quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Milionários do caso Petrobras dividem celas e lavam roupa sob o sol





O dia a dia na prisão dos altos executivos que caíram na Operação Lava Jato, da PF
Detenções sacodem a República no final do primeiro mandato do Governo Dilma

Pedro Cifuentes Curitiba

Os milionários executivos acusados de organização criminosa, corrupção, fraude na Lei de Licitações e lavagem de dinheiro no caso Petrobras lavam sua roupa sob o sol e têm a permissão de caminhar pelo recinto penitenciário até o começo da noite. As celas são humildes. São apenas seis: precisam dividir, e as duchas são públicas. Não podem receber alimentos de fora, mas almoçam e jantam dignamente. Alguns têm direito a uma ligação telefônica diária. As celas estão menos saturadas desde a noite de terça-feira, quando 11 dos 23 detidos foram liberados, com a proibição, no entanto, de sair do país.
Saíram da prisão em silêncio, alguns deles escondendo o rosto, em companhia de seus advogados. O restante teve a prisão preventiva ampliada por um prazo de um mês, o que irritou alguns advogados. Entre eles, Celso Vilardi, advogado de João Auler e Dalton Avancini, máximos responsáveis da construtora Camargo Corrêa: “Meus clientes estão perturbados com o fato de que quatro dias depois de ser ditada a prisão temporária, sem nenhum elemento novo, a prisão preventiva tenha sido ampliada e sejam comparados ao grau de periculosidade dos outros presos”.
Entre os presos havia presidentes e ex-presidentes das maiores construtoras do Brasil, oficialmente acusados de terem organizado junto à petroleira estatal um esquema de subornos, corrupção e lavagem de dinheiro que, entre 2004 e 2012, pode ter desviado bilhões de dólares e financiou irregularmente durante anos os principais partidos políticos (em maior quantidade o governante PT, mas também o PMDB e o PP).
Um dos primeiros a ser tirado de sua residência, no Rio de Janeiro, foi Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras. Seu destino já estava traçado desde o dia em que foram descobertas suas contas bancárias na Suíça. Ao longo do dia foram caindo nomes aparentemente intocáveis: diretores da OAS, Camargo Corrêa, Mendes Júnior, Queiroz Galvão, UTC, Engevix, Iesa e Galvão Engenharia, responsáveis por quase todas as grandes obras do país nos últimos anos. De todas as grandes empresas de construção brasileiras, só duas (Odebrecht e Andrade Gutierrez) se livraram, até o momento, de ter um dirigente na prisão. Suas sedes, no entanto, também sofreram buscas na sexta-feira.
Outro dos detidos, Ricardo Pessoa, presidente do grupo UTC/Constran, era, segundo as revelações da operação Lava Jato, o 'chefe do clube', o coordenador do cartel formado por 13 empresas construtoras. Esses presidentes e diretores-gerais dividiam as obras, calculavam preços, superfaturamentos e subornos, realizavam reuniões periódicas no que terminou sendo uma reinterpretação muito particular da política “Compre Nacional”, que, estimulada pela hoje presidente Dilma Rousseff quando era ministra de Minas e Energia, tinha o objetivo de desenvolver a indústria naval brasileira tendo como base a imposição de uma porcentagem de mão de obra, recursos e maquinário local nos projetos da petroleira.
O que deveria ser um fator de estímulo ao desenvolvimento nacional abriu brecha para negócios escusos. Os pagamentos ilícitos eram feitos em dinheiro ou através de transferências maquiadas com a etiqueta de “serviços de consultoria”, em contas brasileiras ou em paraísos fiscais. No seleto clube havia inclusive um subgrupo de eleitos “VIP”, formado pelas empresas ‘gigantes’, Camargo Corrêa, UTC, OAS, Odebrecht e Andrade Gutierrez, que algumas vezes se reuniam separadamente.
Na última sexta-feira, dia 14, esses Vips só tiveram tempo de encher uma maleta pequena com mudas de roupas, livros e uma necessaire. Os rumores sobre possíveis detenções de executivos estavam crescendo, mas só alguns dos suspeitos se anteciparam e ligaram para a Justiça com o objetivo de chegar a um acordo e evitar a prisão. Estupefatos, os brasileiros ficaram sabendo por toda a imprensa que 300 agentes da Polícia Federal tinham detido, logo na primeira hora, em 6 estados, 23 dos profissionais mais ricos e poderosos do país. Depois, tinham sido colocados em vários aviões e enviados a Curitiba, centro nevrálgico da já famosa Operação Lava Jato contra a corrupção que envolve a Petrobras, atendendo à sétima etapa da investigação, chamada de “Dia do Juízo Final”.
