Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Transacções só serão possíveis com passaporte e bilhete da passagem por Angola.


Operadores avisam que as novas restrições na troca de dinheiro vão acabar com o negócio. Transacções só serão possíveis com passaporte e bilhete da passagem por Angola.
Dentro de uma semana, entram em vigor regras mais apertadas para a compra e venda de moeda nas casas de câmbio em Angola. A troca de dinheiro só será possível mediante a apresentação do passaporte e do bilhete da passagem pelo país. Os operadores do mercado estão contra as novas regras e alertam para o risco de encerramento de casas de câmbio, com as restrições impostas.

As mudanças ocorrem a partir de 30 de Agosto e resultam de um instrutivo legal do Banco Nacional de Angola (BNA). Até agora, qualquer pessoa podia comprar dólares nestes estabelecimentos, tanto para fins pessoais como para viagens.

Isso já não será possível. De acordo com as novas instruções, as casas de câmbio apenas poderão vender notas e moedas estrangeiras ou cheques de viagens mediante apresentação do comprovativo da viagem e do passaporte com visto. No caso de residentes, só podem ser trocados 15 mil dólares ou o seu equivalente em moedas estrangeiras.

Para os não residentes, a venda de moedas estrangeiras deve também ser feita por via da apresentação do bilhete e do passaporte, até ao montante de 10 mil dólares.

Operadores contestam

As novas regras deixam os operadores de mercado preocupados. Hamilton Macedo, presidente da Associação das Casas de Câmbio de Angola, refere que a forma como foi moldado o novo regulamento não dá margem de manobra às casas de câmbio.

«O BNA apanhou-nos de surpresa, não fomos tidos nem achados no acto de elaboração do instrutivo. Se tivéssemos sido contactados, pensamos que podíamos ter dado um contributo diferente, mas não aconteceu», desabafa Hamilton Macedo, que acrescenta: «Existem no país 73 casas de câmbio. Não acredito que, com a implementação dessas normas, muitas se mantenham no mercado. Há necessidade de o BNA chegar a um consenso connosco».

Lança de Morais, director da Global Câmbios, avisa também que «o novo instrutivo não traz nenhum tipo de benefício ao mercado, pelo contrário. Trará uma plena destruição do negócio».

Pedro da Silva, director-geral da casa de câmbio TransGlobal, concorda com esta opinião, e acrescenta que não será fácil para as casas de câmbio venderem moeda devido à concorrência. «Nós compramos as divisas aos bancos e grande parte dos bancos também fazem câmbio. Sempre que alguém quiser viajar vai preferir ir ao banco em detrimento das casas de câmbio, porque as taxas lá serão sempre mais atractivas que as nossas, uma vez que também somos clientes deles», lamenta.

jose.mauricio@sol.co.ao