Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Grande Investigação. O passaporte de Lúcia e as desconfianças da PIDE


por Rui Pedro Antunes

Fundador da obra tinha um plano expansionista e queria começar por abrir uma delegação na França, mas intervenção da irmã Lúcia fez que Portugal fosse o primeiro país, a seguir à Espanha, a contar com a presença do Opus Dei. O Estado Novo e o próprio patriarca desconfiaram da obra, que a PIDE nunca deixou de seguir de perto.
O fundador do Opus Dei, Josemaría Escrivá de Balaguer, saiu de Madrid num dia de inverno com um objetivo: "conquistar" Portugal, fundando a obra no País. Mas havia um problema: não tinha passaporte que lhe permitisse passar a fronteira. Contou, no entanto, com a ajuda de uma amiga: a pastorinha Lúcia. Foi a 29 de janeiro de 1945 (há 68 anos) que Josemaría conseguiu chegar à fala com Lúcia, e a empatia foi imediata, tendo a vidente de Fátima pedido ao beato espanhol para fundar a obra em Portugal. Para isso era preciso entrar no País e ter o aval do cardeal Cerejeira, nada que Lúcia não conseguisse.
Com um simples telefonema, a vidente de Fátima - que tinha influência junto das mais altas figuras do regime - conseguiu, em tempo recorde, um visto para Josemaría. E se até este ponto da história as várias conversas com membros do Opus Dei e os factos relatados na principal bibliografia sobre a obra são unânimes, quanto ao destinatário do telefonema de Lúcia já não há consenso.