Nessa noite, e nas três seguintes, dividiram celas em uma delegacia repentinamente saturada e tiveram até que jogar alguns colchões no chão, já que em uma das dependências continua completamente isolado o doleiro “arrependido” Alberto Youssef, cujo testemunho na Justiça, junto com o de um ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e um executivo da empresa Toyo Setal Júlio Camargo, levou a algumas das detenções e mudaram para sempre o rumo do maior escândalo de corrupção da história brasileira.
Tamanhos são os valores supostamente desviados no esquema descoberto, tão volumoso é o processo judicial, e tão inesperadas são as revelações dos últimos delatores que ninguém parece estar muito certo de nada nos escritórios da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, em cuja carceragem estão os acusados. Os agentes cortaram a comunicação com os jornalistas até que sejam concluídos os depoimentos dos detidos. A entrada do local, com várias câmeras de televisão localizadas na porta, é um ninho de fofocas. Os rumores sobre novas delações entre os detidos são constantes, ameaçando quebrar definitivamente o futuro de alguns acusados e a tranquilidade de muitas pessoas cujos nomes ainda não apareceram diretamente ligados à investigação (políticos, empresários e intermediários).
“É impossível saber onde isso vai terminar”, reconhece em particular um dos advogados presentes, que acaba de assessorar seu clientes durante meia hora antes de um depoimento ao juiz. Até o momento, o juiz Sergio Moro, que comanda a investigação, ordenou a quebra do sigilo bancário dos presos e o Senado aprovou fazer o mesmo com um homem cujo nome tem aparecido com frequência na imprensa: João Vaccari, tesoureiro nacional do PT, acusado de ser um “operador do esquema” por Costa, que afirmou à Justiça que 3% dos contratos era destinado integralmente aos cofres do PT.
Não menos decisiva foi a delação premiada, no mês de outubro, de Julio Camargo, da Toyo Setal: não só rompeu a estratégia de negação ferrenha das acusações por parte das empresas corruptoras, como também eliminou qualquer dúvida sobre a detenção de Renato Duque e induziu o arrependimento de outros acusados relevantes: Augusto Ribeiro de Mendonça, também executivo da Toyo Setal e presidente da Associação Brasileira de Empresas de Construção Naval e Offshore (Abenav); e o ex-gerente de Engenharia da Petrobras Pedro Barusco, que se antecipou à ação do dia 14 e propôs proativamente à Polícia um acordo de delação premiada similar aos de Costa e Camargo, mas com muito mais dinheiro para devolver. Além de fornecer informação relevante, entregaria 100 milhões de dólares em troca de uma eventual redução de pena e direito à prisão domiciliar. O valor é o maior na história do Brasil a ser devolvido por um delator arrependido e equivale aproximadamente à quantidade gasta pela presidente Dilma Rousseff ou por seu adversário Aécio Neves na recente campanha eleitoral. Até o momento, cinco delatores premiados devolveram 423 milhões de reais aos cofres públicos.
Enquanto isso, a Petrobras cai na Bolsa (com um raro respiro nesta quarta-feira, de alta de 2,65%) e adia a publicação de seus resultados trimestrais em meio a uma assustadora crise de imagem, as construtoras interrogadas buscam fechar acordos com as autoridades para que as obras em andamento não sejam paralisadas pela investigação, e a oposição acumula munição para atacar o segundo mandato de Dilma Rousseff. As 23 prisões decretadas na ação de sexta-feira talvez sejam consideradas no futuro um ponto de virada na evolução institucional do país. Nesse sentido se manifestou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima na tarde da própria sexta: “Hoje é um dia republicano. Todos somos iguais, e aqueles que cometem um crime devem ser punidos da mesma forma”.
Imagem: Executivo da UTC deixa PF após cinco dias de prisão em Curitiba. / R. B. (REUTERS)

