Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Consequências da queda do petróleo poderão ser benéficas





MARTIN WOLF "DO FINANCIAL TIMES"
http://www1.folha.uol.com.br

O significado do declínio do petróleo para a economia mundial depende da razão para ele ter ocorrido e do tempo que durará. Mas, em termos gerais, a queda será útil.
Especialmente importante será o impacto nos países que são exportadores de petróleo em termos líquidos (exportam mais do que importam).
Entre o fim de junho e o começo deste mês, o preço do petróleo cru caiu em 38%.
Esses preços baixos durarão? Ou poderão baixar mais?
Não sou insensato de tentar prever; as elasticidades de preço são tão pequenas (e as margens entre oferta e procura tão finas) que é fácil errar.
Nesse estágio, parece incerto que a queda nos preços seja estrutural duradoura. Mas presumamos que ela dure. Quais seriam as consequências? Aqui estão seis:
Primeiro, uma queda de US$ 40 no preço do petróleo significa uma virada de US$ 1,2 trilhão (ou perto de 2% do PIB mundial) dos países produtores para os consumidores. Isso importa, pois os consumidores tendem a gastar mais rápido do que os produtores, o que pode gerar algum estímulo à demanda.
Segundo, a queda nos preços da energia reduzirá ainda mais a inflação, já baixa. Isso cria dois riscos contrapostos: um é o de que a tendência possa ajudar as expectativas de inflação ultrabaixa a fincar raízes; o risco oposto é que isso incentive os bancos centrais a ignorarem ameaças de alta na inflação subjacente. No momento, o primeiro risco é maior.
Terceiro, a queda nos preços da energia elevará a lucratividade da produção que requer uso intensivo de energia. Ao mesmo tempo, reduzirá lucros e investimentos de capital dos produtores de petróleo. A tendência pode criar riscos de falências no setor de energia, sobretudo entre produtores de petróleo endividados. Até que ponto isso poderia prejudicar os credores ainda não está definido.
Quarto, a queda nos preços redistribuirá renda dos países que exportam para os que importam petróleo --o que inclui a zona do euro, o Japão, a China e a Índia.
Os EUA, hoje, são exportadores líquidos (por causa do gás e do petróleo de xisto).
Mas os países exportadores importantes dependem da receita do petróleo. Entre eles estão Irã, Rússia e Venezuela. O problema não poderia vir para regimes melhores! Mas déspotas encurralados também são um risco.
Quinto, a queda nos preços da energia mudará os preços dos ativos. As taxas de câmbio dos países produtores de energia sofrerão pressão de baixa, o que já pode ser visto no rublo russo. As ações das empresas que se beneficiam de preços mais baixos para o petróleo subirão. Isso pode criar novas bolhas nos mercados de ações.
Por fim, preços do petróleo em queda ameaçam tornar mais intenso o uso do carbono pelas economias, e a reduzir a eficiência energética.
Mas também oferece uma oportunidade de elevar impostos sobre o petróleo ou cortar perdulários subsídios ao consumo em caráter permanente. É uma oportunidade que qualquer governo sensato deveria aproveitar.
Resta muita incerteza sobre a que ponto os preços cairão, e quanto durará a queda.
Mas, na medida em que eles refletem força na oferta e não redução na demanda, os preços em queda representam um estímulo bem vindo para a economia mundial. Também representam uma transferência de renda bem vinda, tirando dinheiro de despotismos petroleiros. É difícil não celebrar esse fato.