terça-feira, 30 de novembro de 2010

“Caso Nerika” arrastado para o Tribunal Supremo


Terça, 30 Novembro 2010 01:04

Lisboa - O dossiê da sentença de Nerika Ferreira Pires da Conceição Loureiro, a jovem acusada de ter assassinato o esposo Lopo Loureiro encontra-se no tribunal supremo por efeito de um apelo de recurso (da sua defesa) sob alegação de que a mesma padecia de insanidade.

Fonte: Club-k.net

Devido a alegada insanidade mental
O estado de sanidade de Nerika foi objecto de três estudo em diferentes fóruns profissionais, reconsiderados pela sua idoneidade. O primeiro exame foi feito a 12 de Maio na Clinica da Sagrada Esperança (CSE) em Luanda por um medico cardiologista, Antonio Capita que concluiu que o “cérebro e o tronco não apresenta alterações”. Neste mesmo dia foi também vista por um especialista em neurologia, Victor Dorogovtsev que lhe passou um relatório declarando “EEG anormal” e “sinais de actividade epileptifone”.

Cinco dias depois de ter sido vista na CSE, Nerika Lourenço voltou a ser vista no Hospital da Psiquiatria de Luanda por uma equipa de três médicos constituídos por Natalia de Espírito Santos, Antonia M Sousa e Mariquinha de Oliveira. A equipa concluiu que a argüida “não sofre de qualquer doença mental” tendo mesmo adiantando que “pode assumir as suas responsabilidades que lhe forem atribuídas”.

De todos os exames, o que terá dado sustento a tese que põem em causa a sanidade mental de Nerika Loureiro foi, um feito no Departamento dos Serviços prisionais, a 26 de Maio e que teve como perito forense, um medico psiquiatra Rui Pires da Encarnação. O exame foi feito com recurso a três entrevistas dadas pelos familiares (pai, mãe e um cunhado). Ao longo do depoimento, Nerika revelou ao medico que não se recordava de nada. Disse que lembra-se apenas que o seu malogrado esposo teria pegado a filha de três anos para ir dar banho e de repente a mesma sentiu que o esposo ria-se dela e a filha menor tinha as mãos nos órgãos genitais do pai. Alega que já não se lembra de nada e que veio a saber por terceiros que o esposo estava morto. Teria dito também que nos últimos dias sentia-se tensa e achava que todo mundo falava mal de si tanto no trabalho como nas lojas por onde passou em Portugal.

No relatório que apresentou, o perito forense considerou que a mesma presentava “desatenção, parcial orientação no tempo e espaço, alem de Estado mental alterado”. O psicólogo Rui Pires concluiu ainda que devido a “perturbação mental grave, era ao tempo da acção, totalmente incapaz de entender o caracter ilícito do facto ou determinar de acordo com esse entendimento”.

Os familiares da mesma também estão convencidos que Nerika andava com alguma “alteração mental”. Alegaram ao médico Rui Pires, que um grupo de prisioneiras as reportou que na prisão de Viana, a argüida apresentava comportamentos paranormais consubstanciado em desejos ou pretensão de acarinhar os seios das outras colegas.

Nas ultimas semanas manifestou “forte” desejo de ver o filho mais novo. A vontade que manifesta em ver os filhos coincide ou calha numa altura em que a defesa por parte do malogrado país dos filhos de Nerika conseguiu um consenso que permite os “pequenos” a estarem alguns dias com a família de Lolo Lourenço.

Nerika é defendida por um advogado angolano Sergio Raimundo, com créditos firmados no mercado judicial. Por parte dos familiares de Lolo, tem uma advogada Paula Godinho. O processo é acompanhado por um juiz do tribunal provincial de Luanda, Manuel Antonio Morais.

O “Caso Nerika” abalou a cidade de Luanda desde o passado dia 1 de Abril quando a jovem Nerika provocou a morte do marido com mais de dez golpes de tesoura e faca nas regiões do pescoço, tórax, e abdômen. A autora do crime formou-se em direito em Portugal e no regresso a Angola passou a trabalhar para a SONAIR, empresa filiada a SONANGOL. Já o malogrado esposo, Lopo Loureiro, igualmente formado em terras Lusas, era funcionário do Banco de Comércio e Indústria (BCI). Era um jovem muito calmo, conforme uma discrição em meios familiares.