quinta-feira, 28 de abril de 2011

A Internet e os "Contra-revolucionários" do Facebook - Vanessa Mayomona


Holanda - Na história da humanidade, o desenvolvimento tem sido marcado por um contínuo processo revolucionário nas suas mais distintas formas. E nesse processo, foram conhecidas várias revoluções, tais como, a Revolução para abolição da escravatura, a Revolução Industrial, a Revolução Francesa, a Revolução da Emancipação dos Negros nos Estados Unidos da Ámerica e no Brasil, a Revolução pró-independências, a Revolução pró-Democratização, a Revolução da Emancipação da Mulher, entre outras, processos revolucionários que iniciaram há séculos e que têm até hoje em muitos lugares, continuídade.

Fonte: facebook

A Internet também revolucionou o mundo, porque trouxe novas ferramentas que possibilitam a comunicação e a troca de informação entre os homens e mulheres que surfam na web apartír de diferentes pontos do mundo, permitindo que uma noticia ou apenas um "boato", se espalhe rapidamente e seja conhecida e comentada por milhões de pessoas em diferentes partes do globo, em questão de minutos. E nisto, as redes sociais - destaco o facebook - têm nos últimos anos jogado um papel relevante.

Por definição, uma rede social on-line é uma página na rede em que se pode publicar um perfil público de si mesmo – com fotos e dados pessoais – e montar uma lista de amigos que também integram o mesmo site. Como em uma praça, um clube ou um bar, esse é o espaço no qual as pessoas trocam informações sobre as novidades cotidianas de sua vida, mostram as fotos dos filhos, comentam os vídeos caseiros uns dos outros, compartilham suas músicas preferidas e até descobrem novas oportunidades de trabalho. E sim, também falam de politica; tudo como as relações sociais devem ser, mas com uma grande diferença: a ausência quase total de contato pessoal. O poder destas redes sociais no sentido de facilitar a comunicação e permitir a mobilização de pessoas em torno de um objectivo comum é tão forte, que começa a inquietar cada vez mais, alguns regimes autoritarios e ditatoriais e seus "discípulos" , que por meio de "leis" autoritarias e ameaças dos seus "emissarios" na web, procuram reprimír, controlar ou bloquear o acesso a informação, e persseguír e/ou rotular pejorativamente a todos aqueles que, corajosamente, utilizam estas novas ferramentas para exigír os seus direitos ou protestar contra o abuso destes, criticar a governação e aqueles que governam.

Muito recentemente foi publicado no site www.club-k.net (o clube dos angolanos no exterior), por um pseudo-jornalista, um artigo, com o titulo Os "revolucionários cibernéticos" e o facebook que interpretamos ser mais uma tentativa infeliz e paranoica, de calar o pensamento ou as opiniões de pessoas que nasceram livres, e que por serem livres, e porque a constituição da Republica de Angola garante isso mesmo no seu Artigo 40.º (Liberdade de expressão e de informação), usam as redes sociais como um meio de também manifestar o seu descontentamento em relação á muitos aspectos que no nosso entender, não vão bem no país.

O artigo em referência, que na nossa opinião mais parece uma redação mal feita de um aluno da quarta classe, rotula todos aqueles que, nas redes sociais clamam por uma Angola melhor, de "Revolucionarios Ciberneticos". Consideramos que este é um titulo honroso, porque conforme dissemos no inicio, a historia humana tem sido marcada por revoluções e nós queremos fazer parte desta historia, não como meros espectadores passivos mas como actores activos, e a nossa primeira revolução passa por estudar muito e desenvolver as nossas própias capacidades e habilidades para mudar as nossas vidas, melhorar as nossas comunidades, e fazer de Angola um país melhor para todos nós. A sã noção de que temos de ser eternos aprendizes e não licenciados na sabedoria, nos impulsiona na busca constante do saber, para não limitarmos o nosso vocabulário e fazer interpretações bastante limitadas dos termos, neste contexto, da palavra “REVOLUÇÃO”, propositadamente ou por ignorância interpretada simplesmente de “GUERRA” por aqueles que nós apelidamos de “Contra-Revolucionários do Facebook”.

Os "Contra-Revolucionários" do Facebook, retraídos ainda pelos costumes do autrocratismo que os torna cegos diante de evidências da pobreza e surdos perante os clamores das populações agastadas de tanto sofrimento num país tão rico, e se lançam em ataques, calúnias e censuras sem nexo, indo ao mais rídiculo, rotulam os "Revolucionários Cibernéticos" que nada fazem senão o uso da liberdade de expressão, de "invejosos e cheios de ódio". Inveja de quê? Ódio de quem?

