Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Manuel Vicente, de empresário a político


Luanda – Manuel Vicente, empossado ao cargo de vice-presidente da República de Angola, na sequência da sua eleição a 31 de Agosto, como segunda da lista do MPLA, nasceu em Luanda a 15 de Maio de 1956,  no bairro do Sambizanga, em Luanda.

Fonte: Angop/Lusa Club-k.net
Filho de pai sapateiro e de mãe lavadeira, Manuel Vicente soube, desde miúdo, que o estudo era o principal caminho para ultrapassar as dificuldades. Iniciou o ensino primário e secundário na Missão de São Domingos. Porém, interrompe-os por problemas financeiros, por um ano, e trabalha como aprendiz de serralheiro e linotipista, para ajudar a sustentar a família.

Com o passar dos anos, Manuel Domingos Vicente formou-se em engenharia Electrotécnica  (Sistemas de Potência) pela  Universidade Agostinho Neto em 1983. De 1981 a 1987 chefiou a divisão de engenharia da Sonefe - Sociedade Nacional de Estudos e Financiamento, tendo de 1987 a 1991 dirigido um departamento técnico do Ministério da Energia e Petróleos.

Em 1991, Manuel Vicente foi nomeado director Adjunto da Sonangol-UEE, cargo que exerceu até 1998. Em 1999 foi nomeado em Decreto nº 20/99 do Conselho de Ministros, Presidente do Conselho de Administração da Sonangol-EP, cargo que exerceu até 2012.

Durante o seu mandato na petrolífera angolana, foi em simultâneo, consultor do GAMEK - Gabinete de Aproveitamento do Médio Kwanza (do sector eléctrico), vice-presidente da Fundação Eduardo dos Santos e presidente da empresa de telefonia Unitel. A 30 de Janeiro de 2012, em Decreto Presidencial, foi nomeado Ministro de Estado para a Coordenação Económica, depois de muita especulação.

Já na altura visto como uma estrela em ascensão, Vicente, de 56 anos, tornou-se no principal coadjutor do Presidente na condução da política económica de Angola e tem vindo a aparecer cada vez mais como uma "figura proeminente" do MPLA.

A 13 de Junho assumiu o segundo lugar na lista do partido às eleições gerais de 31 de Agosto, ultrapassando dirigentes com peso e folha de serviços partidária, mas que não conseguiram contrapor as suas vontades aos desejos do Presidente.

Fiel a uma reputação de discrição, a sua primeira aparição pública como ministro só aconteceu três meses depois de entrar no Governo, a 10 de Maio, quando apresentou o balanço das actividades do executivo de José Eduardo dos Santos no primeiro trimestre de 2012.

Os rumores que o situavam como o preferido de José Eduardo dos Santos na cadeia de sucessão começaram em Março de 2011, quando Vicente, citado pelo semanário angolano Novo Jornal, disse que até ao final desse ano deixaria a presidência do conselho de administração da Sonangol.

Engenheiro de formação e presidente da Sonangol entre 1999 e 2012, Vicente tem um perfil atípico, já que não fez carreira no exército nem no MPLA.

Manuel Vicente construiu o seu passado sempre nos petróleos, subindo a pulso no interior da Sonangol, tornando esta empresa de simples concessionária e distribuidora numa importante investidora, com activos financeiros na Europa, Ásia e América, além de ter criado subsidiárias em alguns países africanos, sobretudo de língua portuguesa.

Da passagem de Vicente pela Sonangol há também a reter o facto de ter transformado uma empresa petrolífera num conglomerado onde coexistem participações nos capitais sociais dos mais variados sectores: dos combustíveis aos serviços, passando pela banca, seguros e transportes.

Na sua formação profissional, acresce-se os cursos de subestação e linhas de Transmissão, Furnas/Brasil-1985, de Gestão de Empresas Petrolífera, Londres-1991, comercialização de Petróleo e seus Derivados, Londres-1991, Economia das Operações Petrolífera - Instituto de Petróleos, Londres-1991, Análise de Risco e Decisão na Indústria Petrolífera (OGCI) - Calgary 1992,  Economia de Petróleos - (OGCI) - Londres 1992, entre outros ligados ao ramo petrolífero.