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

“Não há uma cidade, um Estado no Brasil, sem obra superfaturada”





Para promotor especialista em carteis, algumas empresas atuam como a máfia

MARINA NOVAES São Paulo 

Mudam os esquemas, mas os protagonistas continuam os mesmos. Ano após ano, grandes empresas – em especial, construtoras – são apontadas como pivôs de escândalos suspeitos de desviar uma fortuna dos cofres públicos no Brasil. O mais atual, que atinge a empresa estatal mais importante do país, a Petrobras, revelado pelaOperação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), pode ter causado um rombo de até 10 bilhões de reais. Para o promotor de Justiça de São Paulo Marcelo Batlouni Mendroni, especialista em investigar crimes financeiros e cartéis, somente uma ampla reforma na legislação diminuirá a ocorrência de casos de corrupção que, na avaliação dele, é endêmica.
“Não há uma prefeitura, um Estado no Brasil, sem contratos superfaturados de obras, de prestação de serviços”, disse o promotor, doutor pela Universidad Complutense de Madrid, na Espanha, com pós doutorado na Università di Bologna, na Itália. Em entrevista ao EL PAÍS, na sede do Gedec, órgão do Ministério Público paulista criado em 2008 para investigar delitos de ordem econômica, Mendroni comparou as empresas envolvidas em escândalos dessa natureza à máfia italiana.
O promotor é autor da denúncia, de 2012, um grupo de empreiteiras suspeitas de fraudar uma concorrência pública para obras do metrô paulista. Embora sejam casos completamente distintos – um afeta o Governo Federal, comandado pelo PT, e o outro o Governo paulista, a cargo do PSDB –, chama a atenção a repetição dos “personagens” da esfera privada. Dentre as denunciadas pela Promotoria de São Paulo há dois anos, seis estão agora sob a mira da Operação Lava Jato da PF: as construtoras Camargo Corrêa, Mendes Júnior, OAS, Queiroz Galvão, Iesa e Odebrecht – todas negam irregularidades. Na semana passada, 36 investigados,entre eles executivos de oito construtoras, foram detidos pela Polícia Federal.
Pergunta. Por que observamos a repetição de algumas empresas em casos diferentes de corrupção?
Resposta. Por causado volume de dinheiro envolvido nos contratos com grandes estatais. O Brasil parece que, indiretamente, vai copiando o modelo das atividades mafiosas. Se você for olhar a Cosa Nostra italiana, de um tempo pra cá, ela parou de praticar crimes violentos e entendeu que conseguia ter muito mais sucesso conseguindo ganhar grandes contratos com o poder público, através da infiltração nas obras públicas, da corrupção de agentes públicos e intimidação de concorrentes. Então eles ganham grandes contratos com o Estado, superfaturam essas obras, que foi exatamente o que parece que aconteceu na Operação Lava Jato e que acontece no Brasil... Aliás, verdade seja dita: é o que acontece em praticamente todos os municípios, todos os Estados e na União. É uma corrupção absolutamente disseminada em todo o país. Eu acho que não existe uma prefeitura nesse país, um Estado, que não tenha esquema de superfaturamento de contratos de obras e serviços públicos. E a União, evidentemente, é onde estão os maiores contratos.
Essas organizações empresariais também são organizações criminosas. Isso tem que ficar bem claro. Hoje em dia, sabemos de empresas perfeitamente lícitas que atuam como um modelo de organização criminosa empresarial, que praticam muitos crimes, além de corrupção, a formação de cartel, os crimes tributários, e outros por aí... ou seja, elas praticam atividades lícitas, mas se valem da estrutura empresarial pra praticar crimes.
P. O senhor foi enfático em mencionar que não tem conhecimento profundo sobre a Operação Lava Jato. Mas, pela sua experiência, é possível que o esquema que vimos na Petrobras hoje tenha começado há muitos anos, até em Governos passados?
R. Sem conhecer o caso, sem opinar especificamente sobre esse caso, acho que esse é um esquema que já vem de muitos, muitos anos. (...) A minha opinião é de que sim. Que isso não é um esquema novo. Não só a Petrobras, mas se fossem investigar a fundo as grandes estatais, todos esses contratos, a gente ia ver aí que muitos outros bilhões de reais foram levados através de superfaturamento de obras, de hidrelétricas, estradas, hidrovias, enfim... Não tenho a menor dúvida. Na verdade, eu diria que, com 99,99% de chance, sim que esse esquema existe há pelo menos aí uns 30 anos, desde que o Brasil saiu da ditadura militar... Meu palpite é que desde os anos 80 a gente tenha aí esses esquemas atravessando os Governos indistintamente. Talvez tenha sido mais forte em um Governo que em outro, dependendo muito da ação de Tribunais de Contas, do Ministério Público, da Polícia Federal, enfim, dos termos de investigação e repressão à criminalidade. Mas que existe há bastante tempo eu acho que sim.
P. Muitos classificaram como “histórica” as prisões de empresários na última semana – e recentemente de políticos envolvidos no escândalo do Mensalão. Qual a sua opinião?
