Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Lisboa. Em 86 funerais, seis crianças que ninguém reclamou





Por Kátia Catulo com Lusa
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Tal como os adultos, as crianças morreram sozinhas. Foram deixadas nos hospitais ou descobertas no lixo
São bebés ou crianças muito pequenas que morreram este ano e ninguém reclamou. O Instituto de Medicina Legal ou os hospitais transferiram os corpos para a Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa, que fez o seu funeral. Foram seis funerais de crianças, no total de 86 em que estão incluídos adultos que também morreram sozinhos em casa, na rua ou nos hospitais.
São crianças normalmente abandonadas pelos pais. E deixadas nos hospitais, nas ruas em sacos de plástico ou em caixotes de lixo, contou à Lusa o irmão provedor Pedro Vasconcelos: "Os casos não vêm com muita informação e aquilo que sabemos de uma maneira geral é que ou são crianças que, sendo abandonadas pelos pais, tiveram tratamento numa unidade hospitalar e depois disso morreram ou então já estavam mortas quando foram abandonadas."
Entre as 86 pessoas cujo funeral a Irmandade acompanhou nos primeiros nove meses deste ano, 47 eram homens, 29 mulheres, seis crianças e houve ainda quatro desconhecidos, ou seja, pessoas de quem não se descobriu qualquer identidade.
O procedimento normal passa por a Irmandade receber uma comunicação do Instituto de Medicina Legal de que tem um corpo para libertar, sendo o funeral pago pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. À irmandade cabe acompanhar o funeral, através de um sacerdote ou diácono, fazendo orações, levando velas e flores. Há contudo situações em que a gestão dos acompanhamentos dos funerais se complica: "Houve um dia que foram 12 funerais", contou Pedro Vasconcelos, acrescentando que normalmente os funerais se repartem por vários grupos, mas também acontece um grupo ter de acompanhar vários funerais, tendo para isso de concentrar mais de um no mesmo cemitério à mesma hora. A Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa faz acompanhamento de funerais desde 2004, tendo realizado já 1257, 691 de homens, 301 de mulheres, 36 de crianças, 56 de nados mortos e 87 de desconhecidos.