Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Como trabalhar com gente chata


Não adianta: todos nós, em algum momento da vida, vamos ter que trabalhar com pessoas das quais não gostamos. Pode ser um colega de departamento, um subordinado, um chefe, um cliente… Enfim, alguém com quem você evitaria o contato, se pudesse. Como essa geralmente não é uma boa alternativa (a menos que você não se incomode em perder o emprego – e passar pelo mesmo problema em outra empresa), o jeito é aprender a lidar com essas pessoas.
O consultor estratégico e palestrante Peter Bregman, que escreve para o Harvard Business Review, conta como contornou a situação. Certa vez, ele teve de trabalhar com Jeff (nome fictício) em um projeto que iria beneficiar os dois. Jeff era um profissional honesto, respeitado e capacitado. O problema é que Peter não gostava dele. E não sabia exatamente o porquê. Talvez Jeff parecesse meio arrogante e autossuficiente demais, incapaz de pensar nos outros.
Quando explicou o problema para a pessoa que os colocou para trabalharem juntos, ela respondeu o seguinte: “Você não precisa gostar dele, mas seria esperto se trabalhasse com ele”. Ou, em outras palavras, “esqueça isso e apenas faça o trabalho”.
Ignorar o problema não adianta
Quando fala sobre trabalhar com uma pessoa da qual não gostamos, Peter não está se referindo àquele colega que não consegue conduzir uma reunião, escrever um e-mail ou desenvolver um projeto. Afinal, por mais que sua falta de habilidade para executar uma tarefa nos incomode, não significa necessariamente que não gostamos desse colega.
“Pense em como você responde de forma diferente quando alguém de quem você gosta não consegue conduzir uma reunião (você tenta ajudá-lo) e quando é com alguém de quem você não gosta (você quer parar de trabalhar com ele ou, então, se a reunião for muito longa, matá-lo)”, exemplifica.
Normalmente, quando você diz a alguém que não gosta de um colega de trabalho, o conselho é algo como “tente não pensar muito nisso, apenas faça seu trabalho”, ou “não leve para o lado pessoal”. Peter considera esses conselhos impraticáveis, porque nós acabamos perdendo tempo reclamando do colega chato ou, ainda, nos estressando em relação aos momentos em que temos que lidar com ele. Não dá para simplesmente “fazer nosso trabalho”.
Contudo, acrescenta, isso não é o pior: se você não gosta de alguém, é possível que essa pessoa descubra e passe a não gostar de você também. “Se você acha que trabalhar com alguém de quem você não gosta é ruim, tente trabalhar com alguém que não gosta de você”, diz. Colegas com os quais você se dá bem normalmente tentam te ajudar; já aqueles que não querem nem olhar sua cara em geral fazem o possível para dificultar as coisas.
O que fazer?
Peter recomenda que, em primeiro lugar, você pense naquilo que faz com que você não goste do seu colega de trabalho. Talvez você o ache egoísta. Indisciplinado. Impaciente. Mal-intencionado. Intolerante. Peter, no caso, via Jeff como alguém egocêntrico, arrogante e que sempre colocava suas necessidades acima das dos outros.
“Agora – e essa é a parte difícil – pense se, nos cantos escuros do seu ser, você consegue detectar fragmentos daqueles traços desagradáveis”, aconselha. Você às vezes é egoísta ou indisciplinado? Impaciente? Faz coisas com más intenções? Há momentos, sugere Peter, em que gostaríamos de nos afastar de nós mesmos; da mesma forma que gostaríamos de nos afastar do colega.
“Em outras palavras, há chances de que você não aguente aquela pessoa em primeiro lugar porque ela lhe faz lembrar daquilo de que você não gosta em si mesmo”, afirma. Quando é esse o caso, buscar compreender o outro é buscar se compreender.
A superação da própria chatice
Há vezes em que vemos e desprezamos nos outros características que fazem parte de nós – por mais difícil que seja admitir isso. Quando encontramos alguém que tem os mesmos defeitos que nós (e que nos incomoda justamente por isso), podemos transformar o incômodo em aprendizado.
Por um lado, sentir na pele os próprios defeitos (mesmo que só apareçam raramente) pode provocar mudanças internas. Pode nos levar a pensar algo como “nossa, não achava que eu pudesse ser tão chato”.
Por outro, quando a outra pessoa tem os mesmos defeitos que nós, é mais fácil entender como ela se sente e como essas características podem não parecer “defeitos” para ela. Peter recomenda que você pense nos momentos em que agiu como seu colega. O erro, o incômodo causado parecia tão claro como parece quando você vê outra pessoa agindo dessa forma?
“Você pode viver com a complexidade da sua humanidade? Esta é a chave para ter compaixão por si mesmo. E, dessa forma, ter compaixão pelos outros”, conclui Peter. Depois de passar por todo esse processo, ele começou a ver a si mesmo em Jeff. Ao final do texto, ele admite: “Agora gosto de Jeff”.[Life Hacker]