R. Eu acho que o Brasil vive uma fase em que deveria rever toda a legislação, a questão da Justiça, pra de alguma forma passar o país a limpo... É lógico que a corrupção não vai ser extirpada, mas que fosse dado um golpe violento contra a corrupção, para que as pessoas tenham mais medo. Porque do jeito que ela existe hoje, eu não tenho nenhum medo de errar em dizer que a corrupção é absolutamente endêmica no Brasil. E não acho que só isso vai ser um divisor de águas. Se não se houver essa reforma processual penal e penal, eu acho que nós vamos viver esse filme mais algumas vezes, achando que dessa vez vai... E isso pode ter um efeito rebote muito perigoso, no sentido de que as pessoas fiquem incrédulas, desestimuladas...
P. O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, disse à Folha de S.Paulo que algumas das empresas investigadas disseram ter sido alvo de concussão, ou seja, da exigência de dinheiro para fechar contratos. O que o senhor acha desse discurso?
R. É balela. (...) Assim como a gente não sabe quem veio antes, o ovo ou a galinha, na corrupção a gente também não sabe quem vem antes, a empresa ou o agente político. Porque é interessante para os dois. Na verdade, as duas partes se procuram...
P. Qual a dificuldade que o Brasil tem de perseguir e punir os agentes corruptores?
R. A corrupção é talvez um dos casos mais difíceis de se apurar. Porque é um crime silencioso que interessa às duas partes. Na corrupção, existem dois autores ao mesmo tempo e a vítima é o Estado, que é quieto, silencioso, não fala... A investigação da corrupção é dividida basicamente de duas formas cruciais: a primeira é quando as partes não sabem que estão sendo investigadas, que é quando temos um maior grau de possibilidade de eficiência, na medida em que nós temos instrumentos como escutas telefônicas, escutas ambientais, buscas e apreensões... Depois que os casos chegam à imprensa, corremos contra o tempo.
P. O senhor disse que, depois que a investigação vaza, fica mais difícil reunir um conjunto de provas ‘diretas’. Isso não facilita, de certa forma, o trabalho da defesa? Porque grandes empresas têm grandes advogados...
R. Se você tem poucas provas diretas, mas tem um conjunto vasto de provas indiretas, é possível que se dê maior valoração para as provas indiretas. Mas o poder Judiciário no Brasil, de uma forma geral, ainda é um pouco resistente em analisar as provas indiretas, coisas que na Europa e nos Estados Unidos, já foi absolutamente superado. Na Itália, por exemplo, os juízes aplicam nos casos de grandes máfias a questão da ‘máxima de experiência’, que é uma coisa muito nova no Brasil. (...) Mesmo a colaboração premiada, que é usada há muito tempo na Europa e nos Estados Unidos, só agora começa a ser usada no Brasil, principalmente depois da Lei de Organização Criminosa, mas ela já estava na nossa legislação. No Direito as coisas são um pouco mais lentas que nas outras ciências, porque envolvem uma adaptação da sociedade. Nós passamos por um período, e ainda passamos de certa forma, de muita resistência de advogados dizendo a colaboração premiada é imoral, mas isso é um instrumento absolutamente lícito. Então é um processo lento.
P. O que pode ser feito para diminuir a ocorrência de crimes financeiros no Brasil?
R. Em uma investigação de uma organização criminosa você precisa de uma engrenagem de três rodas: legislação adequada, estrutura e treinamento. Pra começar, já passou do tempo de os Estados terem varas criminais especializadas em crimes econômicos. Os casos de lavagem de dinheiro e de formação de cartéis, especificamente, e aqueles correlatos, são extremamente complexos. Quando você manda um caso desses pra um juiz comum, que na maioria das vezes não está habituado com esse tipo de processo, ele vai ter que começar tudo do zero.
O outro ponto é que a punição seja efetiva pra esse tipo de crime. Eu costumo dizer o seguinte: esses empresários, esses políticos e agentes públicos que praticam a corrupção não precisam de ressocialização, como os criminosos comuns. Eles precisam de uma pena com caráter exclusivamente punitivo. Não é permitindo que ele deixe a prisão depois de cumprir um sexto da pena... Por que hoje é muito vantajoso o cara praticar o crime, conseguir roubar milhões, e depois sair, resgatar o dinheiro que eles têm aplicado em outra parte do planeta, e viver uma vida nababesca. Se você tem um nível baixo de criminalidade em alguns países da Europa é porque as pessoas têm medo da mão pesada da Justiça, não porque elas nascem naturalmente boas...
P. Qual a sua opinião sobre o financiamento privado das campanhas eleitorais?
R. Eu sou um pouco radical nessa questão. Eu, por exemplo, me questiono por que tem que ter o financiamento público ou privado de campanha... Por que as grandes empresas querem financiar as campanhas? Porque elas têm interesses. Não é de graça. Não é ideológico. Elas bancam candidaturas indistintamente, de vários partidos, sem nenhuma ideologia política, dos concorrentes diretos. Isso é o óbvio ululante. Só não enxerga quem não quer ver. É um ciclo vicioso: eles financiam as campanhas e depois cobram de alguma forma, seja para facilitar os contratos com essas empresas, que são superfaturados e é, muitas vezes, a forma como recebem o dinheiro investido de volta.
Imagem: O promotor de Justiça Marcelo Mendroni, de São Paulo. / M. NOVAES

