Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

sábado, 19 de maio de 2012

Brigadeiro Azevedo “Xavita”, DG Adjunto do SIE



Lisboa –  Actualmente a  exercer as funções de Director adjunto do Serviço de Inteligência Externa (SIE), o brigadeiro Azevedo Xavier Francisco “Xavita” é um dos quadros mais proeminentes  do aparelho de segurança de Estado em Angola oriundo das estruturas militares.

Fonte: Club-k.net
Conhecido como “O estratega”
Na década de 70 era um jovem morador do bairro terra nova, (mais tarde no Nelito Soares, rua C-11) em Luanda que depois  chegada dos  movimentos de libertação nacional  vinculou-se ao MPLA.  Em princípios  de 1975  foi enviado para instrução militar numa base do CIR – Centro de Integração Revolucionaria, em Belize, província de   Cabinda,  onde se cruzaria    com Pedro Sebastião, Joao Silva “Mayunga”,  Alberto Correia  Neto e Bornito de Sousa. 

Em finais da década de 80 tornou-se num quadro em ascensão, no aparelho de segurança traduzida na confiança que o regime depositara em si. Em Setembro de 1991,  o Presidente José Eduardo dos Santos  nomeou-lhe Vice-Governador do Kuando Kubango para os assuntos comunitários que era uma pasta reservada  a elementos da segurança de Estado. 

De regresso a Luanda, isto em Março de 1994, a sua próxima missão seria  para  a  Alemanha como 1° Secretario da Embaixada de Angola, na altura instalada  na cidade de Bonna.  A  nível  da Inteligência Externa, era conhecido como o “Chefe do Centro” que a partir deste país, controlava a estratégia do regime em  desativar  as redes da UNITA, na Europa e proceder a colecta de dados pessoais dos  seus dirigentes para engrossar na lista de sanções impostas aos rebeldes pelas Nações Unidas.  Ficou assim notabilizado como uma figura emblemática, do aparelho da segurança passando a ser tratado como “o estratega”, por ser ele que alvitrava  muitas das missões especiais (covert actions) do SIE – nunca postas em marcha sem o aval da DG e, por vezes, do próprio JES.
Nas vésperas da morte de Jonas  Savimbi um grupo do SIE (então ainda SSE), chefiado por  Azevedo “Xavita”, do qual faziam parte vários desertores da UNITA, entre os quais o General  Jacinto Bândua, tentou, em vão, aliciar em Lomé uma irmã do antigo líder da UNITA, Judite Savimbi, bem como vários quadros em Lisboa e Bruxelas.

Entre os renegados da UNITA do grupo de  "Xavita" contavam-se indivíduos que entretanto ingressaram nos quadros do SIE e se encontram actualmente ao seu serviço, colocados no estrangeiro (Silas, em Lagos; Maria Ekulika, em Harare e outra, nome impreciso, em Malabo).

Após o fim  do conflito armado,   regressou a Luanda. Fernando Miala, então chefe do SIE, via a necessidade de colocar-lhe em paris para  funções idênticas que desempenhava na Alemanha, porem, em 2000, acabou por ser enviado sob a capa de  adido de defesa visto que o cargo de 1º Secretario da embaixada estava ocupado por um experimentado oficial da segurança,  Daniel Rosa, com vasta experiência passada pela  Ex-URSS e  Costa do Marfim.

No seguimento da queda de Fernando Miala, em 2006, o Brigadeiro “Xavita” integrou o grupo de agentes colocados nas embaixadas chamados a Luanda para uma reunião com o general Manuel Vieira Dias “Kopelipa”.  Enquanto  que os seus colegas  regressaram para os seus postos de trabalho no exterior, Azevedo “Xavita”, foi instado a ficar  no país  para ingressar  na nova direção do SIE, liderada por Oliveira Sango. Foi nomeado chefe da  Direcção Europa e Ásia do Serviço de Inteligência Externa. Enquanto responsável desta direção, o brigadeiro “Xavita”   estava  sempre presente no grupo de avanço das raras  deslocações que o PR efectua a estes dois continentes. Em Dezembro de 2008, integrou  o grupo de avanço despachado para China, uma semana antes do PR ter viajado para Pequim.  A 26 de Fevereiro de 2009, o Chefe de Estado angolano  foi a Alemanha mas, “Xavita”  ficaria  em terra. Em ultima da hora, o Serviço de Inteligência Externa  Alemão (Bundes Nachrichten Dienst-BND) interferiu comunicando sobre  a desnecessidade de enviarem muitos  operativos e que eles tratariam  da proteção do líder angolano. No seu lugar, viajou  um elemento, identificado por “Evaristo”.

Em Agosto do mesmo ano, o PR, após auscultação do general Manuel Vieira Dias “Kopelipa” e de Oliveira Sango, DG da instituição,  nomeou-lhe como DG adjunto do SIE, em substituição de Gilberto Veríssimo.  O seu posto na  direcção Direcção Europa e Ásia  seria ocupado por Felisberto Fernandes da Costa.

Conhecedor da Europa, Azevedo Xavier Francisco “Xavita” foi também a figura que as autoridades mandaram para França, depois do CAN 2010, para apurar  a constatação de irregularidades na aquisição de quatro  carros  de exterior  encomendados pelo então Ministro da Comunicação Social, Manuel Rabelais  que não chegaram  ao país pondo em  risco a cobertura televisiva do campeonato. (A solução de emergência posta em marcha, de custos considerados muito elevados, consistiu em contratar uma empresa portuguesa, Media Lusa, que fez deslocar para Angola todos os seus meios técnicos e com 100 técnicos. A RTP também foi solicitada, despachando para Angola 18 técnicos.)

Como DG adjunto do SIE, “Xavita” passou a ter sob alçada a área da cooperação internacional, chefiada por Mario Costa.  Nesta condição após uma deslocação a Índia, em Novembro de 2010  propôs a Oliveira Sango, seu superior,  a necessidade de se instalar um “desk”, em Deli, (cobrindo Malásia e Tailândia) constituído por um oficial   que teria a categoria de “Chefe de Posto”, para haver   melhor acompanhamento de um notado   crescente  volume de negócios que  as entidades  ou  empresários daquele país  estariam a  injectar  em Angola cobrindo igualmente a Malásia e Tailândia.

Pelos seus feitos, a causa angolana,  as autoridades condecoraram-lhe, a 3 de Dezembro de 2010,  numa cerimônia, realizada no centro de convenção de Talatona, com  a medalha 11 de Novembro. Fizeram parte dos condecorados outros 254 cidadãos que terão contribuído para a luta de libertação nacional.