Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Os Nyaneka-Humbi



Essencialmente criadores e pastores de gado mas também agricultores, os nyaneka-humbi encontram-se confinados à província da Huíla. Embora ligados aos Ovimbundu, contrariamente a estes, os Nyaneka-Humbi são fechados e pouco flexíveis.

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O tipo de alimentação destas populações pastoris é a base de leite e de farinha duma variedade de cereal designada massango. Tal como os agricultores do norte do país, os terrenos de cultivo não constituem propriedade individual. “O mesmo, aliás, se observa nos restantes povos criadores. Também os pastos são comuns. Averiguamos, no entanto, entre os Humbes, uma organização do espaço verdadeiramente notável”, diz-nos José Redinha.

Segundo Fernando Neves, em 1960, os Nyaneka-Humbi aproximavam-se dos 129 mil habitantes, dos quais 100 mil eram Nyaneka. Considera-se que os Nyaneka sejam dos mais antigos ocupantes da região, seguindo-se os Humbi. “A região dos Humbes foi atingida pela invasão dos Hotentotes do Sudoeste Africano (actual Namíbia), que levou as suas incursões até às margens do Cunene, a partir do ano de 1881”.  O esquema sociopolítico dos Humbi apresenta um tipo de autoridade difundida no grupo que é orientada pelos chefes simples ou por alguns seculo (mais idosos) e ainda por criadores de gado mais importantes, segundo o princípio do primus inter pares. 
Redinha refere também que “no plano cultural expressam, à semelhança dos Ambos e dos Hereros, influências da cultura camita oriental, levada até ao Cunene pelas migrações dos pastores camíticos do Nordeste Africano. A essa tradição se liga a instituição do ‘gado sagrado’ nela incluída o cortejo do “boi sagrado”, tido como reminiscência do culto do boi Ápis dos velhos altares do Nilo, anualmente praticado entre Nhanhecas”. 
Do ponto de vista artístico, os Humbi cultivam o adorno do corpo e curiosos penteados, produzindo vestuários e ornatos de natureza diversa, incluindo a confecção de pulseiras metálicas cuidadosamente gravadas.
Na vida social dos Nyaneka-Humbi realizam-se ritos de puberdade feminina e nos actos divinatórios praticam o aruspício. “Os arúspices eram sacerdotes romanos que faziam prognósticos consultando as entranhas das vítimas”. Ainda de acordo com José Redinha, na sua obra de investigação intitulada “Etnias e Culturas de Angola”, editada, em Luanda, em 1974, “os Humbes revelam ao observador a existência de uma elite de tipo evoluído que se mostra dotada duma notável inteligência prática”.
Variantes Linguísticas

Vatomene Kukanda refere-se a nove variantes linguísticas, que abrangem, sobretudo, a província da Huíla e também uma parte da província do Cunene. Na província da Huíla: o mwila, o ngambo, o humbi, o huanda (mupa), o handa (cipungu), o cipungu, o cilenge-humbi e o cilenge-muso. Na província do Cunene: o humbi, o ndongwela, o hinga e o konkwa. 

Filipe Zau, Ph.D em Ciências da Educação e Mestre em Relações Interculturais
Retirado de Jornal de Angola (02 Fev. 2010)