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Portugueses em Angola (03)





Boas!
Uma dúvida! Sabem onde se consegue comprar comida de dieta para gatos castrados em Luanda? Na casa dos animais ainda não havia...

Boa tarde a todos vós, e bom fim de semana . SFF alguem me sabe explicar o significado de um B.I Angolano "estar" numa lista negra? Passo a explicar. Este ano levei os meus filhos para Portugal para estudarem , ambos ttêem nacionalidade Angolana , o unico documento que tinham em falta era o B.I , fui na ilha tratar dos mesmos , com a menina correu tudo bem e recebemos o mesmo no proprio dia , com o menino , entregaram-me o bi ao mesmo tempo mas verifiquei que o apelido do pai estava mal escrito , expus a questão e muito solicitos resolveram o problema , e uma hora depois entregam-me novo B.I , surpresa erraram no outro apelido do pai , quando fui chamar a atenção para o facto , simpaticamente tentaram tratar da situação e fazerem um novo , quando no monitor apareceu a mensagem de que tal era impossivel e que aquele B.I se encontrava numa lista negra do sistema , como tinha viagem para o dia seguinte de manhã ja não consegui fazer mais nada , agora so preciso saber o que sig¨nifica isso efectivamente , encontro-me na provincia e por razões laborais vai demorar muito ate me deslocar a Luanda , portanto se alguem souber efectivamente o significado disto , que me informe , e me dê alguma dica de como resolver . Obrigado

