Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O actual preço do petróleo e as multinacionais





1.  Os preços internacionais do petróleo prosseguem em trajectória descendente. Vão mesmo já acumulando cerca de 30% de subida face, por exemplo, aos preços registados em Julho deste ano. Tal percentagem constitui uma muito significativa perda de valor naquela que é ainda a mais importante fonte de energia da sociedade moderna.

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2.  Os impactos da descida do preço estão a provocar distintos reflexos sobre os diversos países, no caso de uns serem importadores e outros serem exportadores de petróleo.

3.  Como é evidente, aos países importadores de petróleo interessa um preço do petróleo mais baixo, resultando daí alívio nas suas contas. Aos países exportadores, sem sombra de dúvidas que interessará preços mais elevados, melhorando as suas receitas.

4.  Todavia, essa é uma perspectiva de certo modo redutora, uma vez que existem outros actores em cena, as empresas, com o seu interesse particular que nem sempre é completamente coincidente com o dos estados. Vale, pois, a pena dar uma ligeira olhadela para a posição das multinacionais ligadas à extracção e comercialização do petróleo, colocadas agora no âmago destes interesses contraditórios.

5.  Na maior parte das vezes, as multinacionais são originárias de países importadores de petróleo. O que não implica que não haja nesse negócio empresas de grande porte sedeadas em países exportadores. Mesmo assim, a todas elas interessará, seguramente, preços mais elevados, independentemente do interesse geral dos seus países.

6.  Com os actuais preços do crude, as principais multinacionais ocidentais, Exxon, Chevron, Shell e BP PLC vão vendo reduzidos os seus lucros a níveis inferiores aos de dez anos antes, quando até estavam a vender o petróleo e o gás natural a preços iguais a metade dos actuais. Esta diferença de resultados deriva, sobretudo, do aumento dos custos de produção, pois as novas explorações são feitas em condições cada vez menos favoráveis. Segundo dados recentes, as margens de lucro das multinacionais do petróleo baixaram dos 35% obtidos na última década, para 26% registados nos últimos 12 meses.

7.   Os níveis de produção da Shell já são idênticos aos que tinha dez anos antes. Perspectiva-se que continuem a descer. O mesmo sucederá com a Chevron. A Exxon está com níveis de produção aproximados dos de há cinco anos.

8.  Fruto desse estado de coisas, não são poucas as multinacionais que decidiram não só adiar investimentos que tinham em carteira, como, inclusive, realizar desinvestimentos nos campos petrolíferos menos lucrativos.

9.  Se é verdade que o adiamento dos investimentos em carteira e os desinvestimentos terão implicações sobre a actividade económica dos respectivos países, não deixa de ser verdade que eles também se reflectirão na responsabilidade social dessas mesmas empresas, alguns dos quais serão demasiado importantes para o bem-estar das suas populações.

10.                    A queda dos preços do petróleo está a afectar muito negativamente países como a Venezuela, Irão, Rússia, Iraque, Nigéria, e até mesmo Angola, podendo, porém, ter impactos positivos sobre os maiores importadores de petróleo, nomeadamente, países europeus e a China.

11.                    A situação da Venezuela é das mais sensíveis. Está mesmo a forçar o Presidente Nicolas Maduro a alterar a política de hostilização das multinacionais, que foi o cavalo de batalha de Hugo Chavez. Caso Nicolas Maduro adopte uma política de maior cooperação para com as multinacionais, terá, então, que enfrentar a animosidade dos “bolivarianistas” mais radicais.

12.                    A Rússia não vive momentos muito melhores, engajada que está num conflito que pode, inclusive, descarrilar, obrigando-a a grandes encargos.

13.                    Temos também que ficar atentos aos maus momentos que se avizinham para nós, pois o sector não mineral da nossa economia está ainda muito dependente dos resultados obtidos no sector petrolífero. E esta dependência manter-se-á por muito tempo, até que ele se realimente, criando a sua própria dinâmica.