Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Caso “Jorge Valério”: Mãe diz que polícia “soltou” os autores do crime




Luanda  - Euridice Sebastião, mãe  de Jorge Valério mais conhecido por “Tucho”, jovem morto em Setembro de 2012, queixa-se da falta de qualquer esclarecimento da parte da polícia à volta do caso, três meses depois do assassinato que levou Luanda a marchar contra a violência. Contactada na altura, a Porta-voz da Polícia, Engrácia Costa, disse ao Angolense que o processo está sob investigação e que é ainda prematuro avançar dados

Fonte: Angolense Club-k.net

Cumprida a fase da prisão preventiva, segundo nos confirmou a progenitora, os supostos assassinos estão em liberdade. E como forma de protesto, Euridice Sebastião confirmou ao Angolense que está prevista mais uma manifestação pública a 31 do corrente mês, com a intensão de, em paralelo, marchar contra a violência e exigir esclarecimento das autoridades competentes sobre o caso.

Euridice Sebastião disse que a polícia tem “todos” elementos para deter os supostos  ssassinos, principalmente o Adilson Monteiro, sobrinho do antigo ministro do Interior, Roberto Leal Monteiro “Ngongo”, em que no seu telemóvel foi encontrado mensagens suspeitas que indiciam o crime.

Chamado pelo Angolnse a revelar o teor das mensagens encontradas no telemóvel de Adilson, Roger Danilo Cruz, irmão de Jorge Valério, revelou que Adilson teria respondido às questões feitas por um comparsa ou amigo da seguinte forma: “Torturamos-lhe e ficou todo partido”, disse Adilson em mensagem telefónica, pouco tempo antes de “Tucho” ser encontrado morto. A mensagem, sem o nome de quem se fala, segundo a família, referere a “Tucho”.

“Como é possível o Adilson estar solto mesmo depois de encontrado este tipo de mensagem no telemóvel dele”, questiona a mãe que, segundo afirma, “ninguém escreve uma mensagem destas sem ter algo para sustentar”, para além de não saber o que pode acontecer caso Adilson cruse com um dos seus filhos na rua.

“Não é que eu pense em fazer algo a ele, mas a reacção faz o momento”, disse Roger, irmão da vítima ao Angolense, quando questionado a respeito de um possível encontro com Adilson, admitindo que o mais sensato é deixar que as autoridades façam o seu papel.

Apar dos elementos existentes como prova, conforme a mãe da vítima, estão o facto de num  encontro entre a mãe da vítima e Adilson, um dos principais suspeitos, a primeira perguntou onde estava seu filho, e Adlson teria respondido o seguinte: “Eu sou menor. Tu a mim não me fazes nada”. E mais: em conversa com a tia de Adilson, a pedir esclarecimento sobre a morte de Jorge Valério, no dia dos finados, o antigo ministro do Interior teria dito o seguinte: “Este já é um caso político”.

Desesperada, Euridice Sebastião, que clama por justiça, disse que as causas da morte do seu filho só não são esclarecidas porque ele não é filho de ninguém ligado ao poder, porque poucos dias depois aconteceu a morte de um cidadão espanhol e o caso foi esclarecido rapidamente.

A mãe da vítima, que considera Angola uma “selva”, em função do não esclarecimento de casos tão evidantes, em seu entender, revelou ainda que a Jéssica, a suposta namorada do malogrado, está detida, mas que daqui a pouco será solta, tão logo terminem os dias de prisão preventiva.

Família rescinde com advogado Euridice Sebastião garantiu ao Angolense que a família está à procura de outro advogado para a defesa do caso. Segundo argumenta, as razões da rescisão prendem-se com o facto de , até ao momento, o advogado do caso nada saber sobre o referido caso.

“Queremos ter outro advogado porque no dia 29 o caso faz três meses e ninguém diz nada”, revelou a mãe da vítima, para quem 90 dias é tempo suficiente para esclarecer pelo menos as coisas básicas de um caso com fortes evidências.

Questionada sobre o que disse o ainda actual advogado do caso à família, Euridice Sebastião respondeu que, às ordens da polícia, o mesmo advogado tinha solicitado o computador do Jorge Valério e ela recusouse a disponibiliza-lo.

A mãe da vítima, conforme nos contou, justificou a não entrega do computador com a falta de preocupação por parte da polícia com as mensagens contidas no telemóvel de Adilson. “Como é que a polícia me pede o computador do Jorge mas não me diz o que está no aparelho do Adilson”, questiona-se a mãe.

Reconhecido através do cinto e calçadosRoger, irmão de Jorge Valério, revelou que reconheceu seu irmão na morgue através do cinto e calçados (tenis), faceao espancamento a que este foi vítima, tendo sido deixado irreconhecivel, encontrado com parte do corpo queimada, olhos arrancados e fortes sinais de espancamento.

A mãe foi impedida de ver seu filho porque foi aconselhada a não fazê-lo, em função do forte espancamento que sofreu.“Não cheguei de ver meu filho porque me disseram que não aguentaria de tanta crueldade que fizeram com ele”, disse a mãe que, depois de vinte anos em Portugal, regressou a Angola com os três filhos há seis anos.

A morte de Jorge Valério acontece na sequência de uma briga entre este e Adilson Monteiro, o principal suspeito da morte, na opinião dos familiares da vítima. Jorge valério desaparece minutos antes quando esperava pela Jéssica, sua namorada, na casa desta, às 22 horas do dia 26 de Setembro e encontrado morto junto ao Estádio de futebol 11 de Novembro. Entretanto, Jéssica, actualmente detida, segundo Euridice Sebastião, já não era namorada de Jorge Valério, era, sim, namorada de Adilson Monteiro. À este jornal, o pai de Jéssica, Fernando Coelho, disse que, em conversa com a filha, a jovem de 17 anos, revelou que era namorada de
Jorge.

Fernando Coelho disse ainda que a sua filha nada tinha a ver com a morte de Jorge Valério, e que, inclusive, foi a primeira pessoa para quem a dona Euridice ligou a perguntar do paradeiro do seu filho.

De referir que depois de desaparecido Jorge Valério, familiares procuraram o telemóvel da vítima, via GPS, que estava desligado, cuja localização apontava na casa da Jéssica Coelho, a quem a mãe da vítima acusa de estar envolvida.

Contrariamente, Fernando Coelho disse que o satélite não localiza telemóvel desligado, mas espera que a polícia esclareça o caso. Quanto os supostos suspeitos, Fernando Coelho afirma que Jéssica não os conhece, nunca os viu, não sabe nada das suas vidas, nem sabia que o Jorge tinha uma briga com eles.