Boa tarde, sou novo por aqui e gostaria de fazer uma pergunta. O meu pai e natural de Luanda assim como parte da minha família paterna. Gostaria de saber se posso adquirir a nacionalidade angolana e se é muito complicado. Precisava de a conseguir com alguma urgência. Se alguém me puder ajudar quanto aos procedimentos agradecia muito. Antes de mais obrigado pela ajuda
 Já vi Matumbos piores!!
Eles teem medo prk os novos os que estão a vir de todos os lados estão a chegar trazem conhecimento, mentalidades diferentes, sentido de justiça etc.etc.
Isso provoca choque de mentalidades e se evoluirmos então os lugares serão para quem tem competência e não for the Boys!!!
Isso causa estorvo !!
Já estão com medo
 Humberto Abrantes, desculpa que te diga, mas és simplesmente insuportável... Vais longe!!! Cada um sabe de si.
Olha os meus n ficaram qdo Angola precisava porque queriam q fossem para a guerra, mas afinal iam matar portugueses ou angolanos??? Claro que tomaram a decisão acertada na altura em irem para Portugal e voltarem quando isto estabilizou... Não quer dizer que agora n ajudemos!!! Tem mas é juízo e vai pa caminha....

Boa noite, vou para Portugal dia 26 queria levar alguns produtos alimentares, sabem me dizer se posso levar, como levar e quantos kilos? Obrigado

Boa noite,
Encontro-me a trabalhar em Angola desde Março de 2013 e procuro novos projectos na área Qualidade (ISO 9001), Segurança Alimentar (ISO 22000, IFS, HACCP) e/ou Acreditação de Laboratórios (ISO 17025). Adquiri a minha experiência profissional no Ramo Alimentar, onde destaco competências nas áreas da Implementação e Coordenação dos Sistemas de Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar, bem como, Gestão e Acreditação Laboratorial.
Peço o favor de me contactarem por mensagem privada ou e-mail ( mmvcampos@gmail.com), caso saibam de alguma oportunidade nesta área.
Muito Obrigada.

nao lhr condeno Ana mas se lhe aparecer alguma proposta de trabalho tenha muito cuidado nem tudo o que parece e tente tirar as informacionais coisas dessa firma porque neste momento a muito português em angola que esta em grandes apuros sem ordenado a meses e com passaportes retidos o que faz com que andamos na rua ilegais mas o que e triste e andamos a fugir da policia como se formos uns criminosos eu passei por isto em Luanda na primeira pessoa tenha muito cuidado amiga

In Facebook
Imagem: portugueseindependentnews.com/






Gula humana aumenta para 22.400 as espécies ameaçadas de extinção





Lista Vermelha inclui o atum de aleta azul do Pacífico, muito pescado para fazer sashimi


