terça-feira, 23 de agosto de 2011

Elementos que mataram Eurídce Candido receberam 15 mil dólares


Luanda - Ventos de mais um escândalo aprestam-se a soprar forte no seio da Polícia Nacional. Em causa está ainda o assassinato que vitimou a funcionária bancária, Eurídce Cândido. É que agora surgem novos elementos em torno do caso, como por exemplo o facto de uma alta patente da corporação poder estar também envolvida, conforme confissão de um dos executores e, agora, sustentada por um rigoroso trabalho de investigação

*Mariano Brás
Fonte: Semanário A Capital Club-K.net
Fala-se de suposto envolvimento policial
Uma volta de 360 graus pode estar prestes a mudar o rumo dos acontecimentos na investigação que peritos da Direcção nacional de Investigação Criminal (DNIC) levam a cabo e que pode, por isso, as causas, circunstâncias e os mandantes do assassinato de Eurídce Cândido (Dodó).

É que, a fazer fé nas fontes deste jornal próximas ao dossier, os investigadores terão franqueado a boca e levado as mãos à cabeça diante de novas revelações de um dos dois assassinos confessos da jovem de 30 anos, entretanto já a contas com a justiça, que, ao que se diz, ‘despejaram tudo para fora’, nos últimos dias.

Os supostos carrascos de Dodó, segundo ainda a fonte, terão, a determinada altura, confidenciado à investigação que teriam sido contratados para executar aquela indefesa mulher, por uma suposta alta patente da Polícia Nacional.

Recentemente, os executores, já detidos, terão citado o nome de um suposto contratante, mas os investigadores do processo preferem manter todos os pormenores em sigilo, a ter de comprometer toda a investigação.

Adiantaram, porém, dispor de elementos bastantes, fornecidos pelos presumíveis executores, de que se trata de um oficial superior de renome no seio daquela corporação castrense, mas que se encontra ainda em actividade.

Outra informação disponibilizada pelos algozes é o que dá conta, por exemplo, que para a realização daquele infausto ‘servicinho’ teriam recebido das mãos do referido contratante, mais de 15 mil dólares norte-americanos a cada um dos integrantes do bando de malfeitores.

A investigação chegou a tal extremo, por a arma usada na execução da jovem é de uso exclusivo da Polícia Nacional, no caso uma Makarov, além de que os alegados executores terão indiciado alguma experiência militar, facto que faz aumentar ainda mais as suspeitas, de algum conluio de uma figura interessada em ver a vítima sumida do mapa.

Por outro lado, não está ainda clarificado por que naquela sexta-feira do assassinato, 28 de Janeiro último, não se notou a presença de uma patrulha policial na rua Eurico, como é habitual acontecer noutros dias naquela zona, que responde pela Divisão da Ingombota. Esta é também uma das peças que faltam para completar o puzzle.

Sem se referirem a um ajuste de contas, os investigadores procuram saber por que os assassinos terão decidido silenciarem-na. Além de se encontrarem a trabalhar com elementos de possíveis crimes passionais, não descartam, porém, outros elementos, como, por exemplo, um suposto negócio em que a vítima se terá envolvido com uma determinada figura bem posicionada. “Estamos a levar em conta todas as hipóteses investigativas”, revelou a fonte, bastante convictos nas suas palavras, para quem os resultados finais deste crime poderão assustar, uma vez mais, os angolanos, a julgar pelo que se julgam serem os rostos envolvidos.

E as investigações prosseguem. Até ao fecho da presente edição, segundo ainda a fonte que temos vindo a citar, eram interrogadas indivíduos próximos ao antigo governador provincial de Luanda.

Uma dessas pessoas terá sido um dos irmão do recentemente demitido edil de Luanda, José Maria dos Santos, uma vez que se notam contradições nos interrogatório. Aliás, aventava-se mesmo a possibilidade da sua detenção.

O nosso interlocutor mostrou-se, contudo, receoso quanto ao desfecho deste caso. “Será preciso muita coragem, pois as autoridades policiais terão de assumir a existência no seu seio a presença de elementos com a conduta indecorosa, que deveriam ser banidos da corporação”, sugeriu, uma vez mais, a fonte.

Efectivos da Polícia de Investigação garante que continuam no encalço de elementos ainda foragidos. Este é um assunto que procuraremos retomar em próximas oportunidades, trazendo novos desenvolvimentos em torno de mais este rocambolesco caso, sobretudo, agora, quando se fala que possíveis altas patente aterão também alinhado na catarse.