segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Avião angolano aterra de emergência e bombeiros de Almada encontram peças na rua. Partes de fuselagem encontradas em Almada



06.12.2010 - 14:11 Por Marisa Soares
Um avião da companhia aérea angolana TAAG, que partiu do aeroporto de Lisboa às 11h11 com destino a Luanda, foi forçado a regressar à Portela por problemas técnicos. Pelo caminho, terá deixado cair em Almada alguns pedaços metálicos da fuselagem, que atingiram um veículo mas não terão causado feridos.
“O avião levantou voo do aeroporto da Portela e voltou pouco tempo depois, por volta das 11h30, para fazer uma aterragem de emergência devido a um problema técnico”, confirma o porta-voz da ANA, Rui Oliveira. A mesma fonte adiantou que a aterragem decorreu normalmente e que não houve problemas com os passageiros, mas não confirma que os pedaços encontrados esta manhã nas ruas de Almada pertençam ao aparelho.

O alerta foi dado ao Comando Distrital de Operações de Socorro de Setúbal por volta do meio-dia. De acordo com o comandante dos Bombeiros Voluntários de Almada, Vítor Espírito Santo, as peças atingiram um carro que estava estacionado na Rua Lourenço Pires de Távora. “Foi encontrado um pedaço de fuselagem, com cinco centímetros de largura e 10 a 15 centímetros de altura, e partiu o vidro traseiro do carro, que estava vazio no momento”, explica o comandante.

O veículo, um Opel cinzento que estava estacionado entre outros carros, foi já retirado do local e está agora estacionado no parque da PSP de Almada. Fonte desta polícia explicou que "o proprietário deve agora apresentar queixa contra terceiros pelos danos causados".

Foram encontradas outras peças com a mesma dimensão, na mesma rua e em outros pontos da cidade, nomeadamente na Avenida D. Afonso Henriques, que fica ali perto. No local, estiveram os bombeiros de Almada e de Cacilhas a inspeccionar a zona. "Caiu também uma peça em cima do telhado de um prédio, mas não deve ter causado um grande estrago", disse o comandante dos Bombeiros Voluntários de Almada.

A investigação está agora a cargo do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves. “Temos uma equipa a dirigir-se para o aeroporto para averiguar o estado do avião e iremos posteriormente para Almada para confirmar se as peças pertencem a esse aparelho”, disse ao PÚBLICO o tenente coronel Fernando dos Reis, responsável pelo organismo.

De acordo com a SIC Notícias, a queda das peças do avião feriu duas pessoas e danificou dez carros. No entanto, até às 14h30, ninguém tinha dado entrada no Hospital Garcia de Horta com ferimentos causados pelo incidente. Fonte do CDOS de Setúbal disse ao PÚBLICO que "se houve feridos, não foram transportados de ambulância". O comandante Vítor Espírito Santo garante também que não tem conhecimento de mais do que um carro danificado pelas peças caídas do avião.

A TAAG Angolan Airlines integra a “lista negra” das companhias aéreas interditas na União Europeia, mas faz parte de um pequeno conjunto de dez transportadoras que estão autorizadas a operar dentro do espaço comunitário, condicionadas a rigorosas restrições de exploração.


Partes de fuselagem caíram em Almada
TAAG assume “eventuais” consequências da avaria do avião que aterrou de emergência em Lisboa

06.12.2010 - 17:55 Por Lusa, PÚBLICO
A TAAG - Linhas Aéreas de Angola vai assumir as “eventuais consequências” de uma avaria técnica que obrigou, hoje de manhã, um avião a aterrar de emergência em Lisboa, disse o delegado da operadora angolana em Portugal.


Em comunicado citado pela Lusa, o delegado da TAAG em Portugal, Virgílio Costa, afirma que a empresa “está a recolher informações sobre eventuais consequências resultantes deste incidente assumindo, desde já, a protecção de tais consequências”.

Um Boeing 777 com 125 passageiros a bordo aterrou hoje de emergência no Aeroporto de Lisboa, pouco depois de ter descolado, devido a uma avaria técnica. Durante a manhã de hoje, caíram diversas pequenas peças de avião em vários pontos de Almada, provocando danos materiais em, pelo menos, um veículo estacionado na rua.

Sem confirmar que as peças eram provenientes do Boeing 777, fonte da TAAG disse que “decorrendo dos inquéritos que estão a ser feitos e provando-se que as peças resultam do mesmo avião, obviamente que a TAAG assume as responsabilidades”. O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves, um organismo tutelado pelo Ministério das Obras Públicas, está já a proceder às investigações.

De acordo com o delegado da operadora angolana, o equipamento tem três anos de idade e aterrou de emergência “com toda a normalidade” às 11h31, 20 minutos após ter descolado de Lisboa (11h11), depois de o “comandante do avião ter sentido uma vibração no reactor direito”.

Os 125 passageiros que seguiam a bordo "não se chegaram a aperceber de qualquer anormalidade" e aguardam agora em hotéis de Lisboa um novo voo para Luanda que, segundo a mesma fonte, deixa o Aeroporto da Portela amanhã às 10h00.

A Comissão Europeia autorizou em Março a companhia aérea angolana a voltar a voar para todos os destinos da União Europeia “sob determinadas condições estritas e com aeronaves específicas”. O único destino europeu autorizado até essa altura à TAAG era Lisboa, “apenas com certos aparelhos e segundo condições muito estritas”.

Todas as transportadoras angolanas continuam na lista negra europeia de companhias proibidas de voar no espaço aéreo da UE, mas as restrições impostas à TAAG foram “parcialmente levantadas sob determinadas condições”.