Imagine que um animal começasse a devorar, um por um, os 7.200 milhões de humanos que habitam o planeta e perto do ano de 2050 só restassem 720.000 pessoas na Terra. O predador teria aniquilado toda a humanidade exceto uma população do tamanho da cidade espanhola de Sevilha. Foi isso o que aconteceu com o baiacu da China, um animal dotado, depois de milhões de anos de evolução, de veneno e da capacidade de inchar-se para assustar seus inimigos, mas que não conseguiu vencer um novo perigo: a moda do sashimi. O excesso de pesca para abastecer o mercado japonês reduziu sua população em 99,99% nos últimos 40 anos, segundo a última edição da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, apresentada nesta segunda-feira.
O catálogo, elaborado desde 1964 pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), já inclui mais de 76.000 espécies avaliadas, das quais quase 30%, mais de 22.400, estão ameaçadas de extinção, 4.635 delas em perigo crítico.
O crescente mercado da alimentação está exercendo uma pressão insustentável sobre muitas espécies”, declarou Jane Smart, diretora do grupo de Biodiversidade da UICN, na apresentação do informe no Congresso Mundial de Parques, em Sidney. “A Lista Vermelha é uma chamada à ação. Estamos muito preocupados, porque o que estamos fazendo não é suficiente”, afirmou Smart.
A gula humana também levou o atum de aleta azul do Pacífico, ingrediente do sushi e do sashimi, a passar para a categoria de “vulnerável à extinção”. A indústria pesqueira, sobretudo a asiática, captura esses peixes quando são jovens, antes de reproduzirem, e a UICN calcula que a população pode ter caído 33% nas últimas duas décadas. A indústria de criação de enguias na Ásia, que agora se abastece de enguias americanas depois de esgotar as japonesas, também obrigou a classificação da espécie como ameaçada.
Smart exigiu que sejam impostos limites estritos à captura dessas e de outras espécies e pediu que sejam colocadas em andamento o quanto antes medidas para proteger seus habitats. A metade das 2.000 espécies cujo estado foi avaliado pela primeira vez na Lista Vermelha se encontra em regiões teoricamente protegidas. “Apenas 25% das regiões protegidas são bem geridas e isso é um problema muito sério”, recordou Smart.
O número de espécies ameaçadas de extinção na Lista Vermelha não deixa de crescer. Em 2013 eram pouco mais de 21.000. Em 2004, rondavam as 15.000. E em 1996 passavam pouco das 10.000. Na Espanha há 552 espécies ameaçadas, mais do que o dobro de países do entorno, como França e Portugal.
A cobra chinesa é um bom exemplo do fracasso da conservação de alguns santuários naturais. Ela vive nas reservas chinesas de Ailaoshan e Dawesihan, além do Parque Nacional de Kenting, em Taiwan, mas sua população caiu nos últimos 20 anos devido à caça para fornecer exemplares às cozinhas de Hong Kong, onde é considerada uma iguaria.
A nova Lista Vermelha também constata a extinção total de duas espécies pela destruição de seus habitats. O caracol Plectostoma sciaphilum vivia apenas em uma colina de pedra calcária de Bukit Panching, na Malásia peninsular. Em 2007, uma empresa cimenteira arrasou a colina para extrair a pedra e o caracol desapareceu definitivamente da face da Terra. Também sumiu a maior tesourinha do planeta, a tesourinha gigante de Santa Helena, um inseto de oito centímetros que vivia na ilha britânica de mesmo nome, a mais de 2.000 quilômetros da costa de Angola. O desenvolvimento urbanístico, os ratos e as espécies invasoras de invertebrados que chegaram em barcos eliminaram o inseto, avistado pela última vez em 1967.
Com essas duas extinções, já são 832 as espécies cuja extinção constatou-se em meio século de história da Lista Vermelha, apesar de o número real ser “muito maior”, segundo alerta Craig Hilton Taylor, responsável pela listagem. Outras 69 espécies se extinguiram em liberdade e só sobrevivem em cativeiro.
O presidente da Comissão para a Sobrevivência das Espécies da UICN, Simon Stuart, pediu “uma multiplicação dos esforços de preservação”. O especialista recordou que, quando há recursos e vontade política, é possível reverter o estado crítico das espécies, como aconteceu com a Reserva Natural da Rãzinha Dourada, no departamento colombiano de Tolima. Essa área protegida foi criada em 2008 para proteger um fragmento de bosque úmido no qual vivem duas espécies de rãs venenosas descobertas na última década. Elas estão se recuperando.
“Os especialistas nos advertem que as espécies ameaçadas que estão mal representadas nas áreas protegidas estão diminuindo duas vezes mais rápido do que as que estão bem representadas. Nossa responsabilidade é aumentar o número de áreas protegidas e garantir sua gestão eficaz”, afirmou em um comunicado a diretora geral da UICN, Julia Marton-Lefèvre.
A nova lista mostra centenas de espécies que estão sofrendo a destruição de seus habitats, incluindo 66 espécies de camaleões. O camaleão gigante de três chifres, exclusivo das montanhas do Leste de Usambara, na Tanzânia, foi incluído na lista como ameaçado de extinção, apesar de se concentrar na Reserva Natural de Amani. Essa região teoricamente protegida está sendo afetada pelo desmatamento para a criação de plantações agrícolas, pela mineração em busca de carvão e pela derrubada de árvores para produzir madeira.
A Lista Vermelha é o catálogo mais completo que existe sobre as espécies ameaçadas do planeta, mas está longe de ser exaustivo, já que avalia apenas 76.000 dos 1,7 milhões de espécies descritas.
Imagem: Um atum de barbatana azul do Pacífico em aquário dos EUA. / Randy Wilder