
Éreis um sopro de aragem...
- sois um homem que se enforca!

Vê sua obra poética  reunida e publicada pela Editora Aguilar, no ano de 1958. Faz Conferência em Israel sobre cultura brasileira.

         O TEMPO HUMANO EXPIRA...
Em Metal Rosicler (1960) seus poemas anunciam  um desenlace pressentido:
“Estudo a morte, agora
- que a vida não se vive,
 pois é simples declive
 para uma única hora “

(OC,1213)

Solombra (1963),  neologismo que dá o tom  dominante deste último livro: solidão e melancolia.
“Eu – fantasma  - que deixo os litorais humanos,
sinto o mundo chorar como em língua  estrangeira:
(...)                                                                                       
“-  ah, deixarei meu nome entre as antigas mortes.
 Só nessas mortes pode estar meu nome escrito.”
         1964
Depois de um período conturbado, causado pela renúncia do Presidente Jânio Quadros e a política trabalhista de seu sucessor, João Goulart, o país é ferido por um  golpe militar (a Revolução de 31 de março de 1964). Os militares assumem o poder. Termina uma etapa de nossa história. Tem início um período de exceção. A ditadura militar que persiste por quase duas décadas.

         COMO AS GAIVOTAS QUE SOBEM TÃO LIVRES...

Cecília prepara um poema épico-lírico para as comemorações do quarto centenário da cidade que a viu nascer e a acolherá para a eternidade. Mas não resiste à doença, contra a qual lutou nos últimos seis anos - o câncer . Expira serenamente no dia 9 de novembro de 1964. Consta que a poeta não sabia o mal de que sofria. Difícil acreditar...
Deixa cinco netos: Ricardo (filho de Maria Elvira), Alexandre, Fernanda Maria e Maria de Fátima (de Maria Matilde) e Luís Heitor Fernando (da atriz Maria Fernanda). O marido, Heitor Grilo, morre em 1972.
A morte não consegue estancar o fluxo de publicações e homenagens. Em 1965, a Academia Brasileira de Letras confere-lhe o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra. E a principal sala de concertos do Rio de Janeiro  passa a ser denominada “Sala  Cecília Meireles”. Seus poemas têm sido intensamente musicados, cantados  por intérpretes do Brasil e Portugal.
Deixa vasto material  inédito:  poemas, traduções, peças de teatro, correspondências, antologias, crônicas de viagem,  conferências, periodismo e tantos outros escritos.

         UMA FARPA, UMA DESCONFIANÇA
Diz Cecília: Somos uma difícil unidade e muitos instantes mínimos. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.       
Esta obra monumental motiva uma farpa irônica do poeta Mario Faustino:

“D. Cecília publica demais. O melhor que se poderia fazer em prol de sua glória seria preservar o "Romanceiro” completo, fazer uma antologia de seus cinqüenta grandes poemas (“Mar absoluto” seria o maior contribuinte) e queimar o resto. Mas não no esqueçamos de perguntar; quantos  poetas em nossa língua já assinaram cinqüenta grandes poemas? A outra pergunta que nos ocorre: por que D. Cecília publica tanto?”  ( Trecho de “Anchieta aos concretos”, de Mário  Faustino)
Mas sob o peso do monumento, onde fica a verdadeira Cecília? Como apostar na fidelidade de uma BIOGRAFIA?

Escreverás meu nome com todas as letras,
Com todas as datas
- e não serei eu.
Repetirás o que me ouviste,
O que leste de mim, e mostrarás meu retrato

- e nada disso serei eu.

(...)

Somos uma difícil unidade
De muitos instantes mínimos
- isso seria eu.

Mil fragmentos somos, em jogo misterioso,
Aproximamo-nos e afastamo-nos, eternamente
- Como me poderão encontrar?
Novos e antigos todos os dias,
Transparentes e opacos, segundo o giro da luz
- nós mesmos nos  procuramos.
E por entre as circunstâncias fluímos,
Leves e livres como a cascata pelas pedras.          
- Que metal nos poderia prender?


Obras consultadas:
ANDRADE, Mário. O Empalhador de Passarinhos. São Paulo : Ed.Martins; Brasília: MEC/INL, 1972.
SECCHIN, Antônio Carlos. (org.) Cecília Meireles. Obra Completa. Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 2001.V.I e II
BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira . São Paulo : Cultrix
COUTINHO, Afrânio e Eduardo de Faria. A Literatura no Brasil. Era modernista. Rio de Janeiro : José Olympio ed.; Niterói/RJ: EDUFF, 1986
GOUVÊA, Leila V.B. Cecília em Portugal. São Paulo : Iluminuras, 2001.
FAUSTINO, Mário. De Anchieta aos concretos. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
LAMEGO, Valéria. A farpa e a lira – Cecília  Meireles na Revolução de 30. Rio de Janeiro : Record, 1996.
MEIRELES, Cecília  . Obra Poética. Rio de Janeiro : Editora José Aguilar, 1958. Introdução de Darcy Damasceno.
NETO, Miguel Sanches. Cecília Meireles e o tempo inteiriço. In: Cecília Meireles . Obra completa. Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 2991.
ZAGURY, Eliane. Cecília Meireles : notícia biográfica, estudo crítico, antologia, bibliografia, discografia, partituras. Petrópolis/RJ: Vozes, 1973.