Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

sábado, 28 de abril de 2012

Valbanera, o Titanic espanhol que permanece no esquecimento


Carmen Jiménez. Redação Central, 27 abr (EFE).- Sete anos depois do naufrágio do Titanic, o barco a vapor Valbanera afundou em uma região de Florida Keys, nos Estados Unidos, com quase 500 emigrantes espanhóis a bordo, em uma das maiores catástrofes da marinha mercante espanhola que permanece no esquecimento. O naufrágio do Valbanera, denominado o "Titanic dos pobres", que durante anos cobriu a linha regular Espanha-Cuba, é um dos capítulos mais negros da história da emigração espanhola. A histórica embarcação, da companhia Pinillos, Izquierdo y Compañía, que no início do século 20 transportava milhares de emigrantes espanhóis para a América, afundou sem deixar sobreviventes, em circunstâncias ainda não esclarecidas, entre os dias 9 e 12 de setembro de 1919. O navio permanece no fundo do mar nas areias movediças de Bajo de la Media Luna, 40 milhas ao oeste de Key West. Como tantos outros, o vapor tinha o nome de uma virgem, neste caso Nossa Senhora de Valvanera, venerada em La Rioja, embora a embarcação tenha sido batizada como Valbanera (com b) por algum erro. Com a perda da âncora no porto de Santa Cruz de La Palma (Canárias) - um mau presságio para os marinheiros - o Valbanera, sob o comando do capitão Ramón Martín Cordero, zarpou no dia 21 de agosto de 1919 rumo à América com 1.142 passageiros e 88 tripulantes. Após ter feito escala em San Juan de Porto Rico, chegou no dia 5 de setembro a Santiago de Cuba e, a partir desse momento, começa o mistério que envolve este naufrágio. Embora a maior parte dos passageiros tivesse bilhete para Havana, a maioria deles (742 pessoas) decidiu desembarcar em Santiago, o que salvou suas vidas. Quando o navio chegou a Havana não pôde entrar no porto, que estava fechado devido a um potente furacão e por isso o capitão do Valbanera voltou a alto-mar para tentar enfrentar as dificuldades. Mas infelizmente não conseguiu. E não houve um único sobrevivente para contar exatamente o que aconteceu. Os restos do navio não foram localizados até o dia 19 de setembro por um submarino da Marinha dos EUA. À Espanha, as notícias chegaram desde Havana com conta-gotas e muitas vezes de forma contraditória. A maioria das vítimas era das Canárias. O especialista espanhol em acidentes marítimos Fernando José García Echegoyen está há mais de 25 anos investigando este naufrágio, trabalho que deu origem a seu livro "El Misterio del Valbanera" e um site na internet dedicado ao tema. Desde 1992 Echegoyen dirige o Projeto Valbanera, uma iniciativa cultural com a qual pretende resgatar do esquecimento este naufrágio e recuperar parte dos restos do transatlântico espanhol. Echegoyen comandou três expedições e, na primeira delas em 1992, conseguiu filmar e fotografar os destroços do Valbanera pela primeira vez desde seu afundamento em 1919. A última expedição, em 1996, foi financiada pela fundação Archivo de Indianos e alguns dos restos recuperados são exibidos nas instalações da entidade em Colombres (Astúrias). Sobre as circunstâncias do naufrágio, a hipótese de Echegoyen é que ao não poder entrar no porto de Havana , o Valbanera partiu rumo ao Golfo do México, mas foi atingido por um forte temporal. Em declarações à Agência Efe, Echegoyen destacou que "90% dos destroços está enterrado na areia" e por isso as três expedições viram apenas "peças estruturais do navio". No entanto, Echegoyen ressaltou que conseguiram resgatar "dois postigos e a letra B da palavra Valbanera". O especialista também explicou que em 2005 pagou a uma mergulhadora para que voltasse a dar uma olhada no navio e que, ao bater os pés de pato na área da proa, levantou areia e descobriu um prato da baixela do barco que é "um autêntico tesouro". Por causa da crise econômica e da falta de patrocinadores, Echegoyen tem o projeto "limitado a dar conferências e a fazer exposições ocasionalmente", e atualmente trabalha em seu novo livro "Regreso al Valbanera". Enquanto na Espanha permanece no esquecimento, em Key West segue viva a lenda do Valbanera, que inspirou Ernest Hemingway a escrever o conto "Depois da Tempestade". Ali, os velhos marinheiros o chamam de "The Ghostship of the Quicksands" ("O Navio Fantasma das Areias Movediças"). EFE cjn/rsd
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Imagem: La historia del naufragio del Valbanera está rodeada de bastante misterio.
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