As manifestações que ocorrem em toda parte do Mundo e particularmente em Angola, não são emanação da INTERNET e nem dos “Revolucionários Cibernéticos”. Elas existiram antes da Internet e das redes sociais, existem e existirão enquanto o homem viver e conviver em comunidades e sociedades organizadas e civilizadas, como forma de expressar reconhecimento por políticas ou actos bem sucedidos e também como forma de reprovar ou repudiar políticas e actos mal sucedidos ou desajustadas do contexto.

O autor daquele artigo mediócre e cheio de erros ortograficos, pelos vistos considera apenas como Angola utíl, o bairro em que vive. Ele tem de saber que a maioria dos angolanos reconhece que o país é rico, mas a sua população cada vez mais pobre. Temos de ensinar este nosso compatriota, que o "crescimento economico" é um fenómento, "desenvolvimento economico" também é outro. O Desenvolvimento (economico) de um país é apreciado por todos, constatado por todos, e desfrutados por todos. Ao passo que o Crescimento Económico só é visto por aqueles que controlam os cofres do Estado, que têm acesso ás suas contas, planificam os seus gastos, sem dar a conhecer aos angolanos que são os verdadeiros donos. Temos de ensinar a este nosso compatriota, que os "Revolucionarios" Ciberneticos não são contra Angola, contra o governo, e nem mesmo contra ele. Também não invejamos as posições de ninguém, nem as fortunas de ninguém. O que nós, os "Revolucionarios Ciberneticos" queremos, é que as riquezas que pertencem à todos os angolanos sejam justamente distribuídas. Pedir isso é "malé"? Temos também de ensinar a este nosso compatriota, nosso irmão que nós amamos, que em todo o Mundo onde aconteceram revoluções - nem todos estiveram de acordo, mas os seus frutos beneficiaram a todos.

Fica então claro que o autor daquele artigo supérfluo não tem lições a dar a ninguém. Muito menos aos "Revolucionarios Ciberneticos". Tem é lições a aprender, sobretudo lições da historia da humanidade.

Agora faremos o remate final.
Existe, no chamado espaço Cibernético, debates abertos e participativos, abordando os mais variados aspectos sociais, políticos e culturais. Os mais polémicos, como é óbvio, são os de carácter político, tendo em conta o processo de transição que o país vive, saíndo do Comunismo caracterizado por Partido ÚNICO e autoritário para o Estado Democrático e de Direito – pluralidade de Partidos e Liberdade de Expressão. E neste particular, emerge na web dois grupos bem distintos. De um lado, os Chamados “Revolucionários Cibernéticos” com uma visão moderna que defende o aprofundamento do processo democrático e sua real aplicação e, do outro lado, os “Contra-Revolucionários do Facebook” que enfrentam enormes dificuldades de adaptação a conviver na diferença, habituados ao autoritarismo e ao absolutismo peculiar dos sistemas comunistas.

Ignóbil é, de constatar, que os “Contra-Revolucionários do Facebook” são incapazes de distinguir, nos debates de que eles são também assíduos participantes, os termos, títulos ou expressões utilizada em termos de folgança pelos “Revolucionários Cibernéticos” fazendo deles interpretações completamente descabidas e descontextualizadas.

Surpreendidas também estamos, com a enorme capacidade das bússolas dos “Contra-Revolucionários do Facebook” que reconhecem apenas, dos vários temas e notas postos em debate nos nossos murais, os que criticam a Governação, uma vez que se encontram também sugestões e ideias construtivas dirigidas aos Governantes e não só. Porquê que só se apegam ás criticas mas nunca ás sugestões?

Lembraremos, aos “Contra-Revolucionários do Facebook” o número de vezes que forem necessários, que o principal conceito da democracia é a liberdade, igualdade perante a Lei e sã convivência na diversidade e diferença de opiniões. Desafiamos os “Contra-Revolucionários do Facebook, a colocarem nomes e fotografias reais nos seus perfis tal como o fazem os “Revolucionários Cibernéticos”.

Aos “Revolucionários Cibernéticos”, temos grandes motivos de permanecermos nas redes sociais, inclusive no Facebook, por ser uma via fácil, rápida e segura de comunicarmos com os nossos Governantes, transmitindo as nossas opiniões, ideias e críticas quanto a forma de Governação. Processo esse, que na democracia, será feito com todos os que vierem a Governar o País. Participemos de forma activa na “Revolução Democrática” que conduzirá o país na realização de eleições participativas (sem impedir qualquer angolano que esteja no direito de exercer seu dever de cidadania) livres, justas e periódicas, nas escolha dos Governantes do País.

A DEMOCRACIA É UM BEM PRECIOSO E É UM PROCESSO IRREVERSÍVEL EM